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Por detrás das palavras

Por detrás das palavras

10
Ago20

Opinião | "A filha do Papa" de Luís Miguel Rocha (Vaticano #4)

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"A filha do Papa" é o quarto livro da série Vaticano e o primeiro livro que leio do escritor Luís Miguel Rocha. Não tenho por hábito ler livros onde a questão religiosa tenha um papel preponderante na narrativa. Gosto de outro tipo de mistérios e de ler sobre crimes que não se foquem em questões religiosas. Porém, considero importante sair da minha zona de conforto literário e explorar outro tipo de histórias e novos estilos de escrita.

Pelo título do livro é possível antever um pouco o conteúdo da história. É claro que o livro é mais do que o mistério em torno da filha do Papa. Considerando os diferentes elementos que compõem a história, alguns despertaram bastante o meu interesse e outros fizeram com que passasse por fases de algum aborrecimento. Nem sempre foi fácil ler este livro. Mergulhar na história e nos meandros de vida da quantidade infindável de personagens foi verdadeiramente desafiante. Padres, bispos, cardeais, freiras, agentes secretos, políticas, historiadores, jornalistas... Por vezes, tive dificuldade em perceber quem era quem e qual o seu papel para a narrativa. A confusão fez-me arrastar a leitura e, consequentemente, fui-me desligando um pouco das personagens e dos acontecimentos. 

O facto do livro integrar uma série e eu não ter lido os anteriores poderá ter condicionado a minha relação com esta leitura, assim como na compreensão do comportamento de algumas personagens. Eu consegui perceber a história, contudo nem sempre as dinâmicas entre as personagens e os seus comportamentos foram percetíveis para mim. Sentia que havia sempre qualquer coisa que fugia à minha compreensão. 
Assim, na generalidade consegui perceber a linha narrativa, porém alguns pormenores escaparam ao meu entendimento.

De tudo o que está presente no livro, Pasqualina  e o Papa Pio XII foram as minhas grandes motivações para avançar com a leitura. Fiquei sedenta por uma maior profundidade relativamente à história de cada um deles e dos desafios que a vida lhe ofereceu.

A forma como o livro termina é algo intrigante. Admito que fiquei curiosa para ler o livro seguinte de forma a matar a minha curiosidade relativamente às dúvidas que este final me ofereceu. Bem, poderá ser uma forma de dar uma nova oportunidade ao escritor e tornar a minha opinião mais sólida. 

Dada a minha experiência, recomendo que quem quiser ler este livro é melhor que o faça depois de ler os livros anteriores. Deduzo que a experiência de leitura será mais proveitosa se a série for lida por ordem de publicação.

Classificação

08
Ago20

Nas páginas do meu caderno #5

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Sei que tinha definido dias fixos para estes posts, mas a escritora Elisabete lançou o desafio no Instagram e eu não resisti. Por isso, esqueçam os dias 11 e 22. Nas páginas do meu caderno irá aparecer mais vezes durante os próximos tempos.

Desafio 1: O que vejo da minha janela?

Da minha janela, o verde enche os olhos de quem se perde a observar o que nos rodeia. O sol abrasador ilumina os campos, mas o verde dá-lhe uma espécie de ilusão de frescura. A brisa, quando existe, baila por entre as folhas e oferece sons que só a natureza é capaz de produzir.
No céu azul, que se cruza nas montanhas ao fundo, voam melros, rolas e andorinhas. Ai as andorinhas! Respiram uma liberdade invejável. Voam, cantam, brincam umas com as outras e banham-se nas águas mornas da superfície dos tanques. Vivem os dias de forma intensa até ao momento de partirem em busca de outra primavera, resta a esperança de voltarem a voar neste céu e de o encherem dos sons da alegria.

Nos campos as espigas de milho crescem! Sofrem com o calor e falta de água destes dias demasiado quentes, demasiado secos, demasiado duros para a natureza que circunda o meu espaço. Pedem chuva! Chuva que lhes apague a sede insaciável de um verão que torna escassas as gotas insuficientes.

Antes de chegarmos às montanhas, onde os carros de rali levantam o pó dos caminhos, ainda há espaço para o aglomerado de casas e serviços que só a cidade oferece. De lá, chegam-me os barulhos citadinos, os sons dos concertos de verão que se prolongam pela noite. E na noite, as luzes da cidade iluminam o espaço, mas são incapazes de ofuscar as estrelas brilhantes que ocupam o céu sem nuvens. 

Viver no campo é ouvir sons diferentes, é encher os olhos de verde e os sonhos do manto azul coberto de estrelas brilhantes. Viver no campo é viver do silêncio e dos sons que se atrevem a atravessá-lo. Viver no campo é viver livre de isolamento, porque mesmo quando nos obrigavam a ficar em casa, este meu espaço significou liberdade.

05
Ago20

Opinião | "Cada suspiro teu" de Nicholas Sparks

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Nicholas Sparks marcou um fase da minha vida enquanto leitora. Li o primeiro livro dele aos 16 anos, o que corresponde ao momento em que comecei a ler livros considerados para adultos. Depois desta primeira experiência fui lendo todos os livros que iam aparecendo na biblioteca municipal. Houve uma altura em que fiquei saturada dos livros e passei alguns anos sem ler nada dele. Cheguei mesmo a desistir do livro "Um homem com sorte".
Entretanto o cansaço passou e voltei a pegar em livros dele, porém têm de ser leituras espaçadas.

Esta leitura veio encaixar-se no seguimento um conjunto de leituras mais densas, pois senti necessidade de uma leitura menos exigente. 

"Cada suspiro teu" é a história de Hope e de Tru. Duas pessoas que se cruzam no momento errado do ciclo de vida. Hope tinha sonhos para cumprir, coisas que a prendiam ao lugar onde vivia e Tru não conseguiria acompanhá-la naqueles sonhos.

Conheceram-se e a forma como Hope e Tru se ligaram foi demasiado instantânea, fazendo com que eu sentisse que a relação foi algo forçada. Para mim, foi uma coisa demasiado intensa para o pouco tempo que partilharam. Se há alguns anos este tipo de relações me encantava, hoje em dia cada vez menos acredito nestas paixões à primeira vista. Talvez ande demasiado racional e pouco crente no amor.
No início do livro é referido que a história narrada é baseada em factos reais, mesmo assim não foi suficiente para me alimentar a veia romântica.

Apesar deste meu desencanto, gostei baste da Hope e do Tru enquanto pessoas individuais. Duas personagens com os seus defeitos e as suas qualidades, que vivem de forma muito adulta os seus problemas e que encaixam dentro de si os desafios que surgem em diferentes momentos do seu crescimento. Mesmo pouco crente na paixão deles, gostei da interação que foi sendo estabelecida entre eles, apreciei as conversas e sofri um pouco com as decisões que tiveram que tomar. No caso de Hope, acho que ela estava muito consciente da sua escolha e sabia que caminhava em direção a um futuro com menos amor do que aquele que desejava. Contudo, ela precisa de viver aquilo que a sua escolha implicava. Tru surpreendeu-me. Não esperava cruzar-me com aquelas vivências. No fundo, aconteceu a vida, entre eles e para cada um deles. E nessa vida coube sempre um pouco do amor que eles conheceram. 

Nas primeiras páginas, o escritor escreve sobre a Alma Gémea. É uma caixa de correio especial e que acaba por ter um papel importante nos acontecimentos deste livro e, particularmente, no desfecho do enredo.
Gostei imenso do conceito subjacente a esta caixa do correio e gostei muito de ler as passagens sobre as cartas que eram ali deixadas.

Apesar do meu desencanto, considero que o livro tem uma história de amor bonita. Não é tão marcada pela tragédia como outros livros do autor, porque é um relato sobre a inevitabilidade da vida e das nossas escolas. Foi uma leitura agradável onde sobressaiu o amor: o amor pelos outros, o amor pela vida e o amor pelas coisas que nos fazem felizes. 

Classificação

04
Ago20

Julho | Quem chegou?

Julho terminou e está na altura de partilhar os livros que recebi durante o mês que terminou.

Empréstimo

A Ana Paula Catarino, a Cristina Luís e a Silvéria têm um projeto que consiste em colocar a circular por diferentes leitores um determinado livro. Começaram esta aventura com o livro "Demência" da Célia Loureiro. Nessa altura não me inscrevi porque queria comprar o livro. Desta vez colocaram na "estrada" o livro "Voar no quarto escuro" da Márcia Balsas e eu decidi juntar-me ao grupo de leitoras(es). 
O livro chegou cá a casa na semana passada e estou quase a terminá-lo. 

52794043._SX318_SY475_.jpgPodem saber mais sobre o livro aqui.

Oferta editora

Da editora HarperCollins Ibérica recebi o ebook "O mapa do coração" de Susan Wiggs, que será uma das minhas próximas leituras.

54251095._SX318_.jpgPodem saber mais sobre o livro aqui.

03
Ago20

Bando Lusitano | Agosto: Uma leitura de Verão

O livro que escolhi como sugestão de leitura é um livro que merece mais do que os 30 ratings e as 21 reviews que tem no Goodreads. 
Infelizmente foi um livro pouco valorizado e pouco divulgado na altura em que ele saiu. Este livro merecia mais. Merecia mais leitores a perderem-se nessa história, merecia maior reconhecimento, merecia mais atenção... Uma escrita sensível aliada uma história envolvente ofereceram-me uma das minhas melhores leituras em Agosto de 2015. Só não consegui apaixonar-me mais, porque a minha própria chama interior estava um pouco apagada.

Já devem estar a roer as unhas de curiosidade para saberem de que livro estou a falar. O livro é "A chama ao vento" de Carla M. Soares. 

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Infelizmente só existe em ebook, mas poderá ser uma excelente alternativa para quem vai de férias e não quer levar muito peso na mala. 

Caso tenham interesse em saber mais sobre este livro, podem ler a minha opinião aqui no blog. É só clicarem aqui.
Acreditem, esta leitura não irá desiludir.

30
Jul20

Meio ano de leituras

É hábito por esta altura do ano responder à Tag dos 50%. Este ano não responderei porque há categorias para as quais não tenho resposta. Comparativamente a anos anteriores, este tem sido um ano de poucas leituras. 

Até ao final junho li 18 livros. Tive meses bons onde consegui ler muito, e outros em que o ritmo de leituras abrandou imenso. Março foi dos piores meses, onde só consegui ler um livro. 

Há cinco livros que ocuparam o top de melhores leituras. São eles:

💗 "Viver depois de ti" de Jojo Moyes
💗 "Verity" de Colleen Hoover
💗 "O duque da ruína" de Tessa Dare
💗 "Os pássaros" de Célia Loureiro Correia
💗 "Antes de nos encontrarmos" de Maggie O'Farrell

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Espero ler um pouco mais na segunda metade do ano. 

29
Jul20

Bando Lusitano | Livros de julho e categoria para agosto

Em julho, aumentaram as sugestões do Bando Lusitano. Espero mesmo que o bando continue a crescer e que mais sugestões chegam aos diferentes leitores.

Em julho o desafio era publicar a nossa vergonha nacional, ou seja, aquele livro que nos envergonhamos de ainda não ter lido. 

Quero agradecer à Patrícia d'"O prazer das coisas", à Landa do "Horizonte dos livros" e à Daniela do "Quando se abre um livro" pela participação em mais um mês do projeto. 

Os livros apresentados foram os seguintes:

📚"A filha do barão" de Célia Loureiro Correia
📚"A máquina de fazer espanhóis" de Valter Hugo Mãe
📚"Ensaio sobre a cegueira" de José Saramago
📚"O evangelho segundo Jesus Cristo" de José Saramago
📚 "Uma mulher respeitável" de Célia Loureiro Correia

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Em agosto não quero complicar muito a participação no projeto.
Então o desafio é partilharem uma sugestão de leitura para o mês das férias.

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Não se esqueçam de fazer as vossas partilhas usando a #bandolusitano, ou participando através da página do projeto no Goodreads ou ainda deixando-me a indicação num comentário aqui no blog. 

Boas leituras!

27
Jul20

Por detrás de quem escreve #1

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Esta fotografia foi retirada numa viagem a Santiago de Compostela. Tirei-a do lado espanhol, em Santa Tecla, com vista para o Rio Minho e para o lado Português. A vista é lindíssima! E as águas têm um azul que jamais irei esquecer.

Gosto de olhar paisagens bonitas e de guardá-las na memória.

@danielaa.maciel marcou-me para um desafio complicado: apresentar três factos sobre mim que não sejam relacionados com os livros. Cá vão eles:

💁🏻 Eu, medrosa assumida, já fiz slide e adorei a experiência. Em 2008, estava a fazer um estágio de observação. Nesse estágio acompanhei alguns adolescentes numas atividade de férias. Num dia fomos para uma barragem fazer algumas atividades. Uma dessas atividades era fazer slide atravessando por cima da barragem. Foi magnífico. A paisagem vista de cima e deslizar por cima da água, ofereceram-me uma visão do local que é impossível ter observando-a em solo.

🏊 Não sei nadar e isso é um grande desgosto que tenho. Adorava saber nadar e ir para uma piscina dar umas braçadas. A água relaxa-me imenso e acredito que a natação seria algo que me faria bem.

📌Descobri que gosto de dar aulas. Sou psicóloga clínica e adoro todo o trabalho de acompanhamento psicoterapêutico. O ano passado terminei o doutoramento e desde que iniciei este ciclo de estudos tenho tido oportunidade de dar aulas em mestrados e pós-graduações. Fui para o doutoramento por gostar de investigação, o dar aulas nunca foi algo que me despertasse muito interesse. Agora, depois de já ter tido essa experiência, posso dizer-vos que estava enganada. É estimulante preparar uma aula, é uma enorme aprendizagem criar momentos de discussão em grupo. Tenho aprendido imenso com as pessoas com quem me tenho cruzado.

Não vou desafiar ninguém, mas sintam-se livres para fazerem as vossas partilhas.

24
Jul20

Por detrás da tela | "Outlander" T1 (2014)

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Esta é daquelas situações em que devia morder a língua... Mas uma boa mordida! E porquê? Porque eu não percebia o fascínio em torno da séria. Li o primeiro livro e como não foi uma leitura memorável pensei que a série teria o mesmo efeito em mim. Devido à minha experiência de leitura não conseguia perceber o fascínio das pessoas para com a série. 

O canal AXN White, há uns meses, começou a exibir a primeira temporada. Na desportiva decidi ver o primeiro episódio e testar os meus preconceitos. O que é certo é o primeiro episódio foi suficiente para me viciar na série. A cada episódio que via, maior era a minha vontade de continuar a ver a série.

Dificilmente haverá alguém desse lado que ainda não tenha visto esta série (geralmente eu sou sempre mais atrasada que a maioria dos comuns mortais), mas para o caso de existir alguém que não conheça passo a explicar, em traços gerais, o cenário global da história. 
Claire é uma mulher jovem que vive com o seu marido no Reino Unido, no anos 40, logo após o fim da Segunda Guerra Mundial. Numa espécie de lua de mel / pesquisa história, Claire e o marido viajam até à Escócia. E, sem algo que o explique, Claire viaja no tempo, até ao século XVIII.

É muito interessante ver de que forma ela se posiciona numa época atrás do seu tempo. A relação que ela constrói com Jamie é o reflexo dos brilhante trabalho dos atores. A química deles é inexplicável, o que confere um realismo magnífico. As cenas mais intensas entre eles (sejam discussões, sejam as mais carinhosas) prendem o espetador tal é a carga emocional que eles conseguem colocar em cena. 

Para além das brilhantes interpretações,  os cenários verdejantes e a banda sonora oferecem ainda mais qualidade à série. Eu rendi-me à banda sonora desta temporada! A música de abertura fica no ouvido e é extremamente delicada. Todas as outras ajudam a entrar no espírito da narrativa e no tempo em que ela acontece. O guarda-roupa parece ter sido escolhido com muito cuidado e, também, ajuda o espetador a situar-se no passado.

Desta primeira temporada, o episódio sete foi aquele que mais me surpreendeu. A forma como foi narrado é tão inteligente e diferente que me ficou gravado na memória. O episódio começa pelo fim e, ao longo de cerca de 50 minutos, Claire e Jamie mostram-nos como foi o dia que os levou até ali. A conjugação entre passado e presente marca o episódio e oferece um dinamismo muito especial. 

Toda a contextualização histórica nem sempre foi fácil de acompanhar, mas eu não era grande conhecedora dos acontecimentos históricos que marcaram o século XVIII no Reino Unido. Porém, o avançar da série permitiu-me uma melhor compreensão dos factos.

Fiquei imensamente feliz quando vi que o canal iria exibir a segunda temporada. E lá vou eu para a segunda temporada com expetativas elevadíssimas. Para já, não está a desiludir.

22
Jul20

Nas páginas do meu caderno #4

Olá Alice,

Bem... Nem imaginas, fiquei incrédulo quando abri a caixa de e-mail e vi lá o teu e-mail. Depois do choque inicial, um ataque de riso tomou conta de mim. Gabo-te a coragem do contacto e a admissão daquele comportamento infantil que me deixou um pouco magoado.

Quando nos cruzamos, pensei que me ias dizer qualquer coisa. Pior! Que me ias sorrir para eu matar as saudades de ver um sorriso teu. Sempre fui demasiado crédulo na bondade do ser humano. Continuo sem perceber muito bem porque me evitaste. Sentiste insegura porquê? Gostava que me contasses, que me explicasses. Acho que eu nunca te alimentei as inseguranças. 

Sim, é um bocado arrogante da tua parte queres saber como eu estou. Demorei a responder-te porque não sabia se te queria responder. Mas depois a curiosidade de saber de ti falou mais alto. E, sim, também me deixaste saudosista. É que nas redes sociais não apanho nada de ti. Nem uma fotografia para amostra! Só vejo livros e paisagens. Estou em desvantagem. Acabas por saber mais de mim do que eu de ti.

Então, queres saber como eu estou! Desde aquela altura muita coisa aconteceu. Como sabes, deixei a escola e fui trabalhar. Tantas vezes me disseste que era parvo desperdiçar as minhas capacidades. Tantas vezes elogiaste o meu raciocínio matemático. Parecia que te ouvia sempre na minha cabeça, a zumbir como uma abelha. Então, aos 18 anos, voltei à escola. Fiz o secundário à noite enquanto de dia trabalhava numa carpintaria. Consegui fazer tudo direitinho. No final do 12º ano, fiz os exames e entrei na universidade. Entrei em contabilidade. Deixei a carpintaria e passei a trabalhar num supermercado para conseguir estudar. Foram anos duros, mas andava muito realizado. 

Durante a universidade conheci uma rapariga fantástica. A Sofia foi fenomenal comigo! Ajudou-me com tudo. Sim, tornamo-nos namorados. Um namoro longo que só terminou há quatro anos, quando me mudei para Luanda. Recebi uma proposta muito boa de trabalho. Ela não me quis acompanhar e a distância não facilitou as coisas.

Estou a adorar a experiência, mas começo a sentir falta de algumas coisas de Portugal. 

Naquele dia, quando nos cruzamos na passadeira, não queria só ver o ter sorriso. Queria agarrar-te no braço, arrastar-te para uma mesa de uma pastelaria contar-te a volta que dei à minha vida e, mais do que isso, queria ouvir-te a falar das voltas da tua vida. Sempre foste aquela amiga que eu queria para a vida. Sim, eu ouvia-te! Sim, aturava todas as tuas neuras e coisas parvas! Mas tu também me ouvias, tu também me abraçavas. Só tu era capaz de trocar aquele sorriso de reconhecimento do que me ia na cabeça. O problema é que sempre procurei isso nas raparigas que fui conhecendo. Encontrei na Sofia, mas não com a mesma intensidade que partilhei contigo. 

Tenho medo, sabes! Medo de que este reatar de contacto estrague a magia daqueles anos. 

Como vês, o meu bom coração continua intacto. Respondi ao e-mail sem amargura. Ela nunca existiu. Mas quero saber de ti. Talvez saber de ti, me ajude a acreditar que há magia que permanece para sempre.

Bejinhos,
Duarte

(Resposta à carta da Alice)

21
Jul20

Opinião | "O teu nome é uma promessa" de Deborah Smith

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O bule da fotografia é da minha mãe. Não o coloquei por acaso na fotografia com este livro. Nesta história há um bule com um significado especial. Sou apaixonada por este bule e por todo o serviço de chá que o acompanha. Não tenho um motivo especial para tal amor, porém recordei-o muitas vezes ao longo desta leitura, pelo significado que este objeto teve na história. O bule Coolbroke foi especial! Uma clara alusão à lealdade e à existência de sentimentos que resistem ao tempo e às adversidades. Para mim, o bule da minha mãe também representa afetos e ligações emocionais.

Deborah Smith é uma escritora que recorre a uma fórmula de escrita. Famílias, lealdades, passado vs presente e amores interrompidos por problemas mais ou menos complexos são ingredientes muito presentes nas suas narrativas. É certo que há quem se aborreça com esta opção dos autores de dar corpo às suas histórias. No meu caso, apesar de saber mais ou menos o que vou encontrar nestes livros, gosto sempre de me atirar numa leitura destas. São livros com mensagens positivas e com histórias que me "limpam" a mente e melhoram o meu humor.

"O teu nome é uma promessa" é um livro onde facilmente identificamos os ingredientes preferidos da Deborah Smith. Colebrooks e Mackenzies, duas famílias que partilham um passado e que vivem interligados. 
Conhecemos Artemas, uma criança sedenta de afeto e de uma família que transborde tanto amor e respeito como a de Lily. Ele cresce e torna-se num homem leal e capaz de tudo para segurar a teia que liga e segura os elementos da família. 
Lily tem tanto de doçura como de garra. Uma jovem que vai conhecer o melhor e o pior do amor e isso acaba por defini-la enquanto pessoa e na forma como ela decide estar na vida. 

Estes são os dois personagens principais do livro. Em torno deles conhecemos outras personagens que dão um contributo importante à história. Destaco os irmãos de Artemas que ilustram bem as consequências de uma infância difícil e marcada pela negligência. Acho que cada um deles merecia um livro a contar a sua própria história e as suas perceções relativas à sua vivência.

As personagens de Deborah Smith são fiéis a si mesmas e reúnem características de personalidade que as tornam humanas aos olhos dos leitores. Não são emocionalmente pretas ou brancas. São uma mistura de cores, de coisas boas e menos boas; mas, no fim, todas elas encerram uma mensagem positiva e eu retiro sempre uma mensagem/lição das suas vivências e atitudes. 

O facto de acompanhar o crescimento das personagens deixa-me mais ligada a elas. Chega a uma certa altura da leitura em que parece que já as conheço. Tornam-se pessoas que eu quero acompanhar e para quem desejo o merecido final feliz. 
Eu gostei muito do livro. Houve alguns aspetos mais difíceis de assimilar, nomeadamente: 1) a história em volta dos antepassados de Artemas, há coisas pouco claras que tornaram a minha compreensão dessas relações um pouco complicadas; e, 2) a ligação inicial entre Artemas e Lily que me pareceu algo forçada, mas melhorou com o crescimento das personagens e com as cartas que foram trocando.

É preciso não esquecer que este livro foi escrito em 1993 e retrata um período onde não existiam telemóveis, nem redes sociais. Por isso, há magia nos pequenos encontros, nos telefonemas e nas cartas trocadas. 
Apesar de toda a previsibilidade que envolve as histórias que Deborah Smith cria, eu tenho um gosto pessoal em me perder nelas.
Só para terem uma noção, depois das minhas dificuldades iniciais, assim que me vinculei à história a  leitura foi rápida. Só numa tarde de domingo li mais de 200 páginas.

Com a leitura terminada, posso dizer que encontrei na história de Artemas e de Lily aquilo que procurava: um amor que resiste ao tempo e às adversidades, a esperança por dias melhores após a e vivência de situações difíceis e a energia positiva que uma bonita história de amor é capaz de oferecer. 

Classificação

Leitura com o apoio:

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Nota: O livro foi-me disponibilizado pela editora em troca de uma opinião sincera.