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Por detrás das palavras

Por detrás das palavras

Por detrás da tela | "A forma da água" (2017), "Bohemian rhapsody" (2018) e "Suite francesa" (2014)

15.01.22

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A forma da água
Tinha enormes expetativas em relação a este filme. É claro que estas expetativas eram fruto de tudo o que se já se partilhou sobre este filme e pelo facto de ter ganho o Oscar de melhor filme. 
Eu não sou fã de fantasia em livros, mas em filmes até costumo gostar. Porém, acho que a fantasia foi um grande problema para mim. Que monstro tão temível e poderoso era aquela que precisou de alguém para o salvar? 

Realmente esperava algo mais deste monstro aquático. Inferiorizaram demasiado este ser sobrenatural, o que acabou por lhe retirar o encanto.

A Elisa é uma personagem curiosa. Achei alguma piada ao seu feitio mais introvertido e a forma como se entregava, resignadamente, à rotina diária. O monstro veio abalar a sua pacatez e fê-la descobrir o amor. Alguém que se sentia diferente, precisava de uma pessoa diferente na sua vida. O monstro veio dar uma nova vitalidade à vida desta mulher. 

As imagens são muito bonitas e oferecem um dinamismo muito bom ao filme. Enchem o olho e prenderam-me ao ecrã.
A história não é tão cativante como eu pensava. Tem um final bonito, mas não foi suficiente para se tornar um filme memorável.

Bohemian rhapsody
As músicas dos Queen são intemporais. Gosto de quase todas e adoro ouvi-las. É difícil escolher uma, porque cada uma delas revela um pouco da criatividade musical dos elementos deste grupo. É claro que o Freddie Mercury se destacava. Um homem inteligente e com um talento inigualável para a música. Morreu demasiado cedo. Tens noção da quantidade de boas músicas que ela ainda nos poderia ter deixado? Este foi o pensamento que me ficou depois de ver o filme. O mundo da música perdeu imenso com a morte deste homem. Perdemos um bom cantor e um excelente compositor. 

Acho que é complicado saber até que ponto a realidade do Freddie foi exatamente apresentada no filme. Porém, acho que o filme foi muito bem conseguido. Despertou em mim emoções, reflexões e deixou-me a pensar no homem que estava por detrás de um cantor brilhante. Ficou-me a ideia que ele tinha tanto genialidade como de personalidade difícil. Penso que era tanta a criatividade dentro dele que, por vezes, era difícil gerir. E esta gestão levou-o, muitas vezes, a não fazer as escolhas mais acertadas no seu percurso de vida e na forma como ele escolhia manter e desenvolver as suas relações.

Admiro a relação que ele construiu com a Mary. A pessoa com quem ele conseguiu experienciar diferentes tipos de amor. A dedicação que ela lhe ofereceu é enternecedora e deixou-me com a sensação de que ela deverá ser uma pessoa sensível e boa. 

É de louvar todas as interpretações, mas Rami Malek merece destaque. Eu adorei a interpretação dele e a forma como ele se entregou ao papel de Freddie Mercury. Acho que é daqueles trabalhos que ele jamais esquecerá.

Ficarão para sempre as músicas dos Queen e o lado mais conturbado da vida daquele que deva voz à música.  

Suite francesa
As minhas memórias acerca deste filme já são escassas. Apenas guardo a sensação de ter gostado e uma memória muito particular do final com uma reviravolta cheia de dramatismo. 

A ação do filme decorre durante a ocupação alemã em França, na Segunda Guerra Mundial. Só por este aspeto, dá para perceber que o drama será o guia de toda a narrativa.

Um bom filme para ocupar uma tarde de domingo. 

Opinião | "Que ossos curiosos!" de Janet & Allan Ahlberg

14.01.22

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Acho que os livros infantis não têm idade, ou seja, não são apenas para crianças são para pessoas de todas as idades. Esta é a minha opinião porque, na generalidade, estas histórias trazem mensagens e valores importantes e que estimulam a reflexão do leitor.

Leio menos livros deste do género do que aquilo que eu gostaria; mas sempre que tenho uma oportunidade de ler, aproveito. 

"Que ossos curiosos" conta a história de dois esqueletos que decidem fazer umas travessuras na noite de Halloween.
Esperava um pouco mais da mensagem desta narrativa. Tornou-se tudo demasiado repetitivo, fazendo com que a narrativa perdesse um pouco a profundidade e o sentido.

Poderá ser engraçado para os miúdos explorarem as palavras, os sons repetidos e explorarem as ilustrações. O pormenor da capa (os esqueletos brilham no escuro) também poderá ser atrativo.

Classificação

Opinião | "A reclusa" de Debra Jo Immergut

11.01.22

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Trouxe este livro da biblioteca partilhando das expetativas da bibliotecária Este livro tem uma premissa muito interessante. Desperta a curiosidade de um leitor. Quando peguei no livro e ouvi isto da parte dela, concordei com a expetativa que ela tinha criado em relação ao mesmo. Ela ainda partilhou que, assim que eu o devolvesse, seria a próxima leitora a requisitá-lo. 

Afinal, o que é que serve de mote ao desenvolvimento desta história? Temos uma jovem adulta, Miranda, que inesperadamente se envolve numa situação que a leva à cadeia. Lá passa a receber acompanhamento psicológico. Frank, o psicólogo do estabelecimento prisional já conhecia Miranda, a jovem por quem esteve apaixonado durante o liceu. E, ao que parece, essa paixão não ficou na adolescência.

Um aspeto muito curioso, e que funcionou como bom gatilho para o meu interesse na leitura, foram os títulos de alguns capítulos. Como forma de nomear os capítulos, a autora escolheu artigos do código deontológico dos psicólogos. Foi interessante confrontar os acontecimentos com as diretrizes que norteiam as boas práticas profissionais. Quantas vezes pode um profissional quebrar o código de ética e deontológico que rege a sua atividade profissional? O Frank consegue ensinar muito este aspeto através do seu comportamento. 

Infelizmente, a linha narrativa foi perdendo o foco, dispersou e trouxe confusão à mensagem que pretendia transmitir. Foi muito interessante ler sobre os percursos de Frank e Miranda. Contudo, muitas vezes senti que era uma abordagem demasiado superficial. Faltou profundidade, faltou mais contextualização e faltou mais passagens que mostrassem mais a ligação que se começou a desenhar entre Frank e Miranda.

Depois de algum desânimo com a leitura, o final ofereceu-me algum alento. Foi inesperável e algo surpreendente. A narrativa sofreu uma boa reviravolta. Apesar de ter ficado agradavelmente satisfeita com o final, o mesmo não foi suficiente para apagar o desagrado que se instalou ao longo da leitura.

Nunca me cruzei com opiniões acerca deste livro, mas gostava de conhecer outras perspetivas sobre o mesmo.

Classificação
  

Por detrás da tela | "Book club" (2018), "O grande showman" (2017), "O impossível" (2012), "Antes de vos deixar" (2017) e "Blue valentine" (2010)

10.01.22

Tenho imensos filmes para partilhar contigo, por isso estou a condensar muitas partilhas num só post. O objetivo é só deixar os filmes vistos em dezembro para partilhar em 2022. 

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"Book Club"
Este é daqueles filmes super descontraídos que tornam uma tarde de domingo bastante risonha. 
É um filme onde os livros dividem protagonismo com quatro amigas que alimentam um clube de leitura.
Um pouco cansadas da sua rotina decidem apostar numa leitura conjunta do livro "As cinquenta sombras de Grey". Aqui, fica lançado o mote para cenas divertidas e que me arrancaram umas boas gargalhadas.

É um filme que apresenta um conjunto de mulheres adultas, mas com espaço para viveram as suas fantasias e promoverem mudanças nas suas vidas. 

Os livros são um elemento de união e é interessante assistir à forma como eles representam um elemento importante no seu quotidiano.

"O grande showman"
Este filme é de 2017 e desde que uma amiga me falou do filme que andava com imensa vontade de o ver. 
É um filme que tem como premissa a busca pelos sonhos, o não desistir das nossas ambições e dos nossos projetos. Agora, qual o perigo de nos deixarmos ofuscar por estes mesmo sonhos ou pela grandiosidade das nossas conquistas?

A diferença e a valorização da mesma também é uma questão abordada no filme. A importância de valorizarmos as qualidades do outro e de lhe darmos uma oportunidade são elementos que acompanham muitas das cenas do filme. 

Os pontos de conflito surgem quando as conquistas ofuscam a realidade e impedem que se continue a valorizar aqueles e aquelas que estiveram presentes desde o início. 

São várias cenas que convidam à reflexão e a capacidade humana de corrigir os erros que cometeu.

Como bom musical, a banda sonora é inesquecível e essencial para o filme.

"O impossível"
A 26 de dezembro de 2004 alguns países da Ásia são atingidos por um violento tsunami. Eram muitas as pessoas que estavam a passar férias na Tailândia, um dos países mais afetados. Lembro-me bem das imagens que passaram na televisão e no horror da devastação que esta catástrofe natural provocou. 

Este filme, baseado numa história verídica, relata as vivências de uma família que sentiu esta tragédia. O filme é forte e oferece acontecimentos muito duros de assistir.
Sobreviver no meio do caos, num país com muitas carências no que respeita a cuidados de saúde e da facilidade com que as pessoas dispersavam perante a tragédia são aspetos muito vincados nos diferentes momentos do filme.

Considero que foi uma boa surpresa de 2021. Cruzei-me por acaso com este filme e foi um dos que mais gostei de assistir. 

"Antes de vos deixar" 
Os primeiros minutos deste filme foram um verdadeiro teste à minha capacidade de compreensão. O filme todo foi um verdadeiro teste à minha capacidade de concentração. A ação é muito repetitiva e este aspeto enfraqueceu a minha capacidade de atenção e de conexão com o filme. 

A premissa não é inovadora. Temos uma jovem que terá a oportunidade de viver várias vezes o seu último dia de vida. Nestas oportunidades, ela irá fazer uma análise do seu comportamento, das suas escolhas e das suas relações. 
Esta análise é interessante e levou-me, também, a refletir sobre a minha própria vida e as minhas escolhas. Contudo, este carácter repetitivo torna-se um pouco desgastante e torna o filme um pouco aborrecido.

Só depois de ver o filme é que me apercebi que ele é baseado no livro com o mesmo nome da escritora Lauren Oliver. Ainda não me decidi se quero ler ou não o livro. 

"Blue valentine - Só tu e eu"
De todos os filmes que estão neste post este é aquele que mais me desassossegou. É um filme com uma ação emocionalmente intensa e com uma enorme carga dramática. As boas interpretações e os planos certeiros das filmagens adensam a inquietação que o desenrolar da história foi deixando em mim.

Cindy e Dean são um casal jovem com uma relação extremamente desgastada. Decidem passar um fim de semana juntos com o objetivo de reacenderem as emoções que os uniram. Neste período de tempo, são apresentadas memórias que mostram todo o desenvolvimento desta relação. 

Há muitas dores e muitas feridas emocionais. Inquieta a forma como tudo se foi desenrolando na vida deles. Inquieta como as coisas se foram desmoronando e da incapacidade deles entregarem outro destino à relação.

É uma abordagem muito realista, muito crua e muito dura das relações humanas. 

Novembro e Dezembro | Quem chegou?

10.01.22

A vida corre e uma pessoa vai deixando algumas coisas menos prioritárias para trás. 

Acredito que nunca é tarde para se fazer partilhas, principalmente quando é para mostrar livros que chegaram cá a casa. 

Passatempo
Em novembro ganhei dois passatempos e recebi os livros "Sei lá" de Margarida Rebelo Pinto e "Conhece os teus sentimentos: És uma ser maravilhoso" de Beth Cox e Natalie Costa.

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Compra
Ofereci-me um livro como presente de Natal. A minha escolha recaiu no livro "Os Távoras" de Maria João Fialho Gouveia. Há uns anos, a Daniela emprestou-me o livro "Inês" desta mesma escritora e gostei muito. Espero gostar deste também.

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Biblioteca
Já tinha muitas saudades de ir à biblioteca. Consegui lá passar em dezembro e trazer os livros "A maldição do marquês" de Tiago Rebelo, "O homem das castanhas" de 
Søren Sveistrup e "A grande solidão" de Kristin Hannah.

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Presentes de Natal
Neste Natal recebi bons livrinhos para a minha estante. Não há nada melhor do que receber livros de presente. Recebi "O jardim da esperança" de Diane Ackerman, "As senhoras de Missalonghi" de Colleen McCullouh, "Pessoas normais" de Sally Rooney e "A cruz de Maria" de Maksym Krupskyi. 

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Recebeste livros no Natal? Quais foram?

Opinião | "Cuba libre" de Tânia Ganho

09.01.22

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Não é da atualidade o meu desejo de ler uma obra da Tânia Ganho. Em 2020, a autora ganhou um bom destaque com o seu livro "Apneia", mas o meu interesse é muito anterior a isso. Ele surgiu depois de uma pessoa ter lido "A mulher casa" e me ter falado maravilhas do livro. 

O preço deste livro é muito bom, só por isso merece ser lido. Contudo, a qualidade deste livro é inegável. Fiquei maravilhada com a escrita da Tânia Ganho. É uma escrita que parece ser um pouco elaborada; mas quando mergulhamos a fundo na história que ela nos apresenta, é como se estivéssemos perante um rio de água cristalina onde conseguimos ver o fundo.

Quanto à narrativa em si, a minha experiência caracteriza-se tendo em conta diferentes fases de leitura. Não me consegui apaixonar pelas personagens nem pelos acontecimentos que elas relatam. Por vezes, senti que a relação que eu tentava estabelecer com elas se quebrava com os avanços e recuos temporais da narrativa. 

A ação centra-se em Clara. Acompanhamos a sua vida desde a adolescência até à idade adulta. Não é uma personagem fácil de se gostar. Ela é extremamente volátil, cínica e pouco assertiva nas suas ideias. É uma mulher emocionalmente confusa e essa confusão passou para mim e exasperou-me. Acho que só no final consigo atingir um grau de compreensão para a forma como ela dirigiu a sua vida. Contudo, sobra a frustração de perceber que ela não lutou assim tanto pela sua individualidade. Parece que andou a flutuar no tempo, passando pelas pessoas sem deixar que grande parte delas acedesse àquilo que ela realmente era.

Não é uma personagem irreal ou mal construída, muito pelo contrário. Acho que existem pessoas assim e cujas vidas mergulham numa complexidade estranha aos olhos dos outros. É verdade que me irritei com esta Clara algumas vezes, mas até aqui se vê a qualidade com que a escritora conduziu a sua obra.

Não é uma história memorável ou capaz de permanecer no meu coração. Foi um boa estreia com a escritora e quero conhecer mais obras.

Classificação

Opinião | "O teu aroma a pêssego" de Megan Maxwell

08.01.22

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A leitura deste livro marcou a minha estreia com a as obras de Megan Maxwell. De uma forma geral, este livro reúne romance, diversão e paixão. Estes ingredientes surgem bem misturadas por um discurso ligeiro que se assume como uma narrativa rápida e cativante. 

Ana é uma fotografa inglesa a viver e trabalhar em Madrid. Esta mudança representa uma fuga de uma realidade que a asfixiava. Esta jovem adulta é descontraída e autoconfiante. Tem uma personalidade vincada, é assertiva nas escolhas que faz, mas tem um lado mais inseguro. Estas inseguranças são o resultado das vivências que motivaram a sua fuga. Um dia ela cruza-se com Rodrigo, um bombeiro espanhol que a deixa a suspirar. 

Inevitavelmente surge uma ligação entre eles que origina cenas muito divertidas. Há encontros e desencontros emocionais, há conflitos caricatos que surgem de mal entendidos que se vão complexificando ao longo do livro. Tudo isto confere um tom muito divertido à história e eu dei por mim a descontrair do stress do quotidiano.

O assunto que motivou a fuga da Ana é muito importante. Tive pena da forma superficial com que ele foi abordado. Sei que este não era o foco do livro, mas como ele foi introduzido merecia um pouco mais de destaque.

O livro serviu o seu propósito de entreter e divertir. Permitiu-me desligar da realidade e experienciar emoções positivas e cheias de amor. 
Não é uma obra memorável, mas ofereceu-me bem-estar e deixou-me com vontade de recorrer a mais obras da escritora quando precisar de reduzir o stress do dia a dia. 

Classificação

Balanço | Bingo Viajar através dos livros 2021

07.01.22

Hoje apresento-te o último balanço dos desafios de 2021. Assim, já me sinto com legitimidade para apresentar os desafios para este novo ano.


Este desafio foi criado pela @horizontedoslivros. O desafio consistiu em ler um livro que encaixasse nas categorias do Bingo, ou seja, que o livro escrito seja escrito por um autor nativo ou que a ação decorra no país escolhido. Não havia um país específico de forma a dar alguma liberdade ao leitor.

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O balanço é positivo, deixei apenas três categorias por preencher.

Opinião | "Até os comboios andam aos saltos" de Célia Correia Loureiro

05.01.22

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"Até os comboios andam aos saltos" é o espelho da coragem de uma jovem adulta que passa para o papel os pensamentos e as emoções mais íntimas. Ler estas páginas e ver a alma da Célia a despir-se de filtros e da desejabilidade social. É trazer para estas páginas aquilo que realmente sente, sem o medo de ferir a suscetibilidade de quem a lê. Avançar despida deste medo, é coragem. E eu sentia em cada relato que expunha as suas relações mais profundas. 

Como escrever sobre um livro que é o espelho de uma alma humana? Como colocar em palavras todos os pensamentos que me atravessaram a mente enquanto acedia ao interior da Célia? É difícil!! Qualquer coisa que eu possa escrever acerca de tudo isto é injusto. São as vivências de uma pessoa, são as dores físicas e emocionais de gentes reais, são pensamentos que moldam a personalidade de uma pessoa que eu admiro.

O meu primeiro contacto com a Célia foi em 2015 (se a memória já não me está a falhar) e cheguei até ela pelas mãos de outra escritora que me indicou como leitora beta. E, assim, o primeiro livro que leio da Célia é "Uma mulher respeitável" ainda antes deste livro nascer fisicamente. Depois desta experiência fui lendo tudo da Célia. Adorei a escrita e a maturidade com que ela construía enredos e personagens. "Até os comboios andam aos saltos" ajuda a compreender de onde vinha a maturidade dela e como é que ela conseguia entrar na mente das suas personagens de forma a fazer sobressair universos emocionais credíveis, complexos e multidimensionais. A vida e as pessoas com quem se cruzou obrigaram-na a desenvolver essa maturidade que ela tão bem direcionou para as suas histórias. 

Este livro é um diário intimista, com relatos duros e crus. Não há filtros que dourem os pensamentos e as relações que vão sendo apresentadas. Os alicerces relacionais são frágeis e  a Célia vive imensa num conjunto de fatores de risco que deixam vulnerável. Os avós são proteção e neste livro está subjacente o quanto ela se agarrou a eles para fintar caminhos de risco. Conhecemos a disfuncionalidade que se adensa e transforma, mas que nunca interfere na lucidez da Célia. Isto é admirável. 

Eu já tinha um enorme respeito pela Célia, posso até dizer admiração dado que conheço alguns acontecimentos da vida dela. Este livro aumentou a minha empatia para com ela e admiração pela sua coragem em fazer diferente e em quebrar os padrões disfuncionais que ela conheceu. 

Sei que há aqui um toque ficcional que é essencial para nos deixar na dúvida e não quebrar uma espécie de encanto que caracteriza este livro. Em alguns momentos acho que consegui perceber quando estava perante um elementos de ficção. Nestas partes, senti a falta da profundidade emocional que tão bem contextualiza alguns momentos cruciais do livro. 

Estive para não atribuir estrelas a este livro. Estava a fazer-se confusão classificar a dor humana, as vivências singulares de uma pessoa comum. Após alguma reflexão, decidi que poderia classificá-lo com base na coragem exposta e na forma como as palavras são capazes de ilustrar emoções. E, assim, nascem as cinco estrelas bem merecidas.

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