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Por detrás das palavras

Por detrás das palavras

19
Abr21

52 perguntas | 16 # Crush

Esta palavra faz-me pensar em todos os personagens literários por quem me "apaixonei". Há personagens nos livros que gostaria muito de conhecer e com quem, facilmente, poderia iniciar um romance. Deixo aqui o meu top 5 de Crushs literárias.

  1. Gabriel (Série Rizzolli & Isles de Tess Gerritsen) – É um homem inteligente, sensível que nunca teve medo de mostrar o seu amor pela Jane.
  1. Roarke (Série Mortal de J. D. Robb) – É um homem com uma personalidade muito forte que parece cativar imenso as pessoas.
  2. Adrian (“O primeiro dia” e “A primeira noite” de Marc Levy) – A sua intelectualidade e a forma amorosa como se apaixonou por Keira e demonstrou o seu amor são uma inspiração bonita.
  3. Ian (“Deixa-me odiar-te” de Anna Premoli) – Este homem conjuga boa disposição, inteligência e um sentido de humor fenomenal. Acho que me iria divertir muito na companhia dele.
  4. Michael (“A bela e o vilão” de Julia Quinn) – Termino com um homem que parece ter uma personalidade que mais se iria adequar à minha. Alguém que respeita a necessidade de ter espaço, de gostar do sossego e do silêncio, mas que consegue ser divertido e divertir quando a situação assim o exige.
16
Abr21

Opinião | “Encontro em Itália” de Liliana Lavado

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Esta leitura não foi completamente às cegas. Há dez anos fiz leitura-beta do livro que deu origem a este “Encontro em Itália”, por isso já conhecia os traços gerais da história (a memória já não guardava os pormenores deste livro, final incluído).

A capa e o título podem enganar um pouco o leitor e afastar quem tem um gosto por fantasia. Ao primeiro olhar parece um romance um pouco ao estilo dos young-adult, mas é bem mais do que uma história romântica. Sim, há espaço para o romance! Porém, este romance está contextualizado num universo marcado pela fantasia e pelos anjos caídos.

Fantasia não é aquele género capaz de me fazer vibrar. Há algumas exceções! Este é um deles. Apesar de todos os elementos que lhe conferem fantasia, tal como da primeira vez, eu consegui gostar da história e das suas personagens.

O livro narra a história de dois amigos, Sara e Henrique, que partilharam a infância e grande parte da sua adolescência. Aos 18 anos acabam por seguir caminhos distintos e perderam um contacto um do outro. Ao sabor de uma antiga promessa, o reencontro acontece e uma série de aventuras cruzam-se no caminho dos dois amigos, para desespero do sensato e ponderado Henrique.

E, assim, as palavras tecem uma história com uma dinâmica muito interessantes. Não há espaço para o leitor se sentir aborrecido! Os capítulos curtos e a sucessão de mudanças permitem uma leitura entusiasmante onde permanece a vontade de saber onde é que a Sara e o Henrique nos irão levar. Por vezes, o ritmo é demasiado rápido. Eu gostava que a viagem a Itália não fosse tão intensamente rápida. Porém, reconheço que este ritmo acompanha a personalidade intensa, instável e frenética da Sara.

Haari é uma das personagens mais especiais com quem me cruzei. Tal como achei quando li a primeira versão, ela merecia um livro só para ela. Nesta personagem, concentra-se a magia, o mistério e situações caricatas que facilmente arrancam um sorriso. Associada a Haari e um conjunto peculiar de personagens, existe um livro. Este objeto tem uma importância significativa na história e acho que o Henrique não foi capaz de experimentar toda a sua potencialidade.

Concluindo, “Encontro em Itália” é um livro que conjuga romance contemporâneo com fantasia urbana. Esta conjugação poderá ser útil para leitores que, tal como eu, não sejam grandes apreciadores de livros de fantasia mais “puros”.

Classificação

14
Abr21

Inquietações # 5 | O papel do(a) leitor(a) na divulgação de livros de má qualidade

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O interesse pelos(as) escritores(as) portugueses(as) tem aumentado. É bom ver os(as) leitores(as) a ler obras nacionais, a interessar-se pelos nossos(as) escritores(as) e apostar na sua divulgação. Porém, o que me inquieta é, por vezes, a ausência de critério nestas divulgações. Por vezes, tenho a sensação de que são todos bons livros, com excelentes histórias e que merecem ser lidos. O problema surge depois, quando afinal a obra não corresponde à expetativa que estas opiniões positivas criaram em mim.

Este comportamento de apoio incondicional e de leitura sem espírito crítico pode ser perigoso. Podes argumentar e dizer-me que a leitura é um processo subjetivo. E eu concordo com isso! Mas há elementos que ultrapassam os limites da subjetividade.

Para mim, a subjetividade aplica-se à minha relação com o conteúdo da narrativa. Eu posso gostar mais ou menos dos acontecimentos do livro, comparativamente a outro leitor. Contudo, a escrita, a existência de incongruências e os erros ultrapassam a subjetividade e, na minha opinião, fazem parte de um universo bem objetivo e claro. Como é que eu posso tecer um comentário positivo a um livro que está mal escrito e com graves problemas na estrutura narrativa? Eu não consigo!! Por isso, nas minhas opiniões gosto de fazer esta divisão na análise aos livros que leio. Gosto de especificar o que de facto me agradou e não me agradou no livro.

Por isso, não tenho receio de escrever opiniões negativas. Quando essa opinião resulta de um convite de um(a) escritor(a) para ler, eu tenho o cuidado de escrever um e-mail pessoal a expor a minha opinião detalhada e apresentar soluções para aquilo que acho que não está a funcionar tão bem. No entanto, quer seja um livro lido a pedido de um(a) escritor(a) ou uma leitura que resulte da minha escolha, procuro sempre fundamentar a minha opinião o melhor que consiga.

Sinto que falta um pouco de espírito crítico a esta comunidade e acho que isso não ajuda os(as) escritores(as).

Gostaria de refletir com vocês relativamente a estas questões:

O que retiras da leitura de um livro? Que tipo de análise fazes?

Tens medo de escrever uma opinião negativa?

13
Abr21

Projeto Conjunto | Empréstimo Surpresa [Livro Recebido]

A pandemia não tem facilitado os empréstimos que mantenho com a Daniela. Lá nos vamos aguentado e partilhando da melhor forma que conseguimos.

Chegou a minha vez de receber um livrinho surpresa. Desta vez foi uma grande surpresa! Não estava nada à espera deste livro! A Daniela optou por me enviar o livro “Chama-me pelo teu nome” de André Aciman.

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A verdade é que estou um pouco apreensiva com esta leitura. Sei que não foi um livro que tenha cativado a Daniela e tenho receio de não me encaixar com a história. Veremos como corre!

Não se esqueçam de passar no blog Quando se abre um livro para conhecerem os motivos por detrás deste envio.

12
Abr21

52 perguntas | 15 # Primeiro amor

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Era o final do 2º período. As férias da Páscoa estavam ali quase, quase a começar. Ela sentia-se triste. Como é que iria aguentar duas semanas sem o ver? Ia ser difícil.

A última aula do dia foi matemática. A professora decidiu facilitar-lhes a vida. Naquele dia seria para ver um filme. A escolha da professora foi “Notting Hill”. Ela estava apreensiva. Ver um filme romântico ao lado da pessoa que lhe causava palpitações parecia uma tarefa hercúlea.

O filme começou. Tiveram direito a algumas gargalhadas, a alguns momentos embaraçosos e a momentos que fizeram as raparigas da sala suspirar. Ela não suspirou! Enquanto na tela William se declarava a Anne e Elvis Costello enchia a sala com a música, ele apertou a mão dela. E ela ficou com a respiração presa, sem tempo para suspirar com aquilo que acontecia na tela.

Nas férias, ouviu a música até à exaustão. Ouviu-a quantas vezes a sua alma adolescente achou necessárias. E em cada uma dessas vezes, ele voltava a apertar a mão e dela. E, desta vez, ela já pode suspirar.

Realidade ou ficção?

09
Abr21

Opinião | “A rainha desejada” (As encantadas #1) de Telma Monteiro Fernandes

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Para mim é sempre complicado quando tenho que partilhar uma opinião menos favorável relativamente a um livro. É ainda mais difícil quando: 1) o livro é de um escritor português e 2) o livro foi-me disponibilizado pelo(a) escritor(a).

A escrita está associada a sonhos pessoais. Uma opinião menos positiva significa quebrar e estilhaçar o ego de quem ousou lutar pelos seus sonhos. Apesar disto, sinto que tenho de ser sincera. Partilhar uma falsa opinião não irá contribuir para a evolução de quem ousou seguir o seu sonho. Por esta introdução já conseguem antever a minha experiência com este livro.

Há umas semanas fui contactada pela Telma, a autora deste livro, com um convite para ler a sua obra. Tenho sido mais seletiva com estes pedidos, mas decidi arriscar (só correndo riscos tenho oportunidade de descobrir). Ela enviou-me o e-book e eu comecei a ler. Depois de ler meia dúzia de páginas, já estava completamente desmotivada para a leitura.

“A rainha desejada” tem Ana como protagonista. Ana vive no século XX, mas um incidente leva-a numa viagem pelo tempo. Estas viagens no tempo podem ser perigosas para o escritor. Exigem pesquisa, conhecimento e coerência no conteúdo que introduzem. Neste livro sente-se muito a falta deste conhecimento e do brio em colocar as coisas em consonância. É tudo “despejado” para o texto de uma forma pouco cuidada e demasiado amadora. Eu gosto de ler romances históricos e de época, mas gosto de ver as coisas com sentido e bem alinhadas. A forma como tudo foi conduzido parecia que ia culminar num desrespeito pelo que de facto aconteceu com a História de Portugal. E, em parte, acabou por se verificar.

Não apreciei a forma como a narrativa foi conduzia. Eu não conseguia visualizar a beleza de D. Manuel I (basta uma pesquisa rápida na internet para perceber que beleza era um conceito que não se aplicava ao físico deste rei). Acho que a imagem que a escritora passou ultrapassa a realidade; mexer num aspeto tão específico da história de Portugal, dando-lhe uma conotação diferente, fez-me confusão. Fez-me imensa confusão uma jovem do século XX, achar as roupas do século XV confortáveis (dada a quantidade de peças e acessórios que compunham o vestuário feminino). Fez-me muita confusão os banhos na praia em pleno século XV. O comportamento de Ana e restantes personagens estava completamente descontextualizado da época que pretendia retratar. Há poucos elementos que situam o escritor na época, e os que existem estão mal descritos e são deturpados em função dos interesses da escritora.

O desenvolvimento da narrativa não foi o único problema. A escrita é fraca e com bastantes erros ortográficos. É tudo demasiado contado e pouco descrito. A pontuação é outro aspeto que carece de uma revisão profunda. Várias vírgulas entre sujeito e predicado; ausência das mesmas quando a autora usava o vocativo; diálogos e frases totalmente mal pontuadas. Isto revela falta de cuidado na revisão e um grande amadorismo na escrita. No fundo, temos um livro com graves problemas na estrutura narrativa e mal escrito.

É uma escrita muito desleixada. Sinto que é necessário muito trabalho. É preciso ler mais e escrever mais para que isso se reflita numa escrita cuidada e cativante.

Acho que com alguns exemplos, poderão perceber o que é que funcionou mal nesta obra.

“O primeiro a despertar foi Ana, que abriu os olhos lentamente e vislumbrou o rosto de Manuel, que dormia um sono profundo e reparador. Ana acariciou-o carinhosamente no belo rosto, e assimilou amar muito aquele homem, com todo o seu coração e que desejava verdadeiramente ficar a seu lado para sempre, mesmo que isso significa-se nunca regressar ao seu século.” – Para além da má construção frásica, podemos ver o encontrar um tipo de erro que se repete até à exaustão ao longo da obra.

“Naquele dia de verão, ao pôr do sol e observando Lisboa do lado oposto, Ana sentia-se ansiosa, como se no ar crepita-se algo, como se a brisa suave que sentia nos seus longos e ondulados cabelos estivesse a sussurrar-lhe aos ouvidos, mas desvalorizou o sentimento, sacudiu os seus pensamentos e continuou o seu passeio, observando o rio e as suas cores fortes de origem vermelha que o pôr do sol espelhava nas águas calmas.” – Aqui temos um mau exemplo de pontuação (um entre muitos outros ao longo do livro).

Para além dos problemas que já identifiquei, estes parágrafos são uma ilustração de uma escrita pouco rudimentar e que precisa de bastante trabalho para que seja aperfeiçoada.

O final foi desastroso. Eu percebo o motivo que conduziu àquele desfecho, mas fez-me confusão. Sim, foi demasiado fantasioso para as minhas preferências. Houve situações em que me ri, dado a quantidade de disparates que ali foram enumerados. Foi horrível perceber a tentativa forçada de incluir a pandemia; a estupidez de dar um final feliz à Ana, aspeto que implica mexer com dados concretos da História de Portugal e o amadorismo que se espelha na forma como os acontecimentos são revelados. Os próprios comportamentos destas últimas páginas reforçam a falta de sensibilidade para colocar no papel a experiência pessoal de quem passa por um evento que lhe altera completamente a vida.

Numa frase, “A rainha desejada” é uma adaptação barata e péssima da série Outlander.

Nota: Não posso deixar de referir um aspeto que me deixou um pouco indignada e justifica o detalhe esta opinião. Penso que nunca escrevi uma opinião tão dura. No início da semana, enviei um e-mail à Telma. Expliquei-lhe o que achei do livro, dei-lhe algumas sugestões de melhoria, enviei-lhes uns links para se informar e o pdf com alguns comentários que fui fazendo ao longo da leitura. A autora revelou uma enorme falta de humildade. Ela afirmou que ia não ler a opinião, porque não queria desanimar agora que a convidaram a escrever um novo livro. Está no seu direito. Porém, senti que desprezou a informação que lhe passei e todas as minhas observações. Não sou uma perita em livros (tenho muito para aprender), mas considero que tenho experiência suficiente para identificar o que é ou não um bom livro. De boa vontade, partilho o que achei e tento dar sempre soluções para uma melhoria dos manuscritos. É óbvio que não espero que aceitem tudo, mas achar que o trabalho está bom e que não precisa de melhorias releva uma falta de humildade atroz. Talvez deva deixar de aceitar estes pedidos e de dar sugestões. Há pessoas que não merecem o nosso tempo nem a nossa bondade.

Classificação

07
Abr21

Inquietações # 4 | Qual o nosso papel na promoção da leitura?

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No início deste ano ganhei uma nova estagiária. Uma rapariga bastante diferente da minha personagem nerd.

Os livros são sempre um bom tema de conversa. Acabei por contagia-la com o meu entusiasmo. Só que ela dizia-me que achava que não queria começar por ficção. Apresentei-lhe o Goodreads e o site da Wook e incentivei-a procurar algo que lhe despertasse o interesse. Em dois meses comprou já leu três livros. Não foram todos leituras satisfatórias, mas permitiu-lhe uma exploração deste universo. E será esta tentativa e erro que a fará crescer como leitora e a desenvolver os seus gostos.

Esta situação fez-me pensar no nosso papel enquanto promotores de leitura. Acho que mais do que impor livros, devemos promover a exploração e a escolha autónoma. É certo, uma situação não invalida a outra. Porém, até que ponto só lês os livros sugeridos por outras pessoas? Permites-te a explorar novos autores ou novos livros? Arriscas a ler um livro menos publicitado?

Eu gosto de arriscar. Nem sempre corre bem, mas quando corre sinto-me realizada por ter descoberto um livro diferente.

Mais do que me deixar influenciar pelas opiniões das outras pessoas, aquilo que mais gosto nestas partilhas é de trocar ideias. Geralmente, gosto de consultar opiniões sobre livros que li para refletir mais sobre a minha experiência e para discutir com alguém. Gosto de ler opiniões divergentes às minhas e tentar colocar-me na pele daquele leitor. O que é que ele sentiu que eu não senti? O que é que o livro lhe ofereceu que eu não consegui captar? Acho que, desta discussão, nasce o entusiasmo de ler mais e de descobrir novos livros.

Ler algum livro por influência de outra pessoa também é bom. As partilhas de opiniões devem servir para inspirar outras pessoas ou a ler o livro ou a procurar algo semelhante que possa vir a gostar.

 É bom acompanharmos as leituras uns dos outros. É bom refletir e discutir sobre as leituras que se vão fazendo. Mas será suficientemente cativante, que as nossas leituras dependam sempre das sugestões literárias dos outros?

Arriscas em livros desconhecidos? Deixa-me uma sugestão de um livro pouco falado na comunidade e que tenhas gostado muito.

06
Abr21

Março | Quem chegou?

Março passou demasiado depressa. Foi um bom mês de leituras e um bom mês de livros que chegaram aqui a casa.

Comecei o mês a receber um presente. A minha mais recente estagiária (uma pessoa que estou a conhecer e que estou a gostar muito) ofereceu-me o livro “Acredita” de Júlia Domingues. Vinha acompanhado de uma bonita carta que me deixou a chorar. Obrigada A.

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Matei as minhas saudades da biblioteca e vim de lá com mais três livros: “Para lá do inverno” de Isabel Allende; “Se esta rua falasse” de James Baldwin; e, “A célula adormecida” de Nuno Nepomuceno.

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O mês ainda me permitiu fazer uma troca. Assim, deixei que o meu livro “O teu rosto será o último” de João Ricardo Pedro fosse trocado pelo “Susana em lágrimas” de Alona Kimhi.

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02
Abr21

Opinião | "Ninguém me conhece como tu" de Anna McPartlin

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Comecei a leitura de "Ninguém me conhece como tu" sem grandes expetativas. Não tinha lido opiniões sobre o livro, mas, irracionalmente, achei que me iria aborrecer com a história. 
Talvez as baixas expetativas tenham permitido uma relação positiva com a história. O que é certo é que o livro mexeu comigo e deixou-me a pensar na vida, nas escolhas feitas, nas relações construídas e terminadas, no valor que se dá a determinada conquista ou acontecimento. 

É um livro fácil e ao mesmo tempo difícil de ler. Fácil porque a narrativa avança de forma bastante dinâmica e possuiu a capacidade de prender o leitor. Difícil porque aborda temas densos: violência doméstica, abuso sexual, morte e luto. E é nesta dimensão mais negra que reside a beleza do livro e a sua capacidade de deixar o leitor imerso em reflexões e em questionamentos pessoais.

Eve e Lily são duas adultas que partilharam uma infância e adolescência felizes. A vida e as suas pedras meteram-se pelo meio e originou uma rutura. Mas as grandes amizades não se esquecem. As pessoas que de alguma forma marcam a nossa vida e o nosso coração de forma positiva tornam-se eternas na nossa memória. Eva e Lily eram eternas na memória uma da outra. As cartas que iniciam cada capítulo permite-nos conhecer o passado e compreender o presente que se vai desenrolando. 

A história é marcada pelo quotidiano. Pelas vidas de Eve, Lily e todas as pessoas que gravitam em volta delas. São páginas que guardam palavras de amor, amizade e sofrimento. São pedaços de vidas que desfazem e refazem com o decorrer dos dias. Abrem-se feridas antigas e recentes para que a resiliência e as emoções positivas exerçam o seu poder curativo. 

E assim fui navegando por esta história. Embalada pelas tragédias e conquistas de Eve e Lily ao mesmo tempo que pensava e analisava as minhas próprias tragédias, conquistas, escolhas. 
O final deixa um sabor agridoce. É um reflexo da continuidade da vida e da imprevisibilidade dos dias, mas deixa um certo aperto no coração pela abertura que a escritora dá a história de Eve.
No final, para além de me deixar a pensar na vida, ficou a sensação de ter feito uma boa descoberta.

Classificação

01
Abr21

Inquietações # 3 | O que te leva a ler um livro?

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Já há muito que não partilhava uma inquietação. A minha mente é sempre inquieta, falta-me é tempo para dissecar as suas inquietações. Aqui no blog aposto num estilo mais amplo, dando-me a liberdade de abordar temáticas diferentes. Para o Instragram irei dar início a uma sequência de inquietações literárias de forma a substituir os post sobre beta-reading que andei a partilhar.

Na terça-feira, partilhei no blog a minha experiência enquanto espetadora do documentário "Febre Ferrante". Ter assistido àquele documentário tem-me deixado a pensar em algumas coisas. 
Elena Ferrante nunca se deu a conhecer ao mundo. Para ela, as suas histórias deveriam valer mais do que a sua imagem ou a sua vida. Esta visão faz-me muito sentido! A história e o interesse em descobri-la deveria sobrepor-se à imagem do(a) escritor(a) e à capa. Identifiquei-me com a postura da escritora. Podes dizer que também é uma estratégia para impulsionar as compras. Sim, é verdade! O mistério em torno da pessoa que escreve os livros deixa um rasto de curiosidade que leva as pessoas a querem ler os livros. Porém, não foi essa a ideia que fiquei com a visualização do documentário e, no fundo, valida àquela que é a minha relação com o livro. 

Eu procuro um livro pelo simples prazer de descobrir uma história. De querer conhecer o que é que aquelas palavras têm para me contar. Sou uma despistada com as capas. É claro que consigo apreciar a sua beleza, mas não são elas que me atraem para o livro. 

Quanto à imagem do escritor ou a necessidade de descobrir quem está por detrás de determina história nem sempre é importante para mim. É interessante ler um entrevista, perceber como é que o escritor pensou e desenvolveu a sua narrativa. Mas e se ele não aparecesse fisicamente, iria condicionar o meu interesse em ler ou não ler o livro? Muito provavelmente não! 

Sei que é tudo muito complexo. O ser humano tem uma maior facilidade em deixar-se cativar pela dimensão visual. Aquilo que lhe entra pelos olhos é uma ferramenta poderosa na forma como impulsiona o comportamento. Mas o livro é mais do que imagem, é mais do que capa. Acredito que quem ama os livros e quem se apaixona pela história pouco valoriza a questão da capa ser de forma a ou b. 

Pessoalmente, o título condiciona muito mais as minhas escolhas. O título deve espelhar a identidade do livro. Nem sempre isso acontece. Muitas vezes, eles também são feitos à medida do marketing e da publicidade, acabando por induzir em erro. 

E voltamos ao início. O que é que é mais importante? A narrativa que preenche as páginas de um livro ou a imagem visual do livro e a imagem de quem o escreveu? 
Sei que a imagem tem um enorme poder, mas será isso que cativa o leitor? Será que as motivações para ler um livro devem residir na capa ou no(a) escritor(a) que o escreveu?

O que é que te leva a ler um determinado livro?

30
Mar21

Por detrás da tela | "Love on the sidelines" (2016) e "Febre Ferrante" (2017)

Love on the sidelines

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Há umas semanas estava com uma enorme necessidade de ver um filme leve, descontraído e que me garantísse um final feliz. Pesquisei nos filmes disponíveis na televisão e acabei por selecionar este "Love on the sidelines". 
É um filme romântico, cheio de clihés: o jogador que se lesiona, a rapariga que passa por uma crise profissional e acaba como assintente de um jogador cheio de dinheiro e o romance inevitável que nasce dessa relação.

O filme tem alguns momentos cómicos e garantiu-me aquilo que estava à procura: diversão, romance e uma história que não exigesse muito dos meus neurónios.
Tudo no filme se encaixa dentro do género para o qula foi construído. A música, os cenários e o conteúdo da história articulam-se de forma simples e intuitiva. 

A mensagem do filme é semelhante a outros filmes do género: a importância de acreditarmos em nós próprios e nas nossas capacidades, a irmos mais além das aparências e o amor surge quando mesno esperamos. 
As interpretações são medianas. Os autores conseguem dar corpo às personagens, porém há momentos em que tudo parece demasiado artifical. 

Classificação

Febre Ferrante

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Foi com muita curiosidade que comecei a ver este documentário. 
O que sei de Elena Ferrante e dos seus livros é o que vou lendo nas redes sociais. Tenho dois livros da escritora na estante. Comprei por causa das boas opiniões que fui lendo, mas ainda não senti vontade de ler os livros.

O interessante é que cheguei ao fim do documentário com vontade de pegar imediatamente no livro "A amiga genial". O documentário aborda um pouco esta obra e a série da qual faz parte e a forma como as diferentes pessoas falaram sobre estes livros deixou-me muito curiosa por conhecer o trabalho de Elena Ferrante.

Se há coisa que admiro nesta escritora é o seu anonimato. Acima de tudo ela quis ser lida, ela quis que fossem os livros a ganhar destaque, a ultrapassar a imagem do escritor. E conseguiu! A curiosidade sobre a sua verdadeira identidade acaba por espicaçar os leitores, mas as obras valem por si mesmas. Diferentes pessoas reconhecem a genialidade da escrita e das personagens. Realçam a capacidade de Ferrante em retratar as emoções e as relações entre as pessoas. O facto é que tudo isto me deixou muito intrigada. 

O documentário apresenta relatos de italianos e de norte-americanos. A tradutora responsável por traduzir os livros da Elena Ferrante para inglês também dá o seu depoimento e fala da forma como os livros ganharam terreno e interesse dos leitores norte-americanos. 

Foi um documentário muito interessante. Perceber as diferentes perspetivas sobre a autora e a sua obra confere ao espetador uma sensação de coerência. Todos eles foram unânimes em reconhecer o talento e a genialidade das histórias de Ferrante. Foram capazes de identificar os aspetos que prendem o leitor às obras e dissertaram um pouco sobre o a decisão da escritora em se manter na sombra e deixar que as suas palavras e as suas histórias brilhem. 

Já leste algum livro de Elena Ferrante? Qual foi? O que achas das suas obras e da sua opção de se manter anónima?