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Por detrás das palavras

Por detrás das palavras

27
Mai20

Opinião | "Ao teu lado" de Ana Ribeiro

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Ao contrário daquilo que possam pensar, não é fácil escrever sobre um livro que não gostei. É uma tarefa complicada! Enquanto desmontamos o quanto não gostamos de um livro, acabamos por ferir um pouco os sonhos daquele(a) que o escreveu. Torna-se ainda mais complicado quando é um livro escrito por um autor português.

Antes de escrever a opinião, enviei um e-mail à Ana (a autora do livro) com uma série de aspetos que acho que ela poderá melhorar na narrativa. Ela tinha disponibilizado o livro de formar gratuita e eu decidi arriscar a enviar-lhe uma visão mais detalha e pessoal. Tive a sorte de as minhas sugestões terem sido bem recebidas.

Li o ebook em epub. Não estava completo, devido a algo alheio à autora. Neste momento estou a ler o que me resta, mas ao mesmo tempo a fazer revisão. Por este motivo, decidi publicar a opinião relativa às paginas que li apenas enquanto leitora. Tenho uma veia de ovelha ronhosa muito saliente, por isso não seria justo vir escrever sobre o que estou a rever. 

Enquanto leitora, devorada de histórias e que se derrete com boas histórias de amor este livro ficou longe de me satisfazer os sentidos. A história de amor pobre, com incongruências à mistura e cheia de estereótipos deu cabo do meu cérebro. Os meus dedos vibravam com a necessidade de escrever comentários e fazer correções. O livro merecia crescer, o amor merecia sair daquelas páginas para o coração do leitor, porém faltava-lhe a magia de uma história bem narrada, com personagens reais e com descrições capazes de estimular os sentidos.
Os acontecimentos, as personagens e a forma como a autora decide dar corpo às ideias que andam na sua cabeça carecem de mais trabalho. É importante dar um tom credível àquilo que queremos oferecer ao leitor. Além da credibilidades, é importante humanizar as personagens, dando-lhe qualidades e defeitos. Sei que não é fácil materializar em palavras aquilo que nos vai na imaginação, mas é importante transformar a nossa imaginação numa história que prenda o leitor e que o envolva nos acontecimentos.

Aos diálogos falta-lhes a garra e a capacidade de os materializar enquanto situações reais. Também lhes falta emoção. A narração precisa de mostrar mais o que se está a passar do que apenas contar o que vai acontecendo.

Outra dor de cabeça para mim foi a pontuação. Não sou a Guro das regras gramaticais, também dou os meus pontapés, porém a pontuação neste livro dificultou a leitura pois algumas passagens tornavam-se confusas.

Falar sobre livros é subjetivo. A minha experiência com este livro não foi a mais feliz, porém no Goodreads existem muitas vozes contrárias à minha, e ainda bem que existem. Acima de tudo, espero que sejam sinceras e que transmitam aquilo que verdadeiramente sentiram na leitura. 
Devido a esta subjetividade, eu procuro opiniões literárias junto das pessoas que partilham alguns dos meus gostos ou cuja fundamentação me convence. Posto isto, esta minha opinião é o reflexo da minha experiência com o livro. E vocês poderão viver uma experiência completamente diferente. É nesta diferença que o mundo enriquece. Por isso, se gostaram do livro, se tiveram outra visão sobre as coisas, comentem! Assim, quem cá passar poderá conhecer experiências de leitura diferentes. 

25
Mai20

Por detrás da tela | "Christmas in Angel Falls" (2017) e "Before we go" (2014)

"Christmas in Angel Falls"

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Ver filmes de Natal fora de época sabe-me bem. Geralmente são filmes que não exigem muita energia e passam sempre uma mensagem de esperança e positivismo. 
"Christmas in Angel Falls" é um filme natalício, onde um anjo fica responsável por ajudar uma localidade a recuperar o espírito de Natal.

Por entre momentos divertidos e romance vamos descobrindo os motivos que arruinaram as vivência natalícias naquela cidade. Ao mesmo tempo que se desvendam os problemas, abre-se caminho à sua resolução. Como podem ver, a linha narrativa é bastante descomplicada e o filme cumpriu a sua função de entreter e proporcionar uma viagem à magia que só os dias natalícios oferecem. 

É um excelente filme para descontrair e reviver as coisas boas que só o Natal consegue oferecer.

"Before we go"

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Quando comecei a ver este filme, de forma instantânea, a minha memória viajou até outro filme. "Before we go" recordou-me "Before sunrise", um dos meus filmes preferidos. Esta recordação não favoreceu muito a forma como assisti a este filme, uma vez que foi inevitável fazer comparações. 

Ambos os filmes partem da mesma premissa, contudo acabam por diferir na forma como a operacionalizam e como constroem a narrativa em torno de dois desconhecidos que se cruzam de forma inesperada. 

Eu gostei do filme, porém foi incapaz de me conquistar na totalidade. A química entre os dois atores não esteve ao nível das minhas expetativas e os diálogos que protagonizaram não me cativaram muito no início.
Com o desenrolar do filme a minha relação com o mesmo foi melhorando. O meu interesse aumentou e as cenas finais conseguiram emocionar-me. 

O enredo não é complexo, o que facilita a envolvência com o filme.Tem uma forte carga dramática o que possibilita ao telespetador construir alguma empatia com as personagens. No meu caso, a empatia não fio maior porque estava sempre a lembrar-me do Jesse e da Céline e dos seus devaneios filosóficos apaixonantes. 

Um bom filme para uma tarde descontraída de domingo.

 

 

22
Mai20

Alma Lusitana

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🌞 Porto: Um autor que nunca tenhas lido, mas que está na tua lista
Nuno Amado. Tenho na estante o livro "À espera de Moby Dick" e tenho alguma curiosidade para ler este livro.

🌞 Aveiro: Um livro para morar
"O Ano da Dançarina" de Carla M. Soares. É um livro que retrata uma realidade algo semelhante à que vivemos atualmente. Gostava de viver ali uns tempos e conhecer aquelas personagens e viver num tempo fora do meu.

🌞 Coimbra: Um livro do teu autor favorito
Acho que ainda não li livros suficientes de um escritor nacional para o ter como um dos meus escritores favoritos. De entre as minhas leituras, a escritora que eu destaco é a Célia Loureiro. O último livro dela, "Os pássaros", mostra que a escrita dela está cada vez melhor. 

🌞 Leiria: Um livro para reler
"Ensaio sobre a cegueira" de José Saramago. Li-o o ano passado e fiquei com a sensação de que não consegui absorver a imensidão daquele livro. Acho que é daqueles livros que nos oferece algo novo sempre que decidimos lê-lo novamente.

🌞 Ericeira: Um livro que te transporta para uma zona do país que gostas
"A sombra de um passado" de Carina Rosa. Parte da ação do livro passa-se no Porto. Eu adoro o Porto. Não me importava nada de lá viver.

🌞 Guimarães: Um livro que deveria ter uma adaptação cinematográfica
"Perguntem a Sarah Gross" de João Pinto Coelho é dos melhores livros de escritor nacional que eu já li. Adorei o livro e a forma como a narrativa se desenvolveu. Acho que daria um excelente filme. 

🌞 Sintra: Um livro de poesia
Já há muito tempo que não leio um livro de poesia. O último que li foi "Os meus poemas não rimam" de Ana Beatriz Cruz.

🌞 Bragança: O primeiro autor que leste
Sophia de Mello Breyner Andresen. "A fada Oriana", "A menina o mar" e "O cavaleiro da Dinamarca" são livros que marcaram a minha infância. Histórias que jamais irei esquecer.

🌞 Gaia: Um livro infanto-juvenil
Aos 13 anos vivi a minha primeira experiência de leitura compulsiva. No meu aniversário ofereceram-me o livro "A lua de Joana" de Maria Teresa Maia Gonzalez e li-o o mais depressa que a minha vida de 13 anos me permitiu. Foi o livro que protagonizou a minha primeira maratona literária noturna. Lembro-me de faltar pouco para terminar o livro e de não me conseguir deitar sem o ler todo. Reli o livro imensas vezes. 

🌞 Lisboa: Um livro que mencione outras expressões artísticas
"O escultor" de Carina Rosa. É um livro que tem algumas referências ao mundo da escultura.

🌞 Braga: Um livro passado na tua estação favorita
Tive dificuldade em escolher um livro para esta categoria. Não me recordava de nenhum livro que se passasse exclusivamente no outono ou na primavera. Por isso, decidi escolher um livro cuja a ação decorre em diferentes estações (perdoem-me a aldrabice). O livro é "Inês" de Maria João Fialho Gouveia.

🌞 Óbidos: O livro com a capa mais bonita
"Uma mulher respeitável" de Célia Loureiro. Um capa lindíssima!

21
Mai20

Novidade | Nas páginas do meu caderno

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O desafio de escrita dos pássaros veio confirmar o meu gosto pela escrita... Infelizmente acabei por abandonar porque não conseguia escrever todas as semanas.
A pressão para escrever nem sempre ajudava, mas ficou esta vontade de escrever mais. 

Então decidi criar uma nova rubrica aqui para o blog. Um espaço onde poderei escrever textos ficcionais e não ficcionais. Um espaço para escrever sobre tudo e sobre nada.

É um espaço aberto e que eu quero que seja dinâmico, assim, vou deixar que vocês me sugiram temas. Se se quiserem juntar, serão bem-vindos. 

Conto fazer duas publicações por mês (nos dias 11, e 21 de cada mês). 

Adoro escrever cartas, e quero aproveitar este meu gosto pessoal para interagir com vocês. Então, poderão intervir nestas publicações de duas formas:

  1. Sugestão de remetentes e destinatários (por exemplo, podem pedir-me que eu escreva uma carta em específico - de um pai para um filho desaparecido, de um animal abandonado no canil para o dono que o abandonou - a imaginação é o limite). 
  2. Envio de uma carta (poderá ser ficção ou realidade - não preciso de saber) à qual eu terei de dar resposta. A carta que me enviarem será publicada dois dias antes aqui no blog. Caso queiram manter o anonimato, estejam à vontade. 

Fico à espera das vossas sugestões ou cartas no meu e-mail pordetrasdaspalavras@gmail.com.
Caso queiram participar no desafio é só manifestarem o vosso interesse também por e-mail. Não se esqueçam de me dizer onde poderemos ir ler as páginas dos vossos cadernos.

20
Mai20

Por detrás do autor | Ana Ribeiro

Já há muito tempo que não publico uma entrevista a um escritor. Hoje é o dia de colmatar esta falha.
Para este regresso trago-vos a entrevista que fiz à escritora Ana Ribeiro.

1. Ana, para quem não te conhece, faz uma pequena apresentação de ti. O que é que a Ana escritora tem desta Ana enquanto pessoa?
Chamo-me Ana Ribeiro, tenho 32 anos, vivo em Chaves e sou licenciada em Análises Clínicas, mas, infelizmente não exerço. Considero-me uma pessoa, simples, humilde, tímida e sonhadora. A Ana escritora tem de mim o lado sonhador e persistente. Ser jovem autora exige muita persistência e paciência.

2. Quando é que começaste a escrever? Como é surgiu essa ideia?
Sempre gostei de escrever, porque sempre fui muito tímida; por isso a escrita era um refúgio, uma forma de comunicar com os outros. No início da adolescência escrevia muitos diários pessoais, uma coisa que durou até aos vinte e poucos anos; onde guardava as alegrias e as tristezas, o dia-a-dia e gostava de participar em desafios de escrita que me chegavam na revista trimestral do Clube Caminho Fantástico da Caminho que me chegava a casa. Foi assim que tudo começou.

3. O que é que te motiva na escrita? Qual a parte mais fácil e qual a parte mais difícil?
Poder contar histórias aos outros, para além disso gosto de abordar temas quando escrevo uma história, e gosto de fazer as pessoas refletir sobre esse tema. A parte mais fácil é o processo de criação, onde podemos deixar a inspiração e a criatividade fluir à vontade, gosto de vivenciar o que escrevo, de sentir a história na pele; a parte mais difícil é a publicação do livro. O mercado apoia pouco os jovens autores, ainda se foca muito nos autores que lhe dão lucro imediato e muitas das editoras que estão hoje no mercado cobram pela publicação e aproveitam-se do trabalho dos autores. O autor paga, o livro é impresso e muitas vezes nem chega ao mercado e isso faz com que muitos bons autores desistam de escrever e de publicar.

4. Como foi o processo de criação do livro “Ao teu lado”?
Foi um processo intenso, longo e moroso, uma boa parte da primeira versão da história foi escrita à mão e as ideias eram tantas que chegava a acordar durante a noite para escrever. Inicialmente estava pensado para ser uma história infantil que me propuseram em 2011 depois de participar numa feira do livro, mas, as ideias foram tantas que acabou por transformar-se num romance. A história teve várias versões e costumo dizer que acompanhou o meu percurso literário porque muito do que fui aprendendo foi posto em prática neste livro. A versão final só começou a ser preparada em 2016 quando decidi publicar a história em livro.

5. Onde te inspiraste para escrever a história do Miguel e da Ana do livro “Ao teu lado”?
A amizade de Ana e Miguel é inspirada numa amizade minha. Dei ao Miguel o nome de um amigo meu que me apoiou imenso neste percurso, a forma de lhe agradecer foi trazê-lo para um livro meu, o que tornou o processo de escrita da história especial. A viagem que Ana e Miguel fizeram ao Parque Nacional dos Picos da Europa, é a descrição da viagem que eu fiz em 2012 e 2016. O resto é pura ficção fruto de ideias que foram surgindo.

6. Quais os projetos futuros relativamente à escrita?
Posso adiantar que tenho o novo livro já pronto, que conto publicar para o ano. Vai ser o meu regresso à poesia, depois do primeiro livro publicado há nove anos. Surgiu há algum tempo a ideia de celebrar estes 10 anos do primeiro livro com um livro novo de poesia, espero que a situação que atravessamos me permita concretizar o que tenho em mente, mas é tudo ainda incerto.

Tenho algumas histórias escritas, mas inacabadas que conto publicar no futuro, a preparação de “Ao Teu Lado” para a Amazon foi um processo longo, o manuscrito precisou de várias alterações (muitos momentos do livro tiveram que ser resumidos para a publicação e alguns leitores sugeriram que os desenvolvesse) e correções que a editora não fez, nomeadamente erros ortográficos e de formatação que ficaram, obrigando-me a abandonar o que estava a escrever. A divulgação da obra foi toda feita por mim, por isso, desde 2017 que me tenho dedicado a este livro. Espero regressar em breve a novas histórias.

18
Mai20

Da complexidade destes dias....

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A última semana foi das piores semanas para mim desde que o confinamento começou.
Eu pertenço ao grupo daqueles que não se está a dar muito bem com o teletrabalho. Se há coisas que acho que funcionam, outras há que me tem deixado extremamente esgotada. 

O facto de não ter um trabalho fixo dificulta as coisas. Senti-me "atacada" por diferentes frentes com prazos apertados e com reuniões online que só atrasam mais os processos. Foram duas semanas a trabalhar ininterruptamente! Isso esgota, aumenta a frustração de quem vive na incerteza e deixou-me com uma certa aversão ao computador. 

A vida online não é fácil. Reuniões que se estendem por muitas horas, vários pedidos em simultâneo, tarefas atrás de tarefas. 
Inicio uma semana de exercício físico diário, para na semana a seguir nem a conseguir cumprir porque mesmo depois do jantar tenho que aqui vir. 

Às vezes pergunto-me se a culpa é minha e que não sei gerir um horário de forma decente. Outras vezes sinto o peso de um emprego incerto e instável. Outras vezes é apenas a tristeza de não me encontrar numa posição mais confortável e que me possibilitasse fazer outras coisas.

Por isso, durante a quarentena li pouco! Sempre que apanhava algum tempo livre era mais fácil passá-lo em frente à televisão a ver um filme ou uma série.
O país, aos poucos, vai saindo da sua hibernação. Nada será como antes. É certo que temos de aprender a lidar com vírus, pois este confinamento a longo prazo torna-se insustentável. 

A ver se esta semana consigo fazer publicações mais regulares.

11
Mai20

Por detrás da tela | "Éramos seis" (2019)

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Tenho um amor especial por telenovelas brasileiras. Fico quase sempre rendida às histórias, à forma como o enredo é desenvolvido e pelas interpretações magníficas. 
Comparativamente às produções portuguesas, as novelas brasileiras não enrolam os acontecimentos nem fazem prolongamentos desnecessários. 
Mais recentemente tenho desenvolvido um gosto particular pelas novelas de época. A última que assisti de forma mais assídua foi "Éramos seis".

"Éramos seis" é uma novela que conta com diversas versões (a mais recente passou na televisão entre 2019 e 2020) e teve como inspiração o livro com o mesmo nome que foi escrito por Maria José Dupré. 
A novela centra-se na família de Lola. Conhecemos a família na década de 20 e acompanhamos a sua vida até à década de 40. 
Lola é interpretada de forma brilhante pela atriz Glória Pires. Ela é o grande pilar da família, que luta por uma vida melhor para os seus e que não desiste perante as  adversidades que se vê obrigada a enfrentar. 
Júlio, marido de Lola, representa a ambição desmedida. Um homem que personifica a frustração perante a vida e que tem muitos altos e baixos. Tanto consegui ter pena dela, como facilmente me irritava. 

Os filhos do casal protagonizam personalidades muito diversas. Nessa diversidade reside o interesse em acompanhá-los, descobrindo as suas escolhas, a sua postura perante a vida e a forma como enfrentam os problemas que a vida lhes coloca.

É óbvio que a novela possui enredos paralelos. A doença mental, o feminismo e a instabilidade política são outros assuntos muito bem retratados ao longo de algumas fases da novela. 
Quero destacar a forma como foi abordada a questão da doença mental.

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Justina tinha um problema mental e sofria com o desconhecimento de tratamentos que a ajudassem a ter uma melhor qualidade de vida. Porém, numa outra fase da novela esses tratamentos aparecem. O enredo vai mais além e apresenta todos os preconceitos associados quer à doença, quer aos tratamentos. 

O divórcio era, no anos 20 e 30, um tabu. Um condição que não beneficiava em nada as mulheres e comprometiam o futuro relacional dos homens que optavam por sair de um casamento infeliz.  
Este é outro tema a dar um toque especial à novela. 
Almeida é um homem divorciado que se apaixona por Clotilde. Esta paixão é correspondida, mas Clotilde sonha com um casamento tradicional. 

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A ligação que os dois atores criaram foi mágica. A relação foi conduzida de forma muito equilibrada. Os momentos mais dolorosos encaixaram na perfeição nos momentos felizes criados. Clotilde ofereceu-me um dos momentos mais intensos ao longo de toda a novela. O acontecimento a que me refiro acontece numa fase final da novela e é absorvente e emocionante.
Os diálogos entre estas duas personagens são daqueles que apelam ao lado emocional do telespetador.

Gostam de telenovelas? O que é que gostam de ver?

09
Mai20

O grupo Bando Lusitano

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Na quinta-feira passada, depois de uma conversa com a escritora Patrícia Morais, fiquei a remoer nos assuntos que discuti com ela.

Fiquei triste e incomodada. Comecei a pensar no que é que poderia fazer para mudar as coisas. 
Já ando pelo mundo dos blogs desde 2011. Tenho mais de 100 opiniões escritas de livros escritos por autores nacionais. Sempre me preocupei em dar atenção ao que é nosso. Tentei dar oportunidade aos novos escritoras. Mas fiquei com a sensação que poderia fazer mais.

Pensei e surgiu O Bando Lusitano. 
O Bando são todos aqueles e aquelas que defendem os autores nacionais. São os que gostam de poesia, os que gostam de fantasia, os que gostam de clássicos, os que se derretem com uma boa história de amor... Cabem todos! Acredito que é da diversidade que nasce o conhecimento e essa diversidade que eu quero ver no grupo. 

O que é que têm de fazer?

  1. Divulgar um livro escrito por um autor português durante os primeiros cinco dias de cada mês, durante doze meses. 
  2. O livro poderá ser um livro já lido e que tenham gostado muito ou pouco (todos somos diferentes e aquilo que eu não gosto poderá ser do gosto de outros) ou um livro que queiram ler ou um livro que vão ler nos próximos tempos.
  3. Respeitar as opiniões de cada um.
  4. Podem partilhar em blogs, redes sociais.... Usem a #bandolusitano
  5. Podem fazer parte de um grupo no Goodreads para discussões, leituras conjuntas, reflexões e ajudar no trabalho e divulgação dos escritores (https://www.goodreads.com/group/show/177934-bando-lusitano).

Quero que seja tudo democrático e com uma atitude positiva perante os livros e perante todos aqueles que ajudam a divulgar o que se faz por cá.

08
Mai20

Opinião | "Raparigas como nós" de Helena Magalhães

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Comecei esta leitura com os dois pés atrás. Ele pertence a um género literário com o qual costumo ter uma relação algo conflituosa. Além disso é um livro muito acarinhado pelos leitores e eu, por norma, sou sempre um bocadinho do contra. Neste momento devem estar a questionar-se, dadas as evidências por mim apresentadas, o que é que me motivou a ler o livro. Bem... A resposta é fácil. Sou naturalmente curiosa no que toca ao livros e vou sempre na expetativa de ser surpreendida. Além do mais, se não tenho reticências em arriscar com um autor internacional porque é que as teria com um autor nacional?

E foi neste misto de emoções que comecei a ler o "Raparigas como nós". 
As minhas emoções flutuaram imenso ao longo do livro. Li muitas coisas que não me fizeram sentido, cruzei-me com uma narrativa com algumas incoerências e não me identifiquei nem criei qualquer ligação com as personagens. Porém, houve uma coisa que me prendeu do início ao fim: a escrita. A forma como a Helena tece toda a narrativa é cativante e envolvente. Tão envolvente que, mesmo não tendo vivido aquela adolescência, mesmo o facto muitos dos acontecimentos não terem feito o mínimo sentido para mim ela conseguiu semear em mim aquela nostalgia especial que só as boas memórias conseguem fazer. 
Em suma, para mim o ponto positivo deste livro é a escrita.

Relativamente à narrativa há ali muitos aspetos que não me satisfizeram enquanto leitora. 
Começando com a primeira e última partes do livro, que decorrem em 2004, não me conseguiram mostrar uma Isabel e uma Alice de 17 anos. Há diálogos entre elas e outras personagens que não me fizeram ver miúdas de 17 anos a lutar pela sua própria afirmação. Há situações que me mostram miúdas demasiado infantis para quem tem 17 anos e outras que me levam a miúdas mais velhas. 
As referências temporais são pobres. Do meu ponto de vista, há coisas que deveriam ter figurado. Por exemplo, em 2004 Portugal foi completamente absorvido pelo europeu de futebol e não aparecem referências a tal acontecimento. Até eu, que sou completamente desligada do futebol, tenho muitas lembranças associadas ao EURO 2004. 
Há uma outra referência temporal que nos desloca do presente das personagens. A dada altura são mencionados os atentados terroristas em Madrid. As personagens estão no ano em que esses atentados ocorreram, logo não faz sentido dizer "Os atentados que ocorreram em março de 2004". 
A data de divórcio dos pais de Isabel é imprecisa e deixa transparecer algumas incoerências na narrativa. Não é nada grave, mas um leitor mais atento facilmente apanha esta lacuna.
A própria vida do Simão é uma confusão temporal que descredibiliza o que ele viveu. São incoerências que vêm desde o tempo em que ele frequentava o 9º ano até à atualidade dele.
Estas incoerências oferecem uma visão irrealista da vida das personagens e da forma como evoluem ao longo do espaço narrativo.
Por fim, outro aspeto que me fez torcer o nariz foi a vontade da Isabel em voltar a ter 14 anos, quando tinha 17. Entre os 14 e os 17 anos não passa assim tanto tempo. O passado não é tão longínquo quanto a ideia que a escritora pretende passar. Aqui encontrei um lado demasiado infantil da Isabel. E só esse lado infantil me explica esta vontade de ela reviver um passado que não foi assim tão feliz e bem sucedido. 

As referências musicais foram as que mais gostei e aquelas que mais mexeram nas minhas emoções. Talvez porque também eu tenha memórias associadas a algumas das músicas. 

Como já escrevi atrás a adolescência da Isabel e a Isabel em 2004 estão bastante longe da minha realidade. Há demasiada permissividade e liberdade. Os adolescentes que eu conheço e com quem trabalho não têm grande parte das experiências das personagens. Pegar no namorado e levá-lo a dormir a casa dos pais, passar a noite fora com pessoas que mal se conhece, ir a festivais de verão, droga, sexo... Acho demasiado para miúdos de 17 anos, ou pelo menos para os miúdos de 17 com quem lido e para a miúda de 17 anos que fui. Neste sentido, achei que isto foi tudo muito fabricado.

A Isabel sentia-se uma rapariga estranha. Também sempre me senti estranha, mas eu sou bem pior que a Isabel. Aliás, eu jamais me iria colocar em situações ou relacionar-me com pessoas que fossem contra os meus princípios. Esse tipo de esforço pelos outros sou incapaz de fazer. E pensei que a Isabel também seguisse nesse sentido. Aquilo que a Isabel diz ser não acompanha aquilo que a Isabel faz.
Quando Isabel recorda a sua passagem pelo 9º Ano, eu também recordei o meu. E nessas recordações couberam todas as diferenças em termos de vivências. Foi dos anos mais felizes da minha vida. Não havia uma melhor amiga, mas havia um grupo de rapazes que me fizeram sentir integrada num grupo. Também tive um "Simão". O meu não se metia em alhadas, nem fazia coisas parvas para me impressionar. Recordo-o como das melhores amizades que fiz na vida. Tratava-me bem, cuidava de mim. Na cultura escolar de uma cidade pequena, no interior norte de Portugal, não cabiam "Marisas das argolas". Cabiam histórias de vida iguais à da Marisa que mereciam a união da comunidade escolar. Éramos miúdos de áreas rurais que valorizávamos outras coisas.

Para finalizar esta opinião (que já vai muito longa) quero destacar dois aspetos. Em primeiro, acho que pode ser um bom livro para os adolescentes lerem. Penso que se poderão identificar com algumas coisas e dar aso a fantasias de independência que guardam dentro deles. Em segundo, quero deixar claro que a pontuação deste livro surge pela escrita. Podemos não nos identificar com a história, podemos não gostar das personagens mas a escrita tem a capacidade de criar algum tipo de ligação.

06
Mai20

Por detrás da tela | "Coco" (2017)

coco_hero_r_updated_cabed1ce.jpegJá me tinham alertado para a qualidade deste filme, mas é sempre bom constatar pelos nossos próprios olhos essa mesma qualidade e o grau de influência sob as nossas emoções. 

Miguel é um menino que adora música. Tudo nele é ritmo, cor, som e alegria... Mas uma tradição familiar impede-o de abraçar a sua paixão. 
A família, as tradições familiares e os segredos familiares são a pedra basilar desta história. Acima de todos estes aspetos está a cura, cura essa que virá do perdão, dos valores que unem os membros da família e com a capacidade que as famílias têm de se reinventar. 

É um filme que também mostra a importância de nos lembrarmos daqueles que já não estão fisicamente connosco. A importância das memórias positivas nas dinâmicas familiares e para a criação de relações saudáveis são também aspetos bem abordados no filme. 

Eu fiquei encantada pelas cores, pelo som e por aquela reviravolta final que nos deixa a pensar que por vezes o esforço e o talento não são verdadeiramente valorizados em vida. Porém, depois cabe aos vivos fazerem valer a verdade e ajudarem à valorização de um talento. 

Adorei o filme. Ficará na lista dos meus filmes de animação favoritos. 
A quem está fechado(a) em casa com miúdos(as), este filme é uma excelente forma e passarem tempo em família. O filme é curto, mas caso não queiram que as crianças passem muito tempo em frente ao ecrã dividam o filme por dois dias. Aproveitam a pausa entre as duas partes para conversarem em família sobre as personagens do filme, façam desenhos e imaginem como o filme irá terminar.

04
Mai20

Opinião | "As gémeas do gelo" de S. K. Tremayne

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"As gémeas do gelo" é loucura do início ao fim. As personagens têm um nível de doidice que eu nunca encontrei noutros livros. É tudo maluco, adultos e criança.

Para mim, o tema central do livro é o luto patológico. Associado a este luto estão as relações humanas que se vão deteriorando. 
Não é fácil lidar com a perda de um filho, não é fácil perder-se a irmã gémea. Acho que o livro tentou mostrar essa dificuldade, oferecendo ao leitor um conjunto de acontecimentos sinistros e dando o protagonismo a personagens que são demasiado más para parecer reais. 

Senti falta de alguma "normalidade" emocional nos pais. E cheguei a um momento da leitura em que estava demasiado baralhada com os acontecimentos para aproveitar a história e me embrenhar nos acontecimentos. Foram demasiadas dúvidas lançadas em torno da gémea que sobreviveu. Tudo se foi tornando um pouco aborrecido, confuso e repetitivo.

Apesar deste embrulho de coisas em que o livro se foi tornando, o meu lado mais mórbido continuava agarrado ao livro de forma a descobrir o que é que de facto se tinha ali passado. 
É um livro que nos oferece uma história negra, como uns toques de sobrenatural e terror. Acho que foi escrito com o intuito de nos baralhar as ideias e de mexer com a sugestionabilidade de quem se atreve a lidar com tanta doidice. 

Ficou pouco da história, mas quero conhecer outras obras do autor para formular uma opinião mais consistente.