Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Por detrás das palavras

Por detrás das palavras

Opinião | "Susana em lágrimas" de Alona Kimhi

06.10.21

Untitled design (2).jpg

Quando recebi este livro através de uma troca, a Susana (@aspalavrasdasusana) propôs fazermos uma leitura conjunta. Já há muito tempo que não fazia uma e aceitei o desafio. 
O meu entendimento com a Susana foi imediato e tornou-se o grande motor desta leitura. 

"Susana em lágrimas" é um livro perfeito no meio das suas imperfeições. A sua perfeição reside na profundidade emocional e na complexidade das relações que acompanham a dinâmica da narrativa. As imperfeições do livro residem nos aspetos formais relacionados com a escrita. Parágrafos muito extensos. Uma escrita muito confusa, que nem eu nem a Susana conseguirmos perceber se era problema da tradução ou da escritora. Uma ação que parecia não se desenvolver, porque os acontecimentos andavam em círculos. Estes elementos, por vezes, dificultaram a leitura e exigiram uma maior atenção da minha parte. Aqui a leitura conjunta foi essencial. A Susana ajudou-me nas reflexões, ajudou-me a compreender melhor algumas passagens e foi uma companheira de leitura muito motivadora. 

O livro traz-nos um conjunto de personagens pouco convencionais, com um desenvolvimento emocional muito forte e que protagonizam situações e relações algo inesperadas. A ação não se centra em clichés. Em alguns momentos, considero que o livro foi inovador nos assuntos abordados e na forma como foram apresentados. 

Susana (a personagem) é uma jovem adulta que gerou muita discussão. Ela permitiu a construção de diferentes teorias sobre a sua personalidade e o seu comportamento. A sua saúde mental está muito fragilizada e isso provocou-me algum desconforto. É uma mulher muito sensível, profunda e que oferece um realidade mais comum do que aquilo que a população pensa. É uma realidade muitas vezes camuflada, mas não é irreal vermos jovens absorvidos pelos adultos à sua volta. A Susana é sugada por todos os adultos que faziam parte da sua rede de apoio. É na relação com Ada, sua mãe, que consegui respostas para aquilo que é a essência da Susana. É uma relação complexa, tóxica e com muita dependência emocional.

Naor, o primo americano que vem passar uma temporada com estas mulheres, é o elemento desencadeador do mundo interior da Susana. Foi ele que a desestabilizou para que depois ela se pudesse organizar e encontrar o seu equilíbrio. É uma personagem muito importante para o enredo.
Eu e a minha companheira de leitura desenvolvemos uma visão um pouco diferente relativamente a este homem. A Susana achou que os sentimentos dele pela Susana (personagem) eram verdadeiros. No meu caso, tenho um lado que acreditou neles e outro que não. Para mim, foi difícil perceber. Reconheço que ele foi sempre honesto com ela relativamente a aspetos mais conturbados da sua vida. Porém, algumas vezes senti que ele foi distante e pouco sensível perante as particularidades desta mulher.

As últimas 100 páginas do livro guardam o que de melhor tem esta história. Foi aqui que a autora abriu os cadeados que foi fechando em torno das personagens e das suas relações. Foram estas páginas que me possibilitaram um conhecimento mais profundo da história e do mundo interior da Susana. 

Não é um livro comercial. Não é uma leitura rápida e descomplexada. Exige que o leitor tenha maturidade e tempo para refletir sobre os acontecimentos. 

Quero agradecer à Susana a possibilidade de leitura conjunta. Senti uma boa conexão com ela, sendo que se tornou um elemento essencial na construção das análises desta narrativa. É uma das melhores coisas que irei guardar desta experiência de leitura. Obrigada, Susana!

Classificação

 

Setembro | Quem chegou?

01.10.21

Setembro é mês de recomeços. O meu significou regresso ao trabalho e diminuição nas leituras. 

O número de livros que entrou para a estante superou o número de livros lidos.

Vamos lá ver quais foram os livros que entraram aqui. 

Compras
Entre as promoções da 20|20 editora e da Presença, acabei por comprar quatro livros. 
A Presença estava com boas promoções. Há aniversários próximos e decidi aproveitar para fazer compras. Como não queria pagar portes, acabei por comprar um para mim. O escolhido foi "Dez anos depois" de Liane Moriarty. Já me cruzei com boas opiniões ao livros desta escritora e por isso estou curiosa para ler. E depois aproveitei os livros a 5 euros da 20|20 editora e comprei: "O carrasco do medo" de Chris Carter, "Rapazes de zinco" de Svetlana Alexievich e "Tríptico" de Karin Slaughter. 
Faço anos este mês, mas considero que já me presentei bastante. 

1.jpg

Troca
De uma troca recebi o livro "Objetos cortantes" de Gillian Flynn. Eu adorei o livro "Em parte incerta", por isso tenho grandes expetativas para este.

2.jpg

Presente
Em agosto participei num desafio no Instagram. Fiquei em segundo lugar e recebi um envelope cheio de coisas bonitas. Uma dessas coisas era o livro "A ilha debaixo do mar" de Isabel Allende.

3.jpg

Empréstimo
A Daniela fez-me chegar mais um livro da sua estante no âmbito do empréstimo surpresa. Optou por uma escolha segura e enviou-me um livro de uma escritora que adoro. O escolhido foi "Rapariga silenciosa" de Tess Gerritsen. 

4.jpg

Listas | 5 Livros de ficção histórica (Edição autores internacionais)

29.09.21

1.jpg

Como prometido na semana passada, hoje apresento-te uma lista com 5 livros de ficção histórica de autores internacionais.
Foi uma lista bastante complicada de fazer e onde tive de deixar de fora muitos dos meus preferidos.

"O grande amor da minha vida", Paullina Simons

2.jpg

  • Segunda Guerra Mundial - Os acontecimentos que marcaram a Rússia;
  • Boa contextualização e informação histórica. Excelentes descrições do frio, da fome e da miséria.
  • Uma história de amor intensa.

"A imperatriz Romanov", C. W.  Gortner

3.jpg

  • Narra a história da mãe do último imperador Romanov.
  • O luxo, as joias e o encantamento da Rússia estão muito bem descritos no livro.
  • Livro que me lançou numa pesquisa intensiva sobre os Romanov.

"A filha do comunista", Aroa Moreno Durán

4.jpg

  • O muro de Berlim é o grande marco deste livro (primeiro livro que li que aborda este período da História).
  • Livro com um forte carga dramática que se adensa ao longo da leitura.
  • É um livro que convida à reflexão sobre o impacto das escolhas da vida.

"Rosas" Leila Meacham

5.jpg

  • Os apontamentos históricos do livro tornam a narrativa muito real.
  • Personagem feminina forte, ousada e que cria diferentes sentimentos no leitor.
  • Guerra, famílias, amizade, amor e desencontro são as linhas orientadoras de uma história intensa e cheia de reviravoltas.

"Uma voz perdida na guerra", Cesca Major

6.jpg

  • Segunda Guerra Mundial - A história centra no período em que a França foi ocupada pelos alemães.
  • Mostra-nos a vida de pessoas que não estão diretamente num cenário de guerra e que procuram fazer uma vida dentro da normalidade possível.
  • Conhecemos pessoas que sofrem com o medo de serem judeus, com o medo que a guerra lhes roube a pouca tranquilidade que têm, com saudade por aqueles que se aventuram pelas trincheiras ou com medo de viver um amor.

Qual o teu livro de ficção histórica preferido? O que é que esse livro tem que te conquistou o coração?

Opinião | "O cavalheiro inglês" de Carla M. Soares

27.09.21

Untitled design.jpg

"O cavalheiro inglês" foi a minha última leitura das férias. As expetativas estavam altas! Depois de ter adorado "O ano da dançarina" espera cruzar-me com uma leitura capaz de me oferecer bons momentos e uma história para recordar. Esta história conseguiu estar à altura das minhas expetativas e foi uma excelente forma de terminar as leituras das minhas férias. 

A ação deste livro decorre no final do século XIX, num Portugal ferido pelos ingleses em consequência do Ultimato Inglês e com muito descontentamento relativamente à Monarquia. 
O contexto social está muito bem apresentado. Foi muito fácil conseguir-me situar naquele tempo, naquele espaço e viver o desafios sociais, económicos e políticos que marcaram aquela época. 

Numa escrita muito acessível e sem floreados, a escritora levou-me numa viagem por outros tempos. As descrições dos espaços, das roupas, das personagens e do seu mundo interior são aspetos muito bem conseguidos e que oferecem um realismo muito grande ao livro. 

Sofia é quem merece o destaque da obra. Ela e o irmão alimentam o dinamismo do livro. Partilham uma relação única, mas vivem a realidade de forma diferente. É uma personagem feminina capaz de inspirar as leitoras. Numa época em que as mulheres não tinham voz ativa na sociedade, Sofia ousou ser diferente. Foi muito interessante assistir às suas lutas, aos seus dilemas morais e à forma como desafiou preconceitos e vontades masculinas. Teve a capacidade de se afirmar no seu espaço e fazer conquistas que lhe trouxeram muita felicidade. Robert parecia ser mais feroz. Um inglês respeitador, trabalhador e que protagoniza diálogos muito, muito realistas. É fácil reconhecê-lo no livro. 

O elemento romântico que alimenta a história é crescente e simboliza liberdade, conquista e a quebra de preconceitos. Os protagonistas desta história de amor sabem alimentá-la; se por um lado olham para a união como um negócio e uma forma de resolver a situação, por outro os sentimentos vão crescendo e permitem a criação de laços mais coesos. 

Nesta narrativa há espaço para muito elementos: História, amor, aventuras, crime e fugas. É um livro cheio de dinamismo, sem espaço para aborrecimento. 

É um livro que ilustra o crescimento da escritora. Comparativamente ao livro "Alma rebelde", este está mais coeso, com as passagens bem desenvolvidas e descritas e mais aprofundado na contextualização histórica. Colocando-o na balança de preferências, este é umas gramas mais leve que "O ano da dançarina". 

Classificação

10 anos de blog

24.09.21

043070847dae711eaeec0acdadbfe126.png

Fonte

Pela primeira vez na história deste blogue, esqueci-me de assinalar o aniversário do mesmo. A 22 de setembro de 2011, ganhei coragem e lancei-me no mundo dos blogues. 
O blog tornou-se das coisas mais consistentes da minha vida. Apesar da vontade de desistir aparecer de vez em quando, há sempre algo que me puxa sempre para aqui. 

O tempo para escrever é, por vezes, escasso; o que dá origem a alguns períodos de ausência.

Espero que de forma mais ou menos intermitente me consiga manter ativa por aqui.

Remato este post com a palavra gratidão !!! Sinto-me imensamente grata pelas pessoas que este blogue trouxe à minha vida. Elas são o ponto mais importante deste espaço.

Listas | 5 Livros de ficção histórica (Edição autores nacionais)

22.09.21

1.jpg

O meu crescimento enquanto leitora trouxe-me um gosto especial por livros de ficção histórica. Eu gostava de história, mas agora o meu olhar adulto permite-me ter outra capacidade de interpretação. 

Gosto do tempo mais fresco para me perder em livros mais densos. Assim, o início do Outono é o pretexto ideal para deixar sugestões de livros deste género que eu acho que valem a pena serem lidos. Esta semana sai a edição de livros de autores(as) portuguesas e na próxima semana publico cinco sugestões de escritores estrangeiros.

O cavalheiro inglês, Carla M. Soares

2.jpg

  • Portugal vive as consequências que surgiram após o Ultimato Inglês.
  • Há referência ao anarquismo e ao pensamento republicano.
  • Uma história de amor entre um inglês com muitas facetas e uma jovem portuguesa cheia de garra.

Inês, Maria João Fialho Gouveia

3.jpg

  • Apresenta-nos a história de amor mais trágica da História de Portugal.
  • Com uma escrita muito fluída não deixa espaço para aborrecimento na leitura.
  • Possibilidade de conhecer diferentes zonas de Portugal no século XIV.

Perguntem a Sarah Gross, João Pinto Gouveia

4.jpg

  • Um livro que possibilita uma viagem a dois espaços temporais distintos.
  • O antes e o depois da Segunda Guerra Mundial.
  • A realidade dos campos de concentração.
  • Um livro com um enorme detalhe histórico.

O bairro das cruzes, Susana Amaro Velho

5.jpg

  • As palavras da Susana levam-nos para o medo que marcava os portugueses no período da ditadura.
  • Boa caracterização de um bairro que respirava pobreza e miséria.
  • Valorização da educação e no seu papel libertador e que permitia fugir à pobreza.
  • A presença de relações humanas complexas que deixam espaço para a reflexão.

Marquesa de Alorna, Maria João Lopo de Carvalho

6.jpg

  • Livro com um bom detalhe histórico.
  • Vários acontecimentos que marcaram a história de Portugal.
  • Leonor, personagem principal, uma mulher extremamente inspiradora, sedenta de conhecimento e com uma visão arrojada.

Opinião | "Sempre tu" de Colleen Hoover

21.09.21

Untitled design (16).jpg

Se há escritora que consegue transformar emoções e sentimentos em palavras é a Colleen Hoover. Todos os livros que li da escritora conseguem carregar uma carga emocional que me liga quase de imediato às suas histórias. Esta característica dos livros é muito importante. É uma forma do leitor trabalhar a sua própria competência emocional.

"Sempre tu" reúne a história de dois olhares: o de Morgan e o de Clara. Estas páginas reúnem os relatos de uma mãe e de uma filha sobre a realidade onde estão inseridas. São relatos marcados pela personalidade de cada uma. Morgan traz-nos uma parte da sua voz adolescente que contextualiza algumas partes da sua voz adulta. A voz de Clara espelha os dilemas, dramas e confusões de uma adolescente. 

É um livro preenchido por diferentes formas de amor. Há amores imutáveis, que o tempo não os desvanece; há os que se transformam após uma revolução, tornando-se mais maduros; há os que nascem da inocência, uns com mais brilho, outros que se perdem na luz ofuscante de um sentimento ambíguo. Tantas maneiras diferentes de amar e cada uma com um papel relevante para a história que este livro conta. 

O drama é o ponto central do livro. Há um acidente com com Chris, o marido de Morgan e pai de Clara, que origina um conjunto de transformações. Não foi muito difícil adivinhar a linha narrativa que iria orientas as dinâmicas de algumas das personagens. Os acontecimentos são previsíveis, mas a forma como eles são contados transformam-nos num desencadear muito diversificado de emoções. É esta componente emocional que anula o possível aborrecimento que as coisas previsíveis podem originar. 

O drama assenta no desmoronar de uma vida que se acreditava alinhada. É interessante olhar para a Morgan e vê-la a desconstruir as suas escolhas e os acontecimentos que marcaram a sua existência. Há ali uma história paralela que merecia ser contada. Eu queria ter sabido o conteúdo daquelas cartas e daquelas postais. Gostava de conhecer o outro lado da história. Estes elementos causaram-me alguma frustração. Ficou demasiado espaço para  a imaginação e muitas interrogações. 

E, enquanto tudo à sua volta ruía, Morgan revirava o seu interior para atender às necessidade da sua filha. Clara, qual adolescente rebelde, assumiu uma postura um pouco mimada e egocêntrica. A interação entre estas duas pode originar alguma momentos de frustração. Muitas vezes me apeteceu saltar para dentro do livro e oferecer um banho de humildade à Clara, mas sabia que a autora iria ser capaz de enquadrar os momentos de tensão que estas duas protagonizaram. 

Com Miller, Clara tem uma postura mais adulta. Porém, nos momentos em que se deixa consumir pela raiva que alimenta em relação à mãe, ela transforma-se num ser um pouco desprezível e choca com a serenidade do Miller. 
Miller é um rapaz mais carismático do que aquilo que inicialmente parece. Aquele capítulo final onde ele despe toda a sua alma é bastante emocionante. Foram das cenas mais bonitas que eu já li em livro. 

A leitura é viciante. Há muito dinamismo na narrativa o que torna a leitura muito fluída. 
Foi uma excelente leitura de férias. 

Classificação