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Por detrás das palavras

Por detrás do autor | Teresa Poças



Hoje trago-vos mais uma entrevista. Desta vez é à autora Teresa Poças, que escreveu o livro de poesia A fronteira do perpétuo publicado pela Editorial Novembro.


Teresa Poças nasceu em 1996 e é natural da freguesia de Melres, Gondomar, onde viveu toda a sua infância e adolescência.

Wook.pt - Teresa Poças
Dotada de uma mente poética que desconhecia, desde cedo começou a ler e a escrever. Sentiu-se compreendida quando leu o seu primeiro poema. Percebeu como poderia expressar a sua essência quando leu as metáforas de Sophia de Mello Breyner: as coisas não eram só coisas. Depois de muitos rascunhos, encontrou o seu estilo próprio e, aos 14 anos, publicou o seu primeiro livro, Imensidão do Vazio.

Na simplicidade de uma pré-adolescente, espelhou-se a si própria de forma genuína: um mineral em bruto, talvez um dia um diamante. A pedra foi ganhando resistência e, após um longo período afastada da escrita – uma fase Caeiriana da sua vida –, voltou a sentir necessidade de se expressar, concluindo uma obra que reflete a entrada na idade adulta e a consolidação de si própria. 

A fronteira do perpétuo é uma das muitas fronteiras que terá de ultrapassar ao longo da sua vida. Foi escrita durante o seu secundário e o seu último ano de faculdade, incluindo uma passagem pela Dinamarca durante 4 meses. 

Atualmente, estuda Gestão na Universidade Católica Portuguesa e tem o sonho de usar a poesia em áreas diversas: afinal, não foi Pessoa que escreveu o primeiro slogan da Coca-Cola? (Biografia retirada do site Wook).

*****
Por detrás das palavras (PDDP) - É uma jovem escritora portuguesa que está a dar os primeiros passos no mundo literário. Quem é a Teresa enquanto pessoa comum e a Teresa enquanto escritora? Em que se completam essas duas facetas?
Teresa Poças (TP) - Terminei a licenciatura em gestão na Universidade Católica Portuguesa do Porto este mês de Julho e vou começar o mestrado em Marketing Estratégico na Católica Lisbon em Setembro deste ano. Perguntam-me muitas vezes porquê estudar gestão, sendo eu uma pessoa ligada à literatura. Admito que muitas das cadeiras mais técnicas me aborreceram, mas sou uma pessoa muito ligada ao mundo, à sociedade e ao funcionamento dos seus grupos e instituições e achei que gestão me poderia dar um conhecimento abrangente sobre esses tópicos, algo que se verificou. Acredito que esse meu lado mais concreto, realista e racional é o que diferencia a minha poesia. Ao mesmo tempo, tenho um lado bastante irreal em mim. Vejo mais nas coisas do que apenas elas mesmas porque sinto bastante tudo o que acontece e procuro significado nos pequenos pormenores da vida. Talvez porque acredito que a vida tem de ser mais do que aquilo que é e a única forma de o ser é atribuirmos o nosso próprio significado às coisas. Ao longo deste livro, está bastante claro a conjugação desses meus dois lados, um mais concreto, outro mais subjetivo, e os próprios conflitos que enquanto pessoa ultrapasso por os ter a ambos dentro de mim e é essa conjugação que me caracteriza enquanto escritora, nomeadamente enquanto poetisa e sujeito poético.

PDDP  -Como é que foram os seus primeiros passos na escrita? Quais as suas inspirações? O que é que a fascina?
TP - Eu digo isto na minha biografia: Senti-me compreendida no momento em que li o meu primeiro poema. Percebi de imediato que seria através daquele formato que me iria poder expressar. Sempre me fascinou a existência do eu e da alma, o conflito entre os sentimentos e a razão e a nossa capacidade de os controlar. Os meus primeiros poemas foram bastante focados nessas questões, de uma forma muito pura e genuína, de quem está ainda a construir a sua personalidade e a descobrir o mundo que o rodeia. Comecei por ler bastante sophia de mello Breyner, incluindo a sua poesia, porque ficava fascinada com as suas metáforas. Como disse antes, para mim, uma coisa não é só uma coisa e comecei a fazer várias associações entre vários objetos, sistemas, situações, grupos, elementos naturais e a usá-las para descrever melhor a complexidade da mente humana e dos seus respetivos comportamentos. Atualmente, tenho escrito uma poesia mais concreta, mais realista, talvez na procura da verdade, da disciplina do pensamento.

PDDP - A fronteira do perpétuo é o seu primeiro livro publicado. O que é que os leitores poderão encontrar neste livro?
TP - Neste livro os leitores poderão encontrar um pedaço de mim e da minha perspetiva do mundo e da sociedade. É um livro muito direto, apesar de toda a subjetividade intrínseca na linguagem poética. É um livro honesto, puro, muito sentido e ao mesmo tempo com alguma racionalidade.

PDDP - O que é que a inspirou na escrita deste livro? Quais os pontos mais fáceis e os pontos mais difíceis durante o processo de escrita deste livro?
TP - Perguntam-me muitas vezes como obtenho inspiração e em tom de brincadeira costumo responder: às vezes preferia não a ter. Por vezes forço-me a parar de escrever porque não quero pensar sobre as coisas ou ter os sentimentos tão à flor da pele. Mas é engraçado que consigo prever quando vou escrever um poema. Há um estado característico que me leva isso e normalmente é quando não consigo explicar o que sinto através de um discurso narrativo. Há sentimentos, situações e momentos que precisam de algo mais alto para os descrever e só a poesia é capaz de o fazer.

PDDP - Achei interessante a forma como dividiu os poemas ao longo do livro, distribuindo-os por seis partes e tendo em conta os pronomes pessoais. Pode explicar-nos um pouco os motivos que a levaram a fazer esta divisão? Tem algum significado especial?
TP - A separação dos capítulos é talvez aquilo de que mais me orgulho neste livro. Enquanto procurava um nome para cada uma das partes percebi que as podia dividir pelos pronomes pessoais e penso que muitos outros livros de poesia poderiam ser divididos da mesma forma. Afinal, a poesia baseia-se na definição do sujeito poético e nas suas várias dimensões enquanto ser social, ser pensante, que se situa em vários espaços, em relação consigo próprio, com o mundo, com a sociedade e com os que os rodeiam.

PDDP - Quais são os temas gerais que podemos encontrar nos poemas deste livro? Há algum tema em particular que lhe desperte maior interesse ou pelo qual tem um carinho especial?
TP - Os temas predominantes neste livro são a crítica social, a definição do “eu”, a procura de uma filosofia de vida ideal, a transição para a fase adulta e o amor.

PDDP - No poema Rede escreveu que “Não me quero arrepender de deitar um vestido ao lixo/ Quando encontrar os sapatos perfeitos para ele”. Fazendo um pequeno paralelismo com um livro, quais serão os leitores ideias para este livro? No fundo, que leitores não desistirão deste livro?
TP - Apesar de estudar gestão e de começar o mestrado em marketing estratégico já em setembro, nunca pensei nos leitores ideias para este livro. Não o escrevi com a intenção de me dirigir a um target específico até porque a poesia tem inúmeros interpretações possíveis e pode fazer sentido em diversos momentos da vida de um mesmo indivíduo. No entanto, penso que obviamente o público mais jovem, a partir dos 20 anos, irá sentir naturalmente uma forte ligação com a obra pelos temas abordados e pela forma como são abordados. Como disse, a minha poesia é bastante direta e tem traços claros da minha juventude e de espírito aventureiro associado a esta fase da minha vida. Para além disso, muitos dos poemas refletem a descoberta das várias dimensões da vida: o amor, as amizades verdadeiras, os sonhos, o “eu” enquanto ser social, entre outros. No entanto, é um livro que faz sentido ler noutras idades porque expressa os sentimentos humanos de forma crua e já muitas pessoas mais velhas me disseram: já tinha sentido isto, mas nunca tinha conseguido exprimir desta forma. É um livro muito jovem, mas ao mesmo tempo com pensamentos muito claros e definidos e por isso penso que faz sentido para várias idades.

PDDP - Em termos futuros, o que é que a Teresa espera conquistar relativamente ao mundo literário? Quer-se aventurar por outros géneros? Quais serão os eleitos?
TP - Não desenhei a minha carreira a nível literário, mas sonho com um mundo mais pensante, com mais sentimentos e mais poético. Penso que a poesia nos pode ajudar em vários momentos da nossa vida a pensarmos no que queremos para nós próprios e no caminho mais certo a percorrer. Não porque a poesia contenha respostas, mas porque nos faz pensar e porque vai até ao centro de várias questões, de forma filtrada, sem espinhos. É por isso que não escrevo com palavras complexas porque o importante para mim é a mensagem e a intensidade com que a mesma é passada.

Deixo aqui o meu profundo agradecimento à Teresa Poças pela amabilidade e disponibilidade em responder às minhas questões.

Divulgação | Livros Infantis da Editorial Novembro

Hoje venho divulgar um conjunto de livros infantis muito bonitos e que tenho a certeza que farão as delicias das crianças.


Estes três livros são da autoria de Fabíola Lopes que escolheu o público infantil para partilhar as suas palavras.

O que há na barriga do meu pai

O que há nas mãos da minha avó / O que há nas mãos do meu avô

Estes livros são um verdadeiro dois em um. No mesmo livro podemos perder-nos no abraço carinhoso do avô e sentir o cheiros dos cozinhados especiais da avó.

O que há nos cabelos da minha mãe

As história que habitam estas páginas são muito simples e ainda têm umas pequenas surpresas no final que são extremamente úteis para, por exemplo, trabalhar as expressões.
As ilustrações são muito bonitas e apelativas. Ficam aqui algumas...



Espero que gostem...

Opinião | "Mar de papoilas" de Amitav Ghosh (Ibis Trilogy #1)

Mar de Papoilas

Classificação: 1 Estrela

Mar de papoilas estava esquecido na estante há imenso tempo. Por algum motivo que eu não consigo explicar, era uma leitura que ia sempre adiando (talvez pressentisse que o livro não era para mim).
Parti esperançada para esta leitura porque: 1) era um romance histórico e 2) foi finalista do Man Booker Prize 2008. 

Infelizmente foi das leituras mais penosas que fiz este ano. 
Neste livro, o autor entrelaça diferentes personagens, cada uma com a sua história pessoal, mas todas têm algo em comum. É este aspeto comum que condicionará a vida de todas elas e a forma como tudo se desenvolve.

Apesar de achar a premissa do livro bastante interessante, a forma como foi contada e desenvolvida é extremamente aborrecida. Há partes que foram dolorosas de ler para mim. A sensação que tinha era que lia, lia, lia e a narrativa pouco avançava. 
Da minha perspetiva, este livro é povoado de boas personagens. Todas elas têm um carácter muito particular e as coisas que passam deixam-lhes marcar. Porém, a narrativa não consegue extrapolar toda esta potencialidade. Optando por escolher um modo lento de nos apresentar os acontecimentos fez com que me sentisse muito aborrecida e com ânsia de ver o livro a chegar ao fim. Eram tantos pormenores, tantas cenas encaixadas que pouco interesse ofereciam que a dimensão das personagens acabou engolida por estes mesmos acontecimentos.

Só depois ter lido o livro é que percebi que ele é o primeiro de uma série. Fiquei fula com aquele final, mesmo agora sabendo que é uma série acho que poderiam ter oferecido um pouco mais ao leitor. Termina tudo de uma forma muito pouco conclusiva. Compreendo que se tenham de deixar pontas soltas, só no caso deste livro acho que o autor foi ao extremo.

Sei que é um livro que facilmente vai cair no esquecimento. Daqui a umas semanas se me perguntarem sobre ele eu pouco irei conseguir indicar.
Talvez as pessoas que tenham mais paciência para grandes momentos de descrição e narrativas que se arrastam por páginas e páginas sem que algo de significativo aconteça, poderá gostar mais deste livro do que eu.

Por detrás da tela | "Sing" (2016)


Classificação: 8/10 Estrelas

Quem me vai acompanhando por aqui já se deve ter apercebido que sou fã de filmes de animação. Tento ver tantos quanto me for possível porque me colocam de bom humor, enchem-me de esperança e de energias positivas. Nem sempre acontece, pois há filmes de animação que não me passam esse tipo de mensagens, ou são aborrecidos ou não me cativam.
Sing pertence à categoria dos filmes que me fazem bem. É um filme cheio de esperança que nos mostra formas diferentes de lidar com a adversidade, inspiram-nos a lutar pelos nossos sonhos e aquilo em que acreditamos, para além de pincelar tudo isto com enormes doses de bom humor e diversão.

Buster Moon é um coala, dono de um teatro (o seu grande sonho e pelo qual o pai lutou imenso) que está a passar por grandes dificuldades. De forma a ultrapassar a crise económica, Buster decide lançar um concurso de talentos para quem saiba cantar. 
É muito bom ir descobrindo o contexto de todos aqueles que têm o sonho de cantar e de mostrar a sua voz. É nesta descoberta que encontrei grandes alegrias. Apesar das vidas difíceis de muitas das personagens, todos têm em comum o sonho de cantar, e é com base nesse sonho que se desafiam a ultrapassar as barreiras que os impedem de lá chegar. 

Este filme é uma excelente companhia e que passa uma mensagem importante de resistência perante as adversidades. 
Na minha opinião é ideal para os graúdos verem na companhia dos miúdos e se deliciarem com as particularidades de cada uma das personagens que embeleza esta história.

Julho | Quem chegou?

Mais um mês que terminou e que com ele chegaram mais alguns livrinho aqui à minha estante.
Cá estão eles?

Biblioteca

Frágil

Este mês de Agosto decidi integrar o projeto Um ano com a Jodi dinamizado pela Isaura do blog Jardim de Mil Histórias, a Dora do Canal Books and Movies e a Elisa do blog A Miúda Geek. Este projeto consiste em ler um livro da autora Jodi Picoult por mês e que é escolhido pelas responsáveis pelo projeto. Já queria ter participado em edições anteriores, mas nunca conseguia ter o livro disponível na biblioteca. Foi desta que consegui. Espero gostar do livro. 

Empréstimo

Se Eu Fosse Tua

Durante este mês recebi mais um livro enviado pela Denise para o nosso projeto conjunto do Empréstimo Surpresa. Já está lido e em breve publicarei a opinião.

Troca
Elementos secretos

Andava a "namorar" este livro há algum tempo. Gostei da temática e queria lê-lo antes de ver o filme.

Ofertas
Reencontro com o Amor

Aqui fica o meu enorme agradecimento à Editora Topseller pela oportunidade de ler um livro muito divertido.

A fronteira do perpétuo 

Deixo aqui o meu agradecimento à Editorial Novembro pela possibilidade de conhecer duas novas autoras portuguesas. 

Maresia e Fortuna

Por fim, deixo aqui um livro que foi uma oferta da autora Andreia Ferreira. 

Pág. 3/3

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