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Por detrás das palavras

Opinião | "O Silêncio da Chuva de Verão" de Dinah Jefferies

O Silêncio da Chuva de Verão
Classificação: 4 Estrelas

O Silêncio da Chuva de Verão marca a minha estreia com a autora Dinah Jefferies. Estive atenta às suas publicações anteriores e todas elas me tinha despertado interesse, por isso estava curiosa por conhecer as suas história e a forma como ela as decide contar.
Não tive um início de leitura fácil. As coisas acontecem de forma lenta. Fui conhecendo a Índia colonial aos poucos, pelos olhares de Eliza, de Jay e de Clifforf. De forma lenta e compassada fui-me apropriando dos sons, dos cheiros e dos elementos que caracterizam a cultura indiana. Eu queria mais emoção, mais dinamismo, mas agora que terminei a leitura sei que precisava deste saborear lento dos elementos. Tudo para que o final do livro entrasse diretamente para o meu coração.

Eliza é uma inglesa que vai para a Índia colonial viver com a família real indiana. Gostei de ler sobre a forma como ela apreende uma cultura que não lhe era totalmente desconhecida. Gostei de a ver com o Jay. A autora construiu um romance bonito em torno deles dois. Na minhas perspetiva só lhe faltou um leve toque que conferisse ao romance deles mais emotividade. Acho que a autora poderia ter brincado mais com as sensações e construído diálogos mais expressivos. Isso fazer-me-ia sentir mais próxima deles e apreciar ainda mais o amor doce com perfume de sândalo e pincelado com os tons quentes que povoam a Índia.

Não posso esquecer de referir que o livro tem uma componente histórica que gostei de conhecer. A relação dos impérios europeus sobre as suas colónias é um aspeto pouco abordar em termos de literatura e de fição. Por isso, gostei muito de ler e conhecer estas particularidades e rivalidades entre britânicos e indianos. Acho que aqui Eliza teve um papel fundamental, trouxe uma voz mais neutra. Uma voz que vibrava com o fascínio pelas cores e perfumes indianos, que se entristecia perante as agruras com que muitos indianos conviviam e que se indignava com a forma como os britânicos exerciam o seu poder naquela colónia.

É um livro que irei guardar na memória e no coração. Um livro para reler mais tarde e redescobrir os mistérios do amor e da sua imprevisibilidade. Reler sobre um amor que aproxima e que faz quebrar convenções culturais. Um amor que alimenta as mudanças sociais e dos interior das pessoas. 

Nota: Este livro foi-me cedido pela editora em troca de uma opinião honesta.

Palavras Memoráveis


Era como a luz do sol a romper por entre nuvens negras e pesadas, os raios de sol dourados a entrar e a tocar tudo no seu caminho. Iluminando coisas que estavam há tanto tempo no escuro. A lançar luz sobre coisas há muito esquecidas.
Laura Kaye, Amor às Claras

Projeto Conjunto | Empréstimo Surpresa [Livro Recebido]


Já me chegou cá a casa mais um livro vindo diretamente da estante da Daniela. 
Desta vez o processo foi ligeiramente diferente. A Daniela partilhou comigo quatro inícios de livros [só depois de eu lhe prometer que não ia "googlar" no sentido de descobrir a origem da frase] para que eu escolhesse um. 

Não sei se desse lado acreditam em karma, mas eu começo a ter algumas situações que me levam a pensar nele e no quanto é lixado. 
A frase escolhida por mim fez com que o livro que me chegasse cá a casa fosse o seguinte:


Falta de provas
Harlan Coben

Falei em karma porque ando há imenso tempo a prometer à Daniela uma estreia com este autor. Tenho um livro dele na estante, mas estava constantemente a adiar. Enquanto isso, a Daniela ameaçava com um envio. Indiretamente fui eu que fiz com que este livro se cruzasse no meu caminho.
Espero gostar do livro e não defraudar as expetativas da Daniela relativamente à minha relação com este autor.
Quem conhece Harlan Coben? O que acham do autor?

Divulgação | "Regras para descolagem" de Carolina Paiva



É sempre entusiasmante ver alguém do mundo da blogoesfera a aventurar-se pela escrita. A nós, os outros habitantes desta plataforma, cabe-nos a responsabilidade de ajudar uma "colega" a divulgar o seu trabalho, a ler o livro e a partilhar a nossa opinião.

Regras para descolagem foi escrito pela Carolina Paiva do blog e canal Holly Reader. Quero partir para esta leitura de mente aberta, sem expetativas e com a vontade de ler um livro de uma leitora para outra leitora. Talvez seja surpreendida. 
Espero que este livro seja um sucesso e que seja um primeiro livro de muitos.
Boa sorte e bom trabalho, Carolina.

***
Sinopse
Lourenço, detective privado, foi contratado para aquele que decidiu ser o seu último caso. Depois da morte do mentor, e da quebra de todas as regras que com ele aprendera, a sua profissão parece já não fazer sentido.

A bordo de um voo internacional, um companheiro de viagem inusitado permitir-lhe-á fazer uma análise das normas que até há bem pouco tempo seguia escrupulosamente, e da sua importância. Entre o dilema de cumprir a missão para a qual foi contratado e fazer aquilo que lhe parece correcto, conseguirá Lourenço resolver o seu passado?


Carolina PaivaSobre a autora
Carolina Paiva nasceu em Lisboa em 1989, mas cresceu em Oliveira de Frades (distrito de Viseu). Em 2007 ingressou na Universidade de Aveiro onde frequentou a Licenciatura em Línguas e Relações Empresariais tendo em 2010 regressado a Lisboa para iniciar o Mestrado em Gestão de Recursos Humanos, área trabalhou durante alguns anos. Um dia destes, não muito distante, espera poder afirmar tal como Phileas Fogg: dei a volta ao mundo! Gosta de escrever versos de poesia em recibos de pagamento e nos tempos livres caminha sem rumo pela cidade na companhia de boas bandas sonoras. Actualmente escreve e publica vídeos no seu blog de opinião literária - Holly Reader - e trabalha na área de Marketing e Comunicação.


Por detrás da tela | "Viver depois de ti"


Classificação: 10 estrelas

Chorei  muito ao ver Viver depois de ti. Chorei como há muito não chorava a ver um filme. Mexeu-me com as emoções e derreteu-me o coração, que eu pensei ter virado pedra de gelo já que nada do via ou lia me desprogramava o sistema emocional ao ponto de me fazer sentir qualquer coisa. 
Ainda não li o livro, mas a vontade desenfreada de me atirar a ele instalou-se por estas bandas. É uma história doce, com momentos de humor e onde temas bem sérios se vão desenvolvendo de forma a me deixarem a pensar sobre eles.

Talvez não seja um filme para toda a gente. Talvez se tenha de ter uma certa dose de romantismo para apreciar o amor descomprometido. Talvez se tenha de ter um sentido de humor especial para conseguir entender a forma como Will e Lou se acabam por entregar um ao outro por meio de piadas muito próprias. Mas, acima de tudo, talvez seja necessário um corações forte e uma enorme capacidade de distanciamento entre a ficção e a realidade para evitar as lágrimas num conjunto de cenas finais.

Foi muito fácil para mim perder-me nesta história e abraçar todas as emoções. Acho que as fantásticas interpretações de Emilia Clarke e Sam Claflin em muito contribuíram para me deixar fascinada com tudo e para me emocionar verdadeiramente com eles. Estiveram fantásticos! As interpretações aliadas a uma boa escolha no que toca a banda sonora e a cenários idílicos deixaram-me rendida a tudo o que vi. Terminei o filme e só tive vontade de voltar atrás e rever toda a história.

O final é doloroso, mas aceitei-o. Se eu fosse o Will faria o mesmo. Não podendo viver o amor por inteiro, não podendo retirar o máximo da vida e estando em permanente dependência sentiria o mesmo que ele e foi muito fácil aceitar a decisão dele. Foi um processo de aceitação cheio de lágrimas, mas consegui colocar-me no lugar dele. Foi um egoísmo altruísta. Pensou nele, mas pensou na vida das outras pessoas de quem dependia. É um tema muito complexo e que, apesar da abordagem ligeira que o filme lhe concede, não foi desprovida de seriedade. 

Quero muito ler o livro. São raras as vezes em que li o livro depois do filme. Mesmo já conhecendo a história tenho a leve sensação que me vou surpreender e me emocionar mais.  

Opinião | "A Aia" de Eça de Queirós

A Aia
Classificação: 4 Estrelas

Em Setembro decidi ler um conto que li, pela primeira vez, há mais de 17 anos. 
É um conto envolto em boas memórias. E essas boas memórias diziam-me que tinha gostado. Por vezes, as nossas memórias são enganadoras, por isso é sempre bom fazer uma atualização da leitura. Neste caso, as memórias não estavam erradas. Voltei a gostar muito do conto e da sua mensagem.

A escrita deste conto é muito simples, porém acompanha uma história bastante forte. É um conto sobre lealdade e sacrifício. Um conto onde o altruísmo prevalece perante as necessidades pessoais.

Esta leitura fez-me pensar no facto de que eu leio muito pouco Eça de Queirós. Gostei tanto do pouco que já li, que me sinto quase na obrigação de ler mais. Uma situação a mudar nos próximos tempos. 

Opinião | "A Sereia de Brighton" de Dorothy Koomson


Classificação: 5 Estrelas

Quando pego num livro da Dorothy Koomson sei, à partida, que me trará bons momentos de leitura. Gosto tanto da sua faceta romântica como de ser surpreendida por todo as outras facetas que ela tem vindo a assumir. Sinto que é uma escritora em constante crescimento, que abraça diferentes histórias e diferentes formas de as contar.

A Sereia de Brighton, o seu livro mais recente, é um exemplo extraordinário da sua versatilidade enquanto escritora. As primeiras páginas deixaram-me muito intrigada, despertando em mim o interesse ao mesmo tempo que fortalecia a minha ligação ao livro e às personagens. Dei por mim muito envolvida com tudo o que ia acontecendo, tão envolvida ao ponto de me mexer com os nervos de uma forma muito particular. Isto aconteceu porque a estava tudo tão bem construídos que me estava a enervar o facto de não ter certezas de nada, de estar a desconfiar de tudo e de todos ao mesmo tempo que a angústia de não saber o que é que realmente tinha acontecido tomava conta dos meus pensamentos.

Dorothy Koomson superou-se em cada página, em cada reviravolta da história e na forma como escolheu contá-la. Poderia ser mais uma simples história de duas adolescentes negras que descobrem uma mulher morta numa praia e que têm de lidar com muitos problemas depois disso, em particular sentirem na pela o racismo. Mas a autora vê mais longe e consegue inserir elementos inovadores, situações inesperadas e personagens que não são categoricamente boas ou más. Aliás todas as personagens são complexas e dento deles existe um conjunto de emoções, vivências e personalidades muito diversificados. Esta particularidade intrigou-me, deixou-me a pensar na forma como somos capazes de construir uma identidade capaz de cegar os outros. Afinal de contas a natureza humana e complexa e dá-nos a capacidade de nos reinventarmos de forma positiva ou negativa. E aqui a autora consegue fazer isso de uma forma muito interessante, as personagens são mais do que aquilo que elas nos permitem ver.

Não vou destacar nenhuma personagem em particular, porque o meu prazer nesta leitura residiu muito em descobri-las, em conhecer cada uma das suas camadas e em aceder a sua essência real. Na minha opinião, quanto menos soubermos delas e do livro no geral maior será o nosso grau de surpresa. E apesar das minhas desconfianças (que no fim até se vieram a revelar corretas) o meu grau de confusão era tanto que simplesmente me rendi a condição de leitora que procura conhecer aquilo que a escritora tem para nos oferecer.

O fim não foi aquilo que mais desejei, mas depois de tudo o que aconteceu sei que não poderia ser diferente. Por isso, este livro não foi aquilo que o meu lado emocional desejaria, mas foi aquilo que o meu lado realista acredita ser o mais acertado e o mais correto perante as circunstâncias que conhecemos ao longo do livro.

Nota: Este livro foi-me disponibilizado pela editora em troca de uma opinião honesta.

Visões #4 | Como morrem os sonhos?



Muitos dizem que os sonhos são um motor da vida, uma espécie de energia que nos empurra ao longo do caminho. É bom sonhar! É bom pensar em coisas boas que gostaríamos de alcançar ao longo da nossa vida. Acredito que eles possam ser uma espécie de "aspiração central" da nossa mente. Porém, há alturas na nossa vida que eles simplesmente se desvanecessem no meio de tanta coisa que deixa de funcionar na nossa vida.

Sempre me classifiquei como uma sonhadora. Há 10 anos atrás sonhava em terminar o curso e encontrar um emprego que me deixasse feliz. Sonhava em conhecer outras paragens, em conhecer pessoas que me acrescentassem coisas positivas, sonhava com independência, sonhava em fazer a diferença, sonhava em escrever histórias... Mas pelo caminho dos últimos anos esses sonhos foram arrefecendo e morrendo aos poucos. 

Eles foram morrendo. As coisas foram tomando outros rumos, regredi em algumas coisas que já tinha conquistado, as prioridades foram-se alterando e, no meio de todas as coisas menos boas, os sonhos foram ficando para traz. Hoje estão mortos! Talvez porque a esperança em obter coisas melhores também esteja muito, muito baixa. Talvez porque passei a ser mais racional e realista. Talvez porque deixei de acreditar e de confiar no mundo e nos outros. Tive de perder muitas coisas para hoje ter outras. Talvez em termos de quantidade (perdas vs ganhos) esteja com saldo negativo, porém tive ganhos que me fizeram crescer como pessoa. Mas os sonhos, esses, não entram na equação. Neste momento estão mesmo mortos. 

São as pedras que encontramos no caminho da nossa vida que apedrejam os sonhos e os matam, ou os colocam num permanente estado de coma à espera daquele rasgo de mudança que os faça renascer. Estou neste limbo... Numa corrida por mudanças. Mas a angustia está cá, porque a passagem do tempo não perdoa e isso faz-nos perder a força. Sei que sou muito exigente comigo própria, mas haverá mal em querer mudanças positivas na nossa vida e na nossa forma de viver? Quão longo é o caminho para alcançar aquele nível que faça com que os meus sonhos renasçam? Gostaria de ter mais resposta para a incerteza do futuro que se estende à minha frente. Queria que os meus sonhos voltassem ao ativo e me empurrassem para a frente. 
Hoje faço anos. Hoje abre-se um novo ciclo da minha vida. Será que vou ter os meus sonhos de volta? Será que os conseguirei fazer renascer das cinzas? Eu quero muito que eles voltem.  

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