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Por detrás das palavras

Por detrás das palavras

Opinião | "O Silêncio da Chuva de Verão" de Dinah Jefferies

29.10.18
O Silêncio da Chuva de Verão
Classificação: 4 Estrelas

O Silêncio da Chuva de Verão marca a minha estreia com a autora Dinah Jefferies. Estive atenta às suas publicações anteriores e todas elas me tinha despertado interesse, por isso estava curiosa por conhecer as suas história e a forma como ela as decide contar.
Não tive um início de leitura fácil. As coisas acontecem de forma lenta. Fui conhecendo a Índia colonial aos poucos, pelos olhares de Eliza, de Jay e de Clifforf. De forma lenta e compassada fui-me apropriando dos sons, dos cheiros e dos elementos que caracterizam a cultura indiana. Eu queria mais emoção, mais dinamismo, mas agora que terminei a leitura sei que precisava deste saborear lento dos elementos. Tudo para que o final do livro entrasse diretamente para o meu coração.

Eliza é uma inglesa que vai para a Índia colonial viver com a família real indiana. Gostei de ler sobre a forma como ela apreende uma cultura que não lhe era totalmente desconhecida. Gostei de a ver com o Jay. A autora construiu um romance bonito em torno deles dois. Na minhas perspetiva só lhe faltou um leve toque que conferisse ao romance deles mais emotividade. Acho que a autora poderia ter brincado mais com as sensações e construído diálogos mais expressivos. Isso fazer-me-ia sentir mais próxima deles e apreciar ainda mais o amor doce com perfume de sândalo e pincelado com os tons quentes que povoam a Índia.

Não posso esquecer de referir que o livro tem uma componente histórica que gostei de conhecer. A relação dos impérios europeus sobre as suas colónias é um aspeto pouco abordar em termos de literatura e de fição. Por isso, gostei muito de ler e conhecer estas particularidades e rivalidades entre britânicos e indianos. Acho que aqui Eliza teve um papel fundamental, trouxe uma voz mais neutra. Uma voz que vibrava com o fascínio pelas cores e perfumes indianos, que se entristecia perante as agruras com que muitos indianos conviviam e que se indignava com a forma como os britânicos exerciam o seu poder naquela colónia.

É um livro que irei guardar na memória e no coração. Um livro para reler mais tarde e redescobrir os mistérios do amor e da sua imprevisibilidade. Reler sobre um amor que aproxima e que faz quebrar convenções culturais. Um amor que alimenta as mudanças sociais e dos interior das pessoas. 

Nota: Este livro foi-me cedido pela editora em troca de uma opinião honesta.

Palavras Memoráveis

28.10.18

Era como a luz do sol a romper por entre nuvens negras e pesadas, os raios de sol dourados a entrar e a tocar tudo no seu caminho. Iluminando coisas que estavam há tanto tempo no escuro. A lançar luz sobre coisas há muito esquecidas.
Laura Kaye, Amor às Claras

Projeto Conjunto | Empréstimo Surpresa [Livro Recebido]

26.10.18

Já me chegou cá a casa mais um livro vindo diretamente da estante da Daniela. 
Desta vez o processo foi ligeiramente diferente. A Daniela partilhou comigo quatro inícios de livros [só depois de eu lhe prometer que não ia "googlar" no sentido de descobrir a origem da frase] para que eu escolhesse um. 

Não sei se desse lado acreditam em karma, mas eu começo a ter algumas situações que me levam a pensar nele e no quanto é lixado. 
A frase escolhida por mim fez com que o livro que me chegasse cá a casa fosse o seguinte:


Falta de provas
Harlan Coben

Falei em karma porque ando há imenso tempo a prometer à Daniela uma estreia com este autor. Tenho um livro dele na estante, mas estava constantemente a adiar. Enquanto isso, a Daniela ameaçava com um envio. Indiretamente fui eu que fiz com que este livro se cruzasse no meu caminho.
Espero gostar do livro e não defraudar as expetativas da Daniela relativamente à minha relação com este autor.
Quem conhece Harlan Coben? O que acham do autor?

Divulgação | "Regras para descolagem" de Carolina Paiva

24.10.18


É sempre entusiasmante ver alguém do mundo da blogoesfera a aventurar-se pela escrita. A nós, os outros habitantes desta plataforma, cabe-nos a responsabilidade de ajudar uma "colega" a divulgar o seu trabalho, a ler o livro e a partilhar a nossa opinião.

Regras para descolagem foi escrito pela Carolina Paiva do blog e canal Holly Reader. Quero partir para esta leitura de mente aberta, sem expetativas e com a vontade de ler um livro de uma leitora para outra leitora. Talvez seja surpreendida. 
Espero que este livro seja um sucesso e que seja um primeiro livro de muitos.
Boa sorte e bom trabalho, Carolina.

***
Sinopse
Lourenço, detective privado, foi contratado para aquele que decidiu ser o seu último caso. Depois da morte do mentor, e da quebra de todas as regras que com ele aprendera, a sua profissão parece já não fazer sentido.

A bordo de um voo internacional, um companheiro de viagem inusitado permitir-lhe-á fazer uma análise das normas que até há bem pouco tempo seguia escrupulosamente, e da sua importância. Entre o dilema de cumprir a missão para a qual foi contratado e fazer aquilo que lhe parece correcto, conseguirá Lourenço resolver o seu passado?


Carolina PaivaSobre a autora
Carolina Paiva nasceu em Lisboa em 1989, mas cresceu em Oliveira de Frades (distrito de Viseu). Em 2007 ingressou na Universidade de Aveiro onde frequentou a Licenciatura em Línguas e Relações Empresariais tendo em 2010 regressado a Lisboa para iniciar o Mestrado em Gestão de Recursos Humanos, área trabalhou durante alguns anos. Um dia destes, não muito distante, espera poder afirmar tal como Phileas Fogg: dei a volta ao mundo! Gosta de escrever versos de poesia em recibos de pagamento e nos tempos livres caminha sem rumo pela cidade na companhia de boas bandas sonoras. Actualmente escreve e publica vídeos no seu blog de opinião literária - Holly Reader - e trabalha na área de Marketing e Comunicação.


Por detrás da tela | "Viver depois de ti"

22.10.18

Classificação: 10 estrelas

Chorei  muito ao ver Viver depois de ti. Chorei como há muito não chorava a ver um filme. Mexeu-me com as emoções e derreteu-me o coração, que eu pensei ter virado pedra de gelo já que nada do via ou lia me desprogramava o sistema emocional ao ponto de me fazer sentir qualquer coisa. 
Ainda não li o livro, mas a vontade desenfreada de me atirar a ele instalou-se por estas bandas. É uma história doce, com momentos de humor e onde temas bem sérios se vão desenvolvendo de forma a me deixarem a pensar sobre eles.

Talvez não seja um filme para toda a gente. Talvez se tenha de ter uma certa dose de romantismo para apreciar o amor descomprometido. Talvez se tenha de ter um sentido de humor especial para conseguir entender a forma como Will e Lou se acabam por entregar um ao outro por meio de piadas muito próprias. Mas, acima de tudo, talvez seja necessário um corações forte e uma enorme capacidade de distanciamento entre a ficção e a realidade para evitar as lágrimas num conjunto de cenas finais.

Foi muito fácil para mim perder-me nesta história e abraçar todas as emoções. Acho que as fantásticas interpretações de Emilia Clarke e Sam Claflin em muito contribuíram para me deixar fascinada com tudo e para me emocionar verdadeiramente com eles. Estiveram fantásticos! As interpretações aliadas a uma boa escolha no que toca a banda sonora e a cenários idílicos deixaram-me rendida a tudo o que vi. Terminei o filme e só tive vontade de voltar atrás e rever toda a história.

O final é doloroso, mas aceitei-o. Se eu fosse o Will faria o mesmo. Não podendo viver o amor por inteiro, não podendo retirar o máximo da vida e estando em permanente dependência sentiria o mesmo que ele e foi muito fácil aceitar a decisão dele. Foi um processo de aceitação cheio de lágrimas, mas consegui colocar-me no lugar dele. Foi um egoísmo altruísta. Pensou nele, mas pensou na vida das outras pessoas de quem dependia. É um tema muito complexo e que, apesar da abordagem ligeira que o filme lhe concede, não foi desprovida de seriedade. 

Quero muito ler o livro. São raras as vezes em que li o livro depois do filme. Mesmo já conhecendo a história tenho a leve sensação que me vou surpreender e me emocionar mais.  

Opinião | "A Aia" de Eça de Queirós

19.10.18
A Aia
Classificação: 4 Estrelas

Em Setembro decidi ler um conto que li, pela primeira vez, há mais de 17 anos. 
É um conto envolto em boas memórias. E essas boas memórias diziam-me que tinha gostado. Por vezes, as nossas memórias são enganadoras, por isso é sempre bom fazer uma atualização da leitura. Neste caso, as memórias não estavam erradas. Voltei a gostar muito do conto e da sua mensagem.

A escrita deste conto é muito simples, porém acompanha uma história bastante forte. É um conto sobre lealdade e sacrifício. Um conto onde o altruísmo prevalece perante as necessidades pessoais.

Esta leitura fez-me pensar no facto de que eu leio muito pouco Eça de Queirós. Gostei tanto do pouco que já li, que me sinto quase na obrigação de ler mais. Uma situação a mudar nos próximos tempos. 

Divulgação | "O Silêncio da Chuva de Verão" de Dinah Jefferies

17.10.18

Quem nunca se sentiu fascinado pelas cores e pelos aromas da Índia? Quem nunca se sentiu interessado em conhecer a cultura indiana?
Eu sou uma curiosa leitora sobre tudo o que envolve a cultura e os costumes indianos e por isso procuro sempre ler os livros que me transportam em parte para essa realidade.

O Silêncio da Chuva de Verão é mais um passaporte para a Índia e para os aspetos culturais que a envolve. Já iniciei o livro e, apesar de andar a ler menos do que aquilo que eu desejaria, estou a gostar bastante. A cultura, aquele mundo de sons, cheiros e cores vibrante, está a chegar-me de forma faseada e muito bem articulada pelas mãos da autora.
É a minha estreia com Dinah Jefferies, por isso vou na expetativa de juntar mais uma autora na minha lista de escritores preferidos. Já li imensas coisas positivas acerca dos livros dela e das suas histórias encantadoras. 

Quem já leu livros desta autora, o que é que me podem adiantar?

Deixo-vos a sinopse! Espero ter despertado a vossa curiosidade!!

***

Sinopse
«Tens de ser assolada pelo amor para o conheceres verdadeiramente.»

Rajputana, Índia, 1930. Desde a morte do marido que a jovem inglesa Eliza vive para a fotografia. Determinada a estabelecer o seu nome, ela aceita um convite do governo britânico para retratar a vida da família real indiana no Estado de Juraipore, de forma a enaltecer a influência da Coroa Britânica.

No palácio real, Eliza conhece Jayant, irmão mais novo do marajá, que a leva a conhecer uma terra marcada por contrastes: de um lado, paisagens de beleza incomparável e uma cultura rica e vibrante, e do outro, a mais devastadora das misérias.

Durante a viagem, Eliza desperta Jayant para a pobreza do povo indiano, ao mesmo tempo que ele lhe mostra a face negra do domínio britânico na Índia. Até que, numa revelação quase kármica, os dois descobrem que estão profundamente ligados e apaixonamse.

Mas com a família real e os britânicos a oporem-se à sua relação, conseguirão Eliza e Jayant libertar-se das obrigações e cumprir o seu destino?

Sobre a autora
Dinah Jefferies nasceu na Malásia e mudou-se para Inglaterra com 9 anos. Estudou na Birmingham School of Art e, mais tarde, na Ulster University, onde se formou em Literatura Inglesa.
Autora bestseller do Sunday Times, colabora com alguns jornais, entre eles o Guardian. Os seus livros estão publicados em 25 países, e este número continua a crescer.
Depois de ter vivido em Itália e em Espanha, regressou a Inglaterra, onde vive com o seu marido e o seu cão, e passa os dias a escrever e a desfrutar dos tempos livres com os netos.
Saiba mais sobre a autora em: www.dinahjefferies.com

Opinião | "A Sereia de Brighton" de Dorothy Koomson

15.10.18

Classificação: 5 Estrelas

Quando pego num livro da Dorothy Koomson sei, à partida, que me trará bons momentos de leitura. Gosto tanto da sua faceta romântica como de ser surpreendida por todo as outras facetas que ela tem vindo a assumir. Sinto que é uma escritora em constante crescimento, que abraça diferentes histórias e diferentes formas de as contar.

A Sereia de Brighton, o seu livro mais recente, é um exemplo extraordinário da sua versatilidade enquanto escritora. As primeiras páginas deixaram-me muito intrigada, despertando em mim o interesse ao mesmo tempo que fortalecia a minha ligação ao livro e às personagens. Dei por mim muito envolvida com tudo o que ia acontecendo, tão envolvida ao ponto de me mexer com os nervos de uma forma muito particular. Isto aconteceu porque a estava tudo tão bem construídos que me estava a enervar o facto de não ter certezas de nada, de estar a desconfiar de tudo e de todos ao mesmo tempo que a angústia de não saber o que é que realmente tinha acontecido tomava conta dos meus pensamentos.

Dorothy Koomson superou-se em cada página, em cada reviravolta da história e na forma como escolheu contá-la. Poderia ser mais uma simples história de duas adolescentes negras que descobrem uma mulher morta numa praia e que têm de lidar com muitos problemas depois disso, em particular sentirem na pela o racismo. Mas a autora vê mais longe e consegue inserir elementos inovadores, situações inesperadas e personagens que não são categoricamente boas ou más. Aliás todas as personagens são complexas e dento deles existe um conjunto de emoções, vivências e personalidades muito diversificados. Esta particularidade intrigou-me, deixou-me a pensar na forma como somos capazes de construir uma identidade capaz de cegar os outros. Afinal de contas a natureza humana e complexa e dá-nos a capacidade de nos reinventarmos de forma positiva ou negativa. E aqui a autora consegue fazer isso de uma forma muito interessante, as personagens são mais do que aquilo que elas nos permitem ver.

Não vou destacar nenhuma personagem em particular, porque o meu prazer nesta leitura residiu muito em descobri-las, em conhecer cada uma das suas camadas e em aceder a sua essência real. Na minha opinião, quanto menos soubermos delas e do livro no geral maior será o nosso grau de surpresa. E apesar das minhas desconfianças (que no fim até se vieram a revelar corretas) o meu grau de confusão era tanto que simplesmente me rendi a condição de leitora que procura conhecer aquilo que a escritora tem para nos oferecer.

O fim não foi aquilo que mais desejei, mas depois de tudo o que aconteceu sei que não poderia ser diferente. Por isso, este livro não foi aquilo que o meu lado emocional desejaria, mas foi aquilo que o meu lado realista acredita ser o mais acertado e o mais correto perante as circunstâncias que conhecemos ao longo do livro.

Nota: Este livro foi-me disponibilizado pela editora em troca de uma opinião honesta.

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