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Por detrás das palavras

Por detrás das palavras

28
Fev20

Desafio dos Pássaros #2.5. | O grande dia

Tema 2.5.
Acordas e tudo o que mais desejavas realizou-se: conta-nos o teu dia

Ontem, aquele telefonema abriu a porta para que hoje fosse um dos mais felizes da minha vida. Afinal, aquilo que mais desejei realizou-se.

Levanto-me sem pressa. Tomo o meu banho e visto aquele vestido vermelho. Aquele que sempre esteve guardado para este dia. Assim que fico pronta, faço-me à estrada.

Ao fim de duas horas chego ao meu destino. Ainda vou comprar flores, umas flores especiais e adequadas à ocasião.

Estive demasiado tempo longe deste lugar. Sinto-me um pouco estranha. Foram demasiados anos escondida e longe daqueles que amo e que, nesta altura devem pensar o pior de mim.

Os óculos escuros e o lenço branco permitem-me um certo anonimato. Um anonimato que quero manter até chegar o momento certo. Dirijo-me à igreja que tão bem conhecia e que marcou o início da minha desgraça. Entro e mantenho-me discretamente longe dos familiares do defunto. É claro que olham para mim, uma mulher de vermelho num mar negro de cor é motivo suficiente para despertar a atenção mesmo daqueles que se encontram entorpecidos pela dor.

O funeral começa. Não tenho lágrimas para oferecer ao defunto. Roubou-mas todas no dia em que me atirou pela primeira vez ao chão. Vi a mãe dele, os irmãos o nosso filho e filha dele, ali, a chorar por um impostor que foi morto pelas mãos que o acolheram quando me fui. Ela teve mais coragem do que eu. Arrancou a erva daninha pela raiz. Não consentiu viver afastada do medo que sempre me acompanhou e que hoje irá com ele para a cova.

Sigo o funeral até ao cemitério. O vermelho do meu vestido reluz. E por dentro visto um sorriso de liberdade.

Quando descem o caixão para a terra aproximo-me. Tiro o lenço da cabeça e os óculos. Tudo para! Os rostos incrédulos tingem-se de mais choque. Afinal, devem pensar que regressei do mundo dos mortos. Cuspi para cima do caixão, cuspi para cima das flores e atirei-as com violência para o buraco onde já devias estar há muito. Olhei para o meu filho e aí as lágrimas chegaram.

Decidi quebrar o silêncio.

− Roubaste-me a voz e a vida! Durante 16 anos tive de viver escondida, a carregar na pele as difamações que espalhaste e no rosto as cicatrizes que tu tão bem soubeste fazer com os teus malditos cigarros. Afinal de contas sou aquela que fugiu com o amante. Não te perdoou o que me roubaste. Só espero ainda ter tempo de resgatar o amor do meu filho.

24
Fev20

Empréstimo Surpresa | Empréstimo Surpresa [Desafio]

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Desafio para o livro “O Clube Mefisto”, de Tess Gerritsen
Mãos à obra

O teu percurso ao lado da autora tem estado recheado de peripécias!

Depois de a ajudares a criar um novo serial killer e de sugerires um título para uma das suas obras, eis que ela tem uma nova surpresa para ti: vai deixar-te matar uma personagem!!

Num pequeno texto de 500 palavras, dá asas à tua imaginação e aniquila uma personagem! (Podes aproveitar e imaginar que te estás a vingar de alguém que conheças!)

Estás pronta para o desafio?

Cá fica a minha resposta...

As coisas complicaram-se. Ficar retido na prisão após o motim que se instalou não fazia parte dos planos de Gabriel. Ele tinha sido chamado para ajudar a acalmar os ânimos e acabou nas mãos dos presos.

O barulho é muito. Gritos de protesto, o som de objetos a varrer os gradeamentos das sela e, ocasionalmente, tiros que se fazem ouvir por entre o barulho que ali se instalou.

Ninguém sabe ao certo como toda aquela confusão começou, mas havia alguma desconfiança relativamente à participação de alguns guardas prisionais.  

Gabriel estava ali para perceber o que tinha originado o motim e ajudar a colocar um fim a toda a aquela confusão, mas estava ser muito complicado. Estava algemado e ao pé daquele que parecia ser o chefe dos presos que se rebelaram contra o sistema. Pela observação, o agente do FBI percebia que ele estava nervoso. Os cigarros sucediam-se uns aos outros. Gabriel queria começar a dialogar, mas sentia que do outro lado ainda não havia recetividade. Aguardou mais uns minutos. Tinha de ser paciente. O momento certo chegaria… De repente um silêncio estranho espalhou-se pelo espaço.

Esta mudança de cenário alterou o comportamento do recluso que estava com ele. Ficou mais alerta. Levantou-se da sua cadeira e foi até ao corredor. O semblante carregado e o olhar atento faziam com que ele parecesse assustador. Ouviram-se passos. Eram de outro recluso que corria em direção ao local onde eles estavam.

− Chefe, as coisas complicaram-se lá em baixo. Uma patrulha da polícia entrou aqui dentro. Houveram muitos disparos.

− Eu ouvi os disparos, mas pensei que fossem vocês a tentar dar conta do recado.

− E nós retaliamos, chefe, – defendeu-se o recluso – mas eles eram muitos. Vinham bem organizados. Eles atingiram alguns dos nossos, mas nós conseguimos abater um deles. Uma mulher. Parecia um furacão quando entrou.

O recluso que guardava Gabriel soltou uma risada e disse:

− Foram mesmo estúpidos deixar que uma mulher comandasse o grupo.

− Parece que ela era das duras. A equipa respeitava-a! Ficaram ainda mais agressivos e não tarda nada chegam aqui.

Gabriel ficou extremamente apreensivo com a conversa dos reclusos. O coração apertou-se mais quando ouviu que uma mulher tinha sido abatida. Só pensava em Jane. Rezou, como há muito não o fazia, para que a vítima destes selvagens não fosse a sua esposa.

Ouviram-se mais passos nos corredores. Eram passos raivosos e decididos.

− Deitem as armas ao chão e coloquem as mãos atrás da cabeça.

Aquelas vozes eram conhecidas. Os companheiros de Jane. Não deram tempo para que os reclusos reagissem. Imobilizaram-nos e prenderam-nos. Depois viram-se para Gabriel e soltaram-no. Os olhares de silêncio doloroso que trocaram entre eles confirmaram os receios de Gabriel.

− Onde é que ela está? – a voz saiu revestida de dor.

− Está à entrada da ala norte. Estamos à espera da doutora Maura. Lamento, Gabriel. – disse um dos agentes.

Gabriel saiu disparado em direção à ala norte. Correu como se a sobrevivência de Jane ainda dependesse dele.  

21
Fev20

Desafio dos Pássaros #2.4. | O julgamento

Tema 2.4.
O google está errado

– Silêncio! – Aquele julgamento estava a ser horrível para a juíza Luísa. – Silêncio! – continuou ela enquanto batia com o martelo.

Os ânimos estavam exaltados na sala de audiências. A entrada do Dr. Google causou agitação nas pessoas que estavam a assistir. Felizmente, Luísa proibiu a presença dos jornalistas.

Dr. Google entrou na sala com a descontração estampada nas letras do seu nome. Até vinham coloridas e com os efeitos de um doodle especialmente criado para este dia de julgamento. O dia em que ele seria finalmente ouvido em tribunal.

O silêncio instalou-se na sala e o interrogatório começou:

– Google, um motor de busca com 21 anos, é acusado de crime de homicídio involuntário. A 1 de abril de 2019 lançou a notícia de que todos os humanos poderiam voar. Assim que abriu o motor de busca no seu telemóvel, o Sr. Matos deparou-se com o título leu e depois atirou-se da janela. Os transeuntes que passavam na rua só o ouviram gritar “Pessoal, agora podemos voar”.  O Sr. Matos caiu de um 10º andar e a sua morte foi declarada no local. – Luísa fez uma pequena pausa e perguntou diretamente ao réu: - Dr. Google está ciente das acusações que lhe são feitas. É culpado pela morte de SR. Matos?

Som de gargalhada, ENTER. Na sala espalhou-se o som de uma gargalhada. Google limpou a pesquisa e ativou o seu sistema de fala artificial: – Isso é mentira! Eu não empurrei o senhor da janela. Ele é que foi o culpado. Deveria ter clicado na página para ler a notícia. Se lesse teria verificado que era uma brincadeirinha do dia das mentiras.

A juíza revirou os olhos. Seria difícil provar este crime.

– Segundo as provas, o Dr. Google está errado. O Sr. Matos abriu a página em questão. A acompanhar o título Os humanos já podem voar, estava um texto que sugeria que se abrissem a janela e saltassem iriam voar pelos céus. Estava também escrito que isso se devia a uma mudança na atmosfera devido às alterações climatéricas. Só ao fim do dia é que apareceu a indicação que era uma notícia falsa. Indicação que só apareceu depois do Sr. Matos ter saltado da janela e ter morrido.

– Senhora Doutora Juíza e eu lá tenho culpa de o Sr. Matos não ter capacidade interpretativa?

– É perigoso lançar notícias falsas…

– Mais perigosa é a ignorância, Sr. Juíza.

Ia ser difícil para Luísa… muito difícil.

20
Fev20

Projeto Conjunto | Empréstimo Surpresa [Livro Recebido]

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Já recebi mais um livro da estante da Daniela. Querem saber o que é que ela escolheu para mim?

Então, chegou cá a casa o seguinte livro...

"Verity" de Collen Hoover

P_20200219_112247.jpgFiquei muito contente com esta escolha da Daniela. Já há um ano que não lia nenhum livro desta escritora e estava com muita curiosidade em relação a este. 
Não foi assim muita surpresa porque o meu instinto dizia-me que ela me iria enviar ou um livro da Collen Hoover ou da Dorothy Koomson. 
Já comecei a ler. Estou a gostar, mas tenho receio de já ter descoberto a sequência narrativa. Bem, mas ainda só li cerca de 100 e poucas páginas e posso ser surpreendida. 

19
Fev20

Opinião | "Palomino" de Danielle Steel

7474766.jpgClassificação: 3/5 Estrelas

Danielle Steel foi das primeiras escritoras de romances contemporâneas que comecei a ler. Trouxe um livro da biblioteca e os meus olhos de leitora inexperiente e ávida devoraram a história. Comecei então a explorar outros livros da escritora. Há bons livros! "A Mansão Thurston" e "Mensagem do Vietname" são dois dos meus livros preferidos de sempre e são ilustrativos da capacidade de Danielle Steel em criar boas histórias. Há outros livros mais medianos e sem a profundidade emocional suficiente para me encantar.

"Palomino" é um livro doce. Um livro com amor, traição e superação. Samantha e Taylor são os grandes protagonistas desta história. É um casal improvável que acabou por me conquistar q.b.. Não é uma grande história de amor, não é memorável nem intemporal... É uma história de amor com muita ternura, zangas um pouco estúpidas e infantis e que termina de uma forma que é esperada pelos leitores sempre que se cruzam com um livro deste género.

Não é um livro com muitas surpresas. É uma leitura muito fácil onde houve espaço para que eu pudesse descontrair e me divertir com a leitura. Foi uma ótima escolha de leitura, porque me permitiu desligar de uma série de leituras e emocionalmente mais pesadas e com um conteúdo que exigiu mais do meu funcionamento cerebral.

Com uma escrita muito sequencial e sem floreados, Danielle Steel conduziu-me às zonas mais rurais dos Estados Unidos e fez-me ver o contraste entre estas zonas e o rebuliço das grandes cidades. Mostrou-me que a vida é aquilo que decidimos fazer dela, mesmo quando ela teima em trocar-nos as voltas e nos vai retirando aspetos que nos fazem felizes.

Há uma boa mensagem de superação neste livro e eu gostei de me cruzar com ela. 

14
Fev20

Desafio dos Pássaros #2.3. | O amor não está ao virar da esquina

Tema 2.3.
Manual para iniciar relacionamentos

Dirigiste-te para a prateleira dos livros de não ficção. Tens somado várias relações falhadas. As tuas escolhas sempre se traduziram em homens que te faziam sofrer, que te traíam, ou que não te davam aquilo que esperavas de uma relação.

Serás que não estás errada? Será que não fantasias demais acerca das relações românticas entre homens e mulheres? Dúvidas e mais dúvidas que se multiplicavam na tua cabeça. Querias respostas! Precisavas de orientação romântica! Precisavas de amor. Talvez a resposta estivesse nos livros.

E ali estavas tu, na busca de um livro que te ajudasse a iniciar um relacionamento saudável. Um relacionamento onde recebias amor na mesma medida em que oferecias. Porque tu sempre sentiste que davas mais amor do que aquele que os outros deram.
Na capa, brilhava o título do livro onde pensavas encontrar a resposta às tuas inquietações: Manual para iniciar relacionamentos. Abriste-o e detiveste-te nas páginas sem pressa. Querias perceber se ele valia a pena. Se ele guardava as indicações preciosas de que tanto ansiavas.
O conteúdo deixou-te algumas ideias para desencadeares situações onde pudesses conhecer pessoas que fossem de encontro à tua personalidade. Em seguida apareciam indicações sobre como desenvolver a relação até culminar em todo o romantismo que desejavas. Tomaste a decisão de levar o livro.

Aquilo que não sabias é que não irias precisar dele. Do outro lado da sala havia alguém cujo olhar de predador se fixou em ti. Observou cada um dos teus passos, analisou as tuas expressões faciais enquanto os teus olhos vagueavam pelas palavras impressas no livro que achavas guardar a tua felicidade.

Ele segui-te durante dias. Ficou a conhecer as tuas rotinas, procurou saber os teus segredos. Num simples passeio pelo parque, esbarrou propositadamente contigo para que a tua pasta caísse ao chão e alguns documentos se espalhassem. Ativou o ar de cavalheiro e ajudou-te a apanhar tudo. Olhou-te nos olhos de uma forma sedutora e calorosa. Daí a estarem a partilhar um café numa esplanada ali perto foi um ápice. Ele adotou o comportamento que sabia que te iria conquistar.

Um café deu origem a um lanche. Um lanche transformou-se num jantar e quando mesmo esperavas estavas presa na teia dele. E ele, tão ciente das suas necessidades animalescas, tinhas uma certeza: não devias ter pegado naquele livro. Num dia, após um jantar ele mostrou-te o lado mais negro do amor e ofereceu-te o silêncio eterno.  

10
Fev20

Opinião | "Desaparecido" de Susan Lewis

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Classificação: 3/5 Estrelas

"Desaparecido" foi uma escolha cega na biblioteca. Encaixa-se na categoria de livros que não conheço e quando os vejo na biblioteca gritam "leva-me"! Eu gosto de respeitar os pedidos dos livros, este gritou e eu trouxe-o. 

Foi uma leitura extremamente difícil. Só melhorou no último terço do livro. Foi difícil porque tem demasiada informação e apresenta aspetos que não são atrativos. Desesperei por avançar, desesperei por encontrar no livro algo que me agarrasse e conquistasse a atenção, sofri pela forma como a minha leitura avançava de forma dolorosamente lenta. A pergunta que devem estar a fazer neste momento é Porque é que continuaste a leitura?. Porque tinha esperança de que algo melhorasse e havia uns resquícios de interesse por ver como é que aquela embrulhada toda iria terminar. 

No último terço do livro, a ação desenvolveu-se mais rapidamente e  o meu interesse foi finalmente conquistado. Foi por tudo aquilo que aconteceu nestas últimas páginas que consegui dar 3 estrelas ao livro. 
Apesar deste meu relacionamento conturbado, achei extremamente interessante a temática que o livro aborda. Temos uma família que há 16 anos ficou mais pequena. O filho de poucos anos de idade foi raptado, isto enquanto a mãe vive uma outra gravidez. O impacto que este acontecimento tem no sistema familiar é enorme e o livro aborda bem essas questões. Contudo, há acontecimentos secundários que se diluem ao longo das páginas e não deixam que esta família e as crises que é obrigada a enfrentar tenham o destaque merecido. 

Engraçado é que ainda chorei no fim. Há uma cena que envolve a filha desta família que foi extremamente comovente. O sofrimento da adolescente foi muito bem retratado através dos comportamentos que eram apresentados. 

Fiquei mesmo triste pelo facto da ação do livro não se focar mais nestas dinâmicas familiares marcadas pela tragédia. Fiquei frustrada por ter de ler imensas páginas sobre assuntos que pouco contribuíram para o cerne da história. Senti-me aborrecida pelo facto da leitura se ter tornando mais penosa do que aquilo que merecia. 

Já vi que a biblioteca tem mais livros desta escritora. Ainda lhe darei uma nova oportunidade no sentido de perceber se foi apenas esta história que não funcionou comigo ou se eu é que não me encaixo no estilo de escrita da escritora.

07
Fev20

Desafio dos Pássaros #2.2 | O lado místico de fazer bebés

Tema 2.2.
É que isto de médicos nunca fiando

Sabes, acho que vou consultar uma taróloga!

Estás louca? O que é que achas que uma taróloga poderá fazer por ti?

— Ei.. Ei! Para já aí! Por mim não! Por nós! O problema é comum. Eu não tenho um filho sozinha. Os meus óvulos precisam do teu espermatozoide. De preferência um dos bons.

Ele revirou os olhos. Já lhe faltava a paciência para o assunto. Andavam a tentar ter um filho há um ano. Até ao momento ainda não se tinha conseguido.

— Então? Não dizes mais nada?

— O que é que queres que eu te diga? Uauu… Bora lá ver o que é que as cartas têm a dizer relativamente ao nosso desempenho sexual. – Os olhos dela já quase saíam das órbitas, mas ele ignorou e continuou. – Não, espera! Vamos ver se as cartas atestam a saúde das nossas células reprodutoras, antes sequer de termos consultado um médico.

Ele ouvi-a respirar fundo umas três vezes antes de lhe dar uma resposta.

— Sabes que neste assunto, médicos, nunca fiando. Há uma certa aura mística no que toca à conceção de uma criança… Os ciclos lunares, o alinhamento dos astros… Já pensaste que podemos não estar a treinar no momento certo?

— Decididamente estás a ficar doida… Sim, podemos não estar a treeeiiiinar no momento certo, ou seja, não estamos a respeitar o teu período fértil. Ou os meus espermatozoides não estão com a pedalada suficiente para conquistar um óvulo dos teus. Mas querida, as respostas a estas questões não estão nas cartas de uma taróloga, estão nos exames que profissionais qualificados prescrevem e analisam.

— Puff…. Por que é que tens de ser tão científico? Por que é que não acreditas que conceber um filho é algo mágico.

Ele sorrio e foi sentar-se ao lado dela no sofá. Emoldurou-lhe o rosto com as mãos e falou-lhe de forma terna.

— Querida, conceber um filho é mágico, porque há amor. Mas nós precisamos de ir ao médico. Há médicos muito competentes nesta área. Só precisamos de procurar um que seja capaz de nos orientar.

Ela começou a chorar. Estava a tentar aligeirar algo que lhe estava a consumir a alma, mas não podia.

Ele beijou-a e fez amor com ela como se lhe quisesse aliviar a alma. Depois dessa noite já não precisaram de ir a tarólogas. Bastou o médico para fazer o acompanhamento pré-natal.

05
Fev20

Opinião | "Viver depois de ti" (Me Before You #1) de Jojo Moyes

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Classificação: 5 estrelas

Há quanto tempo é que eu queria ler este livro? Praticamente desde que vi o filme. Não costumava ver filmes baseados em livros sem primeiro ter lido o livro. Hoje em dia é algo que não me afeta particularmente. Por conseguinte, surgiu a oportunidade de ver o filme sem ler o livro e vi... Chorei! Chorei como há muito tempo não chorava a ver um filme. E depois dessa vez, vi-o mais umas quantas vezes, chorando outras tantas sem nunca me aborrecer. Tinha de ler o livro! Aproveitei uma promoção na Wook e, assim, fiz a minha última compra de 2019. 

Já desconfiava que seria uma leitura fenomenal, por isso escolhi-o para primeira leitura do ano. Foi uma leitura avassaladora. Dei por mim a ler e a saber os diálogos de cor! Ver o filme tantas vezes permitiu que muitas conversas entre Lou e Will ficassem gravadas em mim. Melhor ainda era quando o diálogo que sabia do filme era enriquecido de uma forma que apenas o livro o permite. Foram boas surpresas que se traduziram em momentos de genuíno sorriso! Acredito que as histórias precisam de tempo para crescer e, geralmente, o cinema não consegue ter tanto tempo para que isso aconteça. Assim, no livro os diálogos ganharam uma profundidade diferente e no meu imaginário as cenas ganhavam forma, cor e som. Foi impossível ler e não associar os nomes às caras que tão bem conhecia do filme. 

"Viver depois de ti" é a história de Louisa Clark e de Will. Dois jovens que olham para a vida de forma distinta, mas que por vicissitudes da vida acabam nas mãos um do outro. É uma narrativa cheia de um positivismo muito clarkeniano. As cores e o movimento alegre e descomplicado nascem da vivacidade uma jovem simples. A todo este brilho junta-se o humor negro e inteligente de Will. E desta combinação nasceu em mim o amor, o riso e as lágrimas. 
Foi uma leitura tão boa que quero guardá-la em mim por muito e muito tempo. É um daqueles happy places onde gosto de levar a mente em dias menos positivos. Apesar de todos os contornos dolorosos que caracterizam este livro, considero que todo o processo no qual as personagens vivem e crescem deixa uma mensagem importante onde a vida, o respeito pelo próximo, o amor verdadeiro e a amizade cabem num espaço comum. Espaço esse cheio de dúvidas, de incertezas e de decisões difíceis. É um livro cheio de humanismo e onde as relações humanas estão construídas de uma forma que pareciam reais, com pessoas que conhecia e observava à distância.  

Há uma grande proximidade ente o livro e o filme. Tirando o facto esperado de que o livro consegue uma maior profundidade nos diálogos e nas relações que se constroem, na minha opinião há um aspeto divergente que me saltou ao olhos. Há uma personagem que o filme denegriu demasiado. Patrick, o namorado de Lou, é muito idiota no filme. Acho que a forma como ele surge no livro é mais realista (no filme assume uma postura exageradamente aparvalhada). 

Nem sei o que fazer em relação à continuação. Fiquei com memórias tão boas deste livro que tenho receio de me desencantar com a Lou. Na minha cabeça, a Lou conseguiu ir mais além na sua vida. Conseguiu ser feliz, realizou sonhos, viveu o amor nas suas mais diversas dimensões e, em todos esses momentos, o Will pairou na sua memória e fez com que o seu coração palpitasse de uma forma especial. Sim, é algo demasiado romanceado! Talvez demasiado irrealista! Talvez esteja carregado de um otimismo exagerado! Mas se a vida nem sempre me oferece isto, será assim tão mau imaginá-lo num livro? Por isso não quero destruir estas boas memórias de uma continuação que eu própria criei. Por outro lado, a curiosidade de descobrir por que caminhos enveredou Lou é demasiado tentadora.

Para quem leu a continuação, acha que vale a pena o investimento?

Nota: Enquanto escrevia opinião só sentia vontade de me perder novamente na leitura deste livro. Não é uma obra prima da literatura, mas detém a sensibilidade necessária para me baralhar as emoções e me deixar presa a ela como se de uma pessoa importante se tratasse. 

03
Fev20

Janeiro | Quem chegou?

Janeiro demorou a passar. A minha perceção temporal foi de que este mês teve o dobro dos dias do que aqueles que na realidade tem. 

As leituras foram poucas e isso acabou por se refletir nos livros que chegaram cá a casa durante o mês que terminou. 
Assim, foram apenas dois os livros que recebi. Através da troca de dois livros consegui reunir mais um para a minha coleção de Lesley Pearse, "Procuro-te", e trazer cá para casa mais um livro da Dorothy Koomson, "Os aromas do amor"

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