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Por detrás das palavras

Por detrás das palavras

31
Ago20

Nas páginas do meu caderno #9

Desafio da Elisabete: Descrever um lugar usando todos os sentidos

Lugar 1: Lisboa vista do Castelo de São Jorge

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Sentei-me a observar a cidade que se estendia à minha frente. Há uma luz especial a iluminar as casas, o rio que corre, preguiçoso, em direção ao mar, a ponte que liga lugares que água separa. Uma leve brisa surge no final de uma tarde quente de setembro e ameniza o calor intenso que se fez sentir ao longo do dia. Fechar os olhos e deixar que a brisa nos afague a face o corpo é muito agradável e oferece uma sensação de leveza e quietude. A brisa que me acalma é a mesma que agita as folhas das árvores e nos traz os sons que cobrem o ambiente da cidade. Enquanto as folhas bailam ao ritmo do vento, oferecendo um dos sons mais bonitos da natureza, mais em baixo o som dos carros e as buzinas, numa tentativa de competir pela ocupação do espaço sonoro.
As pessoas espalham-se pelo espaços. As solas deixam marcar nos caminhos de terra que circundam o castelo. Os copos, ao pousar nas mesas, batem e assinalam o fim de uma pausa nas conversas descontraídas que preenchem um final de arde de domingo. Cheira café, a sumo de laranja, a perfumes diversos que aromatizam as peles humanas. As crianças correm e divertem-se a explorar o espaço amplo que têm à frente. 
Eu viro-me para o rio. Achei cara a entrada, mas será que há dinheiro que pague esta vista?

Lugar 2: Coimbra

14051718960_28670e439c.jpg(Imagem retirada da internet)

Diferentes lojas ocupam os lados de uma rua agitada, cheia de movimento e que nos leva até ao Mondego. Pessoas caminham calmamente ao longo da rua, outras ocupam as esplanadas onde saboreiam doces ou bebem café, sumo ou qualquer outra bebida que se ajuste ao gosto de quem a bebe. Desta rua saem diferentes caminhos. Paro em frente daquele que me levará ao topo da cidade. Cruzar aquele arco traz a inevitabilidade de um arrepio na espinha que só os acordes de uma guitarra portuguesa são capazes de provocar. A rua é íngreme e, reza a lenda, que quem lá cair casará na cidade. A calçada gasta está cheia de gargalhadas, música e histórias... e de perigos, caso a chuva decida lavar os espaços. Bolinhos de bacalhau, rissóis e outros petiscos a quem desconheço o nome povoam o ar e fazem estômagos roncar. 
É sempre a subir, uma dura subida que nos rouba o ar dos pulmões. Ruas estreitas, saltos altos que enchem o ar quando tocam na calçada. De uma janela sai música, um metal que soa demasiado alto. De outra, tachos e panelas tocam a sinfonia que antecede uma refeição em grupo, onde não falta o riso e as conversas descontraídas. 
No topo, um dos símbolos do conhecimento oferece memórias pessoais ou de um Carlos da Maia apressado para uma aula de medicina. A Cabra marca o tempo num lugar em que o tempo não passa, porque a memória assim o impede. Ao fundo, uma "varanda" virada para um Mondego que guarda lágrimas de um amor eterno. 
Quem por aqui passa leva a saudade de um tempo que não volta, mas guarda a certeza que a Porta Férrea jamais se fechará para si. 

28
Ago20

Opinião | "Anna e o beijo francês" de Stephanie Perkins

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Na altura em que recebi este livro (através de uma troca), a Daniela do "Quando se abre um livro" comentou comigo que este livro lhe parecia ter uma história muito fofa e que tinha vontade de o ler. O instinto literário dela não falhou. De facto, "Anna e  beijo francês" é uma história bastante amorosa e com um grupo de adolescentes bastante interessante.

Anna é uma adolescente americana que vai para Paris fazer o último ano do secundário. A ideia foi do pai, um famoso escritor (qualquer semelhança desta personagem com Nicholas Sparks será apenas coincidência literária), e ela não teve oportunidade de manifestar a sua opinião. 
Chegada a Paris, Anna vê-se obrigada a lidar com o choque cultural, uma nova língua e a necessidade de construir novas amizades.

Por todos os desafios que uma mudança acarreta, os primeiros capítulos ofereceram algumas situações caricatas que me divertiram e me fizeram rir. É certo que algumas situações são demasiado estúpidas e podem parecer irrealistas, como o facto de Anna estar num colégio inglês e ter receio de pedir comida porque pensa que os empregado só falam francês e ela ainda não domina a língua. Mas quantas foram as vezes em que as nossas inseguranças nos impediram de fazer coisas aparentemente simples? Tantas a insegurança é tanta que bloqueia as nossas ações e os nossos comportamentos.

A história vai avançando e as relações começam a tornar-se mais densas e profundas. Os problemas surgem, os dramas adolescentes começam a dar tonalidade à narrativa e tudo se desenvolve com um bom ritmo. Não há espaço para momentos aborrecidos.

Paris alimenta muito da dinâmica que a escritora criou para as personagens e para o desenvolvimento dos acontecimentos. Eu passeei por Paris com este livro. Umas vezes conheci a cidade através dos olhos da Anna, outras vezes dos olhos dos amigos. A minha vontade de conhecer a cidade já era substancial, este livro só aumentou ainda mais a minha vontade. Se já queria conhecer a cidade antes desta leitura, quando terminei o livro apanhava de bom grado o avião e ia conhecer os jardins, os momentos e os recantos tão característicos daquela cidade. 

É claro que é um livro com os seus clichés. Além disso assistimos a comportamentos imaturos por parte da Anna e dos seus colegas. Um deles em particular fez com que olhasse para a Anna com olhos um pouco maus. Ela mostra o seu lado cínico, hipócrita, egoísta e pouco correto e não respeitou a regra do "não faças aos outros aquilo que não gostaste que te fizessem a ti". Mas é uma adolescente, a construir a sua personalidade e definir-se enquanto pessoa. 
No fundo, estas páginas guarda, os dramas que só os adolescentes conseguem construir, o grupo das miúdas populares, as zangas entre amigos, as paixões, os sonhos, as conquistas... Tudo aquilo que eu facilmente associo aos adolescentes, Stephanie Perkins conseguiu colocar no papel de uma forma cativante. 

É um livro marcado pelo final feliz da Anna. É um final amoroso que alimenta os nossos sonhos mais românticos. 

Classificação

27
Ago20

Projeto Conjunto | Empréstimo Surpresa [Livro Recebido]

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A Daniela já me enviou mais um livro de forma a darmos continuidade ao nosso projeto e empréstimos. 

O livro que chegou cá a casa foi "Cassiopeia" de Joana Ferraz.

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Tenho alguma curiosidade em relação ao livro. A Daniela gostou bastante da leitura, por isso espero gostar tanto como ela.

Não se esqueçam de passar no blog da Daniela para conhecer os motivos que a levaram a enviar-me este livro.

Conhecem a autora e o livro?

26
Ago20

Bando lusitano | Livros de agosto e categoria para setembro

Agosto trouxe mais uma participação para este meu projeto de divulgação de escritores nacionais. O objetivo era partilhar um livro de um escritor nacional que seria uma boa leitura de verão.

Antes de vos apresentar os livros escolhidos quero deixar o meu agradecimento às pessoas que participaram...

O meu profundo agradecimento vai para:

💛 A Patrícia do blog e canal "O prazer das coisas";
💛 A Daniela do blog "Quando se abre um livro";
💛 A Landa do blog  "Horizonte dos livros";
💛 A Sassão do blog "Um amigo de fim de tarde".

As participações deram origem a sugestões bastante diversas e capazes de agradar a leitores distintos.

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📔 "O princípio de Karenina" de Afonso Cruz;
📔 "A nossa alegria chegou" de Alexandra Lucas Coelho;
📔 "O mistério da estrada de Sintra" de Eça de Queirós e Ramalho Ortigão;
📔 "Cassiopeia" de Joana Ferraz;
📔 "Calvin Esparguete" de Filomena Lança;
📔 "A chama ao vento" de Carla M. Soares.

Setembro é mês de recomeços e, por vezes, estes recomeços são sinónimo de mudanças que nos deixam pouco tempo para ler. Mas será que só encontramos boas histórias em livros longos?

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Em setembro gostaria que partilhassem pelo menos uma obra de um escritor português que apesar de poucas páginas vos ofereceu bons momentos de leitura. Por poucas páginas, refiro-me a um livro/conto com menos de 100 páginas. 

24
Ago20

Opinião | "Tambores na noite" de Marion Zimmer Bradley

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A minha relação com livros de fantasia é "espinhosa". É muito difícil encontrar um livro deste género que me encante e que me prenda na leitura. Vou continuando a ler livros deste género para me obrigar a sair da zona de conforto e para diversificar a minha experiência enquanto leitora. Por vezes, tenho boas surpresas, como é o caso dos livros de Juliet Marillier de quem fiquei fã.

Geralmente, livros com bruxaria, misticismo, feitiços, magia negra e branca e lendas são capazes de me agradar e oferecer bons momentos de leitura.
Em "Tambores na noite" o lado da fantasia toca nestes elementos, o que permitiu que a minha leitura fosse agradável e satisfatória. Gostei de ler o livro e de conhecer um pouco da cultura mística do Haiti.
Não foi uma leitura brilhante nem memorável, mas conseguiu captar a minha atenção e permitiu-me construir uma ligação com a história e com as personagens. 
Fui positivamente surpreendida com a escrita de Marion Bradley. É expressiva e mantém o equilíbrio certo entre descrição, narração e diálogo. Esse equilíbrio oferece um bom dinamismo à narrativa e impede que o aborrecimento surja.

As personagens são interessantes e são a alma de toda a história. Nem sempre compreendi as suas atitudes e comportamentos, nem sempre elas são caracterizadas de forma completa; contudo, no fim, tudo fez sentido.
As páginas finais com o perfil astrológico são muito interessantes e ofereceram-me um novo olhar pelas personagens e sobre o seu papel na história.

Agora tenho na estante um dos volumes da série "As brumas de Avalon". Sei que é uma série bastante conhecida e até fiquei com alguma vontade de a explorar. 
Conhecem a série? Recomendam-na a uma leitora mais resistente à fantasia como eu? 

Classificação

 

22
Ago20

Nas páginas do meu caderno #8

Desafio da Elisabete: Descreve a capa do livro que mais gostas! (ou a capa mais bonita que conheces). Descreve os aspetos que a tornam especial.

Para este desafio vou escrever sobre duas capas: 1) A do livro que eu mais gosto e 2) Uma das capas mais bonitas que tenho na estante.

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Num fundo azul brilhante, como um céu de inverno límpido, frio e iluminado pelas estrelas, um rosto de uma jovem olha em direção a um horizonte desconhecido. O título longo não é o reflexo mais correto da história que vive em mais de 600 páginas. Neste livro vivem personagens fortes que aprendem a lidar com as suas fraquezas, vivem gritos de guerra; vive a fome, a dor, o sofrimento. Mas vive, também uma história de amor que jamais esquecerei. O título pode afastar leitores com medo das histórias lamechas, mas este livro é tudo menos lamechas! Há um lado histórico que dá um toque muito especial à narrativa. Uma rapariga sob um fundo azul é  muito pouco para mostrar a intensidade desta história.

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A fotografia não consegue transmitir a beleza da capa. Ternura é a palavra que descreve a história deste livro e capa acompanha essa ternura. A capa parece uma fotografia numa moldura amarela que captou as sombras de um dia feliz, porque a felicidade e o amor não precisam de rosto, nem de cores vibrantes. Nessa fotografia, um pai e uma filha subiram ao topo de uma colina para contemplar um céu cheio de estrelas. O balão vermelho reflete a inocência da infância e a importância do brincar. 

20
Ago20

Opinião | "Voar no quarto escuro" de Márcia Balsas

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A Ana Patrícia, a Cristina e a Silvéria têm um projeto muito interessante que consiste em colocar um livro a circular por entre os leitores que manifestem interesse na leitura. O primeiro livro a percorrer os caminhos de Portugal foi o "Demência" da Célia Loureiro. Na altura não me inscrevi porque queria comprar o livro. Quando vi que iam colocar a circula o "Voar no quarto escuro" de Márcia Balsas decidi inscrever-me e, assim, experimentar um livro de uma nova escritora portuguesa. 

"Voar no quarto escuro" é um livro onde cabem muitas vozes. Vozes de mulheres comuns, com as suas rotinas, com as suas relações, com as suas exigências e, acima de tudo, com os seus fantasmas que lhes obscurecem o coração e a mente.

Foram estes fantasmas e a escrita quase poética da Márcia que me ligaram ao livro. Começando pela escrita, a Márcia fez um excelente trabalho na escolha das palavras. Uniu-as; deu-lhes corpo, sentido e beleza. É fácil ler o livro porque a escrita quase que nos embala e nos deixa infiltrados nas vidas destas mulheres.

Todos temos fantasmas. Todos escondemos esqueletos no armário. A forma como lidamos com eles e como os arrumamos dentro de nós é que faz a diferença. O livro ilustra um pouco essa forma diversa de arrumar os fantasmas interiores. Não mostra uma arrumação sempre funcional! Aliás, grande parte das personagens espelham uma arrumação disfuncional e autora conseguiu passar muito bem para o papel o impacto dessa desarrumação mental na vida quotidiana das pessoas e nas relações que estabelecem.

Infelizmente há coisas que se vão perdendo ao longo da narrativa. São muitas personagens, muitas vozes que se acabam por cruzar e isso, por vezes, gerou alguma confusão dentro de mim. Senti que algumas situações não foram totalmente finalizadas. A sensação que ficou é que em algumas personagens faltou qualquer coisa que desse um maior sentido à história delas. 

Relativamente à forma como o livro terminou, o final de Eduarda e Antero não me convenceu. Fiquei sem perceber muito bem o que se passou naquela noite. 

Em suma, espero que a Márcia continue a escrever para que eu possa conhecer novas histórias e ter a oportunidade de construir uma opinião mais coesa relativamente ao seu trabalho.

Classificação

18
Ago20

Top Ten Tuesday #63 | Livros que deveriam ser adaptados a séries/filmes na Netflix

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O último Top Ten Tuesday que fiz foi em janeiro de 2017. Passei pelo site para ver a categoria para o dia de hoje, porque me apeteceu ressuscitar esta rubrica. Gostei da temática e decidi fazer.

Mil sóis resplandecentes de Khaled Hosseini 
Este foi o primeiro livro de que li de Khaled Hosseini. Apaixonei-me pela história de Laila e Mariam. Um olhar sobre a mulher numa parte do mundo onde não existe respeito pelo papel da mulher. Há passagens muito duras de ler, momentos que levam as lágrimas, mas a história fica-nos gravada na alma. 

Raparigas como nós de Helena Magalhães
A leitura deste livro não me encheu as medidas, contudo depois de alguns ajustes na narrativa de forma a corrigir incongruências e aspetos menos bem conseguidos, penso que daria uma série juvenil engraçada e capaz de prender a atenção dos adolescentes.

Perguntem a Sarah Gross de João Pinto Coelho
Eu gostei muito deste livro, uma verdadeira pérola nacional. É um romance histórico, cheio de preciosidades que demonstram o investimento do escritor na pesquisa. O romance acontece em dois tempos: em finais dos anos 60 e no período que antes e durante a Segunda Guerra Mundial. O livro é rico em acontecimentos que encheriam as telas de emoção. A vida de Sarah, as suas lutas e o desfecho desta história iriam apaixonar os telespetadores.

Até que sejas minha de SamanthaHayes
Este thriller é viciante. Há uma articulação muito interessantes entre os acontecimentos e as personagens que os narram. Seria um desafio transformar este livro numa série (acho que seria mais interessante do que um filme, porque permitiria dedicar um episódio a cada uma das personagens), mas acredito que o resultado final seria bem interessante.

Verity de Colleen Hoover
Este livro tem agitado os leitores e os fãs de Colleen Hoover. Um livro que foge ao padrão narrativo da escritora. O livro é bastante gráfico. As descrições e os acontecimentos são apresentados de forma muito visual, sendo fácil criar imagens mentais dos mesmos. Por isso, acredito que um filme baseado neste livro seria um sucesso de bilheteira. No fim, iriam ficar todos a remoer aquele final aberto.

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Devo-te a felicidade de Sophie Kinsella
Este livro daria uma comédia romântica muito divertida. Apesar da história ser descontraída acaba por ter mensagens muito interessantes sobre o amor, a amizade e a forma como colocamos as nossa generosidade a favor dos outros. A Fixie é uma rapariga engraçada e Sebastien um rapaz cheio de energia positiva. Na minha opinião, daria um bonito filme.

O ano da dançarina de Carla M. Soares
Este livro retrata o impacto da Gripe Espanhola em Portugal e dá-nos a conhecer uma série de personagens femininas lutadoras, inteligentes e independentes. No fundo, reúne um conjunto de elementos que ofereceriam um filme bem interessante.

A imperatriz Romanov de C. W. Gorter
Os últimos membros da família Romanov marcam um período da História da Rússia. Acredito que o seu desaparecimento tem ainda muito por explicar. Neste livro acompanhamos a história daquela que foi a mãe do último czar da Rússia. O livro está muito bem escrito e oferece uma boa perspetiva histórica. Uma série baseada nos acontecimentos narrados neste livro seriam bem interessantes.

A Sereia de Brighton de Dorothy Koomson
Qualquer livro da Dorothy Koomson daria um bom filme. Escolhi este por ser um dos últimos livros que li e porque o mistério que envolve a história funcionaria muito bem num filme. 

Rosas de Leila Meacham
Este livro é das melhores sagas familiares que já li. A história apresenta-nos três famílias que se cruzam ao longo do tempo. Dada a complexidade da história e dos acontecimentos, uma série seria a escolha mais adequada para fazer a adaptação. O livro é apaixonante, por isso, se conseguissem uma reprodução fiel, acredito que teríamos uma série épica. 

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17
Ago20

Opinião | "O diário de Bridget Jones" de Helen Fielding

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"O diário de Bridget Jones" deu origem a um filme que marcou o ano de 2001. Recordo-me vagamente do filme, ficaram-me na memória a interpretação da atriz Renée Zellweger e dos momentos cómicos que vão surgindo ao longo do filme.

Foi com a expetativa de encontrar uma leitura divertida que me atirei à leitura deste livro. Agora, das duas uma, ou eu perdi o sentido de humor ou este livro não tem situações tão cómicas como eu esperava. Não me fez rir e não me diverti a lê-lo. Tive alturas em que me aborreci um pouco com a Bridget e as suas atitudes infantis. Demasiado infantis para a idade.

Mas se me irritei com a Bridget, Pam, a mãe dela, conseguiu despertar em mim instintos assassinos! A vontade de saltar para o livro e lhe bater era tanta, que sempre que ela aparecia na história eu tinha de respirar fundo para aguentar a futilidade e estupidez que a acompanhava.

Brincadeiras, inseguranças, romances que se notam a léguas que não vão correr bem, a luta com o peso e a vida laboral são os temas que ilustram as entradas do diário de Bridget Jones. Fui lendo, embalada pelo discurso simples e pela expetativa de uma tragédia eminente. 

Sinceramente, não sou capaz de identificar o tipo de leitor a quem este livro possa agradar. É daquelas incógnitas literárias, pois poderá agradar a alguns leitores e desiludir outros; mas sem que haja um perfil específico para quem são os leitores que gostam e os que não gostam.

Sei que o livro tem continuação, mas no meu caso as minhas aventuras com as peripécias de Bridget Jones terminam por aqui. Não restou vontade, nem curiosidade de continuar a acompanhar as vidas destas personagens.

Classificação

15
Ago20

Nas páginas do meu caderno #7

Desafio da Elisabete: Descrever um objeto que seja especial, que tenha um significado especial.

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É engraçado pensarmos que há pessoas que convivem connosco muitos anos e não conseguem captar a nossa essência. Em contrário, há pessoas que ao fim de poucos dias de contacto conseguem conhecer-nos de uma forma que é difícil de explicar. Este pequeno objeto é reflexo disto.

Esta é uma estátua da coleção Willow Tree. É uma imagem de uma rapariga com um vestido branco a segurar um livro. É lindíssima e carrega um significado especial para mim. 

Foi-me oferecida por uma aluna da minha primeira turma oficial em contexto universitário. Segundo as palavras dela, assim que colocou os olhos nesta figura lembrou-se imediatamente de mim e teve de a comprar para me oferecer. Confesso que fiquei envergonhada com o gesto, mas quando o abri fiquei verdadeiramente emocionada com o que vi e com todo o significado associado a esta imagem.

É verdade, esta imagem tem um pouco de mim: a simplicidade do ser e amor pelos livros. Além disso, significará sempre a minha ligação a uma turma que gostei imenso de acompanhar. Será o símbolo de uma primeira conquista profissional que me deu esperança para o futuro. Sempre que olhar para ela, vou lembrar-me que há sempre pessoas capazes de captar o melhor de mim, independentemente do tempo que possam passar comigo. 

Esta coleção é tão bonita que já tenho outras estátuas debaixo de olho.

13
Ago20

Opinião | "O ano do pensamento mágico" de Joan Didion

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Este livro está na minha estante desde outubro de 2019. Sabia que era um livro de não ficção e que abordava aspetos ligados ao luto. Por isso, esperava o momento mais certo para o ler. Acho que é preciso um certo estado de espírito e de uma determinada disponibilidade mental para embarcar numa leitura destas.

Com uma escrita muito realista, Joan Didion dá-nos a conhecer a sua forma de lidar com as dificuldades de um ano atípico da sua vida. Ela vive diferentes perdas e o choque que elas estabelecem entre si fazem com que Joan as processe de forma muito particular. 
É um diário muito lúcido das suas fragilidades e dos desafios de vida a que Joan ficou exposta. E nessa lucidez, ela procura desconstruir aquilo que sente e as implicações que todos os acontecimentos trágicos têm na sua forma de estar na vida.

Não foi um leitura complicada, nem alterou o meu equilíbrio emocional. Li de forma mais lenta porque precisava de tempo para poder absorver o conteúdo e pensar um pouco sobre as estratégias cognitivas e emocionais que Joan usou para ultrapassar os seus problemas.

Para quem gosta de livros de não ficção, este parece-me uma boa escolha quer pela pertinência da temática, quer pela forma como ela é abordada. A conjugação destes dois elementos oferecem entusiasmo à leitura e convidam a continuar a avançar pelos pensamentos da Joan.

Classificação

11
Ago20

Nas páginas do meu caderno #6

Hoje quero propor-vos uma experiência de leitura diferente. Ler ao som da música que escolhi para escrever um texto. 

Podem clicar aqui para ouvir a música e ler o que se segue.

Fechei-me em casa. Já não aguentava a pressão. O meu cérebro está doente, eu sei! Só não sei como me libertar desta doença.

Passei a apreciar o escuro, para que as lágrimas corressem livremente, sem a luz para as confrontar. Nem sempre saem lágrimas, outras vezes é a apatia, a falta de inércia. A simples vontade de não fazer nada. Desligar! Sim, é isso. Desligar de tudo e de todos, deixar-me estar naquele buraco negro onde não cabe mais ninguém senão eu e as minhas dores.

É estranho como esta doença se manifesta na alma. Há dias em que saio de casa e faço mil e uma coisas, não paro para pensar. Como qualquer coisa com a pressa de chegar onde me esperam. Posso estar ocupada, mas dentro de mim há um vazio que se espalha e eu não consigo explicar. Sorrio para os outros, para o mundo, mas é um sorriso despido de luz; porque essa apagou-se, não sei bem quando, mas apagou-se.

Malditos fantasmas que se atravessam na minha mente. Dizem-me coisas duras: Não vales nada, não és suficientemente boa, não és capaz, ninguém será capaz de gostar de ti. Conscientemente, sei que são coisas que os meus fantasmas fabricam para mim. Porém, o meu lado inconsciente suga-os, alimenta-se destes produtos, deixa que eles se espalhem no meu sistema circulatório e minem todas as coisas positivas que vivem adormecidas dentro de mim.

Vou sobrevivendo ao mundo. Vou mantendo a rotina. Mas chega aquele dia em que não dá mais. Aquele dia em que nenhuma pessoa ao nosso redor é capaz de nos fazer sair da escuridão. Aquele dia em que nenhum amor que nos rodeia consegue calar os fantasmas. Não há culpados nestas coisas. Os outros não estão cegos às minhas dores, eu é que me tornei mestre em disfarça-las e ninguém é capaz de as alcançar.

Hoje vou calar estes monstros, estes fantasmas sugadores. Vou adormecer para a eternidade e levar as dores comigo, sem espaço para culpas… Apenas a minha libertação.

Desafio para vocês: Escolha uma música, escrevam um texto e partilhem comigo.

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