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Por detrás das palavras

Por detrás das palavras

Bando lusitano | Livros de Setembro e categoria para Outubro

30.09.20

Setembro foi um mês mais calmo de participações. A categoria deste mês convidava o bando a partilhar livros pequenos capazes de encantar os leitores.

Antes dos livros, quero agradecer à:

💛 Patrícia do blog e canal "O prazer das coisas";
💛 Sassão do blog "Um amigo de fim de tarde".

Apesar de só terem sido feitas recomendações por três pessoas, acho que resultou num conjunto de sugestões bastante interessantes. 

🍀"A lucidez" de Célia Loureiro, "A prisão de gelo" de Ana Ferreira, "Olhar de vidro" de Carina Rosa, "A pianista" de Olinda Gil" e "A ilha desconhecida" de José Saramago.
🍀"Comer e beber" de Filipe Melo com arte de Juan Cavia.
🍀 "Ronda das mil belas em frol" e "Casos do beco das sardinheiras" de Mário de Carvalho

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Para Outubro o desafio é partilharem aquele livro que têm de ler antes de 2020 acabar. Vamos entrar no último trimestre do ano e, se a perceção da velocidade dos dias se mantiver, daqui a nada estamos a cruzar a meia noite do dia 31 de Dezembro.

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Aguardo as vossas sugestões.

Top ten tuesday #64 | Livros para ler no Outono

22.09.20

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Como voltei às listas, vou inseri-las nesta rubrica. 

Antes de apresentar a lista de livros para ler no Outono, quero fazer um balanço da lista de Verão.

Em seguida apresento a lista de livros que me propus a ler e os livros rasurados correspondem aos livros lidos.

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Numa lista de 10 livros consegui ler 8. Os dois que ficaram em falta passam automaticamente para a próxima lista.
Apesar de não ter conseguido ler todos, faço um balanço bastante positivo das leituras feitas.

Agora seguem os livros que quero ler no Outono:

  1. "Lá onde o vento chora", Deliz Owens
  2. "Éramos seis", Maria José Dupré
  3. "Os doentes do Dr. Garcia", Almudena Grandes
  4. "Morder-te o coração", Patrícia Reis
  5. "O homem de giz", C. J. Tudor
  6. "28 dias", David Safier
  7. "Demência", Célia Loueiro
  8. "A rainha perfeitíssima", Paula Veiga
  9. "Não contes a ninguém", Karen Rose
  10. "O cavalheiro inglês", Carla Soares

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Aniversário do blogue

22.09.20

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Parece que foi ontem que decidi criar um blogue para partilhar as emoções que os livros me ofereciam. Há cerca de um ano mudei-me para a plataforma do SAPO e tenho gostado muito da experiência,
Foram muitas as vezes em que as palavras e os livros me salvaram de emoções negativas e tristezas. 
Se já me apeteceu encerrar o blogue? Sim, algumas vezes! Mas há sempre qualquer coisa que me empurra para aqui. Há sempre as palavras da minha amiga Daniela a pairarem na minha cabeça de que o blogue é sempre um propósito para não sucumbirmos aos monstros lançados pela baixa auto-estima. 

Achei que poderia ser engraçado na comemoração dos 9 anos do blogue apresentar 9 factos relacionados com o mesmo.

🌻 A primeira opinião que publiquei no blogue foi ao livro "Cinco dias em Paris" de Danielle Steel. Olhando para aquilo que escrevi na altura, confesso que fico um pouco envergonhada pela baixa qualidade da escrita.

🌻 Fiz a minha primeira leitura conjunta em Julho de 2014 com a Marta do blogue I only have (agora inativo). O livro escolhido foi "A filha do capitão" de José Rodrigues dos Santos. Para além de definirmos número de páginas por um determinado número de dias, enviávamos desafios uma à outra para fazer. Ao clicarem aqui, poderão ver algumas das nossas leituras e desafios que partilhamos.

🌻No blog podem encontrar 8 Tags originais. Umas criadas só por mim e outras em conjunto com a Catarina de um blogue já encerrado. São elas: Ano novo, Árvore de Natal, Inverno de palavras, Sabores de Natal, Os livros smurfados, Presépio em livros, Sete símbolos de Natal e Prendas literárias de Natal.

🌻Em conjunto com a Catarina, em Dezembro de 2013, organizamos a primeira troca de postais na comunidade livrólica e organizamos uma maratona que se repetiu durante 2014, a Maratona Viagens (In)Esperadas. A vida pessoal de cada uma de nós acabou por se intrometer e tivemos que interromper. Em 2015 ainda fizemos uma edição especial.

🌻Em 2014, a Daniela emprestou-me uns livros da estante dela para que ler. Achamos que era algo que poderia funcionar e acabamos por criar o projeto "Empréstimo surpresa". Agora emprestamos livros uma à outra. Os envios são feitos pelos CTT e nunca sabemos o que vem dentro do envelope. Após a leitura há sempre um desafio para fazer.

🌻 Apesar dos diferentes projetos com a Catarina e com a Daniela nunca as conheci pessoalmente. Mas é algo que eu gostaria imenso que acontecesse.

🌻 Desde que criei o blogue já publiquei opinião a 479 livros. A opinião que recebeu mais comentário foi "Nómada" de Stephanie Meyer. 

🌻No último ano, o post com mais visualizações foi "Nas páginas do meu caderno#7". Relativamente à opinião com mais visualizações, o livro vencedor é "História de uma gaivota e de um gato que a ensinou a voar" de Luís Sepúlveda. 

🌻O nome do blogue foi uma inspiração de um título de um livro técnico, "Por detrás do espelho" (Paula Relvas).

Por fim, resta-me agradecer aos leitores e a todas as pessoas que colaboram e colaboraram comigo ao longo destes anos. Cada vez mais acredito no lema "Sozinhos vamos mais depressa, em conjunto vamos mais longe".

Têm alguma curiosidade em especial? Gostariam de me fazer alguma pergunta?
Usem os comentários para perguntar o que quiserem.

Opinião | "Marquesa de Alorna" de Maria João Lopo de Carvalho

21.09.20

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Foi a ler romances históricos que eu percebi o quanto gosto de História. Tive História até ao 9º Ano do ensino básico. Gostava bastante da disciplina e dos conteúdos; mas, afinal, gostava mais do que aquilo que eu pensava. Muitas vezes, após ler um romance deste género, dou por mim a pesquisar mais sobre as pessoas, os acontecimentos e os locais. 

"Marquesa de Alorna" não me levou a pesquisas adicionais porque teve detalhe suficiente para me satisfazer a minha curiosidade. É um livro bastante detalhado, com muitos pormenores históricos e deixa que se conheça em profundidade a vida daquela que se tornou a Marquesa de Alorna.

A narrativa inicia-se em 1755, onde o terramoto do dia 1 de Novembro é usado como referência histórica para a narração dos acontecimentos. Seguem-se muitos outros marcos Históricos, acontecimentos que abalaram Portugal, a Europa e o Brasil e todos eles serviram de apoio à história de vida de Leonor. 

É um livro extremamente bem escrito. Apesar de algumas partes serem mais densas, nunca me senti aborrecida com a leitura. A narração mantém um bom ritmo, sempre com coisas relevantes a acontecer. Os capítulos curtos também ajudaram imenso, deixando a sensação de que a leitura avança de forma bastante fluída.

Leonor, a personagem central, era uma mulher com uma personalidade e espírito único. Ela respirava criatividade, talento, conhecimento... Foi uma mulher à frente do seu tempo. Uma mulher curiosa em relação ao mundo e àquilo que ele tinha para lhe oferecer. Lutou pelo espaço feminino e pelas suas ideias. Sempre defendeu a voz das mulheres e teve a ousadia de se afirmar nas diferentes cortes por onde passou. Uma personagem da nossa História com ideias e lutas que ainda hoje são atuais. Só me aborreci com os seus "achaques", doenças e a forte ligação à religião. Porém, atendendo à contextualização social da época a questão da religião faz sentido. 
Cheguei à conclusão que Leonor tinha um lado um pouco maluco que permitia que ela levasse tudo à frente. Foi apaixonante conhecê-la! A vida dela, as suas paixões, os seus amores e desamores e as suas lutas fascinaram-me e deixaram-me a pensar sobre a coragem que ela precisou para derrubar os preconceitos que imperavam naquela época e nos meios onde ela circulava.

"Marquesa de Alorna" é um livro muito rico, quer no conteúdo quer na forma brilhante com que a narrativa foi conduzida. 
Nunca tinha lido nada de Maria João Lopo de Carvalho. A experiência muito positiva desta leitura deixou em mim a vontade de ler mais obras desta escritora portuguesa.

Classificação

Inquietações #1

18.09.20

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Confiariam numa opinião cujo escritor pagou para a ter?

Ontem, no Instagram, rebentou uma polémica e mostrou o quanto uma rede social se pode tornar tóxica. Passei por diferentes emoções! Comecei por ficar incrédula, cheguei a achar cómico e, no fim, sobrou apenas aquela sensação de que não há empatia.

Para quem desconhece os acontecimentos, faço aqui um breve resumo. A Andreia Ferreira (uma escritora nacional) pediu a uma bookstamgrammer para ler o seu livro e publicar uma opinião no seu espaço online. A bookstamgrammer disse-lhe que o fazia mediante o pagamento de um determinado valor. Isto gerou uma enorme revolta na Andreia.

Eu consigo perceber os dois lados. Nada é exatamente uma coisa ou outra. É tudo muito subjetivo e envolve muito daquilo que é a nossa essência. Apesar de conseguir compreender ambas as partes envolvidas, confesso que fiquei solidária com a Andreia e estou aqui para explicar o meu ponto de vista.

É a minha opinião, que vale o que vale no meio de todas as outras opiniões válidas que foram partilhadas. Opinião, cada um tem a sua e nenhuma deles é certa ou errada. Errada é a forma agressiva e desrespeitosa como muitas vezes expressamos essa mesma opinião.

A publicidade é um serviço. Um serviço pago por empresas para que um determinado produto “encha” os olhos do consumidor e o faça acreditar que é impossível viver sem comprar aquilo. Peço a vossa atenção para um excerto da definição de publicidade que eu retirei da infopédia:

A finalidade da publicidade é despertar, no consumidor, o desejo pela coisa anunciada ou criar e manter o prestígio do anunciante. Para isso, tem como objetivos informar o consumidor sobre o produto, as suas características e os lugares ou as formas de aquisição; aumentar a notoriedade e hipóteses de aquisição; diminuir o esforço de compra, ajudando a tomar uma decisão; e influenciar na decisão de compra.” (https://www.infopedia.pt/$publicidade)

Atendendo ao conceito de publicidade e àquilo que ele implica, até que ponto a opinião de um livro que é paga pelo escritor é sincera? Um escritor pagaria uma opinião correndo o risco de ver um publicidade má ao seu livro?

Coloquei estas perguntas a mim mesma, discuti-as com a minha amiga Daniela e pensei nas implicações que isto poderia gerar. Se já agora existem opiniões das quais eu duvido, se souber que um escritor andou a pagar para as ter eu ainda duvidaria mais.

Atenção, o mesmo pode acontecer sendo uma editora a pagar pela publicidade. Porém, a editora tem uma estrutura financeira que um pequeno autor não tem. Pagar por publicidade aos seus produtos, na minha opinião, é da responsabilidade da empresa. É claro que um escritor também se deve promover e dar a conhecer o seu trabalho, mas ele não tem capacidade económica para pagar a um influenciador. Ele não tem a proteção de uma estrutura empresarial.

Eu procuro ser sempre sincera, mesmo quando os livros me são cedidos pela editora. O que é um facto é que eu não recebo livros sem critério. Sou eu que peço os livros que quero ler e isso acaba por diminuir o risco de me cruzar com um livro que não me interessa ou que não vai ao encontro das minhas preferências.

Há pessoas que consideram que receber um livro de oferta não paga o trabalho que têm a ler um livro, a escrever/grava uma opinião, a tirar uma fotografia… Mais um convite! Vejam este storie da Patrícia Morais:

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Um escritor, ao tomar como opção ceder um manuscrito seu já publicado, está a pagar para ter essa opinião. Para mim, ler um livro não é trabalho. Escrever uma opinião e criar conteúdo, isso sim é trabalho. Demoro cerca de hora e meia a escrever e a prepara um post. Se o livro me foi oferecido e considerando os preços dos livros em Portugal, eu sinto-me remunerada pelo esforço que tive.

Há quem apresente o argumento de que outros produtos pagam pela publicidade. Mas são produtos provenientes de grandes marcas. Instituições que têm robustez económica para dispensar algum dinheiro junto de pessoas com grande influência nas redes. Mas as questões que coloco anteriormente mantêm-se: há sinceridade na publicidade ao produto? Eu não sei muito sobre este tipo de produtos, porque não sou a consumidora que segue tendências ou modas.

Já deixei de acompanhar muitos(as) produtores(as) de conteúdo sobre livros porque me cansa ler/ouvir sinopses. Quando procuro uma opinião a um livro, quero mais do que isso. Quando partilho uma opinião, posso fazer um pequeno resumo da história para contextualizar, mas o resto do espaço gosto de ocupar com as minhas reflexões, as minhas emoções e o que é que funcionou ou não comigo.

Acho que é importante atendermos ao conteúdo dos livros e à subjetividade que mora dentro de cada um deles. Gosto de ler opiniões contrárias às minhas e descobrir novas sensações que aquela leitura provocou. Gosto de discutir os assuntos dos livros que conduzem a reflexões interessantes. E é tão bom quando as coisas se fazem de forma saudável e construtiva.

Já ando neste mundo há algum tempo. Nos inícios, 90% das opiniões que eu partilhava correspondiam a livros que eu requisitava na biblioteca. Depois vieram alguns autores que me foram cedendo livros, comecei a ter algum dinheiro para comprar e só mais tarde arrisquei-me a pedir às editoras. Já perdi a conta à quantidade de escritoras para quem fiz beta reading. Nunca cobrei dinheiro. Aceito de bom grado a oferta do livro que ajudei a construir. Faço-o com a melhor das intenções. Se deveria ser um trabalho pago? Aqui acho que sim. Fazer um bom trabalho como beta Reading é algo exigente. E eu não me limito a ler a história e a apontar pontos fortes ou fracos. Basta falarem com algum dos escritores a quem eu já ajudei para conhecerem a minha forma de trabalhar. Por outro lado, também consigo perceber que nem sempre um escritor tem orçamento para pagar um processo de beta reading. E chego a uma encruzilhada. Deixo-o de o fazer porque o escritor não me pode pagar? Há escritores para os quais já não o consigo fazer, porque sou humana, empática e crio relações e isso afeta a minha capacidade de negócio. 

O post já vai muito longo, mas quero deixar apenas algumas conclusões:

  1. A publicidade é um serviço, quem achar que deve pagar para que um produto seu chegue aos clientes, tudo bem. Depois caberá sempre ao cliente decidir se compra ou não o produto. Nesta sequência de ideias, quem se considera influenciador e acha que deve ganhar com a sua publicade, tudo bem.
  2. Pedir dinheiro a um escritor que nos cede o livro em troca de opinião, caberá ao sentido moral de cada um. Eu não o conseguiria fazer porque me sentiria limitada na minha liberdade de expressão. E, atendendo aos meus valores morais, há coisas que devo fazer esperando uma remuneração em troca; e outras que devo fazer pelo simples prazer de as gostar de fazer. Nem tudo aquilo que fazemos na vida precisa de ser remunerado. Mas é apenas e só a minha visão, fundamentada naquilo em que acredito e defendo para mim.
  3. Sejam empáticos! Acharem que devem receber dinheiro por partilharem uma opinião a um livro, não tem mal. Porém não julguem os escritores que não podem disponibilizar esse dinheiro e sentem que se estão a aproveitar do seu trabalho. Pensem no esforço de escrever um livro, no trabalho de pesquisa que por vezes exige e nos poucos leitores em Portugal. Ler só deverá ser olhado como um trabalho por quem trabalha nas editoras e aprova ou não livros para publicação. Não comparem com outros países, há coisas que são impossíveis de comparar. Divirtam-se a falar de livros, a fazer projetos sobre livros independentemente do número de seguidores e de likes que consigam. Façam-no, porque vos dá prazer! Façam-no, porque vos permite desligar de realidades mais penosas. Ler é uma excelente terapia para a saúde mental.
  4. Apoiar um(a) escritor(a) nem sempre implica dinheiro. Partilhar o perfil, alertar para as publicações dele, partilhar a publicidade que ele(a) próprio já faz ao seu livro é algo que não nos consome assim tanto tempo. Se não forem os portugueses a olhar pelos livros nacionais, quem os olhará? Os livros de pequenos(as) escritores(as) não são traduzidos para outras línguas, precisam de sobreviver com os leitores de cá. E somos tão poucos.

Não ataquem ninguém com as vossas opiniões. Empatia!! Façam este exercício de se colocarem no lugar do outro. Apesar do dinheiro ser importante, porque todos temos contas para pagar, ele não pode sobrepor-se aos nossos valores morais. Também não podemos esperar ganhar dinheiro à custa do prejuízo dos outros. São apenas as minhas visões e que, monetariamente, não valem nada.

Projeto Conjunto | Empréstimo Surpresa [Os motivos]

15.09.20

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E chegou  a minha vez de fazer o envio. Procurei não pensar muito e escolher um livro para o qual já tinha um desafio pensado.

A minha escolha recaio sobre o livro "Anna e o beijo francês" de Stephanie Perkins.

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O que é que motivou a minha escolha?

  • O facto de já ter um desafio pensado;
  • É uma leitura muito descontraída que espero que agrade à Daniela.
  • É uma forma de quebrar com as leituras mais comuns dela.

Passem no blog da Daniela para conhecer a sua reação à receção deste livro.

Opinião | "Elementos secretos" de Margot Lee Shetterley

14.09.20

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Sabia pouco sobre este livro antes de iniciar a leitura. O engraçado é que, pelo pouco que sabia, estava à espera de encontrar outro tipo de livro. Sendo mais precisa, eu esperava cruzar-me com a mesma história que encontrei. Porém, achava que ela seria apresentada ao leitor de uma forma diferente daquela que foi usada.

"Elementos secretos" é um livro de não ficção que aborda o papel das mulheres negras na área da investigação científica em matemática e engenharia aeroespacial. É um livro que expõe aquilo que aconteceu o lançamento de satélites, a chegada do homem à lua e o desenvolvimento de uma instituição que antecedeu a criação da NASA.

O conteúdo do livro não me desagradou. Aquilo que dificultou a minha leitura foi a forma como estes acontecimentos foram contados. É um livro muito descritivo onde apenas são apresentados factos. Há muitos avanços e recuos temporais e isso, por vezes, deixou-me confusa. 
Ao longo das páginas assistimos à descrição dos acontecimentos de vida de um conjunto de mulheres que marcaram a História. E é a parte Histórica que sobressai nestas páginas.

Foi uma leitura mais lenta, mas bastante interessante. A segregação racial nos EUA é algo muito relatado ao longo dos diversos capítulos e ilustra a dureza da vida para as famílias negras. Apesar da sua inteligência, das suas capacidades as pessoas negras tinham de se esforçar muito mais para conseguir reconhecimento, crescerem social e economicamente e conseguirem ocupar as mesmas posições que as pessoas brancas. Foi triste ler sobre as escolas que segregavam crianças e jovens e, o que mais me revoltou foi ler sobre as diferenças nas práticas de ensino adotadas por cada uma das escolas. 

Apesar de todo este contexto social, um grupo de mulheres conseguiu destacar-se e fazer valer os seus enormes conhecimentos de matemática e engenharia. Estas mulheres conseguiram uma conquista dupla: mulheres capazes de sobressair em áreas reservadas aos homens, e quebra de preconceitos raciais. 

Adorei conhecer a Dorothy, a Mary e a Katherine. Fiquei orgulhosa por saber que conseguiram colocar a sua inteligência ao serviço da investigação. Revoltei-me quando percebi que nem sempre tiveram o merecido reconhecimento. É um livro que evita que se esqueçam os esforços feitos por estas mulheres para fazer valer as suas competências. 

Numa época em que os atos racistas ocupam os noticiários, este livro é um excelente ponto de partida para a realização de discussões saudáveis. É urgente sensibilizarmos a sociedade para a igualdade entre seres humanos. Nunca é demais lembrar que devemos ser iguais nos direitos e nos deveres e que todos merecem ter as mesmas oportunidades independentemente da sua cor de pele, género, nacionalidade...

Classificação

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