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Por detrás das palavras

Por detrás das palavras

30
Set20

Bando lusitano | Livros de Setembro e categoria para Outubro

Setembro foi um mês mais calmo de participações. A categoria deste mês convidava o bando a partilhar livros pequenos capazes de encantar os leitores.

Antes dos livros, quero agradecer à:

💛 Patrícia do blog e canal "O prazer das coisas";
💛 Sassão do blog "Um amigo de fim de tarde".

Apesar de só terem sido feitas recomendações por três pessoas, acho que resultou num conjunto de sugestões bastante interessantes. 

🍀"A lucidez" de Célia Loureiro, "A prisão de gelo" de Ana Ferreira, "Olhar de vidro" de Carina Rosa, "A pianista" de Olinda Gil" e "A ilha desconhecida" de José Saramago.
🍀"Comer e beber" de Filipe Melo com arte de Juan Cavia.
🍀 "Ronda das mil belas em frol" e "Casos do beco das sardinheiras" de Mário de Carvalho

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Para Outubro o desafio é partilharem aquele livro que têm de ler antes de 2020 acabar. Vamos entrar no último trimestre do ano e, se a perceção da velocidade dos dias se mantiver, daqui a nada estamos a cruzar a meia noite do dia 31 de Dezembro.

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Aguardo as vossas sugestões.

22
Set20

Top ten tuesday #64 | Livros para ler no Outono

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Como voltei às listas, vou inseri-las nesta rubrica. 

Antes de apresentar a lista de livros para ler no Outono, quero fazer um balanço da lista de Verão.

Em seguida apresento a lista de livros que me propus a ler e os livros rasurados correspondem aos livros lidos.

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Numa lista de 10 livros consegui ler 8. Os dois que ficaram em falta passam automaticamente para a próxima lista.
Apesar de não ter conseguido ler todos, faço um balanço bastante positivo das leituras feitas.

Agora seguem os livros que quero ler no Outono:

  1. "Lá onde o vento chora", Deliz Owens
  2. "Éramos seis", Maria José Dupré
  3. "Os doentes do Dr. Garcia", Almudena Grandes
  4. "Morder-te o coração", Patrícia Reis
  5. "O homem de giz", C. J. Tudor
  6. "28 dias", David Safier
  7. "Demência", Célia Loueiro
  8. "A rainha perfeitíssima", Paula Veiga
  9. "Não contes a ninguém", Karen Rose
  10. "O cavalheiro inglês", Carla Soares

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22
Set20

Aniversário do blogue

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Parece que foi ontem que decidi criar um blogue para partilhar as emoções que os livros me ofereciam. Há cerca de um ano mudei-me para a plataforma do SAPO e tenho gostado muito da experiência,
Foram muitas as vezes em que as palavras e os livros me salvaram de emoções negativas e tristezas. 
Se já me apeteceu encerrar o blogue? Sim, algumas vezes! Mas há sempre qualquer coisa que me empurra para aqui. Há sempre as palavras da minha amiga Daniela a pairarem na minha cabeça de que o blogue é sempre um propósito para não sucumbirmos aos monstros lançados pela baixa auto-estima. 

Achei que poderia ser engraçado na comemoração dos 9 anos do blogue apresentar 9 factos relacionados com o mesmo.

🌻 A primeira opinião que publiquei no blogue foi ao livro "Cinco dias em Paris" de Danielle Steel. Olhando para aquilo que escrevi na altura, confesso que fico um pouco envergonhada pela baixa qualidade da escrita.

🌻 Fiz a minha primeira leitura conjunta em Julho de 2014 com a Marta do blogue I only have (agora inativo). O livro escolhido foi "A filha do capitão" de José Rodrigues dos Santos. Para além de definirmos número de páginas por um determinado número de dias, enviávamos desafios uma à outra para fazer. Ao clicarem aqui, poderão ver algumas das nossas leituras e desafios que partilhamos.

🌻No blog podem encontrar 8 Tags originais. Umas criadas só por mim e outras em conjunto com a Catarina de um blogue já encerrado. São elas: Ano novo, Árvore de Natal, Inverno de palavras, Sabores de Natal, Os livros smurfados, Presépio em livros, Sete símbolos de Natal e Prendas literárias de Natal.

🌻Em conjunto com a Catarina, em Dezembro de 2013, organizamos a primeira troca de postais na comunidade livrólica e organizamos uma maratona que se repetiu durante 2014, a Maratona Viagens (In)Esperadas. A vida pessoal de cada uma de nós acabou por se intrometer e tivemos que interromper. Em 2015 ainda fizemos uma edição especial.

🌻Em 2014, a Daniela emprestou-me uns livros da estante dela para que ler. Achamos que era algo que poderia funcionar e acabamos por criar o projeto "Empréstimo surpresa". Agora emprestamos livros uma à outra. Os envios são feitos pelos CTT e nunca sabemos o que vem dentro do envelope. Após a leitura há sempre um desafio para fazer.

🌻 Apesar dos diferentes projetos com a Catarina e com a Daniela nunca as conheci pessoalmente. Mas é algo que eu gostaria imenso que acontecesse.

🌻 Desde que criei o blogue já publiquei opinião a 479 livros. A opinião que recebeu mais comentário foi "Nómada" de Stephanie Meyer. 

🌻No último ano, o post com mais visualizações foi "Nas páginas do meu caderno#7". Relativamente à opinião com mais visualizações, o livro vencedor é "História de uma gaivota e de um gato que a ensinou a voar" de Luís Sepúlveda. 

🌻O nome do blogue foi uma inspiração de um título de um livro técnico, "Por detrás do espelho" (Paula Relvas).

Por fim, resta-me agradecer aos leitores e a todas as pessoas que colaboram e colaboraram comigo ao longo destes anos. Cada vez mais acredito no lema "Sozinhos vamos mais depressa, em conjunto vamos mais longe".

Têm alguma curiosidade em especial? Gostariam de me fazer alguma pergunta?
Usem os comentários para perguntar o que quiserem.

21
Set20

Opinião | "Marquesa de Alorna" de Maria João Lopo de Carvalho

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Foi a ler romances históricos que eu percebi o quanto gosto de História. Tive História até ao 9º Ano do ensino básico. Gostava bastante da disciplina e dos conteúdos; mas, afinal, gostava mais do que aquilo que eu pensava. Muitas vezes, após ler um romance deste género, dou por mim a pesquisar mais sobre as pessoas, os acontecimentos e os locais. 

"Marquesa de Alorna" não me levou a pesquisas adicionais porque teve detalhe suficiente para me satisfazer a minha curiosidade. É um livro bastante detalhado, com muitos pormenores históricos e deixa que se conheça em profundidade a vida daquela que se tornou a Marquesa de Alorna.

A narrativa inicia-se em 1755, onde o terramoto do dia 1 de Novembro é usado como referência histórica para a narração dos acontecimentos. Seguem-se muitos outros marcos Históricos, acontecimentos que abalaram Portugal, a Europa e o Brasil e todos eles serviram de apoio à história de vida de Leonor. 

É um livro extremamente bem escrito. Apesar de algumas partes serem mais densas, nunca me senti aborrecida com a leitura. A narração mantém um bom ritmo, sempre com coisas relevantes a acontecer. Os capítulos curtos também ajudaram imenso, deixando a sensação de que a leitura avança de forma bastante fluída.

Leonor, a personagem central, era uma mulher com uma personalidade e espírito único. Ela respirava criatividade, talento, conhecimento... Foi uma mulher à frente do seu tempo. Uma mulher curiosa em relação ao mundo e àquilo que ele tinha para lhe oferecer. Lutou pelo espaço feminino e pelas suas ideias. Sempre defendeu a voz das mulheres e teve a ousadia de se afirmar nas diferentes cortes por onde passou. Uma personagem da nossa História com ideias e lutas que ainda hoje são atuais. Só me aborreci com os seus "achaques", doenças e a forte ligação à religião. Porém, atendendo à contextualização social da época a questão da religião faz sentido. 
Cheguei à conclusão que Leonor tinha um lado um pouco maluco que permitia que ela levasse tudo à frente. Foi apaixonante conhecê-la! A vida dela, as suas paixões, os seus amores e desamores e as suas lutas fascinaram-me e deixaram-me a pensar sobre a coragem que ela precisou para derrubar os preconceitos que imperavam naquela época e nos meios onde ela circulava.

"Marquesa de Alorna" é um livro muito rico, quer no conteúdo quer na forma brilhante com que a narrativa foi conduzida. 
Nunca tinha lido nada de Maria João Lopo de Carvalho. A experiência muito positiva desta leitura deixou em mim a vontade de ler mais obras desta escritora portuguesa.

Classificação

18
Set20

Inquietações #1

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Confiariam numa opinião cujo escritor pagou para a ter?

Ontem, no Instagram, rebentou uma polémica e mostrou o quanto uma rede social se pode tornar tóxica. Passei por diferentes emoções! Comecei por ficar incrédula, cheguei a achar cómico e, no fim, sobrou apenas aquela sensação de que não há empatia.

Para quem desconhece os acontecimentos, faço aqui um breve resumo. A Andreia Ferreira (uma escritora nacional) pediu a uma bookstamgrammer para ler o seu livro e publicar uma opinião no seu espaço online. A bookstamgrammer disse-lhe que o fazia mediante o pagamento de um determinado valor. Isto gerou uma enorme revolta na Andreia.

Eu consigo perceber os dois lados. Nada é exatamente uma coisa ou outra. É tudo muito subjetivo e envolve muito daquilo que é a nossa essência. Apesar de conseguir compreender ambas as partes envolvidas, confesso que fiquei solidária com a Andreia e estou aqui para explicar o meu ponto de vista.

É a minha opinião, que vale o que vale no meio de todas as outras opiniões válidas que foram partilhadas. Opinião, cada um tem a sua e nenhuma deles é certa ou errada. Errada é a forma agressiva e desrespeitosa como muitas vezes expressamos essa mesma opinião.

A publicidade é um serviço. Um serviço pago por empresas para que um determinado produto “encha” os olhos do consumidor e o faça acreditar que é impossível viver sem comprar aquilo. Peço a vossa atenção para um excerto da definição de publicidade que eu retirei da infopédia:

A finalidade da publicidade é despertar, no consumidor, o desejo pela coisa anunciada ou criar e manter o prestígio do anunciante. Para isso, tem como objetivos informar o consumidor sobre o produto, as suas características e os lugares ou as formas de aquisição; aumentar a notoriedade e hipóteses de aquisição; diminuir o esforço de compra, ajudando a tomar uma decisão; e influenciar na decisão de compra.” (https://www.infopedia.pt/$publicidade)

Atendendo ao conceito de publicidade e àquilo que ele implica, até que ponto a opinião de um livro que é paga pelo escritor é sincera? Um escritor pagaria uma opinião correndo o risco de ver um publicidade má ao seu livro?

Coloquei estas perguntas a mim mesma, discuti-as com a minha amiga Daniela e pensei nas implicações que isto poderia gerar. Se já agora existem opiniões das quais eu duvido, se souber que um escritor andou a pagar para as ter eu ainda duvidaria mais.

Atenção, o mesmo pode acontecer sendo uma editora a pagar pela publicidade. Porém, a editora tem uma estrutura financeira que um pequeno autor não tem. Pagar por publicidade aos seus produtos, na minha opinião, é da responsabilidade da empresa. É claro que um escritor também se deve promover e dar a conhecer o seu trabalho, mas ele não tem capacidade económica para pagar a um influenciador. Ele não tem a proteção de uma estrutura empresarial.

Eu procuro ser sempre sincera, mesmo quando os livros me são cedidos pela editora. O que é um facto é que eu não recebo livros sem critério. Sou eu que peço os livros que quero ler e isso acaba por diminuir o risco de me cruzar com um livro que não me interessa ou que não vai ao encontro das minhas preferências.

Há pessoas que consideram que receber um livro de oferta não paga o trabalho que têm a ler um livro, a escrever/grava uma opinião, a tirar uma fotografia… Mais um convite! Vejam este storie da Patrícia Morais:

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Um escritor, ao tomar como opção ceder um manuscrito seu já publicado, está a pagar para ter essa opinião. Para mim, ler um livro não é trabalho. Escrever uma opinião e criar conteúdo, isso sim é trabalho. Demoro cerca de hora e meia a escrever e a prepara um post. Se o livro me foi oferecido e considerando os preços dos livros em Portugal, eu sinto-me remunerada pelo esforço que tive.

Há quem apresente o argumento de que outros produtos pagam pela publicidade. Mas são produtos provenientes de grandes marcas. Instituições que têm robustez económica para dispensar algum dinheiro junto de pessoas com grande influência nas redes. Mas as questões que coloco anteriormente mantêm-se: há sinceridade na publicidade ao produto? Eu não sei muito sobre este tipo de produtos, porque não sou a consumidora que segue tendências ou modas.

Já deixei de acompanhar muitos(as) produtores(as) de conteúdo sobre livros porque me cansa ler/ouvir sinopses. Quando procuro uma opinião a um livro, quero mais do que isso. Quando partilho uma opinião, posso fazer um pequeno resumo da história para contextualizar, mas o resto do espaço gosto de ocupar com as minhas reflexões, as minhas emoções e o que é que funcionou ou não comigo.

Acho que é importante atendermos ao conteúdo dos livros e à subjetividade que mora dentro de cada um deles. Gosto de ler opiniões contrárias às minhas e descobrir novas sensações que aquela leitura provocou. Gosto de discutir os assuntos dos livros que conduzem a reflexões interessantes. E é tão bom quando as coisas se fazem de forma saudável e construtiva.

Já ando neste mundo há algum tempo. Nos inícios, 90% das opiniões que eu partilhava correspondiam a livros que eu requisitava na biblioteca. Depois vieram alguns autores que me foram cedendo livros, comecei a ter algum dinheiro para comprar e só mais tarde arrisquei-me a pedir às editoras. Já perdi a conta à quantidade de escritoras para quem fiz beta reading. Nunca cobrei dinheiro. Aceito de bom grado a oferta do livro que ajudei a construir. Faço-o com a melhor das intenções. Se deveria ser um trabalho pago? Aqui acho que sim. Fazer um bom trabalho como beta Reading é algo exigente. E eu não me limito a ler a história e a apontar pontos fortes ou fracos. Basta falarem com algum dos escritores a quem eu já ajudei para conhecerem a minha forma de trabalhar. Por outro lado, também consigo perceber que nem sempre um escritor tem orçamento para pagar um processo de beta reading. E chego a uma encruzilhada. Deixo-o de o fazer porque o escritor não me pode pagar? Há escritores para os quais já não o consigo fazer, porque sou humana, empática e crio relações e isso afeta a minha capacidade de negócio. 

O post já vai muito longo, mas quero deixar apenas algumas conclusões:

  1. A publicidade é um serviço, quem achar que deve pagar para que um produto seu chegue aos clientes, tudo bem. Depois caberá sempre ao cliente decidir se compra ou não o produto. Nesta sequência de ideias, quem se considera influenciador e acha que deve ganhar com a sua publicade, tudo bem.
  2. Pedir dinheiro a um escritor que nos cede o livro em troca de opinião, caberá ao sentido moral de cada um. Eu não o conseguiria fazer porque me sentiria limitada na minha liberdade de expressão. E, atendendo aos meus valores morais, há coisas que devo fazer esperando uma remuneração em troca; e outras que devo fazer pelo simples prazer de as gostar de fazer. Nem tudo aquilo que fazemos na vida precisa de ser remunerado. Mas é apenas e só a minha visão, fundamentada naquilo em que acredito e defendo para mim.
  3. Sejam empáticos! Acharem que devem receber dinheiro por partilharem uma opinião a um livro, não tem mal. Porém não julguem os escritores que não podem disponibilizar esse dinheiro e sentem que se estão a aproveitar do seu trabalho. Pensem no esforço de escrever um livro, no trabalho de pesquisa que por vezes exige e nos poucos leitores em Portugal. Ler só deverá ser olhado como um trabalho por quem trabalha nas editoras e aprova ou não livros para publicação. Não comparem com outros países, há coisas que são impossíveis de comparar. Divirtam-se a falar de livros, a fazer projetos sobre livros independentemente do número de seguidores e de likes que consigam. Façam-no, porque vos dá prazer! Façam-no, porque vos permite desligar de realidades mais penosas. Ler é uma excelente terapia para a saúde mental.
  4. Apoiar um(a) escritor(a) nem sempre implica dinheiro. Partilhar o perfil, alertar para as publicações dele, partilhar a publicidade que ele(a) próprio já faz ao seu livro é algo que não nos consome assim tanto tempo. Se não forem os portugueses a olhar pelos livros nacionais, quem os olhará? Os livros de pequenos(as) escritores(as) não são traduzidos para outras línguas, precisam de sobreviver com os leitores de cá. E somos tão poucos.

Não ataquem ninguém com as vossas opiniões. Empatia!! Façam este exercício de se colocarem no lugar do outro. Apesar do dinheiro ser importante, porque todos temos contas para pagar, ele não pode sobrepor-se aos nossos valores morais. Também não podemos esperar ganhar dinheiro à custa do prejuízo dos outros. São apenas as minhas visões e que, monetariamente, não valem nada.

15
Set20

Projeto Conjunto | Empréstimo Surpresa [Os motivos]

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E chegou  a minha vez de fazer o envio. Procurei não pensar muito e escolher um livro para o qual já tinha um desafio pensado.

A minha escolha recaio sobre o livro "Anna e o beijo francês" de Stephanie Perkins.

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O que é que motivou a minha escolha?

  • O facto de já ter um desafio pensado;
  • É uma leitura muito descontraída que espero que agrade à Daniela.
  • É uma forma de quebrar com as leituras mais comuns dela.

Passem no blog da Daniela para conhecer a sua reação à receção deste livro.

14
Set20

Opinião | "Elementos secretos" de Margot Lee Shetterley

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Sabia pouco sobre este livro antes de iniciar a leitura. O engraçado é que, pelo pouco que sabia, estava à espera de encontrar outro tipo de livro. Sendo mais precisa, eu esperava cruzar-me com a mesma história que encontrei. Porém, achava que ela seria apresentada ao leitor de uma forma diferente daquela que foi usada.

"Elementos secretos" é um livro de não ficção que aborda o papel das mulheres negras na área da investigação científica em matemática e engenharia aeroespacial. É um livro que expõe aquilo que aconteceu o lançamento de satélites, a chegada do homem à lua e o desenvolvimento de uma instituição que antecedeu a criação da NASA.

O conteúdo do livro não me desagradou. Aquilo que dificultou a minha leitura foi a forma como estes acontecimentos foram contados. É um livro muito descritivo onde apenas são apresentados factos. Há muitos avanços e recuos temporais e isso, por vezes, deixou-me confusa. 
Ao longo das páginas assistimos à descrição dos acontecimentos de vida de um conjunto de mulheres que marcaram a História. E é a parte Histórica que sobressai nestas páginas.

Foi uma leitura mais lenta, mas bastante interessante. A segregação racial nos EUA é algo muito relatado ao longo dos diversos capítulos e ilustra a dureza da vida para as famílias negras. Apesar da sua inteligência, das suas capacidades as pessoas negras tinham de se esforçar muito mais para conseguir reconhecimento, crescerem social e economicamente e conseguirem ocupar as mesmas posições que as pessoas brancas. Foi triste ler sobre as escolas que segregavam crianças e jovens e, o que mais me revoltou foi ler sobre as diferenças nas práticas de ensino adotadas por cada uma das escolas. 

Apesar de todo este contexto social, um grupo de mulheres conseguiu destacar-se e fazer valer os seus enormes conhecimentos de matemática e engenharia. Estas mulheres conseguiram uma conquista dupla: mulheres capazes de sobressair em áreas reservadas aos homens, e quebra de preconceitos raciais. 

Adorei conhecer a Dorothy, a Mary e a Katherine. Fiquei orgulhosa por saber que conseguiram colocar a sua inteligência ao serviço da investigação. Revoltei-me quando percebi que nem sempre tiveram o merecido reconhecimento. É um livro que evita que se esqueçam os esforços feitos por estas mulheres para fazer valer as suas competências. 

Numa época em que os atos racistas ocupam os noticiários, este livro é um excelente ponto de partida para a realização de discussões saudáveis. É urgente sensibilizarmos a sociedade para a igualdade entre seres humanos. Nunca é demais lembrar que devemos ser iguais nos direitos e nos deveres e que todos merecem ter as mesmas oportunidades independentemente da sua cor de pele, género, nacionalidade...

Classificação

11
Set20

Nas páginas do meu caderno # 10

A Elisabete suspendeu os desafios e eu decidi voltas às cartas.

Carta para alguém da tua infância 

Olá Celina,

És, provavelmente, a última pessoa a quem eu pensaria escreve uma carta. Porém, agora, adulta, consegui perceber que as palavras possuem uma enorme capacidade de cura e eu quero curar-me do horror que me causaste.

Não sei como és agora, mas naquela altura fizeste-me sentir que a escola é uma selva onde ou matas, ou morres. Eu não matei, mas morri nas tuas mãos. Felizmente, não foi uma morte definitiva. Foi mais uma espécie de morte psicológica. Tiraste-me a alegria, a companhia e a capacidade de confiar nos outros.

De cada vez que, sentada atrás de mim nas aulas, me chamavas cabra, vaca, puta e sei lá mais o quê, pois apesar de má aluna a português tinhas um léxico malvado profundamente elaborado; um pedaço de mim morria e queria enterrar a cabeça, esconder-me do mundo. De todas as vezes que me excluías das brincadeiras, roubaste-me a capacidade de saborear as amizades da infância. De todas as vezes que manipulaste toda a gente de maneira a deixares que eu fosse almoçar sozinha à cantina, permitiste-me aprender que, por vezes, estar sozinha era sinónimo de sossego e libertação.

Doeu quando nenhum adulto da escola reconheceu o meu problema. Doeu ouvir a diretora de turma dizer à minha mãe que “afinal de contas, eram apenas coisas de raparigas”. Sentia-me tão impotente! E nem aquela espera à porta dos balneários de educação física, onde tu e as tuas seguidoras me encurralam contra a parede e me ofenderam ao ponto de eu desmaiar e perder os sentidos, foi suficiente para abrir os olhos dos adultos que continuaram a achar que era tudo coisas de miúdos.

Podia ter seguido o caminho mais fácil. Podia ter mudado de escola para deixar de te encarar. Para deixar de ter que ver o teu sorrisinho estúpido e de quem conquistava o poder no recreio da escola. Deixava de assistir aos desfiles pela escola fora como se só tu fosses a rainha lá do sítio. Mas decidi ficar e enfrentar-te. Comecei a responder aos teus ataques. Na minha cabeça imaginava que te espancava de todas as maneiras possíveis e isso ajudou a ignorar-te em algumas alturas.

Aos poucos foste-me deixando em paz. Talvez porque a tua atitude para comigo não provocou alterações nas minhas notas. Talvez porque, com o tempo, deixei de me mostrar frágil aos teus olhos. Chorei muito em casa! Chorei muito na casa de banho da escola! Chorei pela solidão para onde me atiravas todos os dias.

Hoje, para mim, é fácil reconhecer os sinais de abuso psicológico nas crianças. É fácil, para mim, descobrir as vítimas na selva que pode ser o meio escolar e, só por isso, sou-te grata. Tem facilitado imenso o meu trabalho enquanto profissional. É tão bom fortalecer estes miúdos e miúdas. É gratificante ver que é possível transformar o espaço da escola num lugar mais pacífico.

Quanto a mim, as feridas estão curadas. Hoje, com esta carta, encerro o meu processo de cura e libertação. Posso ser uma pessoa solitária, com tendência para os silêncios, mas aceito que é parte de mim. E, as poucas pessoas que vou deixando entrar na minha vida, aceitam-me, respeitam-me e gostam de mim assim. E essas pessoas foram-me ensinando a confiar e mostram-me que é a amizade pode ser um lugar muito bonito.

Estou livre! Se um dia passar por ti na rua, acho que até sou capaz de te oferecer um sorriso sincero.

Sê feliz, Celina!
Sara

O desafio para vocês, leitores deste humilde espaço, é tentar perceber se isto é ficção ou realidade. Gostava de saber a vossa opinião.

09
Set20

TAG | Escritores

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Vi esta Tag na página de instagram da @estantedelivros8. Gostei e achei que seria um boa publicação aqui para o blog.

🖊️Um escritor que te iniciou no mundo da leitura
Maria Teresa Maia Gonzalez, escritora responsável pela minha primeira leitura compulsiva.
Sophia de Mello Breyner Andersen, a escritora responsável pelos meus livros infantis preferidos.

🖊️Um escritor que te ganhou de volta e um que te perdeu para sempre
Ganhou de volta: Carla M. Soares, "Limões na Madrugada" não me arrebatou. Depois li "O ano da dançarina" e delirei com a leitura.
Que te perdeu para sempre: Margarida Rebelo Pinto, depois de ler alguns livros dela na adolescência não restou nenhuma vontade de voltar a pegar num livro dela. 

🖊️Um escritor português
Identificar só um é crueldade... Gosto muito dos livros da Célia Loureiro, da Andreia Ferreira, da Carina Rosa, Tiago Rebelo, José Rodrigues dos Santos, José Saramago...

🖊️Um escritor "zona de conforto"
Lesley Pearse, Deborah Smith e Dorothy Koomson são aquelas escritoras que raramente me desiludem. 

🖊️Um escritor que você traria de volta do mundo dos mortos
Carlos Ruiz Zafón, não teve tempo de escrever histórias em número suficiente.
Florbela Espanca, para receber um merecido reconhecimento em vida.

08
Set20

Opinião | "A filha do comunista" de Aroa Moreno Durán

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Comecei esta leitura com baixas expetativas. Não vos consigo explicar os motivos. Era como se cá dentro achasse que não iria conseguir amar esta história e as suas personagens. Mas sabem o que é que aconteceu? Estas 132 páginas quebraram todos os preconceitos que alimentei antes de começar a ler.

A ação central do livro decorre durante a Guerra Fria. As personagens de Aroa movimentam-se numa cidade divida pelo muro, Berlim. O muro separa dois lados com condições sociais diferentes, com oportunidades diferentes, com visões políticas diferentes e com esperanças no futuro distintas... Mas, acima de tudo, separa vidas e pessoas. Katia e a família vivem no lado ocupado pelas forças da URSS. O seu pai, um homem embrenhado na política, tem um enorme amor pelas filhas e pela esposa. Contudo, o destino, ou um nova forma de amor, trocou as voltas de Katia. Ela transpõem o muro físico, mas os muros psicológicos que cresceram à sua volta acabam por atraiçoá-la e transformam-se numa angústia que ela vai internalizando. 

O muro físico limitava a movimentação das pessoas, mas os muros psicológicos de Katia dificultaram mais a sua vida, trouxeram-lhe uma expressão de sofrimento que ela desconhecia. 
Estes muros psicológicos fizeram-me refletir muito. Refleti sobre as escolhas da Katia, sobre a provações com que ela se viu confrontada. Sofri um pouco com ela e e com a sua ingenuidade, a mesma que a levou a escolhas impulsivas. Pensei, também, sobre os meus próprios "muros" e nas limitações que eles me trazem. 

A escrita de Aroa é singular. Uma bela narração, por vezes quase poética, onde os diálogos se misturam no texto. É uma particularidade que comecei por estranhar, mas que depois aceitei bem e a leitura fluiu em mim. É engraçado que esta escolha da escritora ofereceu um tom mais intimista à história. É como se os acontecimentos se desenrolassem à minha frente e eu estava inserida na cena como mera espetadora. 

É um livro com uma história extremamente reflexiva. É aquilo que eu chamo de livro interior, porque a narrativa me empurrou mais para o interior das personagens do que para a ação da história. Neste livro, o mundo interior da Katia, dos seus pais, da sua irmã, do homem que roubou o coração da Katia sobressaiu aos meus olhos. Os acontecimentos eram os elementos essenciais para o desencadear das minhas reflexões e das minhas preocupações em perceber o que desassossegava e inquietava cada uma das personagens. 

O final chega depressa e com ele chega um desenlace duro para Katia. Ao fim de muitos o muro físico desaparece e desencadeia uma demolição dolorosa dos muros psicológicos. Estas últimas páginas foram duras para mim. Esperava algumas coisas, outras foram uma verdadeira surpresa e foram o reflexo da intensidade emocional que acompanhou toda a narrativa. 

Dá para perceber que eu gostei muito do livro. Só não consigo dar uma classificação superior porque senti falta de uma maior contextualização socioeconómica e política e de um final um pouco mais pormenorizado. 
Fiquei um pouco obcecada com a contextualização social e política que marcaram a República Federal Alemã e tudo o que envolveu a Guerra Fria. Na minha memória existia apenas o acontecimento da queda do muro de Berlim. Tudo o que antecedeu a construção deste muro e aquilo que levou à sua queda eram lugares desconhecidos para mim. Peguei nos meus antigos livros de História do ensino básico e fui à procura de mais informação. Muito pouco aparece nos livros! Lá me resignei a procurar online. 
É tão bom encontrar livros que nos provocam sede de conhecimento.  

Classificação

Nota: Este livro foi-me disponibilizado pela Porto Editora em troca de uma opinião honesta.

05
Set20

Bando lusitano | 100 páginas

A qualidade de um livro é determinada pelo número de páginas que o mesmo contém?

Há histórias difíceis de condensar em poucas páginas. Porém, existem aquelas que, apesar de nos serem contadas em poucas páginas, são bonitas e oferecem um excelente momento de leitura. São, também, boas opções para conhecermos o estilo de alguns autores e decidir se queremos investir em obras mais extensas. 

Assim, conhecem o site Smashwords?
Sabiam que neste site existem alguns contos publicados por autores portugueses, cujo download é gratuito?

É verdade, neste site podem descobrir bons contos, para leituras mais rápidas.

Eu escolhi quatro contos que podem baixar gratuitamente neste site e que eu recomendo.

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  1. "Piano surdo" de Olinda Gil: Um conto dramático que nos conta a história de uma pianista que fica surda. Está bem estruturado e com uma intensidade emocional muito real. 
  2. "Prisão de gelo" de Adeselna Ferreira: Este conto é um convite à reflexão sobre a homossexualidade e forma como a sociedade olha para ela. 
  3. "Olhos de vidro" de Carina Rosa: Neste conto, Amanda vive entre a lucidez e a loucura. Há um jogo psicológico muito bem construído, dramático e capaz de envolver o leitor. 
  4. "A lucidez" de Célia Loureiro: É mais um dos bons trabalhos da Célia e que mostra a qualidade da sua escrita. É uma história de uma mulher que se apaixona por um homem mais novo e de um estrato social diferente. Como está na sinopse no Goodreads é "uma tentativa de emancipação por uma mulher de meios durante a I República".

Quero deixar mais uma sugestão:

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"O conto da ilha desconhecida" de José Saramago: Este conto é especial porque marca a minha estreia com José Saramago. Numa escrita sensível, o autor fala-nos sobre a busca de um sonho, a importância de acreditarmos em nós e a ousadia humana em abraçar o desconhecido.

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