Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Por detrás das palavras

Por detrás das palavras

31
Mai21

52 perguntas | 22 # o meu percurso escolar

school-3518726_1920.jpg

Imagem by Darkmoon

O meu percurso escolar oferece, em simultâneo, memórias boas e dolorosas. Fui, aquilo que hoje se denomina, uma aluna condicionada. Entrei na escola sem os seis anos feitos. Entrei na escola sem conhecer nada do universo escolar, retirando a parte dos conteúdos (já conhecia as letras, os números e fazia pequenos cálculos). Nunca andei numa creche, numa frequentei o ensino pré-escolar. 

A parte mais complicada da escola foram as relações. Sempre tive dificuldade em encontrar pessoas com as quais me identificasse. Introvertida, metida na concha! Imaginam o terror? Fui alvo de alguns comentários desagradáveis, fui alvo de comportamentos que me deixaram desconfortável e acabei por focar toda a minha energia no desempenho escolar. E fui andando. Passando de ano, sempre com boas notas, prémios de mérito, KitKats oferecidos pela professora de Português do 6º ano por cada muito bom (sim, colecionei alguns chocolates)... A minha única negativa na pauta foi no 7º ano, à disciplina de Educação Física. Sempre fui muito descoordenada. Odiava as aulas de ginástica (tinha sempre um medo enorme de partir o pescoço naqueles saltos e cambalhotas intermináveis.
Em termos de relações, o melhor ano foi o 9º. Fiz bons amigos nesse ano. Não ficaram, como não ficou nenhum dos outros, mas deixaram boas lembranças e a sensação de que era capaz de me relacionar de forma significativa com outras pessoas. No final deste ano, ganhei um pequeno troféu de "Melhor aluna" da escola e que eu guardo com muito orgulho. 

O secundário representa a minha primeira grande travessia no deserto da vida. Foram anos horríveis para mim. Foi aqui que eu senti o peso da solidão, o peso de não partilhar nada ou quase nada com as pessoas com quem dividia a sala de aula. Foram anos muito duros, de muito choro. Ficou-me uma aprendizagem: não preciso de ninguém para fazer o meu percurso. Acho que o impacto foi mais complicado por causa das boas relações que construi no último ano do ensino básico. Caso contrário, acho que não me teria sentido tão perdida. Foram muitas mudanças para assimilar. 

Não tenho relações de amizade desta minha etapa do percurso escolar. Tenho conhecidos. Pessoas por quem passo e que vou falando, mais nada. Há coisas que são mesmo assim, não há forma de controlar. Felizmente, o percurso alinhou-se e outras pessoas entraram na vida numa fase posterior, que será descrita na próxima semana.

29
Mai21

Opinião | "Se esta rua falasse" de James Baldwin

P_20210406_092259.jpg

Já me tinha cruzado com opiniões muito boas a este livro. Por isso, andava com uma enorme curiosidade de conhecer a escrita de Baldwin e a história que ele se propunha a contar. Após a leitura, posso dizer que o balanço é muito positivo e ficou a vontade de conhecer mais obras do escritor. 

Se esta rua falasse guarda uma história onde a luta pela liberdade assume um papel fundamental ao longo do livro. É mais do que a liberdade que se adquire ao sair da prisão, é a liberdade para ser. É a história de um grupo de pessoas que luta para se sentir livre para ser. Fonny e Tish só queriam ser eles próprios, viver o amor que os unia e não incomodar ninguém. 

O racismo, o preconceito e xenofobia ganham terreno nesta história e condenam a liberdade de Fonny e Tish. Foram impedidos de viverem num meio onde a cor da pele era um fator a ter em consideração no trabalho da polícia.
A leveza da escrita e a sensibilidade que Baldwin oferece à sua obra funcionam como um balsamo para a dureza daquilo que ele escolhe contar. É duro ver o desespero da Tish. É revoltante ver a injustiça oferecida de forma deliberada a Fonny.
Cada página de um presente no passado, reflete a atualidade. A intolerância, a insegurança e a forma fácil como se decide tecer um julgamento tendo por base ódios pessoais sem qualquer fundamento são demasiado reais e demasiado atuais. É angustiante perceber que o lado mais negro do ser humano não sofreu grandes alterações ao longo do tempo. Este livro é ideal para se refletir e discutir sobre violência, descriminação, luta pela liberdade e resiliência.

Enquanto deambulei pelo sofrimento atual deste jovem casal, esta história ainda me ofereceu o lado negro da infância de Fonny. Apesar de todas as dificuldades que a vida lhe foi impondo, a resiliência deste jovem é verdadeiramente inspiradora. 

É um livro cheio de conteúdo apesar de ter um pouco menos de 200 páginas. A minha leitura foi lenta; não porque não tivesse vontade de ler, mas sim porque a minha vida anda a intrometer-se nas minhas leituras. A minha disponibilidade mental para ler não tem sido muita e por isso leio menos e mais devagar. Por um lado é chato arrastar as leituras ao longo de vários dias (muitas vezes semanas), por outro permite-me absorver as coisas de forma mais consistente. Senti muito isto com Se esta rua falasse. A leitura mais lenta permitiu absorver melhor estes conteúdos e permitiu-me pensar sobre eles. 

Classificação

 

26
Mai21

Vale a pena ler # 3 | "As últimas linhas destas mãos" de Susana Amaro Velho

1.jpg

Há livros que nunca me canso de recomendar. Há livros que por alguma razão nos marcam de forma especial. O eleito para este segundo "Vale a pena ler" foi uma excelente surpresa nacional. Não estava à espera de gostar tanto. A delicadeza da escrita e a densidade emocional da história conquistaram-me de forma absoluta.
 

2.jpg

👉 Já leste? Partilha comigo a tua experiência de leitura.

👉 Não leste? Deixei-te com vontade de ler?
 
Podem ler uma opinião completa a este livro no blog. Basta seguirem aqui. 
25
Mai21

52 perguntas | 21 # Qual o conselho que preciso de dar a mim mesma?

grille-2369001_1920.jpgAutora da fotografia: yaftia 

Liberta-te dos pensamentos ruminantes sobre quem não está na tua vida.
Liberta-te do sentimento de culpa pelos afastamentos que te trouxeram saúde mental.
Liberta-te das grades que sempre gostaram de te impor na vida. Hoje és outra pessoa, uma pessoa que pode lutar pelo que quer. Uma pessoa que atravessa os desertos da vida com a energia suficiente para não sucumbir. 

 

 

 

25
Mai21

52 perguntas | 20 # Algo inspirador na 11ª imagem do telemóvel

P_20180626_114303.jpg

Esta é a 11ª imagem que reside nos ficheiros do meu telemóvel: Bolo formigueiro com cobertura de chocolate de avelãs. 
Para mim, fazer doces é inspirador e relaxante. Sou pessoas de doces.
Há muito tempo que não faço este bolo em particular. É um bolo mais pesado, o que não combina com dias mais quentes. Será uma boa opção para o outono. Talvez o faça nessa altura. 

 

24
Mai21

52 perguntas | 19# uma carta para alguém

Tenho esta rubrica muito, muito atrasada. Hoje e amanhã vou tentar sintonizar-me com as partilhas para não deixar acumular mais. 

Cartas... Eu adoro escrever cartas. As palavras enchem-se de emoções e coisas positivas. Quem as recebe é sempre inundado de qualquer coisa mágica. Cá vai a minha carta. Já sabes, o desafio é dizeres-me se é real ou ficção. 

 

Querido D.,

É a primeira carta que te escrevo. Nunca me atrevi a materializar em palavras tudo aquilo que representaste para mim. Foste o primeiro amigo e único amigo do sexo masculino que fiz ao longo de toda a minha vida. Talvez queira dizer alguma coisa. Talvez signifique que havia algo superior que nos unia. 
Em tempos, olhei para ti como representando um pouco mais. Sentia-me sempre muito feliz contigo. Fazias-me rir, ouvias-me com uma dedicação que poucos faziam. Foste o meu porto seguro, o meu par numa dança desastrada (era e sou demasiado pé de chumbo), o meu parceiro nas cenas mais nerd. 
A vida meteu-se pelo meio. E o amor romântico que pensava sentir transformou-se numa espécie de amizade nostálgica. Perdi-te no tempo, mas não te perdeste na minha memória. Continuas vivo nas minhas lembranças mais felizes daqueles tempos. E essas lembranças fazem-me sorrir.
Não sei onde estas, o que fazes, se tens alguém. Só espero que estejas a feliz, a viver da forma livre que sempre me ensinaste. Espero que tenhas pessoas que te amem e te respeitem. Que te abracem nas horas tristes e te apertem euforicamente nas horas felizes.
Será sempre uma doce lembrança, de um tempo passado que não
volta.

Beijinhos,

21
Mai21

Opinião | "O que o sol faz com as flores" de Rupi Kaur

Untitled design (1).jpg

Há qualquer coisa na poesia que sempre me apaixonou. Não sei se pelas reflexões que lhe estão subjacentes, se pelos mundo interiores que cabem dentro daqueles versos. Só sei que gosto de ler poesia e leio muito menos do que aquela que gostaria. 

Já me tinha cruzado com muitos poemas da Rupi Kaur na internet. Tudo o que lia deixava em mim a vontade de conhecer mais da obra. 
O que o sol está com as flores foi a minha estreia com a escritora. Adorei o livro! Adorei a forma como a Rupi vai desenhando palavras que refletem uma enorme complexidade emocional. 
É uma poesia moderna que liga a condição humana, as relações, as mudanças, as culturas e o universo feminino. 

Cada poesia tem uma mensagem única, mas todas elas contribuem para um coletivo maior. Oferecem uma dimensionalidade superior das temáticas que convidam a uma reflexão global do que se vai lendo.

O que pode ser mais forte
do que o coração humano
que se parte em tantas partes
e ainda bate

Li o livro na versão de português do Brasil, mas fiquei com muita vontade de ler a versão original em inglês e a versão em português de Portugal. Será uma autora que manterei debaixo de olho e de quem pretendo ler os livros todos dela. Fiquei mesmo apaixonada pela forma como ela encaixa as palavras e nos conta grandes histórias com poucas palavras.

Classificação

19
Mai21

Inquietações # 6 | Vais à biblioteca?

Inquietação literária # 1 (1).jpg

👉 Vais à biblioteca?

👉 O que te motiva a frequentar bibliotecas?

Falar de bibliotecas é um tema frequente aqui pelo meu espaço. São lugares de referência para mim, lugares onde sou incapaz de deixar de ir mesmo tendo muitos livros em casa. 
Vou pelas memórias, pela possibilidade de escolher livros e arriscar nessas escolhas, vou porque não quero que as bibliotecas morram. 

Vejo muitas pessoas a incentivarem a compra de livros. Sei que é importante que se comprem livros. Os autores e as editoras dependem dessas compras. Porém, será saudável estarmos a focar o nosso discurso e a nossa influência na compra de livros? Como é que se sentirão as pessoas com pouco orçamento a cruzarem-se com mensagens a incentivar à compra? 
Os meus pais não me compravam livros. Foi a biblioteca que me permitiu ler. Andei anos com um orçamento muito limitado. O que é que salvou o meu interesse pela leitura? A biblioteca!! Felizmente, sempre me cruzei com contas e pessoas que frequentavam bibliotecas e partilhavam as suas experiências. Como também sou muito racional, a pressão para a compra de livros sempre me passou um pouco ao lado. Sou muito ponderada nas compras e analiso bem a minha disponibilidade financeira. Se não posso comprar, paciência. Consigo continuar a ler porque a biblioteca assim mo permite. 

O que é que acontece se deixares de frequentar a biblioteca? Não renovam o seu catálogo. Se não existirem leitores, deixam de adquirir livros. Se os leitores abandonaram as bibliotecas elas morrem. E as bibliotecas são, para mim, símbolo de liberdade e de empoderamento. E não quero que isso aconteça. 

Não posso terminar este post sem manifestar o meu carinho e admiração pela Liliana e ao seu ativismo relativamente às bibliotecas. Tenho a certeza que as doações dela, a visibilidade que ela dá às bibliotecas deste país ajudam a mantê-las vivas e livres. Obrigada, Liliana!

👉 Tens alguma história que te ligue a uma biblioteca?

18
Mai21

Abril | Quem chegou?

Sim, estamos quase no final do mês de maio! Sim, o trabalho não me tem dado tréguas! Por isso, o blogue anda a ritmo lento. Mas venho sempre a tempo de mostrar os livros que me chegaram às mãos.

TROCA
Como já te deves ter apercebido sou muito fã de trocas. Se os livros já não têm vida em mim, poderão ganhá-la através de outras mãos. Por isso, liberto os livros que já não fazem sentido permanecer na minha estante e deixo espaço para receber outros. Assim, este mês recebi "Onde cantam os grilos" de Maria Isaac e "Uma casa na Irlanda" de Maeve Binchy. 

1.jpg

EMPRÉSTIMO SURPRESA
Recebi um livro diretamente da estante da Daniela para o nosso empréstimo surpresa. O eleito foi "Chama-me pelo teu nome" de André Aciman. É a minha leitura atual e ainda não tenho grande opinião sobre a minha relação com esta leitura.

1.jpg

OFERTA EDITORA
Gentilmente cedido pela TopSeller recebi o livro "Duquesa do meu coração" de Maya Banks. Ando desesperada por uma leitura ligeira e com muito amor à mistura. Será que irei encontrar estes ingredientes neste livro?

1.jpg

COMPRA
Atendendo às minhas necessidades anteriormente descritas, acabei por fazer uma compra em segunda mão do livro "Sete guardanapos" de Zara Raheem. Sim, o título é verdadeiramente infeliz. O título original é bastante mais apelativo "The marriage clock". Cá estarei para o ler e verificar quais os motivos por detrás da escolha deste título.

1.jpg

Curioso(a) com algum destes livros? Qual e porquê?

14
Mai21

Opinião | "Acredita: a vida sabe o que faz" de Júlia Domingues

Untitled design.jpg

Este não é um tipo de livro que eu opte por comprar. A verdade é que não vai muito ao encontro dos meus interesses. Porém, a A., a minha "estágiamiga" decidiu oferecer-mo de presente. Ela foi conquistada pelo livro e pela sinopse; eu comecei a leitura com alguma reserva. 

O livro reúne um conjunto de texto soltos que abordam o desenvolvimento pessoal e a importância de acreditarmos nas nossas capacidades. No fundo, são textos motivacionais. 

São textos agradáveis de ler, mas não me tocaram de forma particularmente especial. Acho que não têm a profundidade suficiente para me levar a reflexões. Eu procuro sempre coisas mais complexas. Um livro de ficção, com uma boa história (drama, romance, thriller), por vezes, tem uma maior capacidade de me colocar a pensar nos assuntos a refletir na minha vida. No fundo, passei pelas páginas desde livro de forma um pouco leviana. 

Talvez seja um bom livro para quem se está a iniciar na leitura, para quem procura textos soltos que abordem a resiliência humana e a capacidade que pode viver em cada um de nós.  

Classificação

13
Mai21

TAG | Coffee booktag

TAG.jpg

Sim, este blogue já teve dias mais ativos! Porém, o dever sobrepõem-se ao lazer. Tenho tido dias intensos no trabalho o que me deixa menos disponibilidade mental para ler e para escrever. Contudo, há que sacudir a poeira e voltar a lugares que me fazem bem. E cá estou! De forma a me facilitar a vida trago uma tag. Já há muito tempo que não respondia a nenhuma e decidi que hoje era um bom dia para as trazer de volta ao blog.

Vi esta tag no blog Literatura presente, gostei e trouxe-a para aqui.
Não sendo uma grande apreciadora de café (sou team chá), tal não me impediu de achar piada às categorias.

Café expresso – um livro que leste muito rápido:
"Verity" de Colleen Hoover foi devorado em cerca de três dias. A autora soube usar as palavras, adensar o mistério e escurecer a história com uma mestria que não oferece indiferença ao leitor.

Café longo – o maior livro que já leste:
Eu sou fã de calhamaços. Quando tenho mais tempo disponível para ler, pegar num livro longo permite-me uma conexão mais especial com a história. Segundo o Goodreads, o livro mais longo que li foi "Nómada" de Stephanie Meyer (836 páginas).

Chafé – um livro que tinha tudo para ser excelente, mas não foi:
"Lá, onde o vento chora" de Delia Owens. É um livro amado por grande parte dos leitores. Fui em busca de uma conexão que não consegui ter. Acho que essa frustração de não me conseguir conectar da mesma forma que os outros leitores atrapalhou a minha experiência de leitura. A escrita é bonita, o drama é um dos meus géneros preferidos; contudo, senti falta da conexão especial que os outros conseguiram.

Chococino – Um livro que indicas para toda a gente: 
"O funeral da nossa mãe" da Célia Loureiro. Sei que muitos leitores preferiram o "Demência", no meu caso "O funeral da nossa mãe" foi aquele que mais me tocou. Fiquei muito feliz pela Célia ter decidido reeditar o seu livro.

Descafeinado – um casal sem química:
É engrado, mas nos livros não me consigo de lembrar de nenhum. Se for à categoria cinema, a tarefa torna-se mais fácil. 

Café com leite – um género que não te cansas de ler:
Thrillers e policiais. Acho que são daqueles livros que podem oferecer coisas diferentes e com intensidades diferentes. Por esta razão, não me cansam nem aborrecem.

Pág. 1/2