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Por detrás das palavras

Aventuras-te a escrever ? | Vive

A Elisabete e a Vera voltaram a lançar um desafio de escrita no Instagram. Participei no anterior e não queria faltar neste. 
No outro desafio, tínhamos de construir a história a partir de um início pré-definido. Desta vez, é o final que guia a construção da história.

Segue aqui a minha. Espero que gostes. 
Não sei se a Elisabete e Vera vão deixar os links para as histórias de outras participantes, se os deixarem eu partilharei no próximo post.

FAQ - Rio Asa Delta

Foto retirada daqui

— Tenho aqui a tua prenda de aniversário.

Luís sorria enquanto estendia o envelope a uma Martina ligeiramente desconfiada.

— Este ano a prenda vem dentro de um envelope? – Martina remexia o envelope branco nas mãos, faltava-lhe a coragem para o abrir. – Tenho sempre medo das tuas prendas.

– Não tenhas, querida! – Luís puxou uma cadeira e sentou-se para que o seu olhar ficasse ao nível do da sua amada. – Acho que precisas de algo que te faça sentir viva.

O rosto de Martina ficou tingido de uma tristeza e uma nostalgia que a fizeram baixar o rosto. Martina e Luís viviam das suas viagens, das suas caminhadas. Eram parceiros no amor e nas aventuras desta vida. Há dois anos, um acidente de viação mudou-lhes a vida. Martina ficou paraplégica e tentou empurrar o Luís para fora da relação. Ele resistiu aos ataques dela e escolheu viver um amor igual numa condição diferente.

Adaptaram-se às novas circunstâncias e eram felizes. Martina ainda tinha os seus lugares sombrios, mas Luís não permitia que ela estivesse lá durante muito tempo.

Luís levantou-lhe o rosto:

— Hei! Ainda nem abriste esse envelope e já estás a duvidar da minha capacidade de te proporcionar uma boa aventura?

Martina sorriu e acariciou-lhe o rosto como se aquele gesto transportasse todo o amor que lhe tinha.

— Tu fazes-me sentir viva!

— Ótimo! Então abre lá o envelope e vê o que andei a magicar.

Ela abriu o envelope, sempre com a desconfiança a guiar-lhe os gestos finos. Tirou de lá de dentro um convite e dois bilhetes de avião. Leu-o com atenção e, no fim, foi incapaz de conter a gargalhada.

— Bem… Pelo menos já te arranquei uma boa gargalhada!

— Luís… Luís… Salto de Asa Delta? – Luís acenava com a cabeça. – No Rio de Janeiro? Tu estás ciente de toda a logística que eu agora exijo?

— Logística? Que logística? Agora até é mais fácil! – Ela ria perante a seriedade com que o marido tecia as suas razões. –  Não vou precisar de te transportar ao colo após queixumes acerca de uma dor de pernas depois de um bom tempo a caminhar. Não tenho de passar horas a convencer-te a entrar numa lagoa, a dar o salto, a fazer algo do qual sintas algum medo, porque basta pegar em ti e ir.

Martina deu uma palmada no ombro de Luís e este fingiu uma dor. Desenhando com os seus lábios um au! inaudível. 

— Eu não sou assim! Acompanho-te sempre nas tuas aventuras. Agora estás a ser cruel.

Luís beijou-lhe a ponta do nariz.

— Querida, está tranquila. Está tudo programada ao milímetro. Tenho a certeza de que vais adorar.

 

Meses mais tarde…

O Rio de Janeiro tinha uma luz especial. Estavam no terceiro dia de uma viagem memorável. Era a primeira viagem que faziam depois do acidente. Mas Luís tinha razão, tudo estava preparado para que ela não sentisse que a cadeira de rodas fosse uma limitação à sua experiência.

Este era, também, o dia do salto de asa delta a partir da Rampa de São Conrado. Martina e Luís receberam informação e formação para que tudo decorresse de forma segura. Por uma questão de segurança, não iriam fazer o salto juntos. 

Martina foi a primeira a saltar. Daquele penhasco, Luís conseguiu ver o entusiasmo da sua esposa. De certeza que estava a olhar estarrecida para o verde que envolvia a cidade e abria espaço para a praia de areia dourara. Ali estava ela a sentir aquele vento especial no rosto e a sentir-se viva, tal como ele prometera. Só isto, já o deixava feliz.

Agora era a vez dele de conhecer a sensação de voar sobre aquela paisagem magnífica. E, com o reflexo da linha azul do horizonte nos olhos, atirou-se do penhasco. ­

Opinião | "Chama-me pelo teu nome" de André Aciman

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A maioria das pessoas não consegue evitar viver como se tivesse duas vidas, uma é a maquete, a outra, a versão finalizada, e depois uma série de versões pelo meio.

Esta é uma frase que surge na última parte do livro e que, para mim, é um espelho real de Elio e Oliver. Estas duas personagens tiveram o dom de me encher o coração de amor, de revolta e, em certos momentos, raiva. Foram tantos os sentimentos que nem sei muito bem por onde começar a expor a minha opinião e vivência com este livro.

Talvez comece por falar na importância de termos mais livros que abordem de forma tão genuína a homossexualidade. São livros importantes para que jovens homossexuais possam encontrar modelos com os quais se identifiquem; e para que outros jovens não homossexuais quebrem preconceitos e ideias erradas sobre aquilo que é a homossexualidade, ou seja, para que a olhem como sendo unicamente como uma expressão de uma amor. Foi isto que o Elio e o Oliver me ofereceram: uma visão do amor que os uniu. 
Atendendo a estas características, acho que é um excelente livro para levar para as aulas e desenvolver partilhas e discussões ricas e capazes de partir com os preconceitos.

A história apresenta-nos diferentes fases. Confesso que as que mais gostei foram a primeira e a última. Senti que as duas partes intermédias sexualizaram muito uma relação que ia além da expressão física do amor que uniu Elio  a Oliver. Aqui senti falta de outras descobertas, de ver a construção de laços que explicam a ligação bonita que emergiu nas últimas páginas do livro. 
Ao longo do livro desesperei muito com o Oliver. Talvez por ser mais velho, talvez por não ser tão impulsivo, assumiu uma postura mais contida e, por vezes, um pouco fria e altiva em relação a Elio. Isto deixava-me com raiva, zangada! Tínhamos ali um Elio sedento de afeto, ainda adolescente, a dar os sinais que conseguia e do outro lado vinha a indiferença. Sim, poderia ser um mecanismo de defesa de Oliver. Poderia ser uma forma mais contida de Oliver agir. E claro, o livro é narrado na perspetiva do Elio. Nunca saberei verdadeiramente o que pairava na mente e no coração de Oliver. Por pensar nisto, acho que seria bem interessante um livro escrito na perspetiva de Oliver. 

As últimas páginas são fenomenais. Toda a escrita de Aciman é delicada e cheia de possibilidades interpretativas, mas são as últimas páginas que mais me refletiram esse talento. São momentos mais introspetivos, mais reveladores daquilo que a essência de Elio e Oliver. A beleza vem acompanhada de algumas sensações dolorosas e isso remete-me para a citação que escolhi para iniciar esta minha opinião. Tudo que lemos no final deste livro é um convite aberto à reflexão, ao que escolhemos fazer da nossa vida, a onde podemos ir retirar felicidade, ao conforto das memórias doces de outra época. 

Foi um livro que me trouxe sentimentos complexos. Quer pelos conteúdos quer pela forma como me relacionei com a história. Não adorei o livro. Sinto que daqui a uns tempos pouco da história restará da minha memória. Porém, considero que foi uma leitura importante. Que me ofereceu uma realidade aparentemente diferente da minha, porque como eu já escrevi em cima, apenas se resumiu a uma outra forma de demonstrar e de sentir o amor. Vou guardar com carinho as vivências do Elio e os sentimentos que ele foi demonstrando ao longo de toda a narração. Sinto que é algo que vai permanecer em mim. 

Por fim, acho que o outro livro do autor Encontra-me poderá dar-me algumas respostas aos meus sentimentos mistos. Quer saber mais sobre o acontecimento que encerra este Chama-me pelo teu nome

Agora, segue-se a visualização do filme.

Caro leitor que já teve oportunidade de ler este livro, o que é que podem partilhar comigo? Que sentimentos ele provocou em vocês?

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TAG | 10 factos literários sobre mim

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Por vezes, acho interessante este tipo de post para que aqueles que nos leem possam ficar a conhecer um pouco de quem está deste lado. Assim, deixo aqui dez factos literários sobre mim.

1. Li Harry Potter em adulta e não gostei. Só li o primeiro livro e foi porque a Daniela mo emprestou.
2. Ofereceram-me o "Lua de Joana" quando fiz 13 anos e li-o em 24 horas. Foi a minha primeira leitura compulsiva. 
3. Só conheço pessoalmente duas escritoras: a Soraia Pereira ("Ligação") e a Andreia Ferreira. 
4. No final da adolescência era viciada nos livros de Paulo Coelho.
5. Apaixonei-me por romances históricos em adulta.
6. Gosto de emprestar livros à Daniela e de os discutir com ela.
7. Nunca li livros de ficção científica nem livros de terror. 
8. Não tenho nenhum tipo de preconceito literário. Leio todo o género de livros, desde clássicos até livros considerados mais ligeiros.
9. Nos inícios do blog 99% das opiniões literárias que partilhava eram de livros requisitados na biblioteca.
10. Adorava poder ir à Feira do Livro de Lisboa. 

Partilha comigo algumas curiosidades sobre o teu eu leitor.

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