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Por detrás das palavras

ACMA | Os lugares obscuros das tradições e dos costumes


Durante o mês de Fevereiro, o projeto ACMA desafiou-nos a pensar e escrever sobre tradições e costumes. Inicialmente, pensei em escrever sobre como estes dois elementos tão característicos da comunidade funcionam como uma forma de aproximar as pessoas. Porém, a minha personalidade identifica-se muito mais com os lugares obscuros e sou um pouco anti-tradição e anti-costumes

Eu sou um pouco “ursa”. Tenho uma personalidade introvertida, gosto do silêncio e sou extremamente pacata. Por isso, “fujo” de grandes grupos de pessoas, de festas, de confusão e barulho. Enquanto toda a gente anda a brincar ao Carnaval eu prefiro fazer outras coisas. Não me identifico com o espírito aventureiro e extrovertido daqueles que se entregam às folias e tropelias de festas e romarias.

Então comecei a pensar no drama das pessoas que têm uma personalidade semelhante à minha. Uma personalidade onde as tradições e costumes grupais desenvolvem um lado obscuro na nossa mente e nos fazem sentir em completa frustração. É muito difícil ser a “ovelha negra” num grupo de pessoas extrovertidas, porque nem sempre as pessoas compreendem a nossa sensação de desconforto em multidões e festas animadas.

Outro lado obscuro das tradições e dos costumes é quando os mesmos colocam em risco a saúde e a vida de quem os pratica. No início deste ano, uma aldeia de Portugal foi internacionalmente noticiada devido a uma tradição do dia dos Reis, em que crianças eram convidadas e incentivadas a fumar. Este é daquele tipo de tradições inconsequentes e que não acarretam elementos positivos à vida das pessoas. Senão vejamos, quantas são as iniciativas anti-tabaco desenvolvidas na escola e nos cuidados primários de saúde? Quantas vezes tentamos sensibilizar as nossas crianças e jovens para os malefícios do tabaco? No fundo, é uma tradição que está carregada de incongruência e de riscos a longo prazo nos comportamentos saudáveis destas crianças. Não acredito na teoria da população daquela aldeia, em que afirmam que aquele é um comportamento circunscrito àquele dia.

Para terminar, quero ainda escrever sobre as tradições académicas. Fui praxada, mas não praxei. A minha experiência em relação à minha praxe não é positiva nem negativa. Foi um dia indiferente que não teve grande impacto em mim. Felizmente que não me colocaram a fazer coisas muito estranhas ou rebuscadas, caso contrário sentir-me-ia mal. Porém, agora não sei se a minha opinião se mantém neutra em relação às praxes. Ultimamente tenho visto situações que me causam algum mal-estar, como por exemplo, a necessidade dos alunos mais velhos se fazerem notar pelo seu poder e soberania. Não que estejam a fazer nada de muito grave aos caloiros, mas não gosto do poder intimidante da voz e das ordens que dão aos alunos do primeiro ano. Sinto-me sempre muito estranha ao ver estas situações e, lá no fundo, não me iria sentir muito bem a fazer aquilo no meio de uma rua cheia de gente.

Apesar da grande euforia que possa estar associada às tradições e costumes de uma comunidade, há pessoas que não se encaixam nesta filosofia o que pode traduzir-se em tristeza, aborrecimento, frustração… Acima de tudo devemos ter a capacidade de respeitar o lugar do outro, as suas necessidades e os seus interesses pessoais. Desta forma, não devemos impor a ninguém nem as nossas tradições e costumes pessoais nem os que fazem parte da comunidade que integramos. E claro, cada pessoa deverá ser livre de criar as suas próprias tradições pessoais e costumes, sem pressões ou imposições. O que interessa é que estas sejam fonte de prazer pessoal e social.

Se quiserem fazer parte deste projeto, basta falarem com a Ju, através do seguinte email, acma.cultura@gmail.com. O projeto também está presente no facebook, através da página que podem consultar aqui.



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