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Por detrás das palavras

Adeus a 2015 | Carta

Portugal, 31 de Dezembro de 2015

Caro 2015,

Corre em mim uma grande ânsia de me despedir de ti, porque aquilo que me ofereceste não me deixa vontade de recordar-te e de olhar para ti com carinho.
Não é fácil falar de ti. Não é fácil olhar para trás e ver que as pedras que me atiraste para o caminho foram grandes e difíceis de mover. Tão difíceis, que algumas ainda permanecem no caminho e me fazem ter medo do ano que te sucede. 
Ofereceste-me muita tristeza... Uma tristeza que assume diferentes tonalidades. Tão diferentes, que nem pensei que existissem. Fui corroída por ela e levou-me a alegria para um lugar distante, onde estou a ter dificuldade de chegar. Quero muito lá chegar e encontrá-la. Quero que essa alegria que me foi roubada volte para afastar o mundo cinzento em que me lançaste. Mas não está a ser fácil submergir deste poço cinzento.

O mais difícil disto tudo foi tu teres-me levado a esperança e a motivação. Sugaste-me o que de melhor tinha dentro de mim. Apagaste aquela chama que me mantinha na luta e me fazia levantar todos os dias com o pensamento "Vai ser hoje!". Hoje, a chama está fraquinha... Foi um bocadinho iluminada pelo Natal e pela certeza que me vou despedir de ti sem saudades associadas. 

Apesar de teres sido muito mau comigo e dos pedregulhos que lançaste no meu destino ofereceste-me pessoas que não me deixaram afogar no sofá e que me mantiveram na luta por dias melhores. São pessoas especiais que quero levar para 2016. 
Mas tu não facilitas as coisas... Ofereceste-me pessoas que não estão ali, ao virar da esquina... Obrigas-me a uma "ginástica", a todos os níveis, para conseguir estar com estas pessoas. Apesar das distâncias que me impuseste com estas pessoas, elas não perderam a importância. Sabes, elas conseguiram fazer com que não me afogasse na tristeza, só não conseguiram levá-la para um lugar mais escondido do meu coração. 

Estas pessoas dizem-me que é preciso sonhar... Mas até essa capacidade me arrastaste! E agora? Como posso recuperá-la? Quando é que vou poder abrir os olhos e ver que o sol voltou a brilhar dentro de mim? 

Sabes, tenho versão da minha versão animada! Daquela pessoa que ligava aos amigos e os conseguia contagiar de coisas boas... Saudades do meu olhar meigo e sorridente que punha os outros bem disposto. Agora o meu olhar anda triste e distante... Vazio, em certos momentos! Sem vida, em tantos outros. 

Quero acordar em 2016 e sentir que tenho 366 páginas em branco para preencher de tonalidades felizes. 366 páginas em que as tonalidades cinzentas e tristes sejam pequenos apontamentos e não um enorme balão vermelho numa página em branco. Quero sonhar, quero realizar sonhos... Quero viver de forma intensa... Quero as amizades e o amor, a vontade e a esperança de que lugares melhores estão guardados para mim. E daqui a um ano quero escrever a 2016 dizendo: Obrigada pelos momentos felizes que me ofereceste!
Silvana 

Esta carta resume, de forma metafórica, o ano de cão que tive. Desde 2012 que sinto que me colocaram num lugar negro onde a estagnação é a rainha. Há muito que anseio por mudanças. Tenho ido à luta, tenho-me empenhado... E quando estou quase lá, há qualquer coisa que aparece e atira tudo ao chão. 
Em Agosto foi a gota de água... Foi uma altura muito, muito complicada... Mas acima de tudo, sou uma pessoa resiliente e que procura não se afogar no negativismos... Mas nem sempre é muito fácil.
Há pessoas a quem devo muito. Sinto-me agradecida por aqueles que já fazem parte da minha vida há muito tempo e das que vão chegando. Apesar de muita coisa negativa, tenho-me cruzado com pessoas fantásticas. 
Tenho um grupo de amigas de quem morro de saudades (porque vivem longe) e com quem falo horas ao telemóvel. E depois tenho o grupo de amigas que os livros fizeram o favor de juntar. E deste grupo literário há 4 pessoas muito, muito importantes a quem devo imenso agradecimento. Para a D., a C., a C e a M. Um beijinho muito especial! (Prefiro manter os nomes assim, porque elas sabem quem são, faço questão de lhes dizer isso diretamente).

Que 2016 seja muito melhor para todos aqueles que por aqui vêm passando e vão acompanhando as minhas viagens pelo mundo dos livros. 
E agora que o Natal já passou, esperamos que deixe a sua magia para que 2016 se possa oferecer a nós como um ano repleto de felicidade.

Um bom ano a todos!

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