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Por detrás das palavras

Por detrás das palavras

Ausência e Dia Mundial da Poesia

21.03.20

O Mundo mudou e eu tive que mudar com ele. E em todo este processo de mudança a vontade de escrever, de ler, de partilhar coisas com vocês desapareceu. 
Têm sido dias complicados, exigentes e marcados por alguma tristeza. Nunca pensei presenciar tal situação enquanto fosse viva. 
Não me angustia ficar em casa. Eu adoro estar em casa! Porém sinto falta de algumas das minhas rotinas profissionais e do impacto de toda mudança profissional na minha saúde financeira. Mas quero acreditar que vai correr tudo bem e, enquanto tiver saúde, tudo se encaminhará. 

São tempos de mudanças, de olhar para dentro de nós e redescobrir a calma, o sossego e a liberdade mental. A nossa capacidade de imaginação e da criatividade são infinitas e nada melhor do que este isolamento para a colocar em prática. 

Foi duro criar novas rotinas, dar resposta a novos desafios e sofrer ao ver o quanto o Portugal do interior não tem literacia digital. Para os pais aqui da minha zona tem sido uma dor de cabeça este acompanhamento escolar online. Sei de meninos que não têm computador e/ou internet. Estou a falar de um aldeia onde há pais sem a escolaridade mínima obrigatória. Pais pouco sensíveis às diferentes formas de aprender. Isto tem-se sugado um pouco a energia, mas as coisas começam a orientar-se. Estou com receio de como será o terceiro período, mas eu acredito na capacidade de aprendizagem do ser humano e sei que tudo ficará bem. 

Hoje tinha de vir aqui escrever qualquer coisa. Partilhar algo positivo e bonito! E nada melhor que poesia. A poesia é um verdadeiro alimento intelectual. Hoje é o Dia Mundial da Poesia e quero partilhar com vocês um dos meus poemas preferidos. É daqueles poemas que leio em busca de conforto, de esperança, de energia para enfrentar o mundo. 

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O poema da imagem foi escrito por Miguel Torga. Gosto muito da poesia de Torga. Ainda tenho muito para conhecer deste escritor português, mas o que conheço gosto muito. 
Este poema acaba por ser especial para mim. Numa altura menos feliz deste meu percurso, uma amiga ligou-me, leu-me este poema e falou-me da forma como ele a inspirava. E a partir dessa altura passou a inspirar-me também. 

Daqui a umas semanas recomeçaremos, espero que sem angústias e com menos a pressa do antigamente. Quando as notícias forem boas e nos libertem desta pandemia, este será o poema que irei ler na primeira manhã em que poderei sair à rua sem medo de trazer elementos indesejáveis para casa. 

Fica aqui, também, a minha participação no desafio da Alexandra e mostro a minha letra ao mundo digital. Já venho um bocadinho tarde, mas acho que ainda a tempo. 

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