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Por detrás das palavras

Por detrás das palavras

15
Nov19

Desafio de Escrita dos Pássaros # 10 | Já chegaram? Já chegaram?

Tema 10: Já chegamos? Já chegamos?

Elisa aproximou-se da porta e bateu. Foi um baque tímido e hesitante. Afinal, o que é que a esperaria por detrás daquela porta? Voltou a bater. Desta vez com mais força e confiança. Do outro lado, chegaram-lhe os sons de uma voz entusiasmada de passos firmes.

– Já chegaram? Já chegaram? – ouviu-se do interior.

Elisa respirou fundo, preparando-se para entrar.

Um homem de sorriso no rosto veio recebê-la:

– Querida sobrinha! – abriu os braços para a receber. – Como estás? – sem responder, Elisa deixou-se envolver naquele abraço. – Vieste sozinha, minha querida?

– Sim, tiooooo…

– Óscar, Alice. Tio Óscar. – Agora Elisa seria a Alice que sorria ao suposto tio. – Estavas dizer-me o motivo que fez com que nos visitasses sem companhia.

– Bem…. Tio, como sabe o Edgar, o meu marido não me pode acompanhar porque…

Óscar aproxima-se mais da sobrinha. Coloca-lhe a mão no ombro, fazendo com que ela parasse de falar. Ele assumiu logo o protagonismo.

– Edgar deverá andar muito ocupado com os negócios? – olhou a sobrinha nos olhos, ao – Espera, não me digas que o teu Edgar foi para a frente de batalha…  Que se sacrificou pela pátria! O nosso valente está na Flandres?

– Pai, pare. Não vê que está a deixar a minha prima constrangida e ainda mais triste?

­­Óscar olhou para a filha, sorriu de forma nostálgica e disse: – Tens razão, querida filha – move o olhar em direção à sobrinha e continua, agora para ela. – A tua prima Justina é sempre mais sensível às dores dos outros…

– PAREM!! – O grito chegou da plateia.

Afonso o encenador interrompe o exercício de improvisação que Elisa, Rodrigo e Eduarda tinham estado a fazer.

– Porra, Rodrigo! Não estás a deixar a Eduarda falar. Toda a história está a ser condicionada por ti. Assim o exercício perde o interesse. O objetivo é que todos interfiram para a construção da história.

Rodrigo assentiu e Afonso continuou.

– Elisa, estás com um ar demasiado perdido. Não entraste no espírito da dramatização nem do improviso. Tens de fazer valer a tua visão e ser mais interventiva na história. Eduarda, qual foi o papel que te calhou?

– O de uma jovem com doença mental grave!

– Pois, eu ainda não vi nada disso!! Foquem-se nos vossos papéis, dramatizem!! Às vossas posições, vamos recomeçar.

Elisa sai da sala, fecha a porta da parede improvisada e bate novamente. Lá dentro os gritos histéricos de Justina chegaram aos ouvidos de Elisa:

– Já chegaram? Já chegaram?

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