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Por detrás das palavras

Por detrás das palavras

07
Fev20

Desafio dos Pássaros #2.2 | O lado místico de fazer bebés

Tema 2.2.
É que isto de médicos nunca fiando

Sabes, acho que vou consultar uma taróloga!

Estás louca? O que é que achas que uma taróloga poderá fazer por ti?

— Ei.. Ei! Para já aí! Por mim não! Por nós! O problema é comum. Eu não tenho um filho sozinha. Os meus óvulos precisam do teu espermatozoide. De preferência um dos bons.

Ele revirou os olhos. Já lhe faltava a paciência para o assunto. Andavam a tentar ter um filho há um ano. Até ao momento ainda não se tinha conseguido.

— Então? Não dizes mais nada?

— O que é que queres que eu te diga? Uauu… Bora lá ver o que é que as cartas têm a dizer relativamente ao nosso desempenho sexual. – Os olhos dela já quase saíam das órbitas, mas ele ignorou e continuou. – Não, espera! Vamos ver se as cartas atestam a saúde das nossas células reprodutoras, antes sequer de termos consultado um médico.

Ele ouvi-a respirar fundo umas três vezes antes de lhe dar uma resposta.

— Sabes que neste assunto, médicos, nunca fiando. Há uma certa aura mística no que toca à conceção de uma criança… Os ciclos lunares, o alinhamento dos astros… Já pensaste que podemos não estar a treinar no momento certo?

— Decididamente estás a ficar doida… Sim, podemos não estar a treeeiiiinar no momento certo, ou seja, não estamos a respeitar o teu período fértil. Ou os meus espermatozoides não estão com a pedalada suficiente para conquistar um óvulo dos teus. Mas querida, as respostas a estas questões não estão nas cartas de uma taróloga, estão nos exames que profissionais qualificados prescrevem e analisam.

— Puff…. Por que é que tens de ser tão científico? Por que é que não acreditas que conceber um filho é algo mágico.

Ele sorrio e foi sentar-se ao lado dela no sofá. Emoldurou-lhe o rosto com as mãos e falou-lhe de forma terna.

— Querida, conceber um filho é mágico, porque há amor. Mas nós precisamos de ir ao médico. Há médicos muito competentes nesta área. Só precisamos de procurar um que seja capaz de nos orientar.

Ela começou a chorar. Estava a tentar aligeirar algo que lhe estava a consumir a alma, mas não podia.

Ele beijou-a e fez amor com ela como se lhe quisesse aliviar a alma. Depois dessa noite já não precisaram de ir a tarólogas. Bastou o médico para fazer o acompanhamento pré-natal.

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