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Por detrás das palavras

Por detrás das palavras

03
Set15

Opinião | A chama ao vento


A Chama ao Vento


Autora: Carla M. Soares
Ano: 2014
Número de páginas: 430 páginas (e-book)
Classificação: 4 Estrelas
Sinopse: Aqui

Opinião
Esta foi a minha estreia inicial com Carla M. Soares. Até ao momento só tinha lido um livro da autora como leitora beta. 

Estava bastante curiosa para ler este livro. Esta curiosidade surge das boas críticas presentes no goodreads, pelo título e pela minha constante vontade de conhecer o trabalho dos autores portugueses. Assim sendo, quando em finais de 2014 crio com a Marta do blog I only have o desafio Português no Feminino, este livro ficou imediatamente debaixo de olho para ler num momento em que tivesse um pouco mais de tempo livre. 

A Chama ao Vento é um livro onde o passado e o presente se entrelaçam numa história de amor eterno. Assistimos a um passado que procura dar um significado ao presente cheio de fantasmas de Francisco.

Francisco, Teresa são almas do presente, enquanto que João tem a sua alma dividida por estas linhas temporais. João é um belo narrador da história passada onde ele  assume um papel de grande destaque.
Francisco, o homem dos fantasmas, é fechado e reservado. Pouco dado à partilha daquilo que preenche o seu mundo interior. Ele é uma verdadeira ilustração do icebergue da Teoria Psicanalítica de Freud. Aquilo que ele mostra, o que está à superfície da sua personalidade, é uma pequena parte de tudo aquilo que ele tem e guarda no seu inconsciente (e que muitas vezes vem ao seu consciente estragar-lhe a vida e a forma como ele se relaciona com os outros). É certo que não simpatizei muito com ele. Achei que muitas vezes ele adoptou uma postura demasiado arrogante e infantil, parecendo, em alguns momentos mal educado. Por muitos que sejam os fantasmas que lhe preenchem o coração ele poderia tentar sobrepor-se a eles. No final percebi melhor os fantasmas dele e consequentemente o seu comportamento... Mas não deixou de me irritar ao longo do livro. Tudo isto se deve a problemas de ligações importantes e que devem ser estabelecidas na infância. Este foi um aspecto muito bem abordado e desenvolvido pela autora.Consigo perceber a personagem, entender o seu comportamento e motivações, mas não é alvo da minha simpatia.

Da Teresa vi muito pouco para ter uma opinião muito fundamentada. Houve alturas em que a achei imatura e com atitudes de adolescente. Mas agora, pensando melhor sobre tudo o que compõem o livro, acho que eram mais respostas às atitudes adolescentes do Francisco. Era como se ela quisesse responder à altura,

E depois temos a história do passado e aquela que verdadeiramente me apaixonou.
Carmo, Dekel, João, Manuel... Vidas que se entrelaçam em segredos e palavras silenciosas que condicionam o futuro das gerações seguintes.

Gostei muito da Carmo e do João. São duas personagens com uma personalidade cativante.
Carmo no seu jeito inocente, a sua mente perspicaz e os seus modos de menina que descobre a cidade, cativou-me profundamente. Ao início não a estava a ver como uma chama ao vento (de acordo com a interpretação que eu fazia da metáfora), queria mais dela para constatar. Porém, com a chegada do final do livro percebi mais claramente o contexto e o facto de Carmo se ter "apagado". Adorei a metáfora!!!

João é o verdadeiro significado da amizade eterna. E este respeito e dedicação que João tem por aquilo que ele considera como amizade tem a minha total admiração.
Quando ao Dekel gostei dele, mas a parte mais obscura da sua personalidade deixava-me com o pé atrás. Compreendo todas as motivações que estão por detrás dos comportamentos dele, mas o mistério que ele transporta é algo negro e sombrio que acaba por me afastar dele.
Por fim, temos o Manuel. Um homem desinteressante e que as circunstâncias de vida o tornaram num homem amargo.

Esta minha experiência oficial com o trabalho da Carla foi muito positiva. Gostei bastante do livro e nada me foi indiferente. As minhas emoções e ideias foram balançadas e acho que isso é muito importante quando lemos um livro, porque no findo é isso que nos permite recordá-lo.


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