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Por detrás das palavras

Por detrás das palavras

Opinião | "Viver depois de ti" (Me Before You #1) de Jojo Moyes

05.02.20

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Classificação: 5 estrelas

Há quanto tempo é que eu queria ler este livro? Praticamente desde que vi o filme. Não costumava ver filmes baseados em livros sem primeiro ter lido o livro. Hoje em dia é algo que não me afeta particularmente. Por conseguinte, surgiu a oportunidade de ver o filme sem ler o livro e vi... Chorei! Chorei como há muito tempo não chorava a ver um filme. E depois dessa vez, vi-o mais umas quantas vezes, chorando outras tantas sem nunca me aborrecer. Tinha de ler o livro! Aproveitei uma promoção na Wook e, assim, fiz a minha última compra de 2019. 

Já desconfiava que seria uma leitura fenomenal, por isso escolhi-o para primeira leitura do ano. Foi uma leitura avassaladora. Dei por mim a ler e a saber os diálogos de cor! Ver o filme tantas vezes permitiu que muitas conversas entre Lou e Will ficassem gravadas em mim. Melhor ainda era quando o diálogo que sabia do filme era enriquecido de uma forma que apenas o livro o permite. Foram boas surpresas que se traduziram em momentos de genuíno sorriso! Acredito que as histórias precisam de tempo para crescer e, geralmente, o cinema não consegue ter tanto tempo para que isso aconteça. Assim, no livro os diálogos ganharam uma profundidade diferente e no meu imaginário as cenas ganhavam forma, cor e som. Foi impossível ler e não associar os nomes às caras que tão bem conhecia do filme. 

"Viver depois de ti" é a história de Louisa Clark e de Will. Dois jovens que olham para a vida de forma distinta, mas que por vicissitudes da vida acabam nas mãos um do outro. É uma narrativa cheia de um positivismo muito clarkeniano. As cores e o movimento alegre e descomplicado nascem da vivacidade uma jovem simples. A todo este brilho junta-se o humor negro e inteligente de Will. E desta combinação nasceu em mim o amor, o riso e as lágrimas. 
Foi uma leitura tão boa que quero guardá-la em mim por muito e muito tempo. É um daqueles happy places onde gosto de levar a mente em dias menos positivos. Apesar de todos os contornos dolorosos que caracterizam este livro, considero que todo o processo no qual as personagens vivem e crescem deixa uma mensagem importante onde a vida, o respeito pelo próximo, o amor verdadeiro e a amizade cabem num espaço comum. Espaço esse cheio de dúvidas, de incertezas e de decisões difíceis. É um livro cheio de humanismo e onde as relações humanas estão construídas de uma forma que pareciam reais, com pessoas que conhecia e observava à distância.  

Há uma grande proximidade ente o livro e o filme. Tirando o facto esperado de que o livro consegue uma maior profundidade nos diálogos e nas relações que se constroem, na minha opinião há um aspeto divergente que me saltou ao olhos. Há uma personagem que o filme denegriu demasiado. Patrick, o namorado de Lou, é muito idiota no filme. Acho que a forma como ele surge no livro é mais realista (no filme assume uma postura exageradamente aparvalhada). 

Nem sei o que fazer em relação à continuação. Fiquei com memórias tão boas deste livro que tenho receio de me desencantar com a Lou. Na minha cabeça, a Lou conseguiu ir mais além na sua vida. Conseguiu ser feliz, realizou sonhos, viveu o amor nas suas mais diversas dimensões e, em todos esses momentos, o Will pairou na sua memória e fez com que o seu coração palpitasse de uma forma especial. Sim, é algo demasiado romanceado! Talvez demasiado irrealista! Talvez esteja carregado de um otimismo exagerado! Mas se a vida nem sempre me oferece isto, será assim tão mau imaginá-lo num livro? Por isso não quero destruir estas boas memórias de uma continuação que eu própria criei. Por outro lado, a curiosidade de descobrir por que caminhos enveredou Lou é demasiado tentadora.

Para quem leu a continuação, acha que vale a pena o investimento?

Nota: Enquanto escrevia opinião só sentia vontade de me perder novamente na leitura deste livro. Não é uma obra prima da literatura, mas detém a sensibilidade necessária para me baralhar as emoções e me deixar presa a ela como se de uma pessoa importante se tratasse. 

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