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Por detrás das palavras

Por detrás das palavras

31
Mar20

Opinião | "O Rio das Flores" de Miguel Sousa Tavares

P_20190919_113719.jpgClassificação: 4 Estrelas

Em 2013 li o livro "Equador". Dessa leitura ficou-me a escrita agradável e uma história interessante e cativante. Ficou-me, também, a vontade de ler mais obras do escritor. Fui sempre adiando! Este ano, e depois do miserável números de escritores nacionais que li no ano passado, tinha de pegar neste livro.

A escrita bonita e agradável mantém-se. Em nada aborrece a forma como o escritor escolhe contar a história dentro da História de Portugal e do Mundo. Fui avançando na leitura, umas vezes com mais rapidez, outras com a velocidade lenta imposta pelas rotinas do dia. Assim, a demora na leitura deste livro (quase um mês) em nada se deveu à falta de qualidade do mesmo ou à existência de algum tipo de aborrecimento. 

Achei este livro mais masculino. A história é muito centrada nos homens da família Ribeiro Flores e as mulheres que vão surgindo não têm o destaque merecido. 
O livro apresenta-nos uma viagem de 30 anos de História. A Primeira República Portuguesa, a Guerra Civil Espanhola, o Estado Novo e agitação política Brasileira na década de 30 servem de cenário a Manuel e Maria da Glória, a Diogo e Amparo, a Pedro e a Angelina. 

De todas as personagens, Maria da Glória foi aquela que reuniu a minha maior simpatia. Os meus sentimentos por ela foram consistentes ao longo de todo o livro. Para as outras personagens desenvolvi sentimentos um pouco antagónicos. Simplesmente, havia coisas que eu gostava e coisas que não gostava. Não é uma experiência necessariamente má, o problema foi aborrecer-me com algumas coisas que faziam. 
Diogo deixava-me os cabelos em pé. Gostava do seu perfil liberal e idealista, mas depois tinha comportamentos demasiado imaturos, que não acompanhavam a minha ideia de evolução pessoal. Pedro é muito consiste ao longo da obra. Uma personagem muito dura, muito agarrada ao regime e às hierarquias sociais. Um homem embrutecido que o amor amoleceu, transformou. Porém, foi este mesmo amor que o embruteceu ainda mais. Houve rasgos de humanidade em algumas situações de maior brutalidade, mas não foram suficientes para que eu criasse uma boa ligação com esta personagem.
Quanto às mulheres, gostei de Angelina e da forma como manifestava a sua independência e feminilidade. Uma personagem que soube a pouco. Amparo também me deu cabo dos nervos. O escritor descrevia-a como sendo detentora de uma fibra e de uma personalidade vincada que eu não consegui identificar. Chegou a uma altura em que ela optou por uma posição mais passiva, de vitimização... Acho que foi incapaz de lutar por aquilo que ela dizia fazê-la feliz. 

O que alguns leitores acham aborrecido, os conteúdos históricos, eu achei interessante. De todos os períodos históricos narrados, confesso que o contexto brasileiro foi o que mais despertou o meu interesse. Algumas coisas já conhecia (os acontecimentos relacionados com Olga Benário e Luís Carlos Prestes), outros foram novidade (agitação política brasileira). 

Apesar de ter gostado muito do livro, não me conseguiu cativar tanto como o "Equador". Porém ficam as boas memórias da leitura, a aprendizagem história e a escrita suave que embalou ao longo destas páginas.

02
Mar20

Opinião | "Verity" de Colleen Hoover

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Classificação: 4 Estrelas

Partilhar a minha opinião acerca do livro "Verity" sem usar spoilers será um verdadeiro desafio. Demorei a conseguir sentar-me e escrever uma opinião acerca do mesmo porque não sabia colocar em palavras a confusão cerebral que se instalou na minha cabeça. 

Assim que terminei de ler a última página, o meu primeiro pensamento foi Isto não faz o menor sentido. Desculpem-me a ousadia deste pensamento, principalmente aqueles que vibram e deliram com as obras desta escritora, mas para o perceberem tem de saber duas pequenas coisas sobre mim. Eu não consigo ler um livro e dissociar de mim dois aspetos que condicionam a forma como interpreto as coisas à minha volta. 1) Sou uma pessoa que racionaliza tudo, procuro uma explicação lógica, científica e verdadeiramente possível para grande parte das coisas que me rodeiam (daí a minha dificuldade com os livro de fantasia) e 2) Muitas vezes o meu olhar de psicóloga interfere na forma como interpreto as histórias que me vou cruzando. Muitas vezes consigo desligar estes dois botões mentais. Outras há em que eles estão em estado On e colocam o meu cérebro num verdadeiro turbilhão de sinapses. 

"Verity" foi um dos livros que ativou estes meus dois lados. Era impossível isso não acontecer tendo uma mulher, Verity, com um perfil psicológico muito particular e um homem, Jeremy, bonito e atencioso com um profundo amor pelos filhos com uma aura de mistério que nos intriga. Se isto já não fosse suficiente, juntamos Lowen, uma escritora tímida com uma imaginação bastante fértil. Claro que tudo foi cuidadosamente apimentado de tragédias e dramas capazes de fazer parar o cérebro. Digam lá se eu não tinha aqui um cocktail explosivo para o meu cérebro "psico-racional". 

A leitura foi compulsiva e sempre com a certeza que tinha desvendado tudo sobre a Verity (que, em alguns momentos levou a minha memória até à Amy, a protagonista do livro "Em Parte Incerta"). Lia na expetativa de constatar como é que toda aquela loucura iria terminar. 
A narrativa foi construída de forma muito interessante pois tudo adensava o mistério e a expetativa que pairava sob aquelas personagens. Até os cenários físicos onde as personagens se moviam estavam em congruência com o lado negro que a escritora quis passar ao leitor. No meu caso, eu imaginei sempre aquela casa e aquele lago envoltos em neblina e com um ambiente marcado pelo cinzento. Aliás, todos os cenários que davam corpo às cenas eu imaginava-os como sendo passados em dias nublados. A meu ver é uma boa ilusão de ótica que as palavras da escritora criaram na minha cabeça. Friso que isto é um único produto da minha imaginação. A  história não dá indicações precisas sobre o estado do tempo, mas como já vos expliquei mais atrás a minha atividade cerebral é um bocado estranha (nada temam, apesar de estranha é completamente funcional). 

E foi neste embalo cinzento que fui até às últimas páginas e atiraram por terra todo o meu raciocínio lógico, muito bem construído e alinhado. Aquele fim dá aso a uma infindável panóplia de interpretações. É um final aberto que deixa espaço à nossa imaginação e à nossa sensibilidade emocional e racional. Eu acreditei na Verity! Isto porque, para mim, era racionalmente impossível as coisas se terem passado de outra forma. Só temos acesso à sua visão dos factos, não sabemos como Jeremy interpreta a sua vida. Porém, depois de ler aquelas últimas páginas era, para mim, racionalmente impossível viver-se com uma pessoa sem lhe conhecer alguns lados mais obscuros (a não ser que andássemos muito cegos em relação às pessoas com quem lidamos). Acho muito pouco provável que Jeremy não conhecesse a verdadeira essência da sua esposa, principalmente no que se refere à forma como cuidada e olhava pelos seus filhos. 
Apesar de tudo, tenho uma vozinha interior que não deixa que o meu cérebro desligue e o coloca a pensar no lado oposto desta minha interpretação. E isto é uma sensação horrível! Não permite que o livro fique simplesmente arrumado na nossa memória. 

Tendo em conta esta minha minuciosa descrição acerca do livro, devem estar a perguntar-se "Então, se sentiste isto tudo, porque é que apenas deste 4 estrelas ao livro?". É uma questão muito legítima. Eu gostei muito do livro, foi uma leitura desafiante em termos de interpretação... Contudo faltou-me algo que me encaminhasse para um desfecho mais concreto. É uma questão de gosto pessoal. Tenho a certeza, que os leitores que são apaixonados por finais em aberto irão delirar com o desfecho do livro. No meu caso, deixou uma imensa frustração. 

08
Jan20

Opinião | "O Bairro das Cruzes" de Susana Amaro Velho

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Classificação: 4 Estrelas

Fiquei apaixonada pela escrita da Susana Amaro Velho quando li "As Últimas Linhas Destas Mãos". As emoções fluíram nas palavras e na delicadeza com que contava uma história onde a tristeza  e a relações familiares tinham o papel principal. 
Quando vi que a escritora tinha publicado um novo livro fiquei com imensa curiosidade de o ler. 

"O Bairro das Cruzes" apresenta-nos uma narrativa bastante diferente do livro anterior. Estas páginas guardam uma história de um bairro e das relações complexas que só as famílias sabem desenhar. 
Conhecemos Rosa e Luísa, as nossas duas protagonistas. São primas, unidas por uma amor que só os laços de sangue conseguem explicar. É este parentesco que as torna próximas, já que as personalidades e a forma como olham para o mundo em nada as liga. 
Luísa é perspicaz, ávida por conhecimento e muito ponderada. Rosa gosta dos caminhos fáceis, da aventura e da inconsequência. Vivem numa contexto sociocultural que não favorece o seu desenvolvimento e a ditadura Salazarista e Marcelista suga-lhes a liberdade. Luísa quer ser livre, quer perceber o estado do país. Rosa quer apenas viver bem.

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Ao longo do livro acompanhamos o crescimento da Luísa e da Rosa e vamos conseguindo perceber que existem coisas bem mais complexas que ditam as vidas destas raparigas. 
Sempre estive muito curiosa para acompanhar a evolução destes dois espíritos tão característicos. Queria ser surpreendida, e fui! A Susana apanhou-me na curva da minhas divagações sobre os acontecimentos narrados. 
A forma como esta história termina conseguiu surpreender-me. 

Gostei muito da história, gostei das personagens que se vão entrelaçando na vida da Rosa e da Luísa. Apenas senti de falta de uma maior calma. Senti que a Susana estava com pressa de dar forma à história, não de deu o tempo necessário para tudo crescesse e se materializasse de forma mais coesa. 
À medida que ia lendo senti falta da escrita calma que encontrei no primeiro livro. Há aspetos que mereciam um maior desenvolvimento e o final deveria ser como um bombom que vamos deixando derreter na boca, ou seja, as palavras e os acontecimentos deveriam ter sido servidos de forma mais detalhada e pormenorizada para que eu pudesse ter mais tempo para assimilar a grandiosidade de surpresa que a Susana guardou para fim. Senti que havia ali muita pressa de contar a história, sem lhe dar tempo para amadurecer.
Tal como no livro anterior senti falta de alguma expressividade nos diálogos. É muito texto seguido, narrado... Faltaram-me as emoções, os gestos de raiva e de amor, os olhares cúmplices e sons de repugnância. Precisa que os diálogos me contassem menos a história e me mostrassem mais. Em alguns momentos, senti falta de uma escrita um pouco mais gráfica e expressiva. 

Apesar destes pequenos elementos, este livro solidificou a minha ideia relativamente aos livros e às histórias que a Susana cria. É uma autora portuguesa que merece o nosso apoio.

Uma leitura com o apoio de...

3dd0e8ca2a46ce63f959d3d68b6bb884_L.jpgNota: O livro foi-me disponibilizado pela editora em troca de uma opinião honesta.

06
Jan20

Opinião | "A Fada do Lar" de Sophie Kinsella

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Classificação: 4 Estrelas

Eu tenho aqueles momentos em que preciso de um livro divertido e descontraído. Um livro que me faça rir e esquecer as agruras da vida. Pelo que tenho lido de Sophie Kinsella sinto que ela é uma aposta segura para esses momentos.
Foi na expetativa de me rir um pouco que peguei no livro "A Fada do Lar".  E ri-me... bastante. E também me diverti à grande com a insensatez da Samantha e com o espírito simples e descontraído do Nathaniel.

O livro não é nenhuma obra-prima da literatura. A escrita é simples e o enredo não prima pela complexidade. Tudo neste livro é descomplicado! Contudo, estas páginas guardam aquele tipo de histórias que me apaixonam pela simplicidade que guardam. 
A narrativa está carregada de momentos bem humorados, a maior parte deles protagonizados pela Samantha e pelo casal que a contrata para governanta. 
Porém, o conteúdo também consegue ir um pouco mais longe. Nada que exija processos de pensamento complexo, mas apresenta aquele tipo de situações que me fazem olhar para dentro, para mim própria, para a minha vida e para as minhas aspirações. 

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Eu gostei imenso de conhecer a Samantha. Gostei da inteligência dela. Sofri com o stress dela. Ficava angustiada quando ela teve de tinha de tomar daquelas decisões complicadas e capazes de mudar muitas coisas na vida. Sofria sempre que a Samantha tinha de pegar numa panela para cozinhar. A par do sofrimento vinha a descontração que só aquelas situações mais inusitadas eram capes de provocar. 
Samantha era fogo e vento, Nathaniel era água e brisa, por isso se complementavam de uma forma especial. Ele fez-me sorrir pela doçura e pela simplicidade com que olhava para a vida e para o mundo. Gostei tanto desta personagem masculina. É certo, um pouco idealizada... mas tão doce, tão aquele tipo de pessoas com quem gosto de conviver. Ela era a representação da minha agitação, da minha hiperatividade que me faz andar muitas vezes numa roda vida. 

O livro cumpriu a missão que tinha estabelecido para ele na minha cabeça. Divertiu-me, arrancou-me algumas gargalhadas, fez-me olhar com descontração para a vida e encheu-me de energias positivas.

18
Nov19

Opinião | "A Noiva do Bastardo" de Sarah MacLean (The Bareknuckle Bastards #1)

A Noiva do Bastardo (The Bareknuckle Bastards, #1)

Classificação: 4 Estrelas

"A Noiva do Bastardo" é o segundo livro de Sarhah MacLean que leio. Tal como aconteceu com o primeiro, este livro conquistou-me logo nas primeiras páginas.
É um livro que se insere no género de Romances de Época com um toque de erotismo. É um livro muito fácil de ler, com muitos momentos de diálogo e com a capacidade de agarrar o leitor logo nas primeiras páginas. Pessoalmente gosto de pegar nestes livros quando preciso de um história bonita, que toque o coração e que me proporcione momentos agradáveis de leitura sem exigir muito do meu poder de reflexão. 
Muitas pessoas pensam que estes livros são "vazios", ou seja, que são livros com histórias que não acrescentam nada ao nível do intelecto. Posso dizer-vos que são ideias erradas! Este em particular mostra-nos o poder das mulheres, a sua luta para integrar um mundo masculino e revela que os homens também podem ser sensíveis, atenciosos e que dão espaço às mulheres para brilhar em atividades onde, geralmente, são os homens que reinam. 

As personagens principais deste livro são a Felicity e o Devil. Como não gostar destes dois? Como ficar indiferente à cumplicidade que os une? A autora tem uma mestria de escrita muito especial que deixa transparecer muito bem as emoções e as relações que ela decidi construir entre as personagens. Através de Devil viajei até ao lado mais negro e sombrio da sociedade. Se estão à espera de encontrar bailes, vestidos cheios de frufrus e encontros para o chá das cinco este livro não é o ideal. Também existem bailes, mas a magia e o interesse da história desenvolvida neste livro situa-se no pólo oposto da sociedade. Onde o chá é substituido por Brandy e os vestidos têm de ser suficientemente práticos para subir telhados. Foi também um livro que me mostrou todas as potencialidades que só uma subida ao telhado pode oferecer. Curiosos(as)? É fácil, agarrem neste livro e descubram.

Eu gosto muito deste género de livros, mas seria incapaz de ler muitos de seguida. São livros positivos, quase sempre acompanhados de finais felizes e onde muitos dos obstáculos são facilmente ultrapassados pelas personagens. Dado este seu carctér feliz e da capacidade que eles têm de me deixar a sonhar, gosto de lê-los com algum espaçamento. Assim não corro o risco de enjoar deste tipo de histórias e não destruo a capacidade que eles têm de me fazerem sonhar.

E desse lado, gostam deste género de livros? O que mais gostam de encontrar nestas histórias? 

Nota: Este livro foi-me disponibilizado pela editora em troca de uma opinião honesta.

22
Out19

Opinião | "Espero por ti este inverno" de Luanne Rice

Espero por ti este Inverno
Classificação: 4 Estrelas

Já há algum tempo que não pegava num livro de Luanne Rice. Nunca fui muito conquistada pelos livros desta autora. Sempre senti que faltava à história algo que tivesse a capacidade de mexer com as minhas emoções e que, de alguma forma, se tornasse num livro memorável. 
Espero por ti este inverno é, até ao momento, o livro da escritora que mais me encantou. A história entrelaça aspetos que me cativaram a atenção. Assim, drama, romance, proteção do ambiente e arte unem-se para criar uma história sobre pessoas, mudança e laços familiares. 

Há um conjunto de personagens muito diversificado o que acho ser um ponto extremamente positivo do livro pois possibilita que pessoas de diferentes faixas etárias possam sentir pontos comuns com o livro. Particularmente o grupo de personagens adolescentes tem aqui um papel muito relevante e acho que poderia ser interessante para os leitores desta faixa etária. O primeiro amor, os ideais ambientais, o divórcio, as relações de amizade... são temas que muitas vezes fazem parte do quotidiano de jovens, muitas vezes são geradores de angústias e o livro poderá ser uma boa forma de iniciar um diálogo com adultos e pensar sobre os acontecimentos retratados. 

O romance mais maduro entre de Neve fez um bonito contraste com o romance mais inocente da sua filha Mickey. A autora conseguiu mostrar duas faces de possíveis romances que enriqueceram a história e mostrou que o amor poderá ser bonito qualquer que seja a fase da vida e as circunstância em que ele aparece. Mostra, também, que o amor é um forte elo de ligação entre as pessoas e que ele poderá originar coisas muito positivas na vida das pessoas.

Foi fácil para mim compreender e perceber qualquer uma destas personagens. Até Richard, ex-marido de Neve e sempre metido em confusões, tem um lado especial que me fez compreender as suas atitudes. Ele é um exemplo literário de que o querer mudar está dentro de nós e para o qual precisamos de criar espaço e oportunidade para que as coisas mudem. É um exemplo positivo de superação e de reconhecimento dos erros que cometemos na vida. 

É um bom romance contemporâneo. Não se passa na atualidade, mas as mensagens de preservação e respeito pela natureza, pela nossa História e pelo amor e respeito que devemos manter pelos outros são sempre temas atuais e pertinentes. Um livro que aborda muitos temas que convidam a reflexão e à discussão saudável. 
25
Set19

Opinião | "Perto de Casa" de Cara Hunter (DI Adam Fawley #1)

Perto de Casa
Classificação: 4 Estrelas

"Perto de Casa"é o livro de estreia de Cara Hunter e deixa-me antever a qualidade dos próximos livros da autora. É um livro construído de forma diferente quando comparado com outros livros do género e só esse aspeto já lhe acresce um enorme valor. 

A narrativa desenrola-se em torno do desaparecimento de uma menina de 8 anos, a Daisy. A partir daqui segue a estrutura de outros livros do género. Investigações policiais, atuação da equipa forense, perícias científicas, interrogatórios, pistas que são lançadas para nos gerar confusão (ou não) e profissionais da polícia em choque perante o crime em que se vêem obrigados a trabalhar. E depois temos um elemento surpresa: a atividade paralela que se desenvolve nas redes sociais. 
Atualmente, crimes mais mediáticos acendem a atividade nas redes sociais. De repente, todos são capazes de encontrar os culpados e de os julgar com uma facilidade tremenda. Pela primeira vez na minha vida enquanto leitora de livros do género vi o papel das redes sociais a ser abordado. É muito interessante e realista a forma como a escritora vai encaixando estes elementos ao longo do texto. É muito real, muito próximo daquilo que, nos dias de hoje, facilmente encontramos no Facebook e no Twiter. Foi tão realista que enquanto lia o livro facilmente me recordei de crimes mediáticos que aconteceram em Portugal, nomeadamente o desaparecimento da Joana, da Maddie, do bebé Madeirense... Infelizmente, é um livro ficcional que tem muito de realista e espero que a escritora mantenha este registo.

Servindo-se de todas estas armas narrativas, Cara Hunter atira-nos para o desespero de uma família cheia de esqueletos no armário. E como não bastam os esqueletos da família de Daisy, ainda nos oferece os esqueletos inspetor Adam.
Quanto à família de Daisy, a autora conduz-nos por um ambiente familiar complexo. A complexidade é nos oferecida de forma doseada, mas sem deixar espaço para aborrecimentos. É um livro cheio de ação e de acontecimentos. Não há tempo para o tédio. Ao virar de cada página encontramos algo de novo, algo que nos faz pensar afinal quem é que andou a tramar isto tudo. Tive sempre muitas desconfianças, mas muito poucas certezas. 

Achei toda a equipa de investigação muito interessante e muito bem construída. Fiquei com vontade de saber mais sobre todos eles, e espero receber mais informação no livro seguinte. Adam é a cereja no topo do bolo. Um homem com um passado doloroso, que no fim, ao saber o que lhe aconteceu fiquei com o coração apertado. Infelizmente, senti falta de mais. Precisava de ter lá escrito tudo o que aconteceu na vida deste homem um meses antes daquela fatalidade. Precisa de o compreender mais, de ver o seu interior de uma forma mais plena.

O final... Bem, mais um daqueles que jamais irei esquecer. Se por lado foi surpreendente (apesar de ao longo do livro pensar que aquela personagem estava implicada de alguma forma) por outro deixou-me um gosto agridoce. Tenho dificuldade em lidar com injustiças. E este final é de certa forma injusto. Fiquei frustrada porque não fechou da história de forma totalmente conclusiva. Eu precisa de mais. Porém, tenho a leve desconfiança que num próximo livro este caso ainda irá ressuscitar. 
29
Jul19

Opinião | "A Costureira de Dachau" de Mary Chamberlain

A Costureira de Dachau

Classificação: 4 Estrelas

A Costureira de Dachau é o livro que nos conta a história de Ada Vaughn. Ada é jovem, ambiciosa e demasiado inocente. A conjugação destas características tornam-na numa personagem um pouco irritante e fizeram com que muitas vezes me enervasse com ela. Houve outras tantas vezes que me apeteceu saltar para dentro do livro e dar-lhe alguns abanões, principalmente porque percebemos que ela jamais irá aprender com os seus erros. 

Ada tem um talento especial para a costura, mas um dedo podre no que toca às escolhas de pessoas para construir relações. São as escolhas e as pessoas a quem se vai associando que tornam o percurso dela doloroso e cheio de sofrimento. 

Não é um livro comum relativamente ao tema da 2ª Guerra Mundial. A degradação humana que encontrei neste livro é um pouco diferente daquele que já encontrei em livros que decorrem neste espaço temporal. É diferente porque apesar de sentir pena por Ada, também me revolta imenso porque ela colocou-se a jeito daquilo que foi encontrar na vida. Uma sucessão de más escolhas conduziu-a por diferentes espaços durante a guerra, mas ela consegue superar as adversidades e a vida volta a dar-lhe uma oportunidade.

Pensei que no pós Guerra, Ada se comportaria de forma diferente. Acreditei que ela iria aprender com os erros do passado. Acho que ela tinha alguns problemas de inteligência, pois não conseguia antever consequências dos seus atos. 

É um livro com descrições muito intensas. Tem cenas duras e capazes de produzir uma enorme angústia. As personagens estão bem apresentadas pois provocaram-me sentimentos, deixaram uma marca em mim. 
O final do livro é dos mais inesperados com que já me cruzei. Um verdadeiro desespero!! Apesar de todas as más opções de Ada, o final que lhe foi reservado é injusto. Eu fiquei sem pinga de sangue, quando me apercebi do rumo dos acontecimentos. É um final forte e impactante e que, por muito tempo que passe, acho que irei sempre recordar. 

A Costureira de Dachau  é um livro com uma carga emocional muito dura e sem espaço para respirar e apreciar coisas positivas. É uma verdadeira amostra da podridão do ser humano, um retrato das pessoas que não olham a meios para atingir os seus fins e satisfazer os seus caprichos. Um livro que encaixará nas minhas memórias mais duras e tristes. 

Nota: Este livro foi-me disponibilizado pela editora em troca de uma opinião honesta. 

26
Jul19

Opinião | "Ensaio sobre a cegueira" de José Saramago (Blindness #1)

Ensaio sobre a Cegueira

Classificação: 4 Estrelas

Tenho de admitir que sempre tive alguns preconceitos com os livros de Saramago. Pelo que ouvia outras pessoas falar, por aquilo que me diziam... De mãos dadas com os preconceitos andava o medo. Sim, eu tinha medo de pegar nas obras do autor e odiar. Senti que não seria algo muito justo de se escrever, ainda por cima sobre um autor vencedor de um prémio Nobel. 

Não foi uma leitura fácil. Aqui vejo-me obrigada a concordar com a Célia Loureiro. Tal como ela, acho que a escrita é uma verdadeira floresta de silvas. É genial a forma como ele articula discurso direto com indireto, mas inicialmente foi penoso para mim. Senti algumas dificuldades em adaptar-me. A partir do meio do livro, as coisas ficaram melhores. Já conseguia acompanhar melhor a história, mas a estranheza continuava lá. 

A história foi uma boa surpresa. Acho que é um daqueles livros capazes de inspirarem boas discussões em torno das interpretações que surgem desta leitura. À medida que ia lendo, dava por mim a pensar no quão bom seria ter o meu professor de Português do secundário a analisar esta obra. 
Senti-me intrigada por tanta coisa que aconteceu neste livro. Em muitos momentos pensei em Saramago e em que é que ele estaria a pensar quando escreveu aquela cena. Queria conhecer as motivações pessoais por detrás da ficção. 

Achei interessante a ausência de nomes das personagens. Não sei se é prática comum do escritor, mas aqui fez todo o sentido. Nesta história, aquilo que interessava eram as características das personagens. Interessava conhecer as suas motivações, as suas dificuldades... Era importante perceber de que forma elas passavam a lidar com a sua nova situação.

Muitas partes do livro eu interpretei como uma crítica à sociedade. A forma como os cegos viviam na clínica onde foram isolados é uma pequena amostra daquilo que nós, cidadãos, vivemos em liberdade. Há sempre aqueles que se aproveitam dos mais fragilizados, há aquele que no meio de toda a cegueira social consegue ver mais além e orientar de forma positiva os outros, há aqueles que se sentem simplesmente perdidos e desamparados e há outros que nasceram para serem lideres.
A imundice, a sujidade e as necessidades fisiológicas básicas são tão bem descritas que me causaram repulsa. Cheguei a sentir-me verdadeiramente enjoada com algumas situações.

Quero ler mais livros de José Saramago. Penso que com o hábito me consigo adaptar a escrita. Que livro do autor recomendam para uma próxima leitura?
15
Jul19

Opinião | "Em Nome do Amor" de Lesley Pearse

Em Nome do Amor

Classificação: 4 Estrelas

Li o primeiro livro de Lesley Pearse há mais de dez anos. Foi um presente de Natal e depois da leitura tornou-se num livro precisou. Fiquei fã da história e da escrita da escritora. Desde aí já foram vários os livros que li dela e grande maior parte deles ficaram-me na memória e no coração. Pensar em Lesley remete-me para histórias memoráveis, onde acompanhamos a vida de uma personagem de forma intensa e pormenorizada e onde o drama é usado de uma forma irrepreensível. Para mim, são poucas as escritoras que escrevem histórias dramáticas como a Lesley escreve.

Dada a minha obsessão com os livros da Lesley fiquei imensamente feliz quando recebi este livro cá em casa.

A história tem como espaço temporal os anos sessenta e retrata o contexto social e o lugar que as mulheres ocupavam na sociedade da época. 
A nossa protagonista é uma jovem mulher, Katy,  cheia de garra e que luta por aquilo que quer e defende com garra e perseverança aquilo em que acredita. 
Para além de Katy há duas outras personagens femininas com um papel muito importante na história. Gloria e Edna são duas personagens secundárias que mereciam um livro só delas. Mereciam que as suas histórias de vida fossem contadas. 


Katy sonhava com mais para a sua vida, mas quando o destino trocou-lhe as voltas e vê-se abraços com um problema para resolver. O pai é acusado de ser o responsável pelo incêndio na casa da Glória. Confiante na inocência do pai, acaba por se meter num grande sarilho. 
Hilda, a mãe de Katy, é outra personagem feminina muito intrigante. Tem uma personalidade muito peculiar e que não mostra muita empatia por ninguém. 

Este é um livro de personagens cheias de contrastes e recantos obscuros. Pessoalmente, o que mais gostei foi conhecer esses recantos desconhecidos e cheios de histórias ocultas. Foram esses recantos que me fizeram conhecer um bocadinho melhor as personagens e me trouxeram lembranças daquilo que é o estilo da Lesley.

Este livro careceu de profundidade. Faltou-lhe aquele toque de detalhe muito característico na forma de contar histórias desta escritora. Há partes muito apressadas, comparativamente a outros livros. Há determinadas cenas e personagens que mereciam mais protagonismo.

O epílogo ofereceu-me um vislumbre daquilo que foi o futuro de Katy. Porém eu não queria apenas o vislumbre, eu queria o pacote de experiências completo. 
Apesar de ser um dos livros mais sintéticos da autora, mantém a mesma qualidade comparativamente a outros livros que já li da escritora, mantém a intensidade de emoções e a capacidade de nos contar uma história que ficará na minha memória.

Nota: Este livro foi-me disponibilizado pela editora em troca de uma opinião honesta.

11
Jun19

Opinião | "Uma Noite no Expresso do Oriente" de Veronica Henry

Uma Noite no Expresso do Oriente

Classificação: 4 Estrelas

Assim que terminei este livro a minha vontade era fazer as malas e apanhar o Expresso do Oriente em direção a Veneza. Fiquei encantada com a viagem que as personagens fizeram e para além disso adoro andar de comboio, ou seja, seria uma viagem ideal para mim.

Começando por fazer uma análise mais abrangente do livro, Uma Noite no Expresso do Oriente agrega um conjunto de personagens diversificadas, com diferentes histórias que têm em comum o destino de viagem e o meio de transporte. 
Não é um livro complexo, nem emocionalmente exigente. A escrita é fluída e objetiva, o que se traduziu numa leitura rápida e descontraída.

As histórias de vida que vamos conhecendo ao longo destas páginas remetem-nos para situações de vida comuns a muitas pessoas. E, ao mesmo tempo que vamos conhecendo a suas ações durante a viagem, o seu passado é-nos apresentado de forma a justificar um pouco a presença daquelas pessoas e a importância daquela viagem para elas.
Riley e Sylvie são amigos especiais, que se juntam especificamente para fazer esta viagem de comboio. Apesar de já terem sido muitas as viagens a bordo deste comboio, esta será especial. Gostei de conhecê-los. É uma história de amizade muito bonita e muito altruísta. 
Emmie e Archie trazem um fina camada de humor e amor. É divertido assistir à forma como ambos vão para juntos a esta viagem. Têm um lado divertido e despreocupado, mas quando mergulhamos na sua história de vida, o drama surge e fez-me desejar muito um final feliz para ambos, independentemente da existência ou não de um romance.
Stephanie e Simon são protagonistas daquilo a que eu gosto de apelidar como dramas familiares. Dois adultos, dois adolescentes e necessidades psíquicas e emocionais distintas. Stephanie é a madrasta ("boadrasta") e gostei de ler sobre ela e sobre a forma como ela se integrou na família e sobre o impacto das suas opiniões nos comportamentos de todos. É bom ler sobre famílias reconstituídas onde a madrasta não é diabolizada.
Imogen e Danny são um casal que pretende quebrar preconceitos. Foi o passado deles que mais gostei de conhecer. Admirei o percurso de Danny e a forma como ele tentou evoluir a partir do meio complicado em que cresceu. Senti falta de mais pormenores acerca deles, queria mais momentos de interação e de diálogo. 
A par de todas estas histórias atuais, há uma história passada que envolve Adele, William (avós de Imogen) e Jack. Esta história fez-me devorar páginas só para chegar às páginas onde estava descrita esta história. Senti-me demasiado ligada a estes acontecimentos passados. A autora contou muito bem esta história e muniu-se de elementos narrativos bastante apelativos. 

Esta leitura foi uma surpresa muito agradável. Não esperava gostar tanto quanto gostei. Li algumas opiniões menos favoráveis ao livro, por isso contava com uma leitura satisfatória, mas sem me causar emoções positivas. Felizmente aconteceu o contrário! O livro encantou-me e as histórias aqueceram-me o coração e encheram o meu espírito de positividade. 
29
Mar19

Opinião | "A Caminho do Altar" de Julia Quinn (Bridgertons #8)

A Caminho do Altar

Classificação: 4 Estrelas

Ler um livro da série Bridgertons é entrar em histórias repletas de momentos divertidos, acompanhados de um romance capaz de produzir alguns suspiros e com personagens muito próprias e que espelham o estilo da escritora. Para mim, tem sido muito bom ler estes livros! Sou fã da série e, geralmente, pego num destes livros quando preciso de uma história mais ligeira e quando estou a precisar de alegrar a alma. 

Este é o oitavo livro da série. Falta-me apenas um para terminar e já sinto saudades desta família tão cheia de peculiaridades. 
Aqui conhecemos a história de Gregory, o último irmão da família ainda solteiro. Um homem de paixões intensas que nem sempre tem o discernimento necessário para olhar de forma mais profunda para os seus sentimentos. Não fui abalroada pela paixão intensa. Foi demasiado amor à primeira vista para me cativar. Porém, à medida que a narrativa evolui, vou sentido mais afinidade com o Gregory.
Irritou-me aquilo que o levou a apaixonar-se... Foi demasiado simplista, sem grande envolvimento e não me ativou os sentidos. 

Lucy conquistou-me quase instantaneamente. Gostei dela e da forma descontraída como lidava com as atrações que eram dirigidas à sua melhor amiga. Admirei a inteligência dela e irritei-me com a sua forma de ser tão certinha (acho que foi o choque com a minha própria personalidade), até porque houve alturas em que me pareceu que a inteligência dela não estava a ser usada na sua máxima expressão. 

Apesar de ter gostado do livro, de me ter rido e divertido com as cenas caricatas que Julia Quinn tão sabe escrever não me senti fascinada nem encantada com este livro. Faltou-me o entusiasmo que surgiu na leituras dos primeiros livros da série. Não penso que seja cansaço na leitura dos volumes da série, nem do facto de ler muitos livros da autora. Passou quase um ano desde que li o livro anterior e neste espaço de tempo não li nenhum outro livro da autora.  Por isso, acho que foram mesmo os conteúdos da história que não tiveram o mesmo efeito em mim. 

Mesmo perante aspetos que não funcionem tão bem, a leitura não fica comprometida porque os diálogos são rápidos e divertidos e a escrita de Julia Quinn cativa a nossa atenção.
Curiosa para ler o final desta série. 


15
Fev19

Opinião | "Amor Cruel" de Colleen Hoover


Classificação: 4 Estrelas

Amor Cruel é o quarto livro da Colleen Hoover que leio e há um aspeto que posso afirmar com toda a certeza que a escrita da autora tem um toque emocional muito especial. Mesmo escrevendo sobre assuntos amplamente abordados na literatura e no cinema, mesmo usando clichés ao longo dos seus livros e mesmo sabendo como eles terminam é inegável o cunho pessoal. Em cada descrição e em cada diálogo sobressai uma sensibilidade especial para transformar palavras, ações e personagem em emoções muito realistas. Perante isto só vos posso dizer que sou incapaz de resistir a estes livros.

Logo no início deste livro é possível verificar esta sensibilidade. As emoções começam logo nas primeiras páginas e isso agarrou-me logo à história.
Eu gostei da história, gostei da carga emocional que envolvia o Milles assim como a forma como essa carga cresceu ao longo da narrativa. 
Contudo, neste livro, aconteceu-me algo curioso. Adorei todo o conteúdo narrativo, mas embirrei um pouco com as personagens ao ponto de não criar grande afinidade com elas. Para mim, Milles e Tate apresentam uma elevada maturidade para a idade, porém bem sempre essa maturidade acompanhava as ações e comportamentos que eles apresentavam. Esta inconsistência entre comportamento e personalidade chateou-me e irritou-me um bocadinho.
Apesar desta minha irritação consegui perceber que existia ali muito sofrimento e que isso estava a interferir na lucidez das personagens.

Outro aspeto que me impediu de dar um pontuação mais elevada ao livro foi a forma como a relação foi construída. Senti que houve uma enorme valorização da relação física, mesmo quando eu já esperava algo mais daquela relação entre Tate e Miles. Demoraram a evoluir enquanto casal, pareceu-me que estavam demasiado focados na relação física mesmo quando se sentia a necessidade de desbloquear alguma coisa entre eles e apresentar uma maior profundidade emocional. 

Também acho que a autora não esgotou algumas situações importantes. Senti que ela foi superficial em alguns assuntos e apenas nos contou certos acontecimentos, principalmente no que respeita ao passado de Milles. 

Li este livro de uma forma voraz porque muito facilmente fui envolvida pela história e consumida pela minha necessidade de procurar mais respostas para as minhas dúvidas.
Acho que este livro é o ideal para todos aqueles e aquelas que são incapazes de resistir a um bom romance. 

29
Out18

Opinião | "O Silêncio da Chuva de Verão" de Dinah Jefferies

O Silêncio da Chuva de Verão
Classificação: 4 Estrelas

O Silêncio da Chuva de Verão marca a minha estreia com a autora Dinah Jefferies. Estive atenta às suas publicações anteriores e todas elas me tinha despertado interesse, por isso estava curiosa por conhecer as suas história e a forma como ela as decide contar.
Não tive um início de leitura fácil. As coisas acontecem de forma lenta. Fui conhecendo a Índia colonial aos poucos, pelos olhares de Eliza, de Jay e de Clifforf. De forma lenta e compassada fui-me apropriando dos sons, dos cheiros e dos elementos que caracterizam a cultura indiana. Eu queria mais emoção, mais dinamismo, mas agora que terminei a leitura sei que precisava deste saborear lento dos elementos. Tudo para que o final do livro entrasse diretamente para o meu coração.

Eliza é uma inglesa que vai para a Índia colonial viver com a família real indiana. Gostei de ler sobre a forma como ela apreende uma cultura que não lhe era totalmente desconhecida. Gostei de a ver com o Jay. A autora construiu um romance bonito em torno deles dois. Na minhas perspetiva só lhe faltou um leve toque que conferisse ao romance deles mais emotividade. Acho que a autora poderia ter brincado mais com as sensações e construído diálogos mais expressivos. Isso fazer-me-ia sentir mais próxima deles e apreciar ainda mais o amor doce com perfume de sândalo e pincelado com os tons quentes que povoam a Índia.

Não posso esquecer de referir que o livro tem uma componente histórica que gostei de conhecer. A relação dos impérios europeus sobre as suas colónias é um aspeto pouco abordar em termos de literatura e de fição. Por isso, gostei muito de ler e conhecer estas particularidades e rivalidades entre britânicos e indianos. Acho que aqui Eliza teve um papel fundamental, trouxe uma voz mais neutra. Uma voz que vibrava com o fascínio pelas cores e perfumes indianos, que se entristecia perante as agruras com que muitos indianos conviviam e que se indignava com a forma como os britânicos exerciam o seu poder naquela colónia.

É um livro que irei guardar na memória e no coração. Um livro para reler mais tarde e redescobrir os mistérios do amor e da sua imprevisibilidade. Reler sobre um amor que aproxima e que faz quebrar convenções culturais. Um amor que alimenta as mudanças sociais e dos interior das pessoas. 

Nota: Este livro foi-me cedido pela editora em troca de uma opinião honesta.

19
Out18

Opinião | "A Aia" de Eça de Queirós

A Aia
Classificação: 4 Estrelas

Em Setembro decidi ler um conto que li, pela primeira vez, há mais de 17 anos. 
É um conto envolto em boas memórias. E essas boas memórias diziam-me que tinha gostado. Por vezes, as nossas memórias são enganadoras, por isso é sempre bom fazer uma atualização da leitura. Neste caso, as memórias não estavam erradas. Voltei a gostar muito do conto e da sua mensagem.

A escrita deste conto é muito simples, porém acompanha uma história bastante forte. É um conto sobre lealdade e sacrifício. Um conto onde o altruísmo prevalece perante as necessidades pessoais.

Esta leitura fez-me pensar no facto de que eu leio muito pouco Eça de Queirós. Gostei tanto do pouco que já li, que me sinto quase na obrigação de ler mais. Uma situação a mudar nos próximos tempos.