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Por detrás das palavras

Por detrás das palavras

20
Mar21

Opinião | "Mistérios do Sul" de Danielle Steel

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Uns anos atrás lia muito Danielle Steel. Foi das primeiras escritoras deste género de livros que mais fui lendo. A biblioteca municipal tinha muitas obras da escritora e eu fui lendo tudo o que podia. Das muitas leituras que fiz, guardo com carinho "A mansão Thurston" e um dos meus preferidos da vida "Mensagem do Vietname". 

Hoje em dia, ainda leio com carinho as obras desta escritora mas sem o encanto dos olhos de uma leitora com pouca experiência e com pouco conhecimento das obras literárias. Gosto de ler, são livros que divertem e entretêm, mas falta-lhes a profundidade e uma escrita com maior capacidade de demonstração que passei a encontrar noutras obras.

"Mistérios do sul" representa uma tentativa da escritora introduzir uma componente de thriller nas suas obras. Na minha perspetiva não funcionou muito bem. Acabou por se perder um pouco no drama central que vai alimentando a narrativa. Esta é uma história de uma mulher que supera de um divórcio difícil. É o processo de cura emocional de Alexa que marca o ritmo e a abordagem do livro. O pequeno apontamento de thriller contextualiza um pouco a dinâmica da ação, mas não foi bem desenvolvido o que acabou por se diluir demasiado na ação do livro e deixou-me a pensar um pouco sobre a congruência daquilo.

Bem, foi uma escolha da escritora para que se pudesse desencadear a mudança na narrativa. Isto possibilitou que Alexa manda-se a filha para o Sul. A partir daqui tudo se desenrola em função de Alexa, do seu ex-marido e da história do passado que todas estas personagens partilham.

Há personagens um pouco estereotipadas, o que, aos meus olhos, retira um pouco da aproximação da história à realidade. No fundo, tudo parece demasiado fabricado para existirem os bons e os maus e esta divisão já pouco acrescenta ao universo literário.

"Mistérios do Sul" é daquelas leituras calmas que permitem umas boas horas de entretenimento. É um drama que se lê com a certeza de que receberás aquele final feliz que tanto aconchega e o coração e deixa no pensamento rastos de uma boa positividade. 

Nem sempre precisamos de ler obras complexas que convidem a reflexão. Por vezes, precisamos apenas um livro ligeiro que retire o peso de realidades mais densas e que nos sugam as energias boas.

Conheces Danielle Steel? Tens algum livro preferido da escritora?

Classificação

31
Mai19

Opinião | "Uma verdade muito simples" de Jodi Picoult

Uma Verdade Simples
Classificação: 5 Estrelas

Há um aspeto que eu aprecio muito nos livros de Jodi Picoult que é a sua capacidade de criar personagens muito humanizadas e com muitas dimensões interiores. Não consigo categorizas as personagens em boas ou más, porque todas elas têm comportamentos que podem ser classificados de bons e de menos bons. Esta forma de construir personagens está muito bem ilustrado através das personagens que figuram neste livro.
Esta leitura também foi uma forma de constatar que os livros da Jodi Picoult são bons para acabar com a minha falta de vontade de ler. Andava a ler muito pouco. Simplesmente não me apetecia ler e tinha dificuldade em me entregar às histórias. Assim que comecei a ler este, os sentimentos adversos fugiram e agarrei-me à leitura com unhas e dentes.

Uma Verdade Simples mostra-nos o quotidiano de uma comunidade amish. Eu não fazia ideia da existência desta comunidade nem das suas características. Ao longo destas páginas (e com alguma pesquisa adicional) fiquei a conhecer quais os princípios que regem o comportamento dos elementos desta comunidade. É uma comunidade com as suas particularidades e ao longo do livro é interessante conhecê-las e refletir sobre o impacto destas nos comportamentos e vivências das personagens. 
Katie é a personagem que mexe com as engrenagens da história. Não foi difícil sentir empatia por esta jovem que se vê presa em dois mundos e apesar da sua lealdade em relação a um deles, foi incapaz de resistir ao sentimento inebriante que só a sensação de liberdade nos pode oferecer.

Apesar da vida de Katie apresentar imensas mudanças, ela será a alavanca que impulsionará mudanças na vida de Elli. 
Elli é a advogada que aparece para defender Katie. É engraçado assistir à relação que as duas vão construindo e de que forma os desejos opostos de cada uma servem para curar as feridas que cada uma guarda na alma. 

E no meio de todos os silêncios, de muitas das coisas que não foram ditas surge Coop. Como gostei deste homem e da forma como ele e Elli se encaixavam. São daquelas personagens literárias que gostei de conhecer e que eu gostava que existissem na realidade. 

Ao longo de muitos avanços e recuos há coisas importantes que sobressaem e que se intrometeram nas minhas reflexões. Até que ponto é que limitarmos ou condicionarmos as nossas vidas em função de uma cultura nos impede de crescer enquanto pessoas? Até que ponto é que essa mesma cultura nos pode afastar daqueles que amamos? E a pressão social do grupo? Como é que essa pressão nos molda e nos formata enquanto pessoas?
Mas por outro lado, quão importante é abrandar e prestar atenção às coisas mais simples da vida? Quão importante é sentir que pertencemos a um espaço, a uma comunidade onde nos sintamos amados(as)? 
E é aqui que reside a magia de Jodi Picoult, ou seja, a sua capacidade de nos fazer gostar e não gostar das situações e das personagens. Fui confrontada com diferentes pontos de vista e tudo está encaixado de forma a me fazer pensar sobre eles. Isto para mim é magnífico e torna um livro muito especial.

E depois um final que foi capaz de me deixar sem palavras e me deixou a pensar. Afinal, se eu fosse a Elli o que faria? Tomava a mesma decisão dela ou outra? Ainda hoje, passadas três semanas do fim da leitura, não tenho uma resposta concreta para algo que, considerando os diferentes pontos de vista, tem múltiplas formas de ser resolvido.
16
Jun18

Opinião | "Laços Familiares" de Danielle Steel

Laços Familiares
Classificação: 3 Estrelas

Já me considero experiente no que respeita à leitura de livros da autora Danielle Steel. Já perdi a conta à quantidade de livros que li. Na memória dos favoritos guardo A Mansão Thurston e  Mensagem do Vietnam. Foram os livro que, até ao momento, mais gostei da autora e ainda nenhum outro me conseguiu conquistar como estes dois.

Laços Familiares foi apenas uma leitura agradável e que ficou longe de me arrebatar. Nestas páginas encontrei uma história simples que se debruçava sobre as vivências familiares, a amizade e o amor. Em alguns momentos senti que a autora estava a ser um pouco repetitiva nos conteúdos abordados e na forma como se referia aos comportamentos e pensamentos das personagens.

Relativamente às personagens senti-me um pouco desligada delas. Senti falta de algo que me fizesse senti-las como reais. Em certos momentos pareceram-me personagens muito fabricadas e com tonalidades de futilidade que me deixaram um pouco aborrecida.

Apesar de tudo, a escrita simples e a história pouco complexa consegui uma leitura descontraída e pouco exigente. Foi o livro ideal depois de um leitura pesada e que me desorganizou as emoções. 
Continuarei a ler livros da autora na busca de histórias intensas e personagens inesquecíveis.