Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Por detrás das palavras

Por detrás das palavras

Opinião | "Não contes a ninguém" de Karen Rose (Romantic Suspense #1)

10.09.21

Untitled design (14).jpg

Os livros de Karen Rose não circulam muito pelas redes. Vejo poucos(as) leitores(as) a apostas nesta escritora, o que é uma pena. 
O foco narrativo que a escritora segue centra-se na apresentação de um ou vários crimes, a investigação que o(s) acompanha e uma história de amor com algum erotismo à mistura. 

"Não contes a ninguém" é um livro que segue um registo ligeiramente diferente daquele a que eu já estava habituada. É uma história que vive mais do suspense e da tensão psicológica. É isso que vai movendo grande parte da ação. A outra parte é composta pelo desenvolvimento de uma relação amorosa. 

O tema central do livro, e de onde partem todos os outros acontecimentos, é uma situação de violência doméstica. Por isso, desde o início que conhecemos o criminoso e as vítimas. Aquilo que vai sendo descoberto aos poucos é a dimensão da violência e o impacto que ela foi causando na mãe, Mary Grace (Caroline - novo nome) e no seu filho. 

Apesar de o livro não te ter encantado tanto como os anteriores que li, gostei muito desta história e do seu desenvolvimento. Foi uma leitura sôfrega e marcada pela expetativa. Esta expetativa decorria em duas frentes: 1) ver como o caso de violência doméstica se iria resolver e 2) perceber como é que Max e o seu romance iria crescer tendo em conta as feridas que marcavam cada uma das personagens.

Acho que um aspeto que não me deixou tão satisfeita com este livro esta relacionado com o amor instantâneo que nasceu entre Max e Caroline. Foi uma atração demasiado imediata e isso fez-me alguma confusão. 
No decorrer deste meu incómodo com o romance destes dois sucederam um conjunto de situações que me fizeram torcer o nariz. Acho que a Caroline foi exageradamente dramática com o Max e teve uma atitude estúpida relativamente ao passado dele. Pareceu-me um pouco hipócrita, uma vez que ela também tem ali arestas afiadas na sua personalidade e na sua forma de ser que precisavam de ser ajustadas. 
Apesar destes elementos que considerei menos positivos, lá me acabei por apaixonar por estes dois e torcer por um final completamente feliz para ambos. 

Todo o desenvolvimento criminal prendeu a minha atenção. O final foi muito bem construído. Nota-se o cuidado em não terminar tudo à pressa. Houve tempo para que o clímax crescesse e a minha angústia por ver como tudo aquilo iria terminar sofreu com este cuidado da escritora em dar tudo ao(à) leitor(a) o mais pormenorizado possível

Infelizmente, nem todos os casos de violência doméstica têm o desenvolvimento e o desfecho deste. Mary Grace/Caroline foi inteligente e corajosa. Quis lutar por um futuro diferente para o seu filho. A luta dela foi inspiradora. Perceber aquilo que ela necessitou de ultrapassar para conquistar um lugar seguro foi bastante emotivo. Considero que ela se tornou numa inspiração para mim, mais especificamente a sua coragem e a sua capacidade de seguir em frente apesar de toda a porcaria de vida que tinha à sua volta. Gostava que ela servisse de inspiração para outras pessoas, principalmente para aquelas que se veem a braços com situações semelhantes.

Se os ingredientes que fazem este livro forem do vosso agrado, acho que devem tentar ler algo desta escritora. Ela merece mais atenção por parte dos leitores.

Classificação

Opinião | "Tambores na noite" de Marion Zimmer Bradley

24.08.20

P_20200810_102526.jpg

A minha relação com livros de fantasia é "espinhosa". É muito difícil encontrar um livro deste género que me encante e que me prenda na leitura. Vou continuando a ler livros deste género para me obrigar a sair da zona de conforto e para diversificar a minha experiência enquanto leitora. Por vezes, tenho boas surpresas, como é o caso dos livros de Juliet Marillier de quem fiquei fã.

Geralmente, livros com bruxaria, misticismo, feitiços, magia negra e branca e lendas são capazes de me agradar e oferecer bons momentos de leitura.
Em "Tambores na noite" o lado da fantasia toca nestes elementos, o que permitiu que a minha leitura fosse agradável e satisfatória. Gostei de ler o livro e de conhecer um pouco da cultura mística do Haiti.
Não foi uma leitura brilhante nem memorável, mas conseguiu captar a minha atenção e permitiu-me construir uma ligação com a história e com as personagens. 
Fui positivamente surpreendida com a escrita de Marion Bradley. É expressiva e mantém o equilíbrio certo entre descrição, narração e diálogo. Esse equilíbrio oferece um bom dinamismo à narrativa e impede que o aborrecimento surja.

As personagens são interessantes e são a alma de toda a história. Nem sempre compreendi as suas atitudes e comportamentos, nem sempre elas são caracterizadas de forma completa; contudo, no fim, tudo fez sentido.
As páginas finais com o perfil astrológico são muito interessantes e ofereceram-me um novo olhar pelas personagens e sobre o seu papel na história.

Agora tenho na estante um dos volumes da série "As brumas de Avalon". Sei que é uma série bastante conhecida e até fiquei com alguma vontade de a explorar. 
Conhecem a série? Recomendam-na a uma leitora mais resistente à fantasia como eu? 

Classificação

 

Opinião | "Palomino" de Danielle Steel

19.02.20

7474766.jpgClassificação: 3/5 Estrelas

Danielle Steel foi das primeiras escritoras de romances contemporâneas que comecei a ler. Trouxe um livro da biblioteca e os meus olhos de leitora inexperiente e ávida devoraram a história. Comecei então a explorar outros livros da escritora. Há bons livros! "A Mansão Thurston" e "Mensagem do Vietname" são dois dos meus livros preferidos de sempre e são ilustrativos da capacidade de Danielle Steel em criar boas histórias. Há outros livros mais medianos e sem a profundidade emocional suficiente para me encantar.

"Palomino" é um livro doce. Um livro com amor, traição e superação. Samantha e Taylor são os grandes protagonistas desta história. É um casal improvável que acabou por me conquistar q.b.. Não é uma grande história de amor, não é memorável nem intemporal... É uma história de amor com muita ternura, zangas um pouco estúpidas e infantis e que termina de uma forma que é esperada pelos leitores sempre que se cruzam com um livro deste género.

Não é um livro com muitas surpresas. É uma leitura muito fácil onde houve espaço para que eu pudesse descontrair e me divertir com a leitura. Foi uma ótima escolha de leitura, porque me permitiu desligar de uma série de leituras e emocionalmente mais pesadas e com um conteúdo que exigiu mais do meu funcionamento cerebral.

Com uma escrita muito sequencial e sem floreados, Danielle Steel conduziu-me às zonas mais rurais dos Estados Unidos e fez-me ver o contraste entre estas zonas e o rebuliço das grandes cidades. Mostrou-me que a vida é aquilo que decidimos fazer dela, mesmo quando ela teima em trocar-nos as voltas e nos vai retirando aspetos que nos fazem felizes.

Há uma boa mensagem de superação neste livro e eu gostei de me cruzar com ela.