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Por detrás das palavras

Por detrás das palavras

25
Mai20

Por detrás da tela | "Christmas in Angel Falls" (2017) e "Before we go" (2014)

"Christmas in Angel Falls"

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Ver filmes de Natal fora de época sabe-me bem. Geralmente são filmes que não exigem muita energia e passam sempre uma mensagem de esperança e positivismo. 
"Christmas in Angel Falls" é um filme natalício, onde um anjo fica responsável por ajudar uma localidade a recuperar o espírito de Natal.

Por entre momentos divertidos e romance vamos descobrindo os motivos que arruinaram as vivência natalícias naquela cidade. Ao mesmo tempo que se desvendam os problemas, abre-se caminho à sua resolução. Como podem ver, a linha narrativa é bastante descomplicada e o filme cumpriu a sua função de entreter e proporcionar uma viagem à magia que só os dias natalícios oferecem. 

É um excelente filme para descontrair e reviver as coisas boas que só o Natal consegue oferecer.

"Before we go"

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Quando comecei a ver este filme, de forma instantânea, a minha memória viajou até outro filme. "Before we go" recordou-me "Before sunrise", um dos meus filmes preferidos. Esta recordação não favoreceu muito a forma como assisti a este filme, uma vez que foi inevitável fazer comparações. 

Ambos os filmes partem da mesma premissa, contudo acabam por diferir na forma como a operacionalizam e como constroem a narrativa em torno de dois desconhecidos que se cruzam de forma inesperada. 

Eu gostei do filme, porém foi incapaz de me conquistar na totalidade. A química entre os dois atores não esteve ao nível das minhas expetativas e os diálogos que protagonizaram não me cativaram muito no início.
Com o desenrolar do filme a minha relação com o mesmo foi melhorando. O meu interesse aumentou e as cenas finais conseguiram emocionar-me. 

O enredo não é complexo, o que facilita a envolvência com o filme.Tem uma forte carga dramática o que possibilita ao telespetador construir alguma empatia com as personagens. No meu caso, a empatia não fio maior porque estava sempre a lembrar-me do Jesse e da Céline e dos seus devaneios filosóficos apaixonantes. 

Um bom filme para uma tarde descontraída de domingo.

 

 

06
Mai20

Por detrás da tela | "Coco" (2017)

coco_hero_r_updated_cabed1ce.jpegJá me tinham alertado para a qualidade deste filme, mas é sempre bom constatar pelos nossos próprios olhos essa mesma qualidade e o grau de influência sob as nossas emoções. 

Miguel é um menino que adora música. Tudo nele é ritmo, cor, som e alegria... Mas uma tradição familiar impede-o de abraçar a sua paixão. 
A família, as tradições familiares e os segredos familiares são a pedra basilar desta história. Acima de todos estes aspetos está a cura, cura essa que virá do perdão, dos valores que unem os membros da família e com a capacidade que as famílias têm de se reinventar. 

É um filme que também mostra a importância de nos lembrarmos daqueles que já não estão fisicamente connosco. A importância das memórias positivas nas dinâmicas familiares e para a criação de relações saudáveis são também aspetos bem abordados no filme. 

Eu fiquei encantada pelas cores, pelo som e por aquela reviravolta final que nos deixa a pensar que por vezes o esforço e o talento não são verdadeiramente valorizados em vida. Porém, depois cabe aos vivos fazerem valer a verdade e ajudarem à valorização de um talento. 

Adorei o filme. Ficará na lista dos meus filmes de animação favoritos. 
A quem está fechado(a) em casa com miúdos(as), este filme é uma excelente forma e passarem tempo em família. O filme é curto, mas caso não queiram que as crianças passem muito tempo em frente ao ecrã dividam o filme por dois dias. Aproveitam a pausa entre as duas partes para conversarem em família sobre as personagens do filme, façam desenhos e imaginem como o filme irá terminar.

04
Abr20

Dia 4 | Nosso diário em quarentena

Opinião de um filme

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O desafio de hoje é apresentar a opinião a um filme. Eu vou aproveitar a oportunidade e partilhar com vocês a opinião dos últimos três filmes que vi. 

"Collette" (2018)

21288252_YTcIl.jpegEste foi daqueles filmes que apanhei por acaso na televisão. Chamou-me à atenção e decidi ver. 
"Collette" tem uma sequência narrativa muito interessante. Sidonie é uma jovem francesa que se casa com Willy, um escritor que gosta do luxo e por isso anda sempre com problemas financeiros. Ele acaba por convencer Sidonie a escrever pequenas histórias, baseadas na sua infância , que ele publica em nome dele. É óbvio que isto acaba por se tornar motivo de conflito interior para Sidonie. O mundo dominado pela masculinidade acaba por ser bem representado neste filme. O papel da mulher está longe de ser associado a uma profissão e ao sucesso profissional. Porém, há alguns contornos do romance entre Sidonie e Willy que me apanharam de surpresa no filme e que geram conflitos e reflexões pertinentes. 
Apesar de ter gostado não é um filme que integre o meu top de filmes preferidos da vida. Aliás, é daqueles filmes que basta uma visualização, ou seja, não tenho vontade de o voltar a ver. 
Conhecem o filme? Qual a vossa opinião sobre ele?

Classificação

"O Fim da Inocência" (2017)fim-da-inocencia.jpgApanhei este filme da televisão no fim-de-semana após ter falado dele numa das aulas que dei na universidade. 
Queria ter lido primeiro o livro, mas comecei a ver o filme e a minha curiosidade fez com que o visse até ao fim. 
"O Fim da Inocência" é um filme sobre a vida conturbada de um grupo de adolescentes. Sexo, droga e álcool são dominadores comuns nas relações que se desenham entre eles. 
Foram muitas as vezes em que senti nojo. Fez-me muita confusão a quantidade de comportamentos de risco em que aqueles jovens se envolveram. A minha adolescência e a dos meus colegas está muito longe da realidade que é assustadoramente retratada no filme. Por aqui, foi tudo muito pacífico e os jovens com quem lido também vivem uma adolescência pacifica, com as suas necessidades de exploração, mas com um bom sentido de proteção. Há droga? Claro que sim! Há álcool? Das coisas a que mais facilmente acedem. Porém, aqueles que caem em excessos não me parecem ir tão longe como os adolescentes do filme.
Os jovens que eu conheço não frequentam escolas privadas, são de classe média ou média-baixa e estão conscientes dos perigos do consumo de droga e de álcool. Eu sei que isto não quer dizer que eles não consumam, contudo é algo que os protege em situações de confronto com este tipo de realidades. Também, aos 14 anos, têm ainda uma liberdade muito condicionada pelos pais. Há uma boa supervisão parental.
Por sua vez, o filme é protagonizado por miúdos do ensino privado e com um bom nível socioeconómico. A supervisão parental é muito deficitária. Aos 14/15 anos já têm um grau de liberdade que considero desadequado e desajustados às necessidades de desenvolvimento destes jovens.
Foi interessante ver este filme tendo presente os resultados de uma investigação da qual fiz parte. Esta investigação teve como objetivo conhecer os comportamentos de risco e as experiências adversas na infância de um grupo de adolescentes de um concelho no norte do país. Os resultados revelaram uma realidade um pouco assustadora relativamente a situações de abuso sexual e à saúde sexual. Há comportamentos de risco, mas estes estão circunscritos uma pequena parte da amostra (que era representativa população em estudo). 
Muitos pais devem ter ficado chocados com o filme. Algo perfeitamente normal. Também tenho curiosidade em saber o que sentiram os jovens e saber o que é que eles acham. 
Apesar da dura realidade que o filme retrata e mesmo não me identificando com as vivências retratadas acho que poderá ser um bom ponto de discussão em grupos de jovens e de pais. Consciencializar os pais para a importância do seu papel e da definição clara de regras e limites é algo fundamental para que os jovens cresçam de forma saudável.

Classificação

"Luzes do Norte" (2009)

MV5BMTcyODk0NzExOF5BMl5BanBnXkFtZTgwODc2MzcwMzE@._"Luzes do Norte" serve unicamente para entreter. O enredo é bastante fraco e as interpretação são horríveis. 
Neste filme, há um crime para desvendar! Mas tudo se desenvolve de forma tão pouco coerente e consiste que, por momentos, o filme se transformou aos meus olhos numa comédia de baixa qualidade. Nem o romance que nasce no filme é bonito e com uma mensagem especial. É , simplesmente, previsível e não provoca qualquer tipo de palpitações nem origina suspiros de agrado.
É curioso que apesar do filme ser mau algo nos puxa a ver até ao fim. Eu lá vi o filme, mas com a consciência de que daqui a uns tempos nada restará na minha memória.

Classificação: 

07
Mar20

Por detrás da tela | "Ferdinando" (2017)

MV5BOTIwMDI0NjQ4OF5BMl5BanBnXkFtZTgwNjU0MzAyNDM@._Classificação: 10/10

Sou uma enorme fã de filmes de animação. Acho que apesar de o público-alvo dos mesmos ser as crianças, as mensagens que muitos destes filmes procuram transmitir são também importantes para os adultos.

Ferdinando era um touro diferente. Um touro pacífico que não gostava de touradas. E a partir desta premissa são explorados assuntos que marcam a atualidade e são verdadeiras lutas sociais. O bullying, o amor pelos animais, o preconceito relativamente aos papéis que cada um tem de desempenhar... Tantas coisas que podem ser exploradas neste filme. 

Um filme muito amoroso, com o toque certo de diversão, ação e dramatismo. É daqueles produtos cinematográficos que nunca me irei cansar de rever. Fiquei com o coração tão inundado de amor por aquele touro. 

"Ferdinando" mostra que todos os animais são especiais, independentemente do seu papel no mundo e daquilo que desejam fazer. Mostra, também a necessidade dos humanos olharem com respeito, consideração e amor para todos os animais. Um filme de animação destinado a pessoas de qualquer idade. 

 

 

29
Jan20

Por detrás da tela | "The Silence of the Lambs" (1991)

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Classificação: 9/10 Estrelas

Fiquei com muita vontade de assistir ao filme "The Silence of the Lambs" ("O Silêncio dos Inocentes" em português) depois da comparação com o livro "Uma mente perversa" de Chris Carter. Penso que a comparação foi com o livro, mas à falta do mesmo decidi apostar no filme. 
Não sei em que medida o filme é fiel ao livro,  mas durante a visualização não senti grande proximidade com o livro de Chris Carter. Existem alguns contornos que aproximam o livro do filme, mas não senti uma enorme proximidade entre eles.

O filme é arrepiante! As cenas entre Clarice (a agente) e o Hannibal Lecter (o psicopata) são intrigantes e reveladores de um crescimento profissional de Clarice, ao mesmo tempo que o monstro interior de Hannibal se revela ao exterior. 
A banda sonora que acompanha o filme é fantástica e tem a capacidade de intensificar os momentos de maior suspense. 
As interpretações estão muito bem construídas e conferem credibilidade ao filme.

Toda a linha narrativa é  coerente e foi capaz de manter o meu interesse na resolução do mistério que se adensava à medida que o filme avançava.
Assistir ao final do filme foi desesperante. Com um final aberto que me deixou em pulgas e com a expetativa da existência de continuação (que afinal não existe, pelo que percebi este é que é a continuação de outro). 

Foi um filme muito premiado e, na minha opinião, mereceu todos os Óscares que ganhou. 

Conhecem o filme? Qual a vossa opinião em relação a ele?

15
Jan20

Por detrás da tela | "Assédio" (2018)

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Classificação: 8/10 Estrelas

É raro cruzar-me com opiniões a séries ou filmes Brasileiros aqui na comunidade portuguesa. Eu cresci a assistir novelas brasileiras e muitas vezes me apaixonei por aquelas histórias. Por isso, é com curiosidade que assisto a séries originárias do Brasil.

A minha primeira série de 2020 foi precisamente de origem Brasileira. Há uns meses passou na Globo, eu gravei e vi-a nos primeiros meses do ano. 
"Assédio" é uma série dura. Roger é um médico reputado e muito reconhecido na área dos tratamentos de fertilidade. É o homem que pretende realizar o sonho das mulheres que pretendem ser mães. É um homem de família, muito bem valorizado pelo meio social em que circula. O homem modelo. O profissional de excelência. Porém, é um homem com um comportamento sexual completamente desajustado, que abusa das mulheres que procuram a ajuda dele e que não respeita a mulher com quem casou.  

A série tem uma linha narrativa que me gerou um pouco de confusão  nos primeiros episódios. A série recurra e avança no tempo e foi isso que me gerou confusão. Após os dois primeiros episódios comecei a perceber a linha narrativa. 
Alguns episódios são emocionalmente duros. Todos os episódios deixam transparecer a dificuldade que é provar crimes desta natureza. É angustiante assistir aos relatos daquelas mulheres e sentir com elas a frustração de se sentirem sujas, usadas, abusadas por não saberem como provar a situação. 

Um dos grandes destaques desta série vai para a jornalista Mira que acredita nos seus instintos e vai até ao fim. Mas até a vida dela é uma mensagem para o telespetador. A forma como o trabalho nos consome pode originar situações verdadeiramente periogosas, e esse perigo é vivido pela Mira. 
Alguns depoimentos de mulheres são verdadeiramente dolorosos. O realismo que pauta todos eles, assim como tudo o que se densenvolve na série é brilhante e deixou-me com náuseas. Não é fácil ouvir aqueles relatos, os sacríficos que algumas delas têm de fazer, com por exemplo voltar à clínica depois do abuso só para conseguires a fertilização e conseguir controlar as emoções.

O final tem ali um toque de frustração que imprimi algum realismo à série, porém deixou-me revoltada. Mas lá está, tudo aquilo será assim tão diferente do que aquilo que se passa na realidade? Provavelmente não! Até porque a série é baseada em factos verídicos. 

Recomendo a visualização da série a todos aqueles que sentem algum interesse e curiosidade perante estas temáticas.

07
Jan20

Por detrás da tela | "Gru, o Maldisposto" 1 e 2 (2010, 2013)

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Gru - O Maldisposto 1: 6/10 Estrelas
Gru - O Maldisposto 2: 7/10 Estrelas

Os Minions fazem muito sucesso junto das crianças que eu conheço. Já perdi a conta aos postais de aniversário em que estes pequenos seres amarelos foram os principais protagonistas. Apesar de toda esta minha ligação eu nunca tinha visto o Gru nem o filme que lhe é dedicado.
Como passaram na televisão agora durante a época natalícia decidi aproveitar.

Fiquei muito desiludida com o primeiro. Achei piada a algumas coisas, nomeadamente ao comportamento do Gru e ao seu meio de transporte e claro aos Minions. Fora isso achei o filme um pouco aborrecido e em que a mensagem não passou de forma muito clara. Gostei imenso da Margô, da Agnes e da Edith e da mensagem que as personagens delas procuram transmitir. No fundo, elas são o símbolo de tantas outras crianças institucionalizadas que apenas querem uma família. 

Foi uma filme morno. Dormitei enquanto via e acabei por puxar atrás para não perder nada do filme. Faltou qualquer coisa que me agarre-se à história e que me encantasse como tantos outros filmes de animação já o fizeram.

Com estes sentimentos parti para a visualização do segundo filme. Já achei mais piada. Já consegui olhar para o Gru de uma forma mais humanizada e achei o seu comportamento mais interessante. 
A chegada da Lucy ofereceu um toque mais sentimental e especial ao filme. (Certo, eu não resisto a uma boa história de amor! ) Ela, juntamente com as crianças, fez com que Gru crescesse e revelasse um lado mais especial. 
A temática em torno do filme foi também mais clara para mim. Consegui perceber melhor o propósito do filme e qual a mensagem que prendia oferecer aos telespetadores. 

Sei que há um terceiro filme. A minha vontade de ver está ao mesmo nível da minha vontade de não ver. Não sei o que esperar do filme, não sei se vale a pena investir na visualização. Estou com sérias dúvidas sobre o que fazer...

Bem... desse lado, já viram o 3 filme? Recomendam? Acham que vale a pena ver?

21
Set19

Por detrás da tela | "On Chesil Beach" (2017)


Classificação: 6/10 Estrelas

Vi "On Chesil Beach" devido à recomendação de uma amiga minha. Que por sua vez, tinha recebido como recomendação de uma formadora de terapia familiar. Ela não tinha visto o filme, mas tendo em conta a pessoa que fez a sugestão, achamos que iríamos encontrar material para uma discussão interessante.

O filme é baseado no livro com o mesmo nome de Ian McEwan (em Portugal foi publicado pela Gradiva com o título "Na Praia de Chesil")  e dá-nos a conhecer um jovem casal e a história da sua relação. O filme começa com eles já em lua de mel e vai fazendo alguns saltos temporais ao passado de ambos para ficarmos a saber o que conduziu a esta união.

Achei o filme bastante interessante até conhecer o final e o culminar de um conjunto de coisas que careciam de algum sentido. Aceder às personalidades de cada um deles, ver aquilo que os movia e aquilo que os aproximou e afastou enquanto casal constituiu um contexto narrativo de interesse. Contudo, à medida que o filme evoluía eu ia ficando um pouco aborrecida e frustrada porque não estava a obter resposta a grande parte das minhas questões. Eu senti falta de obter alguma contextualização capaz de justificar, aos meus olhos, o comportamento da Florence. Não fiquei nada convencida de que tudo o que aconteceu entre ela e Edward fosse apenas resultado de pressões sociais. Faltou ali um elo de ligação entre tudo o que assisti e o final que me foi oferecido. 

E assim, uma relação auspiciosa entre mim e o filme foi-se degradando ao ponto de apenas esperar o final para ver se obtinha as respostas àquilo que tanto estava à procura. 
Ainda não li o livro, mas ainda não decidi se o quero ler. Por um lado, tendo em conta a forma como a história do filme se desenrola não tenho vontade nenhuma de me atirar ao livro. Por outro lado, o livro, geralmente, tem sempre mais a oferecer. O que é que vocês fariam? Liam o livro ou não?
14
Set19

Opinião | "Os Invisíveis" (2017) (Original: Die Unsichtbaren)


No último fim-de-semana de Agosto fui visitar uma amiga a Lisboa. Após o jantar escolhíamos sempre um filme para ver. Calhou-me a mim fazer a escolha num dos dias e, pela leitura da sinopse, selecionei Os invisíveis. 

Os invisíveis é um filme que nos conta a história de alguns judeus que durante a Segunda Guerra Mundial viveram clandestinamente, evitando os campos de concentração. Inicialmente pensei que seria apenas ficção, não esperava que o filme fosse enriquecido com as histórias de vida das pessoas que serviram de inspiração às personagens da história. Assim, o filme é a reprodução de um conjunto de histórias verídicas de pessoas que viveram aquele pesadelo, e que são contadas na terceira e na primeira pessoas. 

Eu adorei o filme. Fiquei presa ao ecrã e às diferentes histórias das pessoas que passaram fome, perderam a casa, perderam as pessoas que amavam... É um filme duro. 
Foi um filme que gerou uma discussão saudável com a minha colega. Basicamente a nossa discussão gerou em torno das questões: 1) De onde vem a coragem de abandonar alguém que amamos, ou seja, evitamos a morte, mas deixamos que aqueles que amamos serem enviados para a morte; 2) O que leva uma pessoa a provocar deliberadamente sofrimento na outra; 3) Como será continuar na vida carregando todo o trauma e stress a que foram sujeitos durante aqueles anos e 4) Quão difícil foi para aqueles que ajudaram estes judeus a sobreviver à guerra. 

Não chegamos a grandes conclusões, mas conseguimos empatizar com as escolhas dos protagonistas dos filmes e com o seu sofrimento. Uma grande reflexão que fizemos é que num meio onde prevalecia a luta pela sobrevivência, de certeza que muitas as escolhas eram racionais e não emocionais. Os níveis de angústia, tristeza e stress deviam estar num nível capaz de toldar as emoções de qualquer pessoa. 

Muitas vezes os professores de História procuram filmes para complementar a matéria dada em contexto de sala de aula. Na minha opinião, aos professores que estão darão aulas sobre este negro período da história, este filme é uma excelente escolha e um excelente ponto de partida para uma discussão e reflexão saudável e didática. 
20
Jun19

Por detrás da tela | "Flores Raras" (2013)

Classificação: 8/10 Estrelas

Não era meu costume assistir a cinema Brasileiro. Porém, depois de assistir ao filme Olga passei a estar mais atenta e a dar oportunidade aos filmes de um país que produz telenovelas capazes de me deixar viciada às mesmas. 

Este filme surgiu de um livro, Flores Raras e Banalíssimas de Carmen L. Oliveira, e narra a história de amor entre a poetisa americana Elizabeth Bishop e a arquiteta brasileira Lota de Macedo Soares vivida ente os anos 50 e 60.  

É interessante olhar para este filme e analisar a forma como as relações homossexuais eram vividas numa época em que elas não eram socialmente aceites. Há ainda o contraste entre o Brasil e os EUA e a forma como as pessoas destes países se relacionavam com a homossexualidade. 

Foi uma história intensa, bem construída e com excelentes interpretações. As relações humanas, o amor, o trabalho a inspiração para a escrita são elementos que estão muito bem representados no filme. Tive momentos em que me emocionei, momentos em que me revoltei e situações que me deixaram zangada. Estas zangas surgiam sempre por causa da Lota. Era mulher muito dominante e, a meu ver, bastante egoísta. Gloria Pires é uma excelente atriz e esteve brilhante no papel de Lota. 

O engraçado é que Lota deixou-me tão zangada como fascinada. Era uma mente hiperativa, com ideias fantásticas. Nas relações humanas tinha as suas particularidades, e eram essas particularidades que mancham um pouco a sua imagem aos meus olhos. 
Elizabeth precisava de mais garra. Acho que ela não era suficientemente forte para lidar com o espírito de Lora. Este desnível entre as duas foi muito bem dramatizado. Porém, esse desnível era compensado por um amor intenso que produzia uma ligação especial.

O final foi bastante emotivo e diferente do que eu fui construindo à medida que via o filme. Não sei se foi o que aconteceu na realidade (não fui pesquisar), mas achei que era aquele que mais sentido fazia tendo em conta a alma de cada uma destas mulheres.

Recomendo este filme. Está muito bem realizado e produzido, tem boas interpretações e é uma forma de conhecermos outras formas de fazer cinema e valorizar produções para além das norte americanas e inglesas.  

10
Mai19

Por detrás da tela | A Dog's Purpose (2017)

Josh Gad in A Dog's Purpose (2017)
Classificação: 8/10 Estrelas

Foi sem qualquer expetativa que comecei a ver A Dog's Purpose. Nunca tinha lido nem visto nada sobre o filme. Quando terminei de ver o filme só pensava na magia que esta história poderá oferecer a quem o vê. 

Este filme é sobre um cão e as suas múltiplas vidas. É um filme sobre o impacto que um animal tem na vida do ser humano, onde a história nos mostra quanto uma relação entre um humano e um cão pode ser especial de diferentes maneiras. 
Nem tudo foi cor-de-rosa e feliz. O filme também deixou a mensagem que nem sempre os animais recebem o amor que deviam. Talvez haja humanos que não estejam preparados para receber o amor que umas quantas lambidelas são capazes de oferecer.

O filme é emotivo e permite-nos olhar para tudo sobre a perspetiva de um cão que vai assumindo diferentes características. É claro que por entre lágrimas de emoção também surgem muitas gargalhadas de alegria e do verdadeiro humor que só um cão muito especial é capaz de oferecer. 

A Dog's Purpose é um filme que se tornará especial para aqueles que adoram animais e capaz de de divertir todos aqueles que não abrem espaço no seu coração para estes peludos cheios de amor para dar. 




26
Mar19

Por detrás da tela | "A Febre das Tulipas" (2017)

Tulip Fever (2017)
Classificação: 6/10 Estrelas

Sou fã da actiz Alicia Vikander ao ponto de ver os diferentes projetos cinematográficos que integra (não sei é se consigo ganhar coragem para ver Tomb Rider, pois é um tipo de filmes que não me cativa). Cruzei-me com A Febre das Tulipas e achei que poderia ser um bom filme para uma tarde de domingo.

Este filme é baseado no livro com o mesmo nome da escritora Deborah Moggach. Não conhecia o livro, nunca o li e após o terminar a visualização fiquei com vontade de conhecer o livro. Esta vontade nasce do facto do filme não me ter saciado a curiosidade relativamente à história. Foi tudo demasiado rápido, onde faltou espaço para que as personagens e as situações crescessem e se materializassem. Senti que muitas coisas ficaram apenas à superfície.

A história do filme é nos contada na perspetiva de uma empregada de um homem rico. Este homem é velho e casa-se com uma mulher muito jovem com o objetivo de ter um herdeiro. Encantado com a esposa, este homem contrata um pintor para que ele faça o retrato de ambos, por quem a sua jovem esposa se encanta. Tudo isto é apimentado com o negócio milionário das tulipas.

O filme transporta-nos para uma Holanda do século XVII e oferece-nos algum dramatismo e romance. Porém, as quantidades em que estes ingredientes são servidos e a forma como nos são apresentados faz com que sinta a falta de mais qualquer coisa.
A forma como o filme termina é curiosa e até um pouco inesperada. Pessoalmente, esperava algo mais dramático.

Não é um filme extraordinário, contudo serviu o seu propósito de entreter e ainda deixou espaço para a curiosidade em ler o livro que serviu de base ao argumento do filme.  

11
Mar19

Por detrás da tela | Mamma Mia! Here I go again (2018)


Classificação: 8/10 Estrelas

Sou fã da música dos ABBA e adorei ver o Mamma Mia. Por isso não podia deixar de ver este filme. 
Este filme é um regresso ao passado de Donna, possibilitando-nos conhecer melhor esta personagens, como foi a sua juventude. Estas partes do filme são divertidas e muito dinâmicas a atriz que interpreta  Donna na fase da juventude conseguiu transmitir aquilo que a Donna adulta deixou bem presente no primeiro filme. 

Intercaladas com as cenas do passado, temos as cenas do presente. Sophia tenta realizar o sonho da mãe. Fiquei imensamente triste por não ter Donna no presente. No contexto do filme faz sentido a sua ausência, mas eu gostei da presença dela no primeiro filme. 

É um musical, por isso esperem muita música. Tal como no primeiro filme eu adorei a forma como as músicas dos ABBA eram integradas na história. 
É ainda de reforçar as belíssimas paisagens onde o filme é gravado. Enchem a vista e deixam uma enorme vontade de voltar para lá. 

Este filme é uma excelente companhia de domingo à tarde ou dos dias de chuva. É ideal para ver em família, mas também é bom para animar almas mais solitárias. 
04
Mar19

Por detrás da tela | "The Light Between Oceans" (2016)


Classificação: 9/10 Estrelas

Queria ter lido primeiro o livro e só depois ver a sua adaptação. Porém, depois daquele entusiasmo inicial que me levou a comprar o livro, a minha vontade de o ler diminui. Consequentemente, fui adiando a visualização do filme. 

No final do filme o pensamento que martelou no meu cérebro foi Porque que é que ainda não leste este livro. Eu adorei o filme. Tenho a certeza que será daqueles filmes que me ficará gravado na memória. A carga dramática que acompanha as personagens principais é tão intensa que me deixou colada ao ecrã do início ao fim do filme. 

A história central deste filme é dedicada a um faroleiro e à sua esposa que vivem isolados numa ilha perdida no oceano. O lugar da ação onde decorre maior parte do filme ofereceu cenários fabulosos e até sensoriais (as ondas do mar, o vento que agitava a vegetação) que fez com que me sentisse ali. A sensação de isolamento social e emocional são aspetos igualmente bem presentes e caracterizados nas cenas do filme. Para complementar todas estas sensações, as cenas são acompanhadas por uma banda sonora com a qualidade inquestionável a que Alexander Desplat já me habituou.

As interpretações são muito genuínas. Alice Vikander não desiludiu. Cada vez mais admiro o seu trabalho. Neste filme em particular o seu desempenho como Isabel foi soberbo. O seu desespero, a sua infelicidade, a forma como lutou com os seus dilemas morais e a forma como lidou com o seu sofrimentos surgiram de interpretações muito realistas e emotivas. Eu senti o desespero dela em cada momento em que se via obrigada a lidar com os seus problemas e a forma angustiada como por vezes tinha de tomar decisões difíceis. 

Para equilibrar este desespero mais visceral e muito presente nas expressões faciais  corporais de Isabel e alguma histeria emocional temos o Michael Fassbender no papel de Tom, o faroleiro e marido de Isabel. É um homem calado, com muitos pensamentos interiores e com dores invisíveis deixadas pela guerra. É um homem que ama imenso a sua esposa, mas não se deixa vergas pela sua consciência moral, aspeto que coloca acima de tudo. A forma como ele lidou com o sentimento de culpa e com a ansiedade revelam o quanto a moralidade e opção por comportamentos corretos modelam a vida e as ações deste homem. Aqui a interpretação fez toda a diferença. Numa personagem mais introvertida, menos expansiva nas relações com os outros precisa de um ator capaz de passar emoções e sentimentos através das suas ações e das expressões que vão preenchendo as diferentes cenas.

E assim a minha vontade de ler o livro renasceu. Só espero que o facto de conhecer a história através do filme não estrague o prazer e a minha entrega à leitura do livro.

25
Fev19

Por detrás da tela | "A Star is Born" (2018)


Classificação: 7 estrelas

Depois de tanta coisa bonita que me disseram e que li sobre este filme esperava que ele me tocasse o coração de uma forma especial. Esperava que ele se tornasse daqueles filmes memoráveis que, por mais vezes que o visse, jamais me sentiria aborrecida. Com muita tristeza minha, este filme não me encheu as medidas. 

Começo por destacar as duas coisas que mais gostei do filme e que me mantiveram motivada a vê-lo. Em primeiro lugar destaco o brilhante desempenho de Lady Gaga como Ally. Foi uma excelente surpresa. Cativou-me a forma como ela se deixou absorver pela vida da personagem, conferindo uma emotividade especial e que foi capaz de me deixar presa à sua interpretação. 
Em segundo lugar adorei a banda sonora. Cada música surgia no momento certo e com melodias  e letras muito bonitas. Foi impossível ficar indiferente à música Shallow.

Relativamente às coisas que me aborreceram, aponto a dinâmica da história e a interpretação de Bradley Cooper. Quanto à história, o filme aborda a vida de um artista em declínio, Jack, envolvido em abuso de substâncias e uma mulher, Ally, com uma voz magnífica e com uma enorme capacidade de escrever músicas e de as compor. Por um acaso do destino, eles encontram-se e Jack ajuda o mundo a conhecer o talento de Ally. Há uma certa previsibilidade dos acontecimentos e a forma como eles se sucedem nem foi clara para mim. Houve cenas que me aborreceram e não senti muita química entre Ally e Jack, porém foi melhorando ao longo do filme. 
Acho que a minha embirração com Bradley Cooper começa a ser crónica. Não é o primeiro filme em que não simpatizo com o desempenho do ator. Acho o artificial, sem grande expressividade e no caso concreto deste filme existiram cenas em que a dicção dele era péssima. 

Em suma, foi um filme agradável mas longe de se tornar intemporal para mim.