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Por detrás das palavras

Opinião | "Demência" de Célia Correia Loureiro

P_20200313_112458_HDR.jpgNão li a primeira edição de "Demência". Vi muitas opiniões positivas em relação a este livro. Vi quem o achasse melhor que "O funeral da nossa mãe". Pessoalmente, acho que são livros diferentes, cada um com o seu valor. Têm um ponto em comum: a sua capacidade de mexer com as emoções.

"Demência" dá voz à violência doméstica e à demência. As palavras embalam-nos em direções mais ou menos previsíveis, mas que em nada diminuiu o entusiasmo e o interesse pelo livro. É uma viagem literária em constante desassossego. Desassossego por Letícia que procura manter-se inteira depois de ter sido despedaçada. Desassossego por duas crianças que sabem quanto custam os momentos de terror. Desassossego por uma mulher que lida com a doença e com a perda da melhor forma que consegue. E no meio destes sobressaltos e desassossegos há espaço para a importância que uma amizade pura pode ter nas nossas vidas. Há espaço para o poder curativo que só o amor consegue. Há espaço para olhar para o passado e encaixá-lo numa explicação do presente. 

Infelizmente, a voz de Letícia ainda faz muito eco na sociedade atual. As feridas que esta mulher transporta são comuns às de outras tantas mulheres. A violência doméstica é, mais do que a Letícia, a personagem principal desta história. Um problema que atravessa gerações e deixa marcas emocionais demasiado profundas e com uma cicatrização imune ao tempo. É interessante ver como a Célia, apesar de ser muito jovem quando escreveu este livro, conseguiu imprimir uma maturidade enorme naquilo que quis contar ao público. 
Além deste aspeto, a história tem uma tonalidade tão realista que é fácil chegar àquela aldeia e visualizar o comportamento de todos aqueles que povoam estas páginas.

O tempo da ação é que me deixou um pouco baralhada. O início foi complicado. Em termos de tempo parece que passam mais dias do que aqueles que na realidade passaram. Há também uma transição, mais ou menos a meio do livro, que é pouco clara. Foram estes os dois aspetos que me não foram tão bem concretizados. 

A história andou muitos dias na minha cabeça. A resiliência de Letícia fez-me acreditar na força feminina para enfrentar um problema. Por outro, a fragilidade e a personalidade dura de Olímpia tornaram-na demasiado humana. Foi a doença e a perda que a deixou mais fragilizada, mas foi o passado que a endureceu e que lhe deu uma visão diferente da condição humana. Duas mulheres que ficam na história do meu percurso literário e de quem, muito dificilmente, me irei esquecer. 

Precisamos de vozes como a da Célia. Precisamos de pessoas que coloquem de forma realista amor, dor e tristeza  nas histórias que escolhem contar. Precisamos de abrir espaço às boas publicações nacionais. 

"Demência" irá levar-te a uma aldeia beirã, cheia daquelas preconceitos e "diz-que-disse" tão típicos de zonas mais solitárias e acanhadas. Vais encontrar o inferno e o paraíso de uma relação amorosa. Vais cruzar-te com o envelhecimento, com a doença que apesar de roubar parte das memórias de Olímpia será incapaz de lhe tirar do coração a amizade que a ajudou a sobreviver.

Classificação

Opinião | "Cassiopeia" de Joana Ferraz

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"Cassiopeia" surpreendeu positivamente a Daniela. O entusiasmo dela foi grande e eu acabei por ir um pouco atrás do entusiasmos dela. 
Eu confio nas opiniões da Daniela e, por isso, esperei ser surpreendida. Infelizmente, a minha experiência com este livro foi menos entusiasmante comparativamente à dela.

Cassiopeia é o nome da protagonista. Uma jovem que, aos 30 anos, sofre um enfarte e fica em coma. Enquanto ela se encontra neste estado, viajamos até diferentes períodos da sua vida, conhecemos as pessoas mais significativas e de que forma vão decorrendo as visitas que vai recebendo.

A escrita da Joana Ferraz é muito boa. As palavras encaixam-se de forma clara e envolvente. Vi nestas páginas uma fantástica capacidade em narrar os acontecimentos ao mesmo tempo que consegue captar o leitor.

Afinal, o que é que não funcionou comigo? O conteúdo. Não consegui estabelecer nenhuma conexão com a história nem com a Cassiopeia. Alguns elementos da narrativa não me fizeram muito sentido, nomeadamente: a depressão da mãe após o divórcio, muito por causa de um conjunto de revelações feitas no final do livro; e a viagem a Badajoz para fazer algo que já era possível ser feito em Portugal. 
Cassiopeia é extremamente imatura, senti isso em cada passagem do livro, e isto foi mais um elemento que dificultou a minha aproximação às personagens e a tudo o que ia acontecendo.

Senti que foi uma leitura desligada. Lia sem me sentir envolvida. Lia sem sentir que fazia parte daquelas vidas. Lia com uma distância emocional tão grande que me impediu a aproximação a tudo o que se ia passando naquelas páginas.

O final baralhou-me ainda mais as ideias. É um final aberto em que cada leitor poderá retirar as suas próprias conclusões. Fiquei um pouco aborrecida com este final, principalmente por causa de todas as revelações finais que oferecem uma nova perspetiva relativamente à vida de Cassiopeia.

Foi uma leitura satisfatória. Não me proporcionou um grande entusiasmos, mas gostei de ler e de conhecer um trabalho de uma nova escritora portuguesa. Considero que este livro é daqueles que apesar de não ter funcionado muito bem comigo poderá funcionar com outros leitores. Estamos na presença de um livro bem escrito, por isso é a subjetividade relacionada com a relação que o leitor constrói com a história que irá determinar o seu gosto por esta história. 

Em suma, este livro não funcionou tão bem comigo, mas poderá funcionar melhor contigo. Por isso, não te inibas de apostar neste livro. 

Classificação

Opinião | "O Bairro das Cruzes" de Susana Amaro Velho

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Classificação: 4 Estrelas

Fiquei apaixonada pela escrita da Susana Amaro Velho quando li "As Últimas Linhas Destas Mãos". As emoções fluíram nas palavras e na delicadeza com que contava uma história onde a tristeza  e a relações familiares tinham o papel principal. 
Quando vi que a escritora tinha publicado um novo livro fiquei com imensa curiosidade de o ler. 

"O Bairro das Cruzes" apresenta-nos uma narrativa bastante diferente do livro anterior. Estas páginas guardam uma história de um bairro e das relações complexas que só as famílias sabem desenhar. 
Conhecemos Rosa e Luísa, as nossas duas protagonistas. São primas, unidas por uma amor que só os laços de sangue conseguem explicar. É este parentesco que as torna próximas, já que as personalidades e a forma como olham para o mundo em nada as liga. 
Luísa é perspicaz, ávida por conhecimento e muito ponderada. Rosa gosta dos caminhos fáceis, da aventura e da inconsequência. Vivem numa contexto sociocultural que não favorece o seu desenvolvimento e a ditadura Salazarista e Marcelista suga-lhes a liberdade. Luísa quer ser livre, quer perceber o estado do país. Rosa quer apenas viver bem.

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Ao longo do livro acompanhamos o crescimento da Luísa e da Rosa e vamos conseguindo perceber que existem coisas bem mais complexas que ditam as vidas destas raparigas. 
Sempre estive muito curiosa para acompanhar a evolução destes dois espíritos tão característicos. Queria ser surpreendida, e fui! A Susana apanhou-me na curva da minhas divagações sobre os acontecimentos narrados. 
A forma como esta história termina conseguiu surpreender-me. 

Gostei muito da história, gostei das personagens que se vão entrelaçando na vida da Rosa e da Luísa. Apenas senti de falta de uma maior calma. Senti que a Susana estava com pressa de dar forma à história, não de deu o tempo necessário para tudo crescesse e se materializasse de forma mais coesa. 
À medida que ia lendo senti falta da escrita calma que encontrei no primeiro livro. Há aspetos que mereciam um maior desenvolvimento e o final deveria ser como um bombom que vamos deixando derreter na boca, ou seja, as palavras e os acontecimentos deveriam ter sido servidos de forma mais detalhada e pormenorizada para que eu pudesse ter mais tempo para assimilar a grandiosidade de surpresa que a Susana guardou para fim. Senti que havia ali muita pressa de contar a história, sem lhe dar tempo para amadurecer.
Tal como no livro anterior senti falta de alguma expressividade nos diálogos. É muito texto seguido, narrado... Faltaram-me as emoções, os gestos de raiva e de amor, os olhares cúmplices e sons de repugnância. Precisa que os diálogos me contassem menos a história e me mostrassem mais. Em alguns momentos, senti falta de uma escrita um pouco mais gráfica e expressiva. 

Apesar destes pequenos elementos, este livro solidificou a minha ideia relativamente aos livros e às histórias que a Susana cria. É uma autora portuguesa que merece o nosso apoio.

Uma leitura com o apoio de...

3dd0e8ca2a46ce63f959d3d68b6bb884_L.jpgNota: O livro foi-me disponibilizado pela editora em troca de uma opinião honesta.

Opinião | "A Rapariga que veio do frio" de Gilberto Pinto

A Rapariga que veio do frio
Classificação: 3 Estrelas

Fui atraída pela capa e pelo título deste livro. Da capa seduziu-me a beleza e o mistério que deixa transparecer. Do título nasceu a curiosidade em conhecer a história para a qual me apontada. Não me arrependo de ter sido seduzida, pois foi uma livro que gostei de descobrir e ofereceu-me uma história interessante e que correspondeu às expetativas. 

Não li a sinopse antes de ler o livro. Fui lê-la apenas no fim e por mera curiosidade. Acho que ela pode criar expetativas irrealistas no leitor. O livro traz-nos muito mais do que tráfico de mulheres e assassinatos. É uma narrativa que nos leva ao interior do país e às margens do rio Douro, ao mesmo tempo que deambulamos pelas ruas da cidade do Porto. 
É um livro onde conhecemos famílias e os seus mistérios e neste cruzar de segredos e modos de vida que a narrativa ganha dimensão e se expande para além do crime. No fundo, o autor desenvolve uma história de poder, de relações e de segredos que é despoletada pelo abuso e tráfico de mulheres de leste. Porém, o foco nos crimes e na forma como eles são cometidos é menor comparativamente a todo o contexto em que eles surgem.

Fui positivamente surpreendida pela escrita clara e apelativa. Esta qualidade permitiu-me criar uma boa ligação com o livro e deixou-me interessada em conhecer novas obras deste escritor.

A forma como este livro começa é muito boa. Adensou a minha curiosidade e espicaçou a minha vontade em conhecer mais da história. E consegui manter este interesse praticamente até ao final. 
Apesar desta relação positiva, houve aspetos na narrativa que não me permitiram dar uma pontuação mais elevada ao livro. 
Do meu ponto de vista há situações no livro que não ficaram bem esclarecidas e outras que me deixaram em dúvida. Não os posso referir aqui todos, pois corro o risco de estragar a leitura a quem se decida aventurar nestas páginas. De entre diferentes aspetos destaco a Aleksandra e todo o mistério que a envolve. Pessoalmente pensei que existiria alguma ligação entre a história dela e a história principal do livro, mas quando cheguei ao fim do livro nem sequer tive oportunidade de ver esclarecidos os assuntos que a ocupavam. 
Para além deste aspeto há uma carta que Leonardo recebe quase no início do livro e que várias vezes é referida ao longo da história. Estava muito curiosa por conhecer o conteúdo desta carta e o autor privou-me de satisfazer este meu interesse. Pelo contexto e pelo desenrolar dos acontecimentos eu consigo deduzir o que lá estava, mas senti-me enganada e frustrada porque sempre achei que a carta tinha a relevância suficiente para constar destas páginas.

Chegada à reta final do livro senti que ficaram coisas por dizer e mostrar. Não sei se foi propositado e o autor tem em vista uma continuação ou se foi um pouco de descuido. Mesmo que haja uma continuação, penso que alguns aspetos deveriam ter sido esclarecidos e concluídos. Aquilo que senti foi que o escritor teve pressa em terminar a história que dada a sua evolução consistente merecia uma final mais marcante e conciso.
Apesar destes pequenos pontos de desinteresse acho que é um livro que merece ser lido. Tem uma escrita de qualidade, tem uma história interessante e é uma excelente oportunidade de apreciar o bom trabalho de um escritor português e a quem os leitores devem dar uma oportunidade. 

Nota: Este livro foi-me disponibilizado pela editora em troca de uma opinião honesta.

Opinião | "Regras para descolagem" de Carolina Paiva

Regras para Descolagem
Classificação: 2 Estrelas

Regras para descolagem foi a minha última leitura do mês de Novembro. É sempre uma alegria ver uma pessoa da blogoesfera a aventurar-se pelos mundos da escrita. E, independentemente da minha experiência com a leitura, quero louvar e parebenizar a Carolina pela escrita cuidada, clara e apelativa que usou para nos contar esta história.

A minha experiência com a leitura foi satisfatória. Em alguns momentos senti-me um pouco confusa porque não sabia se estava num momento presente ou num momento passado. Na minha opinião, optar por escrever capítulos delimitados no tempo e com as indicações temporais poderia-me ter facilitado a leitura, a compreensão dos acontecimentos e a embrenhar-me mais na realidade que a autora decidiu escolher.
Estes pequenos pormenores aproximar-me-ião mais de Lourenço e permitir-me-ião criar outro tipo de empatia com ele. Esta personagem precisava de profundidade, precisava de mais interações e acontecimentos para o perceber melhor e o contextualizar nas diferentes fases e desafios da sua vida.

O livro é pequeno e, caso tenham disponibilidade, conseguirão lê-lo num dia. A escrita simples e fluída facilita imenso a leitura e ajuda a colmatar as pequenas imperfeições que a narrativa apresenta.

Espero que este livro seja a porta de entrada para outras obras. Tenho a certeza que a escrita e a narrativa se irão aperfeiçoar, pois sobressai o potencial de crescimento e de aperfeiçoamento.

Opinião | "As últimas linhas destas mãos" de Susana Amaro Velho

As Últimas Linhas Destas Mãos
Classificação: 4 Estrelas
 
Quando saiu este livro, senti-me atraída para ele. Foi o título que me agarrou e transportou a minha mente para diferentes cenários possíveis, mas em todos eles havia uma bonita história de amor por trás. Então, aproveitei a generosidade da Coolbooks no dia Mundial no Livro e usei o código de oferta para pedir este livro. E ainda bem que o fiz...
 
As últimas linhas destas mãos é uma história de amor roubada pelo tempo. Uma história de amor narrada no presente, com os fantasmas do passado a reclamar atenção. O amor desta história é corrosivo e, como o tempo desgastou Alice, deixando-a vazia de emoções positivas. Toda ela foi terreno fértil para a tristeza e isso abriu caminho a dores e frustrações naqueles que habitavam o mundo dela. E tudo chega até nós, leitores, pelas mãos de Alice em cartas que espelham amor e dor, esperança e desespero; e pelas palavras daqueles a quem o amor corrosivo contaminou e minou, os filhos Teresa, Henrique e Sebastião, a irmã Cristina e o ex-marido Sebastião. Todos eles trazem um visão de Alice e da dor que a ausência emocional dela deixou.
 
Foi tão simples sentir as dores, as frustrações, o desespero na ânsia de tirar Alice do poço onde se meteu. E esta facilidade de apropriar dos sentimentos destas personagens advém da escrita. É uma escrita poética, daquelas que nos embala e nos faz perder a noção do tempo. A Susana soube costurar as palavras, um verdadeiro trabalho de alta-costura. E nas palavras que tecia e juntava, soube criar um trabalho final com descrições que nos transportam para os locais e para os momentos. Senti os cheiros a canela e alfazema. Senti a leveza da brisa de verão que imiscuiu na saia de Alice enquanto ela dançava, feliz, com o amor que lhe deu luz e, no instante seguinte, lha roubou. Ouvia o desespero silencioso de Teresa que tentava, a todo o custo, acender de novo a luz interior da mãe. Mas, teve de baixar os braços dessa tarefa e usá-los para aconchegar os irmão, carentes de afeto e imersos numa incompreensão perante as fragilidades da mãe.
 
Também temos segredos que minam relações e que põem à prova as ligações entre as pessoas. A mensagem que autora consegue passar acerca do impacto dos segredos naqueles que os partilham está, também, muito bem conseguido. Fez-me desejar quebrar as mordaças que calavam as pessoas para que determinadas personagens se pudessem libertar das dores, das angústias e dos silêncios ruidosos que começaram a fazer parte da família.
 
Houve apenas dois aspetos que me deixaram insatisfeita: dos diálogos e o final. Relativamente aos diálogos falta-lhe a expressividade que tão bem sobressai ao longo da narrativa. São rápidos e sem aquelas descrições que oferece aos diálogos aquele tipo de dimensionalidade que os torna, aos meus olhos, reais. O final, demasiado apressado, não deixou espaço para que as emoções se transformassem perante os meus olhos. As personagens precisavam de tempo e de espaço para partilhar os sentimentos que as verdades deixaram a descoberto. E eu precisava de os sentir, de os ver e de um olhar final sobre a vida destas personagens. Teresa fechou parte da história, mas do meu ponto de vista foi parca nas palavras.  
 
Apesar destes dois aspetos gostei muito de ler este livro. Sem dúvida que a Susana Amaro Velho vai ficar debaixo do meu olho. Estarei atenta a novas publicações. Temos aqui alguém que consegue dar corpo a uma história simples e coesa, com uma premissa já tantas vezes usada, através de uma escrita elegante e encantadora. Acho que, dificilmente vou esquecer a beleza impressa em muitas das frases deste livro. Perdi a conta à quantidade de citações que retirei do livro, e tenho dificuldade em eleger aquele que mais tocou o meu coração. 

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