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Por detrás das palavras

Por detrás das palavras

13
Ago20

Opinião | "O ano do pensamento mágico" de Joan Didion

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Este livro está na minha estante desde outubro de 2019. Sabia que era um livro de não ficção e que abordava aspetos ligados ao luto. Por isso, esperava o momento mais certo para o ler. Acho que é preciso um certo estado de espírito e de uma determinada disponibilidade mental para embarcar numa leitura destas.

Com uma escrita muito realista, Joan Didion dá-nos a conhecer a sua forma de lidar com as dificuldades de um ano atípico da sua vida. Ela vive diferentes perdas e o choque que elas estabelecem entre si fazem com que Joan as processe de forma muito particular. 
É um diário muito lúcido das suas fragilidades e dos desafios de vida a que Joan ficou exposta. E nessa lucidez, ela procura desconstruir aquilo que sente e as implicações que todos os acontecimentos trágicos têm na sua forma de estar na vida.

Não foi um leitura complicada, nem alterou o meu equilíbrio emocional. Li de forma mais lenta porque precisava de tempo para poder absorver o conteúdo e pensar um pouco sobre as estratégias cognitivas e emocionais que Joan usou para ultrapassar os seus problemas.

Para quem gosta de livros de não ficção, este parece-me uma boa escolha quer pela pertinência da temática, quer pela forma como ela é abordada. A conjugação destes dois elementos oferecem entusiasmo à leitura e convidam a continuar a avançar pelos pensamentos da Joan.

Classificação

26
Jun18

Opinião | "Limões na Madrugada" de Carla M. Soares

Limões na Madrugada
Classificação: 3 Estrelas

Iniciei esta leitura cheia de expetativas. Já tinha lido outros livros da Carla M. Soares e ficou sempre a sensação de boas leituras e de históricas cativantes. Esperava tanto uma história que me encantasse e quebrasse o ciclo de ressaca literária em que me encontro, que logo nas primeiras páginas fiquei frustrada perante o aborrecimento que me invadia. Era aborrecido avançar na leitura e ficar com a sensação que não acontecia nada. Assim, senti falta de ação, de acontecimentos que marcassem a leitura de forma mais significativa e senti falta de algo que me ligasse às personagens. Acabei por me sentir muito distante da história e das personagens que cheguei a passar por fases que nem me apetecia ler.

Adriana é a personagem principal desta história. Ela procura desvendar o passado da família paterna que ficou em Portugal. Pessoalmente, nunca senti que Adriana tivesse grande vontade ou necessidade de descobrir o que motivou a partida dos pais para a Argentina. Mesmo nos últimos capítulos, enquanto conversava com o pai, houve ali uma brecha do passado que se abriu, mas não senti que isso tivesse grande eco em Adriana. Não senti a curiosidade borbulhante a nascer dentro dela ao ponto de a empurrar na busca pelo passado. Nunca a vi interrogar-se acerca da partida dos pais. Acho que essa interrogação foi nascendo de forma ligeira quando ela já estava em Portugal.
Talvez Adriana, ao vir a Portugal, estava a tentar fugir dos seus próprios fantasmas, aqueles que a inquietavam no presente e relacionados com a sua própria vida. 

Sensivelmente a partir de metade do livro, os acontecimentos surgem de forma uma pouco mais intensa o que acabou por melhor a minha leitura. Apesar desta melhoria, nunca cheguei a empatizar nem com a história nem com nenhuma das personagens. 

Apesar do meu desencanto com a história, quero realçar um ponto muito positivo e que confere uma qualidade especial ao livro: a escrita. Carla M. Soares faz com que as palavras se entrelacem numa dança suave e envolvente. E assim, mesmo com uma história simplista, sem grande impacto e que não fez o meu coração palpitar, consegui retirar o prazer de palavras escritas numa sintonia muito própria. O livro tem uma escrita muito bonita, que fluiu de forma muito suave ao longo da minha leitura, deixando um rasto de boas sensações.