Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Por detrás das palavras

Por detrás das palavras

Opinião | "A Coroa de Inverno" de Elizabeth Chadwick (Leonor de Aquitânia # 2)

27.03.17
A Coroa do Inverno (Leonor de Aquitânia, #2)
Classificação: 4 Estrelas

A Coroa de Inverno é o segundo volume de um série histórica dedicada a Leonor de Aquitânia. No primeiro volume assistimos ao primeiros passos de Leonor no mundo dos reinados e das políticas que se vão estabelecendo. Agora, neste segundo volume somos convidados a entrar numa nova fase de vida desta rainha e dos novos desafios com que se depara. 

Aquilo que destaco desde logo neste livro é o excelente trabalho da editora com a edição. A capa consegue superar a anterior em beleza. É pessoal o gosto por cores mais frias, o que penso que dá uma tonalidade especial à capa e acabam por ser um pouco uma metáfora daquilo que será a nova vida de Leonor.
Para além da capa, o bom detalhe histórico é perceptível nas descrições bem conseguidas que nos oferecem boas imagens mentais da realidade da época. 

Relativamente às personagens, estas são muito bem apresentadas, permitindo-me construir um conjunto de opiniões e sentimentos muito sólidos em relação às mesmas. Assim, e de um modo mais geral, posso dizer que fiquei extremamente desiludida com Henrique. Não espera que ele se tornasse no homem que vim a conhecer ao longo destas páginas e sofri com Leonor por ter que lidar com um homem que se deixava dominar pela sua sede de poder e pela sua testosterona. 
Isabel e o irmão bastado de Henrique são um casal que gostei de conhecer e comecei a torcer por eles muito antes de o seu enlace se tornar oficial. Também sofri por Isabel nos seus momentos mais negros. 

Em alguns momentos senti falta da Leonor do primeiro volume. Apesar de a sua fibra e tenacidade se manterem intactas, ela, por força das circunstâncias, teve de as adormecer. Viveu momentos muito complicados e isso fez com que ela brilhasse um bocadinho menos. Admiro a sua coragem, principalmente nos momentos finais do livro que me deixaram muito, muito curiosa para saber  que se segue. 

A narrativa, apesar da sua densidade factual, tem uma boa dinâmica. Prendeu-me à leitura e ficava sempre curiosa por ver o que aconteceria de seguida. 
O final é extremamente sugestivo abrindo a porta da curiosidade para os acontecimentos que precedem este volume. 

Opiniões anteriores:

Nota: Este livro foi-me cedido pela editora em troca de uma opinião honesta.

Opinião | "A Rainha do Verão" (Leonor de Aquitânia # 1)

20.06.16
A Rainha do Verão (Leonor de Aquitânia, #1)
Classificação: 5 estrelas

A Rainha de Verão é o segundo livro que leio da autora Elizabeth Chadwick. Antes de mais, quero agradecer à Editora Topseller por me ter proporcionado a oportunidade de ler este livro, oferecendo-me um exemplar. 

Este livro insere-se dentro da categoria dos Romances históricos e conta-nos a saga de Leonor de Aquitânia enquanto Duquesa de Aquitânia e Rainha de França. Como não conheço os factos históricos, não posso afirmar se a autora foi ou não fiel à realidade. Contudo, é perceptível o trabalho de pesquisa, o cuidado em detalhar o mais fielmente possível os acontecimentos, as personagens e as realidades pelas quais elas vão passando.

Com uma narrativa sólida e muito bem construída, somos convidados a entrar num mundo de poder, disputas, guerras, perdas e conquistas. Há muitos sentimentos à mistura e autora consegue deixá-los transparecer muito bem para o leitor. Elizabeth não se resume apenas a contar a história, ela procura sempre mostrar-nos os factos e o mundo interior daqueles que os protagonizam.

Leonor, tal como a escritora referiu na nota final do livro, é uma mulher do seu tempo, mas que com uma visão ampla. O seu sentido prático, a sua inteligência e a sua sensibilidade tornam-na numa personagem carismática, com valor e por quem estamos sempre a torcer para que as coisas lhe corram bem.

Luís VII assume muito novo a regência de França. Com Leonor a seu lado tinha tudo para que corresse pelo melhor. É muito interessante conhecer a relação entre estas duas personagens. Elas acabam por crescer juntas, assim como o amor que não existia no momento de união cresceu com eles. Porém, a forma como se deteriorou é dura, desgastante e demonstra o quão negra é a personalidade de Luís. De um jovem amoroso, inocente e feliz, pouco sobra ao Luís que encontramos nas últimas páginas.  No fim temos um homem que se deixou consumir pelas ideias negras dos outros, pelo fanatismo por um Deus que ele busca incessantemente e que assume o protagonismo do seu amor. No fundo, penso que Luís nunca deixou esse fanatismo. Tornou-se num homem azedo, cheio de ódio e de rancor. Leonor, sendo portadora de uma alma livre, fresca e cheia de cor, não lidou muito bem com este seu "novo" marido.

Foi muito interessante olhar para este período histórico, para a mestria da autora em ligar acontecimentos e em tornar as personagens interessantes e vivas aos olhos do leitor. Ao lermos a última página fica o sentimento de querer saber mais sobre Leonor e de como ela vai encarar mais uma etapa da sua vida.

Por fim quero realçar a utilidade das árvores genealógicas no início do livro. Elas são uma ferramenta útil para percebermos as interações entre as personagens que vão aparecendo na narrativa. Notei, também, a presença de algumas gralhas que passaram no processo de revisão do livro, mas que não interferem no prazer e compreensão da leitura.

Fico à espera de um novo livro da autora.

Nota: Este livro foi-me cedido pela editora em troca de uma opinião honesta.

[Opinião] O nó do amor

06.09.14

O Nó do Amor

Autor: Elizabeth Chadwick
Ano: 2010
Editora: Saída de Emergência
Número de páginas: 448 páginas
Classificação: 4 Estrelas

Sinopse
No verão de 1140, Oliver Pascal regressa de uma longa peregrinação para encontrar a Inglaterra devastada pela guerra civil. Entre os sobreviventes que encontra está um filho ilegítimo do rei e Catrin, a jovem aia do rapaz. Viúva, altiva e impetuosa, esta tem muito em comum com Oliver. E quando parece que o destino talvez os vá juntar, eis que ele é feito prisioneiro e Catrin descobre que o seu marido afinal não morreu em batalha. Mas será que ela quer voltar para ele? Um romance histórico apaixonante, onde Elizabeth Chadwick nos mostra que mesmo com os perigos de uma época violenta e as convulsões de uma guerra contínua, o amor pode nascer e sobreviver.

Opinião
O nó do amor foi mais uma das minhas "escolhas cegas" das estantes da biblioteca municipal. Não conhecia a autora, nem nunca tina lido nada sobre o livro. No fundo, era um verdadeiro desconhecido para mim. Agora, no fim da leitura, só me resta um verdadeiro sorriso de satisfação por ter dado uma oportunidade ao livro. Não restam quaisquer tipos de arrependimento por tê-lo trazido para casa. Tudo isto para dizer que gostei muito do livro.

Infelizmente não leio muitos romances históricos, mas dentro daqueles que já li, este é um dos meus preferidos. 
É com mestria que a autora nos apresenta os detalhes históricos que figuram no livro. Entrelaça acontecimentos, mostra-nos como tudo se processa e eu senti como se estivesse dentro do livro.
Não sei até que pontos os elementos históricos correspondem ao que verdadeiramente aconteceu. Eu sei muito pouco sobre a história da Inglaterra para saber se tudo aquilo que está presente no livro aconteceu verdadeiramente. Gostei dos detalhes das disputas que aconteceram pelo trono de Inglaterra e das confusões e reviravoltas que iam pautando os combates.

Paralelamente a este enredo histórico, desenvolve.se um romance com direito a  um triângulo amoroso. Os protagonistas deste triângulo são: Catrin, Oliver e Louis. Gostei de todos os eles! Cada um com as suas diferenças e características de personalidade torna tudo mais envolvente.

Catrin é uma personagem feminina que vou guardar por muito tempo na minha memória. Não é uma donzela com características que se enquadram no perfil típico das mulheres desta época. É uma mulher à frente da sua época. É valente, respondona, divertida, curiosa, profissional... Tem uma energia e uma personalidade que me marcaram. Nem sempre concordei com as escolhas que ela fez, mas com um certo distanciamento e e com algum nível de compreensão fazem algum sentido e são importantes para todo o desenvolvimento da narrativa e, acima tudo, para que Catrin possa descobrir o seu lugar e valorizá-lo de uma forma totalmente nova. Catrin está longe de ser uma rapariga fútil e que vive na inércia. Quer fazer algo de útil e é em Ethel que encontra as ferramentas necessárias para canalizar toda a sua energia e curiosidade.

À medida que Catrin vai aprendendo com Ethel, vai estabelecendo uma ligação com Oliver. Gostei, particularmente, da franqueza, bondade e correcção de Oliver. É um militar íntegro que aos meus olhos pareceu tão real, onde facilmente acedia ao seu lado bom, como no momento seguinte via o seu lado mais sombrio em acção. 
Catrin e Oliver brindam o leitor com momentos que apelam as mais variadas emoções. Foi fácil divertir-me com as picardias inicias, ao mesmo tempo que ficava emocionada com a solidez que o amor deles tomou.... Mas o destino é incerto e Catrin vê-se perante a sua escolha. O marido, que ela pensava morto, surge e ela tem de escolher entre Oliver e Louis.

Louis é uma espécie de vilão. E digo espécie, porque nem tudo nele é mau. É certo que o seu lado maldoso está mais evidenciado, mas de uma forma fugaz chega a brindar-nos com alguma bondade. É um homem que gosta do luxo e do prazer, acima de tudo. O final desta personagem conseguiu surpreender-me. De acordo com a personalidade dele, não esperava que tal acontecesse daquela forma.

Por fim, quero apenas destacar que achei o final desta história ligeiramente apressado. Depois de um início tão detalhado fiquei um pouco desiludida ver que a autora apressou a narração dos acontecimentos, principalmente depois de um acontecimento de extra importância para Catrin e Oliver. Apesar desta minha pequena desilusão com o final fiquei com vontade de ler mais obras da autora.