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Por detrás das palavras

Por detrás das palavras

26
Abr21

52 perguntas | 17 # Escreve sobre o amor

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(imagem retirada daqui)

Ele estava ali para se despedir. A dor de amar e de não a ter conseguido salvar, carregá-la-ia para todo o sempre.

A psicóloga do INEM acompanhava-o.

— Quer que entre consigo?

Ele olhou para a psicóloga. Um sorriso triste acompanhou as palavras que lhe saíram da boca:

— Obrigada! Acho que é algo que tenho de fazer sozinho.

A psicóloga assentiu, apertou-lhe o ombro em jeito de incentivo e disse-lhe:

— Claro! Espero aqui à porta.

Ele entrou na capela mortuária. Ainda cambaleava um pouco. A perna estava dorida, o braço ao peito e no corpo restavam as marcas negras da manhã de domingo. Parou ao lado do caixão, arrastou uma cadeira e sentou-se de frente para o rosto sereno dela. As lágrimas surgiram, como se elas pudessem limpar a dor das últimas horas. Deu início ao seu monólogo entrecortado pelos soluços da dor que o atingiam.

— Desculpa! Desculpa!... Tu não querias ir o rio. Acabei por insistir e olha no que deu. Já tínhamos feito aquele percurso tantas vezes… Lembras-te da primeira vez que descemos o rio? Tu rias tanto… Eu seguia na minha canoa, logo atrás de ti. Por vezes o barulho da água abafava a tua alegria, mas eu sentia-a. O sol fazia o teu cabelo castanho brilhar tanto. Quando chegamos ao fim, estavas eufórica. Prometemos fazer aquilo sempre que pudéssemos e nos apetecesse. Ontem, não te apetecia….

O choro tornou-se mais intenso. Lágrimas e ranho misturavam-se num rosto preenchido de dor. Ele foi ao bolso, retirou um lenço e limpou o rosto.

— Fiz tudo o que podia. Ainda não sei como é que a tua canoa virou e ficaste presa ali. Tentei de tudo. Até quando as forças me faltavam eu só queria libertar-te dali, arrastar-te para a margem para que depois te pudessem socorrer. Eu precisava que vivesses. Preciso de ti aqui! Viva, inteira e sempre pronta a dar-me a mão. Eu dei-te a minha, mas a força não foi suficiente. Como é que se vive com a culpa de não ter conseguido salvar a pessoa que eu mais amo nesta vida.

Permitiu-se alguns minutos de silencio para chorar.

— Sabes do que tenho medo? De esquecer a tua voz, do som do teu sorriso. Da forma especial como chamas por mim. Tenho medo de não te lembrar as vezes suficientes. Tenho medo de viver sem ti ao meu lado. Porra! Tenho medo da falta que me vais fazer. Vou-me perder nas fotografias e nos vídeos de deixaste gravados. Vou imaginar como seriam os nossos filhos e desenhá-los. Quero manter-te viva dentro de mim. Serás a minha lembrança mais bonita. Se for como tu acreditas, um dia encontrar-te-ei num campo verde e florido. Prometes que me vens esperar?

A dor aumentou e o choro tornou-se compulsivo. Ele já não conseguia dizer mais nada. Do lado de forma da capela, encostada à porta, a psicóloga chorava pela dor dele.

 

23
Abr21

Dia mundial do livro e dos direitos de autor

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Os livros oferecem-nos histórias e marcam a nossa própria história. Marcam épocas de uma vida e associam-se a lembranças que fazem de mim a pessoas que sou hoje.

A Anita talvez tenha sido a minha primeira amiga (coleção dos Livros da Anita). Cansei-lhe as páginas de tantos que as folhei. As capas estão gastas, mas guardam boas memórias de infância. A escola possibilitou outros olhares. Todos os meses recebia a “carrinha mágica”, carregada de história para descobrir. Continuei fiel à Anita, mas permiti-me conhecer outros universos infantis. Tive uma amizade breve com o Babar e uma amizade longa com o Chico, o Pedro, a Teresa, a Luísa e o João (coleção “Uma aventura”).

Sai da aldeia e a carrinha acabou. Os meus pais não me davam grande acesso aos livros. O que valeu nessas alturas foram mesmo as leituras obrigatórias. Ainda hoje queria ser como a Oriana e a Rainha das Fadas e ter asas para voar por cima dos problemas (“A Fada Oriana”), ser amiga da Menina do Mar (“A Menina do Mar”) e viver as aventuras de um Ulisses que volta sempre para a sua Penélope (“Ulisses”). Ri-me com a Sementinha (“A vida mágica da sementinha”) e emocionei-me com Hans e, já adulta, tive a mesma vontade dele: sair em busca do desconhecido (“Histórias da terra e do mar”), mas nunca tive a mesma coragem. Seguiu-se um Principezinho com a sua rosa e a sua raposa, mas acho que não o conheci como devia (“O Principezinho”). Devo-lhe uma nova oportunidade. Eram tão poucos os livros na minha vida, que me agarrei sempre a estes. Por isso, respeito muito as leituras obrigatórias. Sem elas, perderia os meus laços com as palavras.

O salto para o secundário significou menos obras obrigatórias, mas abriu as portas da biblioteca municipal. Ter fugido às letras e me entregado aos números deu-me menos livros, porém tive a oportunidade de me apaixonar por Pedro da Maia e sofrer pelo seu amor proibido (“Os Mais”) e afundar-me em reflexões existencialistas sobre a vida e a morte (“Aparição”).

A fase da biblioteca trouxe-me as paixões sofridas (livros de Nicholas Sparks), as famílias italianas e o som o tango (Sveva Modignani), choquei-me com a Maria (“Onze Minutos”) e nunca mais larguei as palavras de Paulo Coelho. Deixei que o meu coração palpitasse na cadência das palavras de Tiago Rebelo. Sofri com a poesia de Florbela Espanca e deixei que a melancolia dela fosse a minha em tantos momentos da minha vida.

A universidade meteu-se pelo meio e os livros técnicos ganharam mais espaço. Mas quando a paixão se transforma num amor sólido, temos sempre a vontade de voltar a onde fomos felizes. No meu caso, sou feliz nas páginas de um livro e a eles voltei. Têm sido tantos e tão bons que é difícil fazer com que todos caibam neste texto. Voltei aos livros pelas mãos de José Rodrigues dos Santos; passei pelas terras altas da Escócia (Outlander); sobrevei romances simples e complexos, que davam espaço ao amor entrar (Danielle Steel, Paullina Simons, Deborah Smith, Marc Levy, etc.), encontrei nos clássicos boas leituras (“Orgulho e preconceito”, "O monte dos vendavais"), atrevi-me pelo universo do crime e enjoei nos autocarros com as cenas demasiado gráficas (“Messias”, “O assassino do crucifixo”). Aprendi com a Torey a fazer das minhas consultas espaços mais ricos para as crianças (livros da Torey Hayden). Entrei na História (“O ano da dançarina”, “A filha do capitão”, “A imperatriz Romanov”, “Inês) e lembrei-me o quanto eu gostava dela. Descobri que até a fantasia pode ser para mim (Série Sevenwaters) e chorei às mãos de um homem que capta com mestria a essência feminina num lugar onde ela é anulada (“Mil sóis resplandecentes”). Apaixonei-me pelas vozes portuguesas (“As últimas linhas destas mãos”, “O funeral da nossa mãe”, “Alma rebelde”, “O escultor”, “Maresia e fortuna”) e orgulhei-me das mãos portuguesas que dão corpo a histórias magníficas.

Os livros amenizaram tristezas (“Deixa-me odiar-te”, “Rosas”, Série Bridgerton). Trouxeram-me risos e pessoas que foram luz no meio de tempestades. Fizeram-me sonhar. Eles são a minha história e cabem em mais do que um dia por ano.

Que livros fazem a vossa história?

12
Abr21

52 perguntas | 15 # Primeiro amor

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Era o final do 2º período. As férias da Páscoa estavam ali quase, quase a começar. Ela sentia-se triste. Como é que iria aguentar duas semanas sem o ver? Ia ser difícil.

A última aula do dia foi matemática. A professora decidiu facilitar-lhes a vida. Naquele dia seria para ver um filme. A escolha da professora foi “Notting Hill”. Ela estava apreensiva. Ver um filme romântico ao lado da pessoa que lhe causava palpitações parecia uma tarefa hercúlea.

O filme começou. Tiveram direito a algumas gargalhadas, a alguns momentos embaraçosos e a momentos que fizeram as raparigas da sala suspirar. Ela não suspirou! Enquanto na tela William se declarava a Anne e Elvis Costello enchia a sala com a música, ele apertou a mão dela. E ela ficou com a respiração presa, sem tempo para suspirar com aquilo que acontecia na tela.

Nas férias, ouviu a música até à exaustão. Ouviu-a quantas vezes a sua alma adolescente achou necessárias. E em cada uma dessas vezes, ele voltava a apertar a mão e dela. E, desta vez, ela já pode suspirar.

Realidade ou ficção?

29
Mar21

52 perguntas | 13 # Formas de ganhar o meu coração

adult-1846428_1920.jpg(Imagem retirada daqui)

Meu coração é tecido de simplicidade. Abriga palavras sinceras, sejam elas mais doces ou mais ácidas. O que importa é que sejam sentidas, sinceras que visem o meu crescimento. Não abriga palavras julgadores ou depreciativas, porque essas são preenchidas de amargura e toxicidade. 

No meu coração cabem os gestos simples e que surpreendam. São gestos que chegam em moeda de troca. São oferecidos com a única missão de demonstrar amor e amizade. 

O meu coração gosta das mensagens e dos postais. Vibra com a certeza da lembrança que vem do outro. 

O meu coração alimenta-se de momentos partilhados. Pode ser uma caminhada pelo monte mais íngreme, ou pelo areal de uma praia. Pode ser uma visita a um museu, ou uma entrada numa sala de cinema. O que permanecerá no fim é a certeza do tempo partilhado e das memórias construídas. 

O meu coração também tem um lado materialista que se enternece quando recebe livros escolhidos em especial para ele. Não se importa com a origem dos livros, se são novos ou usados, o que interessa é a mensagem que a dádiva transmite. "Escolhi-o a pensar em ti". 

Como se poderá ganhar o teu coração?

22
Mar21

52 perguntas | 12 # Alguém de quem tens saudades

Já fui uma pessoa muito saudosista. Pensava imenso nas pessoas com quem partilhei fases da minha vida. Senti falta de pessoas que passaram a viver longe de mim. Atualmente, olho para as coisas com outra perspetiva. É uma perspetiva mais racional, solitária e menos dada a saudosismos. 

album-2974646_1920.jpg(imagem retirada daqui)

Estes últimos anos fizeram-me colocar as pessoas em perspetiva. Levaram-me por caminhos diferentes, permitiram-me olhar de forma diferente para as pessoas que tinha na minha vida. Daqui resultou a certeza de que há pessoas que quero manter na minha vida e outras que não faço questão. Por isso, procurei libertar-me emocionalmente daquelas que não acrescentavam nada aos meus dias.

Acho que foi este distanciamento que me obrigou a colocar a saudade em perspetiva. Olhei mais para dentro de mim, para as minhas necessidades e para as relações que construi. Decidi alimentar as que me fazem bem. E nesse processo percebo que não há lugar para saudades, porque há contacto e interesse mútuo. Não é preciso falar todos os dias! É preciso estar presente e alimentar essa presença sem cobranças, sem imposições e sem limitar a liberdade do outro.

Sou, assim, uma pessoa ainda mais solitária, introspetiva e que gosta imenso de estar sozinha. Nunca me aborreço na minha companhia. Comunico com quem tenho de comunicar, quando tenho de comunicar. Sem pressão! Deixei de ter saudades dos locais e daquilo lá vivi, assim como das pessoas que preencheram esses locais. Alimento-me das boas memórias e isso tem sido suficiente. 

15
Mar21

52 perguntas | 11 # Se pudesses fugir, para onde irias?

Se eu pudesse fugir...

🌍 Saltava para dentro de um livro. Poderia ser um romance histórico e ter a oportunidade de viver numa época diferente da minha; ou um romance contemporâneo, com uma bonita história de amor e o final feliz estivesse garantido.

🌍 Metia-me num comboio e ia conhecer todas as capitais europeias. Conhecer a Europa através de viagens de comboio deve ser inesquecível.

🌍 Apanhava o avião para Itália, alugava um carro e ia conhecer a Costa Amalfitana.

🌍 Ia conhecer África e tentar perceber o fascínio que acompanha as descriçoes de todos aqueles que por lá passaram e passam.

🌍 Infiltrava-me num cruzeiro pelo Mediterrâneo e experimentava o Dolce far niente. 

🌍 O que não me faltam são ideias para onde ir.

E tu? Se pudesses fugir, para onde irias?

08
Mar21

52 perguntas | 10 # descreve o teu estilo

Até agora este é o tópico mais difícil para mim. O processo de auto-análise é complexo e exige um mergulho profundo aos nossos traços e sentimentos. O tópico também não é muito concreto. Pode remeter para várias áreas, por isso vou tentar apresentar alguns pontos.

  • Moda - Eu sou uma pessoa zero moda, zero marcas. Não ligo quase nada a isto. Sou fã de roupa em segunda mão. Uso salto raso (odeio saltos altos), onde o meu calçado preferido são sapatilhas. Não gosto de roupa formal, mas há ocasiões específicas onde recorro a ela (é só mesmo quando tem que ser). Sou pessoas de cores suaves. Castanhos, preto, azul-escuro, brancos, cinzento e tons pastel são os meus preferidos. Não gosto de roupa nem de calçado demasiado elaborado. Sou uma nulidade a maquilhagem, não tenho paciência para cabeleiro (só lá vou quando o estado do meu cabelo é insuportável). Não vou manicura, não tenho paciência (e muitas vezes me questiono como é que as pessoas com um certo comprimento de unha conseguem fazer as coisas). Para mim Less is more.
  • Livros - Sou pessoa de ler de tudo um pouco. Tudo depende do meu interesse. O único género que me faz torcer o nariz é mesmo o género "fantasia". Com o passar dos anos e a minha experiência de leitora, sinto-me cada vez mais exigente.
  • Personalidade - Sou muito cordial, diplomática e um sentido de justiça muito vincado. Não gosto de liderar. Adoro o silêncio e tenho muita dificuldade em estar em locais com muita gente. Sou extremamente reservada e tímida. Tenho dificuldade em dizer "não" e em recusar algumas coisas (tenho vindo a melhor). Sou muito observadora e tenho necessidade de estar comigo mesma. É engraçado que depois de um dia cheio de reuniões, onde sou obrigada a comunicar com muitas pessoas, tenho ainda mais necessidade de recolhimento e de silêncio. Sou uma introvertida que cada vez mais seleciona as pessoas que integram a minha rede de apoio. 

Tens alguma pergunta para mim? Usa a caixa dos comentários! 

01
Mar21

52 perguntas | 9 # livro favorito

Pedir a um leitor para identificar um livro favorito é um castigo demasiado pesado. Tenho vários livros favoritos. São livros diferentes, com características diferentes e com mensagens únicas. Porém, tenho de indicar pelo menos um. Vou indicar aquele com uma das histórias de amor mais bonitas da literatura: "O grande amor da minha vida" de Paullina Simons.

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Não resisto a uma bonita história de amor. E esta é bonita, profunda e intensa. Juntem-lhe acontecimentos da Segunda Guerra Mundial, locais idílicos da Rússia e frases muito sensoriais e tem um livro que, apesar da sua extensão, se lê sem sentir o virar das páginas.

O que achas deste livro?

22
Fev21

52 perguntas | 8 # amizades do coração

daisy-3392654_1920.jpg(Fonte)

Às minhas amizades do coração...

No meu coração vivem pessoas especiais. Umas que se ficaram no passado, outras que se arrastam no presente em direção ao futuro e outras que se constroem a partir de hoje. Já sofri muito por aquelas que tive de deixar no passado. Hoje em dia aceito-as com uma maior leveza. Continuo a gostar delas por aquilo que representaram para mim, pelo apoio e suporte que me deram nessa altura e pelas boas memórias que me ofereceram. Foram importantes nessa época. Serenei o meu coração perante a inevitabilidade de as ter perdido. Há coisas que acabam. O para sempre é algo fantasioso que nos foi oferecido pelos contos de fadas. 

O passar do tempo deixou que a qualidade das relações ganhasse mais significado. Hoje posso ter poucas pessoas que envergam o título de amizades do coração, mas o vínculo que existe é mais coeso. Preenchem espaço no meu interior emocional que me acalenta a alma. São parte integrante da minha tribo que me empurram para o meu trilho quando algo me desequilibra e me afasta da rota.

São pessoas que me fazem ver as coisas positivas do meu percurso. São pessoas que abraçam o coração com palavras. São pessoas que enxugam as lágrimas e me fazem rir, mesmo quando não estou para aí virada. São pessoas que respeitam a minha necessidade de silêncio e reclusão. São pessoas que aceitam o jeito introvertido e reflexivo. São pessoas que me deixam felizes com as suas conquistas. São pessoas que me dão a honra de fazer parte dos seus dias de festa e dos seus dias de tempestade.

São a família que eu escolhi. Uma família com vínculos mais sólidos que uma família de sangue. 

15
Fev21

52 perguntas | 7 # escreve sobre a felicidade

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(Imagem de Alexas_Fotos)

O desafio para hoje é escrever sobre a felicidade. Gosto de comparar a felicidade às bolas de sabão.
Uma bola de sabão voa livre pelo ar, ao mesmo tempo que reflete cores bonitas. Transmitem leveza, serenidade, plenitude e são finitas. Quando atingem um determinado ponto rebentam. 

Para mim a felicidade é um pouco como as bolas de sabão. Acho que é impossível olhar para a felicidade como um sentimento constante, imutável e permanente. Ao longo da vida colecionamos diferentes momentos de felicidade. Uns mais intensos outros menos. Uns mais duradouros outros menos. Uns que refletem mais cor, outros menos. São estes momentos de felicidade que nos transmitem leveza, sensações positivas e nos permitem ganhar forças para enfrentar dias mais cinzentos.

Que nunca nos faltem bolas de sabão!

08
Fev21

52 perguntas | 6 # o poder da música

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(Imagem retirada daqui)

A música preenche um cenário. Inspira as palavras que escorrem dos meus dedos. Uma melodia forte, com um ritmo rápido empurra para uma batalha, uma cena de ação. Mas há acordes doces, que embrulham as palavras em emoções. A música é uma conexão entre o sujeito e o mundo para o qual é atirado. A música desperta estados emocionais, tem o poder de te animar. Com ela podes chorar de tristeza ou de alegria. 

A música ilustra os dias, marca memórias. É ouvires aqueles acordes iniciais e a tua memória viajar a um determinado local, com determinadas pessoas, com determinadas cores e sabores.

Da música partem sons, que te conduzem a palavras, memórias ou imagens. E, ao longo da vida, permite-nos construir uma banda sonora pessoal que ajuda a eternizar acontecimentos, pessoas e locais. 

O poder da música é inesgotável. Cabe a cada um de nós eternizá-la e dar-lhe o devido poder na nossa vida. 

 

01
Fev21

52 perguntas | 5 # os teus pais

family-155562_1280.png(Pixbay)

Ser pai... Ser mãe

Os braços carregam
O amor que vive fora do coração.
São braços largos,
Com encaixe perfeito
Quando a alegria domina.
São braços largos,
Sem fundo, sem tempo
Para afogarem as dores de cada lágrima vertida. 

Sobrará sempre tempo,
Sobrará sempre espaço,
Num colo sem idade.
Um colo que não deverá conhecer
A dor de ficar vazio. 

27
Jan21

Inquietações #2

Quantas histórias cabem neste pedaço de História?

Ninguém deve sair daqui, pois poderia levar para

27 de janeiro, Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto

76 anos depois da libertação de Auschwitz continua a ser fundamental não esquecer as histórias que a História guarda. Para nós é impossível imaginar as dores que as vítimas do Holocausto carregaram e carregam, mas inquieta-me o medo que devem ter sentido anos antes. O medo que sentiram quando o mundo entrou numa mudança que culminou numa guerra e num racismo e xenofobia sem precedentes. 

Numa altura em que os movimentos de extrema direita ganham força na Europa, espalhando mensagens de intolerância, urge lembrarmos cada uma das pessoas que lutou, sobreviveu ou que sucumbiu ao comportamento desumano de homens que tiveram coragem de fazer coisas horríveis a seres tão humanos quanto eles. 

Os anos avançam e vão sendo cada vez menos as testemunhas vivas dos horrores do holocausto. E, por isso, é cada vez mais importante avivar a memória e aprender com a História para que não se repitam os horrores de outros tempos.

Muitas vezes me perguntei o que pensavam e o que sentiam todos aqueles que espalharam o terror nos diferentes campos de concentração. O que é que eles sentiam a olhar para aquelas crianças, para aqueles homens e mulheres que ficavam sem nada. Até a dignidade lhes era roubada. É certo que devem ter recebido uma boa lavagem cerebral. Foram treinados e instruídos para espalharem aquilo que só era terror aos olhos dos outros. Cognitivamente consigo entender. Emocionalmente só nascem dúvidas e incompreensões. 
Como terá sido para eles o depois. A guerra acabou, os campos foram libertados e os horrores foram ficando visíveis. Como é que ficou a consciência destes homens e mulheres que durante anos se dedicaram a criar e alimentar um inferno real? 

Talvez não haja uma explicação em concreto. O ser humano é mau por natureza. O ser humano consegue fazer o melhor e o pior com o seu comportamento. A humanidade e a empatia existiam em doses pequenas, ou simplesmente não existiam. 

Hoje em dia parece que estas doses continuam a ser servidas em doses pouco saudáveis. E isso tem dado espaço aos discursos sensacionalistas, ao ódio gratuito e à intolerância perante a riqueza que nasce da diversidade do ser humano.
Não podemos calar as vozes que semeiam concórdia, paz, respeito, humanidade e empatia. Devemos exaltá-las para que consigam se sobrepor a discursos que conduzem ao fim de um conjunto de direitos e deveres que outros, no passado, lutaram para conquistar.

Por tudo isto, hoje é dia da memória. É dia de lembrar aqueles e aquelas que caminharam sobre a neve que cobria caminhos de dor, sofrimento. A fome foi uma companheira fiel daqueles e daquelas que tiveram a sorte de escapar as seleções indiferenciadas para os "banhos" finais. É dia de admirar cada um dos prisioneiros que teve de engolir o seu próprio sofrimento, adormecer as suas emoções para, a cada dia, ser capaz de enterrar um dos seus ou colocá-los nos crematórios. 
É dia de lembrar, também, os gestos de bondade que aconteceram em silêncio. Lembrar aqueles e aquelas que lutaram contra as regras e ajudaram anónimos, amigos e conhecidos. 
Quero acreditar que foram muitos os gestos de bondade. Só foram insuficientes porque a máquina de destruição foi enorme e movida com um tipo de ódio que não está, ainda, eliminado. 

Cabe-nos a nós mantê-lo adormecido, lembrando estas lutas e aprendendo com aquilo que a História nos deixou. 

25
Jan21

52 perguntas | 4 # lugares que queres visitar

Dando continuidade ao desafio da biiyue, esta semana o objetivo é indicar lugares que quero visitar. Para mim o mais difícil é reduzir a lista... Vou apresentar-vos cinco sítios que quero muito conhecer.

Estocolmo

933656741.jpg(imagem retirada daqui)

Não tenho uma explicação racional para este meu fascínio com os países nórdicos. O que é certo é que a Suécia paira nos meus sonhos de viagem há muito tempo. Quero mesmo muito conhecer Estocolmo.

Paris

Paris_montage_2013.jpg(imagem retirada daqui)

Paris, a cidade das luzes e do amor. Acho que deve ser uma cidade bonita e cheia de recantos interessantes para conhecer. Mais uma cidade que paira nos meus sonhos há muito tempo.

Moscovo e São Petersburgo

Untitled design (10).jpg(imagens retiradas daqui)

Posso culpar os livros pela minha vontade de conhecer estas duas cidades russas. Depois de ler "A imperatriz Romanov" de C.W. Gortner e "Os últimos dias dos Romanov" de Robert Alexander que fiquei com imensa curiosidade em conhecer os palácios, os locais e as coisas que pertenciam à família imperial Russa. 

Auschwitz

mw-860.jpeg(imagem retirada daqui)

Não sei como ficarão as minhas emoções quando conseguir visitar este lugar de respeito. Respeito por todos aqueles que lá perderam a vida, respeito pelo sofrimento que ficou impresso em cada metro quadrado, respeito pela história que a História guarda e que nunca deveríamos esquecer. Tenho a certeza que será uma viagem intensa.

Costa amalfitana

cidades-costa-amalfitana-1.jpg(imagem retirada daqui)

Itália, é Itália! A costa amalfitana é preenchida  de cidades demasiado bonitas. Uma viagem de sonho para uma férias que, para já, só em sonhos.

18
Jan21

52 perguntas | 3 # uma memória

Dando continuidade ao desafio da biiyue, esta semana o objetivo é descrever uma memória (fica o desafio de pensarem se a memória é real ou fictícia).

― Estás a despedir-te do rio?
A pergunta arrancou-me do meu estado melancólico de quem olha aquele rio pela última vez. Despreguei os olhos da janela do autocarro e olhei para a minha amiga. Só consegui acenar com a cabeça. Não confiei na minha voz! Era o meu último dia naquela cidade. Ao fim de cinco anos iria regressar à "terra mãe". E porque muito que dissessem que poderia voltar, muito que me dissessem que iríamos marcar encontros, almoços e jantares eu sabia que as coisas não iriam ser tão bonitas como as descreviam. A distância física iria acabar por arrefecer algumas relações e as saudades iriam ser muitas. 

Voltei a olhar para a janela. A minha amiga sentou-se no banco perto da janela e despediu-se do nosso rio e da nossa cidade em conjunto comigo. Daí a alguns minutos, iríamos sair do autocarro e jantar pela última vez em casa dela. 

Em dez anos, aqueles foi o nosso último jantar. O último jantar que partilhamos as cinco.