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Por detrás das palavras

Por detrás das palavras

19
Jun21

52 perguntas | 23 # o teu percurso académico

Percurso académico.jpg

Os anos que passei na universidade foram dos melhores anos da minha vida. Pode ser algo cliché. Pode ser algo que todas as pessoas dizem. Mas corresponde exatamente aquilo que senti.

Não fui pessoa de grandes festejos académicos. Não era de convívios e jantares. Mas encontrei as minhas pessoas. Pessoas de quem gosto muito, com quem partilhei ideias, alegrias, momentos de vida inesquecíveis. Éramos pessoas muito diferentes, mas respeitávamos a diferença de cada uma.

Sempre adorei estudar e a universidade é uma porta aberta ao conhecimento. Ao fim de cinco anos, saí com a certeza de que iria voltar. Mudei de casa para fazer o doutoramento e não me arrependi da escolha.

Trouxe muita coisa boa de Coimbra. Trouxe uma formação teórica e prática excelente que fez de mim uma profissional em crescimento e com ferramentas diversas e me deixou o bicho da investigação.

Não acredito nas mesmas coisas que acreditava quando terminei o curso. Mudei as minhas visões teóricas sobre o atendimento psicológico. Aprendi e desenvolvi-me. Hoje continuo na segunda casa académica. Inesperadamente, trabalho num lugar onde nunca pensei trabalhar. Apesar de nem tudo ser cor de rosa, estou a adorar trabalhar naquele lugar, estou a adorar os trabalhos nos quais estou envolvida. Acima de tudo estou muito grata por esta oportunidade.

Espero que o meu percurso continue por este caminho e que a minha vida profissional não retroceda.

05
Jun21

Aventuras-te a escrever ? | Vive

A Elisabete e a Vera voltaram a lançar um desafio de escrita no Instagram. Participei no anterior e não queria faltar neste. 
No outro desafio, tínhamos de construir a história a partir de um início pré-definido. Desta vez, é o final que guia a construção da história.

Segue aqui a minha. Espero que gostes. 
Não sei se a Elisabete e Vera vão deixar os links para as histórias de outras participantes, se os deixarem eu partilharei no próximo post.

FAQ - Rio Asa Delta

Foto retirada daqui

— Tenho aqui a tua prenda de aniversário.

Luís sorria enquanto estendia o envelope a uma Martina ligeiramente desconfiada.

— Este ano a prenda vem dentro de um envelope? – Martina remexia o envelope branco nas mãos, faltava-lhe a coragem para o abrir. – Tenho sempre medo das tuas prendas.

– Não tenhas, querida! – Luís puxou uma cadeira e sentou-se para que o seu olhar ficasse ao nível do da sua amada. – Acho que precisas de algo que te faça sentir viva.

O rosto de Martina ficou tingido de uma tristeza e uma nostalgia que a fizeram baixar o rosto. Martina e Luís viviam das suas viagens, das suas caminhadas. Eram parceiros no amor e nas aventuras desta vida. Há dois anos, um acidente de viação mudou-lhes a vida. Martina ficou paraplégica e tentou empurrar o Luís para fora da relação. Ele resistiu aos ataques dela e escolheu viver um amor igual numa condição diferente.

Adaptaram-se às novas circunstâncias e eram felizes. Martina ainda tinha os seus lugares sombrios, mas Luís não permitia que ela estivesse lá durante muito tempo.

Luís levantou-lhe o rosto:

— Hei! Ainda nem abriste esse envelope e já estás a duvidar da minha capacidade de te proporcionar uma boa aventura?

Martina sorriu e acariciou-lhe o rosto como se aquele gesto transportasse todo o amor que lhe tinha.

— Tu fazes-me sentir viva!

— Ótimo! Então abre lá o envelope e vê o que andei a magicar.

Ela abriu o envelope, sempre com a desconfiança a guiar-lhe os gestos finos. Tirou de lá de dentro um convite e dois bilhetes de avião. Leu-o com atenção e, no fim, foi incapaz de conter a gargalhada.

— Bem… Pelo menos já te arranquei uma boa gargalhada!

— Luís… Luís… Salto de Asa Delta? – Luís acenava com a cabeça. – No Rio de Janeiro? Tu estás ciente de toda a logística que eu agora exijo?

— Logística? Que logística? Agora até é mais fácil! – Ela ria perante a seriedade com que o marido tecia as suas razões. –  Não vou precisar de te transportar ao colo após queixumes acerca de uma dor de pernas depois de um bom tempo a caminhar. Não tenho de passar horas a convencer-te a entrar numa lagoa, a dar o salto, a fazer algo do qual sintas algum medo, porque basta pegar em ti e ir.

Martina deu uma palmada no ombro de Luís e este fingiu uma dor. Desenhando com os seus lábios um au! inaudível. 

— Eu não sou assim! Acompanho-te sempre nas tuas aventuras. Agora estás a ser cruel.

Luís beijou-lhe a ponta do nariz.

— Querida, está tranquila. Está tudo programada ao milímetro. Tenho a certeza de que vais adorar.

 

Meses mais tarde…

O Rio de Janeiro tinha uma luz especial. Estavam no terceiro dia de uma viagem memorável. Era a primeira viagem que faziam depois do acidente. Mas Luís tinha razão, tudo estava preparado para que ela não sentisse que a cadeira de rodas fosse uma limitação à sua experiência.

Este era, também, o dia do salto de asa delta a partir da Rampa de São Conrado. Martina e Luís receberam informação e formação para que tudo decorresse de forma segura. Por uma questão de segurança, não iriam fazer o salto juntos. 

Martina foi a primeira a saltar. Daquele penhasco, Luís conseguiu ver o entusiasmo da sua esposa. De certeza que estava a olhar estarrecida para o verde que envolvia a cidade e abria espaço para a praia de areia dourara. Ali estava ela a sentir aquele vento especial no rosto e a sentir-se viva, tal como ele prometera. Só isto, já o deixava feliz.

Agora era a vez dele de conhecer a sensação de voar sobre aquela paisagem magnífica. E, com o reflexo da linha azul do horizonte nos olhos, atirou-se do penhasco. ­

31
Mai21

52 perguntas | 22 # o meu percurso escolar

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Imagem by Darkmoon

O meu percurso escolar oferece, em simultâneo, memórias boas e dolorosas. Fui, aquilo que hoje se denomina, uma aluna condicionada. Entrei na escola sem os seis anos feitos. Entrei na escola sem conhecer nada do universo escolar, retirando a parte dos conteúdos (já conhecia as letras, os números e fazia pequenos cálculos). Nunca andei numa creche, numa frequentei o ensino pré-escolar. 

A parte mais complicada da escola foram as relações. Sempre tive dificuldade em encontrar pessoas com as quais me identificasse. Introvertida, metida na concha! Imaginam o terror? Fui alvo de alguns comentários desagradáveis, fui alvo de comportamentos que me deixaram desconfortável e acabei por focar toda a minha energia no desempenho escolar. E fui andando. Passando de ano, sempre com boas notas, prémios de mérito, KitKats oferecidos pela professora de Português do 6º ano por cada muito bom (sim, colecionei alguns chocolates)... A minha única negativa na pauta foi no 7º ano, à disciplina de Educação Física. Sempre fui muito descoordenada. Odiava as aulas de ginástica (tinha sempre um medo enorme de partir o pescoço naqueles saltos e cambalhotas intermináveis.
Em termos de relações, o melhor ano foi o 9º. Fiz bons amigos nesse ano. Não ficaram, como não ficou nenhum dos outros, mas deixaram boas lembranças e a sensação de que era capaz de me relacionar de forma significativa com outras pessoas. No final deste ano, ganhei um pequeno troféu de "Melhor aluna" da escola e que eu guardo com muito orgulho. 

O secundário representa a minha primeira grande travessia no deserto da vida. Foram anos horríveis para mim. Foi aqui que eu senti o peso da solidão, o peso de não partilhar nada ou quase nada com as pessoas com quem dividia a sala de aula. Foram anos muito duros, de muito choro. Ficou-me uma aprendizagem: não preciso de ninguém para fazer o meu percurso. Acho que o impacto foi mais complicado por causa das boas relações que construi no último ano do ensino básico. Caso contrário, acho que não me teria sentido tão perdida. Foram muitas mudanças para assimilar. 

Não tenho relações de amizade desta minha etapa do percurso escolar. Tenho conhecidos. Pessoas por quem passo e que vou falando, mais nada. Há coisas que são mesmo assim, não há forma de controlar. Felizmente, o percurso alinhou-se e outras pessoas entraram na vida numa fase posterior, que será descrita na próxima semana.

25
Mai21

52 perguntas | 21 # Qual o conselho que preciso de dar a mim mesma?

grille-2369001_1920.jpgAutora da fotografia: yaftia 

Liberta-te dos pensamentos ruminantes sobre quem não está na tua vida.
Liberta-te do sentimento de culpa pelos afastamentos que te trouxeram saúde mental.
Liberta-te das grades que sempre gostaram de te impor na vida. Hoje és outra pessoa, uma pessoa que pode lutar pelo que quer. Uma pessoa que atravessa os desertos da vida com a energia suficiente para não sucumbir. 

 

 

 

25
Mai21

52 perguntas | 20 # Algo inspirador na 11ª imagem do telemóvel

P_20180626_114303.jpg

Esta é a 11ª imagem que reside nos ficheiros do meu telemóvel: Bolo formigueiro com cobertura de chocolate de avelãs. 
Para mim, fazer doces é inspirador e relaxante. Sou pessoas de doces.
Há muito tempo que não faço este bolo em particular. É um bolo mais pesado, o que não combina com dias mais quentes. Será uma boa opção para o outono. Talvez o faça nessa altura. 

 

24
Mai21

52 perguntas | 19# uma carta para alguém

Tenho esta rubrica muito, muito atrasada. Hoje e amanhã vou tentar sintonizar-me com as partilhas para não deixar acumular mais. 

Cartas... Eu adoro escrever cartas. As palavras enchem-se de emoções e coisas positivas. Quem as recebe é sempre inundado de qualquer coisa mágica. Cá vai a minha carta. Já sabes, o desafio é dizeres-me se é real ou ficção. 

 

Querido D.,

É a primeira carta que te escrevo. Nunca me atrevi a materializar em palavras tudo aquilo que representaste para mim. Foste o primeiro amigo e único amigo do sexo masculino que fiz ao longo de toda a minha vida. Talvez queira dizer alguma coisa. Talvez signifique que havia algo superior que nos unia. 
Em tempos, olhei para ti como representando um pouco mais. Sentia-me sempre muito feliz contigo. Fazias-me rir, ouvias-me com uma dedicação que poucos faziam. Foste o meu porto seguro, o meu par numa dança desastrada (era e sou demasiado pé de chumbo), o meu parceiro nas cenas mais nerd. 
A vida meteu-se pelo meio. E o amor romântico que pensava sentir transformou-se numa espécie de amizade nostálgica. Perdi-te no tempo, mas não te perdeste na minha memória. Continuas vivo nas minhas lembranças mais felizes daqueles tempos. E essas lembranças fazem-me sorrir.
Não sei onde estas, o que fazes, se tens alguém. Só espero que estejas a feliz, a viver da forma livre que sempre me ensinaste. Espero que tenhas pessoas que te amem e te respeitem. Que te abracem nas horas tristes e te apertem euforicamente nas horas felizes.
Será sempre uma doce lembrança, de um tempo passado que não
volta.

Beijinhos,

26
Abr21

52 perguntas | 17 # Escreve sobre o amor

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(imagem retirada daqui)

Ele estava ali para se despedir. A dor de amar e de não a ter conseguido salvar, carregá-la-ia para todo o sempre.

A psicóloga do INEM acompanhava-o.

— Quer que entre consigo?

Ele olhou para a psicóloga. Um sorriso triste acompanhou as palavras que lhe saíram da boca:

— Obrigada! Acho que é algo que tenho de fazer sozinho.

A psicóloga assentiu, apertou-lhe o ombro em jeito de incentivo e disse-lhe:

— Claro! Espero aqui à porta.

Ele entrou na capela mortuária. Ainda cambaleava um pouco. A perna estava dorida, o braço ao peito e no corpo restavam as marcas negras da manhã de domingo. Parou ao lado do caixão, arrastou uma cadeira e sentou-se de frente para o rosto sereno dela. As lágrimas surgiram, como se elas pudessem limpar a dor das últimas horas. Deu início ao seu monólogo entrecortado pelos soluços da dor que o atingiam.

— Desculpa! Desculpa!... Tu não querias ir o rio. Acabei por insistir e olha no que deu. Já tínhamos feito aquele percurso tantas vezes… Lembras-te da primeira vez que descemos o rio? Tu rias tanto… Eu seguia na minha canoa, logo atrás de ti. Por vezes o barulho da água abafava a tua alegria, mas eu sentia-a. O sol fazia o teu cabelo castanho brilhar tanto. Quando chegamos ao fim, estavas eufórica. Prometemos fazer aquilo sempre que pudéssemos e nos apetecesse. Ontem, não te apetecia….

O choro tornou-se mais intenso. Lágrimas e ranho misturavam-se num rosto preenchido de dor. Ele foi ao bolso, retirou um lenço e limpou o rosto.

— Fiz tudo o que podia. Ainda não sei como é que a tua canoa virou e ficaste presa ali. Tentei de tudo. Até quando as forças me faltavam eu só queria libertar-te dali, arrastar-te para a margem para que depois te pudessem socorrer. Eu precisava que vivesses. Preciso de ti aqui! Viva, inteira e sempre pronta a dar-me a mão. Eu dei-te a minha, mas a força não foi suficiente. Como é que se vive com a culpa de não ter conseguido salvar a pessoa que eu mais amo nesta vida.

Permitiu-se alguns minutos de silencio para chorar.

— Sabes do que tenho medo? De esquecer a tua voz, do som do teu sorriso. Da forma especial como chamas por mim. Tenho medo de não te lembrar as vezes suficientes. Tenho medo de viver sem ti ao meu lado. Porra! Tenho medo da falta que me vais fazer. Vou-me perder nas fotografias e nos vídeos de deixaste gravados. Vou imaginar como seriam os nossos filhos e desenhá-los. Quero manter-te viva dentro de mim. Serás a minha lembrança mais bonita. Se for como tu acreditas, um dia encontrar-te-ei num campo verde e florido. Prometes que me vens esperar?

A dor aumentou e o choro tornou-se compulsivo. Ele já não conseguia dizer mais nada. Do lado de forma da capela, encostada à porta, a psicóloga chorava pela dor dele.

 

23
Abr21

Dia mundial do livro e dos direitos de autor

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Os livros oferecem-nos histórias e marcam a nossa própria história. Marcam épocas de uma vida e associam-se a lembranças que fazem de mim a pessoas que sou hoje.

A Anita talvez tenha sido a minha primeira amiga (coleção dos Livros da Anita). Cansei-lhe as páginas de tantos que as folhei. As capas estão gastas, mas guardam boas memórias de infância. A escola possibilitou outros olhares. Todos os meses recebia a “carrinha mágica”, carregada de história para descobrir. Continuei fiel à Anita, mas permiti-me conhecer outros universos infantis. Tive uma amizade breve com o Babar e uma amizade longa com o Chico, o Pedro, a Teresa, a Luísa e o João (coleção “Uma aventura”).

Sai da aldeia e a carrinha acabou. Os meus pais não me davam grande acesso aos livros. O que valeu nessas alturas foram mesmo as leituras obrigatórias. Ainda hoje queria ser como a Oriana e a Rainha das Fadas e ter asas para voar por cima dos problemas (“A Fada Oriana”), ser amiga da Menina do Mar (“A Menina do Mar”) e viver as aventuras de um Ulisses que volta sempre para a sua Penélope (“Ulisses”). Ri-me com a Sementinha (“A vida mágica da sementinha”) e emocionei-me com Hans e, já adulta, tive a mesma vontade dele: sair em busca do desconhecido (“Histórias da terra e do mar”), mas nunca tive a mesma coragem. Seguiu-se um Principezinho com a sua rosa e a sua raposa, mas acho que não o conheci como devia (“O Principezinho”). Devo-lhe uma nova oportunidade. Eram tão poucos os livros na minha vida, que me agarrei sempre a estes. Por isso, respeito muito as leituras obrigatórias. Sem elas, perderia os meus laços com as palavras.

O salto para o secundário significou menos obras obrigatórias, mas abriu as portas da biblioteca municipal. Ter fugido às letras e me entregado aos números deu-me menos livros, porém tive a oportunidade de me apaixonar por Pedro da Maia e sofrer pelo seu amor proibido (“Os Mais”) e afundar-me em reflexões existencialistas sobre a vida e a morte (“Aparição”).

A fase da biblioteca trouxe-me as paixões sofridas (livros de Nicholas Sparks), as famílias italianas e o som o tango (Sveva Modignani), choquei-me com a Maria (“Onze Minutos”) e nunca mais larguei as palavras de Paulo Coelho. Deixei que o meu coração palpitasse na cadência das palavras de Tiago Rebelo. Sofri com a poesia de Florbela Espanca e deixei que a melancolia dela fosse a minha em tantos momentos da minha vida.

A universidade meteu-se pelo meio e os livros técnicos ganharam mais espaço. Mas quando a paixão se transforma num amor sólido, temos sempre a vontade de voltar a onde fomos felizes. No meu caso, sou feliz nas páginas de um livro e a eles voltei. Têm sido tantos e tão bons que é difícil fazer com que todos caibam neste texto. Voltei aos livros pelas mãos de José Rodrigues dos Santos; passei pelas terras altas da Escócia (Outlander); sobrevei romances simples e complexos, que davam espaço ao amor entrar (Danielle Steel, Paullina Simons, Deborah Smith, Marc Levy, etc.), encontrei nos clássicos boas leituras (“Orgulho e preconceito”, "O monte dos vendavais"), atrevi-me pelo universo do crime e enjoei nos autocarros com as cenas demasiado gráficas (“Messias”, “O assassino do crucifixo”). Aprendi com a Torey a fazer das minhas consultas espaços mais ricos para as crianças (livros da Torey Hayden). Entrei na História (“O ano da dançarina”, “A filha do capitão”, “A imperatriz Romanov”, “Inês) e lembrei-me o quanto eu gostava dela. Descobri que até a fantasia pode ser para mim (Série Sevenwaters) e chorei às mãos de um homem que capta com mestria a essência feminina num lugar onde ela é anulada (“Mil sóis resplandecentes”). Apaixonei-me pelas vozes portuguesas (“As últimas linhas destas mãos”, “O funeral da nossa mãe”, “Alma rebelde”, “O escultor”, “Maresia e fortuna”) e orgulhei-me das mãos portuguesas que dão corpo a histórias magníficas.

Os livros amenizaram tristezas (“Deixa-me odiar-te”, “Rosas”, Série Bridgerton). Trouxeram-me risos e pessoas que foram luz no meio de tempestades. Fizeram-me sonhar. Eles são a minha história e cabem em mais do que um dia por ano.

Que livros fazem a vossa história?

12
Abr21

52 perguntas | 15 # Primeiro amor

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Era o final do 2º período. As férias da Páscoa estavam ali quase, quase a começar. Ela sentia-se triste. Como é que iria aguentar duas semanas sem o ver? Ia ser difícil.

A última aula do dia foi matemática. A professora decidiu facilitar-lhes a vida. Naquele dia seria para ver um filme. A escolha da professora foi “Notting Hill”. Ela estava apreensiva. Ver um filme romântico ao lado da pessoa que lhe causava palpitações parecia uma tarefa hercúlea.

O filme começou. Tiveram direito a algumas gargalhadas, a alguns momentos embaraçosos e a momentos que fizeram as raparigas da sala suspirar. Ela não suspirou! Enquanto na tela William se declarava a Anne e Elvis Costello enchia a sala com a música, ele apertou a mão dela. E ela ficou com a respiração presa, sem tempo para suspirar com aquilo que acontecia na tela.

Nas férias, ouviu a música até à exaustão. Ouviu-a quantas vezes a sua alma adolescente achou necessárias. E em cada uma dessas vezes, ele voltava a apertar a mão e dela. E, desta vez, ela já pode suspirar.

Realidade ou ficção?

29
Mar21

52 perguntas | 13 # Formas de ganhar o meu coração

adult-1846428_1920.jpg(Imagem retirada daqui)

Meu coração é tecido de simplicidade. Abriga palavras sinceras, sejam elas mais doces ou mais ácidas. O que importa é que sejam sentidas, sinceras que visem o meu crescimento. Não abriga palavras julgadores ou depreciativas, porque essas são preenchidas de amargura e toxicidade. 

No meu coração cabem os gestos simples e que surpreendam. São gestos que chegam em moeda de troca. São oferecidos com a única missão de demonstrar amor e amizade. 

O meu coração gosta das mensagens e dos postais. Vibra com a certeza da lembrança que vem do outro. 

O meu coração alimenta-se de momentos partilhados. Pode ser uma caminhada pelo monte mais íngreme, ou pelo areal de uma praia. Pode ser uma visita a um museu, ou uma entrada numa sala de cinema. O que permanecerá no fim é a certeza do tempo partilhado e das memórias construídas. 

O meu coração também tem um lado materialista que se enternece quando recebe livros escolhidos em especial para ele. Não se importa com a origem dos livros, se são novos ou usados, o que interessa é a mensagem que a dádiva transmite. "Escolhi-o a pensar em ti". 

Como se poderá ganhar o teu coração?

22
Mar21

52 perguntas | 12 # Alguém de quem tens saudades

Já fui uma pessoa muito saudosista. Pensava imenso nas pessoas com quem partilhei fases da minha vida. Senti falta de pessoas que passaram a viver longe de mim. Atualmente, olho para as coisas com outra perspetiva. É uma perspetiva mais racional, solitária e menos dada a saudosismos. 

album-2974646_1920.jpg(imagem retirada daqui)

Estes últimos anos fizeram-me colocar as pessoas em perspetiva. Levaram-me por caminhos diferentes, permitiram-me olhar de forma diferente para as pessoas que tinha na minha vida. Daqui resultou a certeza de que há pessoas que quero manter na minha vida e outras que não faço questão. Por isso, procurei libertar-me emocionalmente daquelas que não acrescentavam nada aos meus dias.

Acho que foi este distanciamento que me obrigou a colocar a saudade em perspetiva. Olhei mais para dentro de mim, para as minhas necessidades e para as relações que construi. Decidi alimentar as que me fazem bem. E nesse processo percebo que não há lugar para saudades, porque há contacto e interesse mútuo. Não é preciso falar todos os dias! É preciso estar presente e alimentar essa presença sem cobranças, sem imposições e sem limitar a liberdade do outro.

Sou, assim, uma pessoa ainda mais solitária, introspetiva e que gosta imenso de estar sozinha. Nunca me aborreço na minha companhia. Comunico com quem tenho de comunicar, quando tenho de comunicar. Sem pressão! Deixei de ter saudades dos locais e daquilo lá vivi, assim como das pessoas que preencheram esses locais. Alimento-me das boas memórias e isso tem sido suficiente. 

15
Mar21

52 perguntas | 11 # Se pudesses fugir, para onde irias?

Se eu pudesse fugir...

🌍 Saltava para dentro de um livro. Poderia ser um romance histórico e ter a oportunidade de viver numa época diferente da minha; ou um romance contemporâneo, com uma bonita história de amor e o final feliz estivesse garantido.

🌍 Metia-me num comboio e ia conhecer todas as capitais europeias. Conhecer a Europa através de viagens de comboio deve ser inesquecível.

🌍 Apanhava o avião para Itália, alugava um carro e ia conhecer a Costa Amalfitana.

🌍 Ia conhecer África e tentar perceber o fascínio que acompanha as descriçoes de todos aqueles que por lá passaram e passam.

🌍 Infiltrava-me num cruzeiro pelo Mediterrâneo e experimentava o Dolce far niente. 

🌍 O que não me faltam são ideias para onde ir.

E tu? Se pudesses fugir, para onde irias?

08
Mar21

52 perguntas | 10 # descreve o teu estilo

Até agora este é o tópico mais difícil para mim. O processo de auto-análise é complexo e exige um mergulho profundo aos nossos traços e sentimentos. O tópico também não é muito concreto. Pode remeter para várias áreas, por isso vou tentar apresentar alguns pontos.

  • Moda - Eu sou uma pessoa zero moda, zero marcas. Não ligo quase nada a isto. Sou fã de roupa em segunda mão. Uso salto raso (odeio saltos altos), onde o meu calçado preferido são sapatilhas. Não gosto de roupa formal, mas há ocasiões específicas onde recorro a ela (é só mesmo quando tem que ser). Sou pessoas de cores suaves. Castanhos, preto, azul-escuro, brancos, cinzento e tons pastel são os meus preferidos. Não gosto de roupa nem de calçado demasiado elaborado. Sou uma nulidade a maquilhagem, não tenho paciência para cabeleiro (só lá vou quando o estado do meu cabelo é insuportável). Não vou manicura, não tenho paciência (e muitas vezes me questiono como é que as pessoas com um certo comprimento de unha conseguem fazer as coisas). Para mim Less is more.
  • Livros - Sou pessoa de ler de tudo um pouco. Tudo depende do meu interesse. O único género que me faz torcer o nariz é mesmo o género "fantasia". Com o passar dos anos e a minha experiência de leitora, sinto-me cada vez mais exigente.
  • Personalidade - Sou muito cordial, diplomática e um sentido de justiça muito vincado. Não gosto de liderar. Adoro o silêncio e tenho muita dificuldade em estar em locais com muita gente. Sou extremamente reservada e tímida. Tenho dificuldade em dizer "não" e em recusar algumas coisas (tenho vindo a melhor). Sou muito observadora e tenho necessidade de estar comigo mesma. É engraçado que depois de um dia cheio de reuniões, onde sou obrigada a comunicar com muitas pessoas, tenho ainda mais necessidade de recolhimento e de silêncio. Sou uma introvertida que cada vez mais seleciona as pessoas que integram a minha rede de apoio. 

Tens alguma pergunta para mim? Usa a caixa dos comentários! 

01
Mar21

52 perguntas | 9 # livro favorito

Pedir a um leitor para identificar um livro favorito é um castigo demasiado pesado. Tenho vários livros favoritos. São livros diferentes, com características diferentes e com mensagens únicas. Porém, tenho de indicar pelo menos um. Vou indicar aquele com uma das histórias de amor mais bonitas da literatura: "O grande amor da minha vida" de Paullina Simons.

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Não resisto a uma bonita história de amor. E esta é bonita, profunda e intensa. Juntem-lhe acontecimentos da Segunda Guerra Mundial, locais idílicos da Rússia e frases muito sensoriais e tem um livro que, apesar da sua extensão, se lê sem sentir o virar das páginas.

O que achas deste livro?

22
Fev21

52 perguntas | 8 # amizades do coração

daisy-3392654_1920.jpg(Fonte)

Às minhas amizades do coração...

No meu coração vivem pessoas especiais. Umas que se ficaram no passado, outras que se arrastam no presente em direção ao futuro e outras que se constroem a partir de hoje. Já sofri muito por aquelas que tive de deixar no passado. Hoje em dia aceito-as com uma maior leveza. Continuo a gostar delas por aquilo que representaram para mim, pelo apoio e suporte que me deram nessa altura e pelas boas memórias que me ofereceram. Foram importantes nessa época. Serenei o meu coração perante a inevitabilidade de as ter perdido. Há coisas que acabam. O para sempre é algo fantasioso que nos foi oferecido pelos contos de fadas. 

O passar do tempo deixou que a qualidade das relações ganhasse mais significado. Hoje posso ter poucas pessoas que envergam o título de amizades do coração, mas o vínculo que existe é mais coeso. Preenchem espaço no meu interior emocional que me acalenta a alma. São parte integrante da minha tribo que me empurram para o meu trilho quando algo me desequilibra e me afasta da rota.

São pessoas que me fazem ver as coisas positivas do meu percurso. São pessoas que abraçam o coração com palavras. São pessoas que enxugam as lágrimas e me fazem rir, mesmo quando não estou para aí virada. São pessoas que respeitam a minha necessidade de silêncio e reclusão. São pessoas que aceitam o jeito introvertido e reflexivo. São pessoas que me deixam felizes com as suas conquistas. São pessoas que me dão a honra de fazer parte dos seus dias de festa e dos seus dias de tempestade.

São a família que eu escolhi. Uma família com vínculos mais sólidos que uma família de sangue.