Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Por detrás das palavras

Por detrás das palavras

07
Out17

Opinião | "Sangue-do-coração" de Juliet Marillier

Sangue-do-Coração
Classificação: 4 Estrelas

Eu tenho uma relação complicada com a fantasia. É um género que tenho alguma dificuldade em ler, porque nem sempre me identifico com o que os autores escrevem. Sendo eu uma pessoa muito racional as coisas ligadas ao que foge da realidade não se encaixam muito bem na minha mente. 
Apesar disso, os livro de Juliet Marillier conseguem ultrapassar a minha barreira racional e conseguem prender-me à leitura e a deixar-me encantada com as histórias e as personagens.

Sangue-do-coração é o quarto livro que leio da autora e apresenta-nos uma história inspirada na história da Bela e o Monstro (esta inspiração estava tão enraízada na minha mente que pensei que Anluan teria um final ligeiramente diferente). 
Eu gostei muito de me perder por estas páginas e conhecer todas as gerações que contribuíram para que Whistling Tor se tornasse num lugar mágico, peculiar e habitado por entidades tão diversas e com papéis tão distintos que, cada uma delas à sua maneira, oferece um toque especial ao desenvolvimento da narrativa. 

Caitrin é a personagem feminina principal e da qual gostei imenso (porém não consegue superar Sorcha nem Niamh da trilogia Sevenwaters - não há amor como o primeiro, está visto) e que carrega tanta coragem e determinação que se tornou uma verdadeira inspiração para mim. Gostei de ver a sensibilidade dela e a forma como essa mesma sensibilidade foi fundamental para chegar ao coração de cada um dos homens que habitavam as terras de Whistling Tor. 

Anluan é o nosso "mostro". Considero que é uma personagem muito interessante, que em cada passagem, me levava de volta ao monstro da Bela e o Monstro. Mas, Anluan é ainda melhor que o Monstro. O facto de termos acesso a mais informação sobre ele, à forma como cresceu e viveu até então isso deixou-me mais próxima dele e enchia-me de alegria sempre que sentia que o seu coração afastava o negro e deixava espaço para que a esperança e o amor se enraízassem.

Por fim, quero destacar Muirne. É uma antagonista brilhantemente encaixada na narrativa e que quase merecia um livro só dela. Cheguei ao fim a desejar conhecer de forma mais profunda esta mulher. Queria compreender melhor as suas motivações para toda a influência que ofereceu às diferentes passagens da narrativa.

Relativamente à parta fantasiosa da narrativa, esta centra-se em maldições, espíritos, magia negra... Da minha pouca experiência com livros do género, quando se trata de histórias que contém estes aspetos conjugados com boas personagens e uma ação interessante e cativante facilmente me deixo encantar com este género de livros.

Para quem é fã de fantasia, tenho a certeza de que este livro irá cumprir todos os requisitos destes leitores para uma boa leitura. Penso que chegarão ao fim com a sensação de terem entrado num universo paralelo, cheio de mistérios, segredos e rituais mágicos que são necessários desconstruir para conseguir que as trevas se afastem e deixem espaço para que o sol volte a brilhar no reino de Anluan.
Para quem não é fã de fantasia, libertem a mente e tente ver para além do mundo estranho que envolve as personagens. Encarem a maldição como algo exterior e que condiciona o funcionamento daquele território. É como muitas daquelas coisas que acontecem na nossa vida para as quais não temos uma explicação lógica ou racional. Whistling Tor é mesmo isso, um lugar onde o tempo ficou aprisionado na magia negra que recebeu e que apenas precisa deixar-se penetrar pela luz e bondade de alguém. O melhor é olharem para a narrativa como uma história povoada por pessoas comuns numa situação invulgar. Isto tudo para vos dizer que devem dar uma oportunidade ao livro.  
20
Ago14

[Opinião] Danças na Floresta (Wildwood #1)


Danças na Floresta (Wildwood, #1)

Autor: Juliet Marillier
Ano: 2007
Editora: Bertrand Editora
Número de páginas: 336 páginas
Classificação: 3 Estrelas

Sinopse
Este livro da autora é inspirado no conto de fadas As Doze Princesas Bailarinas. É a história de cinco irmãs intrépidas, em luta com quatro criaturas sinistras, três misteriosos presentes mágicos, dois amantes proibidos e um sapo enfeitiçado. Há muitos mistérios na floresta. Jena e as suas irmãs partilham o maior de todos, um segredo fantástico que lhes permite escapar à vida diária nos campos da Transilvânia, e que mantiveram escondido durante nove anos. Quando o seu pai adoece e tem de abandonar o seu lar na floresta durante o Inverno, Jena e a sua irmã mais velha, Tati, ficam encarregues de cuidar da casa e das outras irmãs. O surgimento de uma misteriosa jovem de casaco preto faz nascer o amor numa das irmãs e, subitamente, Jena apercebe-se que tem de lutar para salvar aqueles que lhe são mais queridos. Acompanhada por Gogu, Jena tem de enfrentar grandes perigos para preservar não só as pessoas que ama, como também a sua própria independência e a da família.

Opinião
Depois de ter lido os três primeiros livros da série Sevenwaters fiquei com vontade de ler mais livros da Juliet Marillier. Então, enquanto divagava pelas prateleiras da biblioteca, assim que parei na prateleira da autora decidi trazer mais um livro dela. O motivo para ter escolhido este em detrimento de todos os outros que estavam na estante foi a capa. Achei-a, e contínuo a achar, muito bonita!
Quanto à história, não desgostei, mas não consegui gostar tanto como os livros que li anteriormente. A razão pela qual não gostei tanto foi pelo facto de a história ser abordada de uma forma um pouco superficial. A autora não conseguiu ser tão profunda nem oferecer um final mais desenvolvido.

De entre as várias personagens que compõem o livro, destaco Jena pela sua coragem e vontade de se afirmar como uma mulher capaz. Achei muito bonita a amizade dela com o seu sapo (apesar de no início me fazer um pouco de confusão, já que não sinto muito afinidade por este bicharoco, são um pouco nojentos). Também gostei de Cezar. Um bom vilão, que em certos momentos merecia mais destaque. Costi, irmão de Cezar, foi uma boa surpresa e gostei bastante da forma como ele e Jena acertaram as suas agulhas. Para ficar perfeito, bastava um maior desenvolvimento final. Foi tudo explicado e desenvolvido de uma forma um pouco apressada.

A parte mágica do livro é bastante interessante. Desde a descrição dos seres mágicos, ao mundo que eles habitam. Fiquei com muita curiosidade em saber mais acerca de algumas personagens deste reino paralelo, nomeadamente Tadeuz e Tristeza e a sua irmão, assim como do funcionamento do mesmo.

Em conclusão, posso dizer que foi uma leitura agradável, mas que ficou um pouco aquém das minhas leituras anteriores desta mesma autora.
11
Jun14

[Opinião] A Filha da Profecia (Sevenwaters #3)


A Filha da Profecia (Trilogia de Sevenwaters, #3)

Autor: Juliet Marillier
Ano: 2002
Editora: Bertrand
Número de páginas: 480 páginas
Classificação: 4 Estrelas

Sinopse
Fainne foi criada numa enseada isolada na costa de Kerry, com uma infância dominada pela solidão. Mas o pai, filho exilado de Sevenwaters, ensina-lhe tudo o que sabe sobre as artes mágicas. Esta existência pacífica será ameaçada em breve, e a vida de Fainne jamais será a mesma, quando a avó, a temida feiticeira Lady Oonagh, se impõe na sua vida. Com a perversidade que a caracteriza, a feiticeira conta a Fainne que tem um legado terrível: o sangue de uma linhagem maldita de feiticeiros e foras-da-lei, incutindo nela um sentimento de ódio profundo e, ao mesmo tempo, a execução de uma tarefa que deixa a jovem aterrorizada. Enviada para Sevenwaters, com objectivo de destruí-la, vai usar todos os seus poderes mágicos, para impedir o cumprimento de uma profecia.

Opinião
Há imenso tempo que queria ler este livro. Depois de ter terminado o segundo volume da série queria saber que rumo iram tomar as coisas e as personagens.

É uma boa leitura e facilmente nos sentimos envolvidos em toda a história. Em tudo aquilo que as personagens têm para nos oferecer. Mas, para mim, não teve o mesmo poder que os livros anteriores. E penso que o meu desencanto advém da forma como o livro terminou.

Fainne é a narradora deste livro e aquela que assume o papel central no desenrolar dos acontecimentos. Ela é neta de Sorcha (A filha da floresta) e filha de Niamh (O filho das sombras). É uma personagem muito forte, tal como as personagens femininas dos livros anterior, porém consegue reunir qualidades que ultrapassam todas as mulheres da sua família. Gostei da Fainne e da sua amizade com Darragh. Uma amizade muito inocente e forte que desde o início fez transparecer a força sentimental que liga estes dois. É uma amizade que nos chega ao coração, que nos emociona. E tudo isto se deve à forma brilhante como a escritora dá a conhecer os factos. Não é difícil ao leitor deixar-se encantar por Darragah. Um jovem de espírito livro, que respeita a natureza e com uma enorme vontade de proteger quem mais ama.

Tal como nos livros anteriores, a criatividade da escrita está presente em cada pedaço do livro. A forma como ela entrelaça magia, lendas, personagens, amizade e amor, faz com que a suas histórias sejam um conforto e uma forma de sairmos da nossa realidade. 

Como já referi anteriormente, o final do livro foi o que me deixou um bocadinho desiludida. Senti que foi um pouco apressado. O essencial foi transmitido, terminando de forma coerente e interessante, mas as personagens, todas eles, tornaram-se uma companhia tão agradável que eu gostaria de saber mais sobre como é que elas ficaram depois de todos aqueles acontecimentos. Queria saber mais de Liadam e da sua família. Assim como como de Sean e as suas promissoras filhas. E quanto à Fanine, acho que ela não merecia uma responsabilidade final tão grande. Eu não quero explicar-me muito mais, porque teria se spoilar o final todo, mas achei injusto que depois de tudo o que ela passou tivesse de ficar a viver daquela maneira (mesmo sabendo que ela gostava de um pouco de solidão, acho que ele merecia uma maior abertura com o exteior).

Sei que a série ainda não terminou e tenho uma grande curiosidade pelos volumes seguintes, principalmente por já sabes que são dedicados às promissoras filhas de Sean.

Deixem-se invadir pelas palavras e boas leituras. 
28
Mar14

[Opinião] O Filho das Sombras (Sevenwaters #2)


O Filho das Sombras (Trilogia de Sevenwaters, #2)

Autor: Juliet Marillier
Ano: 2002
Editora: Bertrand
Número de páginas: 462 páginas
Classificação: 5 Estrelas

Sinopse
As florestas de Sevenwaters lançaram o seu feitiço sobre Liadan, a filha de Sorcha, que herdou os talentos da mãe para curar e penetrar no mundo espiritual. Os espíritos da floresta avisam-na de que, para que as ilhas sagradas sejam reconquistadas aos Bretões, Liadan deverá permanecer em Sevenwaters.
A Irlanda está agora em guerra, e as suas costas são assoladas por atacantes. Entre os inimigos há um que se destaca: o Homem Pintado, que granjeou uma reputação terrível de mercenário feroz e astuto, e que espalha o terror por onde quer que passe.
Ao regressar a casa, Liadan é capturada pelo Homem Pintado. Porém, este acaba por se revelar bem diferente da lenda, e apesar da antiga profecia que a obrigava a permanecer em Sevenwaters, a jovem sente-se atraída por ele. Mas poderá ela viver o seu amor sem que a maldição recaia sobre Sevenwaters?

Opinião
Parti para a leitura deste livro com grandes expectativas. Após a leitura d' A Filha da Floresta estava muito curiosa por saber qual o rumo daquelas personagens tão encantadoras. 

Em comparação com o primeiro livro da série, este encantou-me logo desde o início. A narrativa evolui de uma forma mais dinâmica, criando, desde cedo, pontos de ruptura que ajudam a manter a curiosidade aguçada. O que eu não esperava era um salto temporal tão grande do primeiro para este segundo volume. E, dadas as características em que este terminou espero que o terceiro volume não seja narrado passado muito tempo desde segundo volume. 

A narradora d' O Filho das Sombras É Liadam, filha de Sorcha. Logo na forma como as coisas são narradas que sobressai uma enorme parecença entre mãe e filha. Liadam herdou tudo aquilo que a sua mãe tem de bom, algo que foi completado com um espírito, uma determinação e uma capacidade de olhar e interferir com o mundo ainda mais notórias do que em Sorcha.

Niamh e Sean são os irmão de Liadam, sendo que Sean é seu irmão gémeo. Entre eles estabelece-se uma relação muito especial. Sean e Liadam patilham uma relação em muito semelhante à que Sorcha partilhava com Finbar mas, segundo a minha interpretação, menos especial e profunda.

A forma como julgaram Niamh devido a um determinado acontecimento não fez muito sentido para mim. O pai, o irmão e o seu tio Liam tomaram uma decisão que não vai de encontro à personalidade à personalidade de cada um deles, com a excepção de Liam que é capaz desta e mesmo de piores decisões. Liam tomou uma decisão de acordo com aquilo a que já estamos habituados a ver nele, mas Red (o pai) não. O que ainda agravou a minha confusão foi a forma mais branda com que trataram Liadam. Sei que, apesar de o acontecimento ter sido semelhante, implicava coisas diferentes, mas acho que foram mais radicais com Niamh e demasiado benevolentes com Liadam. É claro que com o avançar da leitura fui compreendendo estas atitudes, mas continuaram a fazer-me alguma "comichão cerebral".

Brian e Cairan são duas personagens muito importantes para toda a histórias. Cada um deles com um passado que não é indiferente às outras personagens. Para mim, foi fácil descobrir as fantasmas que habitavam os seus passados, mas fiquei surpreendida com alguns aspectos, principalmente no que toca a Brian, o Homem Pintado.

[INÍCIO SPOILER LIVRO ANTERIOR]
Uma das coisas que mais gostei no livro foi de ler sobre Sorcha e Red. O amor reciproco que os une é muito bom de ler. Eles mantêm uma relação muito bonita e a forma como cada um cuida do outro é fantástica e deliciosa. Só fiquei com pena de não ter acesso a mais informação e a mais momentos entre os dois.
[FIM SPOILER LIVRO ANTERIOR]

Ao longo do livro somos, tal como no anterior, presenteados com histórias paralelas contadas pelos personagens. Gostei muito das histórias, assim como do facto de elas serem metáforas daquilo que pode acontecer no livro. Só fiquei sem perceber o que é que aconteceu ao Corvo Fiacha! Estava tão focada nos acontecimentos das outras personagens e na forma como aquilo iria terminar que este aspecto me passou ao lado.

Em conclusão posso dizer que fiquei completamente fascinada pela série. O facto de ser fantasia não me deixou desgostar do livro e da narrativa cativante que se vai tecendo muito para além dos aspectos mais fantasiosos. Gostei muito das lendas, mitos e profecias que aparecem quer no primeiro quer no segundo livro. Espero, em breve, ler o último volume! Talvez este seja o género de fantasia que preenche as minhas medidas literárias.

Boas leituras e deixem-se invadir pelas palavras.
25
Fev14

[Opinião] A Filha da Floresta (Sevenwaters # 1)


A Filha da Floresta  (Trilogia de Sevenwaters, #1)

Autora: Juliet Marillier
Ano: 2002
Editora: Bertrand Editora
Número de páginas: 448 páginas
Classificação: 4 Estrelas

Sinopse
A Filha da Floresta é uma história do tempo em que a Irlanda e a Bretanha ainda não eram "uma só ilha", do tempo em que a honra era a razão de viver de muitos homens e também do tempo em que o amor entre irmãos vencia qualquer contratempo, derrotando quem os tentasse separar.

Colum, senhor de Sevenwaters, tinha sido abençoado com sete filhos: Liam, Diarmid, os gémeos Cormack e Connor, o rebelde Finbar e o novo e compassivo Padriac. Mas Sorcha, a sétima filha do sétimo filho, única mulher da família e muito nova para ter podido conhecer a sua mãe, está destinada a proteger a sua família e a defender as suas terras dos Bretões e do clã conhecido como Northwoods. Após a chegada de Lady Oonagh, uma traidora que se infiltrou em Sevenwaters, bela como o dia mas com o coração negro como a noite, tudo mudou. Para alcançar o seu objectivo, enfeitiçou Lord Colum e transformou os seus seis filhos em cisnes, tendo ficado unicamente Sorcha. Depois de escapar ao poder da feiticeira, Sorcha refugiou-se na floresta, longe de casa para poder cumprir a sua tarefa e salvar os seus irmãos. Mas é, entretanto, capturada pelo inimigo, ficando assim todo o seu futuro nublado, uma vez que Sorcha irá estar dividida entre o mundo que sempre tomou como seu e um amor, que só aparece uma vez na vida.

A Filha da Floresta é o primeiro livro de uma belíssima trilogia sobre sete irmãos, que pertencem à mesma corrente do mesmo lago e ao profundo bater do coração da floresta.

Opiniões
A Filha da Floresta é o primeiro livro da trilogia Sevenwaters da escritora Juliet Marillier. É, também, o primeiro livro que leio da autora e posso já dizer que me deixou com vontade de ler mais. 

Não me apaixonei pelo livro e por esta história logo nas primeira páginas. Para mim, o início da leitura foi difícil porque estava a achar o livro demasiado descritivo, faltando-lhe aspectos que me prendessem à vida daquelas personagens. Sensivelmente, até à página cento e muitos vi os meus sentimentos em relação ao livro a oscilarem. Houve momentos em que tinha imensa vontade de avançar na história, contrastando com outros em que lia meia dúzia de páginas e me via obrigada a parar, sentindo, por vezes, vontade de desistir. Mas eu sou teimosa e raramente desisto! E assim lá ia avançando. Até que se dá um determinado acontecimento no livro. A minha ideia inicial foi: Ok! A partir daqui é que as coisas serão ainda piores e vou ganhar uma aversão ao livro. Este preconceito revelou-se nitidamente errado. A partir deste ponto comecei a ganhar uma imensa vontade de ler para saber o que se iria passar. Só tenho a dizer: ainda bem, que continuei a ler! É claro que não vou revelar o acontecimento, seria spoilar e perderia o interesse para quem ainda pretende ler o livro.

Este livro insere-se no género da fantasia. Quem por aqui vai passando sabe que eu não morro de amores pelo género. Devem estar a pensar que provavelmente este livro me deixou com menos reticências em relação ao dito género, mas lamento informar que as reticências continuam as mesmas. Aquilo que mais me rendeu ao livro e me fez apaixonar pelo conteúdo destas páginas ultrapassa, em grande escala, os elementos fantasiosos que estão presentes. É certo que eles fazem parte e tornam-se fundamentais para o decorrer dos acontecimentos, mas eu consegui olhar para algo mais profundo. As personagens e as missões que acarretam superam a fantasia devia às mensagens úteis que nos deixam.

Sorcha, a Filha da Floresta, é uma personagem fantástica. Lutadora e teimosa no cumprimento de todas as suas missões. Ao mesmo tempo é detentora de uma doçura e bondade que não passam despercebidas ao leitor. Sofri imenso com a Sorcha e com a dura missão que lhe caiu aos ombros. Admirei a coragem dela e todos os passos que dava em direcção ao final da sua missão. Uma boa personagem feminina... Admirável e memorável.

De entre todos os irmão de Sorcha, destaco Finbar (se fosse a falar de todos eles a opinião iria alongar-se em demasiado). Foi o que que mais gostei, mas ao mesmo tempo foi o que mais fugiu à minha compreensão. Espero que no próximo volume as coisas se clarifiquem e eu fique a saber mais do futuro deste personagem que me fez doer o coração com aquele final.

Gostei muito do Red. Um homem com bom coração, capaz de o abrir mesmo às coisas que não compreende. Um exemplo daquilo que é ser paciente, respeitador e sensível. 

Outro aspecto interessante, é a importância que as histórias têm para Sorcha. São a sua fonte de paz espiritual, uma forma de aguentar as coisas menos boas. Adorei! Acho que é também isso que procuro nos livros, uma maneira de fugir às coisas dolorosas da vida. 

Este livro transporta muitas mensagens, dá origem a muitas reflexões. Até onde iríamos por amor à nossa família? Que sofrimento estaríamos dispostos a suportar para salvar alguém de quem gostamos? Até onde podemos ser pacientes quando estamos sedentos de respostas às nossas interrogações? 
Um livro intenso, cheio de boas mensagens e espero que quem ainda não leu se sinta motivado a fazê-lo.

Boas leituras e deixem-se invadir pelas palavras.