Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Por detrás das palavras

Opinião | "Uma aposta perversa" de Emma Wildes

Untitled design (27).jpg

"Uma aposta perversa" marca a minha estreia com as obras de Emma Wildes. Não ia com expetativas elevadas. Encontrei aquilo que eu esperava encontrar: um livro com uma narrativa ligeira, descontraída e com muito romance romântico à mistura.

Este livro parte de uma aposta entre dois amigos: o Conde de Mandervile e o Duque de Rothay. Para dar continuidade a esta aposta, eles precisavam de uma mulher. Alguém que pudesse dizer qual dos dois seria o melhor amante. 

Partindo desta premissa, encontrei uma história que me cativou. Foi interessante assistir ao nascimento do romance, à quebra das barreiras que condicionavam o comportamento de Lady Caroline. Contudo, desagradou-me a perfeição física que a escritora atribuiu a todas as suas personagens. Há algum exagero da escritora na descrição da componente física e da valorização da beleza física. Acho que começo a ficar com pouca paciência para este tipo de livros.

Em suma, tudo se desenvolve de forma bastante previsível. Não há nada que se destaque, nem nenhum acontecimento que torne a narrativa surpreendente. É um livro que se lê bem, com descrições pormenorizadas que conferem um tom realista à narrativa, mas não surpreende. Quero ler mais obras da autora e perceber se mantém algum padrão na escrita das suas histórias. 

Classificação

Balanço | Os seis primeiros meses do ano em livros

1.jpg

No final do mês de junho gosto de partilhar o balanço de seis meses de leituras respondendo a uma tag bem engraçada, a Tag dos 50%. Este ano, o balanço chega de forma diferente e, claro, com (muito) atraso. Não tenho leituras suficientes para conseguir responder à tag, por isso, o balanço chega em forma de narrativa pessoal. Espero que gostes!

Nos primeiros seis meses do ano li quinze livros. Foram algumas viagens e os destinos foram diversificados. Andei por thrillers psicológicos que não ficaram na minha memória literária. Aliás, nenhum dos que li conseguiu estimular muito a minha mente inquieta e, por isso, não tenho nenhum deles na minha lista de melhores leituras do primeiro semestre de 2022.

Para aligeirar os crimes e o suspense, fui até a um mundo de fantasia e refresquei-me nas águas de um universo escondido no fundo do mar (Aquorea, M. G. Ferrey); andei por outras épocas; mas regressava sempre a minha zona de conforto contemporânea. Ainda houve espaço para algumas excursões a universos mais infantis (culpa da sobrinha que é sedenta de histórias). 

Foram quatro os livros que marcaram a minha memória e o meu coração. O meu ano literário começou muito bem. Deborah Smith ofereceu-me uma história sobre a diferença e onde cada um é respeitado por aquilo que é. Foi bom ler sobre valorização do ser humano, pelo respeito pela diferença e onde a doçura das relações inspirava a cada parágrafo lido (A doçura da chuva, Deborah Smith). Sei que é uma escritora de fórmula, mas há uma tonalidade positiva nos seus livros que geram otimismo, inspiram e deixam um rasto de energia positiva no coração. Além disso, lidos com moderação não deixam espaço para criar aborrecimentos.

2.jpg

Depois de uma pequena viagem pela história de Portugal (A maldição do Marquês, Tiago Rebelo), que me deixou uma sede angustiante por uma boa história, cruzei-me com o livro que considero a revelação de 2022. Um livro com menos de 200 páginas guarda uma história diferente e que se agarrou com uma grande facilidade ao meu coração (Fica comigo, Noelia Amarilo). Jared foi a verdadeira estrela deste livro. Uma personagem diferente, cativante e que conquistou o meu afeto logo nas primeiras páginas. É uma história com muitas passagens ótimas para refletir sobre empatia e competência emocional e que marcou o meu mês de fevereiro.

3.jpg

Precisei se chegar ao final do mês de março para encontrar mais uma história capaz de fazer com que o coração falhasse umas batidas. Cruzei-me com aquele que se tornou o meu livro preferido deste primeiro semestre. Na solidão do Alasca, encontrei uma jovem com uma história de vida pesada e com acontecimentos que mexeram com o meu lado emocional (A grande solidão, Kristin Hannah). Há amor, há dor, há raiva e há a natureza que se transforma para acolher a vida de pessoas simples, que vivem em comunidade. Leni deixou um rasto de destruição emocional no meu mundo interior. Identifiquei-me com muitos aspetos da sua personalidade o que me aproximou dela e do seu sofrimento. Jamais esquecerei a sua força e a sua resiliência. A alma dela pinta-se de branco e verde como as selvagens e solitárias paisagens do Alasca.

4.jpg

No final de uma sequência de leituras medianas, andava sedenta por um livro com uma escrita poética, bonita e inspiradora e uma história capaz de aquecer o coração. Na minha estante mora um escritor que reúne estes requisitos. Assim, pelas palavras de Marc Levy encontrei aquilo que estava a precisar. Acabei por me perder numa história de amor marcada pelo insólito e o inexplicável; adornada com uma escrita elegante, singular, poética e inspiradora que restabeleceu a minha vontade de ler (Voltar a encontrar-te, Marc Levy). Perdi a conta ao número de citações que retirei deste livro.

5.jpg

Espero que esta segunda metade do ano me ofereça boas histórias, bem escritas e capazes de se tornarem inesquecíveis. 

 Qual foi a tua melhor leitura deste primeiro semestre? 

Opinião | "O teu aroma a pêssego" de Megan Maxwell

Untitled design (22).jpg

A leitura deste livro marcou a minha estreia com a as obras de Megan Maxwell. De uma forma geral, este livro reúne romance, diversão e paixão. Estes ingredientes surgem bem misturadas por um discurso ligeiro que se assume como uma narrativa rápida e cativante. 

Ana é uma fotografa inglesa a viver e trabalhar em Madrid. Esta mudança representa uma fuga de uma realidade que a asfixiava. Esta jovem adulta é descontraída e autoconfiante. Tem uma personalidade vincada, é assertiva nas escolhas que faz, mas tem um lado mais inseguro. Estas inseguranças são o resultado das vivências que motivaram a sua fuga. Um dia ela cruza-se com Rodrigo, um bombeiro espanhol que a deixa a suspirar. 

Inevitavelmente surge uma ligação entre eles que origina cenas muito divertidas. Há encontros e desencontros emocionais, há conflitos caricatos que surgem de mal entendidos que se vão complexificando ao longo do livro. Tudo isto confere um tom muito divertido à história e eu dei por mim a descontrair do stress do quotidiano.

O assunto que motivou a fuga da Ana é muito importante. Tive pena da forma superficial com que ele foi abordado. Sei que este não era o foco do livro, mas como ele foi introduzido merecia um pouco mais de destaque.

O livro serviu o seu propósito de entreter e divertir. Permitiu-me desligar da realidade e experienciar emoções positivas e cheias de amor. 
Não é uma obra memorável, mas ofereceu-me bem-estar e deixou-me com vontade de recorrer a mais obras da escritora quando precisar de reduzir o stress do dia a dia. 

Classificação

Opinião | "A irmandade do Santo Sudário" de Julia Navarro

Untitled design (6).jpg

A minha primeira experiência literária com as obras de Julia Navarro não foi muito feliz. Senti mais dificuldade a ler este livro que aquela que pensava. Esperava uma leitura entusiasmante, fluída e capaz de me roubar toda a atenção. Não foi assim que as coisas aconteceram.

O livro é narrado em duas épocas distintas: uma mais atual e outra que nos remete para os acontecimentos históricos que envolvem o Santo Sudário (tecido que ficou com a imagem de Jesus Cristo). Espera-se que a História ensine algo ao presente e ajude na resolução de um crime.

A leitura arrastou-se ao longo de muito, muito tempo. O meu interesse na história e na resolução da mesma foi-se perdendo. Houve uma altura da leitura, nomeadamente quando os capítulos remetiam para os acontecimentos do passado, em que me senti bastante envolvida e curiosa com o que estava a acontecer. Contudo, à medida que se foi avançando no tempo os acontecimentos tornaram-se um pouco confusos e perderam um pouco o interesse. 

Creio que esta sensação de confusão esteve mais relacionado com a atenção que dediquei com livro do que com a existência de reais problemas estruturais. Não consegui identificar problemas na construção da narrativa ou das personagens. Acredito que o meu grande problema com este livro foi a desconexão que se estabeleceu entre nós, conduzindo a uma leitura mais espaçada no tempo, o que culminou com uma pobre experiência de leitura.

Analisando os motivos que marcaram o meu desencanto com este livro, acho que o grande responsável é o tema central de toda a história. Há uma forte componente religiosa no livro. É esta componente que marca o desenvolvimento dos acontecimentos e que condiciona o comportamento das personagens. Se há uns anos este tema me apaixonava muito, atualmente sinto que não espicaça a minha curiosidade e o meu interesse. Não tenho uma explicação lógica e racional para tal aspeto. É daquelas coisas irracionais que não se explicam.

Apesar desta minha experiência menos entusiasmante com o livro desta escritora, quero dar-lhe uma nova oportunidade. Por isso, aceitam-se sugestões.

Tens algum livro preferido da Julia Navarro? Que livro me aconselhas a ler?

Classificação

Opinião | "Sempre tu" de Colleen Hoover

Untitled design (16).jpg

Se há escritora que consegue transformar emoções e sentimentos em palavras é a Colleen Hoover. Todos os livros que li da escritora conseguem carregar uma carga emocional que me liga quase de imediato às suas histórias. Esta característica dos livros é muito importante. É uma forma do leitor trabalhar a sua própria competência emocional.

"Sempre tu" reúne a história de dois olhares: o de Morgan e o de Clara. Estas páginas reúnem os relatos de uma mãe e de uma filha sobre a realidade onde estão inseridas. São relatos marcados pela personalidade de cada uma. Morgan traz-nos uma parte da sua voz adolescente que contextualiza algumas partes da sua voz adulta. A voz de Clara espelha os dilemas, dramas e confusões de uma adolescente. 

É um livro preenchido por diferentes formas de amor. Há amores imutáveis, que o tempo não os desvanece; há os que se transformam após uma revolução, tornando-se mais maduros; há os que nascem da inocência, uns com mais brilho, outros que se perdem na luz ofuscante de um sentimento ambíguo. Tantas maneiras diferentes de amar e cada uma com um papel relevante para a história que este livro conta. 

O drama é o ponto central do livro. Há um acidente com com Chris, o marido de Morgan e pai de Clara, que origina um conjunto de transformações. Não foi muito difícil adivinhar a linha narrativa que iria orientas as dinâmicas de algumas das personagens. Os acontecimentos são previsíveis, mas a forma como eles são contados transformam-nos num desencadear muito diversificado de emoções. É esta componente emocional que anula o possível aborrecimento que as coisas previsíveis podem originar. 

O drama assenta no desmoronar de uma vida que se acreditava alinhada. É interessante olhar para a Morgan e vê-la a desconstruir as suas escolhas e os acontecimentos que marcaram a sua existência. Há ali uma história paralela que merecia ser contada. Eu queria ter sabido o conteúdo daquelas cartas e daquelas postais. Gostava de conhecer o outro lado da história. Estes elementos causaram-me alguma frustração. Ficou demasiado espaço para  a imaginação e muitas interrogações. 

E, enquanto tudo à sua volta ruía, Morgan revirava o seu interior para atender às necessidade da sua filha. Clara, qual adolescente rebelde, assumiu uma postura um pouco mimada e egocêntrica. A interação entre estas duas pode originar alguma momentos de frustração. Muitas vezes me apeteceu saltar para dentro do livro e oferecer um banho de humildade à Clara, mas sabia que a autora iria ser capaz de enquadrar os momentos de tensão que estas duas protagonizaram. 

Com Miller, Clara tem uma postura mais adulta. Porém, nos momentos em que se deixa consumir pela raiva que alimenta em relação à mãe, ela transforma-se num ser um pouco desprezível e choca com a serenidade do Miller. 
Miller é um rapaz mais carismático do que aquilo que inicialmente parece. Aquele capítulo final onde ele despe toda a sua alma é bastante emocionante. Foram das cenas mais bonitas que eu já li em livro. 

A leitura é viciante. Há muito dinamismo na narrativa o que torna a leitura muito fluída. 
Foi uma excelente leitura de férias. 

Classificação

Opinião | "Eva" de Arturo Pérez-Revert (Falcó #2)

Untitled design (9).jpg

Acho que as histórias de espiões não são para mim, ou eu nunca me cruzo com este tipo de livros na altura certa para os ler. 
Não sei se o facto de não ter lido o primeiro volume desta série, e que antecede este livro que partilho hoje contigo, me dificultou esta leitura. Consegui perceber, em traços gerais, o que norteava a história de "Eva", contudo, foi doloroso avançar na leitura. 

Senti falta de ação, de dinamismo, de personagens carismáticas capazes de me tirar o fôlego. Tudo se arrasta, como se o calor de Tânger se infiltrasse nas personagens e as limitasse na gestão os seus comportamentos. Foi como se o calor as adormecesse e fizesse levitar em torno dos locais e das situações.

A Eva apareceu demasiado tarde no livro. Ela tinha uma dinâmica interessante com Falcó, mas surge na última parte do livro e deu pouco de si àquelas páginas. 
Falcó parece um burguês que se perde nos bares e entre os lençóis de mulheres atraentes. As suas competências enquanto espião ficam um pouco apagadas por entre a "mastigação" de situações que vão desfilando ao longo do livro. Tem ali algumas questões se saúde que se traduzem em comportamentos caricatos, mas em nada acrescentam à história e à forma como tudo se desenvolve. 

Há umas lutas e umas conspirações que, na minha opinião, não têm o protagonismo necessário. A riqueza do contexto histórico também não é aproveitado pelo escritor. Acho que poderiam ter sido introduzidos mais elementos sobre a Guerra Civil Espanhola e sobre o clima que pairava antes da Segunda Guerra Mundial ter explodido na Europa.

Não fiquei com vontade de ler mais livros desta série. Acho que até foi uma experiência de leitura um pouco traumatizante. Lia sempre na esperança de que algo interessante me apanhasse e me envolvesse na história. Infelizmente, esse momento nunca chegou e só o terminei porque quando a vontade de desistir começou a soar na minha cabeça já ia com a leitura bem avançada. Este meu arrastar pelas páginas, a dificuldade em avançar na leitura e a desconexão que eu sentia com tudo aquilo que lia, estavam a deixar-me desconfortável. 

Gostava de conhecer as impressões de quem leu o livro e gostou de forma a tentar perceber se conseguiram detetar coisas que me poderiam ter escapado.
Quem leu o primeiro volume, ficou com vontade de ler os seguintes? O que é que te apaixonou no livro?

Classificação

 

Opinião | "A breve história da menina eterna" de Rute Simões Ribeiro

Untitled design (8).jpg

No início do mês, a escritora Rute Simões Ribeiro ofereceu aos leitores o download gratuito dos seus livros. 
Eu desconhecia esta escritora e o seu trabalho. Só cheguei até ela através da Tita e da Daniela. Como confio nas recomendações delas decidi arriscar.

No início estranhei a escrita e o modo muito próprio para contar a história. A Rita tem uma escrita muito bonita, com uma tonalidade algo lírica que me encantou. A narrativa e a forma como é contada é um pouco diferente daquilo que eu costumo ler e foi isso que me dificultou um pouco a leitura.

"A breve história da menina eterna" conta-nos a história de M. e da sua relação com a finitude da vida. É um livro que tem um forte potencial interpretativo e, por essa razão, é um excelente candidato a leituras conjuntas com possibilidade de discussão em grupo. Há muito para ler e assimilar nas entrelinhas desta história aparentemente simples. São poucas páginas, mas estão carregadas de uma forte simbologia. 

A forma como vivemos a morte e como encaramos o fim de vida são fortemente influenciados pelos padrões culturais. A morte acaba por ser um não assuntos, na minha realidade as pessoas têm dificuldade em falar da morte e da preparação para mesma. Vive-se a ilusão da eternidade, ofuscando o fim inevitável da nossa vida. Também é positivo que assim seja, caso contrário poderíamos ser dominados por um medo intenso que nos impedia de vivermos as coisas. M. foi vítima dessa necessidade cultural de pouparmos as crianças a assuntos complexos. Foi-lhe oferecida da visão da eternidade, mas essa oferenda permitiu-lhe a liberdade de viver de forma descomprometida.
Contudo, não se prepara para a morte. Fala-se muito em oferecer condições para uma boa vida, ou para um bom fim de vida. São geralmente essas as expressões culturalmente aceites. Nunca ouvi  expressões como: oferecer condições para uma boa morte; ou preparar a pessoa e a família para a morte. 

A morte e o luto são assuntos dolorosos, complexos e que têm um impacto diferente nas pessoas. Não há formas melhores ou piores de reagir. Há, simplesmente, diferentes maneiras de lidar com a perda e com o sofrimento que a mesma provoca. A nossa personagem foi "poupada" no que à questão da morte diz respeito e foi vivendo confiante na sua dimensão eterna. Já sabemos a falácia que reside nesta ideia e o livro permite-nos descobrir os sentimentos, as reações e as emoções que surgem quando a inocência se quebra. 

Este livro ganhou o meu coração pela escrita e pela reflexão que me ofereceu. Não adorei, mas ficou a vontade de conhecer mais livros da escritora.
Esta opinião é um reflexo da minha interpretação do texto e da história que li. Se optares por ler esta obra, poderás ter uma visão diferente e está tudo bem.

 Se já leste, o que é que achaste? Que reflexões retiraste desta leitura?

 Se ainda não leste, ficaste com curiosidade? Porquê?

Classificação

Opinião | "Éramos seis" de Maria José Dupré

Design sem nome (2).jpg

Vi a novela da Globo que resultou da adaptação deste livro. Gostei tanto da novela que fiquei com vontade de ler o livro.
Em traços gerais, a novela segue a linha narrativa que dá corpo ao livro. É óbvio que a novela tem diferentes adaptações  e está enriquecida com histórias paralelas, mas em muitos aspetos há uma reprodução fiel dos acontecimentos.

Por isso, nada neste livro constituiu uma surpresa para mim. Eu sabia o que ia acontecer e isso quebrou o efeito mágico da leitura. 
A história centra-se em exclusivo na família de Dona Lola. A vida dos filhos, o marido, as necessidades financeiras, a forma como ela vai gerindo todas as crises familiares e as suas reflexões preenchem o espaço narrativo e temporal do livro. 

A leitura foi interessante, mas não entusiasmante. Comparo esta leitura a uma viagem num cruzeiro por águas calmas: conseguimos ir apreciando a paisagem de forma calma e pacífica, sem sobressaltos e sem momentos cheios de adrenalina. 
Não houve espaço para grandes emoções nem grandes reflexões. Aconteceu mais quando vi a novela.

O livro é um clássico da literatura brasileira. Li-o em português do Brasil, mas em nada afetou a minha leitura. A linguagem simples, as descrições muito realistas e os diálogos conferem um bom ritmo de leitura. É um livro fácil de ler. 

Talvez devesse ter deixado passar mais tempo entre o visionamento da telenovela e a leitura do livro. A memória já não estaria tão fresca e eu poderia ter uma leitura mais entusiasmante e menos contaminada pela experiência positiva que resultou do facto de eu ter assistido à telenovela. 

Classificação

Opinião | "28 dias" de David Safier

P_20201031_111528.jpg

Este livro encheu-me o olho na prateleira da biblioteca. A sinopse convenceu-me a trazê-lo. Estava com muita curiosidade para ler este livro e viver uma aventura no contexto da Segunda Guerra Mundial, sem campos de concentração envolvidos.

Mira, a nossa personagem principal, tem 16 anos, vive no gueto de Varsóvia e permite a sua sobrevivência e a da sua família dedicando-se ao contrabando de produtos. A sinopse promete uma aventura mais arriscada, com a participação de Mira num grupo da resistência.

A atividade do contrabando é muito arriscada, e o autor deixou isso bem claro na forma como ia apresentando os factos. Contudo, ao longo da leitura fui-me questionando que parecia ser sorte a mais. Tudo corria demasiado bem. Havia ali um fator sorte demasiado intenso para que tudo fosse real. E isto foi alimentando páginas e páginas deste livro. É claro que existiam outros acontecimentos, mas eu começava a ficar ansiosa. Afinal, quando é que as coisas iam de facto animar-se? Quando é que a resistência iria ganhar destaque? Demorou muito para que isto acontecesse. Senti-me arrastada e embrulham em acontecimentos que pouco contribuíam para o entusiasmo da narrativa. Houve momentos muito aborrecidos. 

A resistência chega e ganha protagonismo. Infelizmente, eu já estava demasiado contaminada por emoções negativas e insatisfação com o livro que esta parte foi sendo lida com alguma indiferença. Não me consegui emocionar, nem entusiasmar. 

É um facto, o livro desiludiu-me e a leitura acabou por se arrastar durante demasiado tempo. O livro está bem escrito e não encontrei nenhum problema na construção da narrativa. Porém, não consegui criar uma ligação significativa com a história e senti que há partes que poderiam ser encurtadas.
Foi uma experiência de leitura mediana, onde não há espaço para grandes destaques. 

Classificação

 

Opinião | "O defunto" de Eça de Queirós

 

O Defunto


Autor: Eça de Queirós
Ano: 2013
Editora: Projecto Adamastor
Classificação: 4 Estrelas

Sinopse

Ela ficara sobre o escabelo, as mãos cansadas e caídas no regaço, num infinito espanto, o olhar perdido na escuridão da noite silente. Menos escura lhe parecia a morte que essa escura aventura em que se sentia envolvida e levada! Quem era esse D. Rui de Cardenas, de quem nunca ouvira falar, que nunca atravessara a sua vida, tão quieta, tão pouco povoada de memórias e de homens? E ele decerto a conhecia, a encontrara, a seguira, ao menos com os olhos, pois que era coisa natural e bem ligada receber dela carta de tanta paixão e promessa…
Assim, um homem, e moço decerto bem nascido, talvez gentil, penetrava no seu destino bruscamente, trazido pela mão de seu marido? Tão intimamente mesmo se entranhara esse homem na sua vida, sem que ela se apercebesse, que já para ele se abria de noite a porta do seu jardim, e contra a sua janela, para ele subir, se arrumava de noite uma escada!… E era seu marido que muito secretamente escancarava a porta, e muito secretamente levantava a escada… Para quê?…
 
Opinião
Este foi o meu segundo trabalho para o Projecto Adamastor e confesso que ainda gostei mais deste conto do que o Singularidades de uma rapariga loira. Mas como ambos são muito bons atribui-lhes a mesma classificação.
 
Neste conto, Eça reuniu encantamento, paixão, amor, fé e o plano espiritual. É um conto com uma leitura fácil e rápida que aguça a curiosidade do leitor. Estamos sempre na expectativa de quando uma tragédia irá acontecer.
 
O enredo está muito bem construído, ou não estaríamos a falar do mestre Eça de Queirós, em que dificilmente adivinhamos qual o passo seguinte que o escritor oferece às suas personagens.
 
Gostei muito do final! Não estava à espera deste desfecho... Imaginei algo mais trágico.
 
Caso queiram ler este conto ele está disponível no seguinte endereço http://projectoadamastor.org/listageral/.
 
Deixem-se invadir pelas palavras.

Mais sobre mim

foto do autor

Translate

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Reading Challenge

2023 Reading Challenge

2023 Reading Challenge
Silvana (Por detrás das Palavras) has read 0 books toward her goal of 30 books.
hide

Palavra do momento

Por detrás das Palavras

O Clube Mefisto

goodreads.com

Mais visitados

Arquivo

  1. 2023
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2022
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2021
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2020
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2019
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2018
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2017
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2016
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2015
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2014
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2013
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2012
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2011
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub