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Por detrás das palavras

Por detrás das palavras

Opinião | "Cada suspiro teu" de Nicholas Sparks

05.08.20

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Nicholas Sparks marcou um fase da minha vida enquanto leitora. Li o primeiro livro dele aos 16 anos, o que corresponde ao momento em que comecei a ler livros considerados para adultos. Depois desta primeira experiência fui lendo todos os livros que iam aparecendo na biblioteca municipal. Houve uma altura em que fiquei saturada dos livros e passei alguns anos sem ler nada dele. Cheguei mesmo a desistir do livro "Um homem com sorte".
Entretanto o cansaço passou e voltei a pegar em livros dele, porém têm de ser leituras espaçadas.

Esta leitura veio encaixar-se no seguimento um conjunto de leituras mais densas, pois senti necessidade de uma leitura menos exigente. 

"Cada suspiro teu" é a história de Hope e de Tru. Duas pessoas que se cruzam no momento errado do ciclo de vida. Hope tinha sonhos para cumprir, coisas que a prendiam ao lugar onde vivia e Tru não conseguiria acompanhá-la naqueles sonhos.

Conheceram-se e a forma como Hope e Tru se ligaram foi demasiado instantânea, fazendo com que eu sentisse que a relação foi algo forçada. Para mim, foi uma coisa demasiado intensa para o pouco tempo que partilharam. Se há alguns anos este tipo de relações me encantava, hoje em dia cada vez menos acredito nestas paixões à primeira vista. Talvez ande demasiado racional e pouco crente no amor.
No início do livro é referido que a história narrada é baseada em factos reais, mesmo assim não foi suficiente para me alimentar a veia romântica.

Apesar deste meu desencanto, gostei baste da Hope e do Tru enquanto pessoas individuais. Duas personagens com os seus defeitos e as suas qualidades, que vivem de forma muito adulta os seus problemas e que encaixam dentro de si os desafios que surgem em diferentes momentos do seu crescimento. Mesmo pouco crente na paixão deles, gostei da interação que foi sendo estabelecida entre eles, apreciei as conversas e sofri um pouco com as decisões que tiveram que tomar. No caso de Hope, acho que ela estava muito consciente da sua escolha e sabia que caminhava em direção a um futuro com menos amor do que aquele que desejava. Contudo, ela precisa de viver aquilo que a sua escolha implicava. Tru surpreendeu-me. Não esperava cruzar-me com aquelas vivências. No fundo, aconteceu a vida, entre eles e para cada um deles. E nessa vida coube sempre um pouco do amor que eles conheceram. 

Nas primeiras páginas, o escritor escreve sobre a Alma Gémea. É uma caixa de correio especial e que acaba por ter um papel importante nos acontecimentos deste livro e, particularmente, no desfecho do enredo.
Gostei imenso do conceito subjacente a esta caixa do correio e gostei muito de ler as passagens sobre as cartas que eram ali deixadas.

Apesar do meu desencanto, considero que o livro tem uma história de amor bonita. Não é tão marcada pela tragédia como outros livros do autor, porque é um relato sobre a inevitabilidade da vida e das nossas escolas. Foi uma leitura agradável onde sobressaiu o amor: o amor pelos outros, o amor pela vida e o amor pelas coisas que nos fazem felizes. 

Classificação

Opinião | "O teu nome é uma promessa" de Deborah Smith

21.07.20

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O bule da fotografia é da minha mãe. Não o coloquei por acaso na fotografia com este livro. Nesta história há um bule com um significado especial. Sou apaixonada por este bule e por todo o serviço de chá que o acompanha. Não tenho um motivo especial para tal amor, porém recordei-o muitas vezes ao longo desta leitura, pelo significado que este objeto teve na história. O bule Coolbroke foi especial! Uma clara alusão à lealdade e à existência de sentimentos que resistem ao tempo e às adversidades. Para mim, o bule da minha mãe também representa afetos e ligações emocionais.

Deborah Smith é uma escritora que recorre a uma fórmula de escrita. Famílias, lealdades, passado vs presente e amores interrompidos por problemas mais ou menos complexos são ingredientes muito presentes nas suas narrativas. É certo que há quem se aborreça com esta opção dos autores de dar corpo às suas histórias. No meu caso, apesar de saber mais ou menos o que vou encontrar nestes livros, gosto sempre de me atirar numa leitura destas. São livros com mensagens positivas e com histórias que me "limpam" a mente e melhoram o meu humor.

"O teu nome é uma promessa" é um livro onde facilmente identificamos os ingredientes preferidos da Deborah Smith. Colebrooks e Mackenzies, duas famílias que partilham um passado e que vivem interligados. 
Conhecemos Artemas, uma criança sedenta de afeto e de uma família que transborde tanto amor e respeito como a de Lily. Ele cresce e torna-se num homem leal e capaz de tudo para segurar a teia que liga e segura os elementos da família. 
Lily tem tanto de doçura como de garra. Uma jovem que vai conhecer o melhor e o pior do amor e isso acaba por defini-la enquanto pessoa e na forma como ela decide estar na vida. 

Estes são os dois personagens principais do livro. Em torno deles conhecemos outras personagens que dão um contributo importante à história. Destaco os irmãos de Artemas que ilustram bem as consequências de uma infância difícil e marcada pela negligência. Acho que cada um deles merecia um livro a contar a sua própria história e as suas perceções relativas à sua vivência.

As personagens de Deborah Smith são fiéis a si mesmas e reúnem características de personalidade que as tornam humanas aos olhos dos leitores. Não são emocionalmente pretas ou brancas. São uma mistura de cores, de coisas boas e menos boas; mas, no fim, todas elas encerram uma mensagem positiva e eu retiro sempre uma mensagem/lição das suas vivências e atitudes. 

O facto de acompanhar o crescimento das personagens deixa-me mais ligada a elas. Chega a uma certa altura da leitura em que parece que já as conheço. Tornam-se pessoas que eu quero acompanhar e para quem desejo o merecido final feliz. 
Eu gostei muito do livro. Houve alguns aspetos mais difíceis de assimilar, nomeadamente: 1) a história em volta dos antepassados de Artemas, há coisas pouco claras que tornaram a minha compreensão dessas relações um pouco complicadas; e, 2) a ligação inicial entre Artemas e Lily que me pareceu algo forçada, mas melhorou com o crescimento das personagens e com as cartas que foram trocando.

É preciso não esquecer que este livro foi escrito em 1993 e retrata um período onde não existiam telemóveis, nem redes sociais. Por isso, há magia nos pequenos encontros, nos telefonemas e nas cartas trocadas. 
Apesar de toda a previsibilidade que envolve as histórias que Deborah Smith cria, eu tenho um gosto pessoal em me perder nelas.
Só para terem uma noção, depois das minhas dificuldades iniciais, assim que me vinculei à história a  leitura foi rápida. Só numa tarde de domingo li mais de 200 páginas.

Com a leitura terminada, posso dizer que encontrei na história de Artemas e de Lily aquilo que procurava: um amor que resiste ao tempo e às adversidades, a esperança por dias melhores após a e vivência de situações difíceis e a energia positiva que uma bonita história de amor é capaz de oferecer. 

Classificação

Leitura com o apoio:

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Nota: O livro foi-me disponibilizado pela editora em troca de uma opinião sincera. 

Opinião | "Palomino" de Danielle Steel

19.02.20

7474766.jpgClassificação: 3/5 Estrelas

Danielle Steel foi das primeiras escritoras de romances contemporâneas que comecei a ler. Trouxe um livro da biblioteca e os meus olhos de leitora inexperiente e ávida devoraram a história. Comecei então a explorar outros livros da escritora. Há bons livros! "A Mansão Thurston" e "Mensagem do Vietname" são dois dos meus livros preferidos de sempre e são ilustrativos da capacidade de Danielle Steel em criar boas histórias. Há outros livros mais medianos e sem a profundidade emocional suficiente para me encantar.

"Palomino" é um livro doce. Um livro com amor, traição e superação. Samantha e Taylor são os grandes protagonistas desta história. É um casal improvável que acabou por me conquistar q.b.. Não é uma grande história de amor, não é memorável nem intemporal... É uma história de amor com muita ternura, zangas um pouco estúpidas e infantis e que termina de uma forma que é esperada pelos leitores sempre que se cruzam com um livro deste género.

Não é um livro com muitas surpresas. É uma leitura muito fácil onde houve espaço para que eu pudesse descontrair e me divertir com a leitura. Foi uma ótima escolha de leitura, porque me permitiu desligar de uma série de leituras e emocionalmente mais pesadas e com um conteúdo que exigiu mais do meu funcionamento cerebral.

Com uma escrita muito sequencial e sem floreados, Danielle Steel conduziu-me às zonas mais rurais dos Estados Unidos e fez-me ver o contraste entre estas zonas e o rebuliço das grandes cidades. Mostrou-me que a vida é aquilo que decidimos fazer dela, mesmo quando ela teima em trocar-nos as voltas e nos vai retirando aspetos que nos fazem felizes.

Há uma boa mensagem de superação neste livro e eu gostei de me cruzar com ela. 

Opinião | "Desaparecido" de Susan Lewis

10.02.20

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Classificação: 3/5 Estrelas

"Desaparecido" foi uma escolha cega na biblioteca. Encaixa-se na categoria de livros que não conheço e quando os vejo na biblioteca gritam "leva-me"! Eu gosto de respeitar os pedidos dos livros, este gritou e eu trouxe-o. 

Foi uma leitura extremamente difícil. Só melhorou no último terço do livro. Foi difícil porque tem demasiada informação e apresenta aspetos que não são atrativos. Desesperei por avançar, desesperei por encontrar no livro algo que me agarrasse e conquistasse a atenção, sofri pela forma como a minha leitura avançava de forma dolorosamente lenta. A pergunta que devem estar a fazer neste momento é Porque é que continuaste a leitura?. Porque tinha esperança de que algo melhorasse e havia uns resquícios de interesse por ver como é que aquela embrulhada toda iria terminar. 

No último terço do livro, a ação desenvolveu-se mais rapidamente e  o meu interesse foi finalmente conquistado. Foi por tudo aquilo que aconteceu nestas últimas páginas que consegui dar 3 estrelas ao livro. 
Apesar deste meu relacionamento conturbado, achei extremamente interessante a temática que o livro aborda. Temos uma família que há 16 anos ficou mais pequena. O filho de poucos anos de idade foi raptado, isto enquanto a mãe vive uma outra gravidez. O impacto que este acontecimento tem no sistema familiar é enorme e o livro aborda bem essas questões. Contudo, há acontecimentos secundários que se diluem ao longo das páginas e não deixam que esta família e as crises que é obrigada a enfrentar tenham o destaque merecido. 

Engraçado é que ainda chorei no fim. Há uma cena que envolve a filha desta família que foi extremamente comovente. O sofrimento da adolescente foi muito bem retratado através dos comportamentos que eram apresentados. 

Fiquei mesmo triste pelo facto da ação do livro não se focar mais nestas dinâmicas familiares marcadas pela tragédia. Fiquei frustrada por ter de ler imensas páginas sobre assuntos que pouco contribuíram para o cerne da história. Senti-me aborrecida pelo facto da leitura se ter tornando mais penosa do que aquilo que merecia. 

Já vi que a biblioteca tem mais livros desta escritora. Ainda lhe darei uma nova oportunidade no sentido de perceber se foi apenas esta história que não funcionou comigo ou se eu é que não me encaixo no estilo de escrita da escritora.

Lista de leituras 2020

01.01.20

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Janeiro
1. "Viver Depois de Ti", Jojo Moyes
2. "Desaparecido", Susan Lewis

Fevereiro
3. "Palomino", Danielle Steel
4. "Verity", Colleen Hoover
5. "O Duque da Ruína", Tessa Dare
6. "Rio das Flores", Miguel Sousa Tavares

Março
7. "Meu amo, meu senhor", Tehmina Durrani

Abril
8. "Os Mais", Eça de Queirós
9. "As gémeas do gelo", S. K. Tremayne
10. "Raparigas como nós". Helena Magalhães

Maio
11. "Ao teu lado", Ana Ribeiro
12. "Os pássaros", Célia Correia Loureiro
13. "A Sibila", Agustina Bessa-Luís

Junho
14. "Antes de nos encontrarmos", Maggie O'Farrell
15. "A bailarina de Auschwitz", Edith Eger
16. "À espera de Moby Dick", Nuno Amado
17. "Lembranças macabras", Tess Gerritsen
18. "O duelo", Anton Chekhove

Julho
19. "O teu nome é uma promessa", Deborah Smith
20. "Cada suspiro teu", Nicholas Sparks
21. "A filha do Papa", Luis Miguel Rocha
22. "O ano do pensamento mágico", Joan Didion
23. "O diário de Bridget Jones", Helen Fielding

Agosto
24. "Voar no quarto escuro", Márcia Balsas
25. "Tambores na noite", Marion Zimmer Bradley
26. "Anna e o beijo francês", Stephanie Perkins
27. "A filha do comunista", Aroa Moreno Durán
28. "Elementos secretos", Margot Lee Shetterly
29. "Marquesa de Alorna", Maria João Lopo de Carvalho
30. "Os sonhadores", António Mota

Setembro
31. "Cassiopeia", Joana Ferraz
32. "O mapa do coração", Susan Wiggs
33. "Desejos do coração", Jude Deveraux
34. "Correntes", Patrícia Morais
35. "Razões para viver", Matt Haig
36. "As jóias do sol", Nora Roberts

Outubro
37. "Sem saída", Cara Hunter
38. "Morder-te o coração", Patrícia Reis
39. "Correria dos pássaros presos", Ana Gil Campos
40. "O homem de giz", C. J. Tudor

Novembro
41. "A rainha perfeitíssima", Paula Veiga
42. "A troca", Beth O'Leary
43. "Demência", Célia Correia Loureiro
44. "28 dias", David Safier

Dezembro
45. "Éramos seis", Maria José Dupré
46. "Lá, onde o vento chora", Delia Owens
47. "Encontro com o destino", Lesley Pearse
48. "À procura de Sana", Richard Zimler