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Por detrás das palavras

Por detrás das palavras

12
Jun21

Opinião | “Quando o sol brilha” de Rui Conceição Silva

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Desde o momento em que aprendi a diferença entre o contar e o demonstrar que a leitura se tornou diferente para mim. Esta aprendizagem permitiu-me olhar para a histórias de outra forma e perceber melhor o porquê de alguns livros não funcionarem comigo.

Quando o sol brilha fez-me perceber a importância do demonstrar para que uma história ganhe dimensionalidade para mim. É verdade que parti para a leitura com expetativas bastante elevadas. As pontuações e opiniões do Goodreads sugeriam uma boa leitura.  Contudo, logo nas primeiras páginas senti que iria ter pela frente uma leitura exigente e que estava longe das promessas que antevi no Goodreads.

Como deves perceber pelo meu primeiro parágrafo, este livro revela algumas fragilidades estruturais. O contar é aquilo que domina o livro e pouco espaço sobre para o demonstrar. As páginas em estilo relato sucedessem-se umas às outras. Pelo meio surgem diálogos, por vezes, artificiais; contruídos através de frases feitas que não representam as personagens deste livro. Não são frases de gente simples, de um Portugal demasiado rural e a sair de um período de ditadura que o desgastou. Há excesso de purple prose que torna a leitura frustrante e onde me arrastei na esperança de que as coisas melhorassem.

Outro problema do livro é o seu foco, o seu objetivo. A minha sensação é que o escritor quis abraçar o mundo e acabou por se perder nele. As temáticas são flutuantes, os acontecimentos sucedem-se uns aos outros e os conflitos não são esgotados de forma a dar um propósito e uma orientação clara à história e às suas personagens. Temos um livro cujo início se centra quase em exclusivo na dinâmica de uma aldeia e das pessoas que lá vivem; depois aflora-se a história de Felismino e Alice, sem se aprofundar verdadeiramente as emoções e os acontecimentos; seguem-se as tragédias de Edmundo, um homem simples que gosta de ler, muito contadas e pouco demonstradas.

Sendo uma narrativa cuja a ação decorre, maioritariamente, na década de 70, está demasiado despedia de contextualização Histórica. De referências que levem o leitor para aquele espaço, para aquele tempo e para aquele lugar. No final, elas aparecem de forma mais vívida, mas em grande parte do livro senti que poderia ser uma história passada numa qualquer aldeia do interior nacional na década de 90.

Há uma enorme miscelânea de assuntos que o livro aborda: demência, luto, alcoolismo, saúde mental. Apenas faltou uma abordagem que esgotasse estes assuntos de uma forma mais realista e, no caso da saúde mental, mais respeitável e verdadeira. Na fase final do livro, há um conjunto de páginas cujo foco é a saúde mental. Confesso que a forma como o assunto foi tratado me revoltou. Achei as cenas pouco coesas e que ilustravam pouco o que era ser doente mental na década de 70.

Além da saúde mental, há outro aspeto do comportamento de Edmundo que me pareceu demasiado normalizado. Não quero entrar em pormenores para não deixar spoilers, mas não achei o comportamento coerente com a situação nem com a personagem em questão.

Desta leitura irei guardar a ruralidade presente em muitos dos momentos do livro. Viver num universo rural permitiu-me identificar com alguns aspetos e situações do livro. Há passagem que me remetem para as histórias que os meus avós, os meus pais e amigos da família partilhavam de como era viver numa aldeia mais interior nas décadas de 70 e 80.

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14
Mai21

Opinião | "Acredita: a vida sabe o que faz" de Júlia Domingues

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Este não é um tipo de livro que eu opte por comprar. A verdade é que não vai muito ao encontro dos meus interesses. Porém, a A., a minha "estágiamiga" decidiu oferecer-mo de presente. Ela foi conquistada pelo livro e pela sinopse; eu comecei a leitura com alguma reserva. 

O livro reúne um conjunto de texto soltos que abordam o desenvolvimento pessoal e a importância de acreditarmos nas nossas capacidades. No fundo, são textos motivacionais. 

São textos agradáveis de ler, mas não me tocaram de forma particularmente especial. Acho que não têm a profundidade suficiente para me levar a reflexões. Eu procuro sempre coisas mais complexas. Um livro de ficção, com uma boa história (drama, romance, thriller), por vezes, tem uma maior capacidade de me colocar a pensar nos assuntos a refletir na minha vida. No fundo, passei pelas páginas desde livro de forma um pouco leviana. 

Talvez seja um bom livro para quem se está a iniciar na leitura, para quem procura textos soltos que abordem a resiliência humana e a capacidade que pode viver em cada um de nós.  

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30
Abr21

Opinião | “A célula adormecida” (Afonso Catalão # 1) de Nuno Nepomuceno

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É-me um bocado difícil escrever a opinião a este livro. Gostei menos do que aquilo que estava à espera. O ter arrastado a minha leitura ao longo de muitos dias também não abonou a minha relação com a história e com o livro.

O livro é muito conhecido na comunidade. Focado no Estado Islâmico, no terrorismo, na crise dos refugiados e com foco na cultura muçulmana; “A célula adormecida” apresenta um conjunto de factos relacionados com estes temas que despertaram o meu interesse e me possibilitam aprender conteúdo.

É um livro muito factual. A história vive dos factos e daquilo que eles vão desencadeando. É claro que existem personagens, e entre eles estão desenhadas relações mais ou menos complexas que dominam o desenvolvimento da narrativa. Achei estas relações pouco dinâmicas e pouco realistas. Senti que algumas foram pautadas pela artificialidade dos diálogos, outras por comportamentos das personagens que me pareceram distantes da real personalidade que autor queria passar. Há certas passagens do Afonso e certas formas de estar que não são congruentes com a personalidade que está desenhada para ele. Senti uma certa infantilidade e imaturidade quer em algumas das suas atitudes quer em algumas das conversas que vai desenvolvendo. Isto foi condicionando a minha ligação ao Afonso e à Diana, assim como às suas problemáticas.

Sarita, Ahmad e Sami, a família síria a viver em Portugal, foram as personagens que mais me cativaram e que mais me impulsionavam a ler. Gostei imenso das dinâmicas deles e dos dramas que marcaram a passagem deles por este livro. Foram a parte que mais gostei neste livro.

Analisando a sequência dos acontecimentos, em alguns momentos senti que alguma informação estava em falta. Já no final do livro há uma situação a envolver a Diana, o Afonso e o Gustavo que não ficou muito clara para mim. Há uma certa atrapalhação temporal (o conteúdo dá a indicação de que passou mais tempo do que aquele que o comportamento das personagens num dos capítulos anteriores e no início desse deixa transparecer). Isto envolve um encontro que não nos foi mostrado que, na minha opinião seria relevante para uma melhor compreensão da relação entre a Diana, o Afonso e o Gustavo.

Quanto à escrita senti uma evolução positiva comparativamente ao anterior livro que li do escritor (“O espião português”). Só houve três aspetos mais chatos: 1) a quantidade de vezes a que o autor recorre a “corpo seco” para descrever o físico dos homens; 2) a constante utilização do nome completo das personagens (com o avançar da leitura torna-se aborrecido, porque o leitor sabe perfeitamente quem é quem); e, 3) há descrições físicas de personagens a mais, em algumas situações o escritor descreve fisicamente a personagem com um grau de detalhe que acho desnecessário.

Gostei do final e da carga dramática que o autor ofereceu àqueles momentos finais. A única coisa que senti mais forçada foi na relação de Diana e Afonso. A narrativa não evolui o suficiente para aquele desfecho. Senti que foi uma aproximação demasiado forçada. O final alternativo deixou-me com vontade de descobrir a próxima aventura do Afonso.

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16
Abr21

Opinião | “Encontro em Itália” de Liliana Lavado

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Esta leitura não foi completamente às cegas. Há dez anos fiz leitura-beta do livro que deu origem a este “Encontro em Itália”, por isso já conhecia os traços gerais da história (a memória já não guardava os pormenores deste livro, final incluído).

A capa e o título podem enganar um pouco o leitor e afastar quem tem um gosto por fantasia. Ao primeiro olhar parece um romance um pouco ao estilo dos young-adult, mas é bem mais do que uma história romântica. Sim, há espaço para o romance! Porém, este romance está contextualizado num universo marcado pela fantasia e pelos anjos caídos.

Fantasia não é aquele género capaz de me fazer vibrar. Há algumas exceções! Este é um deles. Apesar de todos os elementos que lhe conferem fantasia, tal como da primeira vez, eu consegui gostar da história e das suas personagens.

O livro narra a história de dois amigos, Sara e Henrique, que partilharam a infância e grande parte da sua adolescência. Aos 18 anos acabam por seguir caminhos distintos e perderam um contacto um do outro. Ao sabor de uma antiga promessa, o reencontro acontece e uma série de aventuras cruzam-se no caminho dos dois amigos, para desespero do sensato e ponderado Henrique.

E, assim, as palavras tecem uma história com uma dinâmica muito interessantes. Não há espaço para o leitor se sentir aborrecido! Os capítulos curtos e a sucessão de mudanças permitem uma leitura entusiasmante onde permanece a vontade de saber onde é que a Sara e o Henrique nos irão levar. Por vezes, o ritmo é demasiado rápido. Eu gostava que a viagem a Itália não fosse tão intensamente rápida. Porém, reconheço que este ritmo acompanha a personalidade intensa, instável e frenética da Sara.

Haari é uma das personagens mais especiais com quem me cruzei. Tal como achei quando li a primeira versão, ela merecia um livro só para ela. Nesta personagem, concentra-se a magia, o mistério e situações caricatas que facilmente arrancam um sorriso. Associada a Haari e um conjunto peculiar de personagens, existe um livro. Este objeto tem uma importância significativa na história e acho que o Henrique não foi capaz de experimentar toda a sua potencialidade.

Concluindo, “Encontro em Itália” é um livro que conjuga romance contemporâneo com fantasia urbana. Esta conjugação poderá ser útil para leitores que, tal como eu, não sejam grandes apreciadores de livros de fantasia mais “puros”.

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09
Abr21

Opinião | “A rainha desejada” (As encantadas #1) de Telma Monteiro Fernandes

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Para mim é sempre complicado quando tenho que partilhar uma opinião menos favorável relativamente a um livro. É ainda mais difícil quando: 1) o livro é de um escritor português e 2) o livro foi-me disponibilizado pelo(a) escritor(a).

A escrita está associada a sonhos pessoais. Uma opinião menos positiva significa quebrar e estilhaçar o ego de quem ousou lutar pelos seus sonhos. Apesar disto, sinto que tenho de ser sincera. Partilhar uma falsa opinião não irá contribuir para a evolução de quem ousou seguir o seu sonho. Por esta introdução já conseguem antever a minha experiência com este livro.

Há umas semanas fui contactada pela Telma, a autora deste livro, com um convite para ler a sua obra. Tenho sido mais seletiva com estes pedidos, mas decidi arriscar (só correndo riscos tenho oportunidade de descobrir). Ela enviou-me o e-book e eu comecei a ler. Depois de ler meia dúzia de páginas, já estava completamente desmotivada para a leitura.

“A rainha desejada” tem Ana como protagonista. Ana vive no século XX, mas um incidente leva-a numa viagem pelo tempo. Estas viagens no tempo podem ser perigosas para o escritor. Exigem pesquisa, conhecimento e coerência no conteúdo que introduzem. Neste livro sente-se muito a falta deste conhecimento e do brio em colocar as coisas em consonância. É tudo “despejado” para o texto de uma forma pouco cuidada e demasiado amadora. Eu gosto de ler romances históricos e de época, mas gosto de ver as coisas com sentido e bem alinhadas. A forma como tudo foi conduzido parecia que ia culminar num desrespeito pelo que de facto aconteceu com a História de Portugal. E, em parte, acabou por se verificar.

Não apreciei a forma como a narrativa foi conduzia. Eu não conseguia visualizar a beleza de D. Manuel I (basta uma pesquisa rápida na internet para perceber que beleza era um conceito que não se aplicava ao físico deste rei). Acho que a imagem que a escritora passou ultrapassa a realidade; mexer num aspeto tão específico da história de Portugal, dando-lhe uma conotação diferente, fez-me confusão. Fez-me imensa confusão uma jovem do século XX, achar as roupas do século XV confortáveis (dada a quantidade de peças e acessórios que compunham o vestuário feminino). Fez-me muita confusão os banhos na praia em pleno século XV. O comportamento de Ana e restantes personagens estava completamente descontextualizado da época que pretendia retratar. Há poucos elementos que situam o escritor na época, e os que existem estão mal descritos e são deturpados em função dos interesses da escritora.

O desenvolvimento da narrativa não foi o único problema. A escrita é fraca e com bastantes erros ortográficos. É tudo demasiado contado e pouco descrito. A pontuação é outro aspeto que carece de uma revisão profunda. Várias vírgulas entre sujeito e predicado; ausência das mesmas quando a autora usava o vocativo; diálogos e frases totalmente mal pontuadas. Isto revela falta de cuidado na revisão e um grande amadorismo na escrita. No fundo, temos um livro com graves problemas na estrutura narrativa e mal escrito.

É uma escrita muito desleixada. Sinto que é necessário muito trabalho. É preciso ler mais e escrever mais para que isso se reflita numa escrita cuidada e cativante.

Acho que com alguns exemplos, poderão perceber o que é que funcionou mal nesta obra.

“O primeiro a despertar foi Ana, que abriu os olhos lentamente e vislumbrou o rosto de Manuel, que dormia um sono profundo e reparador. Ana acariciou-o carinhosamente no belo rosto, e assimilou amar muito aquele homem, com todo o seu coração e que desejava verdadeiramente ficar a seu lado para sempre, mesmo que isso significa-se nunca regressar ao seu século.” – Para além da má construção frásica, podemos ver o encontrar um tipo de erro que se repete até à exaustão ao longo da obra.

“Naquele dia de verão, ao pôr do sol e observando Lisboa do lado oposto, Ana sentia-se ansiosa, como se no ar crepita-se algo, como se a brisa suave que sentia nos seus longos e ondulados cabelos estivesse a sussurrar-lhe aos ouvidos, mas desvalorizou o sentimento, sacudiu os seus pensamentos e continuou o seu passeio, observando o rio e as suas cores fortes de origem vermelha que o pôr do sol espelhava nas águas calmas.” – Aqui temos um mau exemplo de pontuação (um entre muitos outros ao longo do livro).

Para além dos problemas que já identifiquei, estes parágrafos são uma ilustração de uma escrita pouco rudimentar e que precisa de bastante trabalho para que seja aperfeiçoada.

O final foi desastroso. Eu percebo o motivo que conduziu àquele desfecho, mas fez-me confusão. Sim, foi demasiado fantasioso para as minhas preferências. Houve situações em que me ri, dado a quantidade de disparates que ali foram enumerados. Foi horrível perceber a tentativa forçada de incluir a pandemia; a estupidez de dar um final feliz à Ana, aspeto que implica mexer com dados concretos da História de Portugal e o amadorismo que se espelha na forma como os acontecimentos são revelados. Os próprios comportamentos destas últimas páginas reforçam a falta de sensibilidade para colocar no papel a experiência pessoal de quem passa por um evento que lhe altera completamente a vida.

Numa frase, “A rainha desejada” é uma adaptação barata e péssima da série Outlander.

Nota: Não posso deixar de referir um aspeto que me deixou um pouco indignada e justifica o detalhe esta opinião. Penso que nunca escrevi uma opinião tão dura. No início da semana, enviei um e-mail à Telma. Expliquei-lhe o que achei do livro, dei-lhe algumas sugestões de melhoria, enviei-lhes uns links para se informar e o pdf com alguns comentários que fui fazendo ao longo da leitura. A autora revelou uma enorme falta de humildade. Ela afirmou que ia não ler a opinião, porque não queria desanimar agora que a convidaram a escrever um novo livro. Está no seu direito. Porém, senti que desprezou a informação que lhe passei e todas as minhas observações. Não sou uma perita em livros (tenho muito para aprender), mas considero que tenho experiência suficiente para identificar o que é ou não um bom livro. De boa vontade, partilho o que achei e tento dar sempre soluções para uma melhoria dos manuscritos. É óbvio que não espero que aceitem tudo, mas achar que o trabalho está bom e que não precisa de melhorias releva uma falta de humildade atroz. Talvez deva deixar de aceitar estes pedidos e de dar sugestões. Há pessoas que não merecem o nosso tempo nem a nossa bondade.

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20
Jan21

Opinião | "À procura de Sana" de Richard Zimler

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"À procura de Sana" encerrou o meu ano literário de 2020. Já há muito tempo que queria experimentar ler um livro de Richard Zimler. Por diversas vezes já me tinha cruzado com opiniões muito positivas ao trabalho deste escritor. 
Surgiu a possibilidade de trazer o livro da biblioteca e, assim, criou-se a oportunidade de conhecer o trabalho deste escritor.

O que é que sobressaiu aos meus olhos desta leitura? Sem dúvida que a escrita. É tão agradável e bonita que quase me senti embalada na leitura. É claro o cuidado dispensado à escolha de palavras e à forma como elas se articulam. Este foi um elemento essencial para criar uma narrativa apelativa para uma história que se revelou demasiado complexa e cheia de recantos desconhecidos. 

A complexidade da narrativa é da responsabilidade de Sana. A vida desta mulher cruzou-se com a de Zimler e ele sentiu necessidade e responsabilidade em contar a história desta mulher. E, assim, viu-se arrastado para um conjunto de vidas marcadas por um conjunto infinito de pontas soltas. Isto causou alguma entropia na minha compreensão mais profunda da história. Senti-me perdida com alguns avanços e recuos. Senti-me com alguma dificuldade em criar uma ligação com as personagens e com os acontecimentos. 

No fim ficou-me a sensação de não ter conseguido absorver tudo aquilo que a história tinha para oferecer. Acho que não consegui reter com eficácia a sequência dos acontecimentos, cujo seu encadear se traduz naquele final. Após a leitura sobreviveu a vontade de voltar a ler mais livros do escritor. 

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28
Dez20

Opinião | "Demência" de Célia Correia Loureiro

P_20200313_112458_HDR.jpgNão li a primeira edição de "Demência". Vi muitas opiniões positivas em relação a este livro. Vi quem o achasse melhor que "O funeral da nossa mãe". Pessoalmente, acho que são livros diferentes, cada um com o seu valor. Têm um ponto em comum: a sua capacidade de mexer com as emoções.

"Demência" dá voz à violência doméstica e à demência. As palavras embalam-nos em direções mais ou menos previsíveis, mas que em nada diminuiu o entusiasmo e o interesse pelo livro. É uma viagem literária em constante desassossego. Desassossego por Letícia que procura manter-se inteira depois de ter sido despedaçada. Desassossego por duas crianças que sabem quanto custam os momentos de terror. Desassossego por uma mulher que lida com a doença e com a perda da melhor forma que consegue. E no meio destes sobressaltos e desassossegos há espaço para a importância que uma amizade pura pode ter nas nossas vidas. Há espaço para o poder curativo que só o amor consegue. Há espaço para olhar para o passado e encaixá-lo numa explicação do presente. 

Infelizmente, a voz de Letícia ainda faz muito eco na sociedade atual. As feridas que esta mulher transporta são comuns às de outras tantas mulheres. A violência doméstica é, mais do que a Letícia, a personagem principal desta história. Um problema que atravessa gerações e deixa marcas emocionais demasiado profundas e com uma cicatrização imune ao tempo. É interessante ver como a Célia, apesar de ser muito jovem quando escreveu este livro, conseguiu imprimir uma maturidade enorme naquilo que quis contar ao público. 
Além deste aspeto, a história tem uma tonalidade tão realista que é fácil chegar àquela aldeia e visualizar o comportamento de todos aqueles que povoam estas páginas.

O tempo da ação é que me deixou um pouco baralhada. O início foi complicado. Em termos de tempo parece que passam mais dias do que aqueles que na realidade passaram. Há também uma transição, mais ou menos a meio do livro, que é pouco clara. Foram estes os dois aspetos que me não foram tão bem concretizados. 

A história andou muitos dias na minha cabeça. A resiliência de Letícia fez-me acreditar na força feminina para enfrentar um problema. Por outro, a fragilidade e a personalidade dura de Olímpia tornaram-na demasiado humana. Foi a doença e a perda que a deixou mais fragilizada, mas foi o passado que a endureceu e que lhe deu uma visão diferente da condição humana. Duas mulheres que ficam na história do meu percurso literário e de quem, muito dificilmente, me irei esquecer. 

Precisamos de vozes como a da Célia. Precisamos de pessoas que coloquem de forma realista amor, dor e tristeza  nas histórias que escolhem contar. Precisamos de abrir espaço às boas publicações nacionais. 

"Demência" irá levar-te a uma aldeia beirã, cheia daquelas preconceitos e "diz-que-disse" tão típicos de zonas mais solitárias e acanhadas. Vais encontrar o inferno e o paraíso de uma relação amorosa. Vais cruzar-te com o envelhecimento, com a doença que apesar de roubar parte das memórias de Olímpia será incapaz de lhe tirar do coração a amizade que a ajudou a sobreviver.

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23
Dez20

Opinião | "A Rainha Perfeitíssima" de Paula Veiga

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Descobri a minha paixão por romances históricos já tarde no meu percurso de leitora. Talvez tenha acontecido porque o meu interesse pela História também chegou já no final da adolescência. 
Hoje em dia é sempre com algum entusiasmo que me "atiro" numa leitura com uma forte componente histórica.

"A Rainha Perfeitíssima" é um livro dedicado à Rainha D. Leonor, que é, também a narradora de todos os acontecimentos.

A sequência narrativa é muito confusa. Ainda ponderei se esta confusão advinha dos meus escassos conhecimentos relativamente a este período da História de Portugal. Porém, já li outros livros históricos, que retratavam épocas e acontecimentos completamente desconhecidos para mim e com os quais não senti nenhuma dificuldade. Aliás o meu conhecimento no fim da leitura aumentou. Por esta razão, considero que o problema está mesmo no livro, mais especificamente na forma como a história foi contada.
A leitura tornou-se um pouco aborrecida. Os factos eram narrados de uma forma demasiado factual. Faltou um toque mais emocional. Faltou a inclusão de elementos capazes de enriquecer aquilo que D. Leonor ia contando.

Na capa prometia: "Esta é a história de Leonor de Lencastre, a mais culta e rica das rainhas portugueses. E também a mais trágica". No meu entender, ficou-se pela promessa porque os acontecimentos narrados eram desprovidos de emoção e intensidade ilustrativas de uma vida trágica. Também é um livro carente na capacidade de mostras as características das personagens que integram a narrativa. Há demasiada narração e pouca demonstração.

Paula Veiga tem outro livro publicado, também ele um romance histórico. Ainda não sei se quero ler. Preciso de tempo para esquecer esta leitura. Talvez, mais tarde, depois de esquecer esta leitura, dê uma nova oportunidade à escritora e, assim, ter a oportunidade de construir uma opinião mais sólida.

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16
Dez20

Opinião | "Correria dos pássaros presos" de Ana Gil Campos

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"Correria dos pássaros presos" é um retrato daquilo que são muitas das relações no século XXI.
É um livro muito marcado pela crítica social, espelhadas nas narrações que remetem o leitor para a dependência comunicacional através das tecnologias. Além deste aspeto, a história deixa transparecer as dificuldades das pessoas em quebrar as barreiras virtuais e em criar laços pessoais que só as relações cara a cara possibilitam.

A premissa que dá corpo a toda a construção da narrativa é muito interessantes. A autora conseguiu articular as personagens e os acontecimentos de forma a deixar espaço aos leitores para refletirem. São reflexões que acompanham diferentes fases da narrativa e é pelas "mãos" de Cândida e das suas escolhas e visões que o leitor vai conseguindo estabelecer um paralelismo entre a realidade e aquilo que vai acontecendo na história.

A leitura é agradável. O livro tem capítulos curtos, bem escritos e que permitem um leitura rápida e fácil. 
Tal como me aconteceu com obras anteriores da escritora, senti algum dificuldade em estabelecer uma relação mais emocional e intensa com o livro e com as personagens. Ao longo da leitura senti-me como se estivesse a ler um livro de não ficção ou um artigo científico porque existia interesse em continuar na leitura, porém mantinha com ele uma certa distância emocional. 

Não consigo identificar o que cria esta dificuldade. Acredito que possa ser mais um resultados da relação entre as minhas características de personalidade e aquilo que estou a viver no momento em que leio os livros. É aquela componente muito subjetiva que estabelece os padrões de relação entre o leitor, o livro e a história.

Tendo em consideração que o livro está bem escrito e dá corpo a uma premissa interessante, acredito que o livro possa traduzir-se numa leitura interessante para outro leitor. 

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14
Dez20

Opinião | "Morder-te o coração" de Patrícia Reis

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Não conhecia nada sobre o livro nem sobre a escritora. Foi uma leitura às cegas, uma escolha aleatória de um livro disponível na prateleira.

A história gira em torno de uma mulher que se divide em buscas e fugas. Foi apenas isso que consegui reter da leitura.

O tom da narrativa é um pouco aborrecido. Dei por mim  a avançar pelas páginas sem reter emoções, reflexões ou sorrisos. No fundo li-o e terminei-o porque o seu tamanho reduzido evita o abandono.

Analisando friamente o livro e olhando exclusivamente para os aspetos formais que o compõem posso dizer que o livro está bem escrito, sem erros, sem falhas na construção da história. Contudo, senti a ausência de um conjunto de características capazes de me mexer com as emoções e de me fazer criar laços com a narrativa e com as personagens. 

Não sei se a escritora escreveu mais livros. Também não sei se terei vontade de saber para ponderar dar uma nova oportunidade à escritora. Talvez vocês tenham alguma opinião mais positiva a respeito das obras da autora e me deixem com vontade de apostar noutro livro (caso exista). 

O que é que vos apetece partilhar? 

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14
Nov20

Iniciativa e passatempo | Livro viajante "Correria dos pássaros presos" de Ana Gil Campos

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Foi com uma enorme surpresa que num dia desta semana me deparo com outro exemplar "Correria dos pássaros presos" de Ana Gil Campos. 

Com ele vinha uma carta onde explicava que este era uma exemplar para eu sortear entre os meus leitores. 
Eu quis conjugar duas coisas: sortear o livro e colocá-lo a circular por um conjunto de leitores. 

Eis as regras:

  1. Há um limite de inscrições de 20 pessoas para esta iniciativa;
  2. A pessoa que ganhar o sorteio será a última a receber o livro e tem de concordar com a sua circulação;
  3. As pessoas que têm contribuído para o Bando Lusitano têm uma inscrição extra por cada vez que contribuiu com sugestões para os livros;
  4. O livro começará a circula em dezembro;
  5. Cada pessoa tem no máximo um mês para ler o livro;
  6. Compromete-se a partilhar o livro numa rede social, e/ou no blog e/ou no Goodreads; 
  7. Promete cuidar do livro e contribuir para que ele, no fim, chegue ao vencedor em bom estado.

O formulário será encerrado quando atingir as 20 inscrições. Em seguida farei o sorteio e elaborarei o percurso do livro.

Para preencherem o formulário podem clicar aqui.

14
Out20

Opinião | "Cassiopeia" de Joana Ferraz

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"Cassiopeia" surpreendeu positivamente a Daniela. O entusiasmo dela foi grande e eu acabei por ir um pouco atrás do entusiasmos dela. 
Eu confio nas opiniões da Daniela e, por isso, esperei ser surpreendida. Infelizmente, a minha experiência com este livro foi menos entusiasmante comparativamente à dela.

Cassiopeia é o nome da protagonista. Uma jovem que, aos 30 anos, sofre um enfarte e fica em coma. Enquanto ela se encontra neste estado, viajamos até diferentes períodos da sua vida, conhecemos as pessoas mais significativas e de que forma vão decorrendo as visitas que vai recebendo.

A escrita da Joana Ferraz é muito boa. As palavras encaixam-se de forma clara e envolvente. Vi nestas páginas uma fantástica capacidade em narrar os acontecimentos ao mesmo tempo que consegue captar o leitor.

Afinal, o que é que não funcionou comigo? O conteúdo. Não consegui estabelecer nenhuma conexão com a história nem com a Cassiopeia. Alguns elementos da narrativa não me fizeram muito sentido, nomeadamente: a depressão da mãe após o divórcio, muito por causa de um conjunto de revelações feitas no final do livro; e a viagem a Badajoz para fazer algo que já era possível ser feito em Portugal. 
Cassiopeia é extremamente imatura, senti isso em cada passagem do livro, e isto foi mais um elemento que dificultou a minha aproximação às personagens e a tudo o que ia acontecendo.

Senti que foi uma leitura desligada. Lia sem me sentir envolvida. Lia sem sentir que fazia parte daquelas vidas. Lia com uma distância emocional tão grande que me impediu a aproximação a tudo o que se ia passando naquelas páginas.

O final baralhou-me ainda mais as ideias. É um final aberto em que cada leitor poderá retirar as suas próprias conclusões. Fiquei um pouco aborrecida com este final, principalmente por causa de todas as revelações finais que oferecem uma nova perspetiva relativamente à vida de Cassiopeia.

Foi uma leitura satisfatória. Não me proporcionou um grande entusiasmos, mas gostei de ler e de conhecer um trabalho de uma nova escritora portuguesa. Considero que este livro é daqueles que apesar de não ter funcionado muito bem comigo poderá funcionar com outros leitores. Estamos na presença de um livro bem escrito, por isso é a subjetividade relacionada com a relação que o leitor constrói com a história que irá determinar o seu gosto por esta história. 

Em suma, este livro não funcionou tão bem comigo, mas poderá funcionar melhor contigo. Por isso, não te inibas de apostar neste livro. 

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12
Out20

Opinião | "Os sonhadores" de António Mota

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Quantos sonhos cabem no coração de um jovem? Quanto tempo podem eles lá viver? Será que acabam quando as crianças se tornam adultos?
"Os sonhadores" de António Mota mostra que há sonhos que ficam em nós para sempre. A infância passa, a adolescência termina; mas os sonhos passam por todas as etapas ficando, muitas vezes, intocáveis.

Ler este livro foi um boa descoberta. Nunca tinha lido nada de António Mota e fiquei com vontade de ler mais. Esta leitura fez-me recordar da magia e do desespero que pode advir de passar pelas diferentes fases da vida vivendo num meio pequeno. Algumas passagens eram tão familiares que poderia ter sido eu a vivê-las.

Apesar deste encanto, o encadeamento da narrativa não é simples. Há momentos que podem ser confusos. Em algumas passagens eu senti essa confusão. O livro tem duas histórias que se vão entrelaçando de uma maneira muito própria. E, nessa ligação, eu tive dificuldade em separá-las. A uma certa altura senti que eram uma mesma história.

É um livro dirigido a um público mais jovem, mas receio que os jovens de hoje tenham dificuldade em se identificar com a história e com as vivências das personagens. Acredito que possam haver jovens que gostem. Contudo, aquilo que sinto é que os jovens de hoje não se deixariam envolver por esta história porque ela não aborda questões com as quais eles se podem identificar. Por isso, a quem esta a iniciar o seu percurso de leitor, "Os sonhadores" poderá não ser a opção mais acertada. Penso que aqueles jovens com alguma experiência enquanto leitores poderão desfrutar mais da história e conseguir assimilar com mais sucesso o conteúdo que lhes é apresentado. 

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10
Ago20

Opinião | "A filha do Papa" de Luís Miguel Rocha (Vaticano #4)

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"A filha do Papa" é o quarto livro da série Vaticano e o primeiro livro que leio do escritor Luís Miguel Rocha. Não tenho por hábito ler livros onde a questão religiosa tenha um papel preponderante na narrativa. Gosto de outro tipo de mistérios e de ler sobre crimes que não se foquem em questões religiosas. Porém, considero importante sair da minha zona de conforto literário e explorar outro tipo de histórias e novos estilos de escrita.

Pelo título do livro é possível antever um pouco o conteúdo da história. É claro que o livro é mais do que o mistério em torno da filha do Papa. Considerando os diferentes elementos que compõem a história, alguns despertaram bastante o meu interesse e outros fizeram com que passasse por fases de algum aborrecimento. Nem sempre foi fácil ler este livro. Mergulhar na história e nos meandros de vida da quantidade infindável de personagens foi verdadeiramente desafiante. Padres, bispos, cardeais, freiras, agentes secretos, políticas, historiadores, jornalistas... Por vezes, tive dificuldade em perceber quem era quem e qual o seu papel para a narrativa. A confusão fez-me arrastar a leitura e, consequentemente, fui-me desligando um pouco das personagens e dos acontecimentos. 

O facto do livro integrar uma série e eu não ter lido os anteriores poderá ter condicionado a minha relação com esta leitura, assim como na compreensão do comportamento de algumas personagens. Eu consegui perceber a história, contudo nem sempre as dinâmicas entre as personagens e os seus comportamentos foram percetíveis para mim. Sentia que havia sempre qualquer coisa que fugia à minha compreensão. 
Assim, na generalidade consegui perceber a linha narrativa, porém alguns pormenores escaparam ao meu entendimento.

De tudo o que está presente no livro, Pasqualina  e o Papa Pio XII foram as minhas grandes motivações para avançar com a leitura. Fiquei sedenta por uma maior profundidade relativamente à história de cada um deles e dos desafios que a vida lhe ofereceu.

A forma como o livro termina é algo intrigante. Admito que fiquei curiosa para ler o livro seguinte de forma a matar a minha curiosidade relativamente às dúvidas que este final me ofereceu. Bem, poderá ser uma forma de dar uma nova oportunidade ao escritor e tornar a minha opinião mais sólida. 

Dada a minha experiência, recomendo que quem quiser ler este livro é melhor que o faça depois de ler os livros anteriores. Deduzo que a experiência de leitura será mais proveitosa se a série for lida por ordem de publicação.

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03
Jul20

Opinião | "À espera de Moby Dick" de Nuno Amado

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A leitura de opiniões ao livro "À espera de Moby Dick" permitiram-me perceber que o livro parece pouco consensual. Há leitores a manifestarem um verdadeiro agrado pelo livro e outros a quem o livro não encantou. 
Sou naturalmente curiosa. Gosto de ler opiniões aos livros que leio, mas reconheço que elas não influenciam muito a minha decisão de ler ou não ler determinado livro. Leio essas opiniões com o intuito de gerar a minha própria discussão ou de discutir o livro com o outro leitor
Como sabemos, o universo literário é extremamente subjetivo e, por isso, aquilo que eu gosto/ não gosto poderá não ser aquilo que o(a) outro(a) gosta/ não gosta. Para mim, é nesta incerteza afetiva literária que reside a magia dos livros e o processo pessoal de descobrir as histórias.

O que é que me atraiu para este livro?
Para além da dualidade de opiniões, o facto de ser escrito de forma epistolar e a história estar centrada no desenvolvimento pessoal de um homem foram aspetos que me empurraram para a leitura deste livro.

A personagem principal deste livro é um homem sem nome, o que na realidade poderia ser qualquer homem à face da terra. Um homem comum, com aflições e problemas que poderiam pertencer a qualquer um dos mortais. Penso que este seja o motivo para que este nosso personagem não tenha um nome próprio. Uma espécie de personagem-tipo, alguém que representa um grupo de pessoas.

Este homem atravessa uma fase de vida complicada. Está em busca de uma "cura" para as suas dores emocionais e decidi mudar-se para o Açores, considerando-o como um bom local para ganhar forças. Lá começa a sua correspondência com um amigo. Esta correspondência é unidirecional e isso deixou-me chateada porque me pareceu que faltava qualquer coisa.

Há cartas mais interessantes do que outras. Os acontecimentos que vão pautando o livro nem sempre conseguiram captar o meu verdadeiro interesse.
Foi uma leitura suave, mas sem os ingredientes suficientes para que se tornasse numa leitura memorável e verdadeiramente inspiradora.

A escrita é boa e cuidada, mas não foi o suficiente para me fazer vibrar com a história. Porém, foi suficiente para deixar em mim a vontade de quer ler outros livros do escritor e, assim, tentar definir melhor a minha opinião.

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