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Por detrás das palavras

Por detrás das palavras

02
Jul21

Opinião | "Duquesa do meu coração" (The Vault Collection #1) de Maya Banks

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Tenho andado mentalmente casada, fruto de um trabalho mais intelectual. Sinto que este cansaço não é muito benéfico para a leitura. Níveis de atenção mais baixos, menos capacidade para assimilar conteúdo... Um cocktail um pouco prejudicial para quem gosta de se perder num livro. 
Perante este estado emocional, há pessoas que gostam de deambular pelas redes. No meu caso, só me apetece ver televisão e pegar em livros mais leves, descomplicados e a atirar para um lado mais romanceado. Conclusão, o livro "Duquesa do meu coração" foi a leitura certa para estes dias de stress. Consegui focar a minha atenção, consegui avançar na leitura a um ritmo simpático e fiquei inundada da sensação positiva que só uma bonita história de amor é capaz de deixar. 

O livro tem um lado leve e cativante, mas trata de um tema muito sério. Jillian conheceu um lado negro do casamento e, assim que lhe foi possível, revestiu-se de coragem e enfrentou a sociedade conservadora da época. Foi importante ler sobre estas dinâmicas e perceber de que forma a afirmação pessoal da Jillian colidia com os ideias esperados para uma senhora naquela época. Além disto, a Jillian também deixa outra lição nem sempre o ataque ou uma postura marcada pela hostilidade é a opção ideal para se vingar dos sentimentos menos positivos. 

Outro aspeto que também gostei particularmente neste livro foi a amizade de Jillian com Case. Só por si, esta amizade constituía um desafio às normas sociais da época. A relação foi bem desenvolvida e ofereceu um tom ainda mais doce à história e à felicidade final. 

É claro, este livro tem de ter um romance a deslizar nas páginas. Inicialmente, estava um pouco reticente à forma como tudo se estava a desenvolver. Acho que foram as páginas finais e a atitude de Justin que conquistaram o meu coração. 

Nem tudo neste livro e no desenrolar da narrativa é surpresa. Há uma linha narrativa que é particularmente previsível, mas isso não afetou a minha diversão na leitura nem interferiu com a minha capacidade de apreciar os factos e ficar feliz com desfecho de tudo. 

Será uma série para seguir. Penso que o Case também terá direito a um livro dedicado ao seu universo. E eu gostei tanto do Case que também o quero ver a provar a doçura que só um amor correspondido pode oferecer. 

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12
Jun21

Opinião | “Quando o sol brilha” de Rui Conceição Silva

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Desde o momento em que aprendi a diferença entre o contar e o demonstrar que a leitura se tornou diferente para mim. Esta aprendizagem permitiu-me olhar para a histórias de outra forma e perceber melhor o porquê de alguns livros não funcionarem comigo.

Quando o sol brilha fez-me perceber a importância do demonstrar para que uma história ganhe dimensionalidade para mim. É verdade que parti para a leitura com expetativas bastante elevadas. As pontuações e opiniões do Goodreads sugeriam uma boa leitura.  Contudo, logo nas primeiras páginas senti que iria ter pela frente uma leitura exigente e que estava longe das promessas que antevi no Goodreads.

Como deves perceber pelo meu primeiro parágrafo, este livro revela algumas fragilidades estruturais. O contar é aquilo que domina o livro e pouco espaço sobre para o demonstrar. As páginas em estilo relato sucedessem-se umas às outras. Pelo meio surgem diálogos, por vezes, artificiais; contruídos através de frases feitas que não representam as personagens deste livro. Não são frases de gente simples, de um Portugal demasiado rural e a sair de um período de ditadura que o desgastou. Há excesso de purple prose que torna a leitura frustrante e onde me arrastei na esperança de que as coisas melhorassem.

Outro problema do livro é o seu foco, o seu objetivo. A minha sensação é que o escritor quis abraçar o mundo e acabou por se perder nele. As temáticas são flutuantes, os acontecimentos sucedem-se uns aos outros e os conflitos não são esgotados de forma a dar um propósito e uma orientação clara à história e às suas personagens. Temos um livro cujo início se centra quase em exclusivo na dinâmica de uma aldeia e das pessoas que lá vivem; depois aflora-se a história de Felismino e Alice, sem se aprofundar verdadeiramente as emoções e os acontecimentos; seguem-se as tragédias de Edmundo, um homem simples que gosta de ler, muito contadas e pouco demonstradas.

Sendo uma narrativa cuja a ação decorre, maioritariamente, na década de 70, está demasiado despedia de contextualização Histórica. De referências que levem o leitor para aquele espaço, para aquele tempo e para aquele lugar. No final, elas aparecem de forma mais vívida, mas em grande parte do livro senti que poderia ser uma história passada numa qualquer aldeia do interior nacional na década de 90.

Há uma enorme miscelânea de assuntos que o livro aborda: demência, luto, alcoolismo, saúde mental. Apenas faltou uma abordagem que esgotasse estes assuntos de uma forma mais realista e, no caso da saúde mental, mais respeitável e verdadeira. Na fase final do livro, há um conjunto de páginas cujo foco é a saúde mental. Confesso que a forma como o assunto foi tratado me revoltou. Achei as cenas pouco coesas e que ilustravam pouco o que era ser doente mental na década de 70.

Além da saúde mental, há outro aspeto do comportamento de Edmundo que me pareceu demasiado normalizado. Não quero entrar em pormenores para não deixar spoilers, mas não achei o comportamento coerente com a situação nem com a personagem em questão.

Desta leitura irei guardar a ruralidade presente em muitos dos momentos do livro. Viver num universo rural permitiu-me identificar com alguns aspetos e situações do livro. Há passagem que me remetem para as histórias que os meus avós, os meus pais e amigos da família partilhavam de como era viver numa aldeia mais interior nas décadas de 70 e 80.

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04
Jun21

Opinião | "Chama-me pelo teu nome" de André Aciman

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A maioria das pessoas não consegue evitar viver como se tivesse duas vidas, uma é a maquete, a outra, a versão finalizada, e depois uma série de versões pelo meio.

Esta é uma frase que surge na última parte do livro e que, para mim, é um espelho real de Elio e Oliver. Estas duas personagens tiveram o dom de me encher o coração de amor, de revolta e, em certos momentos, raiva. Foram tantos os sentimentos que nem sei muito bem por onde começar a expor a minha opinião e vivência com este livro.

Talvez comece por falar na importância de termos mais livros que abordem de forma tão genuína a homossexualidade. São livros importantes para que jovens homossexuais possam encontrar modelos com os quais se identifiquem; e para que outros jovens não homossexuais quebrem preconceitos e ideias erradas sobre aquilo que é a homossexualidade, ou seja, para que a olhem como sendo unicamente como uma expressão de uma amor. Foi isto que o Elio e o Oliver me ofereceram: uma visão do amor que os uniu. 
Atendendo a estas características, acho que é um excelente livro para levar para as aulas e desenvolver partilhas e discussões ricas e capazes de partir com os preconceitos.

A história apresenta-nos diferentes fases. Confesso que as que mais gostei foram a primeira e a última. Senti que as duas partes intermédias sexualizaram muito uma relação que ia além da expressão física do amor que uniu Elio  a Oliver. Aqui senti falta de outras descobertas, de ver a construção de laços que explicam a ligação bonita que emergiu nas últimas páginas do livro. 
Ao longo do livro desesperei muito com o Oliver. Talvez por ser mais velho, talvez por não ser tão impulsivo, assumiu uma postura mais contida e, por vezes, um pouco fria e altiva em relação a Elio. Isto deixava-me com raiva, zangada! Tínhamos ali um Elio sedento de afeto, ainda adolescente, a dar os sinais que conseguia e do outro lado vinha a indiferença. Sim, poderia ser um mecanismo de defesa de Oliver. Poderia ser uma forma mais contida de Oliver agir. E claro, o livro é narrado na perspetiva do Elio. Nunca saberei verdadeiramente o que pairava na mente e no coração de Oliver. Por pensar nisto, acho que seria bem interessante um livro escrito na perspetiva de Oliver. 

As últimas páginas são fenomenais. Toda a escrita de Aciman é delicada e cheia de possibilidades interpretativas, mas são as últimas páginas que mais me refletiram esse talento. São momentos mais introspetivos, mais reveladores daquilo que a essência de Elio e Oliver. A beleza vem acompanhada de algumas sensações dolorosas e isso remete-me para a citação que escolhi para iniciar esta minha opinião. Tudo que lemos no final deste livro é um convite aberto à reflexão, ao que escolhemos fazer da nossa vida, a onde podemos ir retirar felicidade, ao conforto das memórias doces de outra época. 

Foi um livro que me trouxe sentimentos complexos. Quer pelos conteúdos quer pela forma como me relacionei com a história. Não adorei o livro. Sinto que daqui a uns tempos pouco da história restará da minha memória. Porém, considero que foi uma leitura importante. Que me ofereceu uma realidade aparentemente diferente da minha, porque como eu já escrevi em cima, apenas se resumiu a uma outra forma de demonstrar e de sentir o amor. Vou guardar com carinho as vivências do Elio e os sentimentos que ele foi demonstrando ao longo de toda a narração. Sinto que é algo que vai permanecer em mim. 

Por fim, acho que o outro livro do autor Encontra-me poderá dar-me algumas respostas aos meus sentimentos mistos. Quer saber mais sobre o acontecimento que encerra este Chama-me pelo teu nome

Agora, segue-se a visualização do filme.

Caro leitor que já teve oportunidade de ler este livro, o que é que podem partilhar comigo? Que sentimentos ele provocou em vocês?

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14
Mai21

Opinião | "Acredita: a vida sabe o que faz" de Júlia Domingues

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Este não é um tipo de livro que eu opte por comprar. A verdade é que não vai muito ao encontro dos meus interesses. Porém, a A., a minha "estágiamiga" decidiu oferecer-mo de presente. Ela foi conquistada pelo livro e pela sinopse; eu comecei a leitura com alguma reserva. 

O livro reúne um conjunto de texto soltos que abordam o desenvolvimento pessoal e a importância de acreditarmos nas nossas capacidades. No fundo, são textos motivacionais. 

São textos agradáveis de ler, mas não me tocaram de forma particularmente especial. Acho que não têm a profundidade suficiente para me levar a reflexões. Eu procuro sempre coisas mais complexas. Um livro de ficção, com uma boa história (drama, romance, thriller), por vezes, tem uma maior capacidade de me colocar a pensar nos assuntos a refletir na minha vida. No fundo, passei pelas páginas desde livro de forma um pouco leviana. 

Talvez seja um bom livro para quem se está a iniciar na leitura, para quem procura textos soltos que abordem a resiliência humana e a capacidade que pode viver em cada um de nós.  

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02
Abr21

Opinião | "Ninguém me conhece como tu" de Anna McPartlin

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Comecei a leitura de "Ninguém me conhece como tu" sem grandes expetativas. Não tinha lido opiniões sobre o livro, mas, irracionalmente, achei que me iria aborrecer com a história. 
Talvez as baixas expetativas tenham permitido uma relação positiva com a história. O que é certo é que o livro mexeu comigo e deixou-me a pensar na vida, nas escolhas feitas, nas relações construídas e terminadas, no valor que se dá a determinada conquista ou acontecimento. 

É um livro fácil e ao mesmo tempo difícil de ler. Fácil porque a narrativa avança de forma bastante dinâmica e possuiu a capacidade de prender o leitor. Difícil porque aborda temas densos: violência doméstica, abuso sexual, morte e luto. E é nesta dimensão mais negra que reside a beleza do livro e a sua capacidade de deixar o leitor imerso em reflexões e em questionamentos pessoais.

Eve e Lily são duas adultas que partilharam uma infância e adolescência felizes. A vida e as suas pedras meteram-se pelo meio e originou uma rutura. Mas as grandes amizades não se esquecem. As pessoas que de alguma forma marcam a nossa vida e o nosso coração de forma positiva tornam-se eternas na nossa memória. Eva e Lily eram eternas na memória uma da outra. As cartas que iniciam cada capítulo permite-nos conhecer o passado e compreender o presente que se vai desenrolando. 

A história é marcada pelo quotidiano. Pelas vidas de Eve, Lily e todas as pessoas que gravitam em volta delas. São páginas que guardam palavras de amor, amizade e sofrimento. São pedaços de vidas que desfazem e refazem com o decorrer dos dias. Abrem-se feridas antigas e recentes para que a resiliência e as emoções positivas exerçam o seu poder curativo. 

E assim fui navegando por esta história. Embalada pelas tragédias e conquistas de Eve e Lily ao mesmo tempo que pensava e analisava as minhas próprias tragédias, conquistas, escolhas. 
O final deixa um sabor agridoce. É um reflexo da continuidade da vida e da imprevisibilidade dos dias, mas deixa um certo aperto no coração pela abertura que a escritora dá a história de Eve.
No final, para além de me deixar a pensar na vida, ficou a sensação de ter feito uma boa descoberta.

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12
Mar21

Opinião | "Inocência impetuosa" de Stephanie Laurens (Regencies #3)

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Às vezes preciso de um livro bem ligeiro. Uma história previsível, que se leia rápido e que não exija muito esforço mental. "Inocência impetuosa" chegou no momento certo através de uma troca de pontos do site Winkingbooks.
Como deves adivinhar, não é um livro complexo nem muito exigente. Contudo cumpre a sua função de entreter e permitiu-me limpar a cabeça de leituras mais densas. 

Georgina Hartley regressa a Inglaterra e precisa de proteção. Teve de fugir ao seu primo para poder sobreviver com dignidade na sociedade londrina. Uma jovem que encanta os salões de baile, e conquista o coração de muitos nobres. Os outros contornos são fáceis de antever. O final, tal como eu esperava, é previsível e aquece o coração. Há romance, há intriga, há dúvidas amorosas, crises existenciais. A escrita é fácil de acompanhar e causa um pouco de adição, o que torna difícil largar o livro. 

Sei que daqui a uns tempos pouco ou nada me lembrarei deste livro e do seu conteúdo. Por isso, são livros para ler que depois seguem imediatamente para troca. Uso-os apenas como leitura de conforto, para entreter e desanuviar de leituras que exigem mais de mim. 

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05
Mar21

Opinião | "Nome de código: Traição" de Karen Cleveland

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Quando vou à biblioteca opto por trazer obras de autores desconhecidos. A biblioteca permite-me arriscar em obras sem que a minha carteira sofra. Diversifico leituras, autores, géneros... Ainda bem que existem bibliotecas. Da última vez que lá fui "Nome de código: Traição" foi um dos escolhidos para trazer para casa. Uma escolha às cegas que não me conquistou. 

Em alguns momentos, a leitura foi um pouco forçada. Senti-me tão confusa em alguns momentos da história que tornaram difícil a minha vinculação às personagens e aos acontecimentos.
"Nome de código: Traição" conta a história de uma agente do FBI, Stephanie Maddox, que sempre sonhou em apanhar os poderosos que se dedicavam a atos de corrupção. Isto é resultado do seu passado e de uma situação que precisou de silenciar.  

Este acontecimento passado é o mote para o desenvolvimento da história. Criam-se umas histórias paralelas estranhas que, a meu ver, foram introduzidas para gerar conteúdo. Em termos lógicos e de coerência no seguimento da narrativa não me fizeram grande sentido. Não consegui perceber a ligação entre o acontecimento do passado e todos os acontecimentos que se iam desenvolvendo no presente. Indiretamente e com algum esforço eu consigo estabelecer ligações. Contudo, analisando mais criticamente a obra a sensação com que fiquei é que não existe uma relação coesa entre os acontecimentos. Não consegui identificar os mecanismos lógicos que relacionam tudo aquilo que Stephanie Maddox vai enfrentado. 

Acho que ao longo da leitura me fui esforçando demasiado para perceber o funcionamento da história e isso desgastou-me. Estava deserta por finalizar o livro, virar a última página, muito na esperança de encontrar respostas para minha confusão e esperançosa que nas últimas páginas a escritora me oferecesse algo com sentido e estruturalmente interessante. Não aconteceu. 

A leitura deixou-me num misto de sentimentos relativamente a experimentar outra obra da escritora. Por um lado tenho vontade de ler mais e, assim, consolidar a minha opinião. Por outro, tenho receio de me cruzar novamente com uma história pouco apelativa e que me gere os mesmo sentimentos desta. 

Já leste algum livro desta escritora?
Partilhas da mesma sensação que eu?

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01
Mar21

52 perguntas | 9 # livro favorito

Pedir a um leitor para identificar um livro favorito é um castigo demasiado pesado. Tenho vários livros favoritos. São livros diferentes, com características diferentes e com mensagens únicas. Porém, tenho de indicar pelo menos um. Vou indicar aquele com uma das histórias de amor mais bonitas da literatura: "O grande amor da minha vida" de Paullina Simons.

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Não resisto a uma bonita história de amor. E esta é bonita, profunda e intensa. Juntem-lhe acontecimentos da Segunda Guerra Mundial, locais idílicos da Rússia e frases muito sensoriais e tem um livro que, apesar da sua extensão, se lê sem sentir o virar das páginas.

O que achas deste livro?

26
Fev21

Opinião | "O teu rosto será o último" de João Ricardo Pedro

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"O teu rosto será o último" de João Ricardo Pedro foi o vencedor do Prémio Leya em 2011. Muitas vezes, quando leio livros que venceram um qualquer prémio literário questiono-me acerca dos critérios usados pelo júri para selecionar a obra vencedora. Tenho consciência que a leitura e a interpretação que cada um faz das obras que lê tem uma forte componente subjetiva, mas acho que deveriam existir critérios mais específicos de forma a tornar transparente todo o processo.

Quando uma obra sai vencedora de algo é inevitável que eu, enquanto leitora, crie expetativas um pouco elevadas relativamente à obra. Estava ligeiramente expectante em relação a este livro. Pensei que me ia trazer uma história envolvente de um Portugal diferente daquele que eu conheci. Mas este histórico e político e mal explorado. Vão surgindo algumas referências à ditadura, à revolução e ao pós 25 de abril, mas não ocupam grande destaque na contextualização da obra.

Quanto ao resto, senti-me a oscilar entre a compreensão e a confusão. Há passagens interessantes, com um conteúdo que me permitiu acompanhar o crescimento das personagens, mas existiram outras partes pouco claras, confusas e que não pareciam encaixar de forma coerente e sequencial na história que estava a ser contada. Há momentos muito aborrecidos, onde a narração se resume à partilha de factos do quotidiano. Apesar de eu ter conseguido perceber qual a intenção do escritor, só me senti a navegar por palavras e factos desprovidos de emoção e de profundidade. 

É difícil para mim identificar uma tipologia de leitores a quem este livro possa interessar. É complexo e está muito dependente da nossa subjetividade e experiência enquanto leitores. Por isso, na dúvida experimenta e arrisca a ler este livro.

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12
Fev21

Opinião | "Vozes de Chernobyl" de Svetlana Alexievich

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Demorei a ler este livro. O confinamento e o teletrabalho deixou-me menos tempo para ler, mas a densidade emocional subjacente aos relatos que são eternizados nestas páginas exige tempo. Não se pode ler depressa, há a exigência de uma leitura mais lenta como se só assim pudéssemos respeitar as memórias dolorosos de todos aqueles que viveram Chernobyl. 

Svetlana criou o seu próprio estilo literário: dar voz às histórias de pessoas reais e eternizá-las nas páginas de um livro. E o resultado é muito positivo, porque eu me senti envolvida em cada uma dos relatos de todas aquelas pessoas. A organização das entrevistas, conferindo-lhe um fio condutor, revela um trabalho exímio e uma sensibilidade sem limite por parte da escritora. 
Raiva, tristeza, resignação, incompreensão, revolta, amor e angústia são apenas alguns dos sentimentos espelhados nestas narrativas. São vozes duras! Vozes que guardam memórias que só eles conseguem perceber. Por muito que se conte, por muito que eles partilhei as suas histórias com o mundo, é percetível que as dores são muito próprias. Este lado pessoal da dor talvez seja o resultado de só eles conhecerem muito bem as consequências que o acidente nuclear teve nas suas vidas. 

É doloroso perceber que o sofrimento de muitas pessoas é consequência de um conjunto de más decisões. É revoltante perceber que a política se sobrepôs à ciência e, com isso, o impacto do desastre nuclear foi ainda maior. O desconhecimento por parte das pessoas, a resistência de algumas delas em abandonar o seu lugar e a forma desequilibrada como tudo foi gerido são temas comuns a muitos dos monólogos. 

"Vozes de Chernobyl" é um livro para reler e respeitar a histórias que marcaram a História. O livro expõe muitas das consequências das explosão nuclear, contudo acho que há muitas que continuam no silêncio. O impacto psicológico que este desastre deixou deve ser inimaginável e penso que pouco foi feito a respeito disso. 

É impossível ler ser fazer alguns paralelismos com a os tempos atuais. Tal como a radioatividade, a Covid-19 é um inimigo invisível e duro de combater. É ler este livro e refletir sobre as consequências que estes acontecimentos têm no quotidiano das pessoas e do mundo.

Quanto à escritora, tenho a certeza que é para continuar a ler.

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05
Fev21

Opinião | "O assassino do crucifixo" de Chris Carter (Robert Hunter #1)

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Os livros de Chris Carter são escritos de forma uma forma que eu apelido de inteligente. São narrativas extremamente bem construídas, com uma sequência de acontecimentos bem encadeados e que revelam um enredo complexo e extremamente viciante.
Sim, eu vicio nestes livros logo nos primeiros capítulos! Há ali uma escrita que é especial. Traz imagens muito vívidas e concretas dos acontecimentos e isto permite-me uma experiência de leitura muito gráfica.

Estes são denominadores comuns a todas as obras que li deste escritor. Eu não li esta série pela ordem de publicação. Comecei no quarto. São livros que podem ser lidos de forma independente, mas a leitura pela ordem de publicação permite-te um conhecimento mais gradual das personagens residentes. Pessoalmente, o facto de conhecer o Robert Hunter de obras posteriores fez-me olhar para o seu desempenho neste livro de uma forma mais reticente. 

"O assassino do crucifixo" traz-nos um assassino perfeito. Comete os seus crimes sem deixar uma única pista útil aos investigadores. Como te disse atrás, o escritor tem um talento especial para complexificar as situações. Neste livro, a complexidade revela-se nos pormenores inerentes à investigação, na construção dos crimes e na pessoa responsável por semear aquele terror. Foi engraçado que, ao contrário do que senti noutros livros da série, neste eu estava particularmente ansiosa por saber quem era a pessoa que andava por ali a espalhar o terror e qual as suas motivações. Nos outros livros da série, estava mais curiosa em saber qual o próximo passo do(a) criminoso(a) do que propriamente saber quem foi responsável pelos crimes. 

Quando a pessoa responsável pelos crimes foi revelada eu senti-me ligeiramente defraudada. O Robert Hunter que eu conheço de outros livros não teria sido tão ingénuo. O problema é que não te consigo explicar melhor porque não quero dar-te nenhum spoiler e estragar-te a leitura. 
Provavelmente, quem já leu deve conseguir perceber o que é que eu quero dizer. Acho que ele foi um atentado à inteligência deste homem. 

Apesar deste pequeno incidente, o livro merece ser lido. Tenho a certeza de que os fãs do género deliram com este livro e os menos fãs encontram aqui uma história que os possa tornar fãs. Porém, acho que o livro só poderá ser um pouquinho problemático para pessoas mais sensíveis. As descrições deste livro, por vezes, obrigam a pausar a leitura para recuperar a orientação.

Gostas de policiais? O que é que achas dos livros desta série e deste em particular?

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29
Jan21

Opinião | "Segredos do passado" Deborah Smith

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Tal como em 2020, quis começar 2021 com uma leitura positiva, ou seja, quis que o meu primeiro livro do ano contivesse uma história de amor, com uma mensagem positiva e com um final feliz. Andei a ver a minha estante e resgatei o livro "Segredos do passado" de Deborah Smith. As minhas leituras anteriores de livros desta escritora reuniram os requisitos que eu queria encontrar na minha primeira leitura do ano. 

Deborah Smith é uma escritora de fórmulas. Agarra em famílias, junta-lhe uns conflitos, um romance que será posto à prova e um reencontro após anos de ausência e a história acontece. Talvez este tipo de livro te aborreça. Eu, na generalidade, gosto! Não os posso ler muito seguidos, mas dando o espaço temporal correto entre eles tornam-se boas leituras e ótimas para aligeirar a mente e semear em mim emoções positivas. 

"Segredos do passado" é um livro que em que a escritora seguiu a sua receita à risca. Claire tem uma família grande e financeiramente próspera. Roan vive no extremo social oposto. Algo acaba por uni-los. Aos meus olhos foi uma união um pouco forçada e artificial. Talvez tenha sido a diferença de idades que me tenha causado estranheza. Cinco anos não é uma diferença etária muito vincada quando falamos de jovens adultos. Porém, em momentos mais precoces da vida humana, separa a infância da adolescência; e aqui as diferenças demarcam-se e afastam crianças e adolescentes. Claire era cinco anos mais nova que Roan e por isso aquela ligação do passado não me convenceu muito. 

O tempo passa e a estranheza de Roan e Claire enquanto casal esbate-se. Este avanço cronológico também oferece revelações interessantes que dão um toque especial à história e às vidas das personagens. É, em alguns momentos, uma narrativa bastante emotiva. 

Tal como o esperado sobressai a amizade, o amor e as mensagens positivas que só as relações humanas bem desenvolvidas deixam sobressair. Há conflitos que se resolvem, personagens que se superam e há amor suficiente para me derreter o coração e dar esperança num futuro incerto e um pouco aterrador. 

Para mim, foi um livro que trabalhou as minhas emoções. Que me permitiu pensar nas oportunidades que a vida nos pode dar e de que formas as podemos agarrar. Que abriu espaço a reflexões sociais e à crueldade que por vez afeta algumas infâncias. No fim, deixou em mim aquela sensação de que o ser humano é complexo e que tem capacidade de dar e receber na mesma proporção, mas que, para tal, precisa de se sentir preparado e de coração aberto.

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26
Jan21

Projeto Conjunto | Empréstimo Surpresa [Os motivos]

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Comecei o ano com um bom ritmo de leitura... Tão bom que numa semana consegui ler o livro que a Daniela me tinha enviado e enviar-lhe outro de volta. 

Andava indecisa entre três livros, mas acabei por lhe enviar aquele que tenho mais curiosidade na opinião dela.

Assim, enviei-lhe "Lá, onde o vento chora" de Delia Owens.

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Sabia que era um livro que estava na lista de leituras da Daniela. Sabia que ela andava curiosa com o livro. E eu ainda mais curiosa por saber a opinião dela e discutir com ela o livro. Como quero discutir o livro com ela tinha de lho enviar enquanto as minhas memórias estão frescas.
Não gostei tanto deste livro como a maioria das pessoas. O livro tem feito imenso sucesso. Tem uma mensagem bonita, mas não me convenceu na totalidade. O que será que a Daniela irá sentir com esta leitura?

Passa no blog Quando se abre um livro para conhecer a reação da Daniela.

20
Jan21

Opinião | "À procura de Sana" de Richard Zimler

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"À procura de Sana" encerrou o meu ano literário de 2020. Já há muito tempo que queria experimentar ler um livro de Richard Zimler. Por diversas vezes já me tinha cruzado com opiniões muito positivas ao trabalho deste escritor. 
Surgiu a possibilidade de trazer o livro da biblioteca e, assim, criou-se a oportunidade de conhecer o trabalho deste escritor.

O que é que sobressaiu aos meus olhos desta leitura? Sem dúvida que a escrita. É tão agradável e bonita que quase me senti embalada na leitura. É claro o cuidado dispensado à escolha de palavras e à forma como elas se articulam. Este foi um elemento essencial para criar uma narrativa apelativa para uma história que se revelou demasiado complexa e cheia de recantos desconhecidos. 

A complexidade da narrativa é da responsabilidade de Sana. A vida desta mulher cruzou-se com a de Zimler e ele sentiu necessidade e responsabilidade em contar a história desta mulher. E, assim, viu-se arrastado para um conjunto de vidas marcadas por um conjunto infinito de pontas soltas. Isto causou alguma entropia na minha compreensão mais profunda da história. Senti-me perdida com alguns avanços e recuos. Senti-me com alguma dificuldade em criar uma ligação com as personagens e com os acontecimentos. 

No fim ficou-me a sensação de não ter conseguido absorver tudo aquilo que a história tinha para oferecer. Acho que não consegui reter com eficácia a sequência dos acontecimentos, cujo seu encadear se traduz naquele final. Após a leitura sobreviveu a vontade de voltar a ler mais livros do escritor. 

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19
Jan21

Top ten tuesday # 68 | Livros que queria ter lido em 2020

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São sempre mais os livros que tenho para ler do que o tempo disponível para os ler. Como é óbvio havia alguns livros que eu queria ter lido em 2020, mas que acabei por não ler. Deixo aqui uma lista de dez livros que gostraria de ter lido em 2020.

  1. "A filha do barão", Célia Loureiro
  2. "A mulher casa", Tânia Ganho
  3. "Os doentes do Dr. García", Almudena Grandes
  4. "Não contes a niguém", Karen Rose
  5. "O cavalheiro inglês", Carla M. Soares
  6. "Um estranho caso de culpa", Harlen Coben
  7. "Nome de código", Karen Cleveland
  8. "O teu rosto será o último", João Ricardo Pedro
  9. "Sensibilidade e bom senso", Jane Austen
  10. "O filho de Thor", Juliet Marillier 

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