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Por detrás das palavras

Por detrás das palavras

Opinião | "Regresso a casa" de Deborah Smith

28.05.18
Regresso a Casa
Classificação: 4 Estrelas

Descobri Deborah Smith, pela primeira vez, o ano passado com o livro Doces Silêncios. Aí nasceu o meu gosto pela autora e a certeza de que queria ler mais livros dela para formar uma opinião mais coesa. Através da Porto Editora foi-me dada a oportunidade de ler um novo livro de Deborah Smith. E aqui solidifiquei o meu gosto e admiração pelas histórias simples e cheias de significado que são criadas por esta autora.

Regresso a Casa é uma história de esperança. Da esperança que se renova no abraçar de novas oportunidades de vida. As personagens vivem a verdadeira lenda da Fénix que renasce das cinzas. Ursula Power e Quentin Riconni renascem sob os fantasmas e frustrações das suas ações passadas. Duas pessoas que vivem situações diferentes de vida, mas que deixaram as mesmas marcas e inseguranças no corações de cada um deles.

Adorei a Ursula e a sua perspetiva prática. Senti-me ligada a ela e ao seu amor pelo natureza e pelas paisagens bravias das montanhas. Admirei a sua resistência perante um sem fim de adversidades que lhe apareceram sem ela as pedir. Ao mesmo tempo fiquei sensibilizada com a sua atitude orgulhosa e carregada de uma esperança que nem sempre era fácil de segurar.

Se gostei de Ursula, não podia deixar de lado Quentin. Com fantasmas mais negros, revi-me na sua instrospeção e na perseverança em arrumar algumas das "gavetas" emocionais que não lhe permitiam abrir-se aos sentimentos puros e felizes.

São várias as personagens que desfilam por estas páginas. Cada uma com o seu papel especial e com o seu contributo para a construção de uma narrativa coesa e cheia de mistérios pessoais e familiares que me deixaram agarrada ao livro.
Só há aqui um aspeto que não me permite dar uma pontuação mais elevada ao livro. Arthur é um irmão especial da Ursula. Não ficou muito claro, para mim que tenho conhecimento sobre o tema, sobre o que de facto interferia no seu desenvolvimento saudável ao nível das mais diversas áreas do desenvolvimento. Faltou à autora fazer um pouco de pesquisa acerca do assunto em causa para nos dar algo mais realista.
Se por um lado falhou nesta caracterização, reconheço o valor que ela estabeleceu na relação entre Quentin e Arthur. Ela mostrou aqui algo que muitas pessoas têm dificuldade em fazer. Quentin ajudou o Arthur no desenvolvimento de comportamentos adultos, adequados ao seu nível de compreensão e onde afastou a visão infantilizada que as outras personagens tendiam a passar. A meu ver é um bom ponto de reflexão para quem se vê em situações semelhantes,

Regresso a casa é muito mais do que os fantasmas e as lutas de Ursula e Quentin. É muito mais do que a esperança que os envolve, de mansinho, e os conduz em direção de um  mundo mais feliz. É muito mais que os problemas de Arthur. Este livro é uma história sobre famílias e sobre relações. É um livro que nos mostra o valor das pessoas na nossa vida e de que forma as nossas escolhas de vida condicionam o nosso caminho e destroem a nossa imagem aos olhos de quem amamos. Mas ao mesmo tempo, este livro mostra os sacrifícios que fazemos por aqueles que amamos e no quanto eles nos deixam presos a emoções que nos fazem doer o coração.

Nota: Este livro foi-me disponibilizado pela Porto Editora em troca de uma opinião honesta.


Opinião | "O ano francês" de Daniela S. Antunes Rodrigues

14.05.18
O Ano Francês
Classificação: 1 Estrela

Esta opinião poderá conter spoilers.
Não é fácil escrevermos sobre um livro do qual não temos uma visão menos positiva. Neste sentido, aquilo que pretendo com esta opinião é reunir um conjunto de aspetos que possam ajudar a autora na escrita de uma futura obra. 

Em termos formais, a escrita é boa, apesar de ter pelo meio alguns floreados desnecessários e não encontrei erros ortográficos. Quando nos centramos na narrativa, tudo se afasta daquilo que se possa chamar um livro apelativo e com uma história com uma sequência compreensível.
Tudo é muito confuso, não há uma continuidade temporal que nos permita acompanhar os acontecimentos e as motivações por detrás dos mesmos. Foi muito difícil para mim perceber todo o contexto das personagens, de onde vinham, por onde iam e para onde iam. A certa altura, Carlota e Pierre aparecem à procura da meia irmã de Carlota, mas falta a contextualização dessa viagem. Nunca consegui acompanhar a relação de Carlota e Pierre. Começam por um relacionamento conflituoso e terminam apaixonados. Perdi-me nos meandros desta relação pois a autora não me mostrou como isso aconteceu. Não houve conversas, não houve troca de olhares, não houve mostra de gratidão quando o Pierre a ajudou no momento em que ela mais precisava.
As personagens aparecem sem grande contextualização. Parecem que caem ali de paraquedas e eu fiquei um pouco abanada com o contributo dos mesmos para o desenrolar da narrativa (aqui estou a referir-me ao tio que chegou do Oriente).

Se por um lado há personagens que aparecem assim, também há aquelas que desaparecem sem que eu perceba o momento em que isso aconteceu e como aconteceu. O irmão de Pierre, Albert, não teve o melhor comportamento, é certo, mas seria importante para a história percebermos tudo o que lhe aconteceu e para onde ele foi no final.

Sendo um livro de época, as referências históricas são muito limitadas. Existem algumas referências ao vestuário e algumas formas de comportamento, mas são tão esbatidas que me foi difícil contextualizar em que ano decorriam tais acontecimentos.

Depois é toda a forma como o livro está escrito. Há diálogos que não aprecem quando deviam aparecer, não há ligação entre os acontecimentos e as personagens não ganharam dimensão aos meus olhos, ou seja, há falta de boas caracterizações físicas e psicológicas das personagens.

Por exemplo, na página 45:

- Teremos de parar um pouco, aqui os cavalos estão a precisar de descanso. Não importa aos senhores, pois não?
Só no final da fala é que que percebi que era o cocheiro, porque não nos é dada essa indicação.
E depois, continua assim:

Importava. Contudo, que poderiam eles fazer? Pierre saiu do coche para falar com o cocheiro, para saber quanto tempo seria necessário guardar até os cavalos estarem de novo prontos para partir.
- Bem, senhor, então... Os animais têm de comer, que o que não lhes falta é bebida! (...)
Em vez de termos uma resposta de Pierre, como seria normal, temos uma intromissão do narrador e voltamos ao diálogo. Na minha perspetiva ficaria melhor assim:

- Importa sempre um pouco. - Pierre soltou um suspiro aborrecido. - Estamos com pressa de chegar ao nosso destino, mas de nada nos serve uma parelha de cavalos cansados e com fome, só nos atrasaria mais. Tem ideia de quanto tempo será necessário para termos os cavalos prontos?
- Talvez uma hora e meia senhor, e estaremos prontos para avançar. - o cocheiro fez um pequeno aceno de cabeça e retirou-se para tratar dos cavalos.

(ATENÇÃO, não sou nenhum supra sumo da escrita, porém os anos de leitura têm-me mostrado o que funciona e o que não funciona num livro.)

Acho que melhor recomendação que posso deixar à escritora é para ela ler muito. Acredito que para crescermos enquanto escritores temos que ser bons leitores. Ao lermos bons livros conseguimos perceber como funciona a sua estrutura, as interações das personagens e a forma como os acontecimentos têm de ser encaixados numa narrativa coesa e compreensível.

Nota: Este livro foi-me disponibilizado pela editora em troca de uma opinião honesta. 


Opinião | "Acordo com o Marquês" de Sarah MacLean (Scandal & Scoundrel #1)

07.05.18
Acordo com o Marquês (Scandal & Scoundrel, #1)
Classificação: 5 Estrelas

No meu caso, ler livros deste género costuma ser sempre uma aposta segura. Acordo com o Marquês veio reforçar esta minha opinião e deu-me a conhecer uma nova autora que me deixou cm vontade de explorar outras obras da sua autoria.

Com uma escrita simples, diálogos intensos repletos de emoções e momentos divertidos, este livro ofereceu-me uma excelente leitura e levou-me a adotar um comportamento que há muito não tinha. Pela primeira vez em meses, vi-me a ler o livro devagar para poupar o livro e, assim, conseguir prolongar a leitura e não me desfazer das personagens tão cedo.

Sophia Talbot e Rei são as duas personagens centrais deste livro. Por um lado temos uma jovem que chegou à aristocracia por meios menos convencionais, e por outro temos um aristocrata de puro sangue azul que se dedica a arruinar a reputação das boas mulheres da sociedade. Ambos têm muitas coisas que os afastam, mas há uma que os aproxima: a forma como veem a alta sociedade. 
Parecem mesmo uma dupla improvável, ambos com personalidades muito fortes e que me conquistaram logo nas primeiras páginas. Assisti a uma relação que cresceu e se foi transformando em algo muito positivo para os dois. Senti que a ligação foi aumentando de intensidade à medida que se iam conhecendo, deixando-me o coração derretido sempre que tinham conversas mais profundas e que exploravam o lado mais privado de cada um.

Para quem, como eu, é fã deste género de livros, tenho a certeza de que o Acordo com o Marquês deixará marcas positivas na memória daqueles que se aventurarem a lê-lo. E, claro, ficarão extremamente curiosos e em pulgas para acompanhar as histórias das restas Borralheiras dos ésses. 

No meu caso, o livro ficará na estante para que, em momentos mais tristes, o possa folhear, abri-lo e ler algumas partes que me animem. 

Nota: Este livro foi-me disponibilizado pela editora em troca de uma opinião sincera.

Opinião | "Verão em Edenbrook" de Julianne Donaldson (Edenbrooke, #1)

06.02.18
Verão em Edenbrooke (Edenbrooke, #1)
Classificação: 5 Estrelas

Há livros que nos proporcionam verdadeiros momentos de diversão, ternura e romance. Verão em Edenbrook reúne todos os ingredientes que me fizeram vibrar a cada página desfolhada. 

Este livro é um romance de época que está bem contextualizado, pois para mim foi fácil transportar a minha mente para o guarda-roupa, para os cenários e para os acontecimentos da época. Para dar corpo este cenário, a autora mostra-nos um conjunto de personagens muito interessantes, bem caracterizadas e que me deixaram com vontade de as conhecer. 

Marianne e Philip são os protagonistas desta história. Conseguem ter tanto de divertido como de amoroso. Acima de tudo, aquilo que mais gostei de ver neles foi a amizade crescente. Foi nesta construção que os ficamos a conhecer melhor e que nos apercebemos de quantas camadas envolvem os seus corações. Diverti-me imenso com as interações deles dois, dos momentos divertidos que partilhavam e senti-me verdadeiramente tocada com as conversas mais sérias e com os pequenos flashes de amor que iam brilhando a cada conversa, a cada brincadeira e cada pequena piada que ambos partilhavam. 

Este livro foi direto ao meu coração. Transmitiu-me sensibilidade, amor, amizade... Um sem fim de emoções positivas que me deixaram verdadeiramente encantada com o talento da autora.
Assim, numa escrita simples e recorrendo a uma narrativa cheia de contornos especiais e engraçados, a autora apresenta-nos a sociedade de uma época com características especiais, onde as personagens desfilam de forma a dar um contexto muito realista a toda a história. 
Tenho a certeza que os leitores não vão resistir a esta bonita história de amor envolvida pela cores mágicas da amizade. 

Quanto a mim, vou ficar de olho na autora, assim como no volume seguinte. Será que a Cecily vai despertar da futilidade e conhecer os sentimentos puros e genuínos da irmã? Espero mesmo que sim.

Nota: Este livro foi-me cedido pela editora em troca de uma opinião sincera. 


Opinião | "O Escultor da Morte" de Chris Carter (Robert Hunter #4)

03.01.18
O Escultor da Morte (Robert Hunter, #4)
Classificação: 5 Estrelas

Esta foi a minha última leitura de 2017 e posso dizer que terminei o meu ano literário da melhor forma possível. Sempre gostei de livros deste género e, ao longo dos anos, sempre fui apostando neles. De toda a minha "bagagem" literária no que respeita a livros deste género afirmo que este é um dos melhores livro que já li. 

O escultor da morte traz-nos um assassino muito peculiar, com uma mente complexa e que dificultou a minha tarefa em descobrir quem é que ele era e quais as suas motivações. Houve coisas que até
Tudo o que é construído e descrito em torno dos crimes está muito bem escrito e tudo encaixa com uma perfeição soberba. Senti-me, muitas vezes, arrastada para todos aqueles cenários macabros e uma atração enorme pela inteligência de Robert Hunter. 

Na minha opinião, em termos policiais está muito bem conseguido. Há descrição de todos os procedimentos de recolha de dados e de autópsia, assim como da análise das pistas e da evolução da investigação. Tudo é-nos apresentado de forma metódica e organizada, transformando-se numa metáfora perfeita daquilo que deverá acontecer numa investigação real. 

Há um bom equilíbrio entre a parte profissional e pessoal das personagens, havendo espaço para conhecer outros lados das suas vidas. Acho este aspeto muito importante porque me permitiu criar laços e ligações as personagens, deixando o rasto da curiosidade relativamente às obras anteriores e àquilo que o autor ainda nos quer apresentar. 

É uma leitura muito, muito boa. Logo nas primeiras páginas eu fiquei presa aos acontecimentos e dava por mim a fazer expressões de espanto à medida que ia avançando na leitura. Só não foi uma leitura compulsiva devido à falta de tempo, porque a vontade que eu tinha era de ler sem parar para descobrir tudo o que havia para descobrir. 

Considero que para os leitores que gostam deste género literário irão vibrar a cada página virada. Para os que não gostam, este poderá ser um livro que os conquiste (a não ser que sejam sensíveis a cenas com descrições mais sangrentas e violentas). 

Nota: Este livro foi-me cedido pela editora em troca de uma opinião sincera.
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Opinião | "A síndrome de Peter Pan" de Eliana G. Pyhn

22.10.17
A Síndrome de Peter Pan
Classificação: 2 Estrelas

Estava com bastante curiosidade para ler este livro. Queria saber mais sobre esta síndrome e conhecê-la de forma mais minuciosa. 

Este livro encontra-se organizado em duas partes que vão alternando ao longo do livro. Temos a descrição da aproximação de um homem e de uma mulher através da internet e uma outra parte onde a autora vai explicando em que consiste a síndrome de Peter Pan e faz a ponte para a relação de Miguel e Virna. 

Gostei bastante de ler a parte em que era explicada a síndrome e o paralelismo que fazia com as personagens e os seus comportamentos. Era bastante informativa e elucidativa. Porém acho que havia uma tendência para idolatrar a Virna e denegrir a imagem de Miguel. Apesar de o Miguel ser apontado como o infantil e ser ele a "levar" com o rótulo da síndrome de Peter Pan, Virna também tem alguns comportamentos infantis e é um tanto ou quanto ingénua para embarcar num relacionamento à distância e tendo em conta as "condições" que Miguel lhe foi apresentando.

Na minha opinião, o livro e toda a narrativa em volta do mesmo ganharia outra dimensão se o relacionamento  não tivesse sido online. Isso seria uma mais valia pois teríamos acesso aos comportamentos em contexto real e permitir-nos-ia conhecer melhor a essência de Miguel e de Virna. 

É uma leitura leve e que, apesar de abordar um aspeto mais técnico não torna a leitura aborrecida. Acho que até poderá ser interessante para quem não é da área da psicologia pois, de uma forma simples, consegue passar algumas mensagens interessantes.

Nota: Este livro foi-me disponibilizado pela editora em troca de uma opinião sincera.

Leitura com o apoio de:

Opinião | "Para sempre não é muito tempo" de Carolina Pascoal

11.04.17
Para Sempre não é muito tempo
Classificação: 1 Estrela

Para mim, está será uma das opiniões mais difíceis de escrever porque me deparei com um livro de um nível bastante inferior ao que estou acostumada. Torna-se ainda mais difícil porque é o primeiro livro da escritora e não deve ser nada agradável assistirmos a um impacto negativo nos leitores logo ao primeiro livro.

Começo por apontar dois aspetos que gostei: a capa e a cidade onde se desenvolver a narrativa. Relativamente à capa, acho que está bem conseguida e é apelativa. Coimbra é a cidade que serve como pano de fundo à maioria dos acontecimentos desta estória. É uma cidade que eu conheço muito bem e pela qual tenho um carinho enorme. Por tudo isto, foi muito bom revisitar alguns cantos da cidade que nunca morre no coração de por quem lá passou.

Os problemas deste livro são vários, infelizmente, passo a enumerá-los:
  1. O desenvolvimento da narrativa - da minha perspetiva a estória que nos é narrada é extremamente pobre, cheia de expressões clichés e com pinceladas de psicologia que não dignificam a formação que a autora teve (falo por conhecimento de causa). Não interessa ao leitor os chavões da psicologia, nem as metáforas, nem as reflexões que devem ser circunscritas a um contexto de terapia. Seria muito mais interessante usar os conhecimentos de psicologia para fazer crescer a narrativa em acontecimentos, mostrar-nos personagens com pensamentos e comportamentos complexos... No fundo aplicar o conhecimento e não transmiti-lo.
  2. Os personagens - todos eles muito pobres, demasiado artificiais e nada reais aos meus olhos. Não me identifiquei com nenhuma personagem. Demasiada futilidade em algumas, comportamentos improváveis, uma caracterização medíocre e demasiada infantilidade em pessoas de quem já se exigia alguma maturidade dado o contexto socioeconómico em que se encontravam. Precisavam de estar à altura. 
  3. Diálogos - muito, muito pobres. Somos confrontados com a ausência de descrições coerentes das expressões das personagens e dos seus comportamentos. As conversas de Leonor com a prima do Porto fizeram-me revirar os olhos devido ao discurso estupidificado e sem nexo algum. Uma partilha de psicologia barata que em nada abona à nossa perceção da narrativa. 
  4. O início e o fim do livro - o início pareceu um daqueles chavões de cinema que em nada ajudam no estabelecimento da relação entre os leitores e as personagens que habitam aquelas páginas. Eu precisava que a escritora me apresentasse sentimentos, que colocasse a nu o interior de um homem que já não sabia como viver. E o fim, para mim, foi o pior que a autora poderia ter escolhido. Penso que não revela crescimento das personagens, não nos traz nada de novo e, simplesmente, é aquilo que logo no início achamos que vai acontecer, ou seja, é tudo demasiado previsível.   
Quero, com esta opinião, possibilitar à escritora uma reflexão sobre este seu primeiro trabalho. Talvez não fosse má ideia entregar o manuscrito, antes de publicá-lo, a um ou dois leitores-beta. Se é algo que pretende fazer ao longo da sua vida, acho que se deve ler vários livros, de géneros diferentes e absorver a mecânica da escrita e da construção da narrativa. Tornar-se mais observadora daquilo que a rodeia e não cair na tentação de nos contar uma estória e sim de nos mostrar as personagens, de nos mostrar os seus comportamentos, sentimentos, dilemas. Contar é diferente de mostrar e aquilo que nos cativa enquanto leitores é quando o escritor nos mostra o que está para além das palavras imprimidas naquelas páginas.

Nota: Este livro foi-me cedido pela editora em troca de uma opinião honesta.

Opinião | "Perfeito para mim" de Jill Shalvis (Ceder Ridge #2)

05.04.17
Perfeito Para Mim (Cedar Ridge, #2)
Classificação: 3 Estrelas

Perfeito para mim é aquilo que eu chamo uma leitura de conforto. É leve, carinhoso, que apela ao nosso coração e nos faz sonhar com amores especiais. 
Apesar de ser o segundo livro de uma série e de eu não ter lido o anterior, posso dizer que dá para ler e entender tudo na perfeição. Assim, para quem não leu o anterior e quer apostar neste, podem fazê-lo pois vão conseguir compreender cada pedacinho da narrativa.

Neste livro conhecemos Hud e Bailey. Gostei muito dos dois apesar de achar que eles mereciam um pouco mais de romance. Começa tudo de uma forma muito física e com uma exploração muito superficial dos sentimentos que habitam no coração destes dois. Com o avançar da narrativa dá para perceber que eles estão lá, mas não são expressos nem nas suas interações nem através das palavras do narrador. 
Este aspeto leva-me a outro ponto do qual senti falta: a necessidade de termos mais interações sociais entre Hud e Bailey para conseguirmos ver os dois para além da sua ligação sexual. 

Adorei as descrições da estância de ski e da família de Hud. O toque de humor que todos os irmão imprimem à narrativa é sensacional e oferece-nos uma boa dose de bem estar. 
Bailey vai para a estância para pintar um mural... Digo-vos dadas as descrições só queria era uma imagem daquele mural. Pela minha imaginação deve ter ficado magnífico. 

A todos aqueles e aquelas que gostam de um romance bem cor-de-rosa, cheio de erotismo, com pinceladas de humor e drama este poderá ser um livro ideal para vocês.

Nota: Este livro foi-me cedido pela editora em troca de uma opinião honesta.


Opinião | "Apenas um desejo" de Barbara O'Connor

30.03.17
Apenas um Desejo
Classificação: 5 estrelas

Apenas um desejo foi dos livros mais ternurentos que já li. É tão fácil sentir carinho pela Charlie, pela Bertha, pelo Gus e por toda a família de Howard. 
Embarcamos nos sonhos da Charlie é um privilégio para o leitor. Charlie é genuína, cheia de garra e com uma perceção sobre si própria que muitos adultos não têm. É uma crianças que apenas precisa de amor, que precisa de sentir que pertence a alguém. É de apertar o coração ler acerca de uma menina que sentia que não pertencia a ninguém. E, pior ainda, é ver que ela sabia que isso não era algo muito comum na vida das crianças. 

Charlie, uma criança feita de sonhos, que acredita nas estrelas cadentes capazes de tornar os desejos em realidade, vê-se obrigada a lidar com algo muito duro na vida de uma criança. Porém, a resiliência dela suplanta qualquer expetativa da parte do leitor. Ela seguiu o seu próprio caminho, deixou-se absorver pela sua genuinidade e pela sensibilidade que ela foi alimentado dentro dela. Toda esta mistura de cores que habitam dentro dela tornam-na especial e muito realista. Eu consegui ver aquela criança, como se ela estivesse ao meu lado. E depois temos a forma como ela lida com o Osso da Sorte e com o Howard. Aí conseguimos ver que ela é cheia de amor para partilhar, só precisa de alguém a quem o oferecer. Como é muito genuína e verdadeira acaba por magoar os outros, porém a compreensão que eles têm para com ela é extremamente importante. 

Bertha e Gus são uma casal excecional. O amor, a partilha, a compreensão, os bons sentimentos habitam dentro deles com uma força desconhecida. Eles exercem uma verdadeira parentalidade positiva com a Charlie. São pais no coração, apesar de a natureza não lhe permitir extrapolar esse amor parental que habita dentro e entre eles. 

Não podia deixar de falar no Howard... Que miúdo consciente e de bem consigo próprio. Identifica os seus defeitos e sabe lidar com eles de uma forma muito natural. Fiquei deliciada com a sua dedicação a Charlie. Gostava que houvessem mais miúdos assim. Fáceis de encontrar e que iluminam qualquer vida. 

Pessoalmente, não consigo dizer o que é mais me tocou o coração. Quando olho para o livro sei que será por muito tempo que vou recordar a natureza esperançosa e corajosa da Charlie, o amor e encanto que Bertha e Gus partilham entre eles e com o mundo que decidem abraçar e a doçura e assertividade de Howard a lidar com o mundo que nem sempre é simpático com ele. 

Do meu ponto de vista é um livro excelente para ser lido em conjunto com crianças. Através dele podemos chegar à reflexão de temas extremamente importantes para o desenvolvimento infantil. Questões como o bullying, a família, a agressividade, a importância de acreditar e mantermos a esperança são temas que habitam estas páginas e que podem ajudar outras crianças. Sem dúvida, um livro merecedor da nossa atenção.

Nota: Este livro foi-me cedido pela editora em troca de uma opinião honesta.

Opinião | "A Coroa de Inverno" de Elizabeth Chadwick (Leonor de Aquitânia # 2)

27.03.17
A Coroa do Inverno (Leonor de Aquitânia, #2)
Classificação: 4 Estrelas

A Coroa de Inverno é o segundo volume de um série histórica dedicada a Leonor de Aquitânia. No primeiro volume assistimos ao primeiros passos de Leonor no mundo dos reinados e das políticas que se vão estabelecendo. Agora, neste segundo volume somos convidados a entrar numa nova fase de vida desta rainha e dos novos desafios com que se depara. 

Aquilo que destaco desde logo neste livro é o excelente trabalho da editora com a edição. A capa consegue superar a anterior em beleza. É pessoal o gosto por cores mais frias, o que penso que dá uma tonalidade especial à capa e acabam por ser um pouco uma metáfora daquilo que será a nova vida de Leonor.
Para além da capa, o bom detalhe histórico é perceptível nas descrições bem conseguidas que nos oferecem boas imagens mentais da realidade da época. 

Relativamente às personagens, estas são muito bem apresentadas, permitindo-me construir um conjunto de opiniões e sentimentos muito sólidos em relação às mesmas. Assim, e de um modo mais geral, posso dizer que fiquei extremamente desiludida com Henrique. Não espera que ele se tornasse no homem que vim a conhecer ao longo destas páginas e sofri com Leonor por ter que lidar com um homem que se deixava dominar pela sua sede de poder e pela sua testosterona. 
Isabel e o irmão bastado de Henrique são um casal que gostei de conhecer e comecei a torcer por eles muito antes de o seu enlace se tornar oficial. Também sofri por Isabel nos seus momentos mais negros. 

Em alguns momentos senti falta da Leonor do primeiro volume. Apesar de a sua fibra e tenacidade se manterem intactas, ela, por força das circunstâncias, teve de as adormecer. Viveu momentos muito complicados e isso fez com que ela brilhasse um bocadinho menos. Admiro a sua coragem, principalmente nos momentos finais do livro que me deixaram muito, muito curiosa para saber  que se segue. 

A narrativa, apesar da sua densidade factual, tem uma boa dinâmica. Prendeu-me à leitura e ficava sempre curiosa por ver o que aconteceria de seguida. 
O final é extremamente sugestivo abrindo a porta da curiosidade para os acontecimentos que precedem este volume. 

Opiniões anteriores:

Nota: Este livro foi-me cedido pela editora em troca de uma opinião honesta.