Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Por detrás das palavras

Por detrás das palavras

23
Jul21

Opinião | "Sem medo do destino" (D.C. Detectives #1) de Nora Roberts

P_20210704_112737.jpg

Nora Roberts é uma autora de conforto. Recorro aos livros dela para intercalar com leituras mais pesadas, quando quero leituras com finais felizes, quando quero ler histórias de amor com alguma intensidade. 

"Sem medo do destino" conjuga romance e um lado mais policial. Há um serial killer à solta e a polícia une esforços com a psiquiatra para tentarem encontrar o responsável. Tudo o resto da história envolve um certo grau de previsibilidade, contudo esta característica não interfere com o grau de entretenimento que o livro promove. 

Sim, é um livro que entretém e que permite que a nossa mente desligue. Não aborda temas profundos, não exige reflexões existenciais... Também não é um livro que estimule grandes discussões interiores. 
O modus operandi da pessoa responsável pelos crimes é interessante, mas acho que merecia mais exploração. Consegui perceber as motivações, a contextualização da responsabilidade; porém, se eu tivesse acesso a mais informação, a uma maior exploração da vida e da pessoal na qual se tornou teria favorecido a experiência de leitura.

Para além desta parte policial, há um romance intenso que vai crescendo. Foi interessante cruzarem duas personagens com ideias distintos e com visões dispares em relação à pessoa responsável pelos crimes. As divergências encaixaram-se e as coisas, tal como o esperado, alinharam-se de forma positiva. 

É uma boa leitura de praia, mas está longe de ser um dos meus preferidos da Nora Roberts.

Classificação

04
Jun21

Opinião | "Chama-me pelo teu nome" de André Aciman

22061869_FBHat.jpeg

A maioria das pessoas não consegue evitar viver como se tivesse duas vidas, uma é a maquete, a outra, a versão finalizada, e depois uma série de versões pelo meio.

Esta é uma frase que surge na última parte do livro e que, para mim, é um espelho real de Elio e Oliver. Estas duas personagens tiveram o dom de me encher o coração de amor, de revolta e, em certos momentos, raiva. Foram tantos os sentimentos que nem sei muito bem por onde começar a expor a minha opinião e vivência com este livro.

Talvez comece por falar na importância de termos mais livros que abordem de forma tão genuína a homossexualidade. São livros importantes para que jovens homossexuais possam encontrar modelos com os quais se identifiquem; e para que outros jovens não homossexuais quebrem preconceitos e ideias erradas sobre aquilo que é a homossexualidade, ou seja, para que a olhem como sendo unicamente como uma expressão de uma amor. Foi isto que o Elio e o Oliver me ofereceram: uma visão do amor que os uniu. 
Atendendo a estas características, acho que é um excelente livro para levar para as aulas e desenvolver partilhas e discussões ricas e capazes de partir com os preconceitos.

A história apresenta-nos diferentes fases. Confesso que as que mais gostei foram a primeira e a última. Senti que as duas partes intermédias sexualizaram muito uma relação que ia além da expressão física do amor que uniu Elio  a Oliver. Aqui senti falta de outras descobertas, de ver a construção de laços que explicam a ligação bonita que emergiu nas últimas páginas do livro. 
Ao longo do livro desesperei muito com o Oliver. Talvez por ser mais velho, talvez por não ser tão impulsivo, assumiu uma postura mais contida e, por vezes, um pouco fria e altiva em relação a Elio. Isto deixava-me com raiva, zangada! Tínhamos ali um Elio sedento de afeto, ainda adolescente, a dar os sinais que conseguia e do outro lado vinha a indiferença. Sim, poderia ser um mecanismo de defesa de Oliver. Poderia ser uma forma mais contida de Oliver agir. E claro, o livro é narrado na perspetiva do Elio. Nunca saberei verdadeiramente o que pairava na mente e no coração de Oliver. Por pensar nisto, acho que seria bem interessante um livro escrito na perspetiva de Oliver. 

As últimas páginas são fenomenais. Toda a escrita de Aciman é delicada e cheia de possibilidades interpretativas, mas são as últimas páginas que mais me refletiram esse talento. São momentos mais introspetivos, mais reveladores daquilo que a essência de Elio e Oliver. A beleza vem acompanhada de algumas sensações dolorosas e isso remete-me para a citação que escolhi para iniciar esta minha opinião. Tudo que lemos no final deste livro é um convite aberto à reflexão, ao que escolhemos fazer da nossa vida, a onde podemos ir retirar felicidade, ao conforto das memórias doces de outra época. 

Foi um livro que me trouxe sentimentos complexos. Quer pelos conteúdos quer pela forma como me relacionei com a história. Não adorei o livro. Sinto que daqui a uns tempos pouco da história restará da minha memória. Porém, considero que foi uma leitura importante. Que me ofereceu uma realidade aparentemente diferente da minha, porque como eu já escrevi em cima, apenas se resumiu a uma outra forma de demonstrar e de sentir o amor. Vou guardar com carinho as vivências do Elio e os sentimentos que ele foi demonstrando ao longo de toda a narração. Sinto que é algo que vai permanecer em mim. 

Por fim, acho que o outro livro do autor Encontra-me poderá dar-me algumas respostas aos meus sentimentos mistos. Quer saber mais sobre o acontecimento que encerra este Chama-me pelo teu nome

Agora, segue-se a visualização do filme.

Caro leitor que já teve oportunidade de ler este livro, o que é que podem partilhar comigo? Que sentimentos ele provocou em vocês?

Classificação

29
Mai21

Opinião | "Se esta rua falasse" de James Baldwin

P_20210406_092259.jpg

Já me tinha cruzado com opiniões muito boas a este livro. Por isso, andava com uma enorme curiosidade de conhecer a escrita de Baldwin e a história que ele se propunha a contar. Após a leitura, posso dizer que o balanço é muito positivo e ficou a vontade de conhecer mais obras do escritor. 

Se esta rua falasse guarda uma história onde a luta pela liberdade assume um papel fundamental ao longo do livro. É mais do que a liberdade que se adquire ao sair da prisão, é a liberdade para ser. É a história de um grupo de pessoas que luta para se sentir livre para ser. Fonny e Tish só queriam ser eles próprios, viver o amor que os unia e não incomodar ninguém. 

O racismo, o preconceito e xenofobia ganham terreno nesta história e condenam a liberdade de Fonny e Tish. Foram impedidos de viverem num meio onde a cor da pele era um fator a ter em consideração no trabalho da polícia.
A leveza da escrita e a sensibilidade que Baldwin oferece à sua obra funcionam como um balsamo para a dureza daquilo que ele escolhe contar. É duro ver o desespero da Tish. É revoltante ver a injustiça oferecida de forma deliberada a Fonny.
Cada página de um presente no passado, reflete a atualidade. A intolerância, a insegurança e a forma fácil como se decide tecer um julgamento tendo por base ódios pessoais sem qualquer fundamento são demasiado reais e demasiado atuais. É angustiante perceber que o lado mais negro do ser humano não sofreu grandes alterações ao longo do tempo. Este livro é ideal para se refletir e discutir sobre violência, descriminação, luta pela liberdade e resiliência.

Enquanto deambulei pelo sofrimento atual deste jovem casal, esta história ainda me ofereceu o lado negro da infância de Fonny. Apesar de todas as dificuldades que a vida lhe foi impondo, a resiliência deste jovem é verdadeiramente inspiradora. 

É um livro cheio de conteúdo apesar de ter um pouco menos de 200 páginas. A minha leitura foi lenta; não porque não tivesse vontade de ler, mas sim porque a minha vida anda a intrometer-se nas minhas leituras. A minha disponibilidade mental para ler não tem sido muita e por isso leio menos e mais devagar. Por um lado é chato arrastar as leituras ao longo de vários dias (muitas vezes semanas), por outro permite-me absorver as coisas de forma mais consistente. Senti muito isto com Se esta rua falasse. A leitura mais lenta permitiu absorver melhor estes conteúdos e permitiu-me pensar sobre eles. 

Classificação

 

21
Mai21

Opinião | "O que o sol faz com as flores" de Rupi Kaur

Untitled design (1).jpg

Há qualquer coisa na poesia que sempre me apaixonou. Não sei se pelas reflexões que lhe estão subjacentes, se pelos mundo interiores que cabem dentro daqueles versos. Só sei que gosto de ler poesia e leio muito menos do que aquela que gostaria. 

Já me tinha cruzado com muitos poemas da Rupi Kaur na internet. Tudo o que lia deixava em mim a vontade de conhecer mais da obra. 
O que o sol está com as flores foi a minha estreia com a escritora. Adorei o livro! Adorei a forma como a Rupi vai desenhando palavras que refletem uma enorme complexidade emocional. 
É uma poesia moderna que liga a condição humana, as relações, as mudanças, as culturas e o universo feminino. 

Cada poesia tem uma mensagem única, mas todas elas contribuem para um coletivo maior. Oferecem uma dimensionalidade superior das temáticas que convidam a uma reflexão global do que se vai lendo.

O que pode ser mais forte
do que o coração humano
que se parte em tantas partes
e ainda bate

Li o livro na versão de português do Brasil, mas fiquei com muita vontade de ler a versão original em inglês e a versão em português de Portugal. Será uma autora que manterei debaixo de olho e de quem pretendo ler os livros todos dela. Fiquei mesmo apaixonada pela forma como ela encaixa as palavras e nos conta grandes histórias com poucas palavras.

Classificação

14
Mai21

Opinião | "Acredita: a vida sabe o que faz" de Júlia Domingues

Untitled design.jpg

Este não é um tipo de livro que eu opte por comprar. A verdade é que não vai muito ao encontro dos meus interesses. Porém, a A., a minha "estágiamiga" decidiu oferecer-mo de presente. Ela foi conquistada pelo livro e pela sinopse; eu comecei a leitura com alguma reserva. 

O livro reúne um conjunto de texto soltos que abordam o desenvolvimento pessoal e a importância de acreditarmos nas nossas capacidades. No fundo, são textos motivacionais. 

São textos agradáveis de ler, mas não me tocaram de forma particularmente especial. Acho que não têm a profundidade suficiente para me levar a reflexões. Eu procuro sempre coisas mais complexas. Um livro de ficção, com uma boa história (drama, romance, thriller), por vezes, tem uma maior capacidade de me colocar a pensar nos assuntos a refletir na minha vida. No fundo, passei pelas páginas desde livro de forma um pouco leviana. 

Talvez seja um bom livro para quem se está a iniciar na leitura, para quem procura textos soltos que abordem a resiliência humana e a capacidade que pode viver em cada um de nós.  

Classificação

09
Abr21

Opinião | “A rainha desejada” (As encantadas #1) de Telma Monteiro Fernandes

Design sem nome.jpg

Para mim é sempre complicado quando tenho que partilhar uma opinião menos favorável relativamente a um livro. É ainda mais difícil quando: 1) o livro é de um escritor português e 2) o livro foi-me disponibilizado pelo(a) escritor(a).

A escrita está associada a sonhos pessoais. Uma opinião menos positiva significa quebrar e estilhaçar o ego de quem ousou lutar pelos seus sonhos. Apesar disto, sinto que tenho de ser sincera. Partilhar uma falsa opinião não irá contribuir para a evolução de quem ousou seguir o seu sonho. Por esta introdução já conseguem antever a minha experiência com este livro.

Há umas semanas fui contactada pela Telma, a autora deste livro, com um convite para ler a sua obra. Tenho sido mais seletiva com estes pedidos, mas decidi arriscar (só correndo riscos tenho oportunidade de descobrir). Ela enviou-me o e-book e eu comecei a ler. Depois de ler meia dúzia de páginas, já estava completamente desmotivada para a leitura.

“A rainha desejada” tem Ana como protagonista. Ana vive no século XX, mas um incidente leva-a numa viagem pelo tempo. Estas viagens no tempo podem ser perigosas para o escritor. Exigem pesquisa, conhecimento e coerência no conteúdo que introduzem. Neste livro sente-se muito a falta deste conhecimento e do brio em colocar as coisas em consonância. É tudo “despejado” para o texto de uma forma pouco cuidada e demasiado amadora. Eu gosto de ler romances históricos e de época, mas gosto de ver as coisas com sentido e bem alinhadas. A forma como tudo foi conduzido parecia que ia culminar num desrespeito pelo que de facto aconteceu com a História de Portugal. E, em parte, acabou por se verificar.

Não apreciei a forma como a narrativa foi conduzia. Eu não conseguia visualizar a beleza de D. Manuel I (basta uma pesquisa rápida na internet para perceber que beleza era um conceito que não se aplicava ao físico deste rei). Acho que a imagem que a escritora passou ultrapassa a realidade; mexer num aspeto tão específico da história de Portugal, dando-lhe uma conotação diferente, fez-me confusão. Fez-me imensa confusão uma jovem do século XX, achar as roupas do século XV confortáveis (dada a quantidade de peças e acessórios que compunham o vestuário feminino). Fez-me muita confusão os banhos na praia em pleno século XV. O comportamento de Ana e restantes personagens estava completamente descontextualizado da época que pretendia retratar. Há poucos elementos que situam o escritor na época, e os que existem estão mal descritos e são deturpados em função dos interesses da escritora.

O desenvolvimento da narrativa não foi o único problema. A escrita é fraca e com bastantes erros ortográficos. É tudo demasiado contado e pouco descrito. A pontuação é outro aspeto que carece de uma revisão profunda. Várias vírgulas entre sujeito e predicado; ausência das mesmas quando a autora usava o vocativo; diálogos e frases totalmente mal pontuadas. Isto revela falta de cuidado na revisão e um grande amadorismo na escrita. No fundo, temos um livro com graves problemas na estrutura narrativa e mal escrito.

É uma escrita muito desleixada. Sinto que é necessário muito trabalho. É preciso ler mais e escrever mais para que isso se reflita numa escrita cuidada e cativante.

Acho que com alguns exemplos, poderão perceber o que é que funcionou mal nesta obra.

“O primeiro a despertar foi Ana, que abriu os olhos lentamente e vislumbrou o rosto de Manuel, que dormia um sono profundo e reparador. Ana acariciou-o carinhosamente no belo rosto, e assimilou amar muito aquele homem, com todo o seu coração e que desejava verdadeiramente ficar a seu lado para sempre, mesmo que isso significa-se nunca regressar ao seu século.” – Para além da má construção frásica, podemos ver o encontrar um tipo de erro que se repete até à exaustão ao longo da obra.

“Naquele dia de verão, ao pôr do sol e observando Lisboa do lado oposto, Ana sentia-se ansiosa, como se no ar crepita-se algo, como se a brisa suave que sentia nos seus longos e ondulados cabelos estivesse a sussurrar-lhe aos ouvidos, mas desvalorizou o sentimento, sacudiu os seus pensamentos e continuou o seu passeio, observando o rio e as suas cores fortes de origem vermelha que o pôr do sol espelhava nas águas calmas.” – Aqui temos um mau exemplo de pontuação (um entre muitos outros ao longo do livro).

Para além dos problemas que já identifiquei, estes parágrafos são uma ilustração de uma escrita pouco rudimentar e que precisa de bastante trabalho para que seja aperfeiçoada.

O final foi desastroso. Eu percebo o motivo que conduziu àquele desfecho, mas fez-me confusão. Sim, foi demasiado fantasioso para as minhas preferências. Houve situações em que me ri, dado a quantidade de disparates que ali foram enumerados. Foi horrível perceber a tentativa forçada de incluir a pandemia; a estupidez de dar um final feliz à Ana, aspeto que implica mexer com dados concretos da História de Portugal e o amadorismo que se espelha na forma como os acontecimentos são revelados. Os próprios comportamentos destas últimas páginas reforçam a falta de sensibilidade para colocar no papel a experiência pessoal de quem passa por um evento que lhe altera completamente a vida.

Numa frase, “A rainha desejada” é uma adaptação barata e péssima da série Outlander.

Nota: Não posso deixar de referir um aspeto que me deixou um pouco indignada e justifica o detalhe esta opinião. Penso que nunca escrevi uma opinião tão dura. No início da semana, enviei um e-mail à Telma. Expliquei-lhe o que achei do livro, dei-lhe algumas sugestões de melhoria, enviei-lhes uns links para se informar e o pdf com alguns comentários que fui fazendo ao longo da leitura. A autora revelou uma enorme falta de humildade. Ela afirmou que ia não ler a opinião, porque não queria desanimar agora que a convidaram a escrever um novo livro. Está no seu direito. Porém, senti que desprezou a informação que lhe passei e todas as minhas observações. Não sou uma perita em livros (tenho muito para aprender), mas considero que tenho experiência suficiente para identificar o que é ou não um bom livro. De boa vontade, partilho o que achei e tento dar sempre soluções para uma melhoria dos manuscritos. É óbvio que não espero que aceitem tudo, mas achar que o trabalho está bom e que não precisa de melhorias releva uma falta de humildade atroz. Talvez deva deixar de aceitar estes pedidos e de dar sugestões. Há pessoas que não merecem o nosso tempo nem a nossa bondade.

Classificação

02
Abr21

Opinião | "Ninguém me conhece como tu" de Anna McPartlin

P_20200202_150742.jpg

Comecei a leitura de "Ninguém me conhece como tu" sem grandes expetativas. Não tinha lido opiniões sobre o livro, mas, irracionalmente, achei que me iria aborrecer com a história. 
Talvez as baixas expetativas tenham permitido uma relação positiva com a história. O que é certo é que o livro mexeu comigo e deixou-me a pensar na vida, nas escolhas feitas, nas relações construídas e terminadas, no valor que se dá a determinada conquista ou acontecimento. 

É um livro fácil e ao mesmo tempo difícil de ler. Fácil porque a narrativa avança de forma bastante dinâmica e possuiu a capacidade de prender o leitor. Difícil porque aborda temas densos: violência doméstica, abuso sexual, morte e luto. E é nesta dimensão mais negra que reside a beleza do livro e a sua capacidade de deixar o leitor imerso em reflexões e em questionamentos pessoais.

Eve e Lily são duas adultas que partilharam uma infância e adolescência felizes. A vida e as suas pedras meteram-se pelo meio e originou uma rutura. Mas as grandes amizades não se esquecem. As pessoas que de alguma forma marcam a nossa vida e o nosso coração de forma positiva tornam-se eternas na nossa memória. Eva e Lily eram eternas na memória uma da outra. As cartas que iniciam cada capítulo permite-nos conhecer o passado e compreender o presente que se vai desenrolando. 

A história é marcada pelo quotidiano. Pelas vidas de Eve, Lily e todas as pessoas que gravitam em volta delas. São páginas que guardam palavras de amor, amizade e sofrimento. São pedaços de vidas que desfazem e refazem com o decorrer dos dias. Abrem-se feridas antigas e recentes para que a resiliência e as emoções positivas exerçam o seu poder curativo. 

E assim fui navegando por esta história. Embalada pelas tragédias e conquistas de Eve e Lily ao mesmo tempo que pensava e analisava as minhas próprias tragédias, conquistas, escolhas. 
O final deixa um sabor agridoce. É um reflexo da continuidade da vida e da imprevisibilidade dos dias, mas deixa um certo aperto no coração pela abertura que a escritora dá a história de Eve.
No final, para além de me deixar a pensar na vida, ficou a sensação de ter feito uma boa descoberta.

Classificação

26
Mar21

Opinião | "Seita maldita" (Rizzoli & Isles #8) de Tess Gerritsen

P_20201230_154736.jpg

"Seita maldita" deixou-me com uma valente ressaca literária. Pouco li nos dias que se seguiram tal era a forma como toda esta história ficou agarrada na minha memória. Foi dos melhores livros da série. Um livro muito sensorial e com uma narrativa cheia de armadilhas que me levaram a becos sem saída. Aconteceu uma coisa interessante com esta leitura. Habitualmente crio teorias e tento antecipar o que poderá acontecer, neste livro isso não aconteceu. Fui embalada pela leitura e deixei-me surpreender pelo rumo dos acontecimentos.

Contrariamente aos livros anteriores, que se centram muito nos elementos relacionados com a parte criminal; o "Seita maldita" acabou por se centrar em Maura e numa aventura que ela arriscou viver. Deixou as cautelas de lado, abandonou a sua ponderação e decidiu embarcar numa aventura que se revelou uma verdadeira provação. Maura tinha ido a Wyoming para um congresso médico e acaba por aceitar o convite de um colega de faculdade para um fim de semana numa estância de esqui. Perdem-se, o carro fica preso na neve e acabam por se abrigar em Kingdom Come, uma aldeia que me causou arrepios. 

As descrições soberbas permitiram-me imergir num cenário com toques assustadores onde a sobrevivência e o mistério estiveram sempre presentes. Além disso, as sensações visuais da descrição de um local isolado, cheio de neve e das noites passadas em Kingdom Come foram um pouco aterrorizantes. Houve momentos em que a sensação de medo pairou sobre mim. 

Já deves estar a perguntar se não há nenhum crime para resolver. Ele existe, mas não é o cerne de toda a narrativa. Contudo, foi um excelente mote para abordar o tema das seitas e lideres religiosos. Pessoalmente, foi interessante ler sobre este assunto e perceber de que forma estas visões religiosas mais radicais se aproveitam das fragilidades das pessoas levando-as a seguir, cegamente, orientações que causam sofrimento. 

Toda a narrativa é contada da perspetiva da Maura e isso fez com que se perdessem alguns pormenores importantes para a história. Em nada afeta a compreensão dos acontecimentos. Porém, deixou em mim a sensação de que faltou alguma coisa; deixou a sensação de que haviam alguns aspetos que mereciam ser encerrados de forma mais conclusiva e visual. 

O final foi construído para surpreender. As revelações foram até à última página. Quando pensava que as coisas estavam alinhadas, a escritora decidiu desalinhar e oferecer outra visão capaz de explicar a atrocidade que abalou aquela zona. Conhecer a realidade de Kingdom Come foi das coisas mais dolorosas desta leitura. 

Classificação

 

 

20
Mar21

Opinião | "Mistérios do Sul" de Danielle Steel

P_20201230_153812.jpg

Uns anos atrás lia muito Danielle Steel. Foi das primeiras escritoras deste género de livros que mais fui lendo. A biblioteca municipal tinha muitas obras da escritora e eu fui lendo tudo o que podia. Das muitas leituras que fiz, guardo com carinho "A mansão Thurston" e um dos meus preferidos da vida "Mensagem do Vietname". 

Hoje em dia, ainda leio com carinho as obras desta escritora mas sem o encanto dos olhos de uma leitora com pouca experiência e com pouco conhecimento das obras literárias. Gosto de ler, são livros que divertem e entretêm, mas falta-lhes a profundidade e uma escrita com maior capacidade de demonstração que passei a encontrar noutras obras.

"Mistérios do sul" representa uma tentativa da escritora introduzir uma componente de thriller nas suas obras. Na minha perspetiva não funcionou muito bem. Acabou por se perder um pouco no drama central que vai alimentando a narrativa. Esta é uma história de uma mulher que supera de um divórcio difícil. É o processo de cura emocional de Alexa que marca o ritmo e a abordagem do livro. O pequeno apontamento de thriller contextualiza um pouco a dinâmica da ação, mas não foi bem desenvolvido o que acabou por se diluir demasiado na ação do livro e deixou-me a pensar um pouco sobre a congruência daquilo.

Bem, foi uma escolha da escritora para que se pudesse desencadear a mudança na narrativa. Isto possibilitou que Alexa manda-se a filha para o Sul. A partir daqui tudo se desenrola em função de Alexa, do seu ex-marido e da história do passado que todas estas personagens partilham.

Há personagens um pouco estereotipadas, o que, aos meus olhos, retira um pouco da aproximação da história à realidade. No fundo, tudo parece demasiado fabricado para existirem os bons e os maus e esta divisão já pouco acrescenta ao universo literário.

"Mistérios do Sul" é daquelas leituras calmas que permitem umas boas horas de entretenimento. É um drama que se lê com a certeza de que receberás aquele final feliz que tanto aconchega e o coração e deixa no pensamento rastos de uma boa positividade. 

Nem sempre precisamos de ler obras complexas que convidem a reflexão. Por vezes, precisamos apenas um livro ligeiro que retire o peso de realidades mais densas e que nos sugam as energias boas.

Conheces Danielle Steel? Tens algum livro preferido da escritora?

Classificação

05
Mar21

Opinião | "Nome de código: Traição" de Karen Cleveland

P_20201230_153611.jpg

Quando vou à biblioteca opto por trazer obras de autores desconhecidos. A biblioteca permite-me arriscar em obras sem que a minha carteira sofra. Diversifico leituras, autores, géneros... Ainda bem que existem bibliotecas. Da última vez que lá fui "Nome de código: Traição" foi um dos escolhidos para trazer para casa. Uma escolha às cegas que não me conquistou. 

Em alguns momentos, a leitura foi um pouco forçada. Senti-me tão confusa em alguns momentos da história que tornaram difícil a minha vinculação às personagens e aos acontecimentos.
"Nome de código: Traição" conta a história de uma agente do FBI, Stephanie Maddox, que sempre sonhou em apanhar os poderosos que se dedicavam a atos de corrupção. Isto é resultado do seu passado e de uma situação que precisou de silenciar.  

Este acontecimento passado é o mote para o desenvolvimento da história. Criam-se umas histórias paralelas estranhas que, a meu ver, foram introduzidas para gerar conteúdo. Em termos lógicos e de coerência no seguimento da narrativa não me fizeram grande sentido. Não consegui perceber a ligação entre o acontecimento do passado e todos os acontecimentos que se iam desenvolvendo no presente. Indiretamente e com algum esforço eu consigo estabelecer ligações. Contudo, analisando mais criticamente a obra a sensação com que fiquei é que não existe uma relação coesa entre os acontecimentos. Não consegui identificar os mecanismos lógicos que relacionam tudo aquilo que Stephanie Maddox vai enfrentado. 

Acho que ao longo da leitura me fui esforçando demasiado para perceber o funcionamento da história e isso desgastou-me. Estava deserta por finalizar o livro, virar a última página, muito na esperança de encontrar respostas para minha confusão e esperançosa que nas últimas páginas a escritora me oferecesse algo com sentido e estruturalmente interessante. Não aconteceu. 

A leitura deixou-me num misto de sentimentos relativamente a experimentar outra obra da escritora. Por um lado tenho vontade de ler mais e, assim, consolidar a minha opinião. Por outro, tenho receio de me cruzar novamente com uma história pouco apelativa e que me gere os mesmo sentimentos desta. 

Já leste algum livro desta escritora?
Partilhas da mesma sensação que eu?

Classificação

26
Fev21

Opinião | "O teu rosto será o último" de João Ricardo Pedro

P_20201230_153937.jpg

"O teu rosto será o último" de João Ricardo Pedro foi o vencedor do Prémio Leya em 2011. Muitas vezes, quando leio livros que venceram um qualquer prémio literário questiono-me acerca dos critérios usados pelo júri para selecionar a obra vencedora. Tenho consciência que a leitura e a interpretação que cada um faz das obras que lê tem uma forte componente subjetiva, mas acho que deveriam existir critérios mais específicos de forma a tornar transparente todo o processo.

Quando uma obra sai vencedora de algo é inevitável que eu, enquanto leitora, crie expetativas um pouco elevadas relativamente à obra. Estava ligeiramente expectante em relação a este livro. Pensei que me ia trazer uma história envolvente de um Portugal diferente daquele que eu conheci. Mas este histórico e político e mal explorado. Vão surgindo algumas referências à ditadura, à revolução e ao pós 25 de abril, mas não ocupam grande destaque na contextualização da obra.

Quanto ao resto, senti-me a oscilar entre a compreensão e a confusão. Há passagens interessantes, com um conteúdo que me permitiu acompanhar o crescimento das personagens, mas existiram outras partes pouco claras, confusas e que não pareciam encaixar de forma coerente e sequencial na história que estava a ser contada. Há momentos muito aborrecidos, onde a narração se resume à partilha de factos do quotidiano. Apesar de eu ter conseguido perceber qual a intenção do escritor, só me senti a navegar por palavras e factos desprovidos de emoção e de profundidade. 

É difícil para mim identificar uma tipologia de leitores a quem este livro possa interessar. É complexo e está muito dependente da nossa subjetividade e experiência enquanto leitores. Por isso, na dúvida experimenta e arrisca a ler este livro.

Classificação

17
Fev21

Por detrás da tela | "Clínica Privada" (2005 - 2013) e "Gru, o maldisposto 3" ( 2017)

Clínica privada

mw-1024.jpg

"Clínica Privada" é uma spin-off da série "Anatomia de Grey" e foi criada para dar continuidade à personagem de Addison Montgomery. 
O ano passado comecei a ver "Anatomia de Grey" e viciei (manifesto aqui o meu descontentamento com a FOX Life que decidiu não transmitir as temporadas 14 e 15, porque irão estar disponíveis numa plataforma de streaming paga e saltou logo para a temporada 16 ). Como tal tinha de acompanhar "Clínica privada" e conhecer de forma mais profunda a Addison. 

A série não é só sobre a Addison. Há todo um grupo de médicos residentes que contribuem para o desenvolvimento da trama e adensam os conflitos que vão sendo criados. E além das vidas pessoais surgem casos médicos que abordam temas que convidam à reflexão. 

Acompanhei as seis temporadas e gostei muito. 
É uma série leve, com momentos divertidos, com romance na dose certa e com temas sociais pertinentes.
Apesar e gostar muito da série, acho que acabou na hora certa e da forma certa. 

Se procuras uma série para desligar dos momentos pesados do dia a dia e do aborrecimento da rotina, "Clínica privada" é uma boa escolha. 

Classificação

Gru, o maldisposto 3

ronfe_1_510_300.jpg

Não sou uma entusiasta desta série de filmes. Acho engraçado o conceito por detrás da personagem do Gru e acho uma certa piada aos Minions. Porém, sinto alguma dificuldade em me conectar emocionalmente com os filmes. 

Eu gosto muito de ver filmes de animação. São ótimas fontes de inspiração para as intervenções com os miúdos e para refletir sobre questões que povoam o universo infantil. 
Aqui o foco são as maldades. 

Gru vai-se transformando ao longo dos diferentes filmes e é engraçado acompanhar a evolução desta personagem e o impacto que as relações que ele vai construindo tem no ajuste da sua personalidade. O meu interesse neste filme reside aqui: no poder da mudança e no poder curativo das relações. 

São filmes que animam os mais pequenos e que ensinam sempre qualquer coisa ao adulto que os decidi ver. 

Classificação

12
Fev21

Opinião | "Vozes de Chernobyl" de Svetlana Alexievich

P_20201230_153402.jpg

Demorei a ler este livro. O confinamento e o teletrabalho deixou-me menos tempo para ler, mas a densidade emocional subjacente aos relatos que são eternizados nestas páginas exige tempo. Não se pode ler depressa, há a exigência de uma leitura mais lenta como se só assim pudéssemos respeitar as memórias dolorosos de todos aqueles que viveram Chernobyl. 

Svetlana criou o seu próprio estilo literário: dar voz às histórias de pessoas reais e eternizá-las nas páginas de um livro. E o resultado é muito positivo, porque eu me senti envolvida em cada uma dos relatos de todas aquelas pessoas. A organização das entrevistas, conferindo-lhe um fio condutor, revela um trabalho exímio e uma sensibilidade sem limite por parte da escritora. 
Raiva, tristeza, resignação, incompreensão, revolta, amor e angústia são apenas alguns dos sentimentos espelhados nestas narrativas. São vozes duras! Vozes que guardam memórias que só eles conseguem perceber. Por muito que se conte, por muito que eles partilhei as suas histórias com o mundo, é percetível que as dores são muito próprias. Este lado pessoal da dor talvez seja o resultado de só eles conhecerem muito bem as consequências que o acidente nuclear teve nas suas vidas. 

É doloroso perceber que o sofrimento de muitas pessoas é consequência de um conjunto de más decisões. É revoltante perceber que a política se sobrepôs à ciência e, com isso, o impacto do desastre nuclear foi ainda maior. O desconhecimento por parte das pessoas, a resistência de algumas delas em abandonar o seu lugar e a forma desequilibrada como tudo foi gerido são temas comuns a muitos dos monólogos. 

"Vozes de Chernobyl" é um livro para reler e respeitar a histórias que marcaram a História. O livro expõe muitas das consequências das explosão nuclear, contudo acho que há muitas que continuam no silêncio. O impacto psicológico que este desastre deixou deve ser inimaginável e penso que pouco foi feito a respeito disso. 

É impossível ler ser fazer alguns paralelismos com a os tempos atuais. Tal como a radioatividade, a Covid-19 é um inimigo invisível e duro de combater. É ler este livro e refletir sobre as consequências que estes acontecimentos têm no quotidiano das pessoas e do mundo.

Quanto à escritora, tenho a certeza que é para continuar a ler.

Classificação

05
Fev21

Opinião | "O assassino do crucifixo" de Chris Carter (Robert Hunter #1)

P_20210109_152205 (1).jpg

Os livros de Chris Carter são escritos de forma uma forma que eu apelido de inteligente. São narrativas extremamente bem construídas, com uma sequência de acontecimentos bem encadeados e que revelam um enredo complexo e extremamente viciante.
Sim, eu vicio nestes livros logo nos primeiros capítulos! Há ali uma escrita que é especial. Traz imagens muito vívidas e concretas dos acontecimentos e isto permite-me uma experiência de leitura muito gráfica.

Estes são denominadores comuns a todas as obras que li deste escritor. Eu não li esta série pela ordem de publicação. Comecei no quarto. São livros que podem ser lidos de forma independente, mas a leitura pela ordem de publicação permite-te um conhecimento mais gradual das personagens residentes. Pessoalmente, o facto de conhecer o Robert Hunter de obras posteriores fez-me olhar para o seu desempenho neste livro de uma forma mais reticente. 

"O assassino do crucifixo" traz-nos um assassino perfeito. Comete os seus crimes sem deixar uma única pista útil aos investigadores. Como te disse atrás, o escritor tem um talento especial para complexificar as situações. Neste livro, a complexidade revela-se nos pormenores inerentes à investigação, na construção dos crimes e na pessoa responsável por semear aquele terror. Foi engraçado que, ao contrário do que senti noutros livros da série, neste eu estava particularmente ansiosa por saber quem era a pessoa que andava por ali a espalhar o terror e qual as suas motivações. Nos outros livros da série, estava mais curiosa em saber qual o próximo passo do(a) criminoso(a) do que propriamente saber quem foi responsável pelos crimes. 

Quando a pessoa responsável pelos crimes foi revelada eu senti-me ligeiramente defraudada. O Robert Hunter que eu conheço de outros livros não teria sido tão ingénuo. O problema é que não te consigo explicar melhor porque não quero dar-te nenhum spoiler e estragar-te a leitura. 
Provavelmente, quem já leu deve conseguir perceber o que é que eu quero dizer. Acho que ele foi um atentado à inteligência deste homem. 

Apesar deste pequeno incidente, o livro merece ser lido. Tenho a certeza de que os fãs do género deliram com este livro e os menos fãs encontram aqui uma história que os possa tornar fãs. Porém, acho que o livro só poderá ser um pouquinho problemático para pessoas mais sensíveis. As descrições deste livro, por vezes, obrigam a pausar a leitura para recuperar a orientação.

Gostas de policiais? O que é que achas dos livros desta série e deste em particular?

Classificação

29
Jan21

Opinião | "Segredos do passado" Deborah Smith

P_20210109_151449.jpg

Tal como em 2020, quis começar 2021 com uma leitura positiva, ou seja, quis que o meu primeiro livro do ano contivesse uma história de amor, com uma mensagem positiva e com um final feliz. Andei a ver a minha estante e resgatei o livro "Segredos do passado" de Deborah Smith. As minhas leituras anteriores de livros desta escritora reuniram os requisitos que eu queria encontrar na minha primeira leitura do ano. 

Deborah Smith é uma escritora de fórmulas. Agarra em famílias, junta-lhe uns conflitos, um romance que será posto à prova e um reencontro após anos de ausência e a história acontece. Talvez este tipo de livro te aborreça. Eu, na generalidade, gosto! Não os posso ler muito seguidos, mas dando o espaço temporal correto entre eles tornam-se boas leituras e ótimas para aligeirar a mente e semear em mim emoções positivas. 

"Segredos do passado" é um livro que em que a escritora seguiu a sua receita à risca. Claire tem uma família grande e financeiramente próspera. Roan vive no extremo social oposto. Algo acaba por uni-los. Aos meus olhos foi uma união um pouco forçada e artificial. Talvez tenha sido a diferença de idades que me tenha causado estranheza. Cinco anos não é uma diferença etária muito vincada quando falamos de jovens adultos. Porém, em momentos mais precoces da vida humana, separa a infância da adolescência; e aqui as diferenças demarcam-se e afastam crianças e adolescentes. Claire era cinco anos mais nova que Roan e por isso aquela ligação do passado não me convenceu muito. 

O tempo passa e a estranheza de Roan e Claire enquanto casal esbate-se. Este avanço cronológico também oferece revelações interessantes que dão um toque especial à história e às vidas das personagens. É, em alguns momentos, uma narrativa bastante emotiva. 

Tal como o esperado sobressai a amizade, o amor e as mensagens positivas que só as relações humanas bem desenvolvidas deixam sobressair. Há conflitos que se resolvem, personagens que se superam e há amor suficiente para me derreter o coração e dar esperança num futuro incerto e um pouco aterrador. 

Para mim, foi um livro que trabalhou as minhas emoções. Que me permitiu pensar nas oportunidades que a vida nos pode dar e de que formas as podemos agarrar. Que abriu espaço a reflexões sociais e à crueldade que por vez afeta algumas infâncias. No fim, deixou em mim aquela sensação de que o ser humano é complexo e que tem capacidade de dar e receber na mesma proporção, mas que, para tal, precisa de se sentir preparado e de coração aberto.

Classificação