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Por detrás das palavras

Por detrás das palavras

27
Mai20

Opinião | "Ao teu lado" de Ana Ribeiro

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Ao contrário daquilo que possam pensar, não é fácil escrever sobre um livro que não gostei. É uma tarefa complicada! Enquanto desmontamos o quanto não gostamos de um livro, acabamos por ferir um pouco os sonhos daquele(a) que o escreveu. Torna-se ainda mais complicado quando é um livro escrito por um autor português.

Antes de escrever a opinião, enviei um e-mail à Ana (a autora do livro) com uma série de aspetos que acho que ela poderá melhorar na narrativa. Ela tinha disponibilizado o livro de formar gratuita e eu decidi arriscar a enviar-lhe uma visão mais detalha e pessoal. Tive a sorte de as minhas sugestões terem sido bem recebidas.

Li o ebook em epub. Não estava completo, devido a algo alheio à autora. Neste momento estou a ler o que me resta, mas ao mesmo tempo a fazer revisão. Por este motivo, decidi publicar a opinião relativa às paginas que li apenas enquanto leitora. Tenho uma veia de ovelha ronhosa muito saliente, por isso não seria justo vir escrever sobre o que estou a rever. 

Enquanto leitora, devorada de histórias e que se derrete com boas histórias de amor este livro ficou longe de me satisfazer os sentidos. A história de amor pobre, com incongruências à mistura e cheia de estereótipos deu cabo do meu cérebro. Os meus dedos vibravam com a necessidade de escrever comentários e fazer correções. O livro merecia crescer, o amor merecia sair daquelas páginas para o coração do leitor, porém faltava-lhe a magia de uma história bem narrada, com personagens reais e com descrições capazes de estimular os sentidos.
Os acontecimentos, as personagens e a forma como a autora decide dar corpo às ideias que andam na sua cabeça carecem de mais trabalho. É importante dar um tom credível àquilo que queremos oferecer ao leitor. Além da credibilidades, é importante humanizar as personagens, dando-lhe qualidades e defeitos. Sei que não é fácil materializar em palavras aquilo que nos vai na imaginação, mas é importante transformar a nossa imaginação numa história que prenda o leitor e que o envolva nos acontecimentos.

Aos diálogos falta-lhes a garra e a capacidade de os materializar enquanto situações reais. Também lhes falta emoção. A narração precisa de mostrar mais o que se está a passar do que apenas contar o que vai acontecendo.

Outra dor de cabeça para mim foi a pontuação. Não sou a Guro das regras gramaticais, também dou os meus pontapés, porém a pontuação neste livro dificultou a leitura pois algumas passagens tornavam-se confusas.

Falar sobre livros é subjetivo. A minha experiência com este livro não foi a mais feliz, porém no Goodreads existem muitas vozes contrárias à minha, e ainda bem que existem. Acima de tudo, espero que sejam sinceras e que transmitam aquilo que verdadeiramente sentiram na leitura. 
Devido a esta subjetividade, eu procuro opiniões literárias junto das pessoas que partilham alguns dos meus gostos ou cuja fundamentação me convence. Posto isto, esta minha opinião é o reflexo da minha experiência com o livro. E vocês poderão viver uma experiência completamente diferente. É nesta diferença que o mundo enriquece. Por isso, se gostaram do livro, se tiveram outra visão sobre as coisas, comentem! Assim, quem cá passar poderá conhecer experiências de leitura diferentes. 

08
Mai20

Opinião | "Raparigas como nós" de Helena Magalhães

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Comecei esta leitura com os dois pés atrás. Ele pertence a um género literário com o qual costumo ter uma relação algo conflituosa. Além disso é um livro muito acarinhado pelos leitores e eu, por norma, sou sempre um bocadinho do contra. Neste momento devem estar a questionar-se, dadas as evidências por mim apresentadas, o que é que me motivou a ler o livro. Bem... A resposta é fácil. Sou naturalmente curiosa no que toca ao livros e vou sempre na expetativa de ser surpreendida. Além do mais, se não tenho reticências em arriscar com um autor internacional porque é que as teria com um autor nacional?

E foi neste misto de emoções que comecei a ler o "Raparigas como nós". 
As minhas emoções flutuaram imenso ao longo do livro. Li muitas coisas que não me fizeram sentido, cruzei-me com uma narrativa com algumas incoerências e não me identifiquei nem criei qualquer ligação com as personagens. Porém, houve uma coisa que me prendeu do início ao fim: a escrita. A forma como a Helena tece toda a narrativa é cativante e envolvente. Tão envolvente que, mesmo não tendo vivido aquela adolescência, mesmo o facto muitos dos acontecimentos não terem feito o mínimo sentido para mim ela conseguiu semear em mim aquela nostalgia especial que só as boas memórias conseguem fazer. 
Em suma, para mim o ponto positivo deste livro é a escrita.

Relativamente à narrativa há ali muitos aspetos que não me satisfizeram enquanto leitora. 
Começando com a primeira e última partes do livro, que decorrem em 2004, não me conseguiram mostrar uma Isabel e uma Alice de 17 anos. Há diálogos entre elas e outras personagens que não me fizeram ver miúdas de 17 anos a lutar pela sua própria afirmação. Há situações que me mostram miúdas demasiado infantis para quem tem 17 anos e outras que me levam a miúdas mais velhas. 
As referências temporais são pobres. Do meu ponto de vista, há coisas que deveriam ter figurado. Por exemplo, em 2004 Portugal foi completamente absorvido pelo europeu de futebol e não aparecem referências a tal acontecimento. Até eu, que sou completamente desligada do futebol, tenho muitas lembranças associadas ao EURO 2004. 
Há uma outra referência temporal que nos desloca do presente das personagens. A dada altura são mencionados os atentados terroristas em Madrid. As personagens estão no ano em que esses atentados ocorreram, logo não faz sentido dizer "Os atentados que ocorreram em março de 2004". 
A data de divórcio dos pais de Isabel é imprecisa e deixa transparecer algumas incoerências na narrativa. Não é nada grave, mas um leitor mais atento facilmente apanha esta lacuna.
A própria vida do Simão é uma confusão temporal que descredibiliza o que ele viveu. São incoerências que vêm desde o tempo em que ele frequentava o 9º ano até à atualidade dele.
Estas incoerências oferecem uma visão irrealista da vida das personagens e da forma como evoluem ao longo do espaço narrativo.
Por fim, outro aspeto que me fez torcer o nariz foi a vontade da Isabel em voltar a ter 14 anos, quando tinha 17. Entre os 14 e os 17 anos não passa assim tanto tempo. O passado não é tão longínquo quanto a ideia que a escritora pretende passar. Aqui encontrei um lado demasiado infantil da Isabel. E só esse lado infantil me explica esta vontade de ela reviver um passado que não foi assim tão feliz e bem sucedido. 

As referências musicais foram as que mais gostei e aquelas que mais mexeram nas minhas emoções. Talvez porque também eu tenha memórias associadas a algumas das músicas. 

Como já escrevi atrás a adolescência da Isabel e a Isabel em 2004 estão bastante longe da minha realidade. Há demasiada permissividade e liberdade. Os adolescentes que eu conheço e com quem trabalho não têm grande parte das experiências das personagens. Pegar no namorado e levá-lo a dormir a casa dos pais, passar a noite fora com pessoas que mal se conhece, ir a festivais de verão, droga, sexo... Acho demasiado para miúdos de 17 anos, ou pelo menos para os miúdos de 17 com quem lido e para a miúda de 17 anos que fui. Neste sentido, achei que isto foi tudo muito fabricado.

A Isabel sentia-se uma rapariga estranha. Também sempre me senti estranha, mas eu sou bem pior que a Isabel. Aliás, eu jamais me iria colocar em situações ou relacionar-me com pessoas que fossem contra os meus princípios. Esse tipo de esforço pelos outros sou incapaz de fazer. E pensei que a Isabel também seguisse nesse sentido. Aquilo que a Isabel diz ser não acompanha aquilo que a Isabel faz.
Quando Isabel recorda a sua passagem pelo 9º Ano, eu também recordei o meu. E nessas recordações couberam todas as diferenças em termos de vivências. Foi dos anos mais felizes da minha vida. Não havia uma melhor amiga, mas havia um grupo de rapazes que me fizeram sentir integrada num grupo. Também tive um "Simão". O meu não se metia em alhadas, nem fazia coisas parvas para me impressionar. Recordo-o como das melhores amizades que fiz na vida. Tratava-me bem, cuidava de mim. Na cultura escolar de uma cidade pequena, no interior norte de Portugal, não cabiam "Marisas das argolas". Cabiam histórias de vida iguais à da Marisa que mereciam a união da comunidade escolar. Éramos miúdos de áreas rurais que valorizávamos outras coisas.

Para finalizar esta opinião (que já vai muito longa) quero destacar dois aspetos. Em primeiro, acho que pode ser um bom livro para os adolescentes lerem. Penso que se poderão identificar com algumas coisas e dar aso a fantasias de independência que guardam dentro deles. Em segundo, quero deixar claro que a pontuação deste livro surge pela escrita. Podemos não nos identificar com a história, podemos não gostar das personagens mas a escrita tem a capacidade de criar algum tipo de ligação.

04
Mai20

Opinião | "As gémeas do gelo" de S. K. Tremayne

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"As gémeas do gelo" é loucura do início ao fim. As personagens têm um nível de doidice que eu nunca encontrei noutros livros. É tudo maluco, adultos e criança.

Para mim, o tema central do livro é o luto patológico. Associado a este luto estão as relações humanas que se vão deteriorando. 
Não é fácil lidar com a perda de um filho, não é fácil perder-se a irmã gémea. Acho que o livro tentou mostrar essa dificuldade, oferecendo ao leitor um conjunto de acontecimentos sinistros e dando o protagonismo a personagens que são demasiado más para parecer reais. 

Senti falta de alguma "normalidade" emocional nos pais. E cheguei a um momento da leitura em que estava demasiado baralhada com os acontecimentos para aproveitar a história e me embrenhar nos acontecimentos. Foram demasiadas dúvidas lançadas em torno da gémea que sobreviveu. Tudo se foi tornando um pouco aborrecido, confuso e repetitivo.

Apesar deste embrulho de coisas em que o livro se foi tornando, o meu lado mais mórbido continuava agarrado ao livro de forma a descobrir o que é que de facto se tinha ali passado. 
É um livro que nos oferece uma história negra, como uns toques de sobrenatural e terror. Acho que foi escrito com o intuito de nos baralhar as ideias e de mexer com a sugestionabilidade de quem se atreve a lidar com tanta doidice. 

Ficou pouco da história, mas quero conhecer outras obras do autor para formular uma opinião mais consistente. 

01
Mai20

Opinião | "Os Maias" de Eça de Queirós

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É extremamente interessante refletir sobre a influência da nossa maturidade na forma como interpretamos aquilo que lemos. 
Li "Os Maias" no secundário. Tive um excelente professor de Português, que discutia e analisava muito bem as obras que eram lecionadas. Desse tempo, a minha visão romântica e demasiado idealista provocou um registo mental muito interessante. Nas minhas memórias vivia a ideia romântica de um amor impossível, de um Carlos e de uma Maria Eduarda vítimas da tragédia e dos comportamentos irresponsáveis da mãe. "Os Maias", para mim, eram uma espécie de "Romeu e Julieta" português. 

Esta releitura quebrou todas as memórias de um amor marcado pelo sofrimento e pela tragédia. Adorei voltar a está história. As descrições de Lisboa, dos cenários que acompanham e nos preparam para a tragédia iminente. Ler com mais consciência e mais atenta aos pormenores ofereceu-me uma ideia mais clara de toda a complexidade que caracteriza esta história. 
Afinal, o que é que mudou?

A minha ideia do Carlos da Maia. Carlos talvez tenha sido dos meus primeiros amores literários. Apaixonei-me por ele, pelo seu jeito educado, refinado e galante. Mas isto, foi lá atrás! Em 2020, olhei novamente para este Carlos e a visão romântica esbateu-se. Neste momento, Carlos é, aos meus olhos, um snob preguiçoso, fraco, sem carácter e que vivia às custas do avô. Passou a ser, também, um homem cobarde que arrasta o seu charme para cima das mulheres. É uma crítica social feita pelo autor que ficou apagada na minha memória. Ele merecia um final mais trágico. 

Maria Eduarda passou de deusa, a uma mulher que sofreu na vida mas que facilmente se deixava levar pelas promessas de uma vida fácil. 

Acho que os únicos que não destruíram as minhas memórias foram Afonso da Maia e Ega. Admirei-os na altura e essa admiração manteve-se. De Afonso fica a imagem de um homem duro, que na tragédia do filho se renova para dar ao neto a possibilidade de crescer feliz. Também cometeu os seus erros, mas irei sempre recordá-lo na figura de um avó duro mas amoroso.
Ega é aquela personagem maluca, que também se acomoda ao conforto do dinheiro da família, que anima muitas das passagens ao longo do livro. Também ele representa alguma crítica social, assim como se torna agente ativo dessa mesma crítica. 

Não me lembro de ter sentido dificuldade em ler o livro. Já era uma leitora assídua, que só não lia mais porque não tinha como. A releitura foi mais demorada, mas tive mais tempo para assimilar os acontecimentos e refletir sobre o que Eça nos queria dizer nas entrelinhas num livro onde a tragédia se pressente na descrição do Ramalhete. 

Foi uma viagem literária muito feliz. Há muito tempo que queria reler este livro, acho que merecia uma leitura pelos olhos agora adultos. Ainda bem que o fiz. 
Há outro livro que gostaria de reler, mas tenho receio desta releitura. O livro em questão é "Aparição" de Virgílio Ferreira. Guardo boas memórias do livro. Adorei a discussão filosófica que ele suscitou na altura e todas as reflexões que ele desencadeou. Estou insegura na releitura porque não quero destruir estas memórias. Não sei como é que o meu eu de agora se sente em relação a estas temáticas. Uma ideia a amadurecer. 

E vocês? Costuma reler livros?

09
Abr20

Opinião | "Meu Amo e Senhor" de Techmina Durrani

meu amo meu senhor.jpgJá perdi a conta à quantidade de livros que relatam histórias dolorosas de mulheres que são silenciadas pelas regras sociais dos seus países de origem. Há histórias muito duras. Histórias que nos fazem agradecer o facto de sermos mulheres em países livres e onde as mulheres podem estudar, ter uma carreira e serem as guias da sua própria vida.

"Meu Amo e Senhor" é a história da Techmina, uma mulher paquistanesa que experimenta o sofrimento das suas escolhas. Muito jovem Techmina é alvo de maus tratos psicológicos. A mãe não lhe dá afeto. Ela cresce ao sabor de palavras cruéis e da falta de empatia. São estas experiências que a fragilizam e que acabam por determinar muitas das suas escolhas e comportamentos. 

É um discurso muito duro e real daquilo que é o quotidiano das mulheres vítimas de violência doméstica, sem direitos reconhecidos e que se veem agarradas aos costumes de uma cultura que conhecem, mas que não as protege.

É  muito complicado escrever uma opinião a livros deste género. Os relatos duros, a falta de uma vida digna para as mulheres e supremacia masculina. Consegui sempre compreender a vida e as escolhas de Techmina, porém em alguns momentos zanguei-me por ela não ser capaz de dar continuidade à sua determinação de mudar de vida.

O livro também nos traz alguns aspetos relacionados com a situação política do Paquistão. Eu gostei muito de ler sobre esses assuntos. Fiquei a conhecer os contornos de um sistema político complexo e permeável a influências. 

Classificação

02
Mar20

Opinião | "Verity" de Colleen Hoover

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Classificação: 4 Estrelas

Partilhar a minha opinião acerca do livro "Verity" sem usar spoilers será um verdadeiro desafio. Demorei a conseguir sentar-me e escrever uma opinião acerca do mesmo porque não sabia colocar em palavras a confusão cerebral que se instalou na minha cabeça. 

Assim que terminei de ler a última página, o meu primeiro pensamento foi Isto não faz o menor sentido. Desculpem-me a ousadia deste pensamento, principalmente aqueles que vibram e deliram com as obras desta escritora, mas para o perceberem tem de saber duas pequenas coisas sobre mim. Eu não consigo ler um livro e dissociar de mim dois aspetos que condicionam a forma como interpreto as coisas à minha volta. 1) Sou uma pessoa que racionaliza tudo, procuro uma explicação lógica, científica e verdadeiramente possível para grande parte das coisas que me rodeiam (daí a minha dificuldade com os livro de fantasia) e 2) Muitas vezes o meu olhar de psicóloga interfere na forma como interpreto as histórias que me vou cruzando. Muitas vezes consigo desligar estes dois botões mentais. Outras há em que eles estão em estado On e colocam o meu cérebro num verdadeiro turbilhão de sinapses. 

"Verity" foi um dos livros que ativou estes meus dois lados. Era impossível isso não acontecer tendo uma mulher, Verity, com um perfil psicológico muito particular e um homem, Jeremy, bonito e atencioso com um profundo amor pelos filhos com uma aura de mistério que nos intriga. Se isto já não fosse suficiente, juntamos Lowen, uma escritora tímida com uma imaginação bastante fértil. Claro que tudo foi cuidadosamente apimentado de tragédias e dramas capazes de fazer parar o cérebro. Digam lá se eu não tinha aqui um cocktail explosivo para o meu cérebro "psico-racional". 

A leitura foi compulsiva e sempre com a certeza que tinha desvendado tudo sobre a Verity (que, em alguns momentos levou a minha memória até à Amy, a protagonista do livro "Em Parte Incerta"). Lia na expetativa de constatar como é que toda aquela loucura iria terminar. 
A narrativa foi construída de forma muito interessante pois tudo adensava o mistério e a expetativa que pairava sob aquelas personagens. Até os cenários físicos onde as personagens se moviam estavam em congruência com o lado negro que a escritora quis passar ao leitor. No meu caso, eu imaginei sempre aquela casa e aquele lago envoltos em neblina e com um ambiente marcado pelo cinzento. Aliás, todos os cenários que davam corpo às cenas eu imaginava-os como sendo passados em dias nublados. A meu ver é uma boa ilusão de ótica que as palavras da escritora criaram na minha cabeça. Friso que isto é um único produto da minha imaginação. A  história não dá indicações precisas sobre o estado do tempo, mas como já vos expliquei mais atrás a minha atividade cerebral é um bocado estranha (nada temam, apesar de estranha é completamente funcional). 

E foi neste embalo cinzento que fui até às últimas páginas e atiraram por terra todo o meu raciocínio lógico, muito bem construído e alinhado. Aquele fim dá aso a uma infindável panóplia de interpretações. É um final aberto que deixa espaço à nossa imaginação e à nossa sensibilidade emocional e racional. Eu acreditei na Verity! Isto porque, para mim, era racionalmente impossível as coisas se terem passado de outra forma. Só temos acesso à sua visão dos factos, não sabemos como Jeremy interpreta a sua vida. Porém, depois de ler aquelas últimas páginas era, para mim, racionalmente impossível viver-se com uma pessoa sem lhe conhecer alguns lados mais obscuros (a não ser que andássemos muito cegos em relação às pessoas com quem lidamos). Acho muito pouco provável que Jeremy não conhecesse a verdadeira essência da sua esposa, principalmente no que se refere à forma como cuidada e olhava pelos seus filhos. 
Apesar de tudo, tenho uma vozinha interior que não deixa que o meu cérebro desligue e o coloca a pensar no lado oposto desta minha interpretação. E isto é uma sensação horrível! Não permite que o livro fique simplesmente arrumado na nossa memória. 

Tendo em conta esta minha minuciosa descrição acerca do livro, devem estar a perguntar-se "Então, se sentiste isto tudo, porque é que apenas deste 4 estrelas ao livro?". É uma questão muito legítima. Eu gostei muito do livro, foi uma leitura desafiante em termos de interpretação... Contudo faltou-me algo que me encaminhasse para um desfecho mais concreto. É uma questão de gosto pessoal. Tenho a certeza, que os leitores que são apaixonados por finais em aberto irão delirar com o desfecho do livro. No meu caso, deixou uma imensa frustração. 

19
Fev20

Opinião | "Palomino" de Danielle Steel

7474766.jpgClassificação: 3/5 Estrelas

Danielle Steel foi das primeiras escritoras de romances contemporâneas que comecei a ler. Trouxe um livro da biblioteca e os meus olhos de leitora inexperiente e ávida devoraram a história. Comecei então a explorar outros livros da escritora. Há bons livros! "A Mansão Thurston" e "Mensagem do Vietname" são dois dos meus livros preferidos de sempre e são ilustrativos da capacidade de Danielle Steel em criar boas histórias. Há outros livros mais medianos e sem a profundidade emocional suficiente para me encantar.

"Palomino" é um livro doce. Um livro com amor, traição e superação. Samantha e Taylor são os grandes protagonistas desta história. É um casal improvável que acabou por me conquistar q.b.. Não é uma grande história de amor, não é memorável nem intemporal... É uma história de amor com muita ternura, zangas um pouco estúpidas e infantis e que termina de uma forma que é esperada pelos leitores sempre que se cruzam com um livro deste género.

Não é um livro com muitas surpresas. É uma leitura muito fácil onde houve espaço para que eu pudesse descontrair e me divertir com a leitura. Foi uma ótima escolha de leitura, porque me permitiu desligar de uma série de leituras e emocionalmente mais pesadas e com um conteúdo que exigiu mais do meu funcionamento cerebral.

Com uma escrita muito sequencial e sem floreados, Danielle Steel conduziu-me às zonas mais rurais dos Estados Unidos e fez-me ver o contraste entre estas zonas e o rebuliço das grandes cidades. Mostrou-me que a vida é aquilo que decidimos fazer dela, mesmo quando ela teima em trocar-nos as voltas e nos vai retirando aspetos que nos fazem felizes.

Há uma boa mensagem de superação neste livro e eu gostei de me cruzar com ela. 

05
Fev20

Opinião | "Viver depois de ti" (Me Before You #1) de Jojo Moyes

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Classificação: 5 estrelas

Há quanto tempo é que eu queria ler este livro? Praticamente desde que vi o filme. Não costumava ver filmes baseados em livros sem primeiro ter lido o livro. Hoje em dia é algo que não me afeta particularmente. Por conseguinte, surgiu a oportunidade de ver o filme sem ler o livro e vi... Chorei! Chorei como há muito tempo não chorava a ver um filme. E depois dessa vez, vi-o mais umas quantas vezes, chorando outras tantas sem nunca me aborrecer. Tinha de ler o livro! Aproveitei uma promoção na Wook e, assim, fiz a minha última compra de 2019. 

Já desconfiava que seria uma leitura fenomenal, por isso escolhi-o para primeira leitura do ano. Foi uma leitura avassaladora. Dei por mim a ler e a saber os diálogos de cor! Ver o filme tantas vezes permitiu que muitas conversas entre Lou e Will ficassem gravadas em mim. Melhor ainda era quando o diálogo que sabia do filme era enriquecido de uma forma que apenas o livro o permite. Foram boas surpresas que se traduziram em momentos de genuíno sorriso! Acredito que as histórias precisam de tempo para crescer e, geralmente, o cinema não consegue ter tanto tempo para que isso aconteça. Assim, no livro os diálogos ganharam uma profundidade diferente e no meu imaginário as cenas ganhavam forma, cor e som. Foi impossível ler e não associar os nomes às caras que tão bem conhecia do filme. 

"Viver depois de ti" é a história de Louisa Clark e de Will. Dois jovens que olham para a vida de forma distinta, mas que por vicissitudes da vida acabam nas mãos um do outro. É uma narrativa cheia de um positivismo muito clarkeniano. As cores e o movimento alegre e descomplicado nascem da vivacidade uma jovem simples. A todo este brilho junta-se o humor negro e inteligente de Will. E desta combinação nasceu em mim o amor, o riso e as lágrimas. 
Foi uma leitura tão boa que quero guardá-la em mim por muito e muito tempo. É um daqueles happy places onde gosto de levar a mente em dias menos positivos. Apesar de todos os contornos dolorosos que caracterizam este livro, considero que todo o processo no qual as personagens vivem e crescem deixa uma mensagem importante onde a vida, o respeito pelo próximo, o amor verdadeiro e a amizade cabem num espaço comum. Espaço esse cheio de dúvidas, de incertezas e de decisões difíceis. É um livro cheio de humanismo e onde as relações humanas estão construídas de uma forma que pareciam reais, com pessoas que conhecia e observava à distância.  

Há uma grande proximidade ente o livro e o filme. Tirando o facto esperado de que o livro consegue uma maior profundidade nos diálogos e nas relações que se constroem, na minha opinião há um aspeto divergente que me saltou ao olhos. Há uma personagem que o filme denegriu demasiado. Patrick, o namorado de Lou, é muito idiota no filme. Acho que a forma como ele surge no livro é mais realista (no filme assume uma postura exageradamente aparvalhada). 

Nem sei o que fazer em relação à continuação. Fiquei com memórias tão boas deste livro que tenho receio de me desencantar com a Lou. Na minha cabeça, a Lou conseguiu ir mais além na sua vida. Conseguiu ser feliz, realizou sonhos, viveu o amor nas suas mais diversas dimensões e, em todos esses momentos, o Will pairou na sua memória e fez com que o seu coração palpitasse de uma forma especial. Sim, é algo demasiado romanceado! Talvez demasiado irrealista! Talvez esteja carregado de um otimismo exagerado! Mas se a vida nem sempre me oferece isto, será assim tão mau imaginá-lo num livro? Por isso não quero destruir estas boas memórias de uma continuação que eu própria criei. Por outro lado, a curiosidade de descobrir por que caminhos enveredou Lou é demasiado tentadora.

Para quem leu a continuação, acha que vale a pena o investimento?

Nota: Enquanto escrevia opinião só sentia vontade de me perder novamente na leitura deste livro. Não é uma obra prima da literatura, mas detém a sensibilidade necessária para me baralhar as emoções e me deixar presa a ela como se de uma pessoa importante se tratasse. 

21
Jan20

Opinião | "O Clube Mefisto" (Rizzoli & Isles #6) de Tess Gerritsen

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Classificação: 5 Estrelas 

É sempre uma alegria quando chega cá a casa um livro da Tess Gerritsen. E esta alegria é também sempre provocada pela Daniela pois é ela que coleciona os livros desta autora.
Desta vez, e baseando-se na sua experiência de leitura, refreou o meu entusiasmo. Partilhou comigo que não tinha gostado tanto deste livro comparativamente aos livros anteriores da série, pois este aborda menos os aspetos relacionado com as vidas das personagens residentes.
Penso que ela não conhece muito bem este meu lado amante da História e dos seus contornos mais místicos. Algo perfeitamente aceitável se considerarmos que ela conhece muito bem os meus constantes "divórcios" com os livros de fantasia. Porém, aspetos mais místicos relacionados com a História e com as primeiras civilizações são aspetos que despertam o meu interesse. 

"O Clube Mefisto" reúne o melhor dos dois mundos: seres humanos complexos com um comportamento marcado pela psicopatia e os símbolos que só a História pode explicar. Ao longo destas páginas são apresentados e mostrados crimes complexos e que põem cérebro e estômago às voltas. Alucinante e cheio de suspense são bons adjetivos para atribuir a este livro. 
A interpretação simbólica é algo muito presente no livro. Foi extremamente interessante descobrir a a interpretação por detrás de alguns aspetos, assim como ver a Jane perdida e deslocada num grupo onde o místico suplantava a razão lógica das coisas... E a Jane é pura razão e ação! Ela não está preparada para um ritmo mais lento e dado a grandes reflexões. 

A psicopatia, as relações humanas, o divórcio e a crise da meia idade, a maternidade, o elemento novo numa brigada de testosterona explosiva e amor impossível são os temas presentes ao longo do livro. A leitura vai mais além do que o crime e a descoberta da pessoa responsável pelo menos e das suas motivações. Estas personagens têm vivências tão particulares que tornam este livro extremamente rico e complexo. 

Por mim, lia já o seguinte! Daniela, não demores muito a enviar-me o seguinte. 

08
Jan20

Opinião | "O Bairro das Cruzes" de Susana Amaro Velho

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Classificação: 4 Estrelas

Fiquei apaixonada pela escrita da Susana Amaro Velho quando li "As Últimas Linhas Destas Mãos". As emoções fluíram nas palavras e na delicadeza com que contava uma história onde a tristeza  e a relações familiares tinham o papel principal. 
Quando vi que a escritora tinha publicado um novo livro fiquei com imensa curiosidade de o ler. 

"O Bairro das Cruzes" apresenta-nos uma narrativa bastante diferente do livro anterior. Estas páginas guardam uma história de um bairro e das relações complexas que só as famílias sabem desenhar. 
Conhecemos Rosa e Luísa, as nossas duas protagonistas. São primas, unidas por uma amor que só os laços de sangue conseguem explicar. É este parentesco que as torna próximas, já que as personalidades e a forma como olham para o mundo em nada as liga. 
Luísa é perspicaz, ávida por conhecimento e muito ponderada. Rosa gosta dos caminhos fáceis, da aventura e da inconsequência. Vivem numa contexto sociocultural que não favorece o seu desenvolvimento e a ditadura Salazarista e Marcelista suga-lhes a liberdade. Luísa quer ser livre, quer perceber o estado do país. Rosa quer apenas viver bem.

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Ao longo do livro acompanhamos o crescimento da Luísa e da Rosa e vamos conseguindo perceber que existem coisas bem mais complexas que ditam as vidas destas raparigas. 
Sempre estive muito curiosa para acompanhar a evolução destes dois espíritos tão característicos. Queria ser surpreendida, e fui! A Susana apanhou-me na curva da minhas divagações sobre os acontecimentos narrados. 
A forma como esta história termina conseguiu surpreender-me. 

Gostei muito da história, gostei das personagens que se vão entrelaçando na vida da Rosa e da Luísa. Apenas senti de falta de uma maior calma. Senti que a Susana estava com pressa de dar forma à história, não de deu o tempo necessário para tudo crescesse e se materializasse de forma mais coesa. 
À medida que ia lendo senti falta da escrita calma que encontrei no primeiro livro. Há aspetos que mereciam um maior desenvolvimento e o final deveria ser como um bombom que vamos deixando derreter na boca, ou seja, as palavras e os acontecimentos deveriam ter sido servidos de forma mais detalhada e pormenorizada para que eu pudesse ter mais tempo para assimilar a grandiosidade de surpresa que a Susana guardou para fim. Senti que havia ali muita pressa de contar a história, sem lhe dar tempo para amadurecer.
Tal como no livro anterior senti falta de alguma expressividade nos diálogos. É muito texto seguido, narrado... Faltaram-me as emoções, os gestos de raiva e de amor, os olhares cúmplices e sons de repugnância. Precisa que os diálogos me contassem menos a história e me mostrassem mais. Em alguns momentos, senti falta de uma escrita um pouco mais gráfica e expressiva. 

Apesar destes pequenos elementos, este livro solidificou a minha ideia relativamente aos livros e às histórias que a Susana cria. É uma autora portuguesa que merece o nosso apoio.

Uma leitura com o apoio de...

3dd0e8ca2a46ce63f959d3d68b6bb884_L.jpgNota: O livro foi-me disponibilizado pela editora em troca de uma opinião honesta.

06
Jan20

Opinião | "A Fada do Lar" de Sophie Kinsella

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Classificação: 4 Estrelas

Eu tenho aqueles momentos em que preciso de um livro divertido e descontraído. Um livro que me faça rir e esquecer as agruras da vida. Pelo que tenho lido de Sophie Kinsella sinto que ela é uma aposta segura para esses momentos.
Foi na expetativa de me rir um pouco que peguei no livro "A Fada do Lar".  E ri-me... bastante. E também me diverti à grande com a insensatez da Samantha e com o espírito simples e descontraído do Nathaniel.

O livro não é nenhuma obra-prima da literatura. A escrita é simples e o enredo não prima pela complexidade. Tudo neste livro é descomplicado! Contudo, estas páginas guardam aquele tipo de histórias que me apaixonam pela simplicidade que guardam. 
A narrativa está carregada de momentos bem humorados, a maior parte deles protagonizados pela Samantha e pelo casal que a contrata para governanta. 
Porém, o conteúdo também consegue ir um pouco mais longe. Nada que exija processos de pensamento complexo, mas apresenta aquele tipo de situações que me fazem olhar para dentro, para mim própria, para a minha vida e para as minhas aspirações. 

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Eu gostei imenso de conhecer a Samantha. Gostei da inteligência dela. Sofri com o stress dela. Ficava angustiada quando ela teve de tinha de tomar daquelas decisões complicadas e capazes de mudar muitas coisas na vida. Sofria sempre que a Samantha tinha de pegar numa panela para cozinhar. A par do sofrimento vinha a descontração que só aquelas situações mais inusitadas eram capes de provocar. 
Samantha era fogo e vento, Nathaniel era água e brisa, por isso se complementavam de uma forma especial. Ele fez-me sorrir pela doçura e pela simplicidade com que olhava para a vida e para o mundo. Gostei tanto desta personagem masculina. É certo, um pouco idealizada... mas tão doce, tão aquele tipo de pessoas com quem gosto de conviver. Ela era a representação da minha agitação, da minha hiperatividade que me faz andar muitas vezes numa roda vida. 

O livro cumpriu a missão que tinha estabelecido para ele na minha cabeça. Divertiu-me, arrancou-me algumas gargalhadas, fez-me olhar com descontração para a vida e encheu-me de energias positivas.

26
Dez19

Opinião | "Uma Mente Perversa" de Chris Carter (Robert Hunter #6)

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Classificação: 5 Estrelas

O primeiro livro de Chris Carter que li conquistou-me pela forma inteligente com que o autor construiu toda a narrativa. Esta é a minha terceira leitura dos livros do autor e só reforçou todas as minhas primeiras impressões. 

"Uma Mente Perversa" tem uma linha narrativa que torna este livro distinto dos livros anteriores. Mais centrado em interrogatórios e na vida de Robert Hunter, o inspetor chefe. Foi este livro que me permitiu conhecer melhor o homem inteligente que se dedica a investigar e resolver crimes macabros. E gostei tanto de o conhecer. Foi como aceder se descobrisse as camadas que envolvem um daqueles amigos por quem nutrimos um sentimento especial mesmo conhecendo muito pouco da vida privada. 
Ao mesmo tempo que ia "descascando" as fases de vida de Robert o meu coração ia-se apertando um bocadinho mais. Eu sei que é só ficção, mas há algo na forma como Chris Carter escreve os seus livros que faz com que me sinta num mundo real. E, lá no fundo, aquilo que aconteceu ao Robert não é impossível de acontecer.

Ao mesmo tempo que o meu coração se apertava, o estômago deu algumas cambalhotas resultantes de níveis elevados de repugnância relacionados com os crimes que iam sendo apresentados. Tal como os anteriores é um livro muito gráfico e onde conseguimos aceder a particularidades impressionantes. 

A pessoa responsável pelos crimes é-nos apresentada de forma brilhante. Ao contrário dos outros livros, em que me via envolvida por uma teia alucinantes de acontecimentos, este exige uma leitura mais pausada. A densidade emocional que pauta a pessoa responsável pelos crimes e a sua complexidade psicológica convidam a uma leitura mais lenta de forma a ser possível assimilar a imensidão de tudo o que aconteceu. 

Dentro deste género literário, Chris Carter é, para mim, um dos melhores escritores da atualidade. É inteligente nas narrativas que cria, escreve bem e consegue sempre envolver-me nas histórias de uma forma que vai para além daquilo que escreve. 

Nota: Este livro foi-me disponibilizado pela editora em troca de uma opinião honesta.
Leitura com o apoio de...

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23
Dez19

Opinião | "A Nona Vida de Louis Drax" de Liz Jensen

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Classificação: 3 Estrelas

"A Nona Vida de Louis Drax" estava na minha estante há mais de um ano. Gosto de livros com personagens infantis. Gosto de ler narrativas que se centrem em crianças e nas suas famílias. Por estas duas razões eu tinha interesse neste livro e em descobrir o que é que estas páginas me reservavam.

Foi uma leitura um pouco estanha. Os meus sentimentos relativamente àquilo que ia lendo iam mudando. Houve confusão, entusiasmo, desconfiança... mas a minha antipatia para com a mãe do Louis acompanhou-me ao longo de toda a leitura. Não gostei da mulher! Sempre achei que haviam ali aspetos que não estavam bem explicados.
Louis é uma criança com elementos muito particulares. Foi interessante acompanhar o seu papel ao longo do desenvolvimento da narrativa e, no fim, conseguir encaixar tudo aquilo que ele nos foi oferecendo. 

É um livro desconcertante e com uma narrativa negra e emocionalmente pesada. É um livro escrito de forma inteligente e com elementos perturbadores.
Não deixou grandes marcas emocionais em mim. Gostei de ler, mas não teve tanto impacto como eu esperava que tivesse. 

11
Dez19

Opinião | "Até sempre, meu amor" de Lesley Pearse (Ellie #1)

47977270._SY475_.jpgClassificação: 5 Estrelas

Para mim é sempre muito difícil escrever uma opinião a um livro de Lesley Pearse imediatamente após terminar a leitura. Geralmente são livros fortes, com uma intensa carga dramática e que, por isso, exigem um pouco mais de reflexão. No fundo, eu preciso de um tempo para digerir tudo o que vou lendo.
Geralmente são livros que leio de forma muito compulsiva. Este, devido às suas dimensões, teve de ficar em casa (era complicado transporá-lo e lê-lo nos transportes) e só lia à  noite e ao fim-de-semana. Por isso, demorei um bocadinho mais do que é normal a terminar a leitura. 

O que escrever acerta desta história? Tanta coisa! Acima de tudo quero que fiquem com a ideia de que por muito que eu possa escrever sobre ela, nada iguala as emoções que a leitura provoca. Por muito que escreva sobre ele, não há palavras capazes de transmitir toda a imensidão de emoções que estas páginas me ofereceram. Vou tentar partilhar com vocês tudo aquilo de bom que senti nesta leitura. 

Começando pela globalidade da história, os acontecimentos selecionados estão muito bem descritos, com descrições muito gráficas. Foi muito fácil sentir-me no meio do teatro, a vaguear pelos campos e a assistir a um verdadeiro pesadelo da guerra. Há episódios que, para mim, foram bastante dolorosos de se lerem. À medida que caminhei para o fim da história fiquei seriamente angustiada com algumas coisas que aconteceram. Houve ali muitas escolhas difíceis. Verdadeiros dilemas pessoais em que Lesley Pearse fez valer todo o seu talento na elaboração de histórias dramáticas.

Podem esperar uma imensidão de personagens. Apesar de muitas nunca me perdi na história nem nas pessoas a quem os acontecimentos em que iam surgir. São muito fáceis de acompanhar pois estão muito bem caracterizadas.
De entre todas elas, o grande destaque vai para aqueles que influenciam todo o desenrolar da narrativa: Ellie e Bonnie. 

São duas jovens muito diferentes. A forma como me relacionei com as duas variou imenso ao longo da leitura. Senti muito mais dificuldades em empatizar com a Bonnie do que com a Elli. Bonnie é mimada, irresponsável e extremamente caprichosa. Há alturas em que me apetecia bater-lhe por todas as enrascadas em que escolhia meter-se. Apesar de gostar da Elli não compreendia alguma da sua condescendência e da sua falta de capacidade para se individualizar e fugir das coisas que a iriam atirar para um poço de problema. 
Quer Elli , quer Bonni estão muito bem caracterizadas. É esta boa caracterização que me permite desenvolver sentimentos e opiniões muito concretas em relação às personagens. Fico sempre com aquela sensação que as conheço. 

Não é um livro de ação rápida. As coisas demoram o seu tempo a acontecer, mas pessoalmente, não senti a leitura aborrecida nem senti falta de que as coisas avançassem mais depressa. Gostei de saborear os acontecimentos, as escolhas das personagens, os sonhos e os desejos de forma calma e sem pressa de chegar a uma conclusão.

Para quem anda à procura de prendas de Natal, esta por será uma excelente opção para grande parte dos leitores. O facto de ele reunir romance, boa contextualização histórica e drama faz com que possa agradar a grande parte dos leitores. 

 

Nota: Este livro foi-me cedido pela editora em troca de uma opinião honesta. 

Leitura com o apoio...

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18
Nov19

Opinião | "A Noiva do Bastardo" de Sarah MacLean (The Bareknuckle Bastards #1)

A Noiva do Bastardo (The Bareknuckle Bastards, #1)

Classificação: 4 Estrelas

"A Noiva do Bastardo" é o segundo livro de Sarhah MacLean que leio. Tal como aconteceu com o primeiro, este livro conquistou-me logo nas primeiras páginas.
É um livro que se insere no género de Romances de Época com um toque de erotismo. É um livro muito fácil de ler, com muitos momentos de diálogo e com a capacidade de agarrar o leitor logo nas primeiras páginas. Pessoalmente gosto de pegar nestes livros quando preciso de um história bonita, que toque o coração e que me proporcione momentos agradáveis de leitura sem exigir muito do meu poder de reflexão. 
Muitas pessoas pensam que estes livros são "vazios", ou seja, que são livros com histórias que não acrescentam nada ao nível do intelecto. Posso dizer-vos que são ideias erradas! Este em particular mostra-nos o poder das mulheres, a sua luta para integrar um mundo masculino e revela que os homens também podem ser sensíveis, atenciosos e que dão espaço às mulheres para brilhar em atividades onde, geralmente, são os homens que reinam. 

As personagens principais deste livro são a Felicity e o Devil. Como não gostar destes dois? Como ficar indiferente à cumplicidade que os une? A autora tem uma mestria de escrita muito especial que deixa transparecer muito bem as emoções e as relações que ela decidi construir entre as personagens. Através de Devil viajei até ao lado mais negro e sombrio da sociedade. Se estão à espera de encontrar bailes, vestidos cheios de frufrus e encontros para o chá das cinco este livro não é o ideal. Também existem bailes, mas a magia e o interesse da história desenvolvida neste livro situa-se no pólo oposto da sociedade. Onde o chá é substituido por Brandy e os vestidos têm de ser suficientemente práticos para subir telhados. Foi também um livro que me mostrou todas as potencialidades que só uma subida ao telhado pode oferecer. Curiosos(as)? É fácil, agarrem neste livro e descubram.

Eu gosto muito deste género de livros, mas seria incapaz de ler muitos de seguida. São livros positivos, quase sempre acompanhados de finais felizes e onde muitos dos obstáculos são facilmente ultrapassados pelas personagens. Dado este seu carctér feliz e da capacidade que eles têm de me deixar a sonhar, gosto de lê-los com algum espaçamento. Assim não corro o risco de enjoar deste tipo de histórias e não destruo a capacidade que eles têm de me fazerem sonhar.

E desse lado, gostam deste género de livros? O que mais gostam de encontrar nestas histórias? 

Nota: Este livro foi-me disponibilizado pela editora em troca de uma opinião honesta.