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Por detrás das palavras

Por detrás das palavras

18
Mai20

Da complexidade destes dias....

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A última semana foi das piores semanas para mim desde que o confinamento começou.
Eu pertenço ao grupo daqueles que não se está a dar muito bem com o teletrabalho. Se há coisas que acho que funcionam, outras há que me tem deixado extremamente esgotada. 

O facto de não ter um trabalho fixo dificulta as coisas. Senti-me "atacada" por diferentes frentes com prazos apertados e com reuniões online que só atrasam mais os processos. Foram duas semanas a trabalhar ininterruptamente! Isso esgota, aumenta a frustração de quem vive na incerteza e deixou-me com uma certa aversão ao computador. 

A vida online não é fácil. Reuniões que se estendem por muitas horas, vários pedidos em simultâneo, tarefas atrás de tarefas. 
Inicio uma semana de exercício físico diário, para na semana a seguir nem a conseguir cumprir porque mesmo depois do jantar tenho que aqui vir. 

Às vezes pergunto-me se a culpa é minha e que não sei gerir um horário de forma decente. Outras vezes sinto o peso de um emprego incerto e instável. Outras vezes é apenas a tristeza de não me encontrar numa posição mais confortável e que me possibilitasse fazer outras coisas.

Por isso, durante a quarentena li pouco! Sempre que apanhava algum tempo livre era mais fácil passá-lo em frente à televisão a ver um filme ou uma série.
O país, aos poucos, vai saindo da sua hibernação. Nada será como antes. É certo que temos de aprender a lidar com vírus, pois este confinamento a longo prazo torna-se insustentável. 

A ver se esta semana consigo fazer publicações mais regulares.

11
Mai20

Por detrás da tela | "Éramos seis" (2019)

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Tenho um amor especial por telenovelas brasileiras. Fico quase sempre rendida às histórias, à forma como o enredo é desenvolvido e pelas interpretações magníficas. 
Comparativamente às produções portuguesas, as novelas brasileiras não enrolam os acontecimentos nem fazem prolongamentos desnecessários. 
Mais recentemente tenho desenvolvido um gosto particular pelas novelas de época. A última que assisti de forma mais assídua foi "Éramos seis".

"Éramos seis" é uma novela que conta com diversas versões (a mais recente passou na televisão entre 2019 e 2020) e teve como inspiração o livro com o mesmo nome que foi escrito por Maria José Dupré. 
A novela centra-se na família de Lola. Conhecemos a família na década de 20 e acompanhamos a sua vida até à década de 40. 
Lola é interpretada de forma brilhante pela atriz Glória Pires. Ela é o grande pilar da família, que luta por uma vida melhor para os seus e que não desiste perante as  adversidades que se vê obrigada a enfrentar. 
Júlio, marido de Lola, representa a ambição desmedida. Um homem que personifica a frustração perante a vida e que tem muitos altos e baixos. Tanto consegui ter pena dela, como facilmente me irritava. 

Os filhos do casal protagonizam personalidades muito diversas. Nessa diversidade reside o interesse em acompanhá-los, descobrindo as suas escolhas, a sua postura perante a vida e a forma como enfrentam os problemas que a vida lhes coloca.

É óbvio que a novela possui enredos paralelos. A doença mental, o feminismo e a instabilidade política são outros assuntos muito bem retratados ao longo de algumas fases da novela. 
Quero destacar a forma como foi abordada a questão da doença mental.

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Justina tinha um problema mental e sofria com o desconhecimento de tratamentos que a ajudassem a ter uma melhor qualidade de vida. Porém, numa outra fase da novela esses tratamentos aparecem. O enredo vai mais além e apresenta todos os preconceitos associados quer à doença, quer aos tratamentos. 

O divórcio era, no anos 20 e 30, um tabu. Um condição que não beneficiava em nada as mulheres e comprometiam o futuro relacional dos homens que optavam por sair de um casamento infeliz.  
Este é outro tema a dar um toque especial à novela. 
Almeida é um homem divorciado que se apaixona por Clotilde. Esta paixão é correspondida, mas Clotilde sonha com um casamento tradicional. 

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A ligação que os dois atores criaram foi mágica. A relação foi conduzida de forma muito equilibrada. Os momentos mais dolorosos encaixaram na perfeição nos momentos felizes criados. Clotilde ofereceu-me um dos momentos mais intensos ao longo de toda a novela. O acontecimento a que me refiro acontece numa fase final da novela e é absorvente e emocionante.
Os diálogos entre estas duas personagens são daqueles que apelam ao lado emocional do telespetador.

Gostam de telenovelas? O que é que gostam de ver?

21
Mar20

Ausência e Dia Mundial da Poesia

O Mundo mudou e eu tive que mudar com ele. E em todo este processo de mudança a vontade de escrever, de ler, de partilhar coisas com vocês desapareceu. 
Têm sido dias complicados, exigentes e marcados por alguma tristeza. Nunca pensei presenciar tal situação enquanto fosse viva. 
Não me angustia ficar em casa. Eu adoro estar em casa! Porém sinto falta de algumas das minhas rotinas profissionais e do impacto de toda mudança profissional na minha saúde financeira. Mas quero acreditar que vai correr tudo bem e, enquanto tiver saúde, tudo se encaminhará. 

São tempos de mudanças, de olhar para dentro de nós e redescobrir a calma, o sossego e a liberdade mental. A nossa capacidade de imaginação e da criatividade são infinitas e nada melhor do que este isolamento para a colocar em prática. 

Foi duro criar novas rotinas, dar resposta a novos desafios e sofrer ao ver o quanto o Portugal do interior não tem literacia digital. Para os pais aqui da minha zona tem sido uma dor de cabeça este acompanhamento escolar online. Sei de meninos que não têm computador e/ou internet. Estou a falar de um aldeia onde há pais sem a escolaridade mínima obrigatória. Pais pouco sensíveis às diferentes formas de aprender. Isto tem-se sugado um pouco a energia, mas as coisas começam a orientar-se. Estou com receio de como será o terceiro período, mas eu acredito na capacidade de aprendizagem do ser humano e sei que tudo ficará bem. 

Hoje tinha de vir aqui escrever qualquer coisa. Partilhar algo positivo e bonito! E nada melhor que poesia. A poesia é um verdadeiro alimento intelectual. Hoje é o Dia Mundial da Poesia e quero partilhar com vocês um dos meus poemas preferidos. É daqueles poemas que leio em busca de conforto, de esperança, de energia para enfrentar o mundo. 

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O poema da imagem foi escrito por Miguel Torga. Gosto muito da poesia de Torga. Ainda tenho muito para conhecer deste escritor português, mas o que conheço gosto muito. 
Este poema acaba por ser especial para mim. Numa altura menos feliz deste meu percurso, uma amiga ligou-me, leu-me este poema e falou-me da forma como ele a inspirava. E a partir dessa altura passou a inspirar-me também. 

Daqui a umas semanas recomeçaremos, espero que sem angústias e com menos a pressa do antigamente. Quando as notícias forem boas e nos libertem desta pandemia, este será o poema que irei ler na primeira manhã em que poderei sair à rua sem medo de trazer elementos indesejáveis para casa. 

Fica aqui, também, a minha participação no desafio da Alexandra e mostro a minha letra ao mundo digital. Já venho um bocadinho tarde, mas acho que ainda a tempo. 

31
Dez19

Sê bem-vindo 2020

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Costumo dedicar o último post do ano a uma reflexão sobre o que termina. Hoje não só faço ao ano que termina como ao encerramento de uma década. 
Quando leio post antigos reconheço neles uma tristeza e um tom depressivo que, felizmente, hoje já não me acompanha com tanta intensidade. Isto talvez se deva ao facto de em 2019 eu ter conseguido desenvolver-me emocionalmente e aceitar as coisas tal como elas são. Tudo à minha volta pode não estar no ponto que eu gostaria, posso ainda não ter atingido um conjunto de objetivos que façam sentir realizada, mas passei a aceitar melhor a minha condição de vida e a mentalizar-me que as coisas nem sempre têm de correr como idealizamos. 

É claro que também existiram melhorias ao nível de algumas áreas da minha vida que hoje me deixam mais serena e com maior esperança de que as coisas hão-de começar a alinhar-se.

Janeiro de 2019 será sempre recordado como o mês em que me livrei da tese de doutoramento. Dia 31 de janeiro entreguei na reitoria da Universidade aquilo que me consumiu a alma e o espírito nos últimos quatro anos. Em julho encerrei finalmente esta etapa. O dia da defesa também ficará para sempre marcado na minha memória. O sentimento de realização pessoal foi (e ainda é) enorme. Fazer um doutoramento é uma travessia dolorosa e muito desafiante, mas cresci imenso enquanto pessoa e enquanto profissional. 

Assim, nesta década terminei um mestrado integrado, fiz estágio profissional, fiquei desempregada, terminei um doutoramento, trabalhei em coisas diferentes da minha área de formação e desesperei imenso por sentir que a vida gosta de me trocar as voltas e me obriga sempre a ter que lutar imenso pelas coisas. Dei aulas no ensino universitários e gostei mais do que aquilo que estava à espera. Agarrei projetos de investigação por gosto pessoal e para crescimento profissional. Ganhei pessoas novas na minha vida e fui perdendo outras. 

Criei expetativas erradas com o doutoramento. Pensei que assim que terminasse surgissem mais oportunidades. Infelizmente não é algo assim tão instantâneo. Já me surgiram novas oportunidades e, aos poucos, quero acreditar que me poderei dedicar inteiramente a fazer algo ligado à minha área profissional. Até lá vou continuando com o que me vai surgindo.

Apesar de tudo sinto-me suficientemente serena para aceitar aquilo que não posso mudar e com força para lutar pelos meus objetivos. Espero que em 2020 os ventos fracos de mudança que sopraram por estes lados se intensifiquem e façam a minha vida girar. 

Quanto blog espero ter disponibilidade mental para continuar e criatividade suficiente para gerar novo conteúdo. 

A todos os que estão desse lado faço votos de que iniciam esta nova década da melhor forma possível. Que 2020 seja repleto de boas oportunidades e com a capacidade de vos oferecer momentos muito felizes. Que seja um ano de resoluções pessoais e profissionais. 

Obrigada por estarem desse lado e por todo o carinho que me oferecem! 

09
Nov19

Agora por aqui...

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Já andava a "namorar" a plataforma da Sapo há algum tempo. Era seguidora de alguns blogs alojados aqui e depois de iniciar o desafio de escrita dos pássaros senti que fazia sentido mudar-me para esta plataforma e dedicar-me a um novo  recomeço, numa nova casa.

9 de Novembro é uma data simbólica (para além de ser um título de um dos meus livros preferido). Precisamente neste dia, há 7 anos atrás dava início a uma nova fase de vida que foi cheia de incertezas. Vivi situações menos boas e durante muito tempo vivi alimentei-me das energias negativas que guardei entre 2011 e 2012 e que culminaram no acontecimento deste dia. 

Hoje já não as alimento tanto, consegui assimilar tudo o que aconteceu e remeter para um espaço longínquo da minha memória. Mas isso só acontece este ano, por isso, fez-me sentido assinalar a minha mudança interior com outra mudança. 

Fico à vossa espera... agora por aqui.

 

22
Set19

Por detrás das palavras | Aniversário


Hoje o blog faz 8 anos... 
Este foi um dos anos em que mais pensei em deixar de escrever no blog. Acho que o cansaço estava a levar o melhor de mim. Para além disso, os blogs deixaram de ser tão atratativos a grande parte dos internautas. Apesar de gostar de escrever para mim, de gostar de registar as minhas leituras e o que vou fazendo, apesar de adorar escrever sobre tudo e sobre nada é importante que outras pessoas gostem de ler o que aqui vou colocando, que gostem de passar por aqui (assim como existem outros blogs que vou acompanhando e comentando mais raramente). 

Mas aguentei, e estou feliz por aqui continuar. 
Quero agradecer a todas as pessoas que gostam de ler as minhas opiniões literárias e cinematográficas (são sempre verdadeiras e espelham aquilo que realmente senti com a leitura), que gostam de ler os meus devaneios e que me vão acompanhando por aqui. 

Quero agradecer à Daniela do blog Quando se abre um livro pela presença constante e que vai muito além do blog. Quando pensava em deixar de escrever por aqui, lembrava-me sempre dela e da sua opinião relativamente ao blog constituir uma excelente forma de atividade mental e de nos envolver e motivar para alguma coisa. 

Quero agradecer à Asa, à Coolbooks, à Porto Editora, à Quinta Essência e à Topseller por me disponibilizarem novidades literárias para ler e divulgar de forma honestas e sincera. Sem vocês seria muito mais difícil aceder a novos livros e a novos autores. 

Espero continuar a ter energia para continuar a escrever por aqui. 
Venham, pelo menos, mais oito. 
05
Ago19

Pessoal | Nunca estamos preparados para dizer adeus...


14 de Outubro de 2004  -  2 de Agosto de 2019

Em Novembro do ano passado, o meu companheiro de quatro patas pregou-me um enorme susto. A sensação de perda eminente foi horrível. Cheguei a dar-lhe a medicação e alimentá-lo com uma seringa. Com alguma dedicação consegui que ele arrebitasse. 

Ganhei esperança... Muita esperança. Passou o Natal e, para mim, aquele não seria o último. Ele era resistente e iria permanecer mais uns anos.
Fui demasiado otimista... De um dia para o outro, vi o meu cão idoso com alguma vitalidade a perder o equilíbrio, a voltar a ter convulsões. É horrível assistir ao sofrimento de um animal, porque ele não consegue verbalizar o que sente. O meu coração simplesmente ficou apertado. Foram dias maus. Ele esteve internado e voltou a casa, mas nesse mesmo dia ele ficou em estado vegetativo e em grande sofrimento. Foi o momento de deixar de ser egoísta e optar pela eutanásia. 

Chorei imenso. Chorei porque não consegui viver os últimos dias dele com qualidade. Chorei porque até para receber a eutanásia teve de sofrer um pouco. É muito doloroso perder um companheiro que esteve tantos anos comigo.
É triste abrir a porta e não o ter ali a dormir a suas sestas. É um vazio enorme não ouvir o ladrar dele, nem o som das patinhas dele a andar pela tijoleira. É sentir que às refeições falta ali alguém, porque ele acompanhava-nos sempre enquanto almoçávamos ou jantávamos. 

Ainda me lembro muito dele. Foi uma presença muito grande na minha vida. Quando estudava fora e vinha passar os fins-de-semana a casa, ele ficava imensamente feliz. No Inverno adorava ficar no sofá comigo enquanto via um filme. Passou muitas horas deitado e sentado ao meu lado enquanto eu lutava contra os demónios da tese de doutoramento. E há duas semanas, quando cheguei completamente exausta da defesa ele sentou-se ao meu lado para que eu lhe pudesse acariciar o pêlo e relaxar. 
Jamais vou esquecer a forma como ele se deitava ao meu lado quando, em 2012, eu chegava a casa do trabalho e só chorava de frustração perante a exploração a que estava sujeita. Nos meus dias tristes ele simplesmente ficou ali, ao me lado, sem exigir nada. 
Também me mordeu algumas vezes. Era um ser muito temperamental e nem sempre muito sociável. Era o estilo dele, e eu só tinha de o tentar respeitar. Apenas o desrespeitava quando o tinha de escovar, dar banho e cortar algumas partes do pêlo que estivessem num estado deplorável. 

Durante dos dois primeiros anos de vida foi um traquinas. Tanto nos rimos à custa das tropelias dele e da sua necessidade em levar tudo o que apanhava para a sua cama. 
Há três anos foi ele que descobriu onde estava a Pipoca, a nossa agapone, que fugiu da sua gaiola e foi parar no meio da erva. Ele viu-a a voar e levou-nos até ela. 
Foi o meu primeiro cão. Aquele por quem fui responsável e a quem dei todo o amor que tinha. Dele recebi muito mais do que aquilo que lhe dei. Faz-me falta. Foram quase 15 de anos de muitos e bons momentos. Doeu imenso vê-lo agonizar e partir. Dadas as alterações neurológicas, a veterinária desconfia que ele tinha um tumor no cérebro. 

Não sei se conseguirei ter outro cão. Ainda não há espaço emocional para acolher outro. 
A Riscas, a gatinha que está na fotografia, ainda hoje entrou em casa a miar. Era a forma dela de chamar pelo amigo. Esta gata pertencia a uma vizinha que se mudou para umas ruas mais à frente. Vieram buscar a gata três vezes, mas ela acabava sempre por voltar para aqui. Acabamos por acolhê-la e ela construiu a sua amizade. Ela tem ajudado a preencher um pouco o vazio deixado pelo Tico...

Quero acreditar que ele foi para sítio melhor... Talvez esteja a correr pelos campos verdejantes e fazer amigos entre os gatos que por lá andam (ele sempre gostou mais de gatos do que de outros cães). Quero acreditar que, onde quer que ele esteja, esteja em paz... 
14
Jun19

Em que é que me vou meter no próximo Verão...

Este ano ando muito fraca de leituras. Ando a ler muito pouco comparativamente a anos anteriores. Não é algo que seja anormal tendo em conta todos os desafios que este ano me tem apresentado. Mas continuo a ler, a um ritmo mais lento, super atrasada no desafio do Goordreads... Porém é sem pressão.

Chega-se ao verão e são sempre vários os desafios que surgem e a vontade mora por aqui. Também mora um pouco a saudade de outros tempos... Tempos em que tinha disponibilidade mental e temporal para criar aventuras com a minha parceira Catarina. Em 2014 fiz o meu primeiro Bingo! Eu e a Catarina organizávamos as Maratonas Viagens (In)Esperadas e em Agosto fizemos algo especial.


A vida dá algumas voltas e somos forçados a deixar algumas coisas de lado. A Catarina deixou a blogoesfera (tenho saudades de a acompanhar) e eu cá continuei, mas sem disponibilidade para me meter em algo assim.

Por isso é sempre bom ver outras pessoas a usar a sua criatividade e a criar conteúdo para nos entreter durante o verão :)

Para ver se me ponho a ler com mais afinco, decidi que este verão iria:
1) Participar numa maratona;
2) Voltar a participar no Bingo Leituras ao Sol dinamizado pela Isa e pela Tita

A maratona é dinamizada pela Carla e há um grupo no Goodreads para irmos partilhando as nossas leituras. 

O Bingo tem novas categorias e há um grupo no Facebook.

Não irei fazer nenhuma lista. Nem para a maratona, nem para o bingo. Vou lendo à medida dos meus gostos e das minhas necessidades. Para a maratona contam apenas as páginas, para o bingo foi encaixando as leituras nas categorias. 

Em Setembro, em jeito de balanço, irei responder à Tag que eu e a Catarina criamos em 2014: Leituras com Sabor a Verão


  • Sol: qual o livro que brilhou mais nesta maratona (livro preferido) 
  • Escaldão: qual o livro que te deixou cheia de arrependimentos (livro que menos gostaste) -
  • Gelado: qual o autor cuja escrita te deliciou 
  • Bóias: qual o livro que foi custoso de ler mas que conseguiste terminar
  • Piscina: Qual foi a leitura leve e refrescante 
  • Picnic: Quais as personagens com as quais gostarias de passar tempo 
10
Jun19

Pilha Lusa


Hoje, dia 10 de Junho, assinala-se o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. De forma a assinalar este dia decidi partilhar com vocês a pilha de livros de autores nacionais que estão na minha estante ainda por ler. 

1. A Rainha Perfeitíssima, Paula Veiga
Um livro de um género que cada vez mais tem vindo a ganhar a minha simpatia. Ler livros históricos ou de época tem-se tornado um enorme prazer. Tenho algum receio de ler este dado a algumas críticas menos positivas que já li em relação ao mesmo.

2. A Estranha Ordem das Coisas, António Damásio
Recebi este livro o ano passado, no meu aniversário. É um livro de não ficção de um talentoso cientista. 

3. À Espera de Moby Dick, Nuno Amado
A Cláudia do blog/canal A Mulher que Ama Livros partilhou uma opinião extremamente positiva relativamente a este livro. Estou com bastante curiosidade para ver o que estas páginas me reservam.

4. Ensaio Sobre a Cegueira, José Saramago
Ganhei coragem e trouxe um livro de Saramago da biblioteca. Até ao momento li um pequeno conto do escritor e gostei muito. Sempre tive alguns receios em ler este autor e por isso sempre fui protelando as leituras para um depois que nunca mais chegava. Dada a experiência favorável do ano anterior não posso deixar de conhecer outras obras deste escritor português.

5. A Filha do Barão, Célia Correia Loureiro
A escrita da Célia transborda sensibilidade. O que li dela até agora nunca me foi indiferente. Preciso imenso de ler este para fazer uma nova leitura do livro que irei mostrar em seguida. Só ainda não lhe peguei porque ainda não encerrei o capítulo Tese de Doutoramento na minha vida. Quero ter total disponibilidade mental para abraçar este livro, por isso acho que em Agosto chegará a vez dele.

6. Uma Mulher Respeitável, Célia Correia Loureiro
Fui leitora beta deste livro em 2015 se a memória não me está a trair uma partida. Já pouco me resta dele na memória e quero lê-lo novamente para escrever uma opinião consistente. Porém quero ler o seu antecessor, mesmo sendo possível ler este sem o anterior. Nada afetará a vossa compreensão deste livro caso não tenham lido A Filha do Barão, mas desta vez quero obedecer à ordem de publicação.

7. O Ano da Dançarina, Carla M. Soares
Já li três livros da Carla M. Soares. Até ao momento o que menos gostei foi Limões na Madrugada, porém são sempre boas experiências as leituras de livros desta autora. Aliada a histórias bem construídas temos uma escrita simples, cuidada e bonita. Por isso, é uma autora portuguesa que recomendo e que deveria ter mais espaço no mundo virtual que se dedica à leitura de livros. 
24
Mai19

Dia do Autor Português | Os escritores portugueses da minha vida


Dia 22 de Maio é o dia do Autor Português. Nem sempre os escritores portugueses têm o destaque que merecem da nossa parte. Muitas vezes somos absorvidos pelas novidades literárias que nos chegam de outras paragens, impedindo que os livros de autores nacionais cheguem à nossa mesinha de cabeceira e nos ofereçam o privilegio de conhecer as boas histórias que por aqui se escrevem.

Eu gosto de ler autores portugueses e considero-mo aventureira no que respeita a conhecer novos autores. Porém, desde muito cedo que os escritores portugueses fazem parte da minha vida, estando associados a memórias boas ou menos boas. 

O meu primeiro contacto com escritores portugueses aconteceu ainda na escola primária. Graças à biblioteca itinerante tive a oportunidade de ler diversos livros da coleção Uma aventura. Viver numa aldeia nem sempre facilita o nosso acesso aos livros. Há alguns anos atrás eu não ia à cidade sem acompanhamento e os meus pais não estavam muito direcionados nem interessado com a leitura. Uma forma de aproximar as crianças dos livros eram as visitas mensais de uma carrinha que vinha com alguns livros para que pudéssemos escolher.  

Andava eu no 2º ciclo quando me cruzei a primeira vez com os livros de Sophia de Mello Breyner Andresen. Foi paixão à primeira história e ainda hoje sinto um carinho especial por aquela fada que achava difícil a vida dos humanos porque não tinham asas para voar por cima dos problemas. Ainda hoje A Fada Oriana habita a minha estante e são muitas as vezes que o empresto aos miúdos para que possam conhecer esta história. Foi um livro que me marcou, assim como todos os livros que li dela. O Cavaleiro da Dinamarca, A Menina do Mar, A árvore, Histórias da Terra e do Mar... Tantas histórias e todas elas com personagens especiais. Não tenho todos os livros infantis desta escritora, mas um dos meus objetivos a longo prazo é reunir na minha estante todos eles. 
Mais tarde conheci outra faceta desta mulher e vi-me a viajar pelos os versos com que ela desfiava os assuntos que lhe agitavam o coração. Fui uma adolescente que consumiu bastante poesia e muitos dos poemas desta escritora tornaram-se especiais. O meu exame nacional de 12º ano de Português B foi uma homenagem ao seu trabalho enquanto poeta. O meu professor alertou-nos na altura que, muitas vezes, uma forma de homenagear um escritor falecido eram os exames nacionais. Assim, ela faleceu em 2004 e em 2005 é um poema dela que aparece no exame.
Dois outros dois livros que me acompanharam nesta etapa da vida foram O Mundo em que Vive de Ilse Losa e Ulisses de Maria Alberta Menéres. Duas histórias que também gostei muito de ler, mas que muitos dos pormenores já não os tenho na minha memória.


Quando fiz 13 anos recebi como prenda de aniversário A Lua de Joana. Foi a minha primeira leitura compulsiva e um livro que reli muitas vezes. Assim, Maria Teresa Maia Gonzalez foi a primeira escritora capaz de me fazer chorar com um livro e que me fez desafiar a hora de dormir. Os olhos de adolescente tornaram este livro especial. Nunca mais o reli, mas é daqueles que não quero reler porque sinto que a minha visão adulta iria estragar o que ficou da leitura naquela época.


O secundário foi um período particularmente difícil para mim. Não fiz amizades, tive muita dificuldade em integrar-me na turma e numa escola nova. Foram três anos de grandes sacrifícios emocionais  e de muito isolamento. Salvavam-me as leituras. Foram duas das leituras obrigatórias que me fizeram vibrar. É certo que ter um professor de português apaixonado pelas obras que apresenta facilita o nosso próprio envolvimento com os livros que lemos. Desta forma Os Maias de Eça de Queirós e Aparição de Virgílio Ferreira tornaram-se dois livros especiais e dos quais guardo excelentes experiências de leitura.

Ainda durante o secundário tive a oportunidade de me apaixonar pela poesia. Para além de Sophia de Mello Breyner Andresen, foi um desafio analisar a poesia de Fernando Pessoa e um sofrimento ler Florbela Espanca, porém ainda hoje gosto de pegar nos poemas deles. 

Durante os anos em que estive na universidade não li quase nada, mas depois a leitura regressou em força. Dos livros de autores nacionais, li muitos livros de José Rodrigues dos Santos e os de Tiago Rebelo que estavam na biblioteca. Em 2011, depois de muito andar pela internet a ler opiniões ao livros aventurei-me e criei este blog. E a partir daqui inicie uma das melhores experiência da minha vida enquanto leitora: as leituras beta.


Fiz mais de 10 leituras beta e para diferentes escritores portugueses. Ajudei no que me foi possível e fico sempre orgulhosa por ver os livros a ganharem vida. Esta experiência mudou o meu olhar enquanto leitora e ofereceu-me uma visão mais crítica perante os livros que leio. 
Acreditem que desfiar o trabalho de outras pessoas não é uma tarefa fácil. Há muita entrega e dedicação na escrita do livro e é muito complicado oferecer uma visão sincera sem ferir os sentimentos de quem deu tanto de si a um projeto. 
Não tenho feito leituras beta. Estive mais ativa entre 2012 e 2015. Os pedidos cessaram e havia uma tese de doutoramento que precisava de ver a luz do dia. A tese já viu a luz do dia, mas ainda está na "incubadora" à espera da data da defesa. Por este motivo, também não tenho muita disponibilidade mental para este tipo de leituras (até as minhas rotinas de leitura diária se têm ressentido).  

Das minhas leituras recentes guardo muitas obras de escritores nacionais no coração. O Escultor  da Carina Rosa foi dos livros mais trabalhosos que tive enquanto leitora beta, mas a satisfação de o ver publicado foi enorme. A Chama ao Vento de Carla M. Soares foi lido numa altura muito complicada. Empatizei muito com a personagem principal porque também a minha luz interior se tinha apagado. O Espião Português de Nuno Nepomoceno, apesar de não ter sido uma leitura fenomenal fez-me sentir orgulho pelo bom trabalho que os escritores portugueses se preocupam em apresentar. Perguntem a Sarah Gross de João Pinto Coelho deixou-me, há um ano atrás, com uma das maiores ressacas literárias de que tenho memória. Maresia e Fortuna de Andreia Ferreira foi uma excelente viagem a um lado mais negro da escrita e, apesar de faltar alguma emotividade à escrita, temos uma história de contornos negros e bem escrita. O Funeral da Nossa Mãe, escrito pela Célia Loureiro, foi uma leitura intensa e com uma história que me ficará na memória. Foi um livro que recebi pelo Natal, num Natal um pouco triste. Mas nunca mais me esquecerei de como me alegrou abrir aquela embalagem e descobrir um livro que tanto queria ler. Inês de Maria João Fialho Gouveia foi dos melhores romances históricos que já li. As Últimas Linhas destas Mãos de Susana Amaro Velho trouxe-me uma histórica bem escrita que me inundou de sensibilidade e, mais uma vez, me fez sentir orgulho pelo talento nacional. Equador de Miguel Sousa Tavares preencheu-me os dias vazios numa altura em que sentia um pouco perdida em relação ao futuro. A Filha do Capitão de José Rodrigues dos Santos foi a minha primeira leitura conjunta e fez-me adorar a experiência de partilhar o entusiasmo pelas personagens e pela história com outra pessoa que estava sentir o mesmo. 

Estes são apenas alguns dos livros mais recentes que me ficaram na memória e que trazem sentimentos associados. Foram muitas as leituras lusas que fiz ao longo dos anos e muitas delas depois de me lançar aqui neste mundo. 
Sei que ainda tenho muitos livros nacionais para descobrir e para ler... Num futuro próximo espero ler os seguintes...


Partilhem comigo uma memória vossa associada a uma leitura lusitana... 
08
Mar19

Dia Internacional da Mulher


13 é o número de mulheres vítimas de violência doméstica em Portugal só nos três primeiros meses de 2019. E isto são as vítimas noticiadas e conhecidas. Quantos suicídios são o resultado de exaustão emocional e física sentidos pelas vítimas. E estas nem sempre entram nas estatísticas. 

Adicionando a este número de mulheres a quem a vida é retirada, ainda temos de considerar as vítimas indiretas. Quantas crianças se veem órfãs de pai e mãe (a mãe que morre e o pai que fica preso ou não o sendo não reúne condições para cuidar delas)? Como fica a família alargada perante esta tragédia?

Nada contra para com as mulheres que decidem celebrar este dia com almoços ou jantares especiais. Contudo, enquanto muitas mulheres estão em restaurantes a rir, a comer, a divertir-se algures no país há uma jovem que deixa o seu namorado aceder ao seu telemóvel e controlar aquilo que veste, há uma mulher a ser chamada de incompetente, há uma mulher cansada porque trabalhou horas mais e pelas quais não vai receber compensação, há uma mulher a ser agredida fisicamente... Enquanto muitas festejam este dia sem conhecerem o seu verdadeiro significado algures no mundo há mulheres impedidas de estudar, de ter um trabalho digno, de tirar carta de condução. E, em todo o mundo, encontramos mulheres a desempenhar as mesmas funções do que um homem, mas com um salário menor. 

Acho que este dia não deveria ser ocupado por palavras ocos ou por gestos ocasionais. Não deveria ser apenas um dia para as mulheres se juntarem e festejar, mesmo que depois ao longo do ano sintam prazer em atacar a sua semelhante. Deveria ser um dia para que cada mulher pudesse fazer valer os seus direitos, soubesse o verdadeiro significado de solidariedade e refletisse sobre o seu papel na sociedade e enquanto agende de educação das gerações mais novas.

Sim, acho que a violência doméstica/ conjugal acontece porque não há educação para a cidadania, para o respeito ao outro e, acima de tudo, há uma enorme falta de empatia para com qualquer outro ser vivo, humano ou animal.

Que em cada dia do ano, possamos celebrar os direitos conquistados não deixando de lutar por aqueles que ainda se encontram esquecidos nos meandros de uma sociedade machista. Que todos os dias sejam transmitidos valores, por homens e por mulheres, que dignifiquem a mulher e que condenem qualquer ato de violência. Que homens e mulheres partilhem responsabilidades, direitos e deveres. Que homens e mulheres se respeitem. Que desde cedo as crianças aprendam a preservar a sua intimidade e a sua integridade física e emocional. Que conheçam o verdadeiro valor de um "não", que digam "sim" convicto e autoconfiante e que jamais tenham medo de dizer "basta". 
31
Dez18

De 2018 a 2019


Sinto que este ano passou demasiado depressa. O tempo correu e eu senti-me numa corrida a contra relógio contra os dias, as semanas e os meses que iam passando por mim. 
Em 2018 vi pessoas com muita vida pela frente a morrerem. Assisti ao declínio físico e emocional como nunca antes tinha assistido. Vi o meu cão envelhecer mais do que aquilo que o meu coração queria e sofri quando quase a morte o roubou do meu colo. Não consegui cumprir um dos grandes objetivos que tinha para 2018. 

Frustração, solidão, tristeza, sentimento de impotência, cansaço físico e mental, sorrisos e lágrimas foram ingredientes muito presentes ao longo deste ano. Eles temperaram os momentos oferecendo um ano dentro do registo a que já me tenho habituado. Apesar disse, acho que aquilo que verdadeiramente mudou foi a forma como passei a olhar para as situações e para as pessoas.

Mesmo não estando num nível pessoal e profissional que queria, não posso deixar de estar agradecida às coisas boas que se foram metendo pelo meio das tempestades e dramas pessoais. Ao longo de 2018 aprendi muito com as minhas sessões para pais. Foram apenas duas experiências, muito diferentes entre elas, mas foram muito importantes para sentir que ainda sou capaz de colocar o meu conhecimento ao nível dos outros. Aprendi imenso sobre estatística e análise de dados. Descobri capacidades que nunca pensei que tinha para lidar com os imprevistos de um trabalho de doutoramento que já teve percalços suficientes para encher cem episódios de uma novela mexicana cheia de drama. Contudo, são os arranhões e as dores causadas no processo que me fazem olhar para o trabalho quase finalizado e a sentir-me grata pela oportunidade de estar a fazer isto. 
Tive a melhor experiência enquanto transmissora de conhecimentos. Sinto-me feliz por ter tido a oportunidade de ter dado algumas aulas a uma turma de mestrado fantástica, com pessoas que sabem alimentar a auto-estima. 
Adorei a oportunidade de estar com alunos do secundário e poder transmitir-lhes as infinitas possibilidades no trabalho com famílias. Foi gratificante partilhar o quanto a intervenção psicossocial pode fazer a diferença nas famílias de uma determinada comunidade.
Continuei a ajudar miúdos na sua árdua tarefa de enfrentarem as guerras nos campos de batalha que são as escolas. Apesar de não amar esta minha faceta, soube aceitá-la e agradecer por poder fazê-la. Sem ela, a minha situação financeira seria bem mais complicada. 
Fiz a minha primeira apresentação em inglês e chorei de frustração. Correu mal e percebi o árduo caminho que ainda preciso de fazer no que toca ao domínio da língua. O nervosismo congelou-me o raciocínio e fez-me morrer de vergonha quando queria comunicar e as palavras não me saiam. 

Não estou financeiramente rica... Longe disso, mas sinto que nunca baixei totalmente os braços. Sinto que não sou a preguiçosa que outros gostam de apregoar. Sei que não sou pessoa que dizem que não trabalha porque não quer. Ou então a pessoas que já teve imensas oportunidades e as recusou. Ou porque a F trabalha lá longe num sítio maravilhoso e até vai de férias para as Maldivas. Hoje em dia, a cada comentário destes que me chega aos ouvidos ou que me é oferecido em conversa, não deixo que ele permanece muito tempo na minha mente a ser processado. Não discuto com quem me oferece entes pequenos presentes ácidos. Aceito e agradeço por saber que por cada comentário destes há um miúdo que me agradece por tudo aquilo em que eu o ajudei, há uma adolescente a pedir para a ajudar a pensar sobre as suas escolhas profissionais, há uma mãe a ligar e a partilhar comigo as angústias de educar um filho... E assim, por cada situação negativa, procuro todas as outras positivas que posso agarrar e agradecer.

Por tudo isto, considero que a minha mudança em 2018 ocorreu internamente. Não é que fique magoada com a forma como as pessoas olham para mim, até porque são aquelas pessoas que mais nos deviam apoiar e incentivar, simplesmente comecei a lidar melhor com essa mágoa. Claro, desliguei-me muito mais dessas pessoas e os meus sentimentos por elas modificaram-se. Aquilo que não quero é deixar-me minar por aquela negatividade que vem sempre associada a estes comentário.
Deixei de mendigar amizade... Quem quer se manter presente, mantém, independentemente de todas as agruras da vida. Assim, houve pessoas que desapareceram da minha vida, outras que se mantiveram, outras que se mantiveram de forma menos intensa e sem eu esperar delas o que não devia e outras que entraram. E é a estas poucas pessoas que escolheram ficar por cá  que vou buscar inspiração. Fiquei super feliz quando soube que a Daniela do blog Quando se abre um livro ganhou um concurso com um conto da sua autoria. Vibrei quando a C. partilhou comigo que parte do seu sonho começada a ganhar forma. O meu coração palpitou de felicidade quando a C.B. recebeu a melhor prenda de 2018 e a dobrar. Suspirei de alívio quando a D. conseguiu ultrapassar uma situação difícil com a R. e partilhei a felicidade dela no momento em que ela me disse que já estava na sua casa nova. Apoiei e incentivei a J. quando ela decidiu que estava na altura de mudar de vida. E continuo a apoiar a decisão dela com a esperança de portas mais felizes se abram para ela. É satisfação enorme continuar a acompanhar a J.N. que, mesmo do outro lado do oceano continua a fazer questão de fazer parte da minha vida e permite que faça parte da dela. É destas grandes pessoas que me devo lembrar e preocupar.  

A única coisa interna que ainda não mudou foi o meu desagrado perante almoços e jantares com muitas pessoas. O meu lado introvertido desorienta-se e só me faz desejar ainda mais pela minha independência total.

No que respeita às leituras, desde 2012 que não lia tão poucos livros. As leituras foram sofrendo um pouco as consequências do stress e cansaço acumulados. Foram algumas ressacas literárias que me deixaram sem grande vontade de me entregar a um livro. Li livros muito maus, mas também tive uns quantos dos quais nunca me irei querer separar. 

Em 2019 quero continuar a aprender a ser mais paciente. Quero muito atingir alguns objetivos, mas sempre com uma visão mais realista e sem alimentar muitas expetativas. Em 2019 vou deixar 2018 para trás com todo o lixo emocional produzido. Apenas quero levar aquilo que me fez bem: as pessoas que gosto, a gratidão pelas coisas boas que me acontecem, a serenidade para conseguir lidar com aquilo que não posso mudar e certeza de que em cada dia tento dar o melhor de mim aos outros e à vida.

A vocês que muito gentilmente me leem (e que aguentaram a leitura até aqui), desejo que 2019 seja um ano em que se sintam bem com vocês próprios. Que neste novo ano que se inicia daqui a umas horas vivam mais momentos felizes do que tristes. Que se realizem pessoal e profissionalmente, deixando espaço para novos objetivos e novos sonhos. 
Em 2019 valorizem as pequenas coisas, as pessoas especiais da vossa vida e guardem réstia de esperança quando tudo vos pareça impossível.
Que o novo ano vos traga amor, saúde, paz, trabalho e bons momentos. 
Conto com vocês desse lado. 
21
Nov18

Pessoal | Um cão idoso e a pouca vontade de passar por aqui


Na semana passada não consegui publicar nada por aqui. Foi uma semana bastante complicada onde me faltou vontade e inspiração até para as tarefas necessárias. Este post é a minha tentativa de me desculpar perante aqueles que me leem e, também, para escrever um pouco sobre a minha experiência com um cão idoso.

O meu cão tem 14 anos, 1 mês e 5 dias. Chegou até mim ainda bebé, portanto faz parte da minha vida tantos anos quantos aqueles que ele tem de vida. Sempre foi um cão ativo, brincalhão e bastante mauzão. Desde há dois anos que começamos a notar algumas diferenças no seu comportamento. Começou a caminhar de forma mais lenta, a dormir mais, a ver e a ouvir mal... Mas ele lá se ia orientando no meio das suas limitações. Até aí ele tinha de ficar preso a correntes, porque atacava as pessoas que entravam aqui em casa. Sempre que possível eu soltava-o e controlava as suas corridas. Desde os primeiros sinais de envelhecimento que ele deixou de estar preso. Anda a solta e já não atacava nem mordia as pessoas como acontecia quando era jovem. 


E assim vivia ele, sempre a solicitar os seus mimos e as suas escapadelas. Até que no fim-de-semana passado me deixou com o coração nas mãos. Nunca tinha presenciado tal situação. Começou por perder o equilíbrio e passou a noite a ganir e a deitar as cadeiras da cozinha ao chão. Via-o completamente desnorteado e com o olhar vazio. Assustei-me e sofri imenso perante a impotência de o colocar melhor. Tentei colocá-lo confortável, acalmá-lo... Ver o estado dele foi horrível e mexeu imenso comigo. 

O que me deixava ainda mais apreensiva era o facto de ser fim-de-semana. Felizmente, consegui um veterinário no domingo de manhã. Ele ficou internado até terça-feira. Inicialmente, o veterinário, pelos sintomas que o meu patudo apresentava, desconfiou que ele tivesse ingerido veneno. Era tudo neurológico. Mais tarde, devido à idade, o diagnóstico passou a ser outro: há a possibilidade de ser epilepsia ou um tumor cerebral. 

Foi algo doloroso ver o meu companheiro de quatro patas regressar a casa. Vinha bastante debilitado, recusava-se a comer e tinha um andar um pouco trôpego. 
Fiquei bastante em baixo com esta situação. Eu sei que é um cão idoso, mas não quero nem lido bem com o sofrimento dele. Tive dias na semana passada em que dormia mal com medo que ele voltasse a ter as mesmas crises. Receei acordar de manhã e de o encontrar morto. A angústia era ainda maior porque ele não se alimentava.

Felizmente, no final da semana, as coisas melhoraram. Ele passou a comer aos poucos e ficar um pouco mais interativo e ativo. 
É um cão que dorme imenso, que deixou de subir escadas, que respira de uma forma mais pesada e que gosta de receber miminhos e de dormir esparramado num sofá ou numa cama. Já não resiste tanto ao banho e tenho uma mobilidade reduzida. Já não consegue saltar para cima das cadeiras como ele gostava, nem para cima da cama. Precisa sempre de uma ajuda humana para conseguir aceder a alguns locais. 

Tudo isto mexeu muito comigo. Foi uma semana em sobressalto. Li pouco, a tese de doutoramento avançou aos soluços e as leituras ficaram num patamar de prioridades ainda mais inferior. Tudo isto ditou o meu afastamento do blog durante a semana passada. Tentarei voltar à regularidade de posts e não deixar este pequeno cantinho ao abandono.
05
Nov18

Visões #4 | Ser introvertida num mundo de extrovertidos(as)

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Não é nada fácil ser uma introvertida e viver no meio de pessoas extrovertidas. Geralmente sou incompreendida, apelidada de bicho do mato/buraco e vocabulário semelhante. Ninguém percebe a minha ansiedade perante encontros com imensa gente, com pessoas que, por vezes, nos são distantes.

Não percebem quando digo que gosto de passear sozinha e de visitar as coisas sozinha. Geralmente ouço "Sozinha! E com quem é que comentas se gostaste, ou não gostaste?". Eu respondo que não preciso de comentar com ninguém o que vi. Não preciso de validar a minha impressão com as impressões dos outros. Eu gosto de contemplar, de absorver e interiorizar. Mas quem é que entende isso?

É desta incompreensão que nascem as críticas, os comentários, palavras que magoam o nosso lado mais privado. Para além de gostar de passear sozinha, ou com pouca gente à volta, adoro ficar a ler no silêncio, ver um filme, ficar deitada na cama/sofá de olhos fechados a ouvir música clássica, pop, rock (aquilo que o meu estado de espírito precisar)... Mas isto, para a cabeça de um extrovertido que adora festanças, jantaradas, festas que se prolongam pela noite fora, é algo estranho. E do nada, torno-me numa espécie esquisita que não gosta de estar com pessoas. E ainda o pior na cabeça dessa gente é como é que uma psicóloga pode ser assim. 

Para grande azar meu, vivo rodeada de gente extrovertida. Pessoas que adoram almoços e jantares com muitas pessoas, que não concebem um passeio sem levar uma dúzia de pessoas atrás, que adoram sair e ir a festas cheias de confusão. Portanto, não é fácil a convivência! Quantos os acontecimentos de contornos "mundiais" acontecem fora de casa, ainda vou conseguindo escapar. Quando é cá em casa é mais complicado evitar. Estes acontecimentos esgotam-me as energias, sugam-me a alma, deixam-me super ansiosa acabando por interferir como os meus relógios biológicos e abata-se sobre mim uma imensa tristeza devido ao sentir-me deslocada da situação, ter dificuldades em integrar-me e não conseguir satisfazer a minha necessidade de sossego. 

É claro que este aspeto da minha personalidade também se reflete nas amizades. São poucas e diminuíram ao longo dos últimos anos. Quando o meu ideal de socialização e de vida social passa por partilhá-la com poucas pessoas ao redor, uma ida ao cinema, um pequeno passeio, um almoço ou jantar num local sossegado... Tudo à minha volta se complica e o afastamento dá-se. Já sofri com isso, hoje procuro ser mais serena e valorizar as pessoas que se mantêm na minha vida e que compreendem como eu sou e como lido com as pessoas e a vida.
Eu não fumo, não bebo álcool e não tenho simpatia por discotecas e bares onde não há espaço e silêncio para uma boa conversa. No fundo, mais um conjunto de características que acabam por ser um entrave àquilo que os outros chamam de bom convívio. 

Lidar com tudo isto nem sempre me deixa em paz de espírito. Por vezes, interiormente eu sinto que devia ser diferente, porque não me consigo encaixar nesses mundo mais eufóricos. E esta consciencialização da diferença e de não conseguir alcançar um nível mínimo de compatibilidade com os gostos alheio acaba por me trazer algum sofrimento. Não é que eu não goste de sair de casa e de ver coisa bonitas. Eu gosto, não gosto é o de fazer com qualquer pessoa nem com muita gente. Gosto de ir a um concerto, mas só aqueles que eu acho que vale a pena ir, que sei que vou gostar. 
Outros pensamentos que se atravessam na minha mente, e muitas vezes devido aos maravilhosos comentários, é que estou a trilhar um caminho que me levará à solidão, que vou acabar sozinha e sem ninguém. Bem.. eu gosto de estar comigo própria, como gosto de estar com pessoas que dizem algo, com pessoas com quem gosto de partilhar as minhas palavras. Se um dia vou acabar sem essas pessoas, não sei, mas quem é que garante que um extrovertido não ficará sem as mil e uma pessoas com quem convive? Será que um extrovertido cria o mesmo tipo de laços emocionais que eu crio com as pessoas de quem realmente gosto? É que eu, quando gosto de uma pessoa, gosto de lhe tocar a alma e coração com pequenos gestos, com palavras simples e sinceras. Às pessoas com lugar especial no meu coração gosto de as ajudar, gosto de lhes fazer um postal com uma pequena lembrança no Natal e no aniversário. Quando gosto, dou muito de mim e, por vezes, perco-me nos meandros da indiferença que acaba por ditar um afastamento. E na sequência de várias experiências menos positivas tenho-me tornado uma pessoa menos calorosa, mais fria e mais cautelosa. 

Gostaria de saber se há introvertidos desse lado e se partilham das mesmas angustias. Gostaria de saber como lidam com as situações sociais, como se sentem no meio de desconhecidos e como gerem isso interiormente. Reconhecem vantagens em ser introvertidos(as)? (Eu reconheço algumas e pretendo explorá-las noutro post). Como é, para vocês, ser introvertido(a) no meu meio de extrovertidos(as)?

12
Out18

Visões #4 | Como morrem os sonhos?



Muitos dizem que os sonhos são um motor da vida, uma espécie de energia que nos empurra ao longo do caminho. É bom sonhar! É bom pensar em coisas boas que gostaríamos de alcançar ao longo da nossa vida. Acredito que eles possam ser uma espécie de "aspiração central" da nossa mente. Porém, há alturas na nossa vida que eles simplesmente se desvanecessem no meio de tanta coisa que deixa de funcionar na nossa vida.

Sempre me classifiquei como uma sonhadora. Há 10 anos atrás sonhava em terminar o curso e encontrar um emprego que me deixasse feliz. Sonhava em conhecer outras paragens, em conhecer pessoas que me acrescentassem coisas positivas, sonhava com independência, sonhava em fazer a diferença, sonhava em escrever histórias... Mas pelo caminho dos últimos anos esses sonhos foram arrefecendo e morrendo aos poucos. 

Eles foram morrendo. As coisas foram tomando outros rumos, regredi em algumas coisas que já tinha conquistado, as prioridades foram-se alterando e, no meio de todas as coisas menos boas, os sonhos foram ficando para traz. Hoje estão mortos! Talvez porque a esperança em obter coisas melhores também esteja muito, muito baixa. Talvez porque passei a ser mais racional e realista. Talvez porque deixei de acreditar e de confiar no mundo e nos outros. Tive de perder muitas coisas para hoje ter outras. Talvez em termos de quantidade (perdas vs ganhos) esteja com saldo negativo, porém tive ganhos que me fizeram crescer como pessoa. Mas os sonhos, esses, não entram na equação. Neste momento estão mesmo mortos. 

São as pedras que encontramos no caminho da nossa vida que apedrejam os sonhos e os matam, ou os colocam num permanente estado de coma à espera daquele rasgo de mudança que os faça renascer. Estou neste limbo... Numa corrida por mudanças. Mas a angustia está cá, porque a passagem do tempo não perdoa e isso faz-nos perder a força. Sei que sou muito exigente comigo própria, mas haverá mal em querer mudanças positivas na nossa vida e na nossa forma de viver? Quão longo é o caminho para alcançar aquele nível que faça com que os meus sonhos renasçam? Gostaria de ter mais resposta para a incerteza do futuro que se estende à minha frente. Queria que os meus sonhos voltassem ao ativo e me empurrassem para a frente. 
Hoje faço anos. Hoje abre-se um novo ciclo da minha vida. Será que vou ter os meus sonhos de volta? Será que os conseguirei fazer renascer das cinzas? Eu quero muito que eles voltem.