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Por detrás das palavras

Por detrás das palavras

08
Jan21

52 Perguntas | 1 # descreve a tua personalidade

A biiyue lançou um desafio de escrita que eu achei muito engraçado e pedi-lhe autorização para o trazer para aqui.

O primeiro desafio é: descreve a tua personalidade.

Como todas as pessoas, a minha personalidade tem o seu lado luz e o seu lado sombrio.
No lado luz vive o otimismo, a vontade de fazer coisas, vive o amor e amizade, vive a necessidade intensa de viver e experimentas emoções e sentimentos positivos. É deste lado que nasce a minha generosidade. É daqui que se reflete a minha empatia e minha disponibilidade para os outros. 

No lado sombrio vive o negativismo, a insegurança, o medo irracional e a sensação de que, por vezes, valho pouco. Este lado alimenta-se dos comentários negativos dos outros, da insensibilidade e da ausência de valorização pessoal.

E depois há o elemento que liga estes dois lados: a introversão. Sou uma pessoa que gosta do silêncio, do sossego e de passar tempo comigo própria. Sou muito reflexiva e preciso de me isolar depois de estar em atividades sociais. 

Deixo um vídeo que mostra grande parte da minha essência.

 

31
Dez20

O atípico 2020

Design sem nome (1).jpg

Atípico é a palavra que mais vejo a ser usada para caracterizar 2020. Geralmente, vejo-a a ser usada como uma conotação algo negativa.
Reconheço a dureza de um ano marcado por uma pandemia que ficará para sempre impressa na História Mundial. Porém, o meu balanço final é de infinita gratidão por todas as coisas que este ano me ofereceu. É claro que não foram apenas momentos positivos, mas os bons acontecimentos foram suficientes para aclarar a nuvem negra que pairava sobre mim há já alguns anos. Por isso, para mim, foi atípico numa perspetiva positiva.

Inicie 2020 com uma esperança renovada. Emocionalmente andava mais leve, mais solta. 
Foi o ano em que mais trabalhei. Em algumas semanas do confinamento trabalhei ininterruptamente de segunda a segunda. Em maio acusei um pouco o cansaço e alguma frustração que se foi mantendo até outubro.

Em fevereiro assinei o primeiro contrato de trabalho em nove anos. Foi um mini contrato, mas que me soube a algo maior. Eu tinha uma caneta especial para o assinar, mas as tecnologias a desmaterialização do local onde estive impediram o seu uso. O contrato foi assinado com recurso a assinatura digital. 

Em 2020 dei aulas, acompanhei miúdos em idade escolar, colaborei com investigações, colaborei no desenvolvimento de candidaturas a projetos (chorei pelas mesmas candidaturas não terem sido aceites). Em julho, depois da última candidatura não ter sido aprovada, achei que 2020 já não me teria muito mais a oferecer e que iria continuar neste limbo pelo menos até ao final deste ano. 

Em outubro tudo muda. Foi uma prenda de aniversário muito desejada. Senti que, pela primeira vez em anos, a sorte afinal estava do meu lado. Voltei a assinar outro contrato de trabalho, novamente não tive oportunidade de usar a minha caneta da sorte, mas abracei o desafio com quantas forças tinha. Está a ser um bom desafio. Cansativo, mas um bom desafio (o cansaço poderia ser minimizado se os valores das rendas descessem para preços aceitáveis). Mas o Natal, também tinha de me trazer um presente. 

Há uns dias, no percurso para o trabalho, o arco-íris surgiu no céu. Acompanhou grande parte da viagem para o trabalho. Ia na viagem a trocar mensagens com a B. (outro presente de 2020) e ela disse que aquilo era um sinal da natureza de que coisas boas viriam pelo caminho. Achei graça ao otimismo dela. O curioso é que nesse dia ela recebe a notícia de que iria receber o seu primeiro salário e eu recebo a notícia que o contrato será renovado. Por isso, nos próximos três anos poderei continuar a trabalhar num lugar magnífico, com pessoas que me têm recebido muito bem e a fazer aquilo que gosto. 

Não me consigo queixar de 2020. Ele foi generoso comigo. Presenteou-me com coisas que eu há muito desejava. Nem o confinamento me assustou. Sou uma pessoa caseira. Viver no campo permitiu aceder sempre ao exterior. Não me senti presa. Não li tanto como a maioria das pessoas porque o volume de trabalho aumentou. Acabei por conseguir apanhar ritmo e houve meses onde devorei livros. Aventurei-me mais na escrita criativa e até ganhei o concurso de escrita da Elisabete e da Vera. 

Por isso, para 2021 nem sei bem o que esperar ou pedir. Vá, a nível pessoal até sei, mas vou guardar no meu interior. Não vale a pena exigir muitos dos nossos desejos. A vida parece ter uma forma muito próprias de os concretizar. Enquanto isso resta-nos sofrer por antecipação e ir entrando em pequenas lutas.
Porém, há um desejo comum: que a pandemia dê tréguas e nós consigamos recuperar a nossa liberdade de movimentos, sem medo.

Para as minhas pessoas, desejo que 2021 seja generoso. Que lhe ofereça caminhos cheios de realizações pessoais e profissionais. Só quero que o novo lhe traga acontecimentos significativos e mudanças positivas no seu quotidiano. Sei o que é ansiar por mudanças, por acontecimentos concretos que nos permitam afastar o negativismo, por isso sou muito sensível ao sofrimento daqueles que acompanharam o meu. 

Para quem passa por aqui, também quero que o teu ano seja iluminado por luzes positivas de esperança, amor e realizações profissionais. Que 2021 te dê aquilo que perdeste em 2020 e que te fez falta. 

Que 2021te traga a possibilidade de fazeres e teres o que te faz feliz!

24
Dez20

Mensagem de Natal

Feliz Natal.jpg

Este ano não me sinto muito natalícia. Não fiz árvore de Natal, comprei menos presentes, nem de mim para mim comprei... 
Sempre gostei do Natal, que para mim significa muito mais do e paz. Para mim, é sempre uma época de balanços, com alguma melancolia à mistura. Não sou de grandes confusões, nem de almoços e jantares com muita gente. Gosto do silêncio do Natal, do espaço à reflexão que ele permite. Gosto de olhar as luzes e lembrar das minhas pessoas, daquelas pessoas que ao longo do ano amparam as minhas quedas, soltaram foguetes nas minhas conquistas, choraram e sorriram comigo. 

Qualquer que seja o significado do Natal para vocês, aquilo que eu desejo a todos aqueles que gostam de passar por aqui é que sejam dias bonitos. Dias em que se permitam estar com pessoas significantes para vocês (não muitas, atenção COVID-19), que sintam paz e amor no coração e que se deixem invadir por toda a luz que acompanha esta época. 

Um Feliz Natal para quem está desse lado!

22
Set20

Aniversário do blogue

9 anos de blogue.jpg

Parece que foi ontem que decidi criar um blogue para partilhar as emoções que os livros me ofereciam. Há cerca de um ano mudei-me para a plataforma do SAPO e tenho gostado muito da experiência,
Foram muitas as vezes em que as palavras e os livros me salvaram de emoções negativas e tristezas. 
Se já me apeteceu encerrar o blogue? Sim, algumas vezes! Mas há sempre qualquer coisa que me empurra para aqui. Há sempre as palavras da minha amiga Daniela a pairarem na minha cabeça de que o blogue é sempre um propósito para não sucumbirmos aos monstros lançados pela baixa auto-estima. 

Achei que poderia ser engraçado na comemoração dos 9 anos do blogue apresentar 9 factos relacionados com o mesmo.

🌻 A primeira opinião que publiquei no blogue foi ao livro "Cinco dias em Paris" de Danielle Steel. Olhando para aquilo que escrevi na altura, confesso que fico um pouco envergonhada pela baixa qualidade da escrita.

🌻 Fiz a minha primeira leitura conjunta em Julho de 2014 com a Marta do blogue I only have (agora inativo). O livro escolhido foi "A filha do capitão" de José Rodrigues dos Santos. Para além de definirmos número de páginas por um determinado número de dias, enviávamos desafios uma à outra para fazer. Ao clicarem aqui, poderão ver algumas das nossas leituras e desafios que partilhamos.

🌻No blog podem encontrar 8 Tags originais. Umas criadas só por mim e outras em conjunto com a Catarina de um blogue já encerrado. São elas: Ano novo, Árvore de Natal, Inverno de palavras, Sabores de Natal, Os livros smurfados, Presépio em livros, Sete símbolos de Natal e Prendas literárias de Natal.

🌻Em conjunto com a Catarina, em Dezembro de 2013, organizamos a primeira troca de postais na comunidade livrólica e organizamos uma maratona que se repetiu durante 2014, a Maratona Viagens (In)Esperadas. A vida pessoal de cada uma de nós acabou por se intrometer e tivemos que interromper. Em 2015 ainda fizemos uma edição especial.

🌻Em 2014, a Daniela emprestou-me uns livros da estante dela para que ler. Achamos que era algo que poderia funcionar e acabamos por criar o projeto "Empréstimo surpresa". Agora emprestamos livros uma à outra. Os envios são feitos pelos CTT e nunca sabemos o que vem dentro do envelope. Após a leitura há sempre um desafio para fazer.

🌻 Apesar dos diferentes projetos com a Catarina e com a Daniela nunca as conheci pessoalmente. Mas é algo que eu gostaria imenso que acontecesse.

🌻 Desde que criei o blogue já publiquei opinião a 479 livros. A opinião que recebeu mais comentário foi "Nómada" de Stephanie Meyer. 

🌻No último ano, o post com mais visualizações foi "Nas páginas do meu caderno#7". Relativamente à opinião com mais visualizações, o livro vencedor é "História de uma gaivota e de um gato que a ensinou a voar" de Luís Sepúlveda. 

🌻O nome do blogue foi uma inspiração de um título de um livro técnico, "Por detrás do espelho" (Paula Relvas).

Por fim, resta-me agradecer aos leitores e a todas as pessoas que colaboram e colaboraram comigo ao longo destes anos. Cada vez mais acredito no lema "Sozinhos vamos mais depressa, em conjunto vamos mais longe".

Têm alguma curiosidade em especial? Gostariam de me fazer alguma pergunta?
Usem os comentários para perguntar o que quiserem.

27
Jul20

Por detrás de quem escreve #1

SAM_0845.JPG

Esta fotografia foi retirada numa viagem a Santiago de Compostela. Tirei-a do lado espanhol, em Santa Tecla, com vista para o Rio Minho e para o lado Português. A vista é lindíssima! E as águas têm um azul que jamais irei esquecer.

Gosto de olhar paisagens bonitas e de guardá-las na memória.

@danielaa.maciel marcou-me para um desafio complicado: apresentar três factos sobre mim que não sejam relacionados com os livros. Cá vão eles:

💁🏻 Eu, medrosa assumida, já fiz slide e adorei a experiência. Em 2008, estava a fazer um estágio de observação. Nesse estágio acompanhei alguns adolescentes numas atividade de férias. Num dia fomos para uma barragem fazer algumas atividades. Uma dessas atividades era fazer slide atravessando por cima da barragem. Foi magnífico. A paisagem vista de cima e deslizar por cima da água, ofereceram-me uma visão do local que é impossível ter observando-a em solo.

🏊 Não sei nadar e isso é um grande desgosto que tenho. Adorava saber nadar e ir para uma piscina dar umas braçadas. A água relaxa-me imenso e acredito que a natação seria algo que me faria bem.

📌Descobri que gosto de dar aulas. Sou psicóloga clínica e adoro todo o trabalho de acompanhamento psicoterapêutico. O ano passado terminei o doutoramento e desde que iniciei este ciclo de estudos tenho tido oportunidade de dar aulas em mestrados e pós-graduações. Fui para o doutoramento por gostar de investigação, o dar aulas nunca foi algo que me despertasse muito interesse. Agora, depois de já ter tido essa experiência, posso dizer-vos que estava enganada. É estimulante preparar uma aula, é uma enorme aprendizagem criar momentos de discussão em grupo. Tenho aprendido imenso com as pessoas com quem me tenho cruzado.

Não vou desafiar ninguém, mas sintam-se livres para fazerem as vossas partilhas.

18
Mai20

Da complexidade destes dias....

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A última semana foi das piores semanas para mim desde que o confinamento começou.
Eu pertenço ao grupo daqueles que não se está a dar muito bem com o teletrabalho. Se há coisas que acho que funcionam, outras há que me tem deixado extremamente esgotada. 

O facto de não ter um trabalho fixo dificulta as coisas. Senti-me "atacada" por diferentes frentes com prazos apertados e com reuniões online que só atrasam mais os processos. Foram duas semanas a trabalhar ininterruptamente! Isso esgota, aumenta a frustração de quem vive na incerteza e deixou-me com uma certa aversão ao computador. 

A vida online não é fácil. Reuniões que se estendem por muitas horas, vários pedidos em simultâneo, tarefas atrás de tarefas. 
Inicio uma semana de exercício físico diário, para na semana a seguir nem a conseguir cumprir porque mesmo depois do jantar tenho que aqui vir. 

Às vezes pergunto-me se a culpa é minha e que não sei gerir um horário de forma decente. Outras vezes sinto o peso de um emprego incerto e instável. Outras vezes é apenas a tristeza de não me encontrar numa posição mais confortável e que me possibilitasse fazer outras coisas.

Por isso, durante a quarentena li pouco! Sempre que apanhava algum tempo livre era mais fácil passá-lo em frente à televisão a ver um filme ou uma série.
O país, aos poucos, vai saindo da sua hibernação. Nada será como antes. É certo que temos de aprender a lidar com vírus, pois este confinamento a longo prazo torna-se insustentável. 

A ver se esta semana consigo fazer publicações mais regulares.

11
Mai20

Por detrás da tela | "Éramos seis" (2019)

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Tenho um amor especial por telenovelas brasileiras. Fico quase sempre rendida às histórias, à forma como o enredo é desenvolvido e pelas interpretações magníficas. 
Comparativamente às produções portuguesas, as novelas brasileiras não enrolam os acontecimentos nem fazem prolongamentos desnecessários. 
Mais recentemente tenho desenvolvido um gosto particular pelas novelas de época. A última que assisti de forma mais assídua foi "Éramos seis".

"Éramos seis" é uma novela que conta com diversas versões (a mais recente passou na televisão entre 2019 e 2020) e teve como inspiração o livro com o mesmo nome que foi escrito por Maria José Dupré. 
A novela centra-se na família de Lola. Conhecemos a família na década de 20 e acompanhamos a sua vida até à década de 40. 
Lola é interpretada de forma brilhante pela atriz Glória Pires. Ela é o grande pilar da família, que luta por uma vida melhor para os seus e que não desiste perante as  adversidades que se vê obrigada a enfrentar. 
Júlio, marido de Lola, representa a ambição desmedida. Um homem que personifica a frustração perante a vida e que tem muitos altos e baixos. Tanto consegui ter pena dela, como facilmente me irritava. 

Os filhos do casal protagonizam personalidades muito diversas. Nessa diversidade reside o interesse em acompanhá-los, descobrindo as suas escolhas, a sua postura perante a vida e a forma como enfrentam os problemas que a vida lhes coloca.

É óbvio que a novela possui enredos paralelos. A doença mental, o feminismo e a instabilidade política são outros assuntos muito bem retratados ao longo de algumas fases da novela. 
Quero destacar a forma como foi abordada a questão da doença mental.

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Justina tinha um problema mental e sofria com o desconhecimento de tratamentos que a ajudassem a ter uma melhor qualidade de vida. Porém, numa outra fase da novela esses tratamentos aparecem. O enredo vai mais além e apresenta todos os preconceitos associados quer à doença, quer aos tratamentos. 

O divórcio era, no anos 20 e 30, um tabu. Um condição que não beneficiava em nada as mulheres e comprometiam o futuro relacional dos homens que optavam por sair de um casamento infeliz.  
Este é outro tema a dar um toque especial à novela. 
Almeida é um homem divorciado que se apaixona por Clotilde. Esta paixão é correspondida, mas Clotilde sonha com um casamento tradicional. 

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A ligação que os dois atores criaram foi mágica. A relação foi conduzida de forma muito equilibrada. Os momentos mais dolorosos encaixaram na perfeição nos momentos felizes criados. Clotilde ofereceu-me um dos momentos mais intensos ao longo de toda a novela. O acontecimento a que me refiro acontece numa fase final da novela e é absorvente e emocionante.
Os diálogos entre estas duas personagens são daqueles que apelam ao lado emocional do telespetador.

Gostam de telenovelas? O que é que gostam de ver?

21
Mar20

Ausência e Dia Mundial da Poesia

O Mundo mudou e eu tive que mudar com ele. E em todo este processo de mudança a vontade de escrever, de ler, de partilhar coisas com vocês desapareceu. 
Têm sido dias complicados, exigentes e marcados por alguma tristeza. Nunca pensei presenciar tal situação enquanto fosse viva. 
Não me angustia ficar em casa. Eu adoro estar em casa! Porém sinto falta de algumas das minhas rotinas profissionais e do impacto de toda mudança profissional na minha saúde financeira. Mas quero acreditar que vai correr tudo bem e, enquanto tiver saúde, tudo se encaminhará. 

São tempos de mudanças, de olhar para dentro de nós e redescobrir a calma, o sossego e a liberdade mental. A nossa capacidade de imaginação e da criatividade são infinitas e nada melhor do que este isolamento para a colocar em prática. 

Foi duro criar novas rotinas, dar resposta a novos desafios e sofrer ao ver o quanto o Portugal do interior não tem literacia digital. Para os pais aqui da minha zona tem sido uma dor de cabeça este acompanhamento escolar online. Sei de meninos que não têm computador e/ou internet. Estou a falar de um aldeia onde há pais sem a escolaridade mínima obrigatória. Pais pouco sensíveis às diferentes formas de aprender. Isto tem-se sugado um pouco a energia, mas as coisas começam a orientar-se. Estou com receio de como será o terceiro período, mas eu acredito na capacidade de aprendizagem do ser humano e sei que tudo ficará bem. 

Hoje tinha de vir aqui escrever qualquer coisa. Partilhar algo positivo e bonito! E nada melhor que poesia. A poesia é um verdadeiro alimento intelectual. Hoje é o Dia Mundial da Poesia e quero partilhar com vocês um dos meus poemas preferidos. É daqueles poemas que leio em busca de conforto, de esperança, de energia para enfrentar o mundo. 

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O poema da imagem foi escrito por Miguel Torga. Gosto muito da poesia de Torga. Ainda tenho muito para conhecer deste escritor português, mas o que conheço gosto muito. 
Este poema acaba por ser especial para mim. Numa altura menos feliz deste meu percurso, uma amiga ligou-me, leu-me este poema e falou-me da forma como ele a inspirava. E a partir dessa altura passou a inspirar-me também. 

Daqui a umas semanas recomeçaremos, espero que sem angústias e com menos a pressa do antigamente. Quando as notícias forem boas e nos libertem desta pandemia, este será o poema que irei ler na primeira manhã em que poderei sair à rua sem medo de trazer elementos indesejáveis para casa. 

Fica aqui, também, a minha participação no desafio da Alexandra e mostro a minha letra ao mundo digital. Já venho um bocadinho tarde, mas acho que ainda a tempo. 

31
Dez19

Sê bem-vindo 2020

Feliz Ano Novo 2020.jpg

Costumo dedicar o último post do ano a uma reflexão sobre o que termina. Hoje não só faço ao ano que termina como ao encerramento de uma década. 
Quando leio post antigos reconheço neles uma tristeza e um tom depressivo que, felizmente, hoje já não me acompanha com tanta intensidade. Isto talvez se deva ao facto de em 2019 eu ter conseguido desenvolver-me emocionalmente e aceitar as coisas tal como elas são. Tudo à minha volta pode não estar no ponto que eu gostaria, posso ainda não ter atingido um conjunto de objetivos que façam sentir realizada, mas passei a aceitar melhor a minha condição de vida e a mentalizar-me que as coisas nem sempre têm de correr como idealizamos. 

É claro que também existiram melhorias ao nível de algumas áreas da minha vida que hoje me deixam mais serena e com maior esperança de que as coisas hão-de começar a alinhar-se.

Janeiro de 2019 será sempre recordado como o mês em que me livrei da tese de doutoramento. Dia 31 de janeiro entreguei na reitoria da Universidade aquilo que me consumiu a alma e o espírito nos últimos quatro anos. Em julho encerrei finalmente esta etapa. O dia da defesa também ficará para sempre marcado na minha memória. O sentimento de realização pessoal foi (e ainda é) enorme. Fazer um doutoramento é uma travessia dolorosa e muito desafiante, mas cresci imenso enquanto pessoa e enquanto profissional. 

Assim, nesta década terminei um mestrado integrado, fiz estágio profissional, fiquei desempregada, terminei um doutoramento, trabalhei em coisas diferentes da minha área de formação e desesperei imenso por sentir que a vida gosta de me trocar as voltas e me obriga sempre a ter que lutar imenso pelas coisas. Dei aulas no ensino universitários e gostei mais do que aquilo que estava à espera. Agarrei projetos de investigação por gosto pessoal e para crescimento profissional. Ganhei pessoas novas na minha vida e fui perdendo outras. 

Criei expetativas erradas com o doutoramento. Pensei que assim que terminasse surgissem mais oportunidades. Infelizmente não é algo assim tão instantâneo. Já me surgiram novas oportunidades e, aos poucos, quero acreditar que me poderei dedicar inteiramente a fazer algo ligado à minha área profissional. Até lá vou continuando com o que me vai surgindo.

Apesar de tudo sinto-me suficientemente serena para aceitar aquilo que não posso mudar e com força para lutar pelos meus objetivos. Espero que em 2020 os ventos fracos de mudança que sopraram por estes lados se intensifiquem e façam a minha vida girar. 

Quanto blog espero ter disponibilidade mental para continuar e criatividade suficiente para gerar novo conteúdo. 

A todos os que estão desse lado faço votos de que iniciam esta nova década da melhor forma possível. Que 2020 seja repleto de boas oportunidades e com a capacidade de vos oferecer momentos muito felizes. Que seja um ano de resoluções pessoais e profissionais. 

Obrigada por estarem desse lado e por todo o carinho que me oferecem! 

09
Nov19

Agora por aqui...

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Já andava a "namorar" a plataforma da Sapo há algum tempo. Era seguidora de alguns blogs alojados aqui e depois de iniciar o desafio de escrita dos pássaros senti que fazia sentido mudar-me para esta plataforma e dedicar-me a um novo  recomeço, numa nova casa.

9 de Novembro é uma data simbólica (para além de ser um título de um dos meus livros preferido). Precisamente neste dia, há 7 anos atrás dava início a uma nova fase de vida que foi cheia de incertezas. Vivi situações menos boas e durante muito tempo vivi alimentei-me das energias negativas que guardei entre 2011 e 2012 e que culminaram no acontecimento deste dia. 

Hoje já não as alimento tanto, consegui assimilar tudo o que aconteceu e remeter para um espaço longínquo da minha memória. Mas isso só acontece este ano, por isso, fez-me sentido assinalar a minha mudança interior com outra mudança. 

Fico à vossa espera... agora por aqui.

 

22
Set19

Por detrás das palavras | Aniversário


Hoje o blog faz 8 anos... 
Este foi um dos anos em que mais pensei em deixar de escrever no blog. Acho que o cansaço estava a levar o melhor de mim. Para além disso, os blogs deixaram de ser tão atratativos a grande parte dos internautas. Apesar de gostar de escrever para mim, de gostar de registar as minhas leituras e o que vou fazendo, apesar de adorar escrever sobre tudo e sobre nada é importante que outras pessoas gostem de ler o que aqui vou colocando, que gostem de passar por aqui (assim como existem outros blogs que vou acompanhando e comentando mais raramente). 

Mas aguentei, e estou feliz por aqui continuar. 
Quero agradecer a todas as pessoas que gostam de ler as minhas opiniões literárias e cinematográficas (são sempre verdadeiras e espelham aquilo que realmente senti com a leitura), que gostam de ler os meus devaneios e que me vão acompanhando por aqui. 

Quero agradecer à Daniela do blog Quando se abre um livro pela presença constante e que vai muito além do blog. Quando pensava em deixar de escrever por aqui, lembrava-me sempre dela e da sua opinião relativamente ao blog constituir uma excelente forma de atividade mental e de nos envolver e motivar para alguma coisa. 

Quero agradecer à Asa, à Coolbooks, à Porto Editora, à Quinta Essência e à Topseller por me disponibilizarem novidades literárias para ler e divulgar de forma honestas e sincera. Sem vocês seria muito mais difícil aceder a novos livros e a novos autores. 

Espero continuar a ter energia para continuar a escrever por aqui. 
Venham, pelo menos, mais oito. 
05
Ago19

Pessoal | Nunca estamos preparados para dizer adeus...


14 de Outubro de 2004  -  2 de Agosto de 2019

Em Novembro do ano passado, o meu companheiro de quatro patas pregou-me um enorme susto. A sensação de perda eminente foi horrível. Cheguei a dar-lhe a medicação e alimentá-lo com uma seringa. Com alguma dedicação consegui que ele arrebitasse. 

Ganhei esperança... Muita esperança. Passou o Natal e, para mim, aquele não seria o último. Ele era resistente e iria permanecer mais uns anos.
Fui demasiado otimista... De um dia para o outro, vi o meu cão idoso com alguma vitalidade a perder o equilíbrio, a voltar a ter convulsões. É horrível assistir ao sofrimento de um animal, porque ele não consegue verbalizar o que sente. O meu coração simplesmente ficou apertado. Foram dias maus. Ele esteve internado e voltou a casa, mas nesse mesmo dia ele ficou em estado vegetativo e em grande sofrimento. Foi o momento de deixar de ser egoísta e optar pela eutanásia. 

Chorei imenso. Chorei porque não consegui viver os últimos dias dele com qualidade. Chorei porque até para receber a eutanásia teve de sofrer um pouco. É muito doloroso perder um companheiro que esteve tantos anos comigo.
É triste abrir a porta e não o ter ali a dormir a suas sestas. É um vazio enorme não ouvir o ladrar dele, nem o som das patinhas dele a andar pela tijoleira. É sentir que às refeições falta ali alguém, porque ele acompanhava-nos sempre enquanto almoçávamos ou jantávamos. 

Ainda me lembro muito dele. Foi uma presença muito grande na minha vida. Quando estudava fora e vinha passar os fins-de-semana a casa, ele ficava imensamente feliz. No Inverno adorava ficar no sofá comigo enquanto via um filme. Passou muitas horas deitado e sentado ao meu lado enquanto eu lutava contra os demónios da tese de doutoramento. E há duas semanas, quando cheguei completamente exausta da defesa ele sentou-se ao meu lado para que eu lhe pudesse acariciar o pêlo e relaxar. 
Jamais vou esquecer a forma como ele se deitava ao meu lado quando, em 2012, eu chegava a casa do trabalho e só chorava de frustração perante a exploração a que estava sujeita. Nos meus dias tristes ele simplesmente ficou ali, ao me lado, sem exigir nada. 
Também me mordeu algumas vezes. Era um ser muito temperamental e nem sempre muito sociável. Era o estilo dele, e eu só tinha de o tentar respeitar. Apenas o desrespeitava quando o tinha de escovar, dar banho e cortar algumas partes do pêlo que estivessem num estado deplorável. 

Durante dos dois primeiros anos de vida foi um traquinas. Tanto nos rimos à custa das tropelias dele e da sua necessidade em levar tudo o que apanhava para a sua cama. 
Há três anos foi ele que descobriu onde estava a Pipoca, a nossa agapone, que fugiu da sua gaiola e foi parar no meio da erva. Ele viu-a a voar e levou-nos até ela. 
Foi o meu primeiro cão. Aquele por quem fui responsável e a quem dei todo o amor que tinha. Dele recebi muito mais do que aquilo que lhe dei. Faz-me falta. Foram quase 15 de anos de muitos e bons momentos. Doeu imenso vê-lo agonizar e partir. Dadas as alterações neurológicas, a veterinária desconfia que ele tinha um tumor no cérebro. 

Não sei se conseguirei ter outro cão. Ainda não há espaço emocional para acolher outro. 
A Riscas, a gatinha que está na fotografia, ainda hoje entrou em casa a miar. Era a forma dela de chamar pelo amigo. Esta gata pertencia a uma vizinha que se mudou para umas ruas mais à frente. Vieram buscar a gata três vezes, mas ela acabava sempre por voltar para aqui. Acabamos por acolhê-la e ela construiu a sua amizade. Ela tem ajudado a preencher um pouco o vazio deixado pelo Tico...

Quero acreditar que ele foi para sítio melhor... Talvez esteja a correr pelos campos verdejantes e fazer amigos entre os gatos que por lá andam (ele sempre gostou mais de gatos do que de outros cães). Quero acreditar que, onde quer que ele esteja, esteja em paz... 
14
Jun19

Em que é que me vou meter no próximo Verão...

Este ano ando muito fraca de leituras. Ando a ler muito pouco comparativamente a anos anteriores. Não é algo que seja anormal tendo em conta todos os desafios que este ano me tem apresentado. Mas continuo a ler, a um ritmo mais lento, super atrasada no desafio do Goordreads... Porém é sem pressão.

Chega-se ao verão e são sempre vários os desafios que surgem e a vontade mora por aqui. Também mora um pouco a saudade de outros tempos... Tempos em que tinha disponibilidade mental e temporal para criar aventuras com a minha parceira Catarina. Em 2014 fiz o meu primeiro Bingo! Eu e a Catarina organizávamos as Maratonas Viagens (In)Esperadas e em Agosto fizemos algo especial.


A vida dá algumas voltas e somos forçados a deixar algumas coisas de lado. A Catarina deixou a blogoesfera (tenho saudades de a acompanhar) e eu cá continuei, mas sem disponibilidade para me meter em algo assim.

Por isso é sempre bom ver outras pessoas a usar a sua criatividade e a criar conteúdo para nos entreter durante o verão :)

Para ver se me ponho a ler com mais afinco, decidi que este verão iria:
1) Participar numa maratona;
2) Voltar a participar no Bingo Leituras ao Sol dinamizado pela Isa e pela Tita

A maratona é dinamizada pela Carla e há um grupo no Goodreads para irmos partilhando as nossas leituras. 

O Bingo tem novas categorias e há um grupo no Facebook.

Não irei fazer nenhuma lista. Nem para a maratona, nem para o bingo. Vou lendo à medida dos meus gostos e das minhas necessidades. Para a maratona contam apenas as páginas, para o bingo foi encaixando as leituras nas categorias. 

Em Setembro, em jeito de balanço, irei responder à Tag que eu e a Catarina criamos em 2014: Leituras com Sabor a Verão


  • Sol: qual o livro que brilhou mais nesta maratona (livro preferido) 
  • Escaldão: qual o livro que te deixou cheia de arrependimentos (livro que menos gostaste) -
  • Gelado: qual o autor cuja escrita te deliciou 
  • Bóias: qual o livro que foi custoso de ler mas que conseguiste terminar
  • Piscina: Qual foi a leitura leve e refrescante 
  • Picnic: Quais as personagens com as quais gostarias de passar tempo 
10
Jun19

Pilha Lusa


Hoje, dia 10 de Junho, assinala-se o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. De forma a assinalar este dia decidi partilhar com vocês a pilha de livros de autores nacionais que estão na minha estante ainda por ler. 

1. A Rainha Perfeitíssima, Paula Veiga
Um livro de um género que cada vez mais tem vindo a ganhar a minha simpatia. Ler livros históricos ou de época tem-se tornado um enorme prazer. Tenho algum receio de ler este dado a algumas críticas menos positivas que já li em relação ao mesmo.

2. A Estranha Ordem das Coisas, António Damásio
Recebi este livro o ano passado, no meu aniversário. É um livro de não ficção de um talentoso cientista. 

3. À Espera de Moby Dick, Nuno Amado
A Cláudia do blog/canal A Mulher que Ama Livros partilhou uma opinião extremamente positiva relativamente a este livro. Estou com bastante curiosidade para ver o que estas páginas me reservam.

4. Ensaio Sobre a Cegueira, José Saramago
Ganhei coragem e trouxe um livro de Saramago da biblioteca. Até ao momento li um pequeno conto do escritor e gostei muito. Sempre tive alguns receios em ler este autor e por isso sempre fui protelando as leituras para um depois que nunca mais chegava. Dada a experiência favorável do ano anterior não posso deixar de conhecer outras obras deste escritor português.

5. A Filha do Barão, Célia Correia Loureiro
A escrita da Célia transborda sensibilidade. O que li dela até agora nunca me foi indiferente. Preciso imenso de ler este para fazer uma nova leitura do livro que irei mostrar em seguida. Só ainda não lhe peguei porque ainda não encerrei o capítulo Tese de Doutoramento na minha vida. Quero ter total disponibilidade mental para abraçar este livro, por isso acho que em Agosto chegará a vez dele.

6. Uma Mulher Respeitável, Célia Correia Loureiro
Fui leitora beta deste livro em 2015 se a memória não me está a trair uma partida. Já pouco me resta dele na memória e quero lê-lo novamente para escrever uma opinião consistente. Porém quero ler o seu antecessor, mesmo sendo possível ler este sem o anterior. Nada afetará a vossa compreensão deste livro caso não tenham lido A Filha do Barão, mas desta vez quero obedecer à ordem de publicação.

7. O Ano da Dançarina, Carla M. Soares
Já li três livros da Carla M. Soares. Até ao momento o que menos gostei foi Limões na Madrugada, porém são sempre boas experiências as leituras de livros desta autora. Aliada a histórias bem construídas temos uma escrita simples, cuidada e bonita. Por isso, é uma autora portuguesa que recomendo e que deveria ter mais espaço no mundo virtual que se dedica à leitura de livros. 
24
Mai19

Dia do Autor Português | Os escritores portugueses da minha vida


Dia 22 de Maio é o dia do Autor Português. Nem sempre os escritores portugueses têm o destaque que merecem da nossa parte. Muitas vezes somos absorvidos pelas novidades literárias que nos chegam de outras paragens, impedindo que os livros de autores nacionais cheguem à nossa mesinha de cabeceira e nos ofereçam o privilegio de conhecer as boas histórias que por aqui se escrevem.

Eu gosto de ler autores portugueses e considero-mo aventureira no que respeita a conhecer novos autores. Porém, desde muito cedo que os escritores portugueses fazem parte da minha vida, estando associados a memórias boas ou menos boas. 

O meu primeiro contacto com escritores portugueses aconteceu ainda na escola primária. Graças à biblioteca itinerante tive a oportunidade de ler diversos livros da coleção Uma aventura. Viver numa aldeia nem sempre facilita o nosso acesso aos livros. Há alguns anos atrás eu não ia à cidade sem acompanhamento e os meus pais não estavam muito direcionados nem interessado com a leitura. Uma forma de aproximar as crianças dos livros eram as visitas mensais de uma carrinha que vinha com alguns livros para que pudéssemos escolher.  

Andava eu no 2º ciclo quando me cruzei a primeira vez com os livros de Sophia de Mello Breyner Andresen. Foi paixão à primeira história e ainda hoje sinto um carinho especial por aquela fada que achava difícil a vida dos humanos porque não tinham asas para voar por cima dos problemas. Ainda hoje A Fada Oriana habita a minha estante e são muitas as vezes que o empresto aos miúdos para que possam conhecer esta história. Foi um livro que me marcou, assim como todos os livros que li dela. O Cavaleiro da Dinamarca, A Menina do Mar, A árvore, Histórias da Terra e do Mar... Tantas histórias e todas elas com personagens especiais. Não tenho todos os livros infantis desta escritora, mas um dos meus objetivos a longo prazo é reunir na minha estante todos eles. 
Mais tarde conheci outra faceta desta mulher e vi-me a viajar pelos os versos com que ela desfiava os assuntos que lhe agitavam o coração. Fui uma adolescente que consumiu bastante poesia e muitos dos poemas desta escritora tornaram-se especiais. O meu exame nacional de 12º ano de Português B foi uma homenagem ao seu trabalho enquanto poeta. O meu professor alertou-nos na altura que, muitas vezes, uma forma de homenagear um escritor falecido eram os exames nacionais. Assim, ela faleceu em 2004 e em 2005 é um poema dela que aparece no exame.
Dois outros dois livros que me acompanharam nesta etapa da vida foram O Mundo em que Vive de Ilse Losa e Ulisses de Maria Alberta Menéres. Duas histórias que também gostei muito de ler, mas que muitos dos pormenores já não os tenho na minha memória.


Quando fiz 13 anos recebi como prenda de aniversário A Lua de Joana. Foi a minha primeira leitura compulsiva e um livro que reli muitas vezes. Assim, Maria Teresa Maia Gonzalez foi a primeira escritora capaz de me fazer chorar com um livro e que me fez desafiar a hora de dormir. Os olhos de adolescente tornaram este livro especial. Nunca mais o reli, mas é daqueles que não quero reler porque sinto que a minha visão adulta iria estragar o que ficou da leitura naquela época.


O secundário foi um período particularmente difícil para mim. Não fiz amizades, tive muita dificuldade em integrar-me na turma e numa escola nova. Foram três anos de grandes sacrifícios emocionais  e de muito isolamento. Salvavam-me as leituras. Foram duas das leituras obrigatórias que me fizeram vibrar. É certo que ter um professor de português apaixonado pelas obras que apresenta facilita o nosso próprio envolvimento com os livros que lemos. Desta forma Os Maias de Eça de Queirós e Aparição de Virgílio Ferreira tornaram-se dois livros especiais e dos quais guardo excelentes experiências de leitura.

Ainda durante o secundário tive a oportunidade de me apaixonar pela poesia. Para além de Sophia de Mello Breyner Andresen, foi um desafio analisar a poesia de Fernando Pessoa e um sofrimento ler Florbela Espanca, porém ainda hoje gosto de pegar nos poemas deles. 

Durante os anos em que estive na universidade não li quase nada, mas depois a leitura regressou em força. Dos livros de autores nacionais, li muitos livros de José Rodrigues dos Santos e os de Tiago Rebelo que estavam na biblioteca. Em 2011, depois de muito andar pela internet a ler opiniões ao livros aventurei-me e criei este blog. E a partir daqui inicie uma das melhores experiência da minha vida enquanto leitora: as leituras beta.


Fiz mais de 10 leituras beta e para diferentes escritores portugueses. Ajudei no que me foi possível e fico sempre orgulhosa por ver os livros a ganharem vida. Esta experiência mudou o meu olhar enquanto leitora e ofereceu-me uma visão mais crítica perante os livros que leio. 
Acreditem que desfiar o trabalho de outras pessoas não é uma tarefa fácil. Há muita entrega e dedicação na escrita do livro e é muito complicado oferecer uma visão sincera sem ferir os sentimentos de quem deu tanto de si a um projeto. 
Não tenho feito leituras beta. Estive mais ativa entre 2012 e 2015. Os pedidos cessaram e havia uma tese de doutoramento que precisava de ver a luz do dia. A tese já viu a luz do dia, mas ainda está na "incubadora" à espera da data da defesa. Por este motivo, também não tenho muita disponibilidade mental para este tipo de leituras (até as minhas rotinas de leitura diária se têm ressentido).  

Das minhas leituras recentes guardo muitas obras de escritores nacionais no coração. O Escultor  da Carina Rosa foi dos livros mais trabalhosos que tive enquanto leitora beta, mas a satisfação de o ver publicado foi enorme. A Chama ao Vento de Carla M. Soares foi lido numa altura muito complicada. Empatizei muito com a personagem principal porque também a minha luz interior se tinha apagado. O Espião Português de Nuno Nepomoceno, apesar de não ter sido uma leitura fenomenal fez-me sentir orgulho pelo bom trabalho que os escritores portugueses se preocupam em apresentar. Perguntem a Sarah Gross de João Pinto Coelho deixou-me, há um ano atrás, com uma das maiores ressacas literárias de que tenho memória. Maresia e Fortuna de Andreia Ferreira foi uma excelente viagem a um lado mais negro da escrita e, apesar de faltar alguma emotividade à escrita, temos uma história de contornos negros e bem escrita. O Funeral da Nossa Mãe, escrito pela Célia Loureiro, foi uma leitura intensa e com uma história que me ficará na memória. Foi um livro que recebi pelo Natal, num Natal um pouco triste. Mas nunca mais me esquecerei de como me alegrou abrir aquela embalagem e descobrir um livro que tanto queria ler. Inês de Maria João Fialho Gouveia foi dos melhores romances históricos que já li. As Últimas Linhas destas Mãos de Susana Amaro Velho trouxe-me uma histórica bem escrita que me inundou de sensibilidade e, mais uma vez, me fez sentir orgulho pelo talento nacional. Equador de Miguel Sousa Tavares preencheu-me os dias vazios numa altura em que sentia um pouco perdida em relação ao futuro. A Filha do Capitão de José Rodrigues dos Santos foi a minha primeira leitura conjunta e fez-me adorar a experiência de partilhar o entusiasmo pelas personagens e pela história com outra pessoa que estava sentir o mesmo. 

Estes são apenas alguns dos livros mais recentes que me ficaram na memória e que trazem sentimentos associados. Foram muitas as leituras lusas que fiz ao longo dos anos e muitas delas depois de me lançar aqui neste mundo. 
Sei que ainda tenho muitos livros nacionais para descobrir e para ler... Num futuro próximo espero ler os seguintes...


Partilhem comigo uma memória vossa associada a uma leitura lusitana...