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Por detrás das palavras

Por detrás das palavras

25
Mai20

Por detrás da tela | "Christmas in Angel Falls" (2017) e "Before we go" (2014)

"Christmas in Angel Falls"

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Ver filmes de Natal fora de época sabe-me bem. Geralmente são filmes que não exigem muita energia e passam sempre uma mensagem de esperança e positivismo. 
"Christmas in Angel Falls" é um filme natalício, onde um anjo fica responsável por ajudar uma localidade a recuperar o espírito de Natal.

Por entre momentos divertidos e romance vamos descobrindo os motivos que arruinaram as vivência natalícias naquela cidade. Ao mesmo tempo que se desvendam os problemas, abre-se caminho à sua resolução. Como podem ver, a linha narrativa é bastante descomplicada e o filme cumpriu a sua função de entreter e proporcionar uma viagem à magia que só os dias natalícios oferecem. 

É um excelente filme para descontrair e reviver as coisas boas que só o Natal consegue oferecer.

"Before we go"

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Quando comecei a ver este filme, de forma instantânea, a minha memória viajou até outro filme. "Before we go" recordou-me "Before sunrise", um dos meus filmes preferidos. Esta recordação não favoreceu muito a forma como assisti a este filme, uma vez que foi inevitável fazer comparações. 

Ambos os filmes partem da mesma premissa, contudo acabam por diferir na forma como a operacionalizam e como constroem a narrativa em torno de dois desconhecidos que se cruzam de forma inesperada. 

Eu gostei do filme, porém foi incapaz de me conquistar na totalidade. A química entre os dois atores não esteve ao nível das minhas expetativas e os diálogos que protagonizaram não me cativaram muito no início.
Com o desenrolar do filme a minha relação com o mesmo foi melhorando. O meu interesse aumentou e as cenas finais conseguiram emocionar-me. 

O enredo não é complexo, o que facilita a envolvência com o filme.Tem uma forte carga dramática o que possibilita ao telespetador construir alguma empatia com as personagens. No meu caso, a empatia não fio maior porque estava sempre a lembrar-me do Jesse e da Céline e dos seus devaneios filosóficos apaixonantes. 

Um bom filme para uma tarde descontraída de domingo.

 

 

11
Mai20

Por detrás da tela | "Éramos seis" (2019)

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Tenho um amor especial por telenovelas brasileiras. Fico quase sempre rendida às histórias, à forma como o enredo é desenvolvido e pelas interpretações magníficas. 
Comparativamente às produções portuguesas, as novelas brasileiras não enrolam os acontecimentos nem fazem prolongamentos desnecessários. 
Mais recentemente tenho desenvolvido um gosto particular pelas novelas de época. A última que assisti de forma mais assídua foi "Éramos seis".

"Éramos seis" é uma novela que conta com diversas versões (a mais recente passou na televisão entre 2019 e 2020) e teve como inspiração o livro com o mesmo nome que foi escrito por Maria José Dupré. 
A novela centra-se na família de Lola. Conhecemos a família na década de 20 e acompanhamos a sua vida até à década de 40. 
Lola é interpretada de forma brilhante pela atriz Glória Pires. Ela é o grande pilar da família, que luta por uma vida melhor para os seus e que não desiste perante as  adversidades que se vê obrigada a enfrentar. 
Júlio, marido de Lola, representa a ambição desmedida. Um homem que personifica a frustração perante a vida e que tem muitos altos e baixos. Tanto consegui ter pena dela, como facilmente me irritava. 

Os filhos do casal protagonizam personalidades muito diversas. Nessa diversidade reside o interesse em acompanhá-los, descobrindo as suas escolhas, a sua postura perante a vida e a forma como enfrentam os problemas que a vida lhes coloca.

É óbvio que a novela possui enredos paralelos. A doença mental, o feminismo e a instabilidade política são outros assuntos muito bem retratados ao longo de algumas fases da novela. 
Quero destacar a forma como foi abordada a questão da doença mental.

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Justina tinha um problema mental e sofria com o desconhecimento de tratamentos que a ajudassem a ter uma melhor qualidade de vida. Porém, numa outra fase da novela esses tratamentos aparecem. O enredo vai mais além e apresenta todos os preconceitos associados quer à doença, quer aos tratamentos. 

O divórcio era, no anos 20 e 30, um tabu. Um condição que não beneficiava em nada as mulheres e comprometiam o futuro relacional dos homens que optavam por sair de um casamento infeliz.  
Este é outro tema a dar um toque especial à novela. 
Almeida é um homem divorciado que se apaixona por Clotilde. Esta paixão é correspondida, mas Clotilde sonha com um casamento tradicional. 

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A ligação que os dois atores criaram foi mágica. A relação foi conduzida de forma muito equilibrada. Os momentos mais dolorosos encaixaram na perfeição nos momentos felizes criados. Clotilde ofereceu-me um dos momentos mais intensos ao longo de toda a novela. O acontecimento a que me refiro acontece numa fase final da novela e é absorvente e emocionante.
Os diálogos entre estas duas personagens são daqueles que apelam ao lado emocional do telespetador.

Gostam de telenovelas? O que é que gostam de ver?

06
Mai20

Por detrás da tela | "Coco" (2017)

coco_hero_r_updated_cabed1ce.jpegJá me tinham alertado para a qualidade deste filme, mas é sempre bom constatar pelos nossos próprios olhos essa mesma qualidade e o grau de influência sob as nossas emoções. 

Miguel é um menino que adora música. Tudo nele é ritmo, cor, som e alegria... Mas uma tradição familiar impede-o de abraçar a sua paixão. 
A família, as tradições familiares e os segredos familiares são a pedra basilar desta história. Acima de todos estes aspetos está a cura, cura essa que virá do perdão, dos valores que unem os membros da família e com a capacidade que as famílias têm de se reinventar. 

É um filme que também mostra a importância de nos lembrarmos daqueles que já não estão fisicamente connosco. A importância das memórias positivas nas dinâmicas familiares e para a criação de relações saudáveis são também aspetos bem abordados no filme. 

Eu fiquei encantada pelas cores, pelo som e por aquela reviravolta final que nos deixa a pensar que por vezes o esforço e o talento não são verdadeiramente valorizados em vida. Porém, depois cabe aos vivos fazerem valer a verdade e ajudarem à valorização de um talento. 

Adorei o filme. Ficará na lista dos meus filmes de animação favoritos. 
A quem está fechado(a) em casa com miúdos(as), este filme é uma excelente forma e passarem tempo em família. O filme é curto, mas caso não queiram que as crianças passem muito tempo em frente ao ecrã dividam o filme por dois dias. Aproveitam a pausa entre as duas partes para conversarem em família sobre as personagens do filme, façam desenhos e imaginem como o filme irá terminar.

04
Abr20

Dia 4 | Nosso diário em quarentena

Opinião de um filme

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O desafio de hoje é apresentar a opinião a um filme. Eu vou aproveitar a oportunidade e partilhar com vocês a opinião dos últimos três filmes que vi. 

"Collette" (2018)

21288252_YTcIl.jpegEste foi daqueles filmes que apanhei por acaso na televisão. Chamou-me à atenção e decidi ver. 
"Collette" tem uma sequência narrativa muito interessante. Sidonie é uma jovem francesa que se casa com Willy, um escritor que gosta do luxo e por isso anda sempre com problemas financeiros. Ele acaba por convencer Sidonie a escrever pequenas histórias, baseadas na sua infância , que ele publica em nome dele. É óbvio que isto acaba por se tornar motivo de conflito interior para Sidonie. O mundo dominado pela masculinidade acaba por ser bem representado neste filme. O papel da mulher está longe de ser associado a uma profissão e ao sucesso profissional. Porém, há alguns contornos do romance entre Sidonie e Willy que me apanharam de surpresa no filme e que geram conflitos e reflexões pertinentes. 
Apesar de ter gostado não é um filme que integre o meu top de filmes preferidos da vida. Aliás, é daqueles filmes que basta uma visualização, ou seja, não tenho vontade de o voltar a ver. 
Conhecem o filme? Qual a vossa opinião sobre ele?

Classificação

"O Fim da Inocência" (2017)fim-da-inocencia.jpgApanhei este filme da televisão no fim-de-semana após ter falado dele numa das aulas que dei na universidade. 
Queria ter lido primeiro o livro, mas comecei a ver o filme e a minha curiosidade fez com que o visse até ao fim. 
"O Fim da Inocência" é um filme sobre a vida conturbada de um grupo de adolescentes. Sexo, droga e álcool são dominadores comuns nas relações que se desenham entre eles. 
Foram muitas as vezes em que senti nojo. Fez-me muita confusão a quantidade de comportamentos de risco em que aqueles jovens se envolveram. A minha adolescência e a dos meus colegas está muito longe da realidade que é assustadoramente retratada no filme. Por aqui, foi tudo muito pacífico e os jovens com quem lido também vivem uma adolescência pacifica, com as suas necessidades de exploração, mas com um bom sentido de proteção. Há droga? Claro que sim! Há álcool? Das coisas a que mais facilmente acedem. Porém, aqueles que caem em excessos não me parecem ir tão longe como os adolescentes do filme.
Os jovens que eu conheço não frequentam escolas privadas, são de classe média ou média-baixa e estão conscientes dos perigos do consumo de droga e de álcool. Eu sei que isto não quer dizer que eles não consumam, contudo é algo que os protege em situações de confronto com este tipo de realidades. Também, aos 14 anos, têm ainda uma liberdade muito condicionada pelos pais. Há uma boa supervisão parental.
Por sua vez, o filme é protagonizado por miúdos do ensino privado e com um bom nível socioeconómico. A supervisão parental é muito deficitária. Aos 14/15 anos já têm um grau de liberdade que considero desadequado e desajustados às necessidades de desenvolvimento destes jovens.
Foi interessante ver este filme tendo presente os resultados de uma investigação da qual fiz parte. Esta investigação teve como objetivo conhecer os comportamentos de risco e as experiências adversas na infância de um grupo de adolescentes de um concelho no norte do país. Os resultados revelaram uma realidade um pouco assustadora relativamente a situações de abuso sexual e à saúde sexual. Há comportamentos de risco, mas estes estão circunscritos uma pequena parte da amostra (que era representativa população em estudo). 
Muitos pais devem ter ficado chocados com o filme. Algo perfeitamente normal. Também tenho curiosidade em saber o que sentiram os jovens e saber o que é que eles acham. 
Apesar da dura realidade que o filme retrata e mesmo não me identificando com as vivências retratadas acho que poderá ser um bom ponto de discussão em grupos de jovens e de pais. Consciencializar os pais para a importância do seu papel e da definição clara de regras e limites é algo fundamental para que os jovens cresçam de forma saudável.

Classificação

"Luzes do Norte" (2009)

MV5BMTcyODk0NzExOF5BMl5BanBnXkFtZTgwODc2MzcwMzE@._"Luzes do Norte" serve unicamente para entreter. O enredo é bastante fraco e as interpretação são horríveis. 
Neste filme, há um crime para desvendar! Mas tudo se desenvolve de forma tão pouco coerente e consiste que, por momentos, o filme se transformou aos meus olhos numa comédia de baixa qualidade. Nem o romance que nasce no filme é bonito e com uma mensagem especial. É , simplesmente, previsível e não provoca qualquer tipo de palpitações nem origina suspiros de agrado.
É curioso que apesar do filme ser mau algo nos puxa a ver até ao fim. Eu lá vi o filme, mas com a consciência de que daqui a uns tempos nada restará na minha memória.

Classificação: 

07
Mar20

Por detrás da tela | "Ferdinando" (2017)

MV5BOTIwMDI0NjQ4OF5BMl5BanBnXkFtZTgwNjU0MzAyNDM@._Classificação: 10/10

Sou uma enorme fã de filmes de animação. Acho que apesar de o público-alvo dos mesmos ser as crianças, as mensagens que muitos destes filmes procuram transmitir são também importantes para os adultos.

Ferdinando era um touro diferente. Um touro pacífico que não gostava de touradas. E a partir desta premissa são explorados assuntos que marcam a atualidade e são verdadeiras lutas sociais. O bullying, o amor pelos animais, o preconceito relativamente aos papéis que cada um tem de desempenhar... Tantas coisas que podem ser exploradas neste filme. 

Um filme muito amoroso, com o toque certo de diversão, ação e dramatismo. É daqueles produtos cinematográficos que nunca me irei cansar de rever. Fiquei com o coração tão inundado de amor por aquele touro. 

"Ferdinando" mostra que todos os animais são especiais, independentemente do seu papel no mundo e daquilo que desejam fazer. Mostra, também a necessidade dos humanos olharem com respeito, consideração e amor para todos os animais. Um filme de animação destinado a pessoas de qualquer idade. 

 

 

29
Jan20

Por detrás da tela | "The Silence of the Lambs" (1991)

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Classificação: 9/10 Estrelas

Fiquei com muita vontade de assistir ao filme "The Silence of the Lambs" ("O Silêncio dos Inocentes" em português) depois da comparação com o livro "Uma mente perversa" de Chris Carter. Penso que a comparação foi com o livro, mas à falta do mesmo decidi apostar no filme. 
Não sei em que medida o filme é fiel ao livro,  mas durante a visualização não senti grande proximidade com o livro de Chris Carter. Existem alguns contornos que aproximam o livro do filme, mas não senti uma enorme proximidade entre eles.

O filme é arrepiante! As cenas entre Clarice (a agente) e o Hannibal Lecter (o psicopata) são intrigantes e reveladores de um crescimento profissional de Clarice, ao mesmo tempo que o monstro interior de Hannibal se revela ao exterior. 
A banda sonora que acompanha o filme é fantástica e tem a capacidade de intensificar os momentos de maior suspense. 
As interpretações estão muito bem construídas e conferem credibilidade ao filme.

Toda a linha narrativa é  coerente e foi capaz de manter o meu interesse na resolução do mistério que se adensava à medida que o filme avançava.
Assistir ao final do filme foi desesperante. Com um final aberto que me deixou em pulgas e com a expetativa da existência de continuação (que afinal não existe, pelo que percebi este é que é a continuação de outro). 

Foi um filme muito premiado e, na minha opinião, mereceu todos os Óscares que ganhou. 

Conhecem o filme? Qual a vossa opinião em relação a ele?

15
Jan20

Por detrás da tela | "Assédio" (2018)

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Classificação: 8/10 Estrelas

É raro cruzar-me com opiniões a séries ou filmes Brasileiros aqui na comunidade portuguesa. Eu cresci a assistir novelas brasileiras e muitas vezes me apaixonei por aquelas histórias. Por isso, é com curiosidade que assisto a séries originárias do Brasil.

A minha primeira série de 2020 foi precisamente de origem Brasileira. Há uns meses passou na Globo, eu gravei e vi-a nos primeiros meses do ano. 
"Assédio" é uma série dura. Roger é um médico reputado e muito reconhecido na área dos tratamentos de fertilidade. É o homem que pretende realizar o sonho das mulheres que pretendem ser mães. É um homem de família, muito bem valorizado pelo meio social em que circula. O homem modelo. O profissional de excelência. Porém, é um homem com um comportamento sexual completamente desajustado, que abusa das mulheres que procuram a ajuda dele e que não respeita a mulher com quem casou.  

A série tem uma linha narrativa que me gerou um pouco de confusão  nos primeiros episódios. A série recurra e avança no tempo e foi isso que me gerou confusão. Após os dois primeiros episódios comecei a perceber a linha narrativa. 
Alguns episódios são emocionalmente duros. Todos os episódios deixam transparecer a dificuldade que é provar crimes desta natureza. É angustiante assistir aos relatos daquelas mulheres e sentir com elas a frustração de se sentirem sujas, usadas, abusadas por não saberem como provar a situação. 

Um dos grandes destaques desta série vai para a jornalista Mira que acredita nos seus instintos e vai até ao fim. Mas até a vida dela é uma mensagem para o telespetador. A forma como o trabalho nos consome pode originar situações verdadeiramente periogosas, e esse perigo é vivido pela Mira. 
Alguns depoimentos de mulheres são verdadeiramente dolorosos. O realismo que pauta todos eles, assim como tudo o que se densenvolve na série é brilhante e deixou-me com náuseas. Não é fácil ouvir aqueles relatos, os sacríficos que algumas delas têm de fazer, com por exemplo voltar à clínica depois do abuso só para conseguires a fertilização e conseguir controlar as emoções.

O final tem ali um toque de frustração que imprimi algum realismo à série, porém deixou-me revoltada. Mas lá está, tudo aquilo será assim tão diferente do que aquilo que se passa na realidade? Provavelmente não! Até porque a série é baseada em factos verídicos. 

Recomendo a visualização da série a todos aqueles que sentem algum interesse e curiosidade perante estas temáticas.

07
Jan20

Por detrás da tela | "Gru, o Maldisposto" 1 e 2 (2010, 2013)

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Gru - O Maldisposto 1: 6/10 Estrelas
Gru - O Maldisposto 2: 7/10 Estrelas

Os Minions fazem muito sucesso junto das crianças que eu conheço. Já perdi a conta aos postais de aniversário em que estes pequenos seres amarelos foram os principais protagonistas. Apesar de toda esta minha ligação eu nunca tinha visto o Gru nem o filme que lhe é dedicado.
Como passaram na televisão agora durante a época natalícia decidi aproveitar.

Fiquei muito desiludida com o primeiro. Achei piada a algumas coisas, nomeadamente ao comportamento do Gru e ao seu meio de transporte e claro aos Minions. Fora isso achei o filme um pouco aborrecido e em que a mensagem não passou de forma muito clara. Gostei imenso da Margô, da Agnes e da Edith e da mensagem que as personagens delas procuram transmitir. No fundo, elas são o símbolo de tantas outras crianças institucionalizadas que apenas querem uma família. 

Foi uma filme morno. Dormitei enquanto via e acabei por puxar atrás para não perder nada do filme. Faltou qualquer coisa que me agarre-se à história e que me encantasse como tantos outros filmes de animação já o fizeram.

Com estes sentimentos parti para a visualização do segundo filme. Já achei mais piada. Já consegui olhar para o Gru de uma forma mais humanizada e achei o seu comportamento mais interessante. 
A chegada da Lucy ofereceu um toque mais sentimental e especial ao filme. (Certo, eu não resisto a uma boa história de amor! ) Ela, juntamente com as crianças, fez com que Gru crescesse e revelasse um lado mais especial. 
A temática em torno do filme foi também mais clara para mim. Consegui perceber melhor o propósito do filme e qual a mensagem que prendia oferecer aos telespetadores. 

Sei que há um terceiro filme. A minha vontade de ver está ao mesmo nível da minha vontade de não ver. Não sei o que esperar do filme, não sei se vale a pena investir na visualização. Estou com sérias dúvidas sobre o que fazer...

Bem... desse lado, já viram o 3 filme? Recomendam? Acham que vale a pena ver?

28
Out19

Por detrás da tela | "Angels Fall" (2007)

Classificação: 6/10 Estrelas

"Angels Fall" é um filme baseado no livro "Onde Caem os Anjos" de Nora Roberts. É uma adaptação cinematográfica que está muito fiel ao livro, mas a minha preferência recai sob o livro. 
Apesar de a história do filme ser uma cópia perfeito do livro, a forma como a história foi interpretada e os actores que foram escolhidos foram aspetos que não me deixaram convencida. 

O filme aborda uma temática muito interessante: o stress pós-traumático. 
Reese Gilmore é uma chef de cozinha que sofreu um duro atentando no seu local de trabalho. Esse acontecimento mudou a sua vida e prejudicou a sua saúde mental, passando a sofrer de stress pós-traumático. A história avança muito em função deste problema e passa uma mensagem muito importante relativamente  à sintomatologia, a relação com a medicação e ao sofrimento psicológico que condiciona tantas áreas da vida.

É daqueles filmes bons para uma tarde pachorrenta de domingo. Um filme onde há um bom equilíbrio entre drama e descontração. Há drama com romance em doses suficientes para preencher uma tarde onde o nosso cérebro não pede nada de muito exigente. 
21
Set19

Por detrás da tela | "On Chesil Beach" (2017)


Classificação: 6/10 Estrelas

Vi "On Chesil Beach" devido à recomendação de uma amiga minha. Que por sua vez, tinha recebido como recomendação de uma formadora de terapia familiar. Ela não tinha visto o filme, mas tendo em conta a pessoa que fez a sugestão, achamos que iríamos encontrar material para uma discussão interessante.

O filme é baseado no livro com o mesmo nome de Ian McEwan (em Portugal foi publicado pela Gradiva com o título "Na Praia de Chesil")  e dá-nos a conhecer um jovem casal e a história da sua relação. O filme começa com eles já em lua de mel e vai fazendo alguns saltos temporais ao passado de ambos para ficarmos a saber o que conduziu a esta união.

Achei o filme bastante interessante até conhecer o final e o culminar de um conjunto de coisas que careciam de algum sentido. Aceder às personalidades de cada um deles, ver aquilo que os movia e aquilo que os aproximou e afastou enquanto casal constituiu um contexto narrativo de interesse. Contudo, à medida que o filme evoluía eu ia ficando um pouco aborrecida e frustrada porque não estava a obter resposta a grande parte das minhas questões. Eu senti falta de obter alguma contextualização capaz de justificar, aos meus olhos, o comportamento da Florence. Não fiquei nada convencida de que tudo o que aconteceu entre ela e Edward fosse apenas resultado de pressões sociais. Faltou ali um elo de ligação entre tudo o que assisti e o final que me foi oferecido. 

E assim, uma relação auspiciosa entre mim e o filme foi-se degradando ao ponto de apenas esperar o final para ver se obtinha as respostas àquilo que tanto estava à procura. 
Ainda não li o livro, mas ainda não decidi se o quero ler. Por um lado, tendo em conta a forma como a história do filme se desenrola não tenho vontade nenhuma de me atirar ao livro. Por outro lado, o livro, geralmente, tem sempre mais a oferecer. O que é que vocês fariam? Liam o livro ou não?
14
Set19

Opinião | "Os Invisíveis" (2017) (Original: Die Unsichtbaren)


No último fim-de-semana de Agosto fui visitar uma amiga a Lisboa. Após o jantar escolhíamos sempre um filme para ver. Calhou-me a mim fazer a escolha num dos dias e, pela leitura da sinopse, selecionei Os invisíveis. 

Os invisíveis é um filme que nos conta a história de alguns judeus que durante a Segunda Guerra Mundial viveram clandestinamente, evitando os campos de concentração. Inicialmente pensei que seria apenas ficção, não esperava que o filme fosse enriquecido com as histórias de vida das pessoas que serviram de inspiração às personagens da história. Assim, o filme é a reprodução de um conjunto de histórias verídicas de pessoas que viveram aquele pesadelo, e que são contadas na terceira e na primeira pessoas. 

Eu adorei o filme. Fiquei presa ao ecrã e às diferentes histórias das pessoas que passaram fome, perderam a casa, perderam as pessoas que amavam... É um filme duro. 
Foi um filme que gerou uma discussão saudável com a minha colega. Basicamente a nossa discussão gerou em torno das questões: 1) De onde vem a coragem de abandonar alguém que amamos, ou seja, evitamos a morte, mas deixamos que aqueles que amamos serem enviados para a morte; 2) O que leva uma pessoa a provocar deliberadamente sofrimento na outra; 3) Como será continuar na vida carregando todo o trauma e stress a que foram sujeitos durante aqueles anos e 4) Quão difícil foi para aqueles que ajudaram estes judeus a sobreviver à guerra. 

Não chegamos a grandes conclusões, mas conseguimos empatizar com as escolhas dos protagonistas dos filmes e com o seu sofrimento. Uma grande reflexão que fizemos é que num meio onde prevalecia a luta pela sobrevivência, de certeza que muitas as escolhas eram racionais e não emocionais. Os níveis de angústia, tristeza e stress deviam estar num nível capaz de toldar as emoções de qualquer pessoa. 

Muitas vezes os professores de História procuram filmes para complementar a matéria dada em contexto de sala de aula. Na minha opinião, aos professores que estão darão aulas sobre este negro período da história, este filme é uma excelente escolha e um excelente ponto de partida para uma discussão e reflexão saudável e didática. 
06
Set19

Por detrás da tela | "Wonder - Encantador" (2017)

Classificação: 10/10 Estrelas

Eu queria ter lido primeiro o livro, mas a oportunidade de ver filme surgiu antes de eu ter tempo de ler. Há uns tempos atrás ficaria aborrecida, agora já consigo ver o filme e depois ler o livro sem qualquer problema. Só gosto de deixar passar um pouco de tempo para que a memória não esteja tão nítida. Assim, um dia irei ler o livro. 

Relativamente ao filme só posso partilhar com vocês visões positivas. As representações foram magníficas! Conseguiram oferecer o drama e a emoção necessárias e capazes de permitirem a minha ligação ao filme. 
A história que o filme apresenta tem uma mensagem muito importante. É por essa mensagem que o filme deveria ser visto e discutido com crianças a partir dos 8/9 anos. 

Auggie é uma criança diferente que tem de enfrentar um mundo que não está preparado para a diferença. Porque instintivamente a escondemos e ser diferente é, em geral, motivo para olhares menos discretos e comentários que ferem a alma. 
Numa época em que tanto se fala de inclusão, este filme poderá ser um excelente ponto de partida para a reflexão. 
Aquilo que os estudos científicos apresentam é que, as crianças em idade pré-escolar, a frequentar turmas inclusivas, não olham para as crianças diferentes como sendo diferentes. Para elas é mais uma criança que está ali para aprender e brincar. Assim, as crianças, desde cedo, estão habituadas a conviver e a respeitar a diferença. Está é uma excelente forma de prevenir situações como as que Auggie foi obrigado a aprender a lidar. 
O filme retrata muito bem as dinâmicas entre pares, as dificuldades de integração, a necessidade de termos de fingir para conseguir fazer parte de um grupo... 
Uma vez uma criança disse-me que a escola era como uma selva e, para sobreviver, tens de te anular e tentar passar despercebida para que não fosse engolida. Através do filme, em vários momentos e através de diferentes personagens conseguimos perceber a influência do grupo, a necessidade de se ajustarem para se integrarem e as dificuldades de ser diferente num mundo de iguais. 

Por outro lado achei extremamente observar e pensar sobre as dinâmicas familiares da família de Auggie. A doença, muitas vezes, absorve os pais. Consome-lhes a sua atenção e energia e modifica toda a rotina familiar. É claro que tem as suas consequências e benefícios e acho que o filme conseguiu retratar muito bem o efeito de uma doença no sistema familiar. Além disso Julia Roberts Owen Wilson estiveram brilhantes no papel de pais.

O filme deixou-me com uma enorme vontade de ler o livro. Se o filme me emocionou, o livro terá uma capacidade redobrada de o fazer. 
27
Ago19

Por detrás da tela | "Catch and Release" (2006)

Classificação: 6/10 Estrelas

No domingo tive vontade de ver um filme romântico. Fui à listagem dos que estavam disponíveis na televisão e a minha escolha recaiu no filme Catch and Release. O filme conta a história de Gray, uma mulher que perde o seu noivo. No dia em que se deviam estar a casa, Gray tem de assistir ao funeral do amor da sua vida.

Porém, até que ponto é que conhecemos a pessoa que temos ao nosso lado? É depois do funeral que Gray se vê confrontada com um conjunto de informações que abalam todas as suas certezas. 
Nesta parte do enredo eu estava à espera de uma maior intensidade dramática. Esperava algo emocionalmente mais complexo, com maior tensão emocional e com acontecimentos mais significativos. Infelizmente acabou por seguir uma linha narrativa bastante previsível e sem a intensidade que eu estava à espera.

Pelo meio de todo o drama, Gray aproxima-se de Fritz, um dos melhores amigos do seu noivo. Previsivelmente, a paixão acaba por nascer. Não foi algo natural nem senti uma ligação especial entre eles. Em algumas situações do filme faltou um pouco de química ao casal. 

O filme acabou por satisfazer a minha vontade. Sim, tive um filme romântico com drama (algo que gosto particularmente), mas não conseguiu produzir em mim o encanto suficiente. Para quem procura um filme ligeiro e capaz de entreter durante umas horas, este poderá ser uma boa escolha.


21
Ago19

Por detrás da tela | "Chernobyl" (2019)


Classificação: 10/10 Estrelas

Tudo o que eu possa escrever sobre a minha experiência durante a visualização desta mini série será insuficiente. Acredito que vocês só conseguirão perceber tudo se a virem. 
Apesar do pouco conhecimento cinematográfico que detenho, acho que está série está muito bem construída. Há uma coerência na forma como os acontecimentos são apresentados, é muito realista e a banda sonora acompanha na perfeição a carga dramática que cada cena pretende passar.

O acidente na central nuclear de Chernobyl é um elemento marcante na história mundial. Acho que foi a verdadeira caixa de pandora no que toca ao conhecimento das reais consequências que uma catástrofe desta natureza acarreta. Apesar de se conhecerem os perigos, confrontá-los na realidade oferece uma maior consciência. 
O terceiro episódio é particularmente duro pela forma realista com que nos mostra os efeitos da radiação no corpo humano. Eu fui apanhada de surpresa com as imagens. Senti-me um pouco nauseada com o que vi. Contudo, o impacto psicológico acompanhou-me em todos os episódios. Foi emocionalmente dura assistir a algumas situações. 
É uma série cruel, e que nos traz parte da realidade que aquelas pessoas viveram. Deve ter sido horrível. Acho que por muito que tente imaginar, não consigo chegar perto da que realmente sentiram. 

Infelizmente acho que há um aspeto da série que ainda hoje se mantém. Esta catástrofe ainda tem muito por explicar. Interesses políticos, mentiras, omissões estão por detrás dela. Ainda hoje muitos são os interesses políticos que condicionam alguns acontecimentos. E o que perdura nos dias de hoje é o descrédito que os políticos e os governos dão aos cientistas. Aqui na série percebeu-se muito bem que muitas vezes os interesses políticos se sobrepunham ao conhecimento científico. 
É revoltante perceber que há investigação de qualidade que não é considerada por aqueles que tomam decisões em função de um povo. E é esta falta de trabalho articulado que muitas vezes resulta em catástrofe. E nem precisamos de recuar muito no tempo, nem ir a outros países, para perceber que o poder político tem em muito pouca conta a produção científica (basta pensarmos nos incêndios, nas derrocadas em pedreiras e já conseguimos perceber de que forma é que os órgãos políticos consideram a investigação realizada). Isto, para mim, é grave. É grave porque muitas investigações resultam de investimento público, é grave porque eles produzem conhecimento que contribui para uma melhor compreensão dos acontecimentos e é grave porque se ela fosse considerada provavelmente evitaríamos algumas decisões estúpidas. 

É um acontecimento muito recente e com marcas que ainda perduram até aos dia de hoje. E que espero que tenha contribuído para que se tenham tomado medidas concretas para evitar este tipo de catástrofes. 
Há dias vi no telejornal e li numa publicação da internet que se fazem visitas guiadas à cidade. Há algo nestas visitas que me deixa um pouco assustada e não é apenas pelos níveis de radiação (que até parecem que estão em valores aceitáveis). Ver fotografias daquela cidade, com elementos que se mostram tão próximos da minha realidade deixam-me um pouco apreensiva e triste. Eu não sei se teria coragem para visitar Pripyat e Chernobyl. Pripyat é uma cidade fantasma e causar-me-ia muita impressão ver tudo o que ficou para traz e com elementos e objetos tão próximos da minha realidade. É bem provável que saísse de lá e passasse uns quantos dias assombrada pelos pesadelos. 

Por várias razões, acho que é uma série que merece ser vista, pensada e discutida. 
10
Ago19

Por detrás da tela | "All of my heart" (2015)


Classificação: 8/10 Estrelas

All of my heart é uma típica comédia romântica. Há um homem, uma mulher, com estilos e formas de ver a vida diferentes e que, por um acaso do destino acabam a partilhar uma casa. 
Após este golpe do destino sucedem-se momentos cómicos, momentos mais dramáticos e os acontecimentos reveladores de que, afinal, a outra pessoa significa mais do que aquilo que inicialmente pensavam. 

Não é um filme cheio de surpresas nem revelações. É um filme divertido e descontraído que sabe bem ver numa tarde quente de Verão. 
Tem um final previsível, como a maior parte destes filmes, mas não me retirou nem a diversão nem o prazer de assistir ao desenrolar dos acontecimentos. 

Já vi que o filme tem continuação, assim como foram feitos filmes especiais a partir desta história e destas personagens.  Como gostei muito deste, quero ver todos os filmes com estas personagens e aproveitar para me divertir um pouco.