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Por detrás das palavras

Por detrás das palavras

20
Mai20

Por detrás do autor | Ana Ribeiro

Já há muito tempo que não publico uma entrevista a um escritor. Hoje é o dia de colmatar esta falha.
Para este regresso trago-vos a entrevista que fiz à escritora Ana Ribeiro.

1. Ana, para quem não te conhece, faz uma pequena apresentação de ti. O que é que a Ana escritora tem desta Ana enquanto pessoa?
Chamo-me Ana Ribeiro, tenho 32 anos, vivo em Chaves e sou licenciada em Análises Clínicas, mas, infelizmente não exerço. Considero-me uma pessoa, simples, humilde, tímida e sonhadora. A Ana escritora tem de mim o lado sonhador e persistente. Ser jovem autora exige muita persistência e paciência.

2. Quando é que começaste a escrever? Como é surgiu essa ideia?
Sempre gostei de escrever, porque sempre fui muito tímida; por isso a escrita era um refúgio, uma forma de comunicar com os outros. No início da adolescência escrevia muitos diários pessoais, uma coisa que durou até aos vinte e poucos anos; onde guardava as alegrias e as tristezas, o dia-a-dia e gostava de participar em desafios de escrita que me chegavam na revista trimestral do Clube Caminho Fantástico da Caminho que me chegava a casa. Foi assim que tudo começou.

3. O que é que te motiva na escrita? Qual a parte mais fácil e qual a parte mais difícil?
Poder contar histórias aos outros, para além disso gosto de abordar temas quando escrevo uma história, e gosto de fazer as pessoas refletir sobre esse tema. A parte mais fácil é o processo de criação, onde podemos deixar a inspiração e a criatividade fluir à vontade, gosto de vivenciar o que escrevo, de sentir a história na pele; a parte mais difícil é a publicação do livro. O mercado apoia pouco os jovens autores, ainda se foca muito nos autores que lhe dão lucro imediato e muitas das editoras que estão hoje no mercado cobram pela publicação e aproveitam-se do trabalho dos autores. O autor paga, o livro é impresso e muitas vezes nem chega ao mercado e isso faz com que muitos bons autores desistam de escrever e de publicar.

4. Como foi o processo de criação do livro “Ao teu lado”?
Foi um processo intenso, longo e moroso, uma boa parte da primeira versão da história foi escrita à mão e as ideias eram tantas que chegava a acordar durante a noite para escrever. Inicialmente estava pensado para ser uma história infantil que me propuseram em 2011 depois de participar numa feira do livro, mas, as ideias foram tantas que acabou por transformar-se num romance. A história teve várias versões e costumo dizer que acompanhou o meu percurso literário porque muito do que fui aprendendo foi posto em prática neste livro. A versão final só começou a ser preparada em 2016 quando decidi publicar a história em livro.

5. Onde te inspiraste para escrever a história do Miguel e da Ana do livro “Ao teu lado”?
A amizade de Ana e Miguel é inspirada numa amizade minha. Dei ao Miguel o nome de um amigo meu que me apoiou imenso neste percurso, a forma de lhe agradecer foi trazê-lo para um livro meu, o que tornou o processo de escrita da história especial. A viagem que Ana e Miguel fizeram ao Parque Nacional dos Picos da Europa, é a descrição da viagem que eu fiz em 2012 e 2016. O resto é pura ficção fruto de ideias que foram surgindo.

6. Quais os projetos futuros relativamente à escrita?
Posso adiantar que tenho o novo livro já pronto, que conto publicar para o ano. Vai ser o meu regresso à poesia, depois do primeiro livro publicado há nove anos. Surgiu há algum tempo a ideia de celebrar estes 10 anos do primeiro livro com um livro novo de poesia, espero que a situação que atravessamos me permita concretizar o que tenho em mente, mas é tudo ainda incerto.

Tenho algumas histórias escritas, mas inacabadas que conto publicar no futuro, a preparação de “Ao Teu Lado” para a Amazon foi um processo longo, o manuscrito precisou de várias alterações (muitos momentos do livro tiveram que ser resumidos para a publicação e alguns leitores sugeriram que os desenvolvesse) e correções que a editora não fez, nomeadamente erros ortográficos e de formatação que ficaram, obrigando-me a abandonar o que estava a escrever. A divulgação da obra foi toda feita por mim, por isso, desde 2017 que me tenho dedicado a este livro. Espero regressar em breve a novas histórias.

28
Nov17

Por detrás do autor | Ana Beatriz Cruz


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Ana Beatriz Cruz, mãe, entusiasta pela escrita.
Apaixonada por poesia, por contos infantis e crónicas. Não há um dia que não escreva nem que seja um qualquer recado.
Formada em Jornalismo e Comunicação. Mestre em Jornalismo, Comunicação e Cultura.


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Como é que nasceu a Ana escritora? O que é que a Ana escritora tem da Ana enquanto mulher e Ser Humano?
A Ana escritora nasceu há mais de dez anos quando conheci Pessoa e Florbela. Na altura devorava os seus poemas e li-os vezes e vezes sem conta. Descobri que gostava de escrever, e por isso decidi formar-se em Jornalismo e Comunicação, e mais tarde tirei o mestrado em Jornalismo, Comunicação e Cultura. 
A escrita jornalística é igualmente uma paixão que vivi durante três anos. Quando deixei de ser jornalista dediquei-me à poesia e compilei poemas que fui escrevendo ao longo dos anos.
A Ana escritora é tudo o que a Ana mulher não mostra, a todos, ser: emotiva, apaixonada e nostálgica. Quem me lê vê-me nua, despida de sorrisos falsos e palavras simpáticas. Quem me lê conhece-me.

Que motivos te levam a escrever poesia?
A poesia é sentimento e por isso faz sentido para mim. 
O motivos pelo qual escrevo poesia está relacionado com a paixão que me faz ler poesia. É o meu género literário preferido, seguido das crónicas.

Consideras que a poesia é um género literário mais fácil ou mais difícil do que os outros? Porquê?
Para mim é natural, por isso, se estiver inspirada considero fácil. Talvez não seja tão fácil de ler como uma história com princípio, meio e fim, mas é genuína.

Podes partilhar connosco a forma como é que nasce um poema teu? Onde procuraras inspiração, como articulas as palavras. 
Um poema meu nasce de um pensamento que coloco no papel. É espontâneo. Não me sento a tentar escrever poesia. Às vezes, escrevo mentalmente no carro, na cama.
A minha inspiração nasce do que sinto no momento, do meu filho, do meu marido, da minha mãe, da minha terra. No fundo do amor e da dor.

Vês-te a escrever outros géneros literários? Quais? Tens algum projeto em construção?
Sim. Enquanto jornalista escrevi notícias, reportagens e fiz entrevistas. E a escrita jornalística é igualmente fascinante para mim, sendo que enquanto jornalista os meus sentimentos não iam para o papel e prezava pela objectividade.
Também escrevo crónicas, algumas estão no blogue debocaencerrada.blogspot.pt, outras poderão vir a ser um livro. Publiquei três no P3 - site do jornal Público.
Neste momento, além dos poemas que escrevo com bastante frequência, estou a escrever um livro em prosa, que conta a história de duas pessoas que se amam e acompanham, mas que são mais do que um casal.

Porque é que as pessoas devem ler o livro “Os meus poemas não rimam”? O que é que as pessoas vão encontrar no livro.
"Os Meus Poemas Não Rimam" é um livro para todos os dias, para nos confortar em dias menos bons, nos deixar com saudade e nos fazer acreditar no amor puro.
No livro encontram-se pedaços de mim, pedaços de nós, pedaços de toda a gente que sente, que teme, que vive, que ama.
 Ana, muito obrigada pela disponibilidade para responderes à minha entrevista.
Votos de muito sucesso.
09
Ago17

Por detrás do autor | Teresa Poças



Hoje trago-vos mais uma entrevista. Desta vez é à autora Teresa Poças, que escreveu o livro de poesia A fronteira do perpétuo publicado pela Editorial Novembro.


Teresa Poças nasceu em 1996 e é natural da freguesia de Melres, Gondomar, onde viveu toda a sua infância e adolescência.

Wook.pt - Teresa Poças
Dotada de uma mente poética que desconhecia, desde cedo começou a ler e a escrever. Sentiu-se compreendida quando leu o seu primeiro poema. Percebeu como poderia expressar a sua essência quando leu as metáforas de Sophia de Mello Breyner: as coisas não eram só coisas. Depois de muitos rascunhos, encontrou o seu estilo próprio e, aos 14 anos, publicou o seu primeiro livro, Imensidão do Vazio.

Na simplicidade de uma pré-adolescente, espelhou-se a si própria de forma genuína: um mineral em bruto, talvez um dia um diamante. A pedra foi ganhando resistência e, após um longo período afastada da escrita – uma fase Caeiriana da sua vida –, voltou a sentir necessidade de se expressar, concluindo uma obra que reflete a entrada na idade adulta e a consolidação de si própria. 

A fronteira do perpétuo é uma das muitas fronteiras que terá de ultrapassar ao longo da sua vida. Foi escrita durante o seu secundário e o seu último ano de faculdade, incluindo uma passagem pela Dinamarca durante 4 meses. 

Atualmente, estuda Gestão na Universidade Católica Portuguesa e tem o sonho de usar a poesia em áreas diversas: afinal, não foi Pessoa que escreveu o primeiro slogan da Coca-Cola? (Biografia retirada do site Wook).

*****
Por detrás das palavras (PDDP) - É uma jovem escritora portuguesa que está a dar os primeiros passos no mundo literário. Quem é a Teresa enquanto pessoa comum e a Teresa enquanto escritora? Em que se completam essas duas facetas?
Teresa Poças (TP) - Terminei a licenciatura em gestão na Universidade Católica Portuguesa do Porto este mês de Julho e vou começar o mestrado em Marketing Estratégico na Católica Lisbon em Setembro deste ano. Perguntam-me muitas vezes porquê estudar gestão, sendo eu uma pessoa ligada à literatura. Admito que muitas das cadeiras mais técnicas me aborreceram, mas sou uma pessoa muito ligada ao mundo, à sociedade e ao funcionamento dos seus grupos e instituições e achei que gestão me poderia dar um conhecimento abrangente sobre esses tópicos, algo que se verificou. Acredito que esse meu lado mais concreto, realista e racional é o que diferencia a minha poesia. Ao mesmo tempo, tenho um lado bastante irreal em mim. Vejo mais nas coisas do que apenas elas mesmas porque sinto bastante tudo o que acontece e procuro significado nos pequenos pormenores da vida. Talvez porque acredito que a vida tem de ser mais do que aquilo que é e a única forma de o ser é atribuirmos o nosso próprio significado às coisas. Ao longo deste livro, está bastante claro a conjugação desses meus dois lados, um mais concreto, outro mais subjetivo, e os próprios conflitos que enquanto pessoa ultrapasso por os ter a ambos dentro de mim e é essa conjugação que me caracteriza enquanto escritora, nomeadamente enquanto poetisa e sujeito poético.

PDDP  -Como é que foram os seus primeiros passos na escrita? Quais as suas inspirações? O que é que a fascina?
TP - Eu digo isto na minha biografia: Senti-me compreendida no momento em que li o meu primeiro poema. Percebi de imediato que seria através daquele formato que me iria poder expressar. Sempre me fascinou a existência do eu e da alma, o conflito entre os sentimentos e a razão e a nossa capacidade de os controlar. Os meus primeiros poemas foram bastante focados nessas questões, de uma forma muito pura e genuína, de quem está ainda a construir a sua personalidade e a descobrir o mundo que o rodeia. Comecei por ler bastante sophia de mello Breyner, incluindo a sua poesia, porque ficava fascinada com as suas metáforas. Como disse antes, para mim, uma coisa não é só uma coisa e comecei a fazer várias associações entre vários objetos, sistemas, situações, grupos, elementos naturais e a usá-las para descrever melhor a complexidade da mente humana e dos seus respetivos comportamentos. Atualmente, tenho escrito uma poesia mais concreta, mais realista, talvez na procura da verdade, da disciplina do pensamento.

PDDP - A fronteira do perpétuo é o seu primeiro livro publicado. O que é que os leitores poderão encontrar neste livro?
TP - Neste livro os leitores poderão encontrar um pedaço de mim e da minha perspetiva do mundo e da sociedade. É um livro muito direto, apesar de toda a subjetividade intrínseca na linguagem poética. É um livro honesto, puro, muito sentido e ao mesmo tempo com alguma racionalidade.

PDDP - O que é que a inspirou na escrita deste livro? Quais os pontos mais fáceis e os pontos mais difíceis durante o processo de escrita deste livro?
TP - Perguntam-me muitas vezes como obtenho inspiração e em tom de brincadeira costumo responder: às vezes preferia não a ter. Por vezes forço-me a parar de escrever porque não quero pensar sobre as coisas ou ter os sentimentos tão à flor da pele. Mas é engraçado que consigo prever quando vou escrever um poema. Há um estado característico que me leva isso e normalmente é quando não consigo explicar o que sinto através de um discurso narrativo. Há sentimentos, situações e momentos que precisam de algo mais alto para os descrever e só a poesia é capaz de o fazer.

PDDP - Achei interessante a forma como dividiu os poemas ao longo do livro, distribuindo-os por seis partes e tendo em conta os pronomes pessoais. Pode explicar-nos um pouco os motivos que a levaram a fazer esta divisão? Tem algum significado especial?
TP - A separação dos capítulos é talvez aquilo de que mais me orgulho neste livro. Enquanto procurava um nome para cada uma das partes percebi que as podia dividir pelos pronomes pessoais e penso que muitos outros livros de poesia poderiam ser divididos da mesma forma. Afinal, a poesia baseia-se na definição do sujeito poético e nas suas várias dimensões enquanto ser social, ser pensante, que se situa em vários espaços, em relação consigo próprio, com o mundo, com a sociedade e com os que os rodeiam.

PDDP - Quais são os temas gerais que podemos encontrar nos poemas deste livro? Há algum tema em particular que lhe desperte maior interesse ou pelo qual tem um carinho especial?
TP - Os temas predominantes neste livro são a crítica social, a definição do “eu”, a procura de uma filosofia de vida ideal, a transição para a fase adulta e o amor.

PDDP - No poema Rede escreveu que “Não me quero arrepender de deitar um vestido ao lixo/ Quando encontrar os sapatos perfeitos para ele”. Fazendo um pequeno paralelismo com um livro, quais serão os leitores ideias para este livro? No fundo, que leitores não desistirão deste livro?
TP - Apesar de estudar gestão e de começar o mestrado em marketing estratégico já em setembro, nunca pensei nos leitores ideias para este livro. Não o escrevi com a intenção de me dirigir a um target específico até porque a poesia tem inúmeros interpretações possíveis e pode fazer sentido em diversos momentos da vida de um mesmo indivíduo. No entanto, penso que obviamente o público mais jovem, a partir dos 20 anos, irá sentir naturalmente uma forte ligação com a obra pelos temas abordados e pela forma como são abordados. Como disse, a minha poesia é bastante direta e tem traços claros da minha juventude e de espírito aventureiro associado a esta fase da minha vida. Para além disso, muitos dos poemas refletem a descoberta das várias dimensões da vida: o amor, as amizades verdadeiras, os sonhos, o “eu” enquanto ser social, entre outros. No entanto, é um livro que faz sentido ler noutras idades porque expressa os sentimentos humanos de forma crua e já muitas pessoas mais velhas me disseram: já tinha sentido isto, mas nunca tinha conseguido exprimir desta forma. É um livro muito jovem, mas ao mesmo tempo com pensamentos muito claros e definidos e por isso penso que faz sentido para várias idades.

PDDP - Em termos futuros, o que é que a Teresa espera conquistar relativamente ao mundo literário? Quer-se aventurar por outros géneros? Quais serão os eleitos?
TP - Não desenhei a minha carreira a nível literário, mas sonho com um mundo mais pensante, com mais sentimentos e mais poético. Penso que a poesia nos pode ajudar em vários momentos da nossa vida a pensarmos no que queremos para nós próprios e no caminho mais certo a percorrer. Não porque a poesia contenha respostas, mas porque nos faz pensar e porque vai até ao centro de várias questões, de forma filtrada, sem espinhos. É por isso que não escrevo com palavras complexas porque o importante para mim é a mensagem e a intensidade com que a mesma é passada.

Deixo aqui o meu profundo agradecimento à Teresa Poças pela amabilidade e disponibilidade em responder às minhas questões.
21
Mai17

Por detrás do autor | Vanessa Santos

Há muito tempo que não fazia uma entrevista aqui para o blog. Em jeito de agradecimento pela oferta do livro convidei a autora Vanessa Santos para uma pequena entrevista.
Ela aceitou  o convite e, muito amavelmente respondeu a algumas perguntas que lhe enviei.

Vanessa Santos
É natural de uma das freguesias mais antigas da cidade de Leiria, Cortes. Ao longo dos anos, foi descobrindo o gosto pela leitura, tendo concluído, que o seu gosto e género literário pende, essencialmente, para o thriller, terror, ficção científica e, principalmente, histórias de crime e mistério, sendo por isso, leitora de nomes como Agatha Christie e Stephen King.

A autora de “Mors Tua, Vita Mea – A tua morte, a minha vida”, é finalista da Licenciatura em Direito, em Coimbra, e no mesmo ano em que se torna finalista lança o seu blogue intitulado Livros de Vidro.

A transição de ano de 2014 para 2015 culminou com a edição da sua primeira experiência no mundo da escrita com um texto que teimava em ficar apenas no fundo de uma gaveta, mas que se espera não ser o último a sair de lá. (texto retirado daqui).


Em que medida o teu mundo pessoal se cruza com o teu mundo de escritora? O que é que os afasta e o que é que os aproxima?
Gosto de ler e a escrita apareceu quase por acaso. Ou foi mesmo um acaso. Uma experiência, nunca tinha pensado em escrever um livro até ao dia em que comecei. Fui escrevendo até acabar. Se se disser que os dois mundos se cruzam será na medida em que o mundo de escritora se tornou uma experiência, uma vivência do mundo pessoal.


 Na tua apresentação pessoal consta que tens um maior interesse por um género de livros em que o crime e o mistério andam de mãos dadas. O que é que te fascina neste género de livros? O que é que achas que este género de livros deverá ter para torna-los interessantes e memoráveis aos teus olhos?
O mundo do crime fascina-me além da literatura. É um mundo que a nível profissional também me diz algo e é uma das áreas em que mais gosto de trabalhar. Claro que ao lê-lo nos momentos de lazer, em livros de literatura de “entretenimento”, gosto que seja uma trama bem pensada, construída com suspense e sem que os finais sejam “mais do mesmo”. Quando leio autores “profissionais” exijo isso, pois já contam com muita experiência e uma equipa a acompanhá-los. Quando deles me chega o mínimo, penso que é defraudar o leitor.
Aos meus olhos terão de ter aquilo que nenhum outro teve, uma história nova, um método novo, um cenário diferente. Às vezes bastam pequenos pormenores para fazer a diferença, mas considero que só escritores já calejados lá chegam. Embora haja boas surpresas em “novatos”.


Mors tua, vita mea: a tua morte, a minha vida é o teu livro de estreia. Podes partilhar connosco como foi todo o processo de criação deste livro? Quais foram as tuas fontes de inspiração para o enredo e as personagens?
A inspiração foi do mais corriqueiro que se pode imaginar. Foi a vida do dia-a-dia, claro que com alguma ficção à mistura. Como bem disseste, foi o livro de estreia, escrito há mais de três anos, foi sendo escrito ao longo de outros três. Foi um processo inteiramente amador, sem qualquer experiência. E isso nota-se no resultado final. Mas durante esse tempo via pequenas coisas à minha volta que iam ajudando a construir a história, há personagens inspiradas em pessoas reais, os locais existem, só a “Biblioteca” está ligeiramente, muito diferente vá, da original. Não sendo um livro de fantasia, permitiu que agarrasse no mundo real.


O que é que foi mais fácil na escrita deste livro? E o mais difícil?
O mais fácil foi escrever. O difícil veio depois, quando começamos a perceber que deveríamos ter calma antes de partir para uma edição definitiva.


Farias alguma coisa de diferente com este teu primeiro livro? O que é que farias?
Faria. Para já o cuidado depois da escrita seria outro. Ninguém que esteja a escrever um livro está, ou tem de estar, preocupado com os erros, as gralhas, a estrutura, etc. Quem já o fez sabe isso. E bastará conversa com autores já imensamente publicados para perceber isso. 
Esse trabalho deveria ser feito depois. Mas surge o problema de nós já conhecermos o nosso texto, então, se o formos ler os erros estão lá mas nem os vemos, e isso acontece até com trabalhos de escola/faculdade. 
Penso que é fulcral o bom acompanhamento das editoras. É fundamental ter calma na escolha das mesmas. Não cair logo na primeira que aparece e conseguir-se ter o distanciamento necessário para parar, esperar e voltar a ler o texto. Sentar-nos a lê-lo e sabermos criticá-lo. 
Toda esta fase me falhou. Deveria ter tido calma, parado, ter avaliado várias alternativas. O desconhecimento do mundo editorial também dificultou na altura, penso que acreditamos no que nos dizem quando desconhecemos. 
Como se costuma dizer: “se soubesse o que sei hoje…”. Mas foi essencial para aprender e ganhar ferramentas.


Tendo em conta o que farias diferente, que aspetos te fazem olhar para o teu trabalho de uma maneira diferente? Que aprendizagens tens feito que te permitam olhar com mais clareza para as coisas e tomar consciência daquilo que preferias fazer diferente?
Como disse, a parte da leitura final, é essencial. O aplacar a ansiedade com que ficamos após terminar também. 
Claro que hoje escrevo e penso de maneira diferente da altura em que terminei o livro, o que também altera as coisas. 
Mas aprendi que escrever um livro não é fácil. E os trâmites seguintes também não.


Lançaste-te num projeto de administração de um blog, o Livros de vidro, como é que nasce essa ideia?
A ideia nasceu após escrever o livro e antes de o editar. Como disse, gosto de ler, e num dia mais aborrecido em que não tinha um livro para ler e tinha o computador à frente acabei por dar vida ao blogue. Basicamente o blogue nasceu do gosto pela leitura e de um momento de “seca”.


Como tem sido a experiência de teres um blog literário? Tem-te ajudado em alguma coisa? Em quê?
Tem sido boa. Tem-me permitido conhecer muitos autores portugueses. Tem-me mostrado as várias editoras do país e tenho, assim, acompanhado o seu trabalho. Vejo que há muitas em que o trabalho de acompanhamento aos autores é fraco, o que prejudica os livros. 
Há trabalhos bons, mas mal conduzidos e há outros maus, mas que ainda assim foram editados. 
No fundo isso mostra o carácter económico que tem sido dado à literatura. Se sou crítica com o meu livro e lhe reconheço falhas, devo dizer que tenho encontrado coisas muito graves noutros textos. 
Se por um lado, lamento por todos os que não soubemos ter calma e não fomos devidamente conduzidos, por outro, assusta-me que haja a pouca honestidade de se publicar qualquer coisa sem alertar os autores para aquilo que têm em mãos. 
Não custa nada, ou talvez custe, dar uma opinião sincera, mesmo que negativa. E aí sim, de plena consciência, decidiria o autor se ainda assim queria avançar. 
Se me tivessem alertado, chamado a atenção, teria esperado. Feito a tal pausa. Tido calma. 
Mas não são só coisas negativas. Felizmente muitas foram as pessoas que gostaram do texto e que se abstraíram dos referidos erros e falhas e solicitaram uma continuação. Que a existir já terá todo um tratamento diferente do primeiro livro. 
Sabemos todos que nunca agradaremos a toda a gente, há público para todo o género de conteúdos.


Enquanto escritora o que pensas fazer no futuro? Há ideias na gaveta? Estás com vontade de as desenvolver?
Há algumas, mas neste momento estão em pausa. Profissionalmente estou numa fase exigente e estou focada. Só no verão volto a pensar na escrita. 
Estou com vontade de voltar a tentar, não podemos desistir. E como já havia dito, foram poucas as reacções negativas e muitas as positivas. O que vai dando força. Nunca se sabe quando somos o próximo Nobel da literatura. (risos) Nenhum grande autor ficou grandemente conhecido logo à primeira tentativa. É preciso limar arestas e partir pedra.


Como e quando lhe pretendes dar forma?
Ainda não sei bem.


Porque é que as pessoas devem ler o teu livro?
Quem estiver à procura de um livro descontraído pode lê-lo. Quem quiser um clássico profundo e filosófico não deverá lê-lo. É um livro simples, que se lê rápido. Não exige muito dos leitores. A não ser o exercício de se tentar abstrair das falhas ;)

Vanessa,muito obrigada pela disponibilidade e atenção. 
Votosde muito sucesso profissional, literário e pessoal. 
04
Fev16

Por detrás do autor | Patrícia Morais

Já não publicava uma entrevista há muito, muito tempo... É certo, não tenho convidado os autores, nem tenho tido muito tempo para me dedicar a este espaço do blog. Porém é algo que gosto muito de fazer.

Recentemente comecei a estabelecer contacto com a autora Patrícia Morais, que já tem publicado o livro "Sombras", pela coolbooks, e o conto "Um Natal Assombrado", disponível gratuitamente na smashwords. A partir deste contacto surgiu o convite para um entrevista e que ela prontamente aceitou. 
Aqui ficam as perguntas e respostas. 

1. Escolha uma imagem que ache que a caracterize enquanto pessoa. E explique-nos o porquê. Escolheria a imagem de uma floresta. Sou muito dada à natureza e a caminhadas, e ficar fechada em casa é algo que me faz ficar aborrecida e deprimida a longo prazo. Quando preciso de inspiração ou de desanuviar um pouco, naqueles momentos em que a escrita já não esta a ser produtiva, um passeio pela floresta traz-me sempre ideias novas. Às vezes as imagens de florestas na internet também ajudam.

2. O que é que a fascina no mundo da escrita?
Muita coisa. Por um lado, é uma maneira de aclarar a mente; assim que ponho no papel o que me preocupa, parece que me foi tirado um peso de cima. Por outro, são os mundos que crio, de certa forma, igualmente perigosos e fascinantes, mas com outro tipo de perigo. E depois, a forma como posso analisar as pessoas que conheço e as situações que vivi e utiliza-las como inspiração para as cenas que escrevo. Gosto muito de rever os meus livros e relembrar exatamente o que estava a pensar na altura em que escrevi uma dada cena ou a razão pela qual a escrevi.

3. O que é mais tem gostado neste mundo?

Quando o mundo real se torna cansativo ou aborrecido, eu vejo nos mundos que criei uma oportunidade para deixar de ser eu própria e passar a ser outras personagens. Posso ser a Lilly, o Liam, o Louis, entre outros… Naquele momento, a minha mente deixa de me pertencer e pertence a outra pessoa, com outra personalidade, outra vida e outras preocupações.

4. Pelos trabalhos já publicados, podemos ver que tem um carinho especial pela “fantasia”. Está fechada à escrita de outros géneros literários, ou pretende alargar o seu pano de fundo para criação de histórias?

Já mesmo quando toca à escolha de livros para ler, os géneros “fantasia” e “infantojuvenil” são sempre os primeiros elegidos. Mas, sou crente que os escritores só melhoram quando se forçam a sair da sua área de conforto e experimentam outras coisas. Acho que de momento, as minha ideias mais fortes concentram-se neste ramo, mas tenho algumas ideias guardadas que tenciono utilizar um dia mais tarde para explorar outros fundos.

5. Quem acompanha o seu blog, pode constatar que a música é uma grande fonte de inspiração. Explique-nos em que medida consegue inspirar-se na música.

Desde pequena que as minhas duas maiores paixões são os livros e a música. A música, torna as ideias que tenho muito mais reais, e por vezes funcionam como catalisadores para a sua formação. Se eu estiver a ter dificuldade com uma cena mais íntima ou uma cena mais ativa, basta escolher a música apropriada para o plano, fechar os olhos e as palavras parecem que tomam vida própria e escrevem-se sozinhas no papel. 

6. “Sombras” foi o seu primeiro publicado. Como foi o processo de escrita deste livro? 
Acho que é possível dizer que foi escrito à base de música. Uma frase aqui e outra frase ali, apanhadas num momento de distração e tinha um enredo inteiro a formar-se à frente dos meus olhos. 

Inicialmente foi lento. Eu tive a ideia da organização Venator e cheguei a casa para escrever o primeiro capítulo, o momento em que a vida de Lilly é alterado, mas não sabia o que lhe iria acontecer a seguir, então pousei a caneta. Mas aquela ideia não me saia da cabeça, e aos poucos e poucos foram aparecendo mais personagens, primeiro Liam, depois a Zhao, e depois os outros… Conforme eles iam aparecendo, eu ia anotando as suas características, e alguma cenas que tinha em mente para escrever sobre eles. 

Entretanto, fui pesquisando. Fiz uma pesquisa intensiva sobre todas as criaturas mitológicas que conhecia, e com essas pesquisas vieram mais criaturas e mais ideias. Passado um ano já tinha o enredo formado na minha mente, só faltava pôr no papel. 

7. Na sua opinião, o que é que os leitores poderão encontrar em “Sombras” que os deixem agarrados à história? 
«Sombras» é um livro onde existe sempre algo a acontecer, não existe momentos parados e isso leva à curiosidade sobre o que será que vai acontecer a seguir. É um livro que se debate com problemas reais, mesmo que estes estejam disfarçados, rodeados pela mitologia e pelo folclore. 

8. Se tivesse oportunidade de reescrever o “Sombras” alteraria alguma coisa? 

Em termos de personagens e enredo, não, estou muito contente com o resultado final de «Sombras». Talvez, apenas o típico “quem conta um conto, acrescenta um ponto” e reveria alguns pontos. 

9. Neste momento, está a trabalhar num novo trabalho? O que é os leitores podem esperar do seu trabalho no futuro? 
O projeto que estou a trabalhar de momento, e quase a finalizar, é a sequela de «Sombras». O mundo será o mesmo, mas aqui os personagens enfrentam outros problemas, resultantes do final do livro. E, enquanto que o primeiro livro se focava na criação de Lilly e Liam como personagens, neste segundo será possível ver um pouco do restante enredo e ter um cheirinho das motivações que movem tanto os protagonistas como os antagonistas.

Obrigada pela disponibilidade.


Patrícia Morais
Patrícia Morais é uma estudante de tradução na London Metropolitan University. Mesmo enquanto mudava constantemente a sua mente acerca do que seria a sua futura profissão – alternando entre professora, nadadora salva-vidas e até mesmo veterinária –, algo que sempre teve a certeza foi que um dia viria a crescer para ser escritora.

E porque acredita que ainda não passa demasiado tempo à frente de um computador a escrever, ainda regista no seu blog, trishmorais.blogspot.pt, as suas experiências de escrita e traduz os conselhos de outros autores de língua inglesa.
31
Jan15

Português no Feminino: Palavras de Carina Rosa

De forma encerrarmos a primeira leitura para o desafio Português no Feminino 2015 decidimos dar a conhecer a autora, através das suas próprias palavras. 

Poderíamos ter ido pelo caminho mais fácil recolhendo umas informações da autora através da internet, mas a entrevista permite que o leitor consiga conhecer melhor a escritora e a pessoa que está por detrás dos livros que nos dá a oportunidade de ler. 


Por isso aqui ficam as nossas trocas de ideias:



1. O teu percurso literário já tem algum tempo. Partilha connosco as coisas boas e as coisas menos boas que a entrada no mundo da literatura te ofereceu.

Coisas boas: as pessoas que conheci, não apenas leitores-beta e bloguers, mas amigos com os quais me identifico e que entendem este meu mundo; o carinho dos leitores, que não se limitam a ler aquilo que escrevo, incentivando-me, ainda, a escrever mais e a nunca desistir; a aprendizagem daquilo que é a literatura e um grande crescimento em relação às técnicas de escrita criativa e de estrutura; as opiniões positivas, claro, porque me fazem feliz, e as negativas, porque me fazem crescer.

Coisas menos boas: talvez a exposição ao público. Muito do que um autor escreve mostra a sua visão pessoal das coisas. Transportamos muito para as personagens e isso coloca-nos numa situação complicada: expõe-nos a pessoas que não conhecemos e que não nos conhecem e que passam a fazê-lo. É uma grande responsabilidade escrever assim e mostrá-lo ao mundo. Depois, é preciso pensar muito bem naquilo que fazemos para não desiludir aqueles que um dia acreditaram em nós. 



2. Durante o processo de escrita de um livro passas por imensas fases. O que é que é mais fácil e mais difícil durante a escrita de um livro.
Mais fácil: o romance e o dramatismo, duas áreas em que me sinto à vontade e das quais gosto imenso.

Mais difícil: o enredo e as personagens. O enredo porque não é fácil torná-lo credível e fazê-lo funcionar. As personagens porque têm de estar bem caracterizadas, sem dúvidas, sem incongruências. Penso que o mais difícil, numa obra, é mesmo o planeamento e o processo de criação do enredo e das personagens, porque é mais fácil escrever quando sabemos onde estamos e aquilo que queremos.


3. Para quem nunca leu nenhuma obra tua, quais as características que podes apontar e que o leitor vai certamente encontrar.
Muito romance, algum drama e muito, muito suspense.


4. É dentro do género contemporâneo que te sentes bem a escrever ou pensas que consegues tornar-te camaleónica ao ponto de te aventurar por um outro género? 
Bem, eu já me aventurei por outro género, o policial, no qual estou a trabalhar de momento. Pessoalmente, acho que será uma mais-valia para mim enquanto escritora, porque é diferente de tudo o que tenho feito até aqui. No entanto, sim, o contemporâneo é o género em que me sinto mais à vontade. É bom, porém, sair da nossa zona de conforto e tentar outras coisas, alargar os nossos conhecimentos e capacidades. «O Escultor» está a ser um desafio e penso que quando estiver no ponto, vou respirar de alívio e ter ainda mais orgulho em mim mesma. Não são só os leitores que se fartam dos autores, quando lêem muita coisa dos mesmos e o estilo está sempre lá, começando a tornar-se maçador. Nós, autores, também nos fartamos, por vezes, daquilo que fazemos. Fugir ao contemporâneo foi uma boa decisão, embora planeie voltar, claro, à minha casa de sempre. Não é fácil ser um camaleão, mas estou a tentar sê-lo cada vez mais. Todos temos várias facetas e mais habilidades do que aquilo que pensamos.


5. “A Sombra de um passado” é o teu terceiro livro publicado. O que é que sentes com mais esta conquista?
«A Sombra de um Passado» é um livro importante, não só porque tenho um carinho muito especial por ele e o acho mesmo “fofinho”, mas também porque foi aceite por uma grande editora e isso levou-me a acreditar mais no meu trabalho. O facto de ter sido publicado por uma chancela da Porto Editora alargou-me horizontes e fez-me chegar a leitores diferentes, mesmo que tenha sido apenas em e-book. Creio que, em papel, chegaria a ainda mais. Foi sem dúvida uma conquista que me deixou muito feliz.


6. Como surgiu a ideia de escreveres “A Sombra de um passado”?
Surgiu numa noite especial de Verão, através de uma história que me foi contada. Este livro tem uma base real, com contornos fictícios que eu criei para passar a história para o papel.


7. Todas as personagens deste livro têm características que as aproximam muito da realidade. Como é que fazes para conseguir captar essa essência? Há alguma personagem pela qual tenhas um carinho especial?
Bem, eu tento colocar-me na pele das personagens, pensar naquilo que fariam em determinada situação. Rio e sofro com elas, daí, talvez, parecerem tão reais. Na verdade, eu acho que elas o parecem porque eu as vejo assim. Para mim, existem para lá do papel e poderiam ser qualquer de nós. Aliás, se o leitor não sentir o mesmo, não consegue entrar na história. Neste livro, confesso que a minha personagem favorita é o Hugo. A força desta história vem dele, ainda que seja o vilão. É ele que faz girar tudo à sua volta. Eu adoro vilões. Têm uma força que por vezes não encontramos em outras personagens. No caso do Hugo, o meu carinho por ele é ainda maior, porque há uma reviravolta na sua personalidade e ele acaba por mostrar vulnerabilidades que nos levam a perdoá-lo um bocadinho. 


8. Houve alguma passagem que achaste que era melhor não colocar por medo de chocares o leitor? 
Não. Não penso nisso quando estou a escrever, nem nas cenas de agressão, nem nas de sexo. Se me pedissem para as citar em público, provavelmente não o faria, mas um livro é mais do que essas passagens fortes, é composto por tudo o resto e elas são necessárias.


9. São vários os locais do Algarve e do Porto que referes ao longo do livro. São locais que te são queridos por estarem associados a boas memórias ou foram escolhidos de forma aleatória?
Sim, sem dúvida que me são queridos. O Algarve porque é a região onde vivo, o Porto porque é a cidade onde a minha mãe nasceu e onde a minha família viveu durante muitos anos. Ainda tenho lá família.


10. O que podemos esperar nos próximos tempos em termos literários?
Estou a trabalhar muito para poder mostrar aos leitores o meu primeiro romance policial, «O Escultor». No entanto, só irá para a rua quando eu achar que está no ponto. Ainda precisa de muito trabalho e não há pressas. O momento certo chegará.


11. Pensando no teu futuro enquanto escritora, quais são os teus maiores sonhos?
Os de qualquer autor que expõe o seu trabalho, acho. Primeiro: ser lida, ser muito lida, porque uma obra pode ser boa, mas se não for conhecida, ninguém saberá da sua existência. Segundo: que os leitores continuem a gostar daquilo que lhes dou, porque a leitura é um mundo de sonhos e o meu maior desejo é fazer sonhar quem está do outro lado e passar bons momentos dentro de uma história. Penso que estes meus sonhos se reflectem nos meus leitores, mas para os conseguir, precisava de uma maior projecção no meu trabalho. Gostava muito de conseguir publicar o meu próximo livro em papel, não porque não seja lida em e-book, mas porque ainda sou da geração do papel e gosto de ver os meus livros na estante e poder folheá-los de vez em quando. Gosto de saber que existem como algo palpável e que posso oferecê-los às pessoas especiais. Penso que este seria o meu maior sonho neste universo.



Obrigada Carina pelas tuas palavras e pela tua disponibilidade.
Foi um gosto e cá estamos para ler as tuas palavras, por isso só queremos que continues a dar azo à tua devoção à escrita.
30
Nov13

Por detrás do autor | Carina Rosa

Hoje foi um dia muito importante para a Carina Rosa, uma vez que foi a apresentação da sua obra mais recente. 

Em jeito de comemoração, a Carina acedeu a responder a umas pequenas perguntas para a rubrica Por detrás do Autor. Espero que gostem da entrevista e não deixem de ler As gotas de um beijo. 



1. O que devemos saber da Carina enquanto pessoa para nos interessarmos pela Carina escritora? E o que é que cada uma oferece à outra?

Pergunta interessante. Fez-me lembrar a época em que treinava na Ginástica e dizia às minhas treinadoras, quando algo corria mal: “Não fui eu. Foi a outra”. Isto para dizer que talvez existam duas Carinas diferentes, ou muitas mais. Por um lado, sou muito tímida e reservada e detesto exposições em público. Por outro, sinto-me estranhamente corajosa por detrás de um computador, escondida entre as personagens dos meus livros. Ainda assim, acho que cada autor mostra um pouco de si em cada história e penso que as pessoas que me conhecem e lêem os meus livros me encontram por detrás das palavras. É giro ver isso. 

O que mais posso dizer sobre mim? Penso que é preciso possuir alguma dose de loucura para se escrever livros e eu tenho-a em demasia. (Não querendo assustar ninguém) Risos. Loucura no sentido em que penso muito nas coisas, demasiado na vida, puxo um pouco para o dramático e tenho uma série de medos, desconfianças e uma auto-estima um pouco baixa, que me levou sempre a questionar aquilo que faço e a acreditar muito pouco que pudesse ser bom. É um defeito do qual não gosto nada, mas penso que é por esse motivo que gosto tanto de personagens problemáticas. A Sara, da obra «O Intruso», é a minha cara e eu adoro-a por isso. Ela é um problema e essas personagens dão-me sempre alguma força. Adoro escrever sobre dramatismos e dúvidas existenciais e estou ansiosa para terminar o meu policial «O Escultor» para me lançar em outra história que tenho já pensada, muito no sentido das personagens que eu adoro. 

Isto para dizer que a Carina escritora e a Carina Pessoa se complementam. Nunca deixo de ser eu e não quero deixar de o ser. Acho que é uma das magias de se ser escritor: o poder mostrar ao público aquilo que sentimos, mesmo que através de outras pessoas, personagens e vidas. Sou muito lutadora, apesar da fraca auto-estima, muito exigente comigo própria e tenho sempre planos e metas traçadas para a vida. Escrever um livro leva imenso tempo (estou a trabalhar no «O Escultor» há cinco meses) e as coisas têm de ser planeadas se eu quiser mesmo fazê-las. Tem de ser um ciclo vicioso, sempre contínuo, e penso que adquiri essa disciplina e organização ao longo dos anos em que pratiquei desporto de alta competição. 

Adoro ler, fazer ginástica, ouvir música e dançar, cinema, teatro...enfim, sou muito ligada às artes, no geral.


2. Como descreves a tua paixão pela escrita?
Escrever é abstrair-me do mundo exterior e eu sempre gostei de o fazer. É uma forma de extravasar os meus pensamentos e sentimentos que vão cá dentro. Tem-se tornado cada vez mais uma necessidade, mas mais do que isso, sinto-me bem a escrever, principalmente as cenas mais românticas e as mais dramáticas (já me disseram que sou boa a escrever cenas macabras) mas não são, de todo, as minhas preferidas. Gosto de escrever frases poéticas, de grande intensidade, que puxam ao sentimento, e tenho descoberto na escrita uma paixão cada vez maior pelos diálogos. Acho-os cada vez mais fortes e importantes e tenho-me divertido imenso com eles. Escrever é dar forma aos pensamentos que me assolam à noite, novas histórias de vida que eu quero criar e lugares que quero visitar. Acima de tudo, acho que é sonhar, dar voz aos sonhos e alimentar os sonhos de quem nos lê. É uma forma de criarmos um mundo só nosso e de termos poder sobre o destino, pelo menos dos nossos personagens.



3. Os enredos e as personagens que crias em todos os teus livros surgem de forma espontânea ou buscas inspiração em algo? 

Acho que depende. «O Intruso», embora seja o primeiro e o mais imperfeito, é muito aquele tipo de história que eu sempre quis escrever, pelos problemas da Sara, que eu já expliquei, mas principalmente pelos temas que aborda: vida, morte, vida após a morte, vidas passadas e reencarnação foram sempre temas que me fascinaram. Isto ligado ao romance, que eu adoro, acabou por se complementar. O oculto fascina-me e quando pensei em escrever um livro pela primeira vez, tive certezas de que tinha de começar por aí. A história é completamente fictícia e foi surgindo passo a passo. 

«As Gotas de um Beijo» já é diferente. Acaba por ser real, sem o ser. Bastou-me olhar para dois amigos e para a relação que mantinham para lhes dar uma história. Não é verídica, porque acabo por ser eu a olhar para as pessoas e a imaginar o que poderiam ser juntas, e portanto a história acaba por ser fictícia, mas isso tem-me acontecido cada vez mais. Observar as pessoas e imaginar histórias de amor e de vida, no fundo, que podem dar bons livros. Este é um desses casos e eu prometi, um dia, a esses meus dois amigos, que haveria de escrever a sua história de vida. Vai ser sempre uma obra especial. 

O «Anjo do Diabo» - título provisório – é o terceiro romance que tenho na gaveta, que está neste momento nas mãos de alguns leitores-beta, em apreciação, e neste caso, foi uma amiga que me contou a sua história. É interessante, porque, de início, não achei que desse história, mas fiquei a matutar naquilo e no final da noite, o enredo já se tinha transformado de tal forma na minha cabeça, que eu já conhecia a Clara, o Hugo, o Santiago e a Tatiana, e confesso que é um dos livros que me faz mais feliz. Acaba por ser, de igual forma, uma história fictícia, porque muito pouco é real. Eu não gosto de me prender a uma história, gosto sim de ter espaço para imaginar, e penso que consegui fazer ali um bom trabalho, que ainda vai ser melhorado. 

Em relação ao «O Escultor», o romance policial que estou a escrever de momento, a ideia surgiu quando estava na redacção do jornal e abri um e-mail sobre um festival de esculturas em areia. Foi a primeira vez em que o título me surgiu antes da história e confesso que é uma obra complicada. É a terceira vez que a escrevo, porque tinha uma série de problemas ao nível da investigação policial e mesmo em termos de romance, porque é complicado conjugar ambos, mas penso que agora estou no bom caminho. Portanto, cada história é uma história e a inspiração surge quando menos se espera. 


4. O que consideras mais difícil na escrita de uma história?
O enredo, sem dúvida, a fase inicial, quando planeamos aquilo que queremos. A caracterização das personagens e as suas histórias de vida, porque tem de ser algo coerente e cativante e nem sempre é possível conjugar ambos. Acima de tudo, tem de existir um motivo para escrevermos uma história, ou ela será em vão, e esse motivo tem de ser forte, tem de ser algo que desejemos passar, uma lição de vida que queiramos ensinar. A criação desse enredo é o mais complicado, porque tem de ser conciso, bem delineado, interessante e sem pontas soltas. A ideia tem de ser boa, acima de tudo, ou podemos estar a perder o nosso tempo com uma história que nem sequer tem história. Depois de a história pensada, o mais difícil, para mim, são as cenas de acção, de conflitos finais, porque têm de ser fortes e nem sempre são fáceis de escrever. 


5. Intruso foi o teu primeiro livro publicado. O que é que esta publicação te trouxe de bom e de menos bom? 
Felizmente, só posso dizer coisas positivas. «O Intruso» levou-me ao mundo dos blogs literários que, desde então, têm criticado o livro e me têm ajudado em outras obras que tenho escrito. Confesso que, quando escrevi «O Intruso», não sabia nada. Hoje acho que é um esboço, apenas a primeira revisão de um livro, porque não houve outra, e só me posso sentir feliz pelo facto de as críticas serem, no geral, positivas, porque eu não tive leitores-beta, nem sabia o que eram. A obra foi publicada tal como foi escrita da primeira vez. Dei-a a ler a dois colegas de redacção e assim foi. Costumo chamá-lo o meu livrinho de bolso, porque é muito pequenino e imperfeito, mas vai ser sempre especial, por esse mesmo motivo. Acho que aborda temas muito interessantes e é uma pena que eu não os tenha explorado como devia ser, mas fiz o melhor que podia e sabia, na altura, e só tenho de me orgulhar disso, porque as opiniões continuam a chegar, mesmo passado um ano da sua publicação, e têm-me feito sorrir. Não considero a imperfeição do livro uma coisa negativa, porque a vida é uma aprendizagem e temos de começar de baixo. Se não me tivesse aventurado na sua publicação, nunca teria conhecido quem me ensinasse e ajudasse a escrever os meus próximos romances, e portanto, foi um bom passo. 


6. Hoje foi apresentação oficial do livro As gotas de um beijo. Como surgiu a história deste livro?
Bem, eu sorrio sempre que se fala desta história. Infelizmente, não posso contar tudo, mas surgiu num dia de sol, quando eu estava no jornal, e uma jovem mulher foi trabalhar mesmo na loja ao lado. Não é uma joalharia, nem ela é parecida com a minha Laura, nem fisicamente, nem psicologicamente, mas eu arranjei logo forma de oferecer um novo amor a um dos meus colegas, que eu achava sentir-se demasiado solitário. A Diana surgiu mais tarde, quando eu me lembrei: “Esperem aí: E ela? Esta história de amor é demasiado simples. Preciso de uma outra personagem. Que tal uma amiga? A melhor amiga? Que tal um triângulo amoroso?” Eu já tinha dito a estes meus dois amigos que haveria de lhes escrever a história de vida e disse ao meu colega: Vou mesmo escrever este livro. Vai chamar-se «A rapariga da porta ao lado». Ele incentivou-me e sei que não gosta do título oficial, «As Gotas de um Beijo», porque, para ele, há-de ser sempre «A rapariga da porta ao lado». Mas o título já existia e eu optei por algo mais original, que também teve a ajuda da Ana Ferreira, a leitora-beta que mais me ajudou nesta história, e de alguns leitores que votaram no leque de títulos possíveis. Acho que é uma história de amizade e de amor muito bonita, que não podem perder :).


7. Qual foi o teu principal desafio na escrita d’As gotas de um beijo?
Foi mesmo um Desafio, com maiúscula. Penso que a história, em si, é simples, e em termos de enredo, não me deu grande trabalho, mas eu já a tinha reescrito duas vezes quando mostrei à Ana Ferreira e ela disse-me: “Apaga. Reescreve. Isto não tem história”. Disseram-me que ela era a melhor e eu pensei: “Ok. O que está mal?” Depois de uma lição sobre conflitos, problemas e show/tell, deitei-me na cama e fiquei duas noites a matutar naquilo e a pensar no que raio queria ela dizer com conflitos e afins. Na manhã seguinte, acordei com um radioso dia de sol a saber tudo o que precisava de saber: começar pelo fim e reescrever tudo, tendo em conta o mostrar ao invés de o dizer, e lá escrevi o melhor capítulo da minha vida. (É brincadeira. Na altura, achei mesmo isso, mas agora penso que já escrevi bem melhor) Risos. Foi, sem dúvida, um desafio ao nível da escrita, porque foi um aprender a escrever do zero, com mais show, menos tell, e muitos diálogos. No final, estava super feliz. 


8. De entre as personagens que figuram neste livro, algum desperta em ti algum carinho especial? 
A Diana, sem dúvida. Identifico-me com ela, gosto imenso dela e queria tanto dar-lhe tudo o que pudesse! Sempre a defendi, do início ao fim. É aquela personagem que fica no coração. Acho que a Laura é forte e gosto bastante dela, mas é uma sensação diferente. O David irrita-me um pouco, embora o compreenda, mas acho que a Diana é o meio-termo de toda a história, o meio e a virtude. 


9. Quanto aos projectos futuros, o que é podes adiantar aos teus leitores?
Como já tinha dito, tenho o «Anjo do Diabo», uma nova história de amor com um vilão que eu adoro, com uma personagem principal forte e um marido excepcional, no computador, na gaveta, e nas mãos dos meus leitores-beta. É uma história que adoro e está a ser melhorada para ser publicada, se possível, no final do próximo ano. Entretanto, tenho estado a trabalhar no policial «O Escultor», uma história grande e complexa, em que tenho dado tudo de mim. É um desafio diferente, que estou a adorar. 


10. De todos os projectos e livros que já escreveste, independentemente de estarem ou não publicados, tens algum que seja mais especial para ti? Porquê? 
Até agora, «As Gotas de um Beijo» e «O Anjo do Diabo», embora de formas diferentes. O primeiro porque é uma história madura,com personagens mais velhos do que aquilo a que estava habituada a escrever, com histórias de vida mais pesadas e com uma necessidade de paz e de um recomeço que, também eu, por vezes, sinto. Acho que consegui fazer da obra uma história bonita, com uma amizade intensa e um amor profundo que é tudo o que eu sempre quis escrever. Acho que consegui boas cenas ao longo do livro que me fazem feliz e posso dizer que é este tipo de história, com este tipo de intensidade, que quero escrever ao longo da vida. É um livro que me faz sentir em paz, ao pensar nas noites de chuva, nas músicas românticas e nas cartas de amor, e naquela casa de praia tão maravilhosa como o paraíso. É uma boa sensação. 

O segundo é completamente diferente e também por isso gosto tanto dele. É especial porque nos mostra vários caminhos e várias escolhas ao longo da vida, a distinção entre o certo e errado, mas acima de tudo, a existência de segundas oportunidades. Não gosto de pensar que existem pessoas boas e pessoas más, e ponto final. Gosto de pensar que nada é tão preto no branco e que também aqueles que fizeram más escolhas podem redimir-se. Foi uma oportunidade, para mim, de dar uma segunda oportunidade, e sinto-me feliz por isso, além de falar de temas que me interessam, como a descriminação, o álcool e as drogas e, claro, amores arrebatadores que nos roubam a respiração. 


11. Se encontrasses dois leitores com um livro teu na mão e falar sobre ti o que gostarias que dissessem? 
“Uau! Adorei esta história! Não consegui largá-la até terminar e roubou-me completamente o sono”. Acima de tudo, gostava que falassem dos personagens como se existissem, bem ou mal, porque era sinal de que tocaram os leitores, e que, ao lerem o livro, se esquecessem completamente de que era um livro, que mergulhassem de cabeça e se envolvessem como se estivessem eles próprios a viver a história. Adoro quando falam dos meus personagens como se fossem reais, que os amem e odeiem em igual medida, porque os criei com essa mesma força. Acima de tudo, quero que se emocionem e sejam felizes. 


Muito obrigada, Carina!

06
Nov13

Por detrás do autor | Olinda Gil




Olinda P. Gil



Desta vez , o Por detrás do autor traz-nos uma estreante no mundo das entrevistas. Espero que esta seja a primeira de muitas que assinale os sucessos literários. 

Olinda está poucos dias da apresentação do seu livro Contos Breves. O grande dia será a 16 de Novembro na Biblioteca Municipal de Aljustrel. 



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Em primeiro lugar queria agradecer à Silvana a oportunidade de realizar esta entrevista. Confesso que é a minha primeira entrevista. Deixo também aqui um olá grandes a todos os que a venham a ler.


Quem é a Olinda para além da escritora?
Tenho sido uma jovem como tantas outras. Já passei por vários empregos, já estive desempregada… E depois deixamos de dar importância a isso, há coisas demasiado bonitas na vida para vivermos e devemos dar importância a isso. Gosto muito de estar com a minha família e com o meu companheiro. Gosto de obter prazer nas coisas simples, e, infelizmente, tenho um dote para cozinha tradicional. A criatividade tem sido algo sempre presente na minha vida. Estudei música, mas, há que fazer escolhas quando não temos tempo para tudo. Eu escolhi a escrita.

Como surgiu o gosto pela escrita?
Eu nem sei bem, porque já tinha gosto pela criação de histórias antes de ler e escrever. Aliás, a única memória em que tenho presente não saber escrever prende-se, precisamente, com a criação de uma história. A minha avó é uma grande contadora de histórias, e no fundo, penso que é por causa dela que escrevo.

Durante o processo criativo, por vezes, é necessário travar algumas lutas. A inspiração é algo que surge naturalmente contigo? Tens algo que seja a tua grande fonte de inspiração?

Quando era mais nova costumava procurar escrever em momentos em que me sentia mais inspirada. Nunca tive qualquer fonte de inspiração em especial, mas para que eu escreva preciso de estar feliz. Portanto, não escrevo nada quando, por qualquer razão, me sinto triste. Com o passar dos anos mentalizei-me que tinha de escrever mesmo quando não estava inspirada. Afinal, nós também temos de ir trabalhar quando não nos apetece. E, para dizer a verdade, se praticarmos acaba por resultar. Claro que, para a poesia, preciso mesmo de estar inspirada.


São várias as obras que tens à disposição dos leitores na Smashwords, podes falar-nos um bocadinho delas.

Os contos que tenho na Smashwords são contos que tenho escritos há alguns anos. Estou a fazer com esses contos o mesmo processo que fiz com as micronarrativas. Voltar a ler, fazer alterações se necessário, rever e disponibilizar. As micronarrativas foram republicadas no blog, e isso resultou, mas os contos são grandes demais para a brevidade com que se prendem os blogs. Logo, optei por os disponibilizar na Smashwords. Tenho muitos mais contos para disponibilizar, e o meu objectivo é vir também a fazer uma colectânea com esses contos. O processo tem sido mais lento, por um lado porque os textos têm sido maiores, por outro lado porque tenho tido menos tempo. Contos Breves foi organizado no meu último desemprego, quando tinha muito mais disponibilidade.

Contos Breves é o teu mais recente trabalho. O que é que podes dizer aos leitores acerca dele?
Contos BrevesOs textos de Contos Breves foram escritos entre 1999 e 2007. Portanto eu tinha 16 anos quando escrevi aqueles primeiros textos. Foram textos escritos para o DNJovem, um suplemento para jovens escritores e ilustradores/desenhadores/fotógrafos que o Diário de Notícias possuía. Nem todos os textos que escolhi para o livro foram publicados na altura, e houve muitos outros que foram publicados e que não estão ali. Acontece que, passado anos, quando voltamos a pegar nas coisas, descobrimos textos que gostamos muito e outros que não gostamos nada. E se há textos que estão praticamente iguais, e que foram publicados no suplemento, como é o caso de Liberdade de Escrita, que escrevi com 16 anos, houve outros, que não tinham sido publicados, que estavam maus, mas que tinham potencial de eu os melhorar. Depois havia outros textos, que até tinha publicado, mas que, não estando ao meu agrado, não via como os melhorar, e abandonei-nos.


O que foi mais difícil na elaboração do livro Contos Breves?

Foi escolher os textos. Eu tenho os textos guardados em várias pens, organizados por anos (se bem que tenho textos que estão em mais do que uma pasta e não sei bem de quando foi a versão final). As pens têm todas o mesmo, tenho várias por segurança, mas os textos estavam uma confusão. Tenho textos dos quais tinha várias versões, e foi necessário escolher a que mais me agradava. Foi esse trabalho de andar a escolher os textos, a procurá-los nas pastas, a decidir quais seguiam e quais ficavam que me deu mais trabalho. Até porque acaba por ser emocional. Pode haver um texto muito mau, mas não deixa de ser um texto meu e de estar emocionalmente ligada a ele. E depois havia também textos que não me lembrava de ter escrito.

Em relação a projectos futuros, existe algo em que estejas a trabalhar?  
Isso é um problema, porque eu meto-me em mais projectos do que aqueles em que consigo trabalhar. Para já, para além deste tenho mais 3 livros prontos a sair. Tenho um de poesia que será para ser lançado depois de passar a azáfama de Contos Breves. Pensei em publicá-lo na primavera, mas tudo depende de como correr este agora. Se tiver muitas marcações para apresentações em bibliotecas, e estas se começarem a aproximar muito da primavera terei de deixar o lançamento do livro ou para o início do verão ou para daí a um ano. Outro é de prosa poética e só será lançado depois do de poesia. Tenho um outro de contos cuja publicação foi aceite por uma editora. O livro sairá em ebook, talvez para meados de 2014. A publicação deste também pode influenciar o lançamento do de poesia. Mas isto é tudo o que tenho preparado. 
Em escrita, tenho 2 romances. Um abandonado há uns anos, mas que quero retomar, e outro, que iniciei há poucos meses, mas que tive de parar agora por causa do lançamentos de Contos Breves. Tenho uma novela YA para reescrever (não tenho tido paciência, confesso), e tenho montes de projetos para livros de contos, cada qual com 2/3 contos escritos, pelo menos. Neste momento estou a escrever numa ideia que eu não sabia se iria ser para conto se para novela. Comecei a trabalhar nesta ideia porque era a última ideia para um livro de contos. Tinha de a escrever, para saber se iria ser incluída ou não. Já descobri que não, que vai ser uma novela (para jovens), portanto, este livro de contos será para organizar a seguir ao lançamento de Contos Breves, rever e enviar para editoras. A novela é para escrever e depois ficar a marinar. Só depois disto tudo devo voltar ao romance. 
E claro, continuo a escrever poesia. Tenho poemas soltos, mas também tenho um conjunto que, um dia, será para um livro específico, de poesia erótica.

Muito obrigada pela disponibilidade Olinda e só me resta desejar-te muito sucesso!


Para finalizar deixo-vos o booktrailer do Contos Breves que acabou de ser publicado!
Podem vê-lo clicando aqui.
20
Set13

Por detrás do autor | Elizabete Cruz

Depois desta rubrica ter estado adormecida durante uns tempos, eis que volta ao blog, e volta em grande com uma autora que apesar de bastante jovem já tem um caminho traçado pelo mundo das palavras. Recentemente brindou-nos com o livro Face Negra
Como é óbvio estou a falar da:

Elizabete Cruz

Elizabete Cruz nasceu a 18 de Junho de 1992 em Montreux, na Suíça. Estuda Radiologia na Escola Superior de Tecnologias da Saúde do Porto, pelo que vive no Porto em tempo de aulas e em Viana do Castelo nas férias e ao fim de semana. Começou a escrever aos 16 anos, editando o seu primeiro romance, Espelho Indesejado, em 2010, pela HM Editora e em 2012, pela Corpos Editora, o livro "O Homem que Amava Demais".

Muito amavelmente disponibilizou-se para responder a umas pequenas perguntas.

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Para iniciar, gostaria que nos apresentasses as duas faces da Elizabete, ou seja, qual é a tua face branca e a tua face negra?
Posso desde já dizer que esta pergunta me provocou um sorriso porque, como toda a gente, tenho um lado bom mas também tenho um lado não tão bom! A minha face branca é capaz de ajudar as pessoas, porque realmente gosto de o fazer, é capaz de arrancar um sorriso ou fazer alguém sentir-se bem. No entanto, sei que por vezes a minha face branca se confunde com a negra, porque o meu feitio pode ser mal julgado. Eu posso ser brusca, maldosa ou inconveniente, mas quem me conhece sabe que não é realmente a minha face negra a falar. Quem não me conhece pensa que eu sou uma pessoa intragável. Não obstante isso, eu tenho realmente um lado negro, um que felizmente só se costuma manifestar quando escrevo. É que quando quero realmente ser maldosa, desdenhosa, quando quero realmente demonstrar o meu desapreço, essa pessoa pode esperar sentir o meu desprezo, porque isso vai acontecer. E eu chateio-me poucas vezes, mas quando me chateio a coisa pode ficar feia. Que o diga a minha colega de casa!


Apesar de jovem, já tens um bom caminho traçado no mundo dos livros. O que é que te encanta no mundo da escrita? Foi algo que nasceu naturalmente em ti?
Se dissesse que sempre escrevi bem (acreditando que agora escrevo mais ou menos bem) seria mentira, mas sem dúvida que foi algo que sempre gostei de fazer. Mesmo na escola primária, quando diziam para escrever alguma coisa, ficava tudo frustrado menos eu. Lembro-me até que uma altura uma história minha foi eleita para participar num concurso qualquer pela escola! (não me perguntem o resultado, não me lembro). Não sei se nasceu naturalmente em mim, mas sem dúvida que foi algo que foi sendo aperfeiçoado com a idade, mesmo que em algumas alturas da minha vida tenha fugido desse meu hobbie. Em relação ao que me encanta no mundo da escrita, é sem dúvida poder ser eu a criar as personagens e a decidir o que lhes vai acontecer. É poder criar vidas e vivê-las como se fossem minhas. É poder apaixonar-me pelo jovem norueguês que toca violino ou pelo agradável bailarino que é obcecado pelo cabelo ou mesmo pelo hippie doido que gosta de montar bombas. No mundo da escrita, ou posso ser quem eu quiser a partir daquilo que crio.


De todos os livros até agora lançados, haverá algum que te apeteça mudar? Estou a falar de uma mudança mais drástica e não de pequenas alterações.
Podia dizer que mudaria muita coisa no meu primeiro livro, mas se tivesse oportunidade para isso não o faria. Foi o meu primeiro e nele depositei todo o meu amor. Apesar dos erros que cometi, sei que eles foram necessários e deixaria ficá-los com orgulho. Em relação ao “O Homem Que Amava Demais”, talvez mudasse algumas coisas, especialmente em relação aos tempos da acção e à personagem principal, Inês. Tentaria que ela tivesse sido mais marcante e não uma bóia ao sabor do mar.



Enquanto escritora e boa observadora do mundo, haverá sempre coisas em que te inspiras. Gostaria que partilhasses as tuas fontes de inspiração para construíres toda a história? Alguma dessas fontes de inspiração é algum escritor?

Uma das minhas grandes inspirações é a música. Para tudo. Estou neste momento a responder a esta entrevista e a ouvir música. O mesmo faço quando escrevo, chegando ao cúmulo de pôr a mesma música a tocar por horas a fio se ela me inspirar. Fora isso, inspiro-me muito nas pessoas, mesmo que não as conheça. A partir delas, só de as olhar, consigo criar histórias, imaginando o que essa pessoa conseguiria fazer. Depois, claro, inspiro-me no que vejo, seja à minha volta ou na televisão. Como trabalho num hospital, ouço histórias e chegam-me às mãos casos que podem dar histórias. O mesmo se passa com histórias e situações entre amigos. A maioria das coisas do dia-a-dia serve de inspiração quando se anda à procura dela. 
Curiosamente, não há nenhum autor no qual me inspire. Claro que há autores que consigo tentar seguir, mas a maioria dos autores que aprecio verdadeiramente escrevem policiais, e essa não é a minha praia. Assim sendo, fico-me pela inveja que sinto da genialidade de algumas pessoas.


Debruçando-nos agora sobre o teu último trabalho, o Face Negra. O que é que foi mais fácil e mais difícil na construção das personagens e da narrativa?
Com certeza que o mais difícil foi o facto de nunca ter conhecido ninguém que se adequasse com as características das personagens. A Daniela está bem no centro da narrativa, mas eu nunca convivi com uma stripper ou uma prostituta e muito menos estive num clube de strip. No máximo convivi com um estudante de medicina, que me mostrou a Faculdade de Medicina do Porto. Para além disso enveredei por áreas que nada têm a ver com o que eu estudo, nomeadamente o que está ligado a processos de adopção. Conseguir algo que se aproximasse da realidade exigiu muita pesquisa. 
Em relação ao mais fácil, com certeza foi o facto de as personagens me agradarem. O trio principal foi criado para que existisse mesmo, para que eu os conhecesse e eles fizessem parte da minha vida. Todos eles têm algum traço que vem daquilo que eu gosto nas pessoas e claro, quando se trabalha com pessoas de quem gostamos as coisas tornam-se muito mais fáceis.



Tens alguma personagem preferida? Ou seja, aquela personagem que por mais que haja falta de inspiração há sempre vontade de escrever sobre e para ela.

Esta pergunta é muito fácil. Sem dúvida que é o Marco. Apesar de gostar muito da Daniela, o Marco deu-me muito gozo. Era uma personagem que me obrigava a ser séria e bem-disposta ao mesmo tempo e isso puxava pelo meu bom humor. Ele foi feito para ser um dos preferidos dos leitores e quero que continue assim. Assumo que tenho medo de voltar a pegar nele e estragar um pouco aquilo que fiz com ele até agora, mas aí também está o verdadeiro desafio. Não quero que nenhuma fã do Marco me coloque uma bomba debaixo da cama! 



Das várias reacções que foste recebendo dos leitores, quais foram aquelas que mais te surpreenderam?

As reacções foram diversas, umas positivas, outras nem tanto, mas isso já seria de esperar. Acho que não estava à espera que o Marco fosse mobilizar tanta gente, muito menos esperava receber ameaças do género “se ele fica com a Daniela, eu chateio-me contigo!”. Como já disse, ele era uma personagem na qual eu depositava alguma esperança de sucesso, mas ele realmente conquistou um público. Isso sim, surpreendeu-me, porque acho que nunca tive nenhuma personagem que provocasse tais sensações num leitor. Claro que é um enorme motivo de orgulho para mim que ele tivesse nascido para o mundo literário, mas o caminho dele é agora muito difícil de traçar por causa disso mesmo.


Imagina que está aqui alguém indeciso acerca da compra do Face Negra, o que é que lhe dirias de forma a convencê-lo. 
Bem, antes de mais, eu não nasci em Portugal, mas podem ver no meu CC que tenho nacionalidade portuguesa. Por isso, e porque acho que os autores portugueses merecem realmente apoio, considero esse um bom motivo para levarem o meu livro. Para além disso, depositei neste livro muito de mim e alguma esperança de sucesso. É uma história que eu considero diferente na medida em que a personagem principal é a vilã e as pessoas não gostam dela, mas mesmo assim não lhe desejam mal. Não podem esperar muito romance neste “Face Negra”, mas pelo menos bastante malícia e planos brutais vão encontrar. E claro, vão ter a bruxa má, o fiel servo e o príncipe encantado que, ao contrário do que é costume, está perdidamente apaixonado pela bruxa má! Portanto, eu li, gostei muito e aconselho a comprarem (riso!).


Quanto a projectos futuros, o que é que tens em mente?
Como anunciei recentemente, vou começar a escrever o Face #2, a continuação da história do Marco, da Daniela e do Dyre. A história irá passar-se sete anos depois do que aconteceu no “Face Negra” e cada uma destas personagens irá estar em trilhos que acho que ninguém estava à espera. Quero dar o final merecido a cada um deles. 
Enquanto isso, ando a dedicar-me a algo que já há muito, muito tempo tinha em mente: escrever algo do género fantástico. Será arriscado, eu sei, mas quero mesmo tentar, por isso tenho em mente uma quadrologia que está a ser trabalhada intensamente. O primeiro volume estará, em princípio, pronto até ao final do ano, e acreditem que ele será um presente de Natal para os meus fãs. Mais novidades virão nos próximos tempos acerca dele!

Muito obrigada, Elizabete!
28
Jun13

Por detrás do autor | Soraia Pereira

Desta vez, o Por detrás do autor vem dar-vos a conhecer melhor a escritora Soraia Pereira que muito recentemente deu a conhecer a sua escrita através do livro Ligação. Este é o primeiro livro da Saga Anjos Negros, uma saga onde o mundo sobrenatural nos é apresentado através do olhar e da criatividade da Soraia.


Desde já agradeço a colaboração da Soraia que, muito prontamente, acedeu a responder a umas pequenas perguntas.


1. Soraia, gostaria que te desses a conhecer aos teus leitores. Por isso, quem é a Soraia enquanto pessoa que vive e enquanto pessoa que escreve?

Olá Silvana e olá leitores do blog Por detrás das palavras. Antes de começar a falar (escrever) pelos cotovelos, deixa-me agradecer-te por teres aceite o desafio E.E.E.B (E-book Edição Especial Bloggers) através da qual conheceste o meu trabalho como escritora/autora.
Respondendo à tua pergunta, somos uma só e ao mesmo tempo somos distintas. O meu Eu escritor precisa das vivências do meu Eu pessoa para poder imaginar, criar, viver no papel as passagens necessárias para a criação da história. O meu Eu pessoa precisa do meu outro Eu para exteriorizar o excesso de imaginação que sempre me acompanhou desde miúda.


2. Em primeiro lugar gostaria que desses a conhecer um bocadinho da tua faceta de leitora. Existe algum(ns) autor(es) ou livro(s) que ocupe um lugar especial na tua estante de leituras.

Sou completamente viciada em livros. Sofro de bibliofilia crónica. Compro livros para os ler e não para os ter acumulados na estante. Mexe-me com os nervos ter livros por ler. Olho para eles e não sei o que eles me estão a esconder e gosto de olhar para eles e pensar ”ah-ah, sei tudo sobre ti meu menino”. Apesar de sempre ter tido muita afinidade com letras (ao contrário dos números) a minha paixão pelos livros foi, por assim dizer, atiçada no natal de 2009 quando o meu namorado me ofereceu 1 livro (Crepúsculo, da Saga Twilight) como prenda. Desde esse livro nunca mais parei de ler. Leio 2 a 3 livros em simultâneo. Adoro literatura fantástica, fantasia urbana, romance paranormal. Como se costuma dizer, é a minha praia. No entanto se uma sinopse me interessar ou o tema em si me parecer interessante, leio. Mesmo que não seja fantástico ou paranormal. Quanto aos lugares especiais na minha estante e respectivos autores. O primeiro livro que li a sério foi ‘Os filhos da droga’ de Christiane F, tinha 12 anos na altura. Depois, quando a febre da leitura voltou a despertar, nessa altura com 23 anos, descobri aquela que se tornou a minha autora preferida e a base do meu género de escrita. Sherrilyn Kenyon com a Saga Predadores da Noite. Adoro a saga mas o livro do Acheron (décimo quinto livro da saga) ficou para sempre como O LIVRO! Talvez por o ter conhecido numa altura menos boa da minha vida, a empatia e a ligação entre mim e ele foi tão grande que já o li para cima de cinco vezes e o livro tem cerca de oitocentas páginas. Por último tenho ‘A rapariga que roubava livros’ de Markus Zusak. Este livro chegou há relativamente pouco tempo à minha estante. Foi oferecido por uma amiga e a juntar a esse factor é um livro com um relato impressionante e chocante. Apaixonei-me por ele. E são estes os meus 3 tesouros mais brilhantes. 


3. Como e quando surgiu esta paixão pela escrita?

O processo de escrita foi do mais estranho que possam imaginar. Primeiro, porque eu nunca, em momento algum da minha vida, nem mesmo em miúda tinha sonhando ou pensado sequer em ser escritora e escrever fosse o que fosse. Para mim ou para os outros. Desejei ser imensa coisa (curiosamente não sou nada do que desejei um dia ser) mas nunca escritora. Então, em meados de 2009 estava eu no meu antigo posto de trabalho sem nada para fazer (devido à crise tínhamos sofrido uma enorme quebra nas encomendas) e então, para ‘matar’ o tempo decidi abrir uma folha do word e escrever para lá qualquer coisa. Parece que a paixão pela escrita surgiu numa tarde de aborrecimento e tédio brutal *sorrisos*.


4. O que é que te seduz no processo da escrita de um livro ou de um conto?

Acho que é aquele poder de nos tornarmos super heróis ou vilões por uns minutos. É extrapolar a nossa realidade e viajar para outros mundos diferentes. É ter a possibilidade de ser bipolar ou pior sem que nos internem num hospício *gargalhada*. Acho que é a liberdade infinita que me puxa para perto de uma folha word.


5. De entre todos os géneros literários existentes, tu decidiste-te pelo fantástico. Há alguma razão especial por teres enveredado por este género? Eras capaz de te aventurar noutros géneros? Se sim, em quais?

Talvez me tenha decidido pelo fantástico porque é o estilo de leitura que mais gosto de ler. A sensação de sair desta realidade e entrar noutra que não existe é talvez aquele factor que mais me apaixona. Quer dizer, para realidades normais, com pessoas normais e situações normais já tenho a minha, certo? Quanto a aventurar-me noutros géneros, sinceramente? Não sei. Eu passo para o papel o que imagino, o que surge. Se aparecer uma história infantil ou um romance, ou um thriller que me leve a passar a história para o papel, então aceito o desafio e tento fazê-lo. Mas não me forço a escrever um thriller só porque está na moda ou é aquilo que mais vende no momento. Mas se a minha imaginação me desafiasse, então claro que sim. Gosto sempre de um bom desafio. 


6. Focando-nos agora no teu livro, Ligação foi o teu primeiro livro publicado. Queres contar um bocadinho sobre como começou esta aventura?

Como em tudo na vida esta experiência teve coisas boas e coisas más. Aprendi imenso e continuo a saber muito pouco. Esta minha aventura na publicação começou em Outubro de 2012, como podem ver é uma aventura muito recente e muito verdinha. Felizmente tenho conhecido pessoas excelentes que me têm ajudado imenso a lidar com ambos os lados da moeda. Mas é um processo duro e por vezes penoso. No entanto acredito que quando fazemos as coisas com o verdadeiro amor à camisola tudo se torna mais descomplicado.


7. O cenário que serve de fundo ao desenrolar de toda a trama e Nova Iorque. Qual a razão que te levou a viajares com todas as tuas personagens para essa cidade? Há alguma coisa em especial dessa cidade que te cative?

Nunca estive em Nova Iorque mas foi sempre uma cidade que me cativou. Adoro ver filmes que tenham N.Y. como pano de fundo. Não sei, é uma cidade que para mim é mágica. Adorava visitar a cidade e ficar lá uma data de tempo com pessoas que lá morassem para poder conhecer tudo e mais alguma coisa sobre a cidade, as pessoas, os costumes. Tudo!


8. No teu blog podemos encontrar algumas curiosidades acerca do conteúdo do livro Ligação, nomeadamente sobre a forma como os nomes das personagens masculinas dos Anjos Negros surgiram. Mas, como é que foi o processo de criação da personalidade dessas personagens?

Os nomes surgiram num fim-de-semana em Barcelona mas o carácter das personagens e as suas personalidades surgiram antes dos nomes e são uma mistura das personalidades das pessoas que marcaram a minha vida de uma forma ou de outra. O meu círculo de amigos, a minha família, eu mesma e até esta ou aquela pessoa que por mão do destino deixou de fazer parte desse círculo de amigos. 


9. Relativamente aos Sombras, como é que eles surgiram na criação do livro?

Bom, esta parte tem a ver com os meus pesadelos de infância. Estava constantemente a sonhar com Sombras que vinham e raptavam os meus pais e me deixavam sozinha. Então foi uma maneira de me vingar dos pesadelos de miúda colocando os vilões na minha história e matando-os a todos, ou quase todos. J


10. O que é que foi mais fácil e mais difícil na escrita deste livro?

O Ligação foi escrito entre 02-09-2010 e a 14-11-2010 data em que terminei o primeiro draft. Aconteceu tudo tão depressa que não te consigo identificar nenhum aspecto que tenha sido difícil ou fácil. As ideias principais surgiram na minha cabeça e eu só tive de criar situações e conduzir as personagens a determinados desfechos. Acho que por ter escrito de mim para mim e por não haver expectativas alheias o processo foi muito mais simples. A ideia era divertir-me e não vencer um concurso ou ganhar um troféu Até 2012 as minhas histórias eram apenas isso, minhas histórias. 


11. O que é que podes adiantar, aos teus leitores, sobre os próximos volumes da série? O que é que podemos esperar?

Ligação é o primeiro livro e até a saga terminar faltam 11 e destes 8 histórias já estão terminadas. O humor, a descontracção, a simplicidade vão continuar presentes. Muita aventura, muitos mistérios. Muitas novidades… Introdução de novas personagens e o desaparecimento de outras. As histórias dos guerreiros são todas diferentes, cada uma com o seu propósito, com a sua missão. Tenho recebido muitos feedbacks a dizerem que gostariam de ter visto mais da Jessica no primeiro livro. Bom, ao contrário do que normalmente acontece, e apesar do Ligação ter sido o livro da Jessica e do Leonardo, as personagens vão continuar a ter o seu tempo de antena durante toda a saga.
Imaginem um bolo dividido em 12 fatias. É isso que a saga é. A cada fatia vão descobrir aspectos importantes, micro histórias que vão culminar numa história só. Quando terminarem de ler o segundo livro (que já se encontra na primeira fase de revisões) vão reparar que a história é contínua à primeira e que aspectos que possam ter passado despercebidos ou até superficiais no primeiro livro terão uma nova relevância no segundo e o mesmo se aplica no terceiro e depois no quarto, etc, etc, etc. 
Claro que o leitor não adivinha a intenção do autor, se a mesma foi propositada ou não. Ler uma saga é um processo contínuo. Uma aventura que começa com uma história e se prolonga durante 1, 2, 3 ou mais livros. Quanto aos aspectos de escrita, obviamente vou tentar aprumar e melhorar mas sem fugir do meu estilo, da minha marca e da minha personalidade. Tenho noção de que nunca vou conseguir agradar a toda a gente mas vou esforçar-me para que o número de satisfeitos continue a subir. 


12. O que dirias àqueles que, neste momento, estão a ler esta entrevista e a ponderar a leitura do teu livro.

Um aspecto que começa a mudar nos leitores portugueses é o facto de se focarem no escritor/ autor e deixarem de lado quem editou ou publicou a história e acho que isso é o primeiro ponto e o mais fundamental. Existem óptimas histórias começadas em edição de autor e péssimas histórias publicadas por grandes editoras e vice-versa. O meu apelo aos leitores é o seguinte: Dêem uma oportunidade ao escritor/autor e à sua história e esqueçam tudo o resto. Eu pergunto: quem teve o trabalho de pensar e escrever a história? Quem merece ver o seu trabalho reconhecido e opinado para que possa melhorar e crescer? A resposta é apenas uma: o escritor/autor. E é isso que eu peço para o meu trabalho: uma oportunidade. Há algum tempo atrás só lia livros editados em português mas de autores estrangeiros. Tinha receio de não conseguir encontrar nos livros de autores portugueses a magia que procuro numa história. Até que decidi arriscar e comecei a ler livros de autores portugueses e só tenho tido boas surpresas. Arrisco-me a dizer que metade das leituras deste ano têm sido maioritariamente portuguesas. Umas vezes compro (tento sempre fazê-lo junto do autor e dessa forma ‘cravar-lhe’ um autografo e uma dedicatória), outras vezes são emprestados (infelizmente o flagelo do desemprego também me bateu à porta e infelizmente os livros no nosso pais são caríssimos principalmente os de autores portugueses) mas se for um livro que me agrada, assim que tenho uma folga económica compro o livro e guardo-o, mesmo tendo lido a história. Quando são bons livros gosto de os reler, de tempos, a tempos. 

13. Para terminares umas questões rápidas:

Um livro: Acheron
Um filme: O gangster americano
Uma música: When i'm gone - 3 doors down
Um lugar: Guimarães


Para saberem mais da autora e acompanharem o seu trabalho consultem o seu blog: http://soraiamspereira.blogspot.pt/
Podem também encomendar o livro ligação que vem com umas bonitas ofertas.
Da minha parte, só me resta agradecer à Soraia as fantásticas respostas que deu. 
Espero que gostem da entrevista.
20
Mai13

Por detrás do autor | Rute Canhoto


Desta vez, a autora que se sujeitou às minhas perguntas foi a escritora Rute Canhoto!
Recentemente, a escritora disponibilizou o seu livro para que os bloggers o lessem e emitem-se a sua opinião sobre o mesmo. Como gosto de ler e como valorizo os escritores portugueses, não poderia deixar passar esta oportunidade em branco!
Para quem é distraído e ainda não teve a fantástica oportunidade de se cruzar com as palavras desta escritora fica aqui uma pequena entrevista que, muito amavelmente, a Rute respondeu. Esperamos que fiquem curiosos em relação à escritora e aos seus livros!

1. É difícil falar de nós próprios, mas gostaria que em três palavras definisses quem é a Rute enquanto pessoa e o porquê de cada uma dessas palavras.
A Rute, isto é, eu, sou sonhadora, persistente e esperançosa. Sonhadora, porque tenho grandes sonhos e gostaria de alcançar um monte de coisas; persistente, porque luto e persigo os meus sonhos; e esperançosa, porque tento dar o meu melhor e espero que o resultado seja do agrado de todos.

2.  E enquanto escritora?
Descrever-me-ia exatamente da mesma maneira: sonho com as minhas histórias, tento levá-las o mais longe possível e espero que as pessoas gostem, embora, e como se costuma dizer, “não seja possível agradar a Gregos e Troianos”…

3.Consegues definir um momento em que o teu gosto pela escrita e pelas palavras despertou?
Logo que aprendi a escrever. Assim que aprendi a escrever, comecei logo a escrever contos e até poesia, com versos muito maus, mas que ao menos rimavam, lol!  

4. Para além da escrita a leitura é algo que faz parte do teu quotidiano? Quais são os livros que fazem com que a tua mente se perda pelas suas páginas?
Sim, a leitura faz parte do meu quotidiano: tento ler um pouco todas as noites quando me deito, até porque me ajuda a relaxar, transportando-me para outro mundo. Gosto de vários tipos de livros, mas perco-me por romances e histórias relacionadas com o paranormal. Se puder combinar as duas coisas, melhor ainda.

5. “Perdidos” não é o teu primeiro livro, em que medida os anteriores contribuíram para o nascimento deste?
Antes do “Perdidos”, escrevi o romance histórico “Almira, a Moura Encantada” e um conto de Natal, embora poucas vezes o mencione, pois atribuo maior importância ao primeiro. “Almira” contribuiu para o nascimento de “Perdidos” na medida em que já tinha cumprido o meu objetivo primordial: começar por escrever algo relacionado com a terra de onde sou oriunda. A partir daí, senti-me libertada para poder enveredar por outros géneros e explorar outras vertentes.

6. Fantasia é o género literário em que o livro “Perdidos” se insere e, igualmente, o género literário do momento. O que é que te fascina neste género?
As possibilidades infinitas. Podemos ler mil livros sobre o mesmo tipo de entidade sobrenatural e esta ser sempre abordada de maneira diferente, com novas características. Mas o “Perdidos” não é fantasia por ser o género “do momento” – simplesmente achei que, e como referi, como já tinha feito o que queria, e que era começar por escrever sobre algo da minha terra, podia partir para aquilo de que realmente gosto (a fantasia).

7. O processo de escrita nem sempre flui do mesmo modo. Quais foram as tuas principais facilidades e dificuldades na escrita do “Perdidos”?
A história foi fácil de criar, fluiu-me bem, melhor nuns dias, escrevendo menos páginas noutros, mas sempre a escrever. O mais difícil… bem, foram duas coisas: a primeira foi não ser tão detalhada, pois gosto de uma história sem grandes saltos temporais e “corrida”, mas isso tornava-a demasiado chata e demorada; em segundo, foi tentar ir ao encontro dos gostos de toda a gente. Pedi diversas opiniões, mas foram sempre tão contrárias umas às outras, que só encolhi os ombros e segui o coração. É uma deixa lamechas, mas às vezes temos que segui-lo e deixar que a nossa intuição nos guie. Deus que foi Deus não agradou a todos, quanto mais eu, lol!

8. Relativamente às personagens que habitam as páginas do livro, quer-nos falar um bocadinho do seu nascimento? Quais as principais inspirações para a sua criação?

O Lucas é a entidade sobrenatural de que precisava e queria-o um anti-herói que pudesse evoluir. O Joshua é uma personagem romântica, um pouco infantil às vezes, mas que vai fazer correr muita tinta nos próximos livros. Por último, a Marina é a rapariga atinada, cuja vida irá mudar. Quanto às inspirações para a criação das personagens, parti daquilo que gosto de encontrar nos outros livros. Sempre ouvi dizer que devia escrever um livro que eu quisesse ler – foi o que fiz: peguei no que gosto e transportei-o para a minha escrita. Embora possam considerar que isso vai de encontro ao que está “na moda”, para mim, vai ao encontro é do que gosto, e se não gostarmos daquilo que fazemos, para quê fazê-lo então?

9. O que é que podemos esperar dos próximos livros? Já tens uma data definida para o lançamento do segundo volume?
Estou a escrever o segundo volume neste momento. Gostaria de lançá-lo até ao final do ano, mas, estando a trabalhar e tendo pouco tempo para escrever, vai ser difícil atingir essa meta, embora isso não signifique que não vá tentar. Nos próximos livros podem esperar algumas reviravoltas inesperadas, vou tentar tornar as coisas mais “dark” e incluir mais ação, e nem tudo será o que parece. Sendo muito sincera, e porque é um trabalho em andamento, tenho lido as opiniões que têm sido publicadas e tenho procurado ir ao encontro do que me sugerem, até porque tenho interesse em agradar ao leitor, embora mantendo a minha liberdade criativa.

10. Por fim, como gostarias que a tua carreira de escritora evoluísse?
Gostava de ter uma carreira de escritora real. Quero dizer, eu escrevo, mas as minhas histórias apenas chegam a um número limitado de pessoas, não houve nenhuma “grande” editora que decidisse pegar em nenhum dos meus trabalhos… Enfim, gostaria que isso mudasse, até porque não escrevo só para mim – quero partilhá-lo com tantas pessoas quanto possível. É demasiado ambicioso? Talvez, mas podemos sempre sonhar =) Ah! E obrigado por esta entrevista; fico-te muito agradecida por ela e por teres lido o meu livro ;-)

A minha fotografia
 Obrigada Rute!

Rute Canhoto nasceu em 1984 e escreve desde que a professora a ensinou a juntar as letras na escola. Fã inequívoca do mundo literário, estreou-se desde cedo no panorama dos contos infantis e da poesia. Licenciada em Comunicação Social, publicou o seu primeiro livro em 2008, um romance histórico intitulado “Almira, a Moura Encantada” (Corpos Editora). No ano seguinte lançou o conto “Clara e o Natal” (EuEdito).

Para mais informações sobre a autora, podem consultar:
            

15
Abr13

Por detrás do autor | Liliana Lavado


Podemos dizer que têm sido grandes dias. Depois de muitas lutas travadas, de muito esforço e de muita dedicação, a Liliana Lavado conseguiu que um dos seus magníficos livros voasse em direcção das prateleiras deste país para que todos pudessem desfrutar de uns bons momentos na companhia das brilhantes histórias desta autora.

Como a Liliana é uma pessoa muito simpática concordou em ceder um pouco do seu tempo para responder às perguntas desta que é a primeira entrevista do Por detrás das palavras. Obrigada Liliana!

1.     Imagina um diálogo entre duas pessoas com o teu livro na mão e uma delas pergunta quem é a Liliana Lavado. O que é que gostarias que a outra pessoa respondesse?
A Liliana é a autora do livro “Inverno de Sombras. Ela começou por auto-publicar os seus livros e com a ajuda de Leitores-Beta e blogues que a foram acompanhando conseguiu que uma editora ficasse interessada em a publicar. Ainda bem que ainda se publicam novos autores portugueses.

2.   Escrever foi algo que sempre te atravessou o espírito? Como surgiu esse desejo de escrever?
Nunca pensei em escrever. Aliás a minha estreia nas leituras foi muito tardia e nada usual.
Há quem tenha a sorte de saber desde sempre o que quer fazer, outras tropeçam na resposta. Eu costumo descrever a escrita como “o meu tropeção”.

3.   A publicação do livro Inverno de Sombras foi o culminar de uma enorme luta que evolveu o teu projecto de leitores-beta. Queres falar um bocadinho deste projecto e indicar em que medida em que ele contribuiu para a realização do teu sonho.
Sem dúvida que os leitores-beta foram o factor-chave para a publicação.
Eles não tiveram misericórdia em apontar-me os meus erros e sempre foram incansáveis no apoio. São um grupo de pessoas muito especiais com quem tive o privilégio de me cruzar e que, um ano e meio depois, continuam comigo até hoje.

4.   Com certeza que esperaste por esta semana muito tempo. Como foi gerir com a ansiedade e as expectativas que este acontecimento despoletou?
A espera (felizmente) não foi longa. A editora Marcador revelou-se muito dinâmica desde o primeiro contacto e a publicação apenas levou quatro meses, o que em tempo editorial é um piscar de olhos.
Mas é claro que a ansiedade de saber qual seria a reacção do mercado ao livro ainda continua...

5.    Inverno de Sombras é um livro com uma narrativa muito bem estrutura e com uma enorme capacidade de prender os leitores. Queres partilhar a(s) tua(s) fonte(s) de inspiração para a construção deste livro?
Eu escrevi este livro ao longo de um ano e a história foi mais ou menos construindo-se a si mesma. A minha inspiração para o escrever foi Lisboa. Eu tinha em mente desde o inicio certos momentos do livro que se iriam passar em sítios icónicos como o Chiado, o Tejo e o Castelo de S. Jorge e as personagens foram crescendo aos poucos por “elas mesmas”.

6.    O que é que foi mais fácil e qual foi o teu maior obstáculo no processo de escrita deste livro?
O mais fácil foram os cenários. Eu vivia em Lisboa e passava pelos sítios onde se estava a passar toda a acção e era fácil conseguir detalhes que a tornavam real.
O mais difícil foi quase no final do livro... quando existiam tantas personagens envolvidas na história e cada uma delas com os seus próprios interesses e cada uma merecedora de um final emocionante. Confesso que existiram alturas em que duvidei que fosse possível terminar este livro.

7.   Podemos inserir o livro Inverno de Sombras na categoria fantasia. O que é que te fascina neste género literário?
Liberdade.
Quando integramos elementos não sujeitos às leis da natureza, há uma liberdade cativante para desafiar a linha de intriga e surpreender o leitor.

8. O Inverno de Sombras tem personagens muito fortes. Como foi o processo de construção dessas personagens?
Todas as personagens foram crescendo “diálogo a diálogo”. Para mim não existem personagens mais ou menos importantes, existem apenas uma diferença no tempo em que cada uma tem disponível para se dar a conhecer. De cada vez que elas têm espaço na página, elas têm de existir da forma mais real possível para o leitor e têm de conseguir fazê-lo sentir o que elas sentem.

9.  O sucesso deste livro no seio dos leitores beta levou-te por caminhos que não pensavas embarcar, nomeadamente a criação de uma sequela. Como está a correr esta nova fase?
É verdade, a sequela para o “Inverno de Sombras” não estava nos meus planos (pelo menos nos próximos 2 anos) mas a reacção dos leitores-beta à Andrea e ao Claude foi tão entusiástica que não resisti a dar prioridade ao segundo livro: “Fantasmas de Pedra”.
Neste momento a primeira versão do livro já está escrita. Não foi fácil escrevê-lo porque neste livro há um regresso ao mesmo tempo de história do “Inverno de Sombras” com a procura pela Caixa, mas toda a acção é agora na perspectiva da Andrea e do Claude. O equilíbrio entre o que “já existia” e o “tudo de novo” foi um enorme desafio.

10.  O que é que poderias dizer aos leitores para aumentar a curiosidade deles em relação ao Inverno de Sombras e levá-los a uma procura compulsiva pelo teu livro.
“Inverno de Sombras” é um livro de fantasia até para quem não gosta do género. Os leitores vão encontrar uma aventura em forma de caça ao tesouro, recheada de mistérios e surpresas vividas por um conjunto de personagens inesquecíveis.
Depois de o lerem, nunca mais vão olhar o “Mosteiro do Jerónimos” da mesma forma.


Sobre a autora:
Liliana Lavado é uma jovem escritora que na semana passada se apresentou aos seus leitores através da publicação do seu primeiro livro Inverno de Sombras pela editora Marcador.
É licenciada em Gestão de Marketing pelo IPAM, com uma especialização em Strategic Marketing in Action pelo IMD na Suíça. Viveu em Lisboa durante 7 anos e, actualmente, vive na Suíça. A sua carreira profissional tem passado pelas áreas de logística e de marketing operacional em diferentes multinacionais como a Nespresso.
É natural de Estarreja e o seu amor pelas palavras e pela escrita, em particular, surgiu quando frequentava a faculdade e depois de muitas visitas às livrarias em que não conseguia encontrar um livro com uma história que lhe prendesse o olhar. Perante este obstáculo, Liliana pensou que o melhor seria ela mesmo criar os seus mundos e as suas personagens entregando-se à escrita.