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Por detrás das palavras

Por detrás das palavras

13
Jan17

Por entre mundos diversos (4)

 
As bandas sonoras dos filmes

Já não escrevia nada para esta rubrica desde 2014. Ou seja, ela esteve abandonada durante dois anos. Ou por falta de temas para aqui colocar, ou por falta de vontade em escrever sobre as mais diversas coisas do mundo. E então, lá foi ficando adormecida. 

Hoje decidi ressuscitá-la para falar de algo que tenho passado a prestar mais atenção: as bandas sonoras que acompanham os filmes. 

Não sei se é algo que vocês, normalmente prestam atenção. No meu caso, é algo a que estou bem atenta e, muitas vezes vou ao youtube procurar as ditas músicas.

Dos vários filmes que vi, e tendo em conta a minha pesquisa, Rachel Portman é das compositoras que mais aprecio. É ela a autora de algumas das minhas músicas preferidas que passaram em filmes que eu já vi. Já foi vencedora de um Oscar, em 1996, pela sua banda sonora no filme Emma

As minhas músicas preferidas desta compositora são:

One day, do filme com o mesmo nome e que foi uma adaptação do livro

The portrait is revealed do filme Belle

No filme Belle é difícil escolher uma única música. Eu gostei de todas, mas este tocou-me em particular. Todas as músicas são obra da responsabilidade da Rachel Portman.

Há músicas que ficam para sempre na nossa memória quando assistimos a determinados filmes. 


Comptine d'un autre été de Yann Tiersen do filme O fabuloso destino de Amélie

A banda sonora deste filme é magnífica. Gosto de todas as músicas, mas este em particular é especial. Adoro ouvi-la vezes e vezes sem conta. 

Una Mattina de Ludovico Einaudi do filme Intouchables

Este é daqueles filmes que é um verdadeiro murro no estômago. Tem uma mensagem muito forte e esta música é simplesmente bonita, simples e tocante.

Theme from Schildler's list de John Williams do filme a Lista de Schildler

Esta música provoca-me arrepios na pele. Traz com ela toda a intensidade que o filme transparece. É, para mim, uma música triste e cheia de significado. Uma música que, tal como o filme, jamais vou esquecer.

Je vole de Michel Sardou interpretada por Louane Emera no filme A família Bélier

Eu adorei este filme. Adorei-o pela seriedade dos temas que aborda, pelos momentos divertidos que me proporcionou e pelas músicas que foram interpretadas.

E vocês? Têm músicas de filmes que vos tenham marcado? Partilhem comigo, gosto sempre de descobrir novas músicas.

24
Ago14

Por entre mundos diversos (3)







Um olhar pela diferença...

Bem vindo à Holanda (Emily Perl Knisley)




Já há muito tempo que não fazia esta rubrica... Por vezes é difícil arranjar inspiração e vontade para escrever. Como forma de a inaugurar neste novo lugar decidi pegar num tema diferente dos livros. Como escrevi quando apresentei esta nova rubrica, ela seria aberta a todo o tipo de temas, sendo assim hoje quis partilhar com vocês um texto que gostei muito de ler e de me ter cruzado com ele. 

O texto é uma metáfora acerca da paternidade/maternidade experiência por pais e mãe de filhos com deficiência. Esta forma de Emily Perl Knisley tocar num ponto tão sensível está muito bem conseguida. De facto, quando os casais pensam em ter um filho só imaginam a perfeição... Só planeiam a sua maravilhosa viagem à Itália! Mas o destino nem sempre é congruente com aquilo que queremos e leva-nos por caminhos que nunca esperamos e assim se chega à Holanda e aos filhos "especiais". Filhos estes que exigem uma nova adaptação e uma nova forma de olhar para tudo o que é preciso viver. É importante aprender a viver na Holanda para aproveitar tudo aquilo de bom que ela nos tem para oferecer. As crianças "especiais" podem ser uma verdadeira fonte de emoção, basta aprendermos a lidar com elas e a apreciar as pequenas conquistas. 

Penso que este texto poderá ser também uma metáfora da forma como nós encaramos a nossa própria vida... Por vezes ficamos deprimidos e frustrados por não conseguir lidar com o facto de não atingirmos determinado objectivo que nos esquecemos de apreciar aquilo que temos no momento presente... A vida é um lugar constante de aprendizagem, neste sentido em cada situação, cabe-nos a nós aprender a viver qualquer que seja o lugar onde o nosso avião da vida decida aterrar.

Espero que gostem tanto do texto como eu. 

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Bem vindo à Holanda (Emily Perl Knisley)

Frequentemente sou solicitada a descrever a experiência de dar à luz uma criança com deficiência - uma tentativa de ajudar pessoas que não têm com quem compartilhar essa experiência única, a entendê-la e imaginar como é vivenciá-la. 

Seria como ... 
Ter um bebé é como planear uma fabulosa viagem de férias para a Itália! Compramos uma mão cheia de livros sobre o país e a as cidades que vamos visitar e começamos a traçar os nossos planos: o Coliseu em Roma; a Capela Sistina e Michelangelo; os canais e as gôndolas de Veneza. Você pode aprender algumas frases simples em italiano. É tudo muito excitante. 

Após meses de longa espera, eis finalmente chegado o grande dia!

Você faz as malas e parte de avião. Algumas horas mais tarde o avião faz-se ao aeroporto e aterra. A hospedeira comunica pelo altifalante:

- "Seja bem vindo à HOLANDA!" 

"HOLANDA!?! " diz você - "O que quer dizer com Holanda?? Eu planei uma viagem a Itália! Eu devia ter chegado à Itália. Toda minha vida eu sonhei em ir a Itália". 

Mas houve uma mudança no plano de vôo. Eles aterraram na Holanda e é lá que você deve ficar. A coisa mais importante é que eles não te levaram a um lugar horrível, desagradável, cheio de pestilência, fome e doença. É apenas um lugar diferente. 

Logo, você deve sair e comprar novos guias do país e das suas cidades. Deve aprender uma nova língua. 

E você irá encontrar todo um novo grupo de pessoas que nunca encontrou antes e que nunca pensaria conhecer. 

É apenas um lugar diferente. É mais pacato que a Itália, menos vistoso que a Itália. É mais baixo e menos ensolarado que a Itália. Mas depois de lá estar por um bocado de tempo e de recuperar a respiração daquela notícia inesperada, olha a sua a volta e... 

Começa a reparar que a Holanda tem imensos e bonitos moinhos de vento...
... que a Holanda tem túlipas.

A Holanda até tem quadros de Rembrandt e Van Gogh!

Mas todos aqueles que você conhece estão atarefadíssimos a ir e vir de Itália...
... e todos comentam o tempo maravilhoso que lá passam.

E por toda a sua vida você dirá : 

"- Sim, era aí que era suposto ter ido. Era isso que eu tinha planeado."

E a dor que isso causa nunca, nunca irá embora... porque a perda desse sonho é uma perda extremamente significativa.

Porém... se você passar o resto da sua vida remoendo o facto de não ter chegado à Itália, nunca estará livre para apreciar as coisas belas e muito especiais... sobre a Holanda.
30
Mar14

Por entre mundos diversos (2)



Vergonhosamente, nunca mais peguei nesta rubrica (assim como ainda tenho várias para iniciar). Como tinha dito no mês passado, esta seria um momento mais generalista aqui no blog. Neste sentido, aproveitando uma discussão que tem surgido aqui na blogoesfera decidi encaixá-la aqui. 

Estas semanas que passaram surgiu em em diversos canais e blogs literários uma discussão sobre opiniões negativas aos livros. Assim, decidi deixar aqui aquilo que eu penso acerca deste ponto, que por vezes é demasiado sensível para muitas pessoas. 

Esta discussão foi iniciada pela Tati no seu canal no youtube, depois de ser criticada por ter criticado negativamente alguns livros. Nesse video, a Tati falou sobre a sua posição no que respeita às críticas negativas de livros e deixou três questões que irei responder aqui.


De comprar sim, de lê-lo não. Como em muitas coisas da nossa vida, a subjectividade é um amigo constante no que toca às leituras. É ela que, no fundo, nos faz cometer algumas incongruências. Tenho quase a certeza que muitos dos livros que gostei no passado, se os lesse hoje talvez o meu entusiasmo seria diferente. Ou mesmo a altura em que lemos determinado livro influência a opinião que construímos acerca dele. 
Assim, se eu ler ou ver uma opinião negativa acerca de um livro vinda de uma pessoa que tem gostos semelhantes aos meus eu não compro o livro, mas se tiver a oportunidade de o lê através de empréstimo ou requisitado na biblioteca não deixo de o ler. Este aspecto está muito relacionado com um aspecto pessoal, eu sou muito curiosa em termos de adquirir conhecimentos, sou curiosa no que toca à aprendizagem e encaro os livros muito da perspectiva da minha curiosidade. Ou seja, se alguém não gostou eu gosto de ler o livro para ver o que de facto funcionou mal naquela história e tentar identificar o que desagradou às outras pessoas. Posso vir a não gostar do livro, mas não encaro isso como tempo perdido, muito pelo contrário.

No que toca a compras, prefiro não arriscar (sim, sou um pouco "agarrada" ao dinheiro e prefiro gastá-lo com livros que tenho 90% de certezas de que vou gostar e como ele também não abunda, não me posso dar a estes luxos de comprara todos os livros que vejo). Caso o livro tenha poucas opiniões negativas, e eu esteja mesmo interessada, aí ainda considero a compra. Mas se, houver muitas opiniões negativas e estas vierem de pessoas que têm gostos muito semelhantes aos meus, aí não compro de certeza. 


Se há coisa que gosto na blogoesfera e na troca de opiniões sobre livros quer no blog, quer no facebook, é a possibilidade de ver diferentes visões acerca de um mesmo livro. Cada um constrói a sua visão da leitura e ambos até podemos gostar do livro, mas tenho a certeza que cada um identificou pontos diferentes para o facto de ter gostado. Por isso, acho que acontece o mesmo com as opiniões negativas. Gosto de ver o outro lado, gosto de ver o que é que falhou para as outras pessoas. E, muitas vezes, me vejo a pôr em causa o meu gosto em relação ao livro. Tudo isto depende (adoro esta palavras) de inúmeros factores. 
Em conclusão, nunca descarto a opinião de ninguém. Cada opinião tem a sua validade e o seu valor. E para que as coisas sejam melhores para toda a gente, e encararmos a  discussão literária como um mundo de aprendizagem devemos ter a mente aberta ao mundo dos outros. Ao conhecermos muitos "mundos" tornamos o nosso mais rico. Desta forma, devemos aceitar a opinião negativa/positiva dos outros, podemos "discutir" os aspectos que nos levou a gostar/desgostar do livro respeitando cada um na sua individualidade, sem ataques e sem ofensas (sinceramente, ainda não percebi o que é que as pessoas ganham entrando em conflito umas com as outras só porque se falou mal do livros que idolatramos). 


Todos os livros que leio têm direito a uma opinião, mesmo que esta seja negativa. Penso que, ao fazer uma selecção, era como se me estivesse a censurar a mim própria. Acho que temos o direito a exprimir a nossa opinião, seja ela positiva ou negativa, não temos é o direito de ser mal educados quando o fazemos (agredir verbalmente o autor, utilização de vocabulário impróprio). Isto leva-me para a segunda parte da questão sobre se meço ou as palavras quando faço uma opinião negativa e confesso que é algo que tenho dificuldades em me classificar. Por natureza, eu uso as palavras da melhor forma possível e sinto que consigo passar as minhas mensagens sem que seja necessário recorrer a palavras ou expressões pouco educadas. Não gosto de ofender e penso que podemos ser sinceros usando palavras menos desadequadas. Para quem já fiz leituras betas, pode dizê-lo sobre a minha forma de lhes transmitir os meus desagrados. Consigo dizer o que não gostei ou que me fez menos sentido, sem ser mal educada. Agora não sei posso dizer que esta minha forma de agir é uma forma de medir as palavras.

Acima de tudo, penso que temos de ter respeito pelo trabalho dos outros. E não é a ofender que conseguimos fazer valer as nossas opiniões. Temos que ter em atenção que o ser humano é subjectivo e que tem gostos diversificados. Aliás, este mundo seria uma chatice se toda a gente gostasse das mesmas coisas.

E vocês, como lidam com os livros para os quais têm de fazer uma opinião negativa? E como lidam com os "possíveis ataques" a essa opinião?
08
Fev14

Por entre mundos diversos (1)

Hoje vou dar inicio a mais uma das novas rubricas que tinha anunciado no mês passado. 

Esta pretende ser uma rubrica generalista, onde aparecerão posts relacionados com temas muito diversos. 
Como gosto de interacção, nos comentários podem deixar questões ou sugestões para posts futuros. Porque apesar de ser o mesmo espaço, gosto de dar espaço àqueles que muito amavelmente me vêm ler.



Para iniciar, decidi fazer uma visita ao mundo da música e partilhar com vocês uma banda que fez parte da minha adolescência e que está preste a reunir-se para dar dois últimos concertos. Para quem ainda não adivinhou estou a falar dos Silence 4

Os Silence 4 surgiram em 1996, mas eles começaram a fazer parte da minha lista de músicas por volta de 1998/1999. Ouvi-a as músicas repetidas vezes e nunca me cansava. Fizeram parte de alguns momentos importantes da minha vida e continuei a ouvir as músicas muito depois deles terminarem. É claro que como gostava tanto dos Silence 4 acompanhei a carreira a solo de David Fonseca de quem já assisti um concerto ao vivo e adorei. 

Não sei se partilham da mesma opinião, se ficaram contentes com estes dois concertos que eles vão fazer. Eu fiquei bastante contente! Tenho pena de não puder ir, mas já foi muito bom puder ouvir falar deles. É como se me oferecessem um pouco dos bons momentos do passado.

Deixo-vos com alguns músicas, as minhas preferidas.

Borrow

Angel Song

To Give

Little respect 
(esta não é original deles, mas a versão é fantástica)