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Por detrás das palavras

Por detrás das palavras

13
Jan16

Opinião | "A trança de Inês" de Rosa Lobato de Faria

A Trança de Inês
Classificação: 3 estrelas

A trança de Inês foi o segundo livro que li de Rosa Lobato de Faria. Eu gostei muito do primeiro livro que li. Adorei a escrita e a história que nos foi oferecida. Desde essa altura que fiquei com vontade de ler mais obras desta autora portuguesa. 

Em comparação com o livro anterior, não gostei tanto deste. Continuei a gostar da escrita da autora, mas a história foi confusa para mim. 
A trança de Inês  traz-nos a história de um Pedro e de uma Inês do passado (que tem como base o romance histórico de Pedro e de Inês), do presente (finais de séc. XX) e do futuro (séc. XXII). Este entrelaçar de épocas baralhou-me as ideias e foi difícil perceber e entender tudo. Em alguns momentos senti-me perdida no tempo. Apesar desta minha dificuldade reconheço que é um ponto de originalidade no livro. 

Foram duas as interpretações que tirei deste entrelaçar de épocas. Se por um lado, pareceu-me que Pedro e Inês estavam em sucessivas reencarnações. Por outro, pensei que o Pedro do presente foi invadido com algum tipo de loucura proveniente de um desgosto de amor com  a sua Inês e que o levava a ter alucinações com um passado e um presente onde uma história de amor entre um Pedro e uma Inês se entrelaçava com o seu desgosto. 

Apesar de não ter sido uma leitura fácil, de me sentir confusa e de me ter sido difícil encontrar no meio de tantas viagens no tempo, continuo a admirar o estilo de escrita de Rosa Lobato de Faria e recomendo a sua leitura. Espero, em breve, conseguir ler mais alguma obra desta escritora para conseguir definir mais claramente a minha relação com os livros desta escritora.
23
Out14

[Opinião] Romance de Cordélia


Romance de Cordélia (Finisterra)

Autor: Rosa Lobato de Faria
Ano: 2010
Editora: ASA
Número de páginas: 218 páginas
Classificação: 4 Estrelas

Sinopse
No Romance de Cordélia Rosa Lobato de Faria compraz-se em caminhar no fio da navalha, inventando um género que deliberadamente invoca, pelo avesso, o romance de cordel, forçado a figurar na primeira pessoa em algumas das passagens mais tortuosamente divertidas do livro. Livro que se constrói, em ficção, sobre uma série de histórias de vida reais, cuidadosamente recolhidas pela autora e por ela sabiamente recontadas, sem que se perca o drama, a violência, a ternura, a linguagem de um submundo forçado a ocultar-se sob a abas da nossa vergonha colectiva.(...) Mas, mais vale experimentá-lo que julgá-lo: quem, tendo-o começado, for capaz de o abandonar merece um doce. O cianeto é por minha conta.

Opinião
Há livros que nos deixam com pouco para dizer sobre eles. Romance de Cordélia é um desses livros! Acho que, por muito que tente exprimir a minha experiência com esta leitura, este livro oferecerá sempre sensações e percepções diferentes a quem o ler.

Nunca tinha lido nada de Rosa Lobato de Faria, nem nunca tinha sentido muita vontade de ler. Depois de ver a Catarina S. do Canal Little House of Books a falar sobre o livro A trança de Inês fiquei com vontade de experimentar.

No início foi difícil entrosar-me com a leitura e com tanta personagem que aparecia e desaparecia. O estilo de escrita da autora é também um pouco diferente do que costumo ler, mas facilmente me adaptei.
Este livro é narrado na 1ª pessoa, pela própria Lili. Lili teve uma vida preenchida pelas desgraças. Desgraças essas que se devem a uma clara falta de atitude e passividade dela. Estas desgraças são muitas mas não parecem fantasiosas ou pouco credíveis. Pelo contrário, acho que podem mesmo acontecer a uma pessoa com a personalidade da Lili.
É com estas desgraças que Lili vai parar à cadeia e aqui também assistimos a uma retrato muito credível do estilo de vida das reclusas.
Achei engraçado um aspecto de vida de uma presa. Ela gostava de ler romances com personagens com uma vida desgraçada, que se apaixonam por um homem rico e que são enganadas. Porém, conseguem sempre dar a volta por cima e vingam-se deste passado terrível e acabam a sua história com um final feliz.

Penso que a reclusa idealiza a sua vida como a vida das personagens destes romances. Passou a dá-los à Lili para ela lê-los. Sempre era uma forma de irem passando o tempo. 

Contudo, o final deste livro não apresenta qualquer paralelismo com os romances que Lili e a sua colega liam na prisão. É um final duro e ao mesmo tempo especial. Fui emocionalmente atropelada com este final. Não esperava que tal acontecesse e aquilo que me ficou foi que podemos passar por muito, mas se quisermos podemos sempre ser bondosos. E a bondade é contagiosa. No fim da sua vida, Lili encontrou essa bondade e consegui dar algum significado à sua existência e ao mesmo tempo conseguiu "contagiar" outros com este sentimento.