É o segundo livro que leio da Tânia Ganho e prevaleceu a mesma sensação da leitura anterior: a dificuldade em me conectar com as personagens e em sentir empatia pelas fragilidades das mesmas.
Neste livro acompanhamos a história da Ana, uma jovem mulher que procura ser amada. É nas suas buscas pelo amor que conhece Richard, um homem que vai lhe mostrar o lado feio do amor.
Numa escrita muito cuidada e limpa, fui acompanhando os desafios e os conflitos internos da Ana sem nunca me sentir perto dela ou conectada. Era apenas uma leitora espetadora que assistia de forma passiva e pouco envolvida ao desenrolar das situações que iam pautando o quotidiano desta mulher.
Poder-me-ia ter sentido desolada e zangada com a vida que ela vivia com Richard; poder-me-ia ter sentido triste com a dor do seu luto familiar; poder-me-ia sentir compaixão pela sua vida laboral. Tantos sentimentos que me poderiam ter surgido, mas simplesmente lia as coisas de forma extremamente desligada. Talvez não tenha gostado da Ana, talvez me tenha revoltado com as suas más escolhas, talvez não me identificasse com o seu padrão de vida. E no meio destes talvez fui apenas uma leitora passiva que estava um pouco impaciente para chegar ao momento de rutura da narrativa que representasse uma real mudança na apatia a que a Ana se tinha entregado.
Não fica muito deste livro. Nem pelo bem, nem pelo mal. Persiste a sensação de uma leitura mediana, que me foi entretendo as viagens para Braga.
Ainda não desisti de Tânia Ganho, mas aguardo com alguma ânsia por uma história que toque o meu coração e me ligue às personagens.
Não é da atualidade o meu desejo de ler uma obra da Tânia Ganho. Em 2020, a autora ganhou um bom destaque com o seu livro "Apneia", mas o meu interesse é muito anterior a isso. Ele surgiu depois de uma pessoa ter lido "A mulher casa" e me ter falado maravilhas do livro.
O preço deste livro é muito bom, só por isso merece ser lido. Contudo, a qualidade deste livro é inegável. Fiquei maravilhada com a escrita da Tânia Ganho. É uma escrita que parece ser um pouco elaborada; mas quando mergulhamos a fundo na história que ela nos apresenta, é como se estivéssemos perante um rio de água cristalina onde conseguimos ver o fundo.
Quanto à narrativa em si, a minha experiência caracteriza-se tendo em conta diferentes fases de leitura. Não me consegui apaixonar pelas personagens nem pelos acontecimentos que elas relatam. Por vezes, senti que a relação que eu tentava estabelecer com elas se quebrava com os avanços e recuos temporais da narrativa.
A ação centra-se em Clara. Acompanhamos a sua vida desde a adolescência até à idade adulta. Não é uma personagem fácil de se gostar. Ela é extremamente volátil, cínica e pouco assertiva nas suas ideias. É uma mulher emocionalmente confusa e essa confusão passou para mim e exasperou-me. Acho que só no final consigo atingir um grau de compreensão para a forma como ela dirigiu a sua vida. Contudo, sobra a frustração de perceber que ela não lutou assim tanto pela sua individualidade. Parece que andou a flutuar no tempo, passando pelas pessoas sem deixar que grande parte delas acedesse àquilo que ela realmente era.
Não é uma personagem irreal ou mal construída, muito pelo contrário. Acho que existem pessoas assim e cujas vidas mergulham numa complexidade estranha aos olhos dos outros. É verdade que me irritei com esta Clara algumas vezes, mas até aqui se vê a qualidade com que a escritora conduziu a sua obra.
Não é uma história memorável ou capaz de permanecer no meu coração. Foi um boa estreia com a escritora e quero conhecer mais obras.